Do Porto com Amor: Goleada à Arouquesa

sábado, 11 de março de 2017

Goleada à Arouquesa


A história deste jogo em Arouca conta-se em poucas palavras, tal a linearidade do percurso que o Porto teve de percorrer. Simplificando, foi chegar, marcar, gerir e vencer. 




O que não se pode deixar de realçar é que a viagem só foi tão suave e prazenteira (em especial para mim, tão bem recebido como sempre) porque a equipa soube levar o jogo a sério desde o primeiro apito. Pode parecer trivial, mas na verdade não é. Esta postura mental, altamente competitiva, não é uma dádiva divina nem um direito adquirido, é algo que exige trabalho de jogadores e técnicos.

Certamente que a fragilidade desta equipa arouquense ajudou à festa, mas muito rapidamente o jogo se poderia ter complicado se a nossa postura não tivesse sido sempre séria e comprometida com (apenas) este encontro.

No final, o que sobrou foi um agradável passeio do Dragão à Serra da Freita, acompanhado de forma entusiasmada e entusiasmante por muitos milhares de Portistas. Mais uma vez, voltamos a jogar em casa. 
Nesta altura, há uma empatia muito forte entre adeptos e equipa, uma espécie de mão invisível que empurra, com naturalidade (e sem batota), os jogadores para a glória. A última vez que senti isto foi em 2011, a propósito da campanha europeia que terminou com a conquista de Dublin. Esperemos que o desfecho seja similar, desta vez a nível interno.
Arouca by day...

Arouca by night.

Notas DPcA 

Dia de jogo: 10/03/2017, 20h30, Estádio Municipal de Arouca, FC Arouca - FC Porto (0-4)


Casillas (6): Um quase-espectador, apenas foi chamado a intervir num par de lances e sem grandes complicações para resolver.

Maxi (8): Nos primeiros minutos pensei "lá está a pdi a cobrar portagem ao bom do Maximiliano", tal a dificuldade para acompanhar Kuca em velocidade. No entanto, bem apoiado, conseguiu conter todas as potenciais ameaças e partiu para uma exibição quase inacreditável, em especial na segunda parte, tantas foram as vezes que fez o seu flanco a toda a (sua) velocidade. Uma espécie de ponte aérea entre a defesa e o ataque, sempre a todo o gás. Já perto do final, foi finalmente recompensado, acertando um cruzamento para o último do jogo.

Telles (7): Mais retraído do que Maxi, acabou por optar mais vezes pelos equilíbrios defensivos do que pela exploração ofensiva do seu flanco. Mesmo assim, esteve em bom plano.



Marcano (6): Boa exibição, ainda que menos autoritária do que em jogos recentes. Algum nervoso miudinho a espaços sem nada o justificar, será por envergar a braçadeira?

Felipe (7): Desta vez foi o melhor dos centrais, assertivo e a procurar limpar deixando a bola jogável num companheiro.

Danilo (8): Outro jogo de qualidade, desta vez motivado pelo golo que abriu as hostilidades. Dá a sensação de só saber jogar bem.

Óliver (8): Foi bom rever um velho conhecido, o Oli de há duas épocas, mesmo se ainda em part-time. Muito jogo passou pelos seus pés, quase sempre decidiu bem (uma perda de bola complicada foi o seu pior momento) e ainda assistiu. Queremos mais, p.f.

< 85' André André (7): Está em crescendo, melhorando a qualidade e consistência das suas exibições de jogo para jogo. Com este, já são três consecutivos em muito bom plano. Recuperou muitas bolas mas também procurou construir, sobretudo no estágio inicial dessa construção.

< 76' Melhor em Campo Brahimi (8): Parece outro jogador. Ou melhor (literalmente), parece outra pessoa, reflectindo esse novo carácter no seu jogo. Altruísta, focado no trabalho de equipa, solidário e depois - aquilo que todos dele esperamos - desequilibrador. Teve muitos pormenores de classe e foi sem dúvida o que mais jogou e fez jogar ontem em Arouca.



< 71' André Silva (5): Está a atravessar o lado obscura da sua lua, eventualmente eclipsado pela chegada triunfal de Soares, e isso nota-se na impaciência com que tenta definir os lances e na sua postura corporal. É importante que, quem de direito, converse com ele e lhe faça ver que o caminho se faz caminhando, passo a passo, e alguns serão inevitavelmente em falso. Precisamente por ter chegado Soares, tem agora espaço para falhar, para errar e aprender com esses erros. Só não pode é deixar-se abater, porque, garantidamente, o seu sol voltará a brilhar intensamente.

Soares (8): Mais uma estreia, desta vez a falhar golos cantados frente ao guarda-redes. E por duas vezes, embora a primeira fosse a mais arrepiante. Por "sorte", ainda assim marcou dois golos, daqueles que o Hugo Almeida nunca conseguiu fazer, em que é só empurrar. Missão plenamente cumprida e com distinção.

> 71' Diogo Jota (7): Uma vez mais, excelente entrada no jogo, voltando a agitá-lo e renovando o espírito insaciável deste Dragão. Várias combinações de sucesso e algumas investidas individuais deram novo brilho a um jogo que já empalidecia no conforto do resultado (ainda enganador). O seu golo foi caricato, mas contou como os outros. É bom ter banco!

> 76' Otávio (6): Mais uns minutos e mais pormenores, daqueles que evidenciou no início da época. Parece estar prontinho para entrar em pleno quando for chamado. É bom ter banco!

> 85' J.C. Teixeira (-): Foi o último a entrar e já pouco sobrava para fazer. Um remate que acabou por não o ser foi a única coisa que me ficou na memória.

NES (8): Repetir um onze que vence de forma categórica é sempre sinal de inteligência. Em rigor não repetiu, porque Maxi regressou, mas no essencial tudo se manteve, mesmo meio campo e com ambos os avançados a caírem sobre as alas (normalmente à vez, mas também aconteceu em simultâneo), abrindo espaço para Brahimi, Óliver e André André aparecerem pelo meio. O jogo correu-lhe de feição, mas fez muito por isso. E assim sendo, apenas me apetece elogiá-lo. Boa Nuno!
 




Outros Intervenientes:


Kuca parece ser o jogador que se destaca neste Arouca, mas confesso que se não o conhecesse, nem ele me tinha chamado a atenção. Ou então somos nós que, por esta altura, vulgarizamos os adversários.

Sem ter lido jornais ou visto resumos, não tenho nada a apontar à arbitragem de Hugo Miguel. Terá errado certamente, mas sem relevo. Que bom.



Da próxima vez que jogarmos fora para o campeonato, será na Luz, para assaltar em definitivo o primeiro lugar. Antes disso, há que fechar as contas da Champions com dignidade e vencer o jogo caseiro, contra o Vitória de Setúbal, que, convém não esquecer, nos enguiçou esse mesmo ataque à liderança na primeira volta. Por isso mesmo, um passo de cada vez. Chegará o tempo da ida à Luz, mas antes há trabalho para fazer - e bem feito.



Lápis Azul e Branco,

Do Porto com Amor




2 comentários:

  1. Tão simples, que melhor seria uma crónica gastronómica. A posta? O assado? O bife? :)

    ResponderEliminar
  2. Depois de mais uma vitória, confesso que Estou com um pressentimento que vamos à luz já em primeiro... acho que a equipe está de parabéns pois conseguiu encontrar uma consistência e equilíbrio que não tínhamos nas últimas épocas!

    ResponderEliminar

Diga tudo o que lhe apetecer, mas com elevação e respeito pelas opiniões de todos.