Do Porto com Amor: Xeque-Mate

domingo, 15 de maio de 2016

Xeque-Mate


Acabou o campeonato.


Mais que mil palavras


Na realidade, para nós já tinha acabado há umas valentes jornadas atrás, mas, enfim, havia ainda que cumprir o calendário com dignidade. Que tivemos em alguns jogos, mas não em Paços ou contra o Sporting.

Ontem acabámos bem, apesar de termos passado metade da primeira parte encostados atrás, com o Boavista a pressionar alto... é verdade, aconteceu mesmo, entre o primeiro golo e quase o intervalo. Mas no final e para a história ficam os 4-0. Acabámos bem, portanto.

Da nossa parte, foi um jogo completamente orientado para a final do Jamor. As escolhas do onze, as substituições, tudo foi planeado a pensar no Braga. Ainda assim, não entendi a ausência de Sérgio Oliveira do jogo. Está numa fase de afirmação, a jogar bem e melhor de jogo para jogo, para quê interromper esse processo?


Impossível não fazer referência à estreia de André Silva a marcar pela equipa principal. Um golo tão desejado como desesperado, que chegou quando chegou, como tudo o resto na vida. Só é pena que a época esteja agora no fim. Sobra-lhe a final da Taça para fazer miséria na defesa minhota.

Gostei da estreia matinal, acho que é um bom horário (passível de ser ajustado, meia-hora para trás ou para a frente) que liberta o resto do dia das questões futebolísticas. E aquele ar da manhã, ainda que já avançada, fez-me lembrar as muitas vezes que saía de casa cedo para ir jogar futebol. Gostei mesmo. Repita-se, pois.


Os festejos da estreia



Notas DPcA:


Dia de jogo: 14/Mai/2016, 11h45, Estádio do Dragão. FC Porto - Boavista FC (4-0).


Casillas (6): Uma boa defesa por instinto a evitar o empate e um resto de jogo relativamente tranquilo. Até com os pés esteve acertado... 

Maxi (7): Termina a época em crescendo, numa espécie de pré-época para a Copa América. Sempre muito interventivo no seu corredor, ainda teve tempo para arrancar um penálti para Brahimi converter.

Layún (8): Regressou a habitual alegria e tremenda produtividade que o seu jogo transporta. Ponto extra pelo belo golo.

Marcano (6): Esteve sereno o Ivan, talvez por se sentir amparado pela falange de apoio dedicada com quem confraternizou, já o Dragão estava quase vazio. Não foi nunca testado "a sério" e desde que assim seja, o bom do Ivan não se espalha.

Chidozie (6): Menos sereno do que o parceiro, ainda assim sem comprometer em definitivo. E acrescenta impetuosidade à dupla. Será que Indi vai assistir do banco de suplentes à final do Jamor?

< 45' Danilo (7): Esteve bem como quase sempre, embora mais discreto. Fez o primeiro da manhã e saiu em "gestão de esforço".

< 69' André André (6): Melhorou ligeiramente face ao jogo anterior, mas continua a preferir navegar pelas águas mais seguras das sombras do jogo. Tenho dificuldade em perceber a insistência nele neste final de época, mesmo tendo presente a questão do Euro, sobretudo quando temos um Sérgio em boa forma e a crescer de jogo para jogo... quando joga.

Herrera (6): Foi o regresso do Héctor trapalhão, ainda que em dose reduzida. Correu muito mas nem sempre a propósito e foi menos incisivo do que vinha sendo habitual.

< 45' Corona (5): O elo mais fraco de ontem. Esteve até bastante envolvido no jogo colectivo mas quase sempre decidiu ou executou mal, desperdiçando boas ocasiões para desenvolver ataques de perigo. Alguém que te ensine, hombre, e depressa...

Varela (6): Também menos consequente do que em jogos recentes, mas pelo menos nunca deixou de atrapalhar (fosse quem fosse). 

Melhor em Campo André Silva (8): Já está! Custou mas foi, meu menino. Agora é só... marcar muitos mais. Claro que o golo seria sempre o destaque ansioso da sua exibição, mas reduzi-la a isso seria tremendamente injusto. Até porque também assistiu Layún (mesmo que o mérito do concretização seja o mais relevante) e jogou muito bem durante 90 minutos na sua missão de avançado. Segurou e tocou, desfez os centrais do Boavista com cargas de ombro e correu atrás de todas as bolas (todas mesmo!). Porque pode, pela idade, e porque quer, pela ânsia de conquistar o seu lugar ao sol. E fico a pensar: mantendo este trajecto, acrescentando experiência e deduzindo impetuosidade, que avançado fenomenal não poderá ser aos 26 anos...


Homem do Jogo também para os adeptos que estiveram no Dragão


> 45' Brahimi (7): Entrou bem outra vez, acrescentando agora um golo e uma gloriosa assistência para o menino se estrear. Muito menos do que poderia dar, mas mais próximo...

> 45' Rúben (6): Bons 45 minutos, porventura até melhores do que os de Danilo. Beneficiou da pouca pressão dos adversários sobre si e da saída de André, que entretanto lhe disputava desnecessariamente os terrenos pisados. Também mais perto do Rúben que todos queremos, mas... não é um seis...

> 69' Evandro (6): Entrada positiva e mais uns pontos conquistados rumo à sua participação na final da Taça.


Peseiro (6): Vitória gorda e limpa que não espelha as dificuldades que o Boavista nos causou até ao golo de Layún, já perto da hora de jogo. E perante isto, não posso senão considerar positiva a sua acção neste jogo. Tal como não posso "ir-me embora" sem questionar a ausência de Sérgio Oliveira do jogo. Está cansado? Medo do Xistra? Nada me satisfaz a curiosidade de entender por que motivo se quebra o ritmo e o processo de afirmação de um jogador que finalmente começa a despontar para o grande futuro que precocemente lhe adivinharam. Em todo o caso, foi o seu último jogo no Dragão e a última imagem que fica é positiva.


Os (únicos) campeões


Outros intervenientes:


Ser pequenino não é fácil. Até porque a pequenez normalmente mora dentro das cabecinhas (ou cabeçorras, tanto faz). Quando a malta da rotunda, já a perder por três, começou a cantar alegremente "outra vez, outra vez, campeonato com o car(v)alho outra vez" dei por mim a pensar em que raio de psicologia é que os gatinhos escuros se movimentam. "Ah e tal, nós somos meia-dúzia de gatos pingados, mas pelo menos vocês - que são da nossa cidade e sofrem diariamente e ano após ano o mesmo que nós - também não ganham aos lagartos e lampiões de Lisboa (onde se decide o nosso sofrimento)!". É isto, gente? Ou será apenas um instinto básico pavloviano? Enfim, ontem nem Renato Santos se evidenciou no Boavista, apesar da boa réplica que, como equipa, deram durante largos minutos da primeira parte.


A desfaçatez de Vítor Pereira atingiu ontem um novo patamar. Nomear para o último jogo (ainda por cima em casa) o apitador Xistra que sentenciou a nossa despedida do campeonato, só prova que o imbecil acredita mesmo que nada do que faça lhe provocará dissabores. E neste contexto, chocou-me a "leveza" com que Peseiro abordou esta nomeação, na antevisão da partida, como se nada de muito grave e decisivo se tivesse passado em Braga. Ou então será consciência peseirosa, não sei.


E foi assim, com o primeiro derby matinal, que demos por concluída a nossa vergonhosa participação neste campeonato, o terceiro consecutivo que descansará noutro museu qualquer.

Sobra apenas a final da Taça. Tal como escrevi há dias, "resta-nos ganhar com categoria, nada mais". Até lá.



Do Porto com Amor 



2 comentários:

  1. Alguem reparou que depois de termos o terceiro garantido e que comecamos a ter penalties a nosso favor?

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    1. É a chamada "gozação suprema"... (Peço desculpa, só agora vi este comentário)

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