Do Porto com Amor: Uma Civilização à Deriva

terça-feira, 22 de março de 2016

Uma Civilização à Deriva


Nova vaga de atentados terroristas no coração da Europa, desta vez na cidade que mais e melhor simboliza a nossa determinação de outrora em construir um continente-país. Bruxelas está de luto e com ela, o nosso modo de vida.




Hesitei sobre o título a dar a este texto.

"Os Filhos de Saud" seria apropriado numa tentativa de ir à origem do problema. Al-Qaeda, DAESH, jovens seduzidos por uma "corrente" apocalíptica, tudo aponta para um começo comum. O reino da Arábia Saudita (bem como os estados terroristas do Qatar e E.A.U.) e o wahhabismo, a "religião" ultra-conservadora, extremista e violenta que os define enquanto "nação". Que ninguém no mundo parece estar interessado em resolver de vez, preferindo antes aproveitar para suprimir "temporariamente" as liberdades que nos definem a nós ocidentais.

"Outra facada no coração do Ocidente" levar-nos-ia mais para os efeitos do que para as causas. Para lá do nunca negligenciável sofrimento individual (e choque colectivo) causado, a conclusão mais imediata que retiro da constatação das "nossas" reacções a cada atentado é que os terroristas estão a ganhar esta guerra e nós a perdê-la. Não apenas pela contagem de baixas (meia dúzia de "mártires" têm conseguido ceifar a vida de centenas de inocentes), mas pela disrupção que causam no nosso dia-a-dia. São cidades inteiras, organismos e economias paralisadas durante horas ou até dias.

Optei pelo que se pode ler.

Talvez por ser o que melhor define o meu estado de espírito. Ver as imagens de carrinhos de bebé abandonados no meio do caos que tomou conta da zona atingida do aeroporto de Bruxelas enche-me de uma momentânea raiva incontida, que explodiria certamente ficasse eu face a face com algum dos terroristas. Sem dó nem piedade. 

Momentos depois reflicto sobre a minha reacção. Apenas natural, mas que a concretizar-se nada de positivo traria para a resolução do problema.

Esta minha contradição acaba por representar o que se passa com as nossas lideranças políticas, entaladas entre a necessidade de agir decisivamente e protecção universal dos Direitos Humanos. E todos os seus interesses egoístas, que tanto contribuíram para que se chegasse a este estado de coisas.

E a incapacidade das sociedades em regenerarem as suas lideranças, de encontrarem dentro de si mesmas homens dispostos a fazer o que é preciso, colocando o bem comum acima do seu próprio.

Não tenho obviamente a presunção de saber como se resolve este problema civilizacional. Mas temo que se não o resolvermos a tempo, ele acabará por nos mudar de forma irremediável. E a deriva poderá acabar em naufrágio.


Com tudo isto e o que se antecipa, o Euro-2016 promete ficar na história pelos piores motivos. Esperemos que não.


Em nota de muito menor relevância, a tradicional tacanhez lusa, contra a qual já deveria estar vacinado mas não estou. Começando nos media, em particular nas televisões, que se desmultiplicam em directos do aeroporto da portela (onde mais?) como se houvesse algum nexo ou causalidade entre este e o de Bruxelas, até que finalmente alguma alma caridosa lhes fez o favor de se esquecer de uma mala algures no aeroporto e justificou a "evacuação parcial" de uma área do aeroporto e mais um directo, desta vez com algum nexo. As intermináveis entrevistas a especialistas em estúdio e a portugueses na capital belga. Uma barbaridade. E acabando no primeiro-ministro, que não conseguiu melhor do que balbuciar meia dúzia de banalidades e disparates. Deus nos ajude.


E termino com uma preciosidade, por coincidência resgatada ontem mesmo do meu "baú VHS", totalmente apropriada aos acontecimentos de hoje. Não necessita de mais palavras minhas, apenas da vossa atenção (redobrada, dada a fraca qualidade do áudio).





Do Porto com Amor



2 comentários:

  1. Caro LAeB,

    "... E todos os seus interesses egoístas, que tanto contribuíram para que se chegasse a este estado de coisas".

    Sempre assim foi e porventura sempre assim será, e mais lamentável ainda, são sempre os
    inocentes a sofrer as terríveis consequências.

    A minha solidariedade e pesar, a todas as vítimas da intolerância, da mesquinhez e de interesses egoístas.




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  2. Já vi mais atentados que penaltys e expulsões contra o clube do Escobar dos pNNeus

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