Do Porto com Amor: Ser Portista ou ser adepto do Porto

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Ser Portista ou ser adepto do Porto


Na sequência do "desafio" lançado pelo Imbicto neste seu post, decidi aceitar o repto e reflectir sobre o que significa hoje ser Portista, como chegamos até aqui e se será a mesma coisa que ser adepto do Porto.

Antes de escrever, tive que juntar as várias peças para me certificar que não ia deixar esquecido nada que fosse essencial.

Começando pelo princípio, há muitas formas de ser Portista.

Desde logo, em função da origem geográfica.

Ser Portista e portuense é seguramente diferente de ser Portista de um outro sítio qualquer. Não é melhor, nem pior, apenas diferente. Ser da cidade e do clube, ainda por cima quando se trata da cidade do Porto, é um confluir de sentimentos, é hiperbolizar o amor por duas entidades distintas numa só, é...

é condensar o mundo num só grito,

E é ama-los, assim, perdidamente...
É
serem alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente! 


Mesmo sem experiência na primeira pessoa no assunto, atrevo-me a dizer que ser Portista de Lisboa, de Coimbra, de Aveiro, de Faro, de Guimarães, de Ponta Delgada ou de outra qualquer origem nacional, sem nunca ter vivido tempo suficiente no Porto, é algo diferente.

Repito: não é mais, não é menos, apenas diferente. Porque todo o amor se concentra unicamente no clube, não há forma de entender a ligação umbilical à cidade e à região (sim, acredito que não será fundamental ser literalmente portuense para caber na categoria acima; ser de Gaia, Maia, Ermesinde, Trofa, Santo Tirso ou de outras tantas dentro do campo gravitacional da Invicta será quase, se não a mesma coisa).

Depois há ainda os muitos milhares de Portistas que vivem espalhados pelo mundo, uns tendo partido da Lusitânia à procura de um futuro, outros já segundas ou terceira gerações nascidas nos destinos, que ainda assim herdaram o amor pelo Porto. Ambos terão necessariamente um sentir Porto diferente de quem nunca saiu de Portugal: pela distância, pela saudade, pela relativização do tempo... os primeiros ainda e sempre umbilicalmente ligados às origens, os segundos à descoberta delas montados no Dragão.


Semânticas à parte, ser adepto do Porto será uma coisa diferente. Ser adepto é o nível seguinte (ainda que a palavra adepto ande nos últimos tempos conotada com ligeireza e desprendimento, de tanto e tão mal usada pelos media; actualmente a melhor palavra para esta definição é ser doente pelo Porto).

É mais do que amar o clube, é verdadeiramente sentir-se mal, ter dificuldade em dormir, em trabalhar, em conviver quando o Porto não está bem. Nesses momentos, só apetece estar com os nossos: os outros doentes. Falar ou não dizer nada, conforme os casos, mas estar. Partilhar a dor e sentir empatia e compreensão. Band of Brothers.

É fazer tudo para ir aos jogos, seja a todos ou apenas a um: o que importa é sentir que se faz todo o esforço para lá ir. E chegar e sorrir. Encher os pulmões com aquela atmosfera e renovar a energia em todos os chacras. É levantar-se como uma mola e estender o cachecol aos primeiros acordes do hino. Depois apoiar, ruidosamente ou em silêncio, aplaudir ou sentenciar. Ir embora, triste ou alegre, com a promessa de voltar. Com a maior brevidade possível.

Nota: poderia perfeitamente trocar as definições que não faria diferença; a única diferença que releva é o facto de serem diferentes.


Por último há os simpatizantes (bem mais do que muitos de nós imaginarão). São o nível mínimo de ser do Porto. É mais um gosto, uma preferência, uma opção (que os Portistas nunca tiveram). Poucas, raras ou nenhuma vez assistem aos jogos, possivelmente nem gostam de futebol. Simplesmente sentem-se melhor se as notícias são boas. Quando alguém pergunta pelo clube, são do Porto. Quando veem um familiar ou amigo sorridente no final de um dia de jogo, ficam igualmente felizes (pelo ente amado e pelo clube, por esta ordem). Ao saberem da vitória, ficam descansados. É uma parte da sua essência que se preenche e pouco mais. Quando as coisas não correm bem, sofrem no momento, sobretudo pelos seus. E contam para a estatística.


Historicamente, terá sido sempre assim?

Seguramente que não.

Desde logo, porque o fenómeno global do futebol se tem transformado ao longo do tempo, enquadrado nas sociedades em que se insere.

Se nos primórdios da fundação do clube (e do desporto em si) se trataria simplesmente de explorar novas fronteiras e practicar sport, com o passar do tempo, com o crescimento da visibilidade e impacto social, o clube começou gradualmente a representar um grupo cada vez maior de pessoas, de afectos, de hábitos, da cultura; primeiro de um bairro, depois de uma cidade e a seguir de uma região.

Tendo em conta que a tendência macrocéfala da capital é secular, não será difícil entender que progressivamente os clubes desportivos em geral  e o F.C.Porto em particular se tenham tornado na resistência, no escape, na baioneta que liderava a espingarda do descontentamento e do inconformismo.  Não surpreende pois que desde cedo se tenha definido o desporto como "The Moral Equivalent of War". Cada vitória nossa traduzia-se numa batalha ganha. A nossa história no século XX sempre foi esta até ao fim da ditadura e à chegada de Pinto da Costa.

Foi este homem "e as suas circunstâncias" que nos fizeram percorrer o inimaginável e esplendoroso percurso que nos trouxe até aqui, onde estamos hoje. Sendo sobejamente conhecido de todos, não vou repeti-lo. Apenas concluir que passamos de uma ténue e cómoda oposição para a força dominante e a referência para todos os demais.

Passamos de amantes do sport a apoiantes vibrantes mas contidos e domesticados nos tempos da ditadura. Com PdC, passamos a adeptos confiantes e orgulhosos, a doentes, a ultras e ao que mais lhe quiserem chamar. Hoje o núcleo duro do portismo vive-o mais ou menos intensamente, conforme a categoria em que se insere. Mas todos apenas admitem ganhar. Sempre. Jogar sempre para ganhar. E ganhar. Sempre.

Isto foi o resultado da vida e obra de Pinto da Costa, a quem todos os Portistas e doentes pelo Porto deverão estar eternamente gratos.

Significa isto concordar sem analisar, fazer sem reflectir, obedecer sem questionar? De maneira alguma.

Significa isto que esse monstruoso passado ao serviço do Porto o legitima como indiscutível líder até ao final da sua existência? De maneira alguma.


Mas pode (não deve, apenas pode) significar dar carta branca a quem mais se confia e abster-se de opinar sobre a sua gestão. Claro que pode. Quem o fizer deve (aqui sim) é ter consciência dos riscos que está a assumir: perder legitimidade para criticar e ser cúmplice de tudo o que de mal possa suceder. Sei que isto é muito controverso, mas eu penso assim.

Se formos justos, a imensa maioria dos portistas, teremos de reconhecer que em algum momento já adoptamos esta postura. Pontual, intervalada ou continuamente, isso dependerá de cada um. E que para muitos a única coisa que ainda hoje interessa é continuar a ganhar (não importa como nem com que consequências futuras).

Seria normal em qualquer local do mundo onde alguém tivesse tanto sucesso como líder durante tanto tempo. Ainda mais em Portugal, onde o comodismo, a alienação da vida cívica e associativa e a preferência pelo Estado-providência são intrínsecas ao nosso ADN cultural (estou a falar de gente séria, o que obviamente exclui o associativismo partidário sanguessugo-carreirista).

No momento actual, em que atravessamos um dos piores períodos da era PdC, muitos dos acima resolvem como que acordar e reclamar de uma vez só por todos os anos em que estiveram em coma associativo. Pois é. Enquanto tudo estava "bem" (ganhavamos), fechava-se os olhos a tudo, agora quer-se ver mais do que a vista alcança. Não me parece correcto, pela questão da legitimidade. Mas é legítimo, pela questão da democracia.


Onde quero eu chegar com esta longa prosa?

Que está na hora de cada um assumir a sua responsabilidade de Portista. 

Que está na hora de deixar de fechar os olhos e abanar fanaticamente com a cabeça. 

Que cada um tem a obrigação de dar o seu contributo ao clube, se realmente o ama e o vive a cada golfada de ar que inspira. 

Inteirar-se sobre o que se passa na gestão, marcar presença nas AGs, ouvir, pensar e contribuir.

Discutir informada e abertamente nos locais próprios, sem receio de ostracização. E não ostracizar quem discorda.

E depois apoiar incondicionalmente, se nisso acreditar. 

Dizer que não, se for não. Dizer que sim, se for sim.

E se houver quem se atreva a sufocar o grito audaz da nossa ardente voz, quem deseje substituir a democracia que os estatutos, a história e a alma consagram, denunciá-lo alto e em bom som. 

Porque o Porto é dos Portistas, doentes ou não. De todos os Portistas.
 

Só assim estaremos a demonstrar o nosso Amor pelo F.C.Porto. Tudo o resto é desistir do clube.

Ou então fazer o downgrade para simpatizante, que é mais fácil, mais barato e não dá consumições.


Do Porto com Amor




6 comentários:

  1. Imbicto LAeB,

    É muito interessante aquilo que expões... Ah! Já agora, o meu obrigado pela referência!

    A questão geográfica é particularmente pertinente. O simples facto de estarmos a discutir este tipo de pormenores sociológicos diz bem tudo aquilo que ensina essa mesma dimensão - ou várias dimensões do portismo. Não encontrarás em muitos mais clubes essa pertinência material, ou ocasião para fazê-lo. Simplesmente porque a sua génese é de uma ordem mais comum e menos "rica" em termos de variável humana e social.

    Tradicionalmente, os clubes desenvolveram-se de três formas essenciais: a partir de uma pequena colectividade de carácter industrial - muito comum em Inglaterra, Alemanha e URSS, nomeadamente nos sectores da metalurgia, ou do carvão - cujo escape das jornadas de trabalho era a bola (veja-se o Rangers, os Lokomotives, etc); a partir de comunidades bairristas, ou locais, nomeadamente as piscatórias (mais no início do séc.), ou das classes instaladas nos bairros industriais até aos anos 30 - veja-se o exemplo do Varzim, do Leixões, do Espinho, ou do próprio Benfica, pela última razão; também por motivação identitária regional. Há outras razões que levam ao surgimento de clubes, mas ou se entre-cruzam pelas razões supra referidas, ou obedecem a motivações mais particulares.

    Ora, nós estamos incluídos na terceira razão. Não será por acaso que nos comparam, e nos comparamos, não raras vezes, a Barcelonas e Bilbaos. Há um antecedente de carácter sociológico muito vincado e de dimensão já assinalável e que propulsiona os clubes no sentido do "isolamento" e da particularidade da sua mentalidade.

    Tudo isto para chegar ao teu ponto de tremenda pertinência. Não +e mais, ou menos ser-se portista no Grande Porto, ou fora dele. Mas é particularmente pertinente e místico sê-lo nas duas dimensões, pois é algo que só quem cá vive entende. Ainda assim, já viste o que é ser portista em Lisboa? É das coisas mais maravilhosas que pode haver. É dos actos de coragem e de resiliência mais nobres - seja por gente migrada para lá; seja pelo que nos adoptaram como bandeira contra o "establishment".

    É claro que, no meio disto tudo, temos a grande fatia: a dos apoiantes. Pessoas comuns a tantos clubes e que só se interessam em conquista. Se não houver, deixam de apoiar. E não mudam de clube porque fá-lo-ía passar por autênticas bestas desacreditadas e sem princípios.
    Ser portista no Norte é igualmente curioso. Assim como é curioso ser portista Galego. Não sei se sabes, mas há uma fatia curiosa de Galegos que têm o FC Porto como segundo clube por razões históricas e precisamente pelas mesmas razões que nos levam a insurgir contra o centralismo - ainda que o problema espanhol seja muito mais complexo.
    A contextualização do nortenho no sentimento portista é uma desculpa para "reivindicar" direitos e igualdade de tratamento, numa forma de vida que é muito mais do que ser adepto de um clube. É o tal "Mes que un club"; um intangível que se diz não saber explicar por causa da origem, mas que é bem identificável culturalmente.

    Por fim, o FC Porto é um clube grande. Tem alcance mundial. Aparentemente, este ano marcará um ponto de viragem estratégico. É muito fácil o "enamoramento" por aqueles que têm sucesso. A particularidade do efeito da tribo é igualmente explicativo. Queres ser do melhor, ou então, queres ser de um bom - se fores estrangeiro e quiseres um segundo clube - mas não queres ir na "carneiragem". Então, tornas-te adepto de clubes importantes, mas com contextos particulares: FCP, Liverpool, Marselha, etc...

    Muito, muito a dizer... Mas fico-me por aqui!

    Imbicto abraço!


    http://imbictopoema.wordpress.com

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  2. Excelente acrescento ao post, agradecido.
    Como terminas, há muito mais para abordar. Quem sabe se um dia não se justifica uma tertúlia, à boa maneira dos "largos dias têm cem anos".

    Notas: sei bem o que é ser portista em Lisboa, mas sendo portuense reconheço que é bem diferente de ser lisboeta e portista

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  3. PARTE 1

    Caro lápis,

    Ler este blog e outros do género é um momento do dia que me enche de enorme prazer. Há anos que deixei de ler O Jogo assiduamente, ou sequer o JN, por achá-los sem qualquer conteúdo acrescido. Em tempos porque O Jogo era a cara do nosso FCP e nos defendia, gostava de o ler. Nos últimos tempos a hipocrisia que existia num jornal de 2 caras/capas, deu origem à vassalagem completa ao Benfica e isso simplesmente enoja-me e opto por não o ler. Felizmente, encontrei nestes blogs o refúgio que precisava. Adeptos do FCP de alma e coração como eu, com ideias, opiniões, sem subterfúgios comentam os posts que, felizmente, pessoas como o senhor escrevem, e vocês são por isso o meu jornal diário. Todos com a sua forma de amor ao clube. Inclusive já vos recomendei a vários outros portistas, um deles o meu pai. A questão do JN escuso-me a debatê-la. A notícia de Sara Carbonero (quem é essa senhora?) e a sua recusa em vir morar para o Porto dada pelo jornal da minha cidade é motivo de riso e embaraço. Não me revejo naquilo, a cidade do Porto não é aquilo, aliás, o JN não devia ser aquilo.

    Adiante. depois desta nota introdutória mais do que justa em relação a todos vocês, o motivo porque lhe escrevo é efectivamente para lhe manifestar a minha desilusão face ao post que escreveu. Não o li todo. Terminei talvez na 5ª linha sem conseguir ler mais. Tenho 26 anos e nasci em Guimarães. Descendo de uma família de adeptos do FCP, todos eles. Classe operária, trabalhadores que suam o dia inteiro para terem o que têm! O FCP é o nosso clube, defendemo-lo em conversas com outros portistas ou com adeptos rivais. Não perdemos um jogo, na TV, porque ir ao estádio ao contrário do que muitos de vocês dizem quando falam em sacríficios, bla bla bla, cada um sabe de si, e muitas pessoas têm de sacrificar coisas bem mais importantes que a ida ao estádio e o ser sócio do seu clube para poderem ter coisas básicas, indispensáveis. Não é o nosso caso, no entanto. Todo o adepto de futebol adora ir ao estádio e eu tenho a humildade para perceber que nem todos podem ir, por vários motivos, sejam eles quais forem. Isso é outra discussão.

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  4. PARTE 2

    Vou agora ao ponto central da minha conversa. Estudo/trabalho há 9 anos no Porto. Moro no Porto. Passo em frente ao estádio do Dragão todos os dias na viagem para Gaia onde trabalho. Gosto muito do Porto. Mas gosto mais da minha cidade, Guimarães. Penso que compreenderá. São as relações umbilicais provavelmente a determinarem estes sentimentos. Apesar de nutrir um carinho especial pelo Vitória, reflectido igualmente mas em menor grau pela generalidade dos clubes do norte, é o FCP o clube do meu coração, o número 1. Porquê? Olhe porque é o clube que melhor representa, personificado no seu Presidente aquilo que eu sinto: o Norte do País. Não fosse o meu presidente um acérrimo opositor do centralismo e defensor do Norte e provavelmente o meu sentimento por este clube fosse mais parco. E a minha admiração profunda por esse homem não fosse tão grande. Vejo-o como uma bandeira, compreende? A bandeira que dá a conhecer Portugal, mas acima de tudo o Norte ao mundo, a região mais marginalizada deste país, mas simultaneamente aquela que impulsionou o mesmo com as suas indústrias. E no entanto, a região mais pobre... O Vale do Ave, o Vale do Sousa, etc. O meu clube é das poucas coisas que existe neste país que consegue dar alguma sensação de respeito e consideração pelo Norte! Justiça, posso até dizer. Não fosse a comunicação social a vergonha que é e esta seria a região mais nobre deste império falido, o qual talvez não fosse falido. Em vez disso permanece ostracizada e esquecida. Se compreendeu o meu ponto de vista, compreende quão incompreensível pode ser para mim, alguém ser desta região e defender benfica ou sporting. Sendo eles um dos maiores motivos para a centralização de capitais, para a bajulação lisboeta, para uma mentalidade corrupta e enviesada que deturpa até aquilo que é tão óbvio como o FCP ser o clube mais forte em Portugal desde há décadas, com um jornalismo desportivo miserável que vê o que quer ver e mente com todos os dentes que tem na boca, como é possível que existam pessoas nascidas, vividas e a morrerem no Norte a apoiar o benfica? Provavelmente da mesma forma que defendem uma bandeira partidária. Irracionalmente. E a paixão pelo meu clube pode ou até talvez deva ter também um componente racional.

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  5. PARTE 3

    No dia em que um futuro presidente não usar este clube como bandeira do Norte, como o fez o nosso grande presidente, o meu amor por este clube diminuirá. O único sentido que este clube pode ter é continuar a ser um dos símbolos desta região. Até acrescento, a todos os que se sentirem parte desta região, geográfica, cultural ou ideologicamente. Enquanto o for, o adepto do FCP de Braga, Famalicão, Viana do Castelo, etc continuará a identificar-se com este clube, a amá-lo, a sentir-se representado, e o meu FCP apesar de todas os ventos de sul, permanecerá forte. Certamente quando em conversas afirma quantos adeptos tem o nosso clube não os distingue pelo amor à camisola. São adeptos, não sei se são 1, 2 ou 3 milhões, mas como dizia o outro o coração deles só tem uma cor: o azul e branco. Bem sei que há adeptos que amam mais, outros menos, uns mais vendidos, outros menos, uns com mais capacidade para demonstrar o amor outros menos. Mas não é assim em tudo na vida? Eu amo a minha namorada, os meus pais, gosto de bens materiais como o meu carro. E o senhor não gosta? Amará ou gostará da mesma maneira? Provavelmente gostará de outra maneira qualquer mas o que é que isso importa? O importante é se este é o nosso clube ou não! Não podemos dizer quando nos dá jeito: O FCP tem 3 milhões de adeptos. E a seguir dizer nas nossas tertúlias, jantares, meetings: Ah isso é que era bom, tu és de Vila do Conde, sabes lá o que é o FCP. Que estupidez!

    Não me venha dizer que o FCP é dos portuenses, gondomarenses, ou quaisquer outros. Ou que você sabe melhor o que é o FCP porque foi mais de meia dúzia de vezes ao estádio. Ser adepto do Porto ou portista se são a mesma coisa ou não eu não sei. Nem quero saber. São perguntas demasiado filosóficas. Eu sou pragmático e digo-lhe. Você, seja lá quem o senhor for não é mais portista ou adepto do Porto ou o que lhe quiser chamar que eu. Porque eu sei o que sinto. E isso é independente de morar no Porto há 9 anos ou ter vivido uma vida inteira em qualquer outro lugar, até no estrangeiro. É um estado de espirito, caramba! Ser adepto do FCP é um traço do meu carácter. Não tente ficar com o FCP só para si. Não o veja como os da capital veem os seus clubes de bairro. O FCP é do Norte e de todos os que o quiserem seguir. São esses mesmos os que se colocam à frente do brasão a dar o peito às balas um pouco por todo o país quando é preciso e o senhor está a retirar-lhes o que é deles por direito. Se mantiver essa opinião vai acabar por conseguir convencer os mais cépticos e ficar com o FCP só para si.

    Se ficou convencido ou não, não sei. É a minha opinião. Espero não ter parecido demagógico. Espero que a maioria dos adeptos do FCP se reveja na minha opinião. Seria um bom sinal. Entretanto, ficarei a aguardar nova crónica sua, porque como lhe disse esta não vou ler.
    Desculpe o comprimento do texto.

    Ass: Paulo Ferreira

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  6. Caro Paulo

    Antes de mais, o meu sincero agradecimento pelo seu comentário, a sua extensão apenas reflecte o seu interesse pelo tema o que para mim é uma satisfação.

    Por favor não me leve a mal ao dizer-lhe que tenho a noção de que não compreendeu o que escrevi, ou na realidade não chegou mesmo a ler tudo, como inclusive refere.

    O meu objectivo foi apenas reflectir sobre as várias formas e intensidades de ser do FCPorto e de forma breve, perceber a que se podem dever essas diferenças. A origem geográfica é uma delas, mas não a única.

    Em nenhum momento disse que uns são mais ou melhores do que os outros, nenhum! Aliás, frisei mais do que uma vez que ser diferente não é nem melhor, nem pior, é apenas isso: diferente. Todos juntos fazem o Portismo.

    Quanto à forma como sente o clube, só lhe posso dizer que é muito, mas mesmo muito semelhante à minha.

    Pelo que lhe deixo o repto de reler o post até ao fim e de seguida, se mantiver a discórdia (esta ou uma nova), faça o favor de mo dizer.

    E sobretudo não deixe de cá voltar.
    Não escrevo para agradar nem aborrecer ninguém, escrevo apenas o que julgo pertinente.

    Do Porto com Amor,
    LAeB

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