Do Porto com Amor: Sem Vacilar

domingo, 5 de novembro de 2017

Sem Vacilar


Prova superada. Uma noite no Dragão que muitos anteviam tão complicada como efectivamente o foi, dado o conjunto de factores (pouco descanso, lesões e castigo) que nos amputou de parte relevante do onze mais vezes titular e, por consequência, de soluções de banco. E, já agora, de um Belenenses bem organizado e resistente, que parece mesmo só perder o seu norte nos dois jogos contra os sem-vergonha.

 Catarina Morais / Kapta +

A entrada dos nossos no jogo foi boa, como que a querer dissipar qualquer dúvida sobre quem mandava ali, jogasse quem jogasse sob o azulebranco. Bons envolvimentos, apesar das poucas rotinas, e várias vezes a ameaçar criar real perigo. A questão é que demorou a passar de vãs ameaças a algo concreto, capaz de criar dano nas redes adversárias.

Já o Belenenses não se fez rogado e foi o primeiro a criar um lance de verdadeiro perigo, num remate cruzado que não passou longe do poste esquerdo de José Sá. Antes disso, já Fábio Veríssimo tinha falhado detectar um claro derrube de Hernani à entrada da área belenense, como que a dar o mote para o que se seguiria.

Ninguém se descompôs com o susto e continuou o alegre assalto à baliza de Muriel, mais um da linhagem de Matrafona, o Batoteiro. Brahimi (muito ele), Abou, Hernani, André, Telles e Marcano, todos o tentaram sem sucesso; só mesmo o inimitável Héctor Herrera conseguiu desflorar a donzela lisboeta, já em cima do intervalo. Para nosso alívio, diga-se, sobretudo após o adversário "perdoar" o empate já nos descontos.

A segunda parte foi mais difícil, como seria de prever. Na ausência de um segundo golo madrugador, seria apenas natural que o Belenenses fosse ganhando algum ascendente, à medida que as nossas pilhas parcialmente carregadas se fossem esvaziando.

Não que tenham conseguido oportunidades flagrantes para empatar, uma vez que falharam quase sempre o último passe ou foi deficiente a abordagem do potencial finalizador. Mas andaram lá perto, a rondar, e era real a possibilidade de sofrer um golo num lance qualquer, até caído do céu inferno aos trambolhões.

E como, entre outros menos flagrantes, Sérgio Oliveira conseguiu não marcar um golo (quase) feito a um quarto de hora dos noventa, tivemos de esperar pelo minuto 89 para assistir ao momento da noite: o brilhante golo de Aboubakar, que sentenciou finalmente a distribuição dos pontos em disputa. Todos para somar ao nosso pecúlio, obviamente.

Contas encerradas, liderança garantida e com possibilidade de se reforçar. Lá estaremos, hoje ao final da tarde, bem confortáveis no sofá, a ver se sim ou se não. O nosso está feito, os outros que se desenrasquem.



Notas DPcA 


Dia de jogo: 04/11/2017, 20h30, Estádio do Dragão, FC Porto - CF Os Belenenses (2-0)


José Sá (7): Respondeu à altura sempre que solicitado (e foi, várias vezes) e pareceu já conseguir transmitir segurança aos seus companheiros. E conseguiu acabar outro jogo sem sofrer. O que é bom.

Ricardo (6): Alternou as vagas ofensivas com Telles e, da sua parte, houve sempre muita energia e disponibilidade para subir. Sempre... até a bateria começar a dar sinal de esgotamento. É apenas humano, mas joga bem à bola que se farta.

Alex Telles (7): Fica outra vez ligado ao resultado, porque foi dele o canto que acabou por permitir a Herrera fazer o primeiro. Sempre muito ligado pelo flanco acima, combinando bem com Brahimi e com quem mais caiu na zona, apesar da habitual falta de eficácia no último passe. Bem a defender também.

Marcano (6): Menos afirmativo do que nos jogos mais recentes, ainda assim esteve num bom plano na maior parte do tempo.

Felipe (5): Não sei se atravessa alguma fase menos boa a nível pessoal, mas fica claro que está intranquilo e comete erros pouco perdoáveis, como o possível penálti e os vários possíveis amarelos que poderiam acabar em possível expulsão. Como se não bastasse, ainda teve um par de cortes deficientes em zona proibida e um deles só não deu golo por "milagre".

Reyes (6): Desposicionou-se mais do que o desejável e não creio que tenha a qualidade de passe suficiente para se impor nesta posição - falhou demasiados e nem sempre passes "necessários" - mas neste jogo esteve à altura do desafio e o saldo da exibição é claramente positivo, mesmo descontando essas manchas no currículo. A determinação e o empenho que denotou valeram pelo resto.

Melhor em Campo Herrera (8): Desbloqueou o marcador e assistiu muito bem para o segundo, o que num jogo que ficou 2-0, seria já um feito marcante. O bom problema é que não se limitou a isto, antes foi o verdadeiro motor e cola-tudo da equipa, ligando as peças soltas e dando-lhes algum nexo. E, pasmo-me, não me lembro de um passe estapafúrdio, nem sequer de uma ideia mal gizada e pior executada. Não, hoje esteve divinal, o pecador incurável Héctor Miguel. Um jogo realmente muito bom, a fazer-me sonhar como seria se pudesse ser mais vezes assim... e menos vezes assado.

Catarina Morais / Kapta +

< 76' André André (5): Posso admitir a sua presença em campo na primeira parte, até porque seria insensato por parte do treinador não lhe dar hipótese de se tornar relevante entretanto. Mas confesso que tenho dificuldade em perceber por que raio andou a penar mais 26 minutos após o intervalo, sem conseguir produzir nada que se visse. Muito fraquinho, muito Andrezinho, não chega para jogar no Porto. Para cá estar, tem que se superar todos os jogos. O que, convenhamos, parece ser algo improvável.

< 76' Brahimi (6): O principal foco de instabilidade na defesa azul na primeira parte, deu menos nas vistas na segunda, porque houve mais com quem partilhar o palco e sobretudo porque deu o estouro. Bom meio jogo, ainda assim.

Aboubakar (7): Que grande golo, Vincent! Como é que um gajo que falha de baliza aberta depois faz golos destes, mon ami? Chapeau (literalmente). No demais, muita parra e pouca uva, mas sempre a carburar pela equipa.

< 60' Hernani (6): Ele bem tenta, mas não chega lá. Hoje teve a sua grande oportunidade de mostrar alguma coisa e voltou a desapontar. Claro que trabalhou, tentou e até quase conseguiu, mas... não deu. Será "ainda" ou é mesmo the odd man out?

> 60' Corona (7): Outra grande entrada a partir do banco, re-agitando o jogo a nosso favor e pondo em sentido os atrevidos pastéis adversários. Foi fulcral na contenção da "revolta" e a assegurar a vitória.

> 76' Sérgio Oliveira (5): Chegou tarde, mas ainda a tempo de ajudar a estabilizar o jogo no meio, acrescentando-se onde antes havia vazio (leia-se André André). Pena não ter aproveitado aquele golo feito, que sem dúvida daria outro colorido à sua curta participação.

> 76' Galeno (5): O rapaz corre, é verdade. E muito. Vá, e mete o pé também, às vezes. Mas e que mais? Ainda não sei...

Sérgio Conceição (7): Vitória fundamental neste jogo armadilhado, garantindo a liderança isolada após um terço do campeonato disputado. E muito bem no pós-jogo, em especial sobre Herrera e depois em exclusivo para o Porto Canal. Isto é o essencial e justifica a nota. Muito bom e bem acima das minhas expectativas iniciais.

Quanto ao jogo em si, menos satisfeito. Do onze, nada a dizer, embora não partilhe da sua fé em Reyes para jogar a "6" - e o certo é que cumpriu. Já quanto à indecisão em fazer a segunda substituição (e terceira, afinal), acho que nos penalizou em demasia. Rapidamente se viu que André estava ausente, macio e inconsequente e que a equipa se ressentia disso. Assim como Brahimi, que esvaziou o depósito todo na primeira parte.

Tal como não entendo a ostracização de Óliver. Hoje era mesmo dele que a equipa precisava, mais do que de Sérgio Oliveira ou outro qualquer dos que estavam no banco. Mas nem assim. Hoje ficou claro para mim que Óliver está "de castigo". Porquê, não sei. Mas lamento, porque é talento desaproveitado. E, meu caro Sérgio, não é algo que tenhamos com fartura.




Outros Intervenientes:



Surpreendeu-me a organização e a confiança deste Belenenses de Domingos Paciência, não por duvidar da capacidade do treinador, mas porque o seu plantel é relativamente desconhecido para mim e não conheço nenhum jogador que se destaque dos demais. Que os haverá, certamente, mas neste jogo foi o conjunto que mais deu nas vistas. Vi foi detalhes, bons detalhes, num ilustre desconhecido que dá pelo nome de Bernardo "Benny" Dias, um menino de 20 anos que entrou na segunda parte. A seguir...


Sobre Fábio Veríssimo e restante gangada, no estádio fiquei com a impressão de que decidiu mal demasiadas vezes, tanto em lances negligenciáveis como em lances críticos, de que é exemplo a falta clara sobre Hernani em cima da grande área (mas fora) por marcar (+ amarelo), por oposição às faltinhas de treta a cortar prováveis ataques perigosos. E pelo menos mais um cartão amarelo ficou por mostrar, num abalroamento a Galeno.

[Actualizado] Quanto ao possível penálti de Felipe por carga ilegal ao minuto 11, acho que decidiu bem mas admito que poderia ter marcado falta, se essa fosse a sua leitura. Ao minuto 23, há um bloqueio ilegal a um avançado adversário, que deveria ter sido penálti. Há um terceiro lance ainda na primeira parte, num carrinho impetuoso do outro lado da área após o avançado já ter cruzado a bola, que também me deixou dúvidas mas do qual não há repetições esclarecedoras.

Não é liquído nem provável que sendo marcado um dos penáltis e respectivo cartão amarelo, Felipe voltasse a repetir a asneira, pelo que a teoria da expulsão é rebuscada. Mas as consequências de um penálti concretizado ninguém pode medir, apenas que teria influência relevante no jogo.

Tudo somado, o Belenenses pode ter tem mais razões de queixa do que nós, pelo impacto previsível no jogo dos lances em causa. Sim, o Porto foi beneficiado pela arbitragem, finalmente. Nunca saberemos se, a ser(em) assinalados, teriam implicado diferente distribuição dos pontos em disputa - mas fica a dúvida razoável.


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Onze jogos, dez vitórias e um empate - que também deveria ter acabado com os três pontos do nosso lado, tal a superioridade exibida em casa do também candidato Sporting. Um registo ao nível dos melhores da nossa história e que ninguém sabe ainda até onde pode chegar.

Chega, por agora, para nos garantir a liderança isolada do campeonato, cumprido que está sensivelmente um terço da prova e chegados a mais uma pausa para outras coisas. A que distância dos da segunda circular, cabe-lhes dizer de suas justiças (apenas das suas e de mais ninguém, espero).

A propósito, que fique registado para a posteridade a conjugação có(s)mica de factores a que num dos tweets mais populares de sempre do DPcA apelidei de "A mãe de todas as coincidências":



Para os menos dotados que me responderam ao tweet de forma absurda, aqui fica a desnecessária explicação da ideia: já se sabia que, perante a obrigação dos clubes cederem os jogadores às equipas nacionais na segunda feira, os jogos de Sporting e Benfica teriam sempre de se realizar domingo e com prejuízo de Braga e Vitória, que disputaram a Liga Europa somente na quinta passada. 

O que está em causa é o Porto não ter podido jogar também no domingo, beneficiando assim de um descanso mais aproximado ao dos outros dois candidatos. Percebido agora, amiguinhos? Vá, bora lá continuar a ver o Clube Amigos Disney e a imaginar como será a Ana Malhoa quando for grande...



Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco



13 comentários:

  1. ta bem, concordo com a apreciaçao a andre2, a hernani, a filipe, a oliver, a SC. O jogo seria complicado especialmente por causa do fisico e das lesoes musculares, repito musculares, no entanto SC complicou o ainda mais com opçoes estranhas, se ajuda com a emotividade a ganhar os jogos e com a intensidade que obriga os jogadores a por no jogo, a mesma emotividade prejudica lçhe o descernimento como neste jogo que so ganhamos pela vontade, pela estrelinha. Fomos ridicularizados em casa pelo belenenses em larguissimos minutos de jogo exatamente porque hernani e claramente de 2 liga, andre2 nao tem estofo para tanta intensidade, brahimi so deveria ter jogado meia parte, filipe esta perigoso para nos. Entao porque razao soliveira , oliver nao jogam de inicio ou entram muito mais cedo?? teimosias nao SC porque pode dar para o trorto a qualquer momento, senta com muita facilidade casillas porque sim, oliver porque ninguem sabe, soliveira por capricho. O nosso corredor direito era por onde o belenenses mais atacava parecia uma auto estrada. O porto jogou como contra o leixoes , empatou, e contra o boavista na 1 parte, herrera adapta se bem a este tipo de futebol de SC, percebo a aposta em reys porque eles marcam bastantes golos de cabeça mas se reys nao serve para dcentral ento deixem no ir e coloquem um da equipa B e sao varios. Galeno, galeno vale 10 hernanis, em 15 minutos reve um remate que so nao deu golo por um triz e iniciou a jogada do segundo golo, por exemplo Luizao tem cabidela de caras neste meio campo do porto de meias lecas. Pronto mais digo que sem o caso emails provavelmente nao ganhariamos este jogo, SC tem de deixar de ser tao emotivo e gerir o plantel com mais racionalidade ou falhara na praia como falhou uma final braga - sporting em que estava a ganhar muito perto do fim e perdeu por nao saber segurar os cordelinhos dentro do campo. Convem alertar quando estamos a frente.

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    1. Ridicularizados... não será um bocadinho de exagero da sua parte?... É que o futebol é um jogo de duas equipas, não de tiro ao meco...

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    2. talvez me tenha excitado, mas pronto!!

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  2. Já chega a ser cansativo o FC Oliver, o FC Casillas e por aí fora.
    Gosto muito do Herrera mas jamais em tempo algum fui apologista do FC Herrera! Sou acima de tudo FC PORTO!

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    1. Francamente, cansativo é perceber a tendência para se destacar 2% do post e ignorar os demais 98%. Se calhar, passo a escrever cinco linhas e está feito - parece que vai dar ao mesmo...

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  3. Fiquem eufóricos com as exibições de Oliver na Taça da Liga onde podemos empatar ou perder que essa competição não nos interessa para nada.
    Deixem Herrera ser o pior jogador do mundo na vossa concepção, mas que nos ajuda a ganhar.

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  4. A mensagem de Óliver: «Até ao final… Por vocês»
    O rapaz é muito melhor a mandar mensagens que a jogar. Não queiram mexer no que está finalmente a resultar.

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  5. So far so good. Além dos resultados desportivos tenho que dar mérito a algumas conquistas do SC. O espírito de grupo e de entrega é incrível. Isso é muito relevante pois nem todos os jogos vão ser fáceis e vao correr bem e nesses momentos essa entrega faz a diferença. Mesmo os jogadores que estão a jogar menos parecem motivados e não criam caso! Em paralelo acho que tem dado respostas táticas interessantes e que, concordemos ou não têm funcionado. O descanso neste momento é oportuno, teremos tempo para recuperar quem sabe alguns jogadores e preparar os próximos 2 jogos. Não sei explicar bem porque... mas gosto do Herrera! E é isso por agora...

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    1. Sabes, tenho vindo a desenvolver uma teoria, que conto explanar mais adiante, sobre a sobranceria que passou a caracterizar o adepto Portista pós-Gelsenkirschen (na qual me incluo). Sobranceria essa que já se deveria ter desfeito após estes quatro anos de míngua, mas parece que afinal não... bastou estarmos à frente após 1/3 do campeonato para que muitos de nós voltassem ao velho registo, de que seremos campeões por direito, por sermos "naturalmente" melhores e mais competentes, e que cá só se admitem craques e grandes promessas de o ser.

      Talvez por isso não se) esteja a dar o devido reconhecimento ao grande trabalho de SC, a anos-luz do que os anteriores papalvos conseguiram fazer. Poderia fazer as coisas de outra maneira? Certamente, mas não seria a dele.

      Tudo isto para concordar contigo, no mérito que todos temos de dar ao homem. Ainda não ganhou nada, mas já nos trouxe até aqui, vindos das profundezas dos LorpaNES. No final faremos as contas, pode falhar estrondosamente, mas... não me parece.

      P.S.: Eu também gosto do Herrera, porque me parece ser boa pessoa. Já como jogador, só quando... se comporta como jogador!

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    2. Uma vez numa entrevista, o CAS, campeão mas contestado, ele contava que ao subir em casa no elevador junto com um vizinho, este teria comentado: " Não se preocupe, isto é algum treinador que está no desemprego!" ...
      Infelizmente, às vezes parece que alguns comentários são encomendados...
      Nem sempre, mas... às vezes...

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    3. O nosso Professor Astromar... bom homem e bicampeão. Que festeje connosco em Maio, lá de onde estiver.

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