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quinta-feira, 19 de abril de 2018

Medo e Marcano


Cada um terá a sua forma de entender o jogo, nela se baseando para a definição ou a proposta de estratégias para chegar aos objectivos. A minha parece ser substancialmente diferente da de Sérgio Conceição. Numa eliminatória, quando se chega à segunda mão, após ter vencido em casa pela vantagem mínima e sem sofrer golos, a estratégia principal única só pode ser uma: marcar fora.




Mais do que procurar manter o nulo do marcador, do que não sofrer golos e conservar a magra vantagem, o que encaminha a eliminatória definitivamente a "nosso" favor é conseguir marcar um golo em solo "inimigo". Ora, daquilo a que eu assisti no estádio, não fiquei convencido que fosse essa a prioridade estabelecida pelo treinador. De todo.

É verdade que a minha posição de adepto é muito mais fácil e cómoda, porque me limito a observar e opinar, no entanto quem vive à custa das suas estratégias é o treinador, pelo que é a ele que se deve "pedir explicações". 

Creio que ontem tivemos mais medo de sofrer golos do que vontade de o marcar e, no final, fomos penalizados por um erro individual que é sempre passível de acontecer. Depois, já não houve pernas nem coragem para empatar antes do prolongamento. Seguiram-se 30 minutos a meio-gás, sem grande capacidade nem convicção para marcar o tal golo que seria "de ouro" para nós. Voltamos a cair nos penáltis, que desta vez até foram 80% bem marcados. Pouca sorte, dirão alguns; pouca audácia, digo eu.

Do outro lado, esteve uma equipa que quase espelhou na nossa em termos de atitude. Foram deixando o jogo correr sem forçar em demasia, porque sabiam (eles sim, sabiam!) que sofrendo um golo ficariam muito mais longe da final. Tiveram algumas oportunidades ao longo do jogo, escassas, mas nunca me apercebi que perdessem o controle emocional. A poucos minutos dos noventa foram bafejados pela sorte e a sua estratégia provou ser a mais correcta. Mas barely, diga-se.

O futebol admite sempre a possibilidade de um golo entrar a qualquer altura, sem aviso prévio (alô Capitán Herrera!), pelo que poderíamos ser levados a concluir que o golo que aconteceu na nossa baliza poderia, ao invés, ter acontecido na do Sporting. Sendo verossímil o "pressuposto", não é o que mais releva neste contexto: o que faria a diferença era haver, da nossa parte, uma obstinação, um desígnio fundamental para este jogo que fosse o de fazer golos. Ou golo que fosse, para início de conversa. Em minha opinião, não houve - pelo menos, não o principal.


Grande apoio, mas não chegou



Notas DPcA 



Dia de jogo: 19/04/2018, 20h30, Estádio de Alvalade XXI, Sporting CL - FC Porto (1-0; 5-4 g.p.)


Iker (6): Não teve especial trabalho, mas respondeu sempre bem quando a isso foi chamado, tirando os habituais e irritantes disparates com os pés. Não defendeu nenhum penálti (apesar de ter adivinhado o lado por uma vez), mas ninguém lhe poderia exigir tal coisa. #renovaCasillas

Maxi (6): Não quis saber das suas "eventuais" menores capacidades físicas e foi à luta em todas as oportunidades, acabando por ser mais feliz a construir, onde conseguiu mais espaço, do que a defender-se de Acunã, uns anos mais novo e uns metros mais rápido. Nunca seria por ele que acabaríamos eliminados...

Alex Telles (6): Passou muito mais tempo preocupado com Gélson & companhia do que em atacar, o que para ele é contranatura, algo que se reflecte na sua exibição, muito mais pálida do que o habitual.

Felipe (7): Muito bom jogo, sempre impecável nas marcações e antecipações e ainda bem a sair ou a endossar a bola.

Marcano (5): Estava a alinhar pelo mesmo diapasão do companheiro até que chegou o momento fatídico: falhou o "alívio", colocando a bola à disposição de Coates para fazer o golo da nossa derrota. Por ironia macabra do destino, foi também ele quem falhou o único penálti da noite.

Herrera (7): Bom jogo, muito combativo numa vasta área de acção de início, retraindo-se mais adiante por imposições tácticas (e físicas também, suponho), mas sem nunca deixar de lutar. Contra o seu normal, não me lembro de nenhum passe disparatado ou de alguma "travadinha", o que só pode ser bom.

< 84' Óliver (6): Voltou a ter uma oportunidade inteira para demonstrar que a sua parca utilização é pouco menos do que uma injustiça, mas na verdade não fez o suficiente para o justificar. Não tendo jogado mal, a verdade é que também não conseguiu ser melhor do que quem tem jogado no "seu" lugar, começando até com uma série de maus passes que me deixaram os cabelos em pé (os 7 que ainda tenho). Melhorou com o evoluir do jogo, não destoou propriamente, mas... soube a pouco. Ainda por cima, "obrigou" o treinador a queimar a última substituição dada a sua incapacidade para continuar. Malditas expectativas.

< 75' Otávio (7): Boa exibição do baixinho, juntando à sua habitual combatividade um acerto e objectividade que raramente demonstra. Do meio para a ala e vice-versa, foi varrendo e ajudando a varrer as iniciativas adversárias, recuperando muitas bolas e depois saindo com critério, pese a pouca profundidade da equipa. Possivelmente, o seu melhor jogo da temporada. De tal forma, que me custou vê-lo ser substituído. E à equipa também, diga-se.

Not this time, capitán...

Ricardo (7): Um dos melhores dos nossos, talvez até fosse o melhor em campo se a eliminatória nos tivesse sido favorável. Mais um jogo enorme, comprido de uma área à outra e cheio de qualidade. Acaba a época em grande forma e MERECE estar no mundial.

Brahimi (7): Sem ser um Brahimi especial, esteve bem melhor do que nas últimas partidas (e ainda melhor do que na última), porque foi capaz de perceber quando deveria insistir no lance individual ou servir os companheiros, garantindo com isso o "manter em sentido" de dois ou três adversários de cada vez, o que libertou espaço para os companheiros.

< 66' Soares (6): Exibição muito ao estilo da que fez na Luz, com dificuldade em segurar a bola e tocar depois, embora me parecesse ligeiramente melhor globalmente. Faltou, claro, o golo que dá o colorido a qualquer desenho de um avançado, mas nem oportunidades teve para isso. 

> 66' Aboubakar (4): Está num momento horrível de forma, tudo em que toca transforma em cocó, pelo que não entendo a insistência do treinador. Se quer e não consegue, teria de ser quem o dirige a optar por outra solução. Mete dó vê-lo em campo e ontem custou-nos caro jogar com "um a menos".

> 75' Sérgio Oliveira (5): A equipa perdeu com a troca, pareceu-me entrar um pouco amorfo e fora de ritmo, o que o levou a fazer mais faltas do que o recomendável (nem todas assinaladas). Não esteve propriamente mal, mas também não se destacou pela positiva.

> 84' Reyes (6): Entrada forçada, por via do "estouro" de Óliver, mas positiva, dentro do que se sabe que poderia dar à equipa. Precisou de uns minutos para encontrar o seu espaço (literalmente), mas a partir daí integrou-se bem e cumpriu a missão, tendo até chegado a introduzir a bola na baliza adversária, mas com o fora-de-jogo já assinalado.

Sérgio Conceição (4): Explicou após o jogo que as substituições se ficaram todas a dever a problemas físicos, tal como a não-titularidade de Marega (esta infiro eu das suas palavras), pelo que só tenho de acreditar na sua palavra e não o penalizar por ter tirado Soares e Otávio do jogo - o primeiro porque a alternativa era muito pior, o segundo porque estava a jogar bem. 

No entanto, do que não se "livra" é de uma primeira parte em que raríssimas vezes chegámos à baliza de Rui Patrício e de uma segunda no mesmo "tom", ainda que com melhor produção de jogo. Já expliquei acima que não entendo como não montou uma estratégia para marcar golos em Alvalade acima de qualquer outra coisa. E como no final deu-se mal e custou-nos a presença no Jamor, sai deste jogo como o principal responsável pela eliminação. Mais do que tudo, teve medo de perder. E perdeu.




Outros Intervenientes:



Este Sporting é uma equipa razoável que combina a experiência do treinador e alguns jogadores com a imensa qualidade de Gélson e Bruno Fernandes. Não jogaram muito, nem sequer mais do que nós, mas marcaram. Conseguiram derrotar-nos à quinta tentativa e voltaram a ser melhores nos penáltis. Foram mais felizes, pelo que só me resta dar-lhes os parabéns, ainda que muito a contragosto.


Em vez de perder tempo a repisar o quão fraquinho e pequenininho é o ser Jorge Sousa, o que só lhe permite fazer arbitragens assim, ultra-defensivas, cobardes, mesquinhas, vou insistir no carácter "profissional" de Hugo Macron, o vídeo-árbitro de serviço, que uma vez mais deve ter adorado ver-nos a provar do seu veneno, que incluiu a não marcação de um penálti evidente de Mathieu e a não-expulsão de Acuña, entre outras eventuais cegueiras selectivas deste montinho de esterco verde (como será que Maxi ficou no estado que se pode ver abaixo?). No conforto da sua cabine tecnológica, abrigado das reacções do estádio, o viscoso Hugo lá fez o seu trabalhinho e no final foi para casa todo contentinho. E assim há-de continuar, até ao dia em que alguém lhe fizer engolir a dentição toda de uma vez só.




Se já estava doente com a eliminação, mais fiquei e fico ao ser obrigado a ler as baboseiras do costume de entre as nossas fileiras, do tipo "o que importa são as quatro finais que temos para ganhar", "o campeonato é que interessa" ou o eterno "amo-te hoje mais do que ontem"... Não, porra! Ontem o que interessava era garantir a final, cambada, nada mais, NADA MAIS! A Taça é objectivo tal como o Campeonato, a Supertaça e a Taça da Liga: competições internas, TODAS para ganhar!

Se falhámos, há que ter coragem para "viver" esse falhanço, encará-lo de frente e evitar que se repita! Enfiar a cabeça na areia pode estar no ADN deles, os da segunda circular, mas não está no nosso. Man up!


Dito isto e assumida sem reservas a colossal azia pela eliminação (que perdurará ainda durante alguns dias e regressará em força no dia da final), AGORA digo que há que olhar em frente e deixar de ser "cagarolas" a enfrentar os quatro jogos que nos faltam. Têm de ser todos para ganhar, mas mesmo para ganhar, desde o primeiro ao último minuto, e um de cada vez. Não há margens, não há folgas, não há empates nenhuns para se poderem ceder. NADA, ZERO. Só há é que ganhar os quatro jogos, começando pelo Vitória de Setúbal.

Sem desculpas, sem receios, sem nada que não seja uma indomável e inquebrantável vontade ser campeão, embalada pelo grito audaz da nossa ardente voz.



Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco




segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Noite de São Patrício


Há jogos que não "deveriam" poder acabar a zero. Quando as duas equipas jogam para ganhar, com alternância no domínio e nas oportunidades, havia de ser obrigatório golos. Havia. De. Não se deduza daqui que vi um jogo muito renhido, equilibrado ao milímetro: bem pelo contrário! Nos anos mais recentes, este foi o clássico em Alvalade em que o Porto foi claramente melhor. Claramente, ainda que com momentos diferentes, de ambas as equipas, ao longo dos 90 minutos.


Foto: Carlos Alberto Costa

Uma grande primeira parte em casa de outro candidato ao título, por sinal o mais bem colocado nesta altura. Dominador, autoritário e ameaçador, perante um Sporting absolutamente incapaz de se reajustar para impedir este desfecho. Notável, digo eu, para uma equipa recém-formada por um treinador recém-chegado e inexperiente nestas andanças de candidatos.

A intensidade foi tal nesse primeiro período que, no regresso e perante um adversário finalmente adaptado para o desafio que lhe foi lançado, já não conseguiu manter o registo. Compreensível, diga-se. Primeiro, porque se exigia muito mais ao grande mestre da táctica e às suas grandes (e caras) contratações. E segundo, porque não temos um treino adequado para permitir que os jogadores aguentem manter o ritmo elevado jogando de três em três dias.

Mesmo assim, até na segunda parte tivemos mais oportunidades para marcar do que os anfitriões. E se não o conseguimos, tal se deve a dois tipos de factores: um, o desacerto (por vezes, infantil) dos nossos, com Aboubakar e Marega à cabeça; dois, uma exibição portentosa e memorável do guarda-redes adversário.

Tivesse sido realizado a 17 de Março e ninguém duvidaria que se tratava de um jogo sob o desígnio de São Patrício, tão decisiva foi a influência do keeper sportinguista. Antes do jogo, quem o diria? Muita gente, admito, mas não eu. Esperava mais do Sporting e menos do Porto

Pese a exibição, o resultado e a consequente liderança, não creio que se devam tirar grandes conclusões ainda. Muito menos em relação ao "comprimento" do plantel. O que era curto continua a sê-lo, evidentemente. Não é de um jogo, por mais relevante que ele seja, que se pode inferir decisivamente se o plantel é ou não suficiente. 

Será, se alguma vez esse dia chegar, quando houver lesões, castigos ou ambos em simultâneo - e em mais do que uma posição. Aí sim, num espaço temporal mais alargado, se poderá tirar alguma conclusão mais válida. Eu mantenho o que disse antes do mercado fechar: tirando nas laterais defensivas, o plantel não tem extensão suficiente para permitir fazer mudanças na equipa mais titular sem relevante perda de qualidade. O centro da defesa e a posição "6" são os lugares mais expostos a um qualquer flagelo.

Por agora, estamos bem. Óptimos, para ser sincero. Melhor, só mesmo tendo feito justiça à exibição com uma vitória. Que ninguém se magoe nas selecções.


Foto: Carlos Alberto Costa



Notas DPcA 


Dia de jogo: 01/10/2017, 19h15, Estádio de Alvalade XXI, Sporting CP - FC Porto (0-0)


Casillas (6): Nem ele acreditaria no parco trabalho a que afinal foi sujeito neste jogo, sendo um mero espectador em grande parte do encontro. Não me lembro de uma grande intervenção, apenas de uma saída em falso que dificilmente teria consequências gravosas. Regular, portanto.

Layún (6): Boa resposta face à ausência forçada de Ricardo e à subalternização do Maxi no entendimento do treinador. Nunca brilhante, mas esteve mais atento do que é seu hábito nos lances defensivos e ainda se conseguiu ir aventurando na frente, mesmo se sem grandes "feitos" a relatar. Mais um que voltou "a contar para o totobola" de SC.

Alex Telles (6): Não esteve globalmente pior do que qualquer um dos seus parceiros de defesa (até porque "levou" com Gelson), mas teve uma paragem cerebral naquele lançamento lateral que só por aselhice não resultou em golo e que deve ser penalizado. É uma gota na exibição, mas uma de veneno, que facilmente poderia ter inquinado toda a "bebida".

Marcano (7): Exibição autoritária, como vem sendo hábito. El (sub-)capitán a fazer jus ao epíteto. E quase assistia, de forma inesperada, uma tolada de Marega.

Felipe (7): Bom jogo, quase irrepreensível, com destaque para um corte providencial quando Gélson já se isolava. Par ideal para o bom do Iván.

Danilo (7): O seu melhor jogo da época, precisamente quando a equipa mais precisava dele. Intenso, poderoso e bem a distribuir, foi a âncora da equipa. Devagarinho, lá vai evoluindo. Bom.

< 74' Herrera (7): É tão difícil avaliar positivamente uma exibição que, entre muitos lances bem definidos, inclui disparates que não lembram ao diabo... Apetece penaliza-lo, porque são realmente idiotas esses lances, caricatos até: desde aquela arrancada onde, tendo um companheiro de cada lado e em superioridade numérica, optou por rematar a mais de 30 metros da baliza; até ao passe em forma de petardo, salvo de estourar apenas pela magia do pé de um certo argelino. Enfim, a montanha-russa do costume, mas com mais para elogiar do que o contrário.


Mais do que 1000 palavras...

Sérgio Oliveira (7): Outra grande resposta à aposta do treinador, a segunda consecutiva. Muito importante a manter a consistência do meio-campo defensivo, foi também fundamental nos inícios de construção da equipa, porque se colava aos centrais e, como elemento surpresa do jogo, beneficiava de um pouco mais de liberdade para iniciar essa construção. Muito intenso nos duelos e recuperações, apenas pecou (outra vez) por uma certa dose de imprudência que, noutras circunstâncias, poderiam ter efeitos nefastos. Parece estar mesmo confirmada a chegada de mais um reforço ao plantel.

< 88' Brahimi (8): Uma das suas exibições mais consequentes, que merecia mais acerto de Aboubakar. No entanto, também ele as desperdiçou - pelo menos uma, num remate demasiado colocado. Do muito que jogou e fez jogar, não posso deixar de me deliciar com alguns domínios de bola excepcionais, que disfarçam um passe falhado e o transformam num lance ainda viável. É, de facto, um regalo de ver. Pena o objectivo final do futebol ser outro...

< 86' Aboubakar (6): Lutador incansável, teve boas combinações com companheiros, em especial Brahimi, que por mais de uma vez deveriam ter acabado no fundo das redes. No entanto, a sua missão primeira é sempre a de marcar e nisso voltou a falhar, uma vez mais. E não foi pela falta de oportunidades. É isto Aboubakar, admito. Há que adaptar as expectativas.

Marega (7): Pela primeira vez, terá sido vítima da sua recente fama, alvo de marcações apertadas e apertões sucessivos para o tentar "acalmar". E na verdade resultou, porque ficou combalido logo num dos primeiros atropelos de que foi vítima. Ainda teve algumas das suas arrancadas, mas sempre bem controlado. Ajudou, isso sim, a libertar espaço para a entrada de outros, como Herrera. Teve na cabeça a melhor possibilidade de surpreender Rui Patrício e nos pés a ocasião mais flagrante do jogo. Bem-vindo aos clássicos, Moussa. Daqui em diante, tudo vai ser um pouco mais difícil.

> 74' Otávio (5): Entrou "a frio", perdeu a primeira bola que teve e demorou a encontrar o fio da meada. No lance mais relevante, reagiu rápido e meteu a bola em Marega com razoável qualidade.

> 86' Soares (-): Entrou sobretudo para ajudar o cronómetro a passar. Sem tempo útil de jogo para ser avaliado.

> 88' Corona (-): idem 

Sérgio Conceição (7): Um desempenho bipolar do nosso mister; excelente no plano montado, hesitante na altura do inadiável refrescamento de uma equipa fatigada. A primeira parte foi mesmo uma lição histórica do pupilo ao mestre, tal a superioridade do Porto e a incapacidade dos de Lisboa para alterarem o rumo dos acontecimentos. O segundo tempo foi mais equilibrado, com alternância no domínio do jogo, mas onde a nota mais relevante foi o indisfarçável desgaste dos jogadores de ambos os conjuntos. E aí pareceu-me que Sérgio poderia e deveria ter sido mais audaz, mais cedo. Percebo que tivesse medo de, ao mexer, provocar a desagregação de uma equipa presa por arames, mas... o jogo estava lá para o vencermos, como raras vezes tem acontecido neste duelo em Alvalade. 

Adiou, hesitou... e quando mexeu, foi mais para evitar que o Sporting ficasse por cima do que para tentar dar a machadada da vitória. Talvez por isso, voltou a não ver ganhos em lançar a clarividência de Óliver, não entendo por que motivo. Foi pena. No entanto, o empate serve-nos muito mais do que ao Sporting, vamos para a paragem à frente e seguimos isolados. Tudo pesado, foi um bom trabalho, mas longe da excelência. Crescemos juntos, Sérgio. Bambóra!


Foto: Carlos Alberto Costa



Outros Intervenientes:



Se é só isto o Sporting, desilude-me. Contra os fracos, parecia bem mais forte. Talvez o cansaço explique a pobre exibição, mas é um cansaço que não tem explicação (tal como o nosso, aliás) -  quando há equipas de futebol noutras paragens a jogarem de 3 em 3 dias sem se ressentirem, creio que há motivo para reflexão sobre o que (não) se anda a fazer por cá.

Em todo o caso, o Sporting do inimitável Jorge Jesus deu ao jogo o melhor em campo, na figura do seu guarda-redes Rui Patrício. Uma exibição de topo, daquelas que se exige apenas aos jogadores de eleição. E nem a minha embirração de estimação com o labrego me impede de o reconhecer. Grande exibição de um grande GR. Em segundo plano, bem distante, gostei de Acuña. Bom jogador.


Da arbitragem do faz-títulos Carlos Xistra e sus muchachos (incluindo o VAR Hugo Macron), veio a segunda maior surpresa da noite. Claro que fomos prejudicados, mormente na diferença de critérios disciplinares, mas, caramba, para o que estamos habituados neste estádio, foi um upgrade notável. Apesar de ainda inclinado, desta vez os nossos conseguiam ficar de pé sem ter de se agarrar a algo. Notável...



Segue-se mais um deprimente período de selecções, agravado pelo facto de no final haver fim-de-semana de Taça. Contas feitas, 15 dias de paragem, visita ao Lusitano de Évora e deslocação a Leipzig antes que o campeonato possa regressar. Vá lá que estamos em primeiro; de certeza que aos outros custará bem mais. 



Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco




segunda-feira, 29 de agosto de 2016

O Roubo do Costume


Estava eu descansadinho da vida a saborear os Algarves e eis que me vi forçado a perder duas horas do meu fim de tarde após mais um roubo por esticão (a 200 e tal quilómetros de distância). Foi uma chatice, primeiro para encontrar o posto mais próximo da GNR, depois esperar na fila enquanto hordas de bifas se queixavam dos zézés locais (not what they used to be) e finalmente para que o guarda se decidisse como escrever "assalto" (evidentemente optou por "roubo"). No final, ainda se riram de mim, mas a queixa ficou entregue: o Porto foi, de novo, descaradamente roubado em Alvalade.


E puseram, literalmente.

Ou então enganaram-nos e a modalidade era outra. Andebol de 11, talvez, salpicado por MMA aqui e ali. Só que não, era (suposto ser) futebol. Já é uma tradição, quase como a derrocada lagarta ao primeiro vislumbre do Rodolfo. É uma espécie de #colinho personalizado: em Alvalade, roubam-nos. Ponto. 

Entrada interessante do Porto (mas de amarelo porquê, senhores??), a pressionar o Sporting, fechando linhas de passe e a recuperar rapidamente a bola e intentar ataques rápidos. O corolário foi o golo de Felipe, após boa cobrança de Layún (who else?) de um livre por falta claríssima de Adrien sobre Danilo (só alguém mal-intencionado ou mentalmente retardado pode alegar algo diferente). Antes do minuto 10 estávamos na frente do marcador, com a enorme vantagem de poder recuar, fechar bem e partir rápido para o segundo.

Quem não esteve de acordo foi Jorge Jesus, que rapidamente puxou para o meio Bruno César e activou Tiago Martins, qual terrorista de uma célula dormente, que se viria a revelar o mais influente de todos os que estiveram contra nós. Quem precisa de João Mários ou Slimanis com artistas deste calibre, que infiltram pelo campo como gente normal, séria e competente e no momento certo desferem os golpes fatais?

Só alguém mal-intencionado ou mentalmente retardado pode alegar algo diferente.


Evidente agressão da nuca do jovem delinquente ao cotovelo do bom gigante


No lance do primeiro roubo-golo dos visitados, duplo erro de arbitragem. Primeiro, ainda na origem do lance que termina com o salto para a piscina de Slimani (mas cuja marcação falta se aceita), Coates dá uma valente cotovelada em André Silva, para cartão amarelo evidente. Nenhum dos profissionais do apito viu. E se viram (e eu aposto que viram), nada marcaram. Segundo e mais flagrante erro, o livre é cobrado e devolvido pelo poste e parado pela coxa e braço de Gelson, que beneficiou de forma descarada desse movimento para dominar a bola. Falta clara, grosseira e por assinalar.

Só alguém mal-intencionado ou mentalmente retardado pode alegar algo diferente.


Olha Iker, também sei como se faz!


Pouco tempo depois, segundo e decisivo acto do vilipêndio do jovem e altivo Martins de Lisboa. Novo lance na área portista, desta vez com o talentoso Bryan "tirou-lhes o campeonato" Ruiz a interceptar a bola com a mão esquerda, ficando com ela ilegalmente e colocando-a à disposição de Gelson, que aproveitou para rematar para o segundo golo.

Só alguém mal-intencionado ou mentalmente retardado pode alegar algo diferente.


Onde está a bola? Edição Bryan Ruiz


Fora isto, foram só uns quantos cartões, amarelos, duplos-amarelos e vermelhos por mostrar. Nada de relevante. Ou talvez ninguém tenha visto a cotovelada de Slimani a Layún ainda na primeira parte, as duas faltas para amarelo alaranjado de William e de Adrien e as quatro ou cinco de João Pereira. E um fora de jogo inexistente, logo no início da segunda parte, em que AS ficava isolado. Tudo nas boas graças do reco e do palmelão. Três vivas para o bom do Tiago Martins!

Pode partir tranquilo o grande jogador/lutador de MMA que é Slimani: tem vários candidatos a seus sucessores na categoria "cotovelada do ano".

Tirando uma ou outra excepção, a corja que constitui o grosso da comunicação social vai desvalorizar os erros de arbitragem e dar ênfase a um "Sporting dominador", a um "JJ brilhante" e a um "Porto sem estofo". O circo de sempre, para gáudio dos palhaços do costume.

Noutros tempos, teria visto Antero Henrique (o próprio ou outro qualquer) a disparar para cima do árbitro mal este apitasse para o intervalo, "alertando-o delicada mas efusivamente" para o par de erros grosseiros e inadmissíveis que tinha cometido. Bem à frente das câmaras, para que todo o mundo soubesse da nossa indignação. Mas como ser roubado nesta latrina é já um hábito, provavelmente já não se sente. Pois eu sinto.

Sabendo eu que na presidência dos anfitriões mora o justiceiro implacável, o reformador imparável e o paladino da transparência, esperava que no final da partida se servisse do seu FB para condenar a exibição do lisboeta Tiago Martins e reconhecer o decisivo benefício que carregou o seu clube para vitória no jogo. Mas afinal não, mesmo mais magro, é apenas mais um bácoro que nunca teve por objectivo acabar com o #andor, mas apenas pintá-lo de verde-diarreia. Igual a si mesmo, justiça lhe seja feita.


Quem disse que ser o palhaço chorão não resulta?


Nem tudo foi má arbitragem nesta derrota. Houve também culpas próprias, várias, que demonstram que ainda estamos longe de ter uma equipa de futebol "terminada". No entanto, uma coisa nada tem a ver com a outra. Com grande probabilidade, não fosse por Tiago Martins, jamais teríamos perdido este jogo. Isto é que deve ser dito e repetido até à exaustão.

O pobre árbitro que foi vítima da perseguição do #colinho na jornada anterior, quando o andor emperrou em casa, ficou na jarra esta semana. Fico muito curioso para saber o que vai suceder a Tiago Martins: congelador durante três meses ou condecoração oficial e pensão vitalícia. E qual a reacção da administração do meu clube ao destino que lhe for traçado. 



Notas DPcA: 

Dia de jogo: 28/Ago/2016, 18h00, Estádio de Alvalade. Sporting CP - FC Porto (2-1).


Casillas (5): Duas boas defesas, das que se esperam de um GR do Porto, e uma oferta a Rúben Semedo. Pelo meio, a habitual e incompreensível intranquilidade a jogar com os pés. José Sá?

Layún (6): Substitui Maxi no onze e manteve o seu registo: pouco acerto defensivo e mais uma assistência. Com uma novidade, aquela atrapalhação que poderia ter resultado no empate.

Telles (6): Jogo complicado, com muita dificuldade em explorar o corredor ofensivamente. Estava claramente condicionado pelas instruções recebidas. Mas lutou e tentou, até final.

Marcano (5): Jogo importante, Marcano treme, Porto perde. NÃO SERVE.

Felipe (6): Começou muito bem, abrindo o marcador com oportunismo. Depois começou a falhar passes de forma comprometedora, e voltou a tremer. Recompôs-se na segunda parte e procurou "segurar as pontas".

Danilo (6): A mudança táctica de JJ trocou-lhe as voltas, o que somado à sua reduzida concentração, resultou numa primeira parte de fraco nível. Na segunda esteve bem melhor, deteve e levou muito jogo para diante, mas não foi suficiente.

Herrera (1): Estou farto, cansado, desesperado de o ver jogar no Porto. Como é possível tamanha nulidade e não ser substituído ao intervalo? Um mistério que se adensa, mas que não deixa margem de manobra a ninguém. Vendê-lo já, seja a que preço for.

< 74' André André (6): Esteve bem nos nossos melhores momentos e mal nos nossos piores. Será culpa dele ou do treinador? Saiu quando NES quis reforçar a aposta ofensiva (Herrera seria a escolha acertada), mas antes disso ainda teve um remate sublime que se desfez no poste.

< 46' Corona (5): Foi o azarado do dia. Lutador mas pouco esclarecido, não libertou a bola quando podia e devia de forma a causar perigo. Levou demasiada porrada e sucumbiu cedo.

< 84' Otávio (6):  Primeira parte complicada, com perdas de bola sucessivas que em nada ajudaram a equipa a recuperar do golpe duplo de Tiago Martins. Conseguiu melhorar (a espaços) na segunda parte, até que foi sacrificado (sem resultados, diga-se).

André Silva (5): Possivelmente o seu pior jogo desta temporada. Teve duas quase-oportunidades evitadas pela defesa contrária e pouco mais se viu. Ou melhor, quando se viu foi a falhar passes à Herrera. Há dias assim, melhor sorte para a estreia de quinas ao peito.

> 46' Óliver (6): Um corpo absolutamente estranho à equipa, que mesmo assim demonstrou uma das suas qualidades que tantas saudades deixaram aquando da sua partida, a raça e a entrega ao jogo. Faltou a mais importante, a sua qualidade de jogo e consequente capacidade para fazer jogar a equipa.

> 74' Depoitre (5): Entrada lógica que não surtiu o efeito desejado. Mas não se pode culpar o próprio por isso. Aliás, devo dizer que gostei de o ver jogar... com os pés, em zonas mais recuadas do que as suas naturais.

> 84' Adrian (-): Tendo estado em jogo apenas 10 minutos, seria injusto crucificá-lo pelos outros 85. Mas a inoperância, a previsibilidade e a falta de garra em cada uma das suas acções são absolutamente desesperantes. Querem recuperá-lo à força toda? Boa sorte com isso, eu aposto contra.


Nuno Espírito Santo (4): Má estreia em clássicos, apesar da entrada promissora. Descontando a dupla rasteira de Tiago Martins, não foi capaz de reorganizar cabalmente a equipa aquando da mudança táctica de JJ. Entre o segundo golo sofrido (minuto 26) e a dupla substituição no Sporting (minuto 68), houve um tremendo vazio de tudo. Desnorte posicional, incapacidade de pressionar, acantonamento atrás mas mesmo assim estático e ineficaz. E daí em diante, houve sobretudo querer, vontade de não perder dos jogadores, sem grande ajuda do treinador nesse propósito. E Herrera, que destruiu o nosso jogo durante 94 minutos sem que Nuno dissesse basta. Sim, o mestre da táctica levou a melhor, descontado a actuação sublime do craque lisboeta Tiago Martins. E disso NES não se pode ilibar.



Outros intervenientes:


Entre aquele grupelho de caceteiros, devo destacar um "miúdo" que fez uma exibição impecável e quase sem recorrer à violência: Rúben Semedo. Secou por completo AS sem lhe arrancar nenhum membro ou destruir um órgão. Vi um Sporting com menos soluções e muito menos pernas do que no ano passado. Para sorte deles, com muito mais Tiago Martins. De resto, apenas destaco as lágrimas de Slimani no final, como que a antecipar o fim da impunidade nas agressões barbáricas.

Não vou desperdiçar nem mais um carácter a adjectivar a arbitragem: #tiagomartinsresolve. Prefiro aproveitar o espaço para dar os parabéns ao Sporting pela contratação do filho do gajo que manda nos árbitros. Claramente, uma aposta ganha.


"Querido padrinho, já está. Portei-me bem?"


Nota final para a transmissão televisiva totalmente conivente e encobridora da Sporttv, cada vez mais ao nível da BTV. Mesmo lixo, só muda o cheiro.


Objectivamente, são apenas três pontos não somados no campo onde tradicionalmente temos mais dificuldades na liga, quase sempre pelos motivos já apontados. Parece haver um decreto que nos impede de sair da latrina sem ser roubados. Parece, mas não há.

A falta de competitividade da equipa é a mesma de Roma e de Vila do Conde. Os factores externos é que variaram em cada um deles. Muito trabalho por fazer para Nuno, incluindo na sua própria aprendizagem, que só pode ser rápida. Agora são as Seleções e depois o Guimarães no Dragão. Até lá, este amargo de boca, que só quem já foi assaltado pode compreender.



Do Porto com Amor




domingo, 3 de janeiro de 2016

Impotentes...


...Para recuperar da felicidade alheia. Para sobreviver à Macron. Para demonstrar que somos melhores.



Erros nossos, Má fortuna, Macron ardente.


Assim se explica e resume a derrota de hoje. Vamos por partes. 


Erros nossos

Falha de marcação inadmissível no primeiro golo. Segunda parte absolutamente abaixo do mínimo exigível a um líder do campeonato que se encontra em desvantagem no marcador. Não conseguimos. Houve empenho e vontade, mas não havia um bom plano para chegar ao golo. Demasiado inconsequentes e ingénuos, uma combinação fatal face a um adversário rafeiro, agora versado no jogo sujo da luta de rua, nos antípodas da nobreza de carácter (falida) de que a nação calimera tanto se orgulha(va). Goste-se ou não, Jorge Jesus dá sempre isto às suas equipas: a capacidade de jogar no limite e para além das regras do jogo. Faltas sujas, paragens cirúrgicas, provocações contínuas e jogo rasteiro. Tudo predicados do mestre da táctica. E com Capelas e Migueis Macrons, passa tudo.


Má fortuna

Num jogo em que entrámos razoavelmente bem, sofremos um golo vindo do nada (ou melhor, vindo de um erro defensivo primário) e não tivemos a sorte nem o engenho para concretizar por duas vezes isolados frente à Patrício (o da churrasqueira do campo grande). Num outro dia qualquer, poderíamos ter chegado ao intervalo a vencer. E tudo poderia ser diferente.


Macron ardente

 - Minuto 5, penálti claro por marcar a nosso favor;
 - Fora de jogo a Corona na linha de offside, quando o mexicano se isolava na cara do Patrício dos Frangos;
 - Vários amarelos evidentes por mostrar a Naldo, Slimani (duas vezes) e Adrien, só para mencionar os mais descarados;

Tudo isto na primeira parte. Suficiente para determinar o resultado final? Será sempre especulativo dizer que sim ou que não, mas o que é factual é que beneficiou largamente a equipa cujos equipamentos são da marca de que Hugo Miguel é vendedor. Sem extrapolações, apenas factos. A certa altura, o campo de Alvalade parecia a rampa da Falperra.


É golo! Ai não, não foi...


Notas DPcA:
 


Casillas (6): Sem culpa alguma nos golos, procurou repor rápido a bola em jogo e incentivar os companheiros. Nada a ver com ele este desaire. 

Maxi (5): Tentou remar contra a corrente, socorrendo-se da sua raça. Mas quase nunca o conseguiu, até porque a sabujice de JJ lhe dedicou especial atenção. 

Layún (5): Hoje não conseguiu ser eficiente nas várias bolas paradas de que dispôs, pelo que não se evidenciou. Foi cumprindo defensivamente, mas precisávamos de mais. 

Maicon (4): É fraco. E pouco esperto (para ser diplomático). Não tem qualidade para ser titular. Ponto. 

Martins Indi (5): Parece-me ter sido o segundo maior culpado no primeiro golo sofrido (o maior é aquele ridículo sistema de marcação, que já contra o Marítimo nos tinha custado muito caro). No resto do jogo, esteve quase sempre bem a anular as investidas sabujas de Slimani & Ca. [adenda] Foi igualmente facilitador do segundo golo, ao ficar para trás e quebrar a linha de offside, e assim acabou por colocar o argelino em jogo. 

Danilo (6): Foi para mim o melhor do Porto. Quase sempre bem na sua missão defensiva e muito voluntarioso e capaz a empurrar a equipa para a frente, através de transportes de bola "à Imbula". 

<-54' Rúben Neves (4): Provavelmente, o seu pior jogo de dragão ao peito. Muito impreciso no passe e com dificuldade em entender as movimentações ofensivas do adversário. Há dias assim, foi pena ter sido logo hoje. 

<-80' Herrera (5): A minha surpresa no onze, mas que ainda assim começou em bom estilo e fez uma primeira parte positiva. No regresso, voltou infeliz como quase todos e saiu com naturalidade. 

Corona (6): Não foi constante, mas nos melhores períodos foi dos que mais por ficou. Teve uma meia-oportunidade que desperdiçou com uma finta imprecisa. Continua a ser dos melhores a morar no Dragão. 

Brahimi (6): Foi sempre o mais inconformado, chegando ao ponto de ir junto dos centrais pegar no jogo, mas a realidade é que não conseguiu nunca ser decisivo, nem a assistir, nem a marcar. Faltou-lhe sempre o último. 

<-71' Aboubakar (4): Bem sei que a vida de ponta-de-lança é feita isto, mas confesso que se me esgota a paciência. Mais duas perdidas, a segunda escandalosa, a penalizar em demasia as probabilidades de sair deste jogo com um resultado não negativo. 

->54' André André (4): Está fora de forma e nem sequer conseguiu encaixar no jogo colectivo. Não sei se por debilidade física ou desconfiança técnica, mas o facto é que não deu à equipa o que ela precisava. Uma pequena desilusão. 

->71' André Silva (4): Não tem culpa nenhuma de ter sido lançado às feras sem um plano de caça, mas também não conseguiu construir nenhum de sua autoria. Passou pelo jogo sem deixar marca. Insisto, deixem-no sossegado a crescer na equipa B... 

->80' Tello (4): Entrou numa altura em que a equipa já estava de cabeça perdida e não conseguiu acrescentar nada de relevante. 




Lopetegui (4): Escolheu um onze que me agradou, excepto pela opção de relegar André para o banco. Mesmo assim, gostei do onze inicial. A primeira parte foi interessante e nenhum treinador tem culpa de que o seu avançado falhe duas vezes em frente ao GR adversário. Por isso mesmo, durante o intervalo reflectia que mantendo a mesma atitude competitiva, teríamos boas hipóteses de pelo menos empatar. Infelizmente, a segunda parte desmentiu por inteiro a minha reflexão. Pareceu-me acertada a saída de Rúben e normal a de Herrera. Já tirar Abou do jogo para confiar o centro do ataque a um miúdo com apenas um jogo na primeira equipa, pareceu-me duplamente errado: pela falta de estofo de André Silva e pela necessidade imperiosa de marcar para não perder. A única solução, nesse momento e fazendo questão de meter André Silva no jogo, seria fazer coabitar ambos na equipa. Eu teria optado por Tello ou Varela naquele momento e guardado o avançado para ultima substituição (a do tudo ou nada). Mas para além das substituições, o que ressalta da segunda parte é a enorme impotência do Porto para conseguir chegar ao golo. Tive quase sempre a sensação de que seria o Sporting a fazer o 2-0 em vez do nosso 1-1. E isso diz quase tudo. Mais um enorme falhanço de Lopetegui, mesmo que ponderado pelas outras condicionantes já referidas. 



Outros intervenientes: 


Impossível não relevar Slimani como o melhor em campo, pelos dois golos e pela capacidade de dar lenha a torto e a direito e não ser expulso. E claro, mesmo apesar de todas as ajudas ilícitas e jogo sujo, devo reconhecer que o Sporting foi globalmente melhor. Empurrado, mas soube aproveitar. O que não é de somenos...

E claro, o segundo homem do jogo, o bom do Hugo Miguel, que em apenas 45 minutos fez o suficiente para nos afundar. Grande exibição, grande experiência de team building, go Team Macron!


A humildade de Brahimi, curvado perante um artista maior



E pronto, aguentamos a liderança durante uma mísera jornada. Este Sporting é uma equipinha mediana, orientada para o jogo sujo e abençoada pela conivência dos árbitros. Hoje bastou uma parte Macron para nos pôr fora de combate, tal é a nossa incapacidade de recuperar e ultrapassar as adversidades.

Curiosamente, continuamos a depender apenas da nossa competência para sermos campeões. E ainda nem a meio estamos. Isto para dizer que ainda há muito para jogar e tudo para decidir. O problema não vem daí. O problema vem da impotência que vamos revelando, jogo após jogo, para nos afirmarmos como a melhor equipa de Portugal. Jogadores para isso não faltam...

Não vou voltar ao tema Lopetegui porque não mudo de opinião ao sabor do vento. Mas devo reconhecer que neste momento tenho dúvidas de que o técnico ainda o seja no final de Janeiro. É que ainda iremos disputar oito jogos antes de Fevereiro chegar. Oito. É muita chicha para tão pouca dentadura. E até JJ já faz campanha para ele ficar... Mas repito: a avaliação faz-se no fim da época. Até lá, tudo será prematuro.

P.S. - faz-me confusão a quantidade de comentários que pululam pelas redes sociais e afins apelando ao portismo e questionando a dificuldade em apoiar, ter orgulho ou mesmo em ser portista quando se perde "assim". Ou é demasiada confusão de conceitos ou é simples inexperiência. Há que distinguir treinadores, equipas e dirigentes do clube, meus amigos! Jamais se pode questionar o amor ao clube, é absurdo e indiscutível. Os que por ele passam, podem e devem ser questionados, "enxotados" se for esse o caso, mas perder ou ganhar nada tem a ver com ser portista. Ser portista é ser. Sem "ses" nem "mas". Cresçam ou calem-se, por favor.



Do Porto com Amor



P.P.S. - só agora vi com atenção os lances "polémicos" (entre aspas, porque de polémicos não têm nada, são cristalinos como a água impoluta) do Vitória-SLB e obviamente que não poderia deixar passar em claro mais um terrífica jornada do #colinho que tão bons frutos deu na(s) época(s) passada(s). Nos 75 minutos que vi em directo já me tinha apercebido da obscena dualidade de critérios nas faltas e faltinhas, daquelas que empurram uma equipa e travam a outra, mas as três grandes penalidades contra o Benfica que confirmei no resumo atingem já níveis capelescos de patrocínio ilícito. Contando com o jogo da Taça da Liga, já são dois seguidos. Cuidado que eles não andam a dormir, só andam a fazer de conta...



sábado, 2 de janeiro de 2016

Hoje joga o Porto! (vs Sporting)


Aí está o primeiro jogo de 2016, um que promete marcar o ritmo para os tempos mais próximos.

Bruno Sousa

Chegou o momento.

Por muito que se apregoe aos sete ventos que se faz isto e aquilo, agora é o momento da verdade. Walk the talk. Agora, de nada valem as promessas de peito feito que se vêm fazendo desde o início da temporada, garantindo estar-se no caminho certo rumo à glória.

Agora é o momento de se apurar dentro do campo quem realmente tem, nesta fase da época, melhores condições de ser campeão. E o cenário é mesmo o ideal para o demonstrar. Porquê? Passo a explicar.

De um lado, temos o Sporting. Atrás na classificação mas beneficiando da vantagem de jogar em casa, que acrescenta sempre alguma coisa em termos anímicos. E da possibilidade de recuperar a liderança, que acrescenta ainda mais.

Do outro, o invicto líder Porto. Mesmo atravessando um período pouco pacífico a nível interno, chega a Alvalade na frente e por conseguinte, "disponível" para saber viver com um eventual empate.

Ambas as equipas tem a liderança ao seu alcance, o que equivale a dizer que dependem apenas daquilo que conseguirem (ou não) fazer, de amanhã até ao fim do campeonato.

Temos portanto, em teoria, todas as condições reunidas para que se assista a um intenso e vibrante duelo entre primeiro e segundo. Quem tiver as maiores unhas, tocará certamente a música que mais lhe convém.

Com a derrota caseira frente ao Marítimo ainda no retrovisor, teremos uma pressão adicional para não falhar. Por muito que Lopetegui queira separar as águas (leia-se competições), os jogadores sabem perfeitamente que o seu treinador vive num limbo que não beneficia ninguém no clube e, como tal, sairá sempre da sua atitude o factor mais determinante do comportamento que a equipa virá a evidenciar nesta partida.

O adversário vai querer mostrar a toda a gente e a si próprio que é de facto um sério candidato, assegurando uma saborosa vitória caseira. Vão entrar determinados e cheios de ganas, ainda que "temperados" pela prudência essencial a qualquer candidato que se preze. Algo que Jesus aprendeu a expensas próprias e por sinal muito dolorosas, quer para si, quer para o seu anterior clube.

A nós, cabe-nos ter a coragem de abordar o encontro sem receio de o perder. Jogar para fazer golos e ganhar. Avaliando o adversário em cada momento mas sem nos encolhermos ao sabor das suas variações de humor. Nem é preciso mandar no jogo, basta assumir uma identidade e não se submeter. Ter coragem de fazer aquilo que se treina diariamente.

E para o conseguir, nada como pôr em campo os onze melhores logo de início:


Estou razoavelmente confiante na possibilidade de sairmos do covil dos leões com quatro pontos de vantagem. E nem será preciso estarmos magníficos no jogo, apenas focados e determinados. Se assim for, creio com venceremos. Com ou apesar de Lopetegui. Com ou apesar de Hugo "agente Macron que equipa o Sporting" Miguel. Estou confiante.


Vamos a eles Porto! Até os comemos carago!



Do Porto com Amor