Do Porto com Amor: Mónaco Grand Prix

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Mónaco Grand Prix


Começou bem a curta estadia no quintal do príncipe Alberto, com o ininterrupto desfile de super e de hiper-carros à porta (e dentro!) do mítico hotel Fairmont, que empresta o seu nome ao "gancho mais famoso" do mundo da F1 e que se estende por cima do não menos famoso túnel do circuito monegasco.


 

Vivido o sonho por empréstimo de um dia, chegou então a hora de voltar a pôr os pés no chão e rumar ao estádio do nosso anfitrião de ocasião, o campeão francês AS Mónaco, que conta com os nossos Moutinho e Falcão nas suas fileiras.

Viagem curta, entrada fácil, tudo a correr bem. Só faltava mesmo era conhecer a equipa inicial e arrancar uma exibição que não "deslustrasse" nem retirasse confiança para o Clássico que se seguiria.

Sérgio Oliveira. Após uma comprometedora derrota em casa na estreia, eis que mister Sérgio se lembrava de ir resgatar o proscrito, o esquecido homónimo, que não somava sequer um minuto na temporada e jamais havia jogado na Champions. 

Logo começaram os whatsapps e os tweets a lembrar "inventores" de outros tempos, como Oliveira e Jesualdo, que de modo análogo decidiram "acabar" com as insípidas carreiras de Costa e Nuno André Coelho. Não temia tanto, porque Sérgio Oliveira já estava mesmo a caminho da porta de saída, mas temi que uma má entrada nos pudesse deixar em maus lençóis no encontro.

O maior de sempre, para todo o sempre
Até porque, além de Sérgio Oliveira, estava também Herrera no onze. Se resistir a um já seria difícil, a dois...

Sendo um apreciador do menino Sérgio, seria fácil e até coerente escrever que sim, que sempre esperei que o desfecho fosse o que foi. Mas não seria honesto, e com isso teria muita dificuldade em conviver.

Antes do o jogo começar, temi o pior. E achei que o mister estava a cometer um (outro) erro.

O que se seguiu, já é história. Uma exibição de raça, sempre de fato-de-macaco, com laivos de qualidade a espaços e muita "crença" nos momentos decisivos. Correu, de facto, quase tudo de feição (incluindo o impedimento de André André...). Mas, que ninguém duvide, fizemos muito por isso. Vencedores incontestáveis, pela força dos números e pelo natural desenrolar dos acontecimentos. 

Grande vitória, sem "ses" nem "mas". À Ayrton Senna da Silva.

E assim se inverte o cenário psicológico no grupo G, nascendo a expectativa (e a esperança) para a conquista de 4 ou 6 pontos no duplo confronto com os alemães de Leipzig e a consolidação num dos dois lugares de apuramento. What a difference a day makes...



Notas DPcA 


Dia de jogo: 26/09/2017, 19h45, Stade Louis II, AS Monaco - FC Porto (0-3)


Casillas (6): Uma mão cheia de hesitações, precipitações e calafrios a salpicarem uma exibição menos trabalhosa do que o esperado.

Ricardo Pereira (8): De longe, o seu melhor jogo de Dragão ao peito. E até nem começou muito bem, algo retraído e talvez receoso da velocidade dos monegascos. Aguentou-se e na segunda parte foi monstruoso a defender e competente a atacar. Para dar continuidade, por favor.

Alex Telles (7): Exibição de bom nível, ainda que menos impressivo do que o parceiro do outro lado. Foi precipitado e desposicionou-se em demasia (Brahimi "ajudou") na primeira meia hora, o que por pouco não se traduziu em golo sofrido. Melhorou e acabou em alta, tal como a equipa.

Melhor em Campo Marcano (8): Uma falha no meio de um jogo enorme, superlativo. Muito, muito bom. Acredito que poucos tenham visto o jogo desta forma, mas eu, que o vi no estádio, é nele que aposto como o mais importante para o resultado final.

Felipe (7): Também muito bem a limpar no centro da área, foram dezenas de cortes, mas teve um lapso grave que poderia ter dado golo que lhe mancham a exibição e a nota.

Danilo (6): Teve muitas dificuldades para se entender com as movimentações adversárias... e com os companheiros, o que até se percebe pela falta de rotina. Mas superou-as com uma vontade inquebrantável e assumiu até um papel "construtivo" mais relevante do que o seu habitual. Muito trabalho, mesmo se nem sempre com grande qualidade.

Herrera (7): É realmente difícil qualificar esta exibição, tantas foram as coisas boas e as más que deu ao jogo. À falta de melhor, insisto na minha imagem da montanha-russa. Com Héctor é assim: tanto faz uma boa jogada ou um corte importante como logo a seguir faz uma trivela que lança o contra-ataque do Mónaco ou tropeça num companheiro. Enfim, nem vou tentar mais do que isto...




< 86' Sérgio Oliveira (8): Eu dizia-vos que ainda não tinha desistido deste menino... e, aparentemente, o mister também não. Em boa hora, porque foi o jogador de que a equipa precisava, em especial para dar alguma lucidez e tranquilidade à nossa posse de bola, começando a construção desde trás, quase sempre com (bom) critério. E lutou sempre. Sim, que normalmente lhe falta intensidade e velocidade de execução, mas ontem esteve num nível superior. Que bom.

< 71' Brahimi (7): Andou desaparecido durante mais de vinte minutos, os primeiros do jogo. Depois, chegou, viu e convenceu. Não conseguiu o seu golo, apesar da oportunidade clara, mas ajudou muito a desestabilizar o adversário, causando-lhe dúvida e receio do que poderia fazer a seguir. Saiu a resmungar, mas creio que rapidamente compreendeu que era preciso preservá-lo para o próximo jogo.

< 71' Aboubakar (7): Marcou dois golos, foi obviamente decisivo, mas não lhe vi grande desempenho. Aliás, no primeiro só marcou à segunda. Mas... marcou. Não me convenceu ainda, espero bem mais dele, em especial no entendimento com os colegas (nem sempre leu bem o que o jogo lhe pedia) e, claro, na finalização.

Marega (8): Desta vez não marcou (e podia... e devia), mas fez duas boas assistências. E foi, ainda outra vez, a locomotiva que leva o jogo para zonas de perigo e põe toda a defesa em sobressalto. Não foi brilhante, mas foi muito competente a desempenhar o seu papel - e decisivo no desenrolar dos acontecimentos. 

> 71' Corona (5): Outra vez o elo mais fraco, sem acrescentar nada de relevante à equipa.  

> 71' Layún (6): É um daqueles jogadores que tem "golo" no sangue. Jogue muito ou pouco, bem ou mal, consegue quase sempre estar no sítio certo para marcar e/ou assistir. Entrou e não encaixou logo na equipa, mas... quando chegou a hora, lá estava ele para facturar. E assim encerrar o jogo.

> 86' Reyes (-): Entrou para ajudar a passar os últimos minutos e cumpriu.

Sérgio Conceição (9): Conhecido o onze inicial, era elevado o risco de ter uma nota muito baixa... ou - menos provável - muito alta. Felizmente, tem nove. Sim, nove. Porquê? Porque foi ele o melhor em campo, porque arriscou alto e foi recompensado. Claro que o jogo nos correu de feição, mas isso faz parte do ofício. O que realmente importa é que foi dele a estratégia e a aposta em Sérgio Oliveira, que lhe devolveu a confiança depositados com juros gordos. E assim ganhou mais uma série de coisas boas: relançou a equipa na competição, descobriu mais uma solução válida no plantel e volta a casa com confiança acrescida para domingo. Era realmente difícil pedir-lhe mais. Bravo. 



 

Outros Intervenientes:



Saudades, muitas saudades de Radamel e Moutinho. De resto, nada a destacar. Bom, talvez a terrível dificuldade de Jardim para engolir os três secos. Mas pronto, custa a todos.

[Já na noite de hoje, houve um jovem desconhecido que me chamou muito a atenção: Oberlin. Será que o garrote financeiro não afrouxa um pouco para se contratar já este menino?]


Quanto à arbitragem da equipa liderada por Slavko Vincic, pareceu-me não nos ter sido nada desfavorável, pese alguns erros "normais" e para ambos os lados. E garantidamente que não será um jagunço viperino como Duarte Gomes a fazer-me mudar de opinião. Positiva, sem dúvida.


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Segue-se a emocionante deslocação a Alvalade, onde estarão em disputa os habituais três pontos, mas mais do que isso: a consolidação da liderança e - em caso de vitória - um passo muito importante rumo ao objectivo principal.

Espero muitas dificuldades, por aquilo que o Sporting já mostrou ser capaz, mas sobretudo por uma das certezas absolutas do futebol nacional: somos sempre, mas sempre prejudicados naquele estádio. Umas vezes de forma mais escandalosa, outras mais discretas, mas sempre prejudicados.

Temos, por isso, de ir com a convicção de que não bastará jogar tanto como eles: neste jogo, teremos sempre de ser melhores para, pelo menos, não perder.

E vamos ser melhores.



Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco



P.S. - Deu Xistra, um dos que se imortalizou emprestando o nome a um dos andamentos do treta. Se dúvidas houvesse sobre o ser sempre prejudicado em Alvalade...

P.P.S. - Parabéns, meu querido Clube! 124 and counting... fight on!




11 comentários:

  1. 8 ao Oliveira e 7 ao Brahimi? Naaaa, nem com boa vontade... ;)

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  2. o Lápis a engolir o Herrera e eu a engolir o Sérgio Oliveira!!!
    Mas o FC PORTO é assim, e ainda bem!

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    1. As vitórias sempre ajudam a escorregar melhor pela goela... mas o Héctor continua bem atravessado a meio da minha.

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  3. Eu acho que estamos a lampionar um bocado - confundir um excelente resultado com uma excelente exibicao. Lembrou-me muito do 3-1 ao Bayern por isso espero que o passo seguinte nao se repita.

    Uma excelente exibicao (para mim, se calhar sou muito ambicioso) deveria envolver:
    - O adversario ter menos oportunidades do que nos
    - O jogo ser passado na maioria no meio campo adversario
    - Nos termos muitas claras oportunidades alem dos golos marcados
    - Fazer-nos sentir durante o jogo que podemos marcar a qq momento e q o adversario nem cheira

    Em vez disso, isto foi o que eu vi:
    - Em termos de oportunidades foi equilibrado mas nos fomos mais eficazes
    - o jogo foi a meio campo com pequeno ascendente monegasco
    - marcamos quase todas as oportunidades que tivemos
    - ate com 2-0 ainda passamos por calafrios
    - no primeiro e terceiro golos foi preciso a defesa adversaria deixar-nos ganhar prai 37 ressaltos na area deles para conseguirmos marcar!

    Dou muito merito ao SC pela disposicao tactica. Usar o Herrera como medio/avancado e o Marega como medio/extremo direito resultou muito bem porque tirou partido das suas disponibilidades fisicas para o necessario vai-vem. Achei que o Sergio Oliveira cumpriu o que lhe foi pedido mas nao vi nada de mais na sua exibicao. Ainda assim mais util que o Danilo que continua a nao mostrar grande coisa (e as teorias do precisar de tempo ja la vao).

    Brahimi a continuar assim e vai finalmente sair por uma pipa de massa. rezo todos os dias para nao se lesionar porque isso seria tragico.

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    1. Quem está a lampionar?? Eu escrevi precisamente nesse sentido, uma grande vitória por números expressivos mas onde tudo nos saiu bem.

      Quanto à definição de excelente exibição, discordo. É que terá sempre de ser contextualizada com o adversário. Seguindo o seu raciocínio, jamais poderíamos fazer uma "excelente exibição" contra um colosso. O que, é obviamente falso.

      Sem bola, vi-nos em 4411 com o Héctor tal como diz, mas também vi 4141 e mais um ou dois desenhos. O que realmente interessa é o que daí resultou. Sugiro que reveja a exibição do Sérgio, considerando o que acrescentou à equipa. Danilo está a melhorar, é notório, mas ainda não está lá.

      Já quanto ao Brahimi, a sério que não vejo o "assim", deve ser defeito meu (ou preconceito, como "alguns" gostam de dizer). Continua a ser um poço de talento sem sistema de extração. Esteve bem no jogo (assim que chegou, cerca dos 20 minutos...), mas tirando o bom passe para Marega assistir Abou, onde deixou a sua marca? As fintas são bonitas de se ver, mas se não forem produtivas, nunca irão render os tais milhões - para grande desespero do próprio.

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    2. Concordo que a exibicao tem de ser contextualizada com o adversario - mas tb nem 8 nem 80 - o Monaco deste ano nao e obviamente um Rio Ave mas tb nao e um Man City, Real ou Barcelona.
      Compare a exibicao de ontem com o muito saudoso 3-0 de ha 13 anos... Nao acha que a nossa exibicao nesse encontro foi muito melhor apesar do resultado ter sido o mesmo? Claro que isso significa uma fasquia muito alta, mas porra por isso e que somos portistas!!!

      Em termos do Brahimi - temos de deixar de avaliar jogadores pelos resumos dos jogos ou pelos resultados da equipa ou pelos golos e assistencias... Imagine la que eu e o Lapis jogavamos na mesma equipa e que o Lapis atraves da sua tecnica fenomenal arranjava espacos e metia-me passes que me deixavam em 1v1 ou 1v2 dez vezes. Agora imagine que eu so aproveitava 2 para marcar. Quem e que realmente foi melhor jogador? Mas infelizmente muita gente diria que tinha sido eu porque marquei 2 golos... Mesma historia com o Brahimi - faz jogo para os outros, constantemente atrai varios adversarios e depois poe a bola em colegas que ficam em muito melhor situacao do que estariam antes - isso para mim e jogar bem!

      Sim, claro, muitos desenhos tacticos. Qd o monaco comecava a construir estavamos em 4-4-2 (e o 2 era o Abou e o HH), se o Monaco passasse a primeira fase de pressao o HH recuava e passava a 4-5-1, sempre com um dos medios (HH, SO ou Marega) a esperar pelo momento de avancar para pressionar ou sair disparado (Marega) se a bola fosse recuperada (com Abou a automaticamente abrir um pouco para a faixa contraria a que o medio que subisse estava).
      E francamente, o facto de que a equipa mostrou estes comportamentos tao bem definidos nesta altura da epoca e um grande credito ao SC. Eu chateia-me sempre um pouco e que nao se consiga aliar esses bons comportamentos com os melhores protagonistas.

      E, para finalizar adiciono - agora que ja revi o jogo e percebi melhor estes comportamentos ja concordo plenamente que o Marega tenha sido a melhor escolha para o papel que teve. Gostava de ver (talvez ate numa taca so para experiencias) o Oliver em vez de Danilo, o Galeno em vez de Marega e Bueno/Fede Varela em vez de HH...

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    3. Curioso falar da final. Também nesse jogo houve pelo menos um momento onde o jogo poderia ter seguido noutra direcção (Giuly - Baía). Também nesse, felizmente não seguiu. Qualquer outra comparação será imprópria, tendo em conta que foi uma das nossas melhores equipas de sempre que a disputou.

      Não fiquei nas nuvens por ter ganho na terça, mas muito feliz pela clara progressão e grande acréscimo de moral que ela significou.

      Brahimi não faz o que descreve na maior parte das vezes, perdendo-se antes de chegar a esse momento do passe decisivo ou da finalização. Aliás, o passe é uma das suas maiores falhas, contrariada desta vez por um belo passe. Por isso é que ainda cá está...

      Mais do que quem joga, importa-nos a todos os resultados. E esses têm-nos sorrido. Que assim continue, para que a discussão seja sempre na base do que sendo bom, poderia ainda ser melhor.

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  4. Como não sou treinador, nem tão pouco com aspirações a tal, para mim sinto-me nas núvens com o FC PORTO ter ganho ao Mónaco por 3-0 em casa deles!!!
    É que estamos a falar de uma Champions, não de uma taça qualquer, estilo Lucilio Batista.
    E depois há sempre os inconformados desta vida, ora porque é preto quando deveria ser branco, ou é branco quando deveria ser preto!
    Prefiro um naco de pão em grande felicidade, que um enorme banquete em clima de consternação!!!

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    1. Caro Felisberto, sunbscrevo na totalidade o seu comentário. Permita que assine por baixo.
      Aos inconformados, que se calhar o que gostariam era que as outras equipas fossem uma espécie de Walkers, relembro que ainda não saímos completamente, (apesar das 7 em 7 e, espero que no domingo as 8 em 8) da profunda crise de confiança e resultados que a era LopeNes nos mergulhou.
      Cerremos fileiras. O objectivo principal está bem ao nosso alcance. O caminho far-se-á caminhando e qualquer distração servirá para a propaganda lampiânica emergir, denegrindo-nos. Com efeito, também prefiro o naco de pão...
      1 abç a todos.

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    2. Felizes acho que ficámos todos, a questão é o quanto cada um acha que este tipo de resultado será mais ou menos "repetível" no futuro.

      Creio que ninguém se esquece dos maus tratos a que fomos sujeitos nestes últimos anos pela direcção e treinadores por ela escolhidos, nem do impacto que isso teve no actual estado da Nação.

      Vamos indo, de preferência juntinhos :-)

      (desculpem a demora na resposta, passou-me...)

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