Do Porto com Amor: Sentido Único

domingo, 21 de agosto de 2016

Sentido Único


Foi complicada a estreia do Porto em casa neste campeonato 2016/17. Não pela qualidade do adversário, mas pelo seu desinteresse em jogar. E por insuficiências próprias, naturalmente.


O Duo Dinâmico

Desde o início que o Estoril mostrou ao que vinha. Sem avançado, limitou-se a jogar acantonado na sua metade e pôs a placa "arrenda-se" na outra. Acabou por chegar Iker uma ou outra vez, mas nem isso o absolve. O futebol não precisa e não quer este tipo de mentalidade.

Mas o Porto tem que saber lidar com esta situação, até porque certamente se repetirá a cada passo no Dragão. Nesta altura, tem dificuldade em fazê-lo.

pouca intensidade e reduzida velocidade de processos. Tudo feito a passo, previsível. Por regra, quem recebe a bola já está parado, não beneficiando do movimento para ganhar vantagem sobre adversários. E em minha opinião o maior problema é mesmo esse: "jogadores-estátuas" ou de matrecos.

Sem bola, também falta trabalho. A pressão é quase sempre individual, basta ao adversário escapar ao homem que o pressiona que se acaba esse momento de sufoco. E outro jogador terá de começar outra vez, do zero, noutra zona do terreno. Ainda não se pressiona como um bloco único, como uma equipa.

Ainda assim, logo ao minuto 3 poderíamos ter inaugurado o marcador (tivesse o árbitro considerado penálti o ligeiro empurrão nas costas de Varela) e com toda a certeza o jogo seria outro. Ou então ao minuto 7, com duas oportunidades de fazer balançar as redes (remate à trave e Marcano de cabeça). Como nós não conseguíamos, houve um voluntário estorilista a tentar ajudar, mas também dessa vez foi a trave que levou a melhor. O jogo avançou, assim, sem grande sobressalto, para o intervalo.

Com a entrada de Adrian no recomeço, houve nítida mudança de sistema. O espanhol procurou juntar-se a AS na frente, com Corona na direita, Herrera no meio e Otávio na esquerda e Rúben mais recuado, à frente da defesa.

No entanto, pouco mudou na dinâmica de jogo. Jogadores muito posicionais, entregues às marcações, não criam desequilíbrio na defesa adversária... Chegou-se a ver, ainda antes dos 60 minutos, uma linha de 5/6 jogadores na entrada da área canarinha, à espera de uma bola longa vinda da defesa...

A última meia hora passou-se quase toda nesta zona do campo. A dupla entrada de André André e Sérgio Oliveira (saíram Herrera e Otávio) resultou, porque refrescou o "esforço de guerra" e acrescentou também um pouco mais de mobilidade. No entanto, o mau posicionamento continuou evidente. Demasiadas vezes dois ou mais jogadores  "atrapalharam-se" por pisaram os mesmos terrenos em simultâneo. O tempo passava e o coração sobrepunha-se gradualmente à cabeça.

Finalmente, aos 85' encontrámos o X que marcava o tesouro. Layún (ei-lo de volta e decisivo) puxa para o pé direito e cruza para uma grande tolada do menino André. Grande golo e um alívio do tamanho do estádio. Pouco mais se passou até final, embora pudéssemos ter marcado outra vez.

As estatísticas não deixam margem para dúvidas sobre o sentido único do jogo. Mas atacar muito não significa atacar bem e muito menos ganhar o jogo. Ontem felizmente marcámos e ganhámos, mas temos que fazer melhor para evitar ficar demasiado expostos aos caprichos da bola, dos postes e traves e do alinhamento có(s)mico. E para esse objectivo, contribuiria muito o mínimo de eficácia nos cabeceamentos ofensivos: foram tantos e tão ineficazes... 


Sorriso em dia de folga


Notas DPcA: 

Dia de jogo: 20/Ago/2016, 20h30, Estádio do Dragão. FC Porto - Estoril (1-0).


Casillas (6): Noite tranquila, apenas com uma defesa digna do nome.

Maxi (6): Muito activo mas sem grande acerto ou consequência. Cumpriu com a sua quota parte.

Layún (7): Regressou devido ao castigo de Telles e em boa hora o fez. Jogo semelhante ao de Maxi, excepto... pelo passe que decidiu o jogo. É um puzzle difícil este Miguel... onde encaixá-lo? Como nos poderemos dar ao luxo de não ter em campo o homem que mais passes para golo faz?

Marcano (6): Jogo defensivamente tranquilo, que lhe permitiu maior aventura na frente. Ameaçou um par de vezes mas não chegou a acertar na baliza. Pode ser já em Roma, por exemplo.

Felipe (6): Sem a pressão de jogos anteriores, revelou maior tranquilidade e quase marcava por mais do que uma vez. Pode ser já em Roma, por exemplo.

Rúben (6): Começou com algum desacerto com a bola no pé mas foi melhorando e estabilizou. Melhor na segunda parte. Foi um bom jogo para secar as lágrimas e dar descanso a Danilo.

< 70' Herrera (5): Enquanto esteve em campo, tentou como sempre, atrapalhou como quase sempre. Ou então sou eu que embirro com ele. Em boa hora deu o lugar a outro.

< 70' Otávio (6): Ontem esteve menos participativo e sobretudo menos influente, facto a que não será alheia a mudança de posição e de tarefas. NES deve pensar que é só trocar os jogadores de sítio que automaticamente se adaptam às funções como se o tivessem feito a vida toda...

< 46' Varela (5): A surpresa no onze. Esteve em campo apenas na primeira parte e entende-se o motivo, nada acrescentou ao jogo. 

Corona (6): Outro que esteve menos exuberante a atacar e menos acertado a defender. Trabalhou, mas não se destacou. Foi (apenas) mais um soldado no campo de batalha.

Melhor em Campo André Silva (7): Teria sido um jogo pouco conseguido, várias vezes com os olhos no chão e a perder a bola, em vez de dar no companheiro em melhor posição; tal como na recepção da bola em zona de finalização, muito desastrada. No entanto, fez o golo (grande golo) da vitória, além de todo o suor que deixou no relvado. Chega para ser o melhor... 

> 46' Adrian (6): Entrou logo no recomeço e integrou-se no ataque à baliza, mas sem trabalho merecedor de destaque face aos demais. Ajudou.

> 70' André André (6): Entrou nos últimos 20 minutos para devolver frescura e pulmão ao ataque cerrado a baliza estorilista. Conseguiu acrescentar valor ao colectivo, mesmo se individualmente também não se tenha destacado.

> 70' Sérgio Oliveira (6): Um regresso que muito me agrada (mesmo sem certeza que seja para ficar), a contribuir para a melhoria do processo ofensivo com um pouco mais de clarividência no passe e muita garra. Bom para a (re)estreia.


Nuno Espírito Santo (6): Quando um adversário vem determinado a não jogar, o risco para o treinador sobe exponencialmente. Se a isso juntar as suas próprias "experiências", o caldo pode mesmo entornar-se. Conseguiu o mais importante, mas levou para casa um aviso sério. Desta vez o golo apareceu, mas chegou a pairar o fantasma de empates passados. Não sou capaz de acusar os jogadores de já estarem pela cabeça em Roma, porque os vi dar tudo. Já sobre o treinador não tenho a mesma convicção. Parece-me que arriscou não vencer ao pensar cedo demais no jogo seguinte - começando logo pelo onze inicial, com demasiadas mexidas para uma equipa que aí da se está a construir. Ganhemos, siga para bingo.

No intervalo, tudo correu sobre rodas
  

Outros intervenientes:


Uma pequena decepção este Estoril. Sem um pingo de ambição, mereciam ter saído vergados a pesada derrota. Quase que o crime compensava. No meio da muralha amarela, destacou-se não um pinheiro mas uma sequóia, Anderson Esiti de seu nome. Muito interessante, não apenas a destruir mas a tentar sair com a bola. Já tinha reparado nele na época passada, mas ontem superou o que já tinha visto. Um possível substituo para Danilo?

Quanto a Luís Ferreira, esteve globalmente bem. Faltou um cartão amarelo a Mattheus (boa exibição também) por agarrão a Maxi. No lance do penálti sobre Varela, aceito que tenha interpretado como insuficiente para causar a queda, mas na televisão vê-se que há de facto intenção consumada de impedir o avançado de jogar a bola. E, como sempre, o importante é que o critério seja uniforme. Neste e noutros jogos, com este e com outros árbitros. E bem sabemos que nunca é. Felizmente ganhámos...


Segue-se o jogo do ano para nós. Que ninguém duvide disso. Que estejamos à altura da grandeza dos nossos pergaminhos e da carência dos nossos cofres. Vamos carago!


Do Porto com Amor



4 comentários:

  1. ora bem um texto com o qual nao concordo. quando se diz que layun foi um dos melhores porque fez uma assistencia para golo .... o homem marcou todos os cantos e nao acertou num. O QUE EU VI TEMOS EQUIPA , TEMOS GRUPO, o resto nao interessa para nada. Jogamos bem pressionamos, abafamo los, ganhamos, ou entao eu vi outro jogo. Quando sairem os cancros ( herrera, abou, brahimi, evando e mais um ou dois ) as coisas ficarao melhor e quando vierem um def central bom e dois medios mesmo bons entao o campeonato esta no papo sem espinhas. Quanto a layun pode ficar se nao tivermos que defender e der para fazer aquelas assistencias com o pe direito de vez enquando. Gostei da integraçao de filipe nos movimentos ofensivos. O RODOLFO CADA VEZ METE MAIS NOJO.

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    1. Pois, mas "só" fez o passe para o único golo. Para mim, é muito, quando estavam em causa os três pontos.

      O Rodolfo é a rena do nariz encarnado, certo?

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  2. Iker, Maxi, Felipe, Marcano, Telles; Danilo, Herrera, Otávio; Corona, Silva e Layun. Assunto arrumado. Mantemos os "assistentes" em campo e ganhamos consistência no meio campo, pq o homem faz de quarto médio com uma perna as costas... ;)
    Abraço

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