Do Porto com Amor: O Meu Programa Eleitoral

sábado, 12 de março de 2016

O Meu Programa Eleitoral


Li há pouco o sempre interessante e não raras vezes surpreendente Silva sobre a sua posição a propósito das eleições no FC Porto. O estimado tasqueiro de petiscos mas gourmand da escrita apoia inequivocamente Pinto da Costa - para azar da concorrência - mas deixa ainda assim um pedido ao presidente: gostava de conhecer o seu programa eleitoral. 


Bruno Sousa

Gostava o Silva, gostava eu e, suspeito, gostava uma imensa minoria de sócios e até não-sócios do clube. Quer dizer, faz sentido. Que quando alguém se candidata a alguma coisa, diga ao que vai. 

Mesmo quando se tem atrás de si uma obra de três décadas. Porque, afinal, essa já está feita. Dava jeito saber o que se propõe fazer o presidente Pinto da Costa e a sua lista no quadriénio a que agora se candidatam.

Não me canso de apelar a todos os putativos candidatos que se apresentem, agora, a eleições. A maioria (esmagadora, desta vez) diz-me que sou louco, que ninguém se atreve, que há medo, que há estratégia, há timings, há tudo e um par de botas (com pitões afiados). Pois. Deve haver. Mas, louco eu seja, não desisto de apelar. Porque o faço apenas pelo clube

Gostaria de poder analisar diferentes ideias, diferentes projectos para o FC Porto e depois optar por um. Sou louco, pois. Antes louco que um são resignado (não confundir com São Bernardo - o primeiro tende a usufruir de maior longevidade, mas o último é mais fofo).

Neste momento, não tenho nenhum projecto para analisar. 

Aliás, aquilo de que todos falam e em que parecem estar unicamente interessados é na(s) pessoa(s). A do presidente, as dos seus alistados e as dos ausentes. Pois desculpem-me mas não me seduz particularmente discutir as pessoas em si mesmas. Prefiro discutir aquilo que dizem, que pensam e sobretudo neste caso, o que pretendem para o clube. Em concreto. 

Perante esta aparentemente insanável lacuna, resta-me uma única saída: a de elaborar o meu pequeno rascunho de programa eleitoral. Pois que seja, vamos a isso. 

Eu, Lápis, me apresento. Ou melhor, ao que iria. Eis o meu programa eleitoral para o mandato 2016-20.



Programa Eleitoral Do Porto com Amor



Grandes Linhas do Programa


 

 

1 - Devolver o clube aos sócios


a) Trabalhar em prol dos associados para que se possam voltar a sentir parte integrante e essencial do clube; no fundo, que o clube é deles, de todos eles.

b) Desenvolver campanhas temáticas de valorização dos sócios, desde produtos oficiais a serviços de parceiros. Ter gente profissional e competente a estudar e desenvolver as ofertas adequadas a valorizar o eterno amor que os portistas sentem pelo seu Porto.

c) Criar programas de visitas exclusivos ao Centro de Treino e ao Estádio para promover a proximidade entre jogadores e adeptos.

d) Promover a criação de associações de adeptos independentes e externas ao clube que tenham por objectivo contribuir activamente para o melhoramento da gestão do clube.

e) Garantir o acesso imediato de todos os operadores ao Porto Canal. Aproveitar este meio para melhorar substancialmente a comunicação regular como os sócios, não apenas unidireccional mas promovendo o debate e as tertúlias entre adeptos, jornalistas e dirigentes. Desenvolver no seio do canal conteúdos próprios sobre o clube que possam igualmente ser atractivos fora do âmbito do próprio canal, servindo como meio de promoção do clube.

 f) Propor a alteração dos estatutos no sentido de limitar o número de mandatos consecutivos. Termos concretos dessa limitação a serem debatidos em Assembleia Geral após ouvidos os sócios.

bonus track: garantir que no período máximo de uma época desportiva todos os espectadores regulares do Dragão ficam a saber cantar o hino do clube (passando a letra nos ecrãs do estádio em simultâneo). Para que todo o estádio possa receber a equipa cantando emocionadamente e em uníssono. Parecendo que não, são estes pequenos pormenores que dão energia positiva aos jogadores. Mística. 

 

 

2 - Recuperar a hegemonia desportiva em Portugal e o prestígio internacional


a) Retomar o caminho das vitórias no futebol profissional e nas modalidades, recuperando bons hábitos do passado e bons exemplos do presente, mesmo se provenientes de outras paragens. Num mandato de quatro anos, é fundamental assegurar a conquista de pelo menos dois títulos de campeão nacional em todas as modalidades, com inequívoca prioridade para o futebol profissional.

b) Neutralizar por todos os meios as competições viciadas ou enviesadas no favorecimento de um ou vários emblemas, sejam eles o Benfica ou o Carcavelinhos. Nunca para os substituir nesse favorecimento, apenas para o terminar em definitivo. Fazendo o que for necessário para o conseguir.

c) Desenvolver uma nova cultura em todos os atletas, funcionários e dirigentes do clube que retome alguns dos traços essenciais do nosso passado vitorioso: sacrifício, competência, crença, raça, dignidade e coragem em todos os momentos e contra todos os adversários e abnegação: colocar sempre o clube acima das pessoas. E liderar pelo exemplo.

 

 

3 - Promover a regeneração do futebol português e a sua elevação ao "próximo nível"


a)
Recuperar o modus operandi utilizado pelo presidente Pinto da Costa nas lendárias batalhas travadas para combater e finalmente destruir o regime de domínio do Benfica das instâncias que regulam o futebol português, que subverte a competição livre e justa e a transforma num jogo viciado.

b) Uma vez atingido esse primeiro objectivo, procurar aliados com objectivos semelhantes para em conjunto fazer evoluir o futebol profissional para um produto atractivo e rentável. Para tal, é indispensável que possa ser percebido como uma competição justa, interessante e equilibrada, o que só poderá ser conseguido quando todos os dirigentes de todos os clubes entenderem essa necessidade e compreenderem as vantagens que daí advirão, transferindo grande parte das suas actuais competências e poderes para uma nova estrutura directiva da Liga que seja profissional e ultra-competente.

 

 

4 - Gestão rigorosa, equilibrada e transparente


a) Reverter o modelo actual de gestão do futebol profissional para níveis mais sustentáveis, reduzindo a massa salarial e outros encargos operacionais para que os resultados a este nível passem a ser regularmente positivos e assim reduzir a dependência da venda de passes de jogadores para equilibrar os exercícios.

b) Desalavancar a gestão financeira do clube através da menor exposição ao risco, seja ele meramente financeiro ou desportivo. Promover os contratos por objectivos para que o sucesso seja a medida justa do aumento dos custos com a massa salarial.

c) Retomar os bons hábitos de aproveitar o trabalho de uma estrutura de scouting própria e de eleição para adquirir jogadores pouco cotados mas com potencial de vingar no futebol profissional de alto nível, reduzindo assim o risco em caso de insucesso desportivo dos jogadores adquiridos. 

d) Reduzir substancialmente o número de jogadores contratados ao serviço do clube, procurando que os jogadores emprestados não ultrapassem os 50% dos jogadores ao serviço das equipas do clube. 

e) Explicar publicamente com detalhe e rigor todas as operações relevantes, eliminando à partida qualquer dúvida sobre possíveis actos de má gestão, favorecimento indevido ou injustificado ou dolo.

 

 

5 - Explorar novas possibilidades de negócio


a) Estudar a viabilidade de desenvolver outros negócios de risco reduzido e receitas estáveis cujos resultados positivos revertam para a gestão desportiva do clube.

b) Procurar parceiros reputados e com know-how para o desenvolvimento conjunto desses negócios.

c) Estudar com profundidade as melhores práticas promovidas pelos clubes de todo o planeta, com especial incidência naqueles que apresentem características mais aproximadas às nossas.

 

 

6 - Ser de novo a bandeira maior de um combate incessante e decisivo ao centralismo 


a) Denunciar sempre todo e qualquer acto que vise aumentar ainda mais a assimetria que existe entre a região onde sita a capital e o resto do país. Sensibilizar círculos de influência e decisão locais e nacionais para a importância e os benefícios de um país desenvolvido por igual em toda a sua geografia.

b) Promover o desenvolvimento da economia regional através de parcerias com os actores locais.

bonus track: imprimir a Cartilha DPCA em papel reciclado e distribui-la no início de cada período lectivo em todas as escolas e estabelecimentos de ensino superior (está bem assim, senhora??) da região. 

 

 

7 - Modalidades: Futsal


a) Garantir viabilidade económico-financeira para iniciar a modalidade nos próximos dois anos com vista a tornar-se na maior potência nacional no prazo de cinco anos.

b) Em simultâneo, lançar os respectivos escalões de formação.



E pronto, está apresentado. É modesto mas de boa vontade. E evidentemente, não é assunto encerrado. Bem pelo contrário, pretende ser apenas um início, desesperado por mais e melhores contributos.

Resta-me apenas dizer que não sou candidato (são lágrimas isso que vejo?). Pelo que desde já me disponho para dar à adopção o meu pequeno programa. Desde que o tratem bem e façam dele um programa de eleição, claro está.



Do Porto com Amor



11 comentários:

  1. E a pergunta é: porquê?

    Suspeito que tenhas mais de 10 anos de sócio. Com todo o gosto divulgaria num petitiononline para garantir as 300 assinaturas necessárias.

    Alguém que pensa assim o FC Porto, não pode ser ELE a alternativa?

    E digo mais: porque não fazes então parte de uma qualquer comissão de candidatura? Também suspeito que conheças pessoalmente presidenciáveis.

    Fica aqui o desafio.

    Abraço

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    1. Fico sensibilizado com o voto de confiança, mas "not by a long shot".

      Alguém que pensa (n)o clube pode muito bem ser candidato, desde que reúna em si algumas coisinhas essenciais como querer e poder.

      Agora a sério: até percebo a ideia de um conjunto de sócios se juntar e escolher "à sorte" um deles para liderar uma lista, que seria no mínimo uma voz de alerta para a direcção de sempre. Percebo e apoiaria, desde que minimamente credível (aos meus olhos). Mas teria sempre algumas reticências nesse apoio, por recear que o efeito final fosse ainda mais perverso, por ridicularizar por extensão "todas" as tentativas de oposição (ou simplesmente alternância) ao presidente Pinto da Costa.

      Pode soar contraditório, e talvez até seja, mas é o que sinto. No entanto, vou estar atento ao que se passar na AG, quem sabe não aparece por lá alguém que foi fazer a rodagem (mas em bom, desta vez).

      Abraço

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  2. Pois bem, já temos um putativo candidato!
    Agora falando a sério, apesar de eu (e nunca o neguei) ser um pintista, também sempre desejei ver uma, 2, várias listas de oposição. Porque obrigam o favorito a rever estratégias e porque fazem-no ver que se meter á agua não falta quem tome o lugar.
    Cheguei mesmo a dizer aqui neste seu sitio que o FC PORTO se tinha tornado numa Coreia do Norte!
    Mas se os candidatos não aparecem, não dão a cara, ou se dão é para acusarem tudo e todos menos o presidente, acha que são crediveis?
    E como também nunca o neguei, também eu me exaspero com a SAD.
    É normal, é como na nossa vida. Quando os nossos filhos ou nossos pais erram, também criticamos, fazemos má cara. beicinho e tudo o resto. Mas não os abandonamos, pois não?

    E, caro LAeB, só agora é que dá conta que não há um programna eleitoral? Que eu saiba desde que PdC é presidente nunca houve? Houve sim promessas - que foram cumpridas. Desde o rebaixamento das Antas, até ao bem recente Museu, tudo isto foram promessas, jamais um programa eleitoral!

    E depois se não estou em erro só no futebol é que PdC está mal. No andebol é o que se vê, no basquetebol damos luta e no hoquei passamos por uma fase de renovação...

    Mesmo por vezes praguejando contra PdC sou como o Silva e já agora 74% do universo azul-e-branco. Acho que a obra de PdC é demasiado grande, demasiado importante e imponente para ser julgada por 3 anos maus que acontecem aos melhores (Manchester United, Real Madrid, AC Milan, Anderlecht...).

    Para terminar louvo o caracter, o portismo e a pertinência do caro LAeB. São portistas deste calibre que nos fazem fortes e ter confiança no futuro, mesmo que no momento estejamos em margens opostas. Força LAeB!

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    1. Não creio que estaremos em margens opostas, Felisberto. Quando muito, estamos os dois no meio do rio sem saber exactamente para onde nadar. Ok, talvez o Felisberto esteja apenas a molhar os pés e eu já com a água pelo pescoço.

      O seu desejo inicial é precisamente o meu: alternância democrática. Tentativa ou efectiva, tanto me faz. Tendo por objectivo (um deles) também essa essencial espada de Dâmocles que tão bem faz a qualquer liderança.

      Não duvido que nunca tenha havido programa, mas só agora é que dou por isso e sinto falta dele. E como a democracia não tem prazo de validade, ainda vou a tempo.

      Já quanto a "só no futebol é que PdC está mal" é que não há acordo possível. O futebol é de longe o mais relevante mas vai muito para lá dele.

      E embora compreenda a sua forma e a do Silva de encarar as eleições, a minha é diferente. Não é a obra acumulada o facto principal, mas sim a do último mandato que mais releva para mim (a acumulada serve apenas, neste caso, como grande atenuante).

      Por último, por muita simpatia, respeito e sentido de gratidão que (eu) tenha pelo presidente, o único que eu não abandono é o clube.

      Um abraço

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  3. Você frequenta belas petisqueiras, sim senhor. E sim, queria um programa. Desta vez acho mesmo que seria indispensável. Quem sabe ainda o conhecerei.
    Sobre o seu, pois que é um belíssimo manifesto de intenções. Claro que lhe faltam as medidas concretas para a prossecução de tão bons objetivos, mas a verdade é que isso não é responsabilidade sua, nem minha. A nós ninguém elege e ninguém paga.
    Mas fico aqui a pensar: não acha, meu caro, que este pode muito bem ser o programa de PdC? E se não, porquê? Essa sim, a resposta que gostava de ter,
    Abraço Portista.

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    1. É um esboço compilado em menos de duas horas, que evidentemente só é possível por não ser a primeira vez que me debruço sobre o tema. Mas, ainda assim, um esboço.

      Mas deixe-me que lhe diga que para a grande maioria das propostas saberia o que fazer para as concretizar ou pelo menos o caminho a percorrer rumo a esse desfecho. Algumas outras, de que são exemplos a questão do Porto Canal e a do financiamento do Futsal, necessitariam daquela coisa fundamental que antecede o sucesso, o trabalho.

      E sim, claro que sim, aliás terminei dizendo que este programa pode ser de quem o quiser. Como haveria de excluir o (até agora) único candidato? Se ele o quiser, está dado e abdico dos direitos de autor :-).

      Se tiver um melhor, excelente. Só falta mesmo dá-lo a conhecer.

      Se não tiver e não quiser também este, bom, aí só o próprio presidente lhe poderá explicar porquê.

      Abraço

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  4. Acho que era importante um ponto acerca da passagem integral do estadio da sad, para o clube. Acho arriscado associar o estadio a um modelo de alto risco, contantemente exposto a balanços negativos. E se num trimestre falhar o financiamento de curto prazo? La vem a penhora. E desta vez nao sera so uma sanita.

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    1. Estou de acordo caro Artur, é uma preocupação acrescida. Mas acrescento alguns pontos à discussão.

      1 - A passagem para a SAD foi uma emergência inadiável para cumprir os rácios de capital impostos pelo fair play financeiro

      2 - O estádio, para lá do enorme simbolismo que encerra, é um activo (por simpatia, porque na realidade é uma enorme fonte de custos) fixo muito complicado de converter noutra coisa qualquer. Quero com isto dizer que num caso extremo de incumprimento e falência da SAD, os credores teriam pouco interesse em ficar com ele. É pouco crível que alguém se atrevesse a sugerir a sua demolição para lá construir outra coisa, por exemplo. Ficaríamos antes com as receitas cativas, mas não vejo que o estádio per si fosse uma questão dramática.

      3 - Pode parecer sacrilégio, mas financeiramente falando o melhor que podíamos ter feito aquando da saída das Antas era ter um estádio municipal partilhado com o Boavista.

      Dito isto, fundamental para mim é desalavancar. Reduzir a exposição e o risco financeiro do modelo de gestão. Mas obviamente, pelo lado sentimental, partilho por completo a sua preocupação.

      Um abraço portista e volte sempre

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    2. Parece sacrilegio nao! É mesmo! Estadio municipal? Um clube top 10 europeu nao consegue ter o seu estadio? Compre-se menos dois marrecos para a B que o dinheiro chega. Alias, o porto chegou a ser o unico clube do mundo com dois estadios de mais de 50k lugares. Agora so tem um. :-)

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  5. Óptima iniciativa, acrescento apenas duas pequenas notas:

    1 - Devolver o clube aos sócios

    z) Incluir na revisão de estatutos que a direcção está proibida de extinguir uma equipa que tenha atletas profissionais sem que tal medida seja primeiro aprovada numa AG.

    y) Indexar o tecto salarial dos membros da direcção que exerçam funções em entidades controladas pelo clube aos valores médios praticados em empresas de igual dimensão.

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    1. Caro santosanonymus, concordo em pleno com as adendas. Vá passando!

      Abraço portista

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