Do Porto com Amor: Eu, Sérgio

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Eu, Sérgio


Boa entrevista hoje, a de Sérgio Conceição no Porto Canal, que creio ser merecedora de breve análise, pelo que permite antecipar sobre o nosso novo treinador e pelas revelações importantes que fez.



Vamos então aos pontos-chave e às minhas notas, ordenados mais de forma cronológica do que em termos de relevância.


 - Saída do Nantes, havia acordo verbal para sair para clube grande. Palavra vale mais do que um papel - para mim também, meu caro. É bom saber.

 - Ligação forte ao Presidente, mas que só por si não justifica a sua contratação. Confiança no seu próprio trabalho, confessando até que esperava ter chegado mais cedo ao Dragão.

 - Competência não tem idade. Ainda não ganhou nada? Discorda, ganhou ao nível que treinou. Se agora não ganhar títulos, sim, ficará frustrado. Nós também, Sérgio, acredita.

 - Confiante e convicto em fazer um bom trabalho. Sem medos. Half way there...

 - A sempre presente marca da partida prematura dos seus pais, o facto que mais terá contribuído para lhe moldar o carácter, nos mixed feelings da apresentação, mas sabendo (ou dizendo saber, pelo menos) separar esse e outros eventos marcantes do enorme desafio que agora tem pela frente, que "vive" por si só. Maturidade, apesar do trauma. Bom.

 - A importância de um balneário forte, onde os jogadores se respeitam e se apoiam uns aos outros. A importância de dar tudo no treino e da frontalidade dentro do balneário. Vontade insuperável de conquista tem de ser interiorizada e demonstrada em treinos e jogos. Tudo boas intenções, mas já outros as anunciaram antes. Veremos se consegue concretizar.

 - A noção das diferenças entre o "ser Porto" de hoje e de quando era jogador, reconhecendo a dificuldade de passar o sentimento que "estava tão presente" na altura. Difícil mas possível. Afastou-se do cliché da mística, sem a renegar. O necessário upgrade aos tempos actuais. Bom.

 - "Jogar bonito é ganhar". Equipa objectiva e agressiva, intensa, sem perder o equilíbrio. Mas equilíbrio não pode significar ter medo de atacar, é importante fazê-lo em "número" para empurrar adversário.

 - Preparar a equipa para jogar em (pelo menos) dois sistemas diferentes, deduzo que 4-3-3 e 4-4-2, porque não se quis alongar sobre o tema (e bem). De novo, já outros o anunciaram. A ver como concretiza.

 - Não adianta fazer promessas nem dar desculpas, os adeptos querem é títulos. É isso, Sérgio, é (quase) só isso. Fazer felizes os adeptos, mas sem se preocupar com o que eles pensam em cada momento. Fundamental é deixar tudo em campo: "até se pode perder, mas depende de como se perde". Perfeito, mas o melhor é mesmo nem saber o que isso é.

 - O Presidente sabe quais são os imprescindíveis da época passada. Considera que não fomos campeões no ano passado "por um ou outro empate", pelo que a base de partida já é boa e não deve ser desbaratada. Conta com os emprestados para reforçar e aumentar soluções dentro do plantel. Daqui muito se poderia extrapolar, mas vou optar por me "ficar" pela letra do discurso: há sintonia entre treinador e administração; entendendo a questão do FFP mas sem abdicar do essencial para poder ter sucesso. Quais serão os emprestados em que Sérgio deposita esperança?

 - "O que podemos fazer que não fizemos o ano passado?". Interpretação do treinador do que se passa na cabeça dos jogadores, relevando o facto de muita coisa ter sido bem feita. Boa forma de abordar a questão - e correcta também.  

 - Interessado em saber o que se passa na formação, admitindo que alguns possam ter oportunidades porque reconhece haver talento e potencial na equipa B e escalões mais jovens. Que assim seja, mas de verdade.

 - Vídeo-árbitro e tecnologia sim, mas sem "roubar" a essência do jogo. Se ajudar a verdade desportiva, é bem-vindo.

 - Ser genuíno, aliado à competência de treino, é o mais importante para o sucesso de um treinador. Porque os jogadores sentem e correspondem. Compro.

 - Memória dos cinco secos na Luz e da imensa alegria que daí resultou. O regresso em 2004, contra o Vilafranquense de Rui Vitória, onde Sérgio marcou de penálti. Cinco secos na Luz - fiquei aí, a sorrir.

 - Acredita muito, está mesmo "plenamente convencido" de que vamos ganhar o Campeonato. So be it!


Entrevista muito bem conseguida e apelativa de assistir, pelo excelente trabalho de edição e pelo conteúdo sumarento. Gostei. Quem a quiser ler na íntegra, pode fazê-lo aqui.

Agora ao trabalho, que já faltou mais para a bola voltar a saltar. Got your back covered, vai-te a eles carago!



Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco





4 comentários:

  1. Caro Lápis;

    Que o Sérgio faça para cumprir aquilo a que se propôs. Eu, pessoalmente, estou com as expectativas muito, muito baixas por duas coisas: primeiro, acho passamos do 8 para o 80 em termos de estilo comunicacional (passamos de um treinador docinho para um treinador para algo... egocêntrico, talvez), por outro lado, tenho receio que o rombo que estamos a sofrer no plantel não dê ovos para que o Sérgio Conceição possa fazer as omeletes do título.

    Mas estar com as expectativas não é mau. Prefiro deixar-me surpreender com aquilo que o Sérgio pode oferecer ao clube e aos adeptos em vez de me desiludir perante os grandes "planos" que auguraria para ele.

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    1. Caro Monteiro

      Tenho por máxima que a busca da felicidade (seja lá o que isso for para cada um) se resume a uma gestão correcta de expectativas.

      Estamos todos a bordo de um grande navio, cujo rumo apenas podemos influenciar uma vez a cada 4 anos, ao escolher o capitão e equipa. Entretanto, resta-nos estar vigilantes e apoiar as equipas dentro de campo.

      O Sérgio já está a bordo, já nada importa se era o da nossa preferência ou não. Vamos com ele, porque se encalharmos uma vez mais, encalhamos todos.

      Abraço Portista

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  2. Mourinho!...ou Simão? Fuck it, eu escolho acreditar! Até os comemos, carago.

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    1. Neither, penso eu de que... just Sérgio. Veremos o que isso significa...

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