Do Porto com Amor: Aquecimento para o Clássico

sábado, 19 de setembro de 2015

Aquecimento para o Clássico


Uma breve introdução à real importância do jogo do próximo domingo.

Adrego Design


Será uma eventual surpresa para quem segue o DPcA com regularidade, mas este é o meu primeiro Porto-Benfica. 

Ou melhor, é o primeiro da persona Lápis Azul e Branco, o único e verdadeiro autor deste blogue, a quem pela primeira (e espero que última) vez tirei o teclado, mas que devolvo já a seguir, no próximo parágrafo. Aproveito que aqui estou para dar a conhecer a todos os leitores a Cartilha que define o blogue, que possivelmente terá passado despercebida a uma pequena maioria.

É bem verdade, ò criador (já tiveste os teus 15 segundos de fama, por isso agora au revoir). Este vosso espaço portuense e portista abriu portas há precisamente cinco longos meses, com um post dedicado a uma das tristes figuras de quem me lembro sempre que o SLB perde e sobretudo, quando perde de forma dramática ou humilhante. Quem tiver curiosidade e a digestão feita, pode espreitar aqui.

Mas desta vez o imbecil até me foi útil, porque ilustra de forma magnífica um dos motivos porque temos que ganhar no domingo. Mais do que isso, temos que os massacrar até à exaustão, para que saiam do campo com o rabinho entre as pernas e os calções castanhos (tipo os nossos, mas tingidos no momento).

Este e muitos outros imbecis como ele, ainda que com menos exposição pública, são indivíduos (peço desculpa por os estar a humanizar, mas dá-me jeito para ilustrar a ideia) que nasceram e cresceram num Portugal ainda mais atrasado, ignorante e submisso do que é hoje. Mas que, a dada altura, receberam o irresistível chamamento de se mudar para a capital Lisboa, onde rapidamente se transformaram em "lisboetas" de corpo e alma, mas apenas e só em tudo o que isso tem de medíocre.


Preciso de fazer aqui uma nova interrupção ao "meu criado" LAeB porque eu gosto muito da cidade de Lisboa, onde aliás fiz grandes e eternas amizades, e não posso deixar de explicar a diferença entre a cidade e a capital, pelo que lhes peço um pouco mais de paciência e que me acompanhem durante mais umas linhas de prosa.

Tal como muitos outros da minha e seguintes gerações, também eu fui "convidado" a emigrar para a capital deste triste império de cartas carunchosas. Não da forma directa como o fez o primeiro-ministro em funções,  mas antes pela abismal diferença de oportunidades de trabalho e correspondentes remunerações. E como a grande maioria dos meus conterrâneos, cheguei lá de pé atrás (tão atrás que julgo tê-lo deixado no Porto), desconfiado de tudo e de todos, por tudo o que sempre ouvi dizer desde que me lembro. 

O que eu descobri com o tempo foi a coexistência de duas realidades paralelas, ao melhor estilo de Fringe

A primeira, a da cidade e dos seus justamente orgulhosos habitantes, desmentiu quase todas as minhas crenças como se de lendas se tratassem. Além de ser uma cidade lindíssima, as suas gentes são tão boas e tão más como em quase todas as grandes cidades. Os que são realmente lisboetas, amam a cidade que é sua e vivem-na com orgulhoso bairrismo (tal e qual como eu com o meu Porto). No fundo, como em qualquer outro lugar. 

(Importa dizer que emigrei ainda bastante tenro e portanto, com os ideais ainda à flor do acne da pele.)

Já a segunda realidade, a das relações promiscuas, interesseiras e desavergonhadas que definem a capital do país, ultrapassou em muito os meus piores temores. Porque a teia é muito mais vasta, complexa e melhor organizada do que eu poderia supor. E porque se desenvolveu até um ponto de auto-suficiência, dificílima de quebrar até porque se reforça a cada nova golpada que inflige na nação portuguesa. É um corpo parasita, que sorve os recursos de todo o país para seu quase exclusivo benefício (quase, porque vai deixando pelo caminho as suficientes migalhas para manter a absorta populaça de olhos no chão à procura da seguinte). E esta pouco tem a ver com a cidade de Lisboa e os seus lisboetas. Apenas se esconde nas suas entranhas e a usa como seu cartão de visita. É composta por "gente" dos quatro cantos do país que em comum tem apenas uma coisa: singrar à custa do trabalho dos outros. E não, não me refiro apenas aos políticos (nem a todos os políticos), a situação é muito mais gravosa. "Eles" estão em todos os quadrantes e pilares da organização da sociedade, estrategicamente colocados em cascata de favores e recompensas. E é esta a capital Lisboa a que me refiro, que abomino e jurei lutar contra. Lápis, it's on you again.


Começa a perder a piada, ò conspirador. 
Retomando e já agora aproveitando a prosápia anterior, é contra esta capital que nós vamos jogar no domingo
Mas porquê, pergunta o estimado leitor. Não há benfiquistas fora de Lisboa? Não haverá sportinguistas e portistas nessa realidade paralela que tanto abomina, insiste o caro leitor.

Sim, há e há. Tudo verdade. 

Para mim, ambos os da segunda circular representam o mesmo desfado. Acontece que o Sport Lisboa e Benfica é muito mais relevante e impactante do que o primo visconde e, desde que me lembro, é a instituição que publicamente melhor encarna essa promiscuidade que tanto abomino. Através da arrogância, da megalomania, da soberba e do intentado direito natural a vencer (ou a não pagar impostos, por exemplo)

Quanto aos que apoiam clubes de terras que não são as suas, já expliquei na Cartilha. E portanto, levam por tabela e só têm o que merecem.

E quantos aos portistas prostituídos, bem, acho que acabei de dizer o suficiente. Venderam a alma, de portistas só lhes sobra a crosta bolorenta.

Uns como outros, só podem ter uma resposta da nossa parte. Não o ódio, como muitos apregoam. Nem sequer o desprezo, porque seria apenas facilitar-lhes o caminho e o objectivo é precisamente o oposto. A nossa resposta tem que ser VENCÊ-LOS, DERROTÁ-LOS, provar-lhes à saciedade que nós, o Futebol Clube do Porto, não nos rendemos e nunca seremos subservientes ou coniventes com o status quo de outrora. 

Por muito que nos queiram abafar, por muito que desejem acabar com a última bandeira livre, por muito que das nossas próprias fileiras desertem à procura do ouro fácil, nós não nos renderemos NUNCA.

E por isso, quero que os bascos, as doyens, os platinis, os paineleiros e jornalixos se FOD*M TODOS, porque a mim só me interessa o Futebol Clube do Porto e o grito audaz da sua ardente voz enquanto farol da resistência a esta colossal corja parasitária. 

É por tudo isto que, dê por onde der, temos que VENCER o jogo no domingo. Porque também nós somos "Mais do que um Clube".


P.S. - Sei que para muitos portistas de Lisboa ou de outros sítios que não o Porto este texto pode soar estranho e até disparatado, mas é a minha expressão mais íntima e verdadeira de Portismo. Não preciso que concordem, já me contenta que fiquem a saber que é assim.



Do Porto com Ardor




9 comentários:

  1. "A teia é muito mais vasta, complexa e melhor organizada do que eu poderia supor. E porque se desenvolveu até um ponto de auto-suficiência, dificílima de quebrar até porque se reforça a cada nova golpada que inflige na nação portuguesa. É um corpo parasita, que sorve os recursos de todo o país para seu quase exclusivo benefício (quase, porque vai deixando pelo caminho as suficientes migalhas para manter a absorta populaça de olhos no chão à procura da seguinte). E esta pouco tem a ver com a cidade de Lisboa e os seus lisboetas. Apenas se esconde nas suas entranhas e a usa como seu cartão de visita. É composta por "gente" dos quatro cantos do país que em comum tem apenas uma coisa: singrar à custa do trabalho dos outros. E não, não me refiro apenas aos políticos (nem a todos os políticos), a situação é muito mais gravosa. "Eles" estão em todos os quadrantes e pilares da organização da sociedade, estrategicamente colocados em cascata de favores e recompensas. E é esta a capital Lisboa a que me refiro, que abomino e jurei lutar contra. Lápis, it's on you again."

    Bem sei que poderei correr o risco de lambecuzismo de carrelas, tomos, poucas & sucedâneos que abomino por outras paragens, mas caramba, isto é mesmo MUITO BOM . Identifico-me completamente com o retrato que MAGISTRALMENTE faz da Kapital deste país.
    Até dá raiva, vermos espelhados os sentimentos do nosso EU pela pena de outrém.

    "A nossa resposta tem que ser VENCÊ-LOS, DERROTÁ-LOS, provar-lhes à saciedade que nós, o Futebol Clube do Porto, não nos rendemos e nunca seremos subservientes ou coniventes com o status quo de outrora. "
    Fabuloso.

    ATÉ OS COMEMOS
    Grande Abraço

    Anónimo

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    1. Meu caro, partilhar opiniões e sentimentos não é crime... fico contente por saber que não estou só no mundo.

      Mas entristecido por continuar a destratar portistas que não o merecem. Peço-lhe contenção por favor, por respeito e até para não desviar as atenções do assunto principal.

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  2. Partiu a louça toda!!
    Identifico-me totalmente com tudo o que foi escrito.

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  3. Excelente!
    Também eu distingo os alfacinhas dos arrivistas que chegam á capital e dois dias depois já dizem que os vomveiros voluntários de viseu veveram vinho vom...
    Exemplos? Rui Gomes da Silva, Silvio Cervan, Pacheco Pereira...

    P.S. também sou contra o amor platónico. Amores a 330 km de distãncia não é para mim! Sou do clube da terra que me viu nascer, crescer, casar, ser pai e se puder onde irei morrer. Sou da Vitória, sou da Sé, sou de Ramalde e Cedofeita, sou da Boavista e sou da Foz, sou de Contumil e sou de Paranhos. Da Ribeira a Campanhã onde os comboios de ontem chegam no amanhã! Sou deste Porto milenar que me dá alegrias e me dá conforto... Deste Porto de pedra granito como abrigo e com o azul do mar como horizonte!

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    1. "Cantemos com voz sonora a toda a hora
      Pois somos Portistas e sempre bairristas
      Pelo nosso Porto
      Gritamos com todo o ardor o nosso amor
      Levamos o estandarte e em qualquer parte
      Do nosso Porto."
      ...

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  4. Melhor post de sempre! Porto sempre!!!

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