Do Porto com Amor: Derby Day

sábado, 24 de setembro de 2016

Derby Day


Hoje foi dia de derby, do nosso derby. Do Porto, cosanostra (vão lamber sabão, línguas viperinas). É bem verdade que o nosso "querido inimigo" têm andado pelas ruas da amargura, mas um derby portuense é sempre até ao osso, seja em que circunstância for (e quem perder paga as Tripas).


"Can't stop, won't stop": a atitude certa.


Infelizmente os da Boavista (rotunda e avenida, atenção!) levam isto demasiado à letra. É raro o jogo que fazem contra nós em que não tentam provocar pelo menos uma fractura exposta a um dos nossos. Quando os árbitros não lhes põem travão, é o salve-se quem puder entre os de azul e branco.

Noutros tempos e durante muito tempo, respondíamos a esta estranha forma de vida com a qualidade do nosso futebol e com a raça de Dragão que não dá a outra face. Davam duas, levavam uma pelo menos. Mais dois encostos e uma cabeçada à socapa. E o rosnar de quem se cruzava com o agressor, como que a avisar que da próxima ia buscar a canela à sucata que encimava a superior norte.

Noutros tempos. Hoje não há Broas, nem Paulinho, nem Couto, nem Bicho, nem nada. Há um grupo de bailarinas mártires que respondem a cada pisadela com um altruísta "thank you sir, may I have another?". E por regra, levam mesmo. Sob o olhar enternecido do apitador de serviço. Foi a isto a que chegámos. Como foi possível?

Engrandecimento. Deslumbramento. Complacência. Desleixo. E agora, impotência?

Hoje, ainda o jogo mal tinha começado e já estávamos a perder. INADMISSÍVEL falha de marcação colectiva permitiu que o boavisteiro Henrique cabeceasse à vontade entre Felipe e André Silva. Ah, e um pequeno pormenor: o golo não deveria ter sido validado porque o marcador estava em fora-de-jogo. Mais um erro grosseiro, com influência no resultado, a nosso desfavor. Não foi por muito, é verdade, mas estava. A saturação já é tanta que qualquer erro em nosso prejuízo provoca o mesmo sentimento que o Xaninho, já ninguém o quer ver à frente.

O jogo foi quase sempre morninho, sem espectacularidade e de sentido único, mas conseguimos o essencial: a reviravolta no marcador e consequentes três pontos. Primeiro AS entrou com a bola pela baliza dentro, depois bisou de grande penalidade. Já na segunda parte, houve parceria entre Telles e o KFC Azeri no golo que encerrou o marcador. Três-a-um. Feito. Vamos às notas.


O exacto momento em que sabes que vais ser feliz (se não fores boavisteiro, lampião, lagarto, etc.)


Notas DPcA 

Dia de jogo: 23/09/2016, 19h00, Estádio do Dragão, FC Porto - Boavista FC (3-1). 


Casillas (6): Tirando o golo indefensável, noite tranquila, sem nada a registar que não fosse uma das suas travadinhas com a bola nos pés. 

Layún (5): Jogo fraquinho do mexicano, nunca por falta de empenho mas sim de inspiração. Acontece... (mas Maxi está quase de regresso). 

Alex Telles (6): Chegou a "positivos" essencialmente pelo golo da tranquilidade, porque tal como o parceiro do flanco contrário, não esteve em dia de grande acerto. 

Felipe (6): Parece que acordou hoje para a vida, começando finalmente a distribuir lenha pelos adversários. Convém é ser um nadinha mais discreto... Muito mal no golo, mas não se deixou abater e  certificou-se que os de xadrez saíssem do Dragão com vários recuerdos seus. A "votação" que o elegeu como MVP só pode ser piada... 

Marcano (6): Discreto, como sempre espero que seja. Porque quando não é, asneira. E o jogo na Choupana está já aí à porta, só não se vê ainda por causa do nevoeiro... 

Danilo (7): Voltou às boas exibições e para isso muito contribuiu o íman que usou por baixo do belo traje azulebranco; a certa altura da segunda parte, parecia que qualquer bola perdida ou passe mal medido ia inexoravelmente parar aos seus pés. Foi pena não ter concretizado as duas toladas. Que seja para manter e melhorar ainda mais.

< 75' André André (5): Parece querer dar razão à crítica do momento que o acusa de excesso de Soflan: é tão macio que faz alergia. Senhor André pai, é nestes momentos que a sua voz pode valer ouro ao pequeno Andrezinho. Vamos lá dar-lhe uns conselhos e uns calduços? 

Óliver (5): Muito abaixo do que se espera e exige de um jogador tão dotado. Pouca confiança, jogo muito lateralizado ou atrasado e alguns passes sem consequência. Um dia mau (apenas um, por favor).

< 81' Melhor em Campo Otávio (8): O pequeno artista voltou a ser o mais esclarecido e absolutamente decisivo, com uma grande assistência e o penalti sofrido a destacarem-se de um conjunto muito bom de coisas bem feitas. E desta vez com a "agravante" de não ter tido em Oli um parceiro à altura. Muito bem. 

André Silva (8): Dois golos valem sempre "ouro", independentemente do que mais fizer em campo. E até fez muito, mais em quantidade do que em qualidade, mas fez. Sempre assim seria sempre bom. Sem "mas". 

< 70' Adrian (6): Possivelmente, o seu jogo mais consistente de Dragão ao peito. Não marcou, não assistiu, mas mostrou alguma confiança e determinação, adjectivos raros no seu reportório. Já veremos se é desta que encarreira... Se entretanto NES não o atirar de novo para a bancada, claro. 

> 70' Diogo Jota (6): Entrou para o lugar de Adrian, "mais à sua medida" pela menor distracção com tarefas defensivas. Outra vez a mostrar pormenores, dos que sugerem que muito em breve poderá começar a ser um jogador importante nesta equipa. É uma questão de acertar o primeiro... 

> 75' Herrera (6): Veio do banco e até parecia um bom jogador de futebol. Creio que só falhou meio passe... Tudo dito por hoje (shhhh)... 

> 81' Brahimi (6): Cerca de 14  minutos em campo para mostrar a sua conhecida qualidade técnica e promover alguns lances ofensivos interessantes, com destaque para a meia-assistência no terceiro. 

Nuno Espírito Santo (7): O futebol não deslumbra nem para lá caminha, mas também não seria expectável que tudo mudasse de Tondela para o Dragão. Esperava-se sim que o treinador começasse finalmente a estabilizar o onze principal e a forma de jogar da equipa. Teremos que esperar pelos próximos jogos para confirmar ou não a tendência, mas entretanto conseguiu que a equipa desse a volta ao jogo e assim garantisse os três imperdíveis pontos em disputa. Por hoje, chega. 



Outros Intervenientes: 


Muito humilde este plano de jogo do Boavista, possivelmente amplificado pelo inesperado golo madrugador. Pouco, muito pouco para quem queria conquistar pontos. Sanchez queixar-se do árbitro é tragicómico. Ou ridículo, como preferirem.

Já o soldadinho de chumbo encarnado Nuno Almeida e sus muchachos tiveram na validação do golo do Boavista o seu pecado mortal, mas não o único. Muitas faltas duras por sancionar, uma possível expulsão e vários cartões de aviso por mostrar (em contraste com o ridículo mostrado a Brahimi por quase nada). Poupadinho o rapazote. Vá lá que não estava a dar de comer ao pastor alemão quando Otávio foi rasteirado dentro da área.Três pontos, como sempre deveria ser em jogos caseiros do campeonato.


Seguem-se Leicester e a Choupana, duas saídas complicadas que em muito irão condicionar o estado das águas em que navegaremos nos tempos mais próximos. Esperemos que sejam calmas. 



Lápis Azul e Branco,

Do Porto com Amor




10 comentários:

  1. Resultado bem bom para um meio campo com a produção de Oliver e André André.

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    1. Previsível. Já veremos amanhã como será a grande contribuição do "seu" Hector Miguel.

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    2. Ainda quer mais provas? Continua a achar que a culpa é do Pinto da Costa, do Herrera, do Brahimi, do Corona, do Marcano, do Maycon, do Danilo, do Marega, do Suk e do Xaninho?
      NES, Rui Barros, Oliver, André André, Adrian é que são o "somosporto"?
      Não se podem queixar muito e nunca poderão ser exigentes, pois NES faz a vontade aos novos "portistas" da internet.

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    3. Quem faz essa divisão é o Kostadinov, não sou eu.

      A "culpa" é sempre do mesmo, não há volta a dar. Cada um dos demais, tem a sua quota-parte (nos bons e nos maus momentos), mas não chegaram ao clube por imposição própria. Excepto talvez o filho pródigo, que só contribui para os maus.

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    4. Claro, caro Lápis. A culpa dá jeito ser sempre do mesmo. Em que é que o Xaninho contribui para os maus? Foi ele que foi buscar o Oliver e o Diogo J? É ele que impõe Brahimi banido ou na bancada (vá lá, é capaz de mais, o interesse do Pai e Filho era que Brahimi jogasse, brilhasse ou acha que não?), é ele que arruma Herrera, o mesmo para Corona e Depoitre? Não me queira fazer crer que foi Pinto da Costa que ordenou que Sérgio Oliveira chegasse dos Olimpicos e imediatamente entrasse na equipa sem qualquer treino e agora nem convocado é? Quando o Presidente falou no Jesus quase caía o Carmo e a Torre dos Clérigos, mas o velhinho sabe mais a dormir que muitos com cursos avançados de TICs. Verifique a diferença de ter um treinador razoável ou ter treinadores medíocres e não me venha com a conversa dos outros terem melhores jogadores, porque não é verdade. Temos alguns jogadores medíocres, mas esses, com um treinador razoável, estavam a jogar no Portimonense, no Penafiel, no Huelva ou no Aves, não estavam sempre no onze inicial.

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    5. QUEM - repito, QUEM - contratou o treinador? É mau o NES? Quem optou por ele e não por outros? E porquê?

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  2. Pá, fui censurado ókê? Vou optar pelo ókê é repetir :)
    Nanana, se estava fora de jogo, a defesa não falhou. Acertou, porque deixou o gajo impedido. INADMISSÍVEL é o erro do árbitro, mais um...

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    1. Censurado, aqui? Só imbecilidades... Não chegou nada antes.

      Ambos os dois são inadmissíveis, deal? O fora de jogo é "pequeno" pelo que o erro defensivo está implícito. Não poderia cabecear "ali"...

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    2. Pois, mas ainda tínhamos que discutir se 50 cm para trás cabecearia da mesma maneira, ou se com 2 marmanjos 50cm à frente cabecearia de todo... Sendo impossível verificar, sobra um erro indiscutível. Apenas. Piiiimbaaas, incha rapazote Almeida.

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  3. A produção do Hector poderá ser intermitente como já nos habituou. No entanto será sempre melhor intermitente, do que esses dois sempre desligados.

    O erro é do fiscal de linha e do ...avançado que naquele caso fazia a marcação.

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