Do Porto com Amor: Dia de jogo: Maccabi Tel-Aviv FC - FC Porto (1-3)

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Dia de jogo: Maccabi Tel-Aviv FC - FC Porto (1-3)


Ganhámos com bons golos, falhas escandalosas, passes errados, blackout e penálti inventado. Deu para tudo. Pena o Willian ter adiado a festa.
Foi um jogo simples, sobretudo face às expectativas.

Comecemos pelo Maccabi, que entrou mais forte no jogo, com um remate perigoso logo a abrir, mas que só durou até ao golo de Tello. Nesse momento os isrealitas baixaram os braços e deram-se por vencidos. Incompreensivelmente, diga-se. Mas ainda bem. Tiveram ainda uma boa oportunidade para marcar na primeira parte e o golo de honra com os cumprimentos do árbitro grego. Foi pouco para justificar fazer parte desta grande competição.

Já o Porto, por seu turno, voltou a entrar no jogo na expectativa, a ver no que dava. Digam o que disserem, eu não compreendo. Estavamos a jogar contra o Maccabi, não contra o Madrid. Será que alguém se confundiu? Infelizmente sei que não foi confusão, porque é recorrente. Seja qual for o adversário, a regra é entrar na expectativa. E outra vez com André como falso extremo (ou 4-2-3-1, como preferirem), tal como em Kiev. É a fórmula que dá confiança a alguém tão obcecado pelo controlo do jogo como é o nosso treinador.

Felizmente aconteceu o nosso primeiro golo, já depois de duas boas possibilidades desperdiçadas por Abou (que noite...). Mas foi suficiente para nos tranquilizar e abater a moral dos israelitas. Durante o restante da primeira parte fizemos uma circulação de bola interessante, com boas penetrações em profundidade a explorar bem as fragilidades de uma equipa que não parece talhada para jogar tão alto no campo. E ainda a perdida mais escandalosa da noite, de novo por Abou. Nem parecia a habitual equipa de Lopetegui.

O regresso do balneário foi mais uma vez a pensar no controlo do jogo. Com apenas um golo de vantagem, seria de esperar uma reação do Maccabi e não fazia sentido facilitar-lhes a vida, dificultando a nossa. De novo o Macabbi foi inócuo e nós continuamos com a estrelinha. O corolário de alguns momentos de bom futebol surgiu logo aos 49', com segundo golo marcado por André a finalizar uma belíssima jogada de futebol. No entanto, quando se facilita em demasia, o adversário cresce e volta a acreditar que pode ainda levar algo do jogo. Seja por não aproveitar oportunidades clamorosas como a de que dispôs Evandro, seja por erros individuais. Casillas teve uma parada cerebral, entregou mal a bola na reposição e teve que se redimir a dobrar; primeiro a anular esse lance para canto e na sequência deste, a defender um remate complicado. Na resposta, quase fazíamos o terceiro. Que chegou aos 72' através de um bom remate de Layún, a passe de Tello. Logo a seguir, a equipa de arbitragem viu-se grega para descortinar um penálti fantasma supostamente cometido por Maxi. Não houve falta mas deu em golo de Zahavi. Será que o Maccabi também oferece vouchers?

Até ao fim ainda houve tempo para mais uma perdida de Abou. E de fazer entrar Varela e mesmo a acabar Imbula, ambos precedidos por Herrera que substituiu Evandro perto da hora de jogo. Foi uma vitória mais fácil do que se previa. Por mérito nosso, obviamente, mas patrocinada por uma prestação decepcionante do adversário. A único real desapontamento da noite chegou de Londres, com a notícia de Willian ter desfeito a igualdade já perto do fim. Paciência. Lá teremos que voltar a provar que somos melhores.

(Getty images) Deixa lá Iker, este teve o patrocínio do museu da cerveja de Tel-Aviv...


Extra-futebol, a nota negativa da noite foi providenciada pelo dueto NOS/Sporttv. Estando eu fora do lar e a recorrer ao serviço (pago à parte) Multiscreen dos Oliveirinhas, eis que por volta do minuto 70... blackout. Assim mesmo, tudo ás escuras. Nem NOS, nem Iris Online, nem o caraças. Uma verdadeira frustração só resolvida já no final dos descontos. Uma tristeza. Certamente que os piquetes de intervenção rápida estiveram ontem ao serviço em alerta máximo e hoje foi dia de folga. Numa única expressão: cambada de palhaços. 

Entretanto já vi o resumo alargado mas ainda assim não faço ideia se Varela entrou bem ou mal, se Herrera mostrou serviço ou se Lopetegui deu muitos saltinhos esbracejantes na sua zona de acção. E portanto, para já as notas refletem o que vi e ficam a aguardar versão final, quando tiver oportunidade de ver esses 20 minutos em falta. Cambada de palhaços.



Notas DPcA: 

Casillas (7): Uma noite com pouco mas exigente trabalho, ao qual respondeu de forma competente. A única mancha na exibição esteve no tal lance em que assistiu um adversário. E já depois do apito final, a elegância e humildade do costume na troca (cedência!) de camisola e luvas com dois adversários. 

Maxi (7): Entrou com menos gás e menos acerto do que é o seu habitual mas melhorou na segunda parte, ficando ligado ao jogo pelo seu grande lance individual que culminou com a assistência para André finalizar. Foi injusta e duplamente penalizado no lance da grande penalidade e consequente cartão. Desta vez (como noutras), não merecia. 

Melhor em Campo Layún (8): Se eu sonhava alguma vez eleger este muchacho como melhor em campo? Não. Ainda para mais na Champions? Ainda menos. Mas aconteceu. Apenas e só pelo seu mérito. Nem sequer houve falta de outros candidatos à distinção. Foi mesmo ele que defendeu, atacou, passou, cruzou e até marcou um belo golo. Grande Miguel! 

Martins Indi (7): Esteve certinho ao longa da partida e ainda ajudou com alguns passes de início de construção ofensiva. Sem nada de excepcional a apontar, cumpriu bem. 

Marcano (6): Razoavelmente bem nas marcações, mas também teve alguns passes/alívios sem nexo e (mais) uma daquelas suas hesitações com a bola que podem acabar mal. Mas porquê, Ivan, porquê? 

Rúben Neves (7): Outra vez menino capitão, outro jogo de bom nível. Importante a defender mas melhor a distribuir na construção. Dá largura e profundidade à equipa, com critério. Cresce a cada jogo que passa e nós felizes da vida. Aguardemos com tranquilidade pelos próximos capítulos. 

Danilo (7): Dupla surpresa, pela inclusão no onze inicial e pela grande subida de produção face às mais recentes exibições. Igualmente bem a defender e a atacar, o que é quase uma novidade de dragão ao peito. Gostei muito e destaco o envolvimento no lance do segundo golo e a desmarcação de longo alcance de Tello pela esquerda. 

<-62' Evandro (6): A surpresa de Lopetegui para este jogo. Creio que terá cumprido com o que o técnico lhe pediu. Sem ser exuberante, ajudou a manobrar o meio campo, não apenas no controlo defensivo mas no apoio ofensivo aos companheiros mais adiantados. Pena não ter feito aquele golo fácil que certamente lhe daria mais confiança e créditos junto do treinador. 

<-89' André (7): Não começou bem, com evidente e raro desacerto no passe. Sempre lutador, foi melhorando e corou a sua passagem por Haifa com o importante segundo golo, onde se antecipou com mérito ao defesa já ancorado. Um jogo bem positivo ainda que não excepcional (nos 70 minutos que já vi, claro). 

<-76' Tello (8): Finalmente uma exibição quase  condizente com a sua valia. Quase porque ainda assim bastante intermitente e com vários lances perdidos por displicência. No entanto, o que sobressaiu foi a sua importância decisiva para o resultado final. Um golo e uma assistência são sempre um pacote de muito valor acrescentado. A ver se dá seguimento... 

Aboubakar (6): Ohhh what a night! Para esquecer ou para lembrar (e não repetir). Falhou mais golos hoje do que em todos os outros jogos juntos! É caso para dizer "sai de mim Osvaldo!". Não é não, foi apenas uma noite não, tal como o argentino teve na Póvoa. Mas nem por isso deixou de trabalhar e ajudar os companheiros a ganhar metros e segundos. Adiante! 

->62' Herrera (6): Entrou com dois ou três passes descabidos à Herrera mas rapidamente se recompôs e encaixou bem no jogo da equipa. Pode ter muitos defeitos neste momento, mas percebe o que Lopetegui espera dele (outro defeito?:-). 

->76' Varela (6): Cerca de quinze minutos em campo, o suficiente para algumas arrancadas de algum perigo. Não destoou. 

->89' Imbula (-): Não teve tempo para sequer justificar uma nota. As usual. 


Lopetegui (7): Outra abordagem à Lopetegui, fazer o quê? Eu não gosto, outros gostam, mas no final o que conta é o resultado (não só, mas principalmente). E nesse ponto o jogo de hoje foi um sucesso. Não tive oportunidade de avaliar o impacto das substituições mas na realidade, apenas Herrera ainda poderia ter tido impacto relevante no jogo. As substituições não revolucionaram nem era isso o que se pretendia, apenas permitiram manter o esforço de guerra gerindo cansaços acumulados. Por isso, arrisco concluir que saiu de Haifa com mais créditos do que os que tinha à chegada. Cumprir, às vezes, é o quanto baste.


E pronto, volta(re)mos (amanhã) de Israel satisfeitos da vida.

Já descansados e prontos para iniciar nova campanha. A de preparação do desafio do campeonato, onde domingo teremos mais um jogo onde apenas a vitória é admissível. Quem se quiser habilitar a ganhar 2 bilhetes para o jogo contra o Vitória (de Setúbal), ainda pode fazê-lo aqui.


Do Porto com Amor



12 comentários:

  1. Ora, uma entrada na expetativa que rende 3 oportunidades e um golo (segundo a sua crónica) não está mal, não senhor. Sendo que a assistência para o primeiro é do falso extremo... ;)
    Abraco

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    1. Não sei se tem ou teve a oportunidade de jogar futebol de 11 "competitivo" (campeonatos e afins), mas em caso afirmativo certamente que saberá bem que os minutos iniciais de qualquer jogo são o período em que as equipas se medem uma à outra e onde muitas vezes se define quem vai marcar o ritmo e quem vai dançar com ele.

      Quando uma equipa clara e inequivocamente superior entra sem assumir esse estatuto faz automaticamente subir a moral do adversário e isso muitas vezes leva o jogo para um rumo que não seria o expectável face à valia das equipas. Evidentemente que pode não ser definitivo - daí as reviravoltas - mas há um curso inicial que se define.

      Este Porto deste treinador quase nunca entra com a arrogância que a sua qualidade lhe merece e isso eu não compreendo nem aceito. Goste ou não. Felizmente correu bem, como seria provável que acontecesse. Mas se eu só "falasse" quando corre mal, não estaria a ser coerente.

      Quanto ao André, aceito bem a opção (ainda que não seja a minha preferida). Aliás, bastaria ter lido a antevisão para nem ter essa dúvida.

      Abraço portista

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    2. "Quando uma equipa clara e inequivocamente superior entra sem assumir esse estatuto faz automaticamente subir a moral do adversário e isso muitas vezes leva o jogo para um rumo que não seria o expectável face à valia das equipas. "

      Tal e qual o Sporting de hoje na Albânia. Aliás, este Sporting é muito similar ao Porto de Lopetegui (só que o Porto tem muito melhores executantes).

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    3. Ui... só se for o Not Portugal europeu... o do campeonato tem sido mais pragmático. E além disso, seria suposto ser o ano zero deles (eu sei que é todos os anos, mas fazer o quê?).

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    4. Claro, estou a falar deste Leãozinho europeu. JJ é um Manuel José de "permanente", que no campeonato é capaz de tocar bombo, mas também concertina, ao contrário de Lopetegui, que só toca castanholas.

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  2. Voltou a entrar no jogo na expectativa, a ver no que dava. Digam o que disserem, eu não compreendo. Estavamos a jogar contra o Maccabi, não contra o Madrid. Será que alguém se confundiu? Infelizmente sei que não foi confusão, porque é recorrente.
    E assim vai continuar mesmo a jogar com o Sarilhense. A tremideira por qualquer contra-ataque rápido, o toque e toquezinho, não aproveitando o imenso espaço que os Israelitas davam a Tello.
    Apesar de tudo a auto-estima dos jogadores na LC vem ao de cima e borrifam-se para a obsessão da posse e vemos Danilo com explendor a fazer passes de 35 mts, mais objectividade e mais velocidade. Lopetegui coloca em jogo Varela e Herrera para voltar ao seu futebol e para arrefecer os ânimos dos jogadores que queriam mais.
    Golo de André André é tão caricato como o penalti assinalado pelo árbitro, o que diz bem da categoria deste Macabbi. Grande golo de Layun.
    Melhor em campo Danilo, tem dimensão Liga dos Campeões. Em excelente plano Tello, Layun, Maxi e Evandro. Aboubakar, incansável, mas perdulário.


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    1. Remeto-o para a minha resposta acima, desta vez pela concordância.

      Ainda não vi os tais 20 minutos finais, a ver se consigo amanhã.

      Perfeitamente aceitável o seu MoM e demais destaques (cada um vê o que vê, certo?) mas não compreendo quando apelida de "caricato" o golo de André; para mim foi um grande golo colectivo (Danilo - Maxi - André)

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    2. Caricato a forma como o defesa está 3 metros à frente do André e fica parado à espera da bola. A jogada do Danilo/Maxi, foi do melhor que se viu no jogo, juntamente com o golo de Layun e o remate ao ferro do Aboubakar (não estou a falar do falhanço, do outro).

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    3. Sim, mas houve mérito na antecipação... penso eu de que. Por alguma coisa é defesa do Maccabi...

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  3. Até a barraca Albânia (allô JJ), com os festejos dos Zelotas e "ovelhas chonés" por levarmos de vencida o perigosíssimo Macabbi!!! Satisfeito, sim, como quando ganhamos ao Rabat Ajax na caminhada para Viena, eufórico, não.

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