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quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Em que Dia Chega a Troika?


É oficial: o FC Porto falhou de forma estrondosa o cumprimento do Fair-Play Financeiro (FFP) imposto pela UEFA. E agora?


Estes croissants são uma maravilha!


Prejuízo consolidado de 58,41 milhões de euros no exercício de 2015/16, o pior de sempre - em perfeita sintonia com a época desportiva. Absolutamente miserável. 

Somando este resultado ao lucro de €19,35M de 14/15 e ao prejuízo de €40,7M de 13/14, obtemos um resultado negativo desse triénio (o que conta para a avaliação do FFP) de -€79,76M, mais do dobro do limite máximo permitido pela UEFA de €30M. Em rigor, excedemos esse limite em 165,9%. Notável(mente horrível).

Os proveitos operacionais diminuíram em 19% e os custos equivalentes aumentaram 13%. Uma gestão a todos os títulos (ou melhor, sem nenhum) brilhante. Os culpados? A opção estratégica de não enfraquecer o plantel e los bandidos Lopetegui e Peseiro. Nada a apontar ao senhor administrador responsável pela área financeira, o muy qualificado Dr. Fernando Gomes.

Curiosa foi a explicação quanto à aposta no ano zero, que segundo FG se deveu à recusa de um encaixe de €95M (!) que resultaria das vendas de Herrera, André Silva e Danilo. Não me custa acreditar que tivessem propostas pelos três, mas que totalizassem este valor... E já agora, esqueceu-se dos €40M por Brahimi? É que assim eram €135M... 

Quanto à aquisição de jogadores, manteve-se a pouca vergonha dos "encargos relacionados". Ao valor pago pelos passes (€63,25M) somou-se €15,16M em comissões, o que representa 24% do valor dos passes! Quando for grande, quero ser comissionista no Dragão... E já agora, quem é o Inácio que nos custou €3M por 50% do passe? Ah, está na equipa B, é "uma aposta de futuro". Esperemos que haja futuro.

Mais adiante, já nos descontos (anexos), podemos constatar o "colossal" aumento do pessoal de 329 para 413 colaboradores, com grande destaque para o crescimento dos "administrativos". Sem surpresa, os custos com pessoal relativos a "remunerações do pessoal" dispararam. Pela "incorporação do Porto Canal no perímetro da SAD", dizem eles.

E finalmente, a pièce de résistance, acharam por bem dar nota das "transações com membros íntimos da família do pessoal-chave da gerência (administradores)" (dito assim, ainda soa pior), esclarecendo os negócios do filho pródigo Xaninho da Costa com o clube. Quão imprescindível terá sido a sua ajuda nas vendas de Rolando e Quaresma? Pronto, então assim já ninguém se lembrará por certo de accionar o artigo 45º dos estatutos do clube. Que alívio...


-"Então e os croissants, presidente?"; -"Uma maravilha, parabéns Fernando!"


Apesar do cenário globalmente dantesco, nem tudo foi mau

A "prestação" a nível comercial foi muito positiva, destacando-se o crescimento do merchandising, direitos de transmissão e publicidade e sponsorização, entre outros, no contexto adverso dos maus resultados desportivos acumulados. Aliás, se excluirmos as receitas de participação nas provas uefeiras, constatamos que houve um crescimento de 12% dos proveitos operacionais face ao exercício anterior.  

E há uma pequena atenuante, o facto de não ter sido incluído o prémio de acesso à Champions, algo que normalmente acontecia quando de antemão havia a certeza desportiva da presença (mas também isto vai mudar, conforme se pode ler no documento). 

Saúda-se o anúncio de correcção da trajectória, apontando à obrigatória desalavancagem e diminuição da exposição dos resultados às mais-valias das vendas de jogadores, mas não passam ainda de palavras. É fundamental que passem aos actos, obrigados ou de livre vontade.

Mas estas "boas notícias" são apenas gotas de água (uns litros, vá) no imenso oceano de incompetência que são estes resultados consolidados. E nem vou entrar na análise da situação patrimonial, porque então aí o susto é ainda maior. Se quiserem pistas, procurem por "empréstimos obrigacionistas" e "adiantamento da Altice".

Já de seguida, certamente poderão contar com a análise mais detalhada no Tribunal do Dragão, onde aliás fui pescar os números do triénio. Entretanto, quem quiser ler os documentos na íntegra, pode fazê-lo aqui.


"Tenham calma que já vêm a caminho mais croissants..."


E agora, venha de lá a troika Uefeira, dizer o que podemos e o que não podemos fazer. Ainda que à força, finalmente externalizaremos parte da nossa gestão. Fico triste, mas não mais preocupado. É que ao contrário da Troika original, aqui a UEFA está apenas a zelar pelo seu negócio como um todo e não tem como lucrar directamente com a "intervenção" nos clubes. Aqui, apesar dos possíveis constrangimentos financeiros e do impacto que estes terão na gestão da equipa, as coisas só podem mesmo melhorar. A bem ou a mal, se acabarmos suspensos. Creio que por enquanto esse cenário não se coloca. Até quando, já veremos.

Termino "agradecendo", uma vez mais, a todos os meus consócios que se demitiram da sua obrigação de votar nas últimas eleições, legitimando assim, com a sua inércia, nova reeleição desta lista após o péssimo trabalho realizado no anterior mandato. E um gesto de "carinho" especial para aqueles que sonham em liderar o clube mas não tiveram a coragem de se apresentarem quando mais eram necessários. Nunca os esquecerei, obviamente.


Lápis Azul e Branco,

Do Porto com Amor




quinta-feira, 2 de junho de 2016

Em nome do pai e do Espírito Santo


Começo este artigo com a mesma pergunta com que terminei o anterior (pré post-scriptum):

Estando Nuno Espírito Santo disponível aquando do despedimento de Lopetegui, por que motivo não serviu na altura e serve agora para treinar o FC Porto?


Bruno Sousa


Lopetegui foi corrido ao pontapé (e nem me chamaram para lhe dar um dos meus, com biqueira larga) sem que antes se acautelasse o futuro imediato, ou seja, que fosse encontrado o seu sucessor. Um clube altamente profissionalizado, liderado pelo presidente mais vencedor da história e por uma estrutura que o acompanhou em todos esses sucessos, sempre pagos a peso de diamante, permitiu-se anular a sua própria fé de poucos meses antes e avançar para o desconhecido de olhos fechados. Não sei se foi um impulso incontrolável, se foram pressões externas ou se foi o Espírito Santo (o sagrado) que apareceu em sonhos ao presidente, o certo é que se passou assim.

Perante isto, entrou Rui Barros. Para evitar o caos e levar com as balas que seriam destinadas à direcção. Fez o que pode. 

Entre a saída de Lopetegui e a entrada de Peseiro passaram várias semanas. Várias semanas. O que se deduz disto? Que o presidente passou esse tempo à procura da melhor solução para orientar a equipa. Relembro que Nuno estava livre, sem emprego, à distância do mesmo telefonema que agora recebeu.

Tendo finalmente Peseiro sido o escolhido, com tamanha demora, são várias as conclusões que se podem tirar. Destaco duas:

1) Que nenhuma das primeiras opções estava "disponível";
2) Que Nuno não era uma dessas opções.


A justificação dada hoje pelo presidente é pouco mais do que insípida. Não esclarece absolutamente nada sobre o motivo da sua não contratação em Janeiro. Mas se optar por acreditar que "na altura, nas circunstâncias," entenderam "que não era o momento oportuno para uma pessoa com o perfil do Nuno entrar no FC Porto", fico duplamente preocupado

Primeiro porque a situação hoje é claramente mais gravosa do que em Janeiro, quando ainda tínhamos todas as hipóteses de terminar a época fazendo a dobradinha e evitar os actuais três anos de jejum. 

Segundo, porque revela que a confiança no novo treinador não é ilimitada ou, se preferirem, não é para todas as situações.

Muito menos faz sentido pensar que foi Jorge Mendes que impôs o treinador como condição para reforçar a equipa. Mas fica claro que o empresário passará a estar mais próximo do clube e envolvido em muito mais negócios, o que obviamente é muito diferente de passarmos a ser mais um clube satélite de Jorge Mendes, algo impensável e inaceitável.

Será igualmente curioso perceber como vai evoluir a relação com a Doyen e, pelo meio, com Alexandre Pinto da Costa. A vaca está magra e não se afigura fácil alimentar dois (três) vitelos tão vorazes. Não me custa nada imaginar que o filho pródigo já terá saltado para a barricada de Jorge Mendes, abandonando os até agora grandes "amigos". Afinal, amigos, amigos... Mas continuaremos todos atentos aos negócios em que estará envolvido, qual o seu grau de envolvimento, qual a necessidade da sua presença e que percentagem retirará deles.

Outra conclusão que decorre do que foi dito na apresentação de hoje é que o presidente e seus pares andaram literalmente a dormir desde Janeiro até agora. Cedo se percebeu que Peseiro não tinha futuro no clube, pelo que o que seria de esperar é que imediatamente (no momento dessa constatação) se iniciasse o processo de contratação do próximo treinador. 

Não chegou ficarmos arredados da luta pelo título, nem da luta pelo acesso directo à Champions, nem as derrotas caseiras com Arouca e Tondela para que Pinto da Costa deitasse mãos à obra nesse empreendimento. Não, foi preciso esperar pela derrota na final da Taça e juntar-lhe mais uma dezena de dias para que "a administração" decidisse "com acordo total, que a passagem de José Peseiro tinha terminado" e então pensar no novo treinador. Será mesmo possível termos chegado a este ponto?

Quanto ao escolhido, já resumi o que penso dele no treinadorómetro. Não vou agora desdizer-me apenas porque foi contratado. No entanto, só depende dele fazer-me mudar de opinião. Que assim seja! Consola-me que tenha sido a primeira e única opção. Quer dizer, não consola, porque havia outros que considero melhor "qualificados", mas pelo menos o presidente não pensa assim e conseguiu contratar exactamente quem pretendia. E como ele sabe mais de futebol a dormir do que eu acordado...

Da minha parte, fica tudo dito quanto ao péssimo serviço que esta direção prestou ao clube no mandato anterior e em particular nesta última época. Para lá dos meus piores pesadelos. Não vou fingir que "já passou" e não me deixou marcas. Deixou sim, na confiança que (já não) tenho nela (na direção). Mas seja como for, está reeleita para novo mandato. E daqui em diante, só escreverei tendo em vista o que temos pela frente.

Nuno Espírito Santo é o novo treinador do Porto. Haverá tempo para abordar as suas características e feitos, ainda que para mim interesse muito mais o que vai fazer daqui em diante. Por agora limito-me a acolhê-lo na nossa família portista. Bem-vindo, Nuno, que tenhas a competência, os recursos e a sorte necessários para triunfar no banco do Dragão. O teu sucesso será indiscutivelmente o meu. 

Que o filho seja posto a milhas e que voltemos a ganhar. Em nome (do merecido legado) do pai e do (sucesso de Nuno) Espírito Santo.



Do Porto com Amor



terça-feira, 31 de maio de 2016

Acerto de Contas (& Post Scriptum)


Na eminência do anúncio do novo treinador do FC Porto, aproveite-se o vazio para encerrar as contas da época 2015/16.


Dia do Juízo Final da época - Apocalipse Now?


Reconheço correr o risco de ser cansativa esta minha insistência, mas para terminar em beleza não posso deixar de o repetir, reportando-me à origem de todos os males: a manutenção de Lopetegui à frente dos destinos da equipa em Junho de 2015.

Já me cansei de enumerar as evidências recolhidas em 2014/15 que, em minha opinião, seriam mais do que suficientes para concluir pela inadequação do treinador basco para orientar o Porto. Mesmo assim, cansado, aqui ficam as palavras-chave: teimoso, obstinado, petulante, alienado, inadaptado, impreparado, estagnado, cristalizado e consequentemente, ostracizado.

Pinto da Costa e seus pares assim não o entenderam. Optaram pela sua continuidade. Pois bem, que assim fosse. Mas até ao fim. Não tendo sido, cometeu-se novo erro colossal, o de deitar fora o que estava feito (bom ou mau que fosse, estava feito) sem ter nada alinhavado e preparado para o substituir, e logicamente, só poderia ser por algo previsivelmente melhor.

Consumado o segundo erro, seguiu-se uma interminável espera pelo novo timoneiro, entretanto remendada por Rui Barros. Já tive oportunidade de o fazer no momento certo, mas repito-o agora: todos os portistas deveriam sentir gratidão pela disponibilidade e altruísmo de Rui Barros ao aceitar dar o peito às balas naquelas (e em muitas outras) circunstâncias.

Do remendo instantâneo passamos ao remendo de curta duração, José Peseiro. O automóvel portista tinha furado um pneu,  Rui Barros foi o spray para chegar à primeira oficina e Peseiro um daqueles pneus de dimensões reduzidas e velocidade muito limitada, apenas para continuar até à oficina habitual. E reparem na felicidade e fina ironia desta analogia: tipicamente, são soluções alternativas - ou se tem uma, ou se tem a outra, nunca as duas em sequência. E ambas longe do ideal, que é ter um pneu novo e uma equipa de mecânicos da F1, para uma substituição indolor e imediata.

Foi entre o choque e a incredulidade que recebi a notícia da vinda de Peseiro. Um perdedor nato da escola sportinguista, que nada de relevante apresentava no currículo para além de nos limpar uma final da Taça da Liga... Com o Braga. Mas veio e passou a ser o treinador da minha equipa. Começou bem mas durou pouco. Conforme o esperado. Depois seguiu-se o descalabro, que terminou em apoteose na final da Taça de Portugal... Contra o Braga.

José Peseiro não pediu para vir. Antes, aceitou e bem o convite que lhe foi dirigido, aproveitando aquela que, na sua perspectiva, poderia ser a última possibilidade de ascender à ribalta do futebol europeu. Certamente tinha noção dos riscos, ainda que admita perfeitamente que de boa parte deles só se tenha apercebido quando já em funções. E aí, já era tarde. 

A nível profissional, não sai melhor do que chegou. Também não sei se pior (pelo menos, todos nos relembramos da sua existência...), mas pouco importa. O que quero expressar é a minha convicção de que José Peseiro é um homem decente e dedicado ao seu trabalho. Falhou aqui mas não foi por não ter tentado. Deu o que tinha ou o que podia. E foi leal, ao contrário de Lopetegui. Registo pois a dignidade de um homem que vestiu e sentiu as nossas cores e como tal merece o meu respeito. E por isso me retracto pelos eventuais excessos de linguagem nos períodos de maior desilusão. Um abraço e até sempre (que também é até nunca), meu caro Peseiro.

Em suma, a época 2015/16 foi das piores de sempre de que tenho memória.

Além de não termos vencido nenhuma competição, falhámos o fundamental acesso directo à Champions e deixamos uma péssima imagem daquilo que somos, que sempre fomos e do que queremos continuar a ser, ao ponto de terminarmos ridicularizados por uma tragicomédia no anfiteatro do Jamor.

Somando esta às duas anteriores, é fácil concluir que este foi o pior mandato de Pinto da Costa como presidente do clube. Um desfecho perfeitamente previsível por altura das eleições de Abril. E nem assim houve quem avançasse na defesa do clube. Algo vai muito mal no reino do Dragão - e somos nós, os portistas, os únicos responsáveis por esta inércia.


Quanto à provável chegada de Nuno Espírito Santo, deixo-vos com a pergunta que considero mais pertinente: se já estava disponível aquando da saída de Lopetegui, por que motivo não serviu na altura (com tempo para analisar o plantel e preparar está nova época) e serve agora?



Do Porto com Amor




Post Scriptum


Mesmo a propósito do acerto de contas, foram entretanto divulgados os resultados consolidados do terceiro trimestre do corrente exercício. Infelizmente (mas sem surpreender), totalmente alinhados com os desportivos. Realço apenas a delapidação dos capitais próprios decorrente do resultado líquido negativo, que promete recolocar-nos em apuros quanto ao fair play financeiro a muito breve trecho - e agora já não há estádio para incorporar na SAD. Muito preocupante.


Noutro capítulo, teve seguimento a pequenez diária da nossa comunicação. Ontem ainda me consegui conter, mas como hoje voltam à carga contra MST, não consigo deixar passar em claro. Mais uma vez um portista (ninguém, de boa fé, pode duvidar disso) é visado por um órgão oficial do clube, incluindo ataques de baixo nível que nos devem envergonhar a todos. MST "fala" frequentemente com o coração, sem estar informado dos factos e possivelmente sem pensar sobre o que diz, mas é um direito que lhe assiste, tal como o de cada um de nós gostar ou não da sua "prosa". Daí a se justificar ser perseguido em estilo inquisitório pelo clube, vai uma grande distância. De nada valeram as promessas feitas na última AG, continua tudo na mesma.

Teria sido muito mais interessante ocupar o espaço dedicado a MST a desmentir as declarações de Marco Silva. Ou as de Ricardo Carvalho. A não ser que não haja nada para desmentir. Apenas incompetência e desnorte. Tirem-me deste filme. Ou melhor, que os tirem a eles.



segunda-feira, 30 de maio de 2016

Treinadorómetro 2.0 (edição JN)


Publiquei há dias o meu "sentimento" em relação aos principais nomes apontados ao cargo de treinador do FC Porto, resumido num pequeno quadro ordenado por níveis de "apreço" (e ignorantemente apelidado de "treinadorómetro").


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Julgo que a imagem é suficientemente esclarecedora, mas em todo o caso aqui vai: os "verdes" incluem as opções que considero interessantes, os "amarelos" encerram em si (e em mim!) muitas dúvidas (mas poucos preconceitos) e os "vermelhos" (como teria de ser) suscitam em mim um vasto leque de sensações que vão desde a fúria incontida aos espasmos musculares alternados com pontadas dilacerantes.

E avancemos assim, em tom humorístico e descontraído (procurando evitar novos espasmos), para a versão 2.0 do Treinadorómetro, que sofreu importante actualização graças à capa de hoje do Jornal de Notícias ("confirmada" por uma chamada de capa de última hora d'O Jogo). 

Nela consta um nome que propositadamente deixei de fora da versão inicial, por considerar estar já definitivamente arredado das cogitações da SAD: o de Nuno Espírito Santo (*espasmo*). Ele que há dias foi apontado ao Braga de Jorge Mendes para suceder a Paulo Fonseca (*espasmo*) - e daí o tê-lo descartado com o rótulo "deste já nos livrámos". 

Sem me alongar em comentários ainda injustificados, deixo apenas um breve resumo da sua carreira de treinador (*outro espasmo*): 2 temporadas no Rio Ave de Jorge Mendes (6º e 11º classificado) e 1 temporada e meia no Valência de Jorge Mendes (4º e 9º ao fim de 13 jornadas).

Bem sei que já temos o pai e o filho, mas será mesmo necessário completar a estranhíssima trindade? Tenham juízo, se ainda forem a tempo disso.


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O Vitorioso Voo do Mo(n)cho!


Falando agora de coisas boas, muitos parabéns ao nosso basquetebol pela estrondosa conquista do campeonato nacional, precisando apenas de 4 jogos para derrotar o Benfica na final da competição. É mesmo verdade, mal acabamos de subir de divisão e já somos campeões! Sem pretender desmerecer ninguém, sobretudo os grandes homens que são os nossos jogadores, a principal palavra de apreço tem mesmo de ir para o galego Moncho López, que aceitou percorrer a via-crúcis, sem se conformar com o destino, e dela conseguiu regressar, mais vivo do que nunca. Muitos, muitos parabéns por esta grande conquista. À Porto.





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Termino com isto, em modo Euronews (versão Euskara): "No Comment".


"FC Porto é o clube que eu amo"










Do Porto com Amor



sexta-feira, 27 de maio de 2016

100 Horas Depois...


... da final da Taça, continua tudo na mesma. Pelo menos, no que é de domínio público.

E é difícil de acreditar que havendo alguma resolução, ela não tenha ainda sido tornado pública. Refiro-me ao novo treinador do Porto, obviamente - a decisão mais importante que Pinto da Costa e a sua administração têm para tomar no que concerne ao nosso futuro próximo.


"Não há nada para ver aqui"


Recuemos alguns meses, até ao despedimento de Lopetegui.

Disse-o antes, disse-o depois e volto a dizê-lo agora: Lopetegui deveria ter sido dispensado no final da temporada passada. Não o tendo sido, deveria ter sido "obrigado" a ficar até final desta época, salvo se houvesse já um novo treinador assegurado - um treinador para finalizar a época em modo "controlo de danos" enquanto preparava a próxima (e seguintes). Não havendo e tendo Lopetegui sido (principescamente) despedido, Pinto da Costa cometeu um erro duplo.

José Peseiro foi uma solução de recurso, para não dizer de desespero. Posso imaginar sem dificuldade que na altura tenham sido feitos contactos com vários outros técnicos e que por um motivo ou por outro, não se reunissem as condições para que viessem de imediato para o Porto. Ou pelas cláusulas contratuais ou por estarem envolvidos em conquistas importantes ou por ambas.

Entretanto veio Peseiro, que até não começou mal (mesmo sendo baixa a expectativa), mas por alturas do pós-eliminatória com o Dortmund, já deveria ser mais do que evidente que o homem não servia para o Porto. Se para mim era, certamente que para Pinto da Costa e seus pares também.

E como bom gestor que sempre foi, só posso conceber que desde essa altura, mais semana, menos semana, tenha iniciado de imediato o processo de selecção do novo treinador, seguido do seu recrutamento. Refiro-me apenas ao presidente porque desde sempre que fez questão de assumir sozinho essa pasta. Relembro que o jogo da segunda mão se realizou a 25 de Fevereiro, há três longos meses atrás.

A época avançou, sempre de fundo em fundo até ao abismo em que finalmente nos deixamos cair no passado domingo. 

Eu não esperava outra coisa que não fosse o anúncio do novo treinador na segunda-feira seguinte, há 3 dias atrás. Tivesse Peseiro ganho ou perdido a Taça, o seu destino e o do clube já tinham que estar perfeitamente traçados. Entretanto já passaram 100 horas e... nada. Absolutamente nada.

Será possível que tenhamos mesmo caído num grau de amadorismo tal que, no momento em que escrevo estas linhas, ainda não esteja contratado o treinador para a próxima época? Se está, por que raio não é anunciado? Só posso concluir que não está.

É mais um golpe terrível em quem, como eu, teima em manter a esperança num último acto de glória e numa saída triunfal de Pinto da Costa. Depois da sucessão de entrevistas, confiei que se iria passar das palavras aos actos. Voltei a acreditar. Ainda não desisti, mas confesso que começa a ficar difícil.


Os meus two silly cents




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Segue-se um acto de serviço público.

O jornal A Bola é liderado por dois crápulas (um deles em especial), que são coadjuvados por uma trupe de aspirantes a crápula. Esse maltinha reúne-se diariamente em modo brainstorming para escolher a melhor forma de tentar prejudicar o Porto nesse dia. É uma espécie de ritual, de profissão de fé, a que religiosamente dedicam uma parte das suas odiosas vidas. Todos sabemos que 95% do seu tempo é gasto a cozinhar a eterna propaganda benfiquista, pelo que 5% é o máximo a que "podemos aspirar". Ainda assim, consta que são 5% à Porto - de luxo, portanto.

Portanto, tudo o que lerem (ou virem e ouvirem) vindo de lá sobre nós, em especial se vier na capa, já sabem que apenas tem um objectivo: prejudicar o Porto. Nada interessa se é verdade ou mentira, se o destaque é sobre o Porto ou sobre um dos rivais. Nada. O objectivo é que conta. E é sempre o mesmo. De mim, levam um fardo de palha e um copo de água - parece que ajuda ao funcionamento do intestino, em especial o delgado.



Do Porto com Amor

 

domingo, 22 de maio de 2016

Scouting Ahead - Reforços para 2016/17



Comecei a pensar sobre este artigo há já algumas semanas e desde então, pouco a pouco, tenho recolhido alguns dados que podem ajudar a perceber como e onde o Porto se poderia reforçar, tendo em vista a próxima época e seguintes.




Numa das suas mais recentes entrevistas, o presidente Pinto da Costa prometeu uma espécie de regresso às (nossas) origens, as origens do Porto que tudo e todos conquistou (nota mental: mentecaptos não são susceptíveis de serem conquistados) no que concerne à filosofia que preside à construção dos plantéis. Abandonar a política actual de entreposto comercial de amar e partir (ou nem isso) e regressar ao modelo que tantos títulos nos valeu: comprar bom (e barato, sempre que possível), tirar partido desportivo dos jogadores, valorizar e vender uns anos mais tarde.

Foi dentro deste novo (ou será velho) enquadramento que procurei em alguns dos locais mais óbvios por possíveis reforços. Não sou, nem de longe nem de perto, um desses freitas lobos desta vida que conhecem até a cor da plumagem dos periquitos do ponta-esquerda dos iniciados do Colo-Colo (o do Chile, não confundir com o Benfica). Não. Sou um mero amante de futebol mas casado com o meu Porto, cujos jogos representam seguramente 51% de todo o futebol a que assisto. Portanto, e para além da observação dos jogadores dos nossos adversários, é na observação dos 49% restantes que procuro decifrar o potencial de jogadores que me chamam a atenção. Sem complicação nem pretensiosismo, apenas lançar o debate.

Comecei pelo Campeonato da Europa de Sub-21, que tive o prazer de assistir de princípio ao fim, apesar do (habitual) amargo de boca na final. Mesmo sabendo de antemão que a grande maioria dos jogadores já estavam na altura em clubes relevantes, creio que vale a pena porque ainda são muito novos e muitos deles têm ainda preços "acessíveis" (em teoria, pelo menos).

Avancei depois para as provas europeias de clubes (Champions e Europa), procurando talentos emergentes e valores seguros, de novo teoricamente acessíveis ao orçamento do Porto. Incluí também um ou outro que seriam extravagâncias (ou loucuras), mas porque se tratam de jogadores que realmente gosto de ver jogar.

Por último, a realidade nacional. Não tenho sequer pretensões de pensar que conheço quem joga na segunda liga, apenas vi (parte d)os jogos do Porto B e pouco reparei nos adversários, pelo que me refiro à I Liga, com enfoque sobre os destaques que fui fazendo aos adversários nos jogos contra nós.

Devo reconhecer que não dei grande relevo ao plantel actual, o que significa que não fui à procura especificamente de defesas centrais ou pontas de lança, por exemplo, mas antes listei todos os que me pareceram interessantes, independente da sua posição. Não incluí jogadores nossos que estão emprestados, precisamente porque já são nossos. Essa análise fica para daqui a uns dias, possivelmente cruzada com esta.


Começando pela defesa:

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Assinalei a bold as minhas apostas preferenciais (neste e nos quadros seguintes). Todos os valores são de referência e retirados de um site especializado, o que significa que podem ser muito conservadores quanto à aceitação de venda por parte dos detentores do passe.

O sector mais carenciado da equipa, requer apostas seguras em qualidade e quantidade. Se tivesse que escolher apenas um desta lista, seria Raphael Guerreiro. Gosto muito de o ver jogar e assentava que nem uma luva. Destaque também para o lateral do Marselha e para os centrais de Brugge e Sion. Incluí também o mais que provável Felipe.


E agora o meio-campo:


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Sendo o sector mais recheado (até com excesso de jogadores de características similares), a maior necessidade recai sobre um médio criativo, com capacidade de liderar o processo ofensivo e de fazer a diferença. Óliver seria a minha primeira aposta, por apresentar menor risco e pelo indiscutível talento. Os médios do Olympiakos são interessantes, bem com o jovem ucraniano e o sueco Lewicki (que no entanto, esbarra no excesso de oferta). Um jogador da classe e experiência de Dzagoev seria sempre uma brilhante aquisição, mas como sabemos não é fácil chegar a um jogador desse calibre. 


Segue-se o ataque:

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Irresistivelmente, o sector com maior número de propostas. Porque, no fundo, todos queremos é ver a bola entrar nas balizas adversárias. Luuk de Jong seria o meu grande alvo para ponta de lança. Um jovem mas brilhante goleador, uma máquina. Noutro registo, de maior mobilidade, agrada-me muito o avançado do Sion Konaté. O menino Embolo seria outra grande aquisição, mas já deverá ter um preço proibitivo, para além de concorrência de muitos tubarões. Para as alas apostaria no "dispensado" Bruma ou em Derlis González (reconhecendo que este é difícil de trazer) e no talento franco-camaronês de N'Koudou. A cereja no topo do bolo seria mesmo Yarmolenko, um jogador que adoro ver jogar. Eu sei, é quase impossível.


Para terminar, a minha shortlist do nosso campeonato:



Considerando que Jota e Medeiros não estão no mercado, apostaria tudo na contratação de Rafa. Acredito realmente no seu potencial e parece-me que teríamos craque logo à chegada. Perde-lo para o estrangeiro seria mau e difícil de compreender, dada as várias proximidades entre clubes e intervenientes. Perdê-lo para um rival nacional seria uma tragédia dupla. Também do Braga, gostaria de perceber se Boly tem o que é preciso para se afirmar num clube como o Porto.

 O objectivo deste pequeno estudo é lançar a discussão, pelo que todas as vossas contribuições (e observações, validações ou rejeições a esta lista) são muito bem-vindas.


Nota final: por coincidência, saíram ontem "notícias" em vários merdia que dão conta da grande proximidade de Rafa (e também Diogo Jota) do Benfica. A ser verdade, é o que se chama começar a nova época com o pé esquerdo (de um destro). Estes dois jogadores são em minha opinião a primeira e segunda escolha do draft do campeonato agora terminado e assistir ao ingresso de ambos no nosso principal (e único?) rival, é um tremendo golpe nas partes baixas. Sobretudo em relação a Rafa, que deveríamos ter trazido em Janeiro passado para o Dragão, custasse o que custasse. É evidente que é um daqueles jogadores que promete "não ter condições" para ficar muito tempo em Portugal e portanto, a mais-valia estaria quase garantida. SE for verdade, é o primeiro (e colossal) falhanço da direcção do Porto em 2016/17. 


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Não tive o prazer de assistir ao primeiro jogo da final do Basket, mas ainda assim aqui fica a referência a uma excelente vitória sobre os "senhores" absolutos da modalidade em Portugal na última década, ainda mais quando no final do primeiro período perdíamos por 29-13. Muito bem rapazes, agora vamos lá tentar ganhar o segundo ainda lá no galinheiro. Sem pressão.


Daqui a minutos arranco rumo ao Jamor e de lá só admito voltar com a Taça. E uma goleada sem espinhas, se possível. E já agora o Rafa, em papel de embrulho. Amanhã darei conta do que vi(vi). Até os comemos, carago!



Do Porto com Amor




quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

The Almost One


Confesso que fui apanhado de surpresa. Não contava de todo que fosse esta a escolha da direcção para suceder a Lopetegui.

Como muitos, apenas duvidava entre a vinda imediata do treinador para as próximas épocas (com Jardim e Marco à cabeça das minhas preferências) e a de um “interino de provas dadas” como Jesualdo Ferreira.


Adrego Design

Por José Peseiro, de facto não esperava. E não, a surpresa não foi positiva. Tenho lido (com agrado) vários argumentos válidos que justificam o acerto da contratação no contexto actual e até lhes reconheço uma boa lógica, mas simplesmente sinto que é curto para as nossas ambições.

Após dois falhanços consecutivos, esperava uma contratação à Pinto da Costa: relâmpago, eficaz e a provocar ahhhs em toda a gente. Quero lá saber se o(s) preferido(s) está/ão a trabalhar, queria é que ele fosse convencido e viesse de imediato treinar o meu clube!

Não foi assim. Foi José Peseiro o escolhido. Discordo da escolha.

Por que motivos ?

- Pelo seu historial profissional. Falhou no Sporting (pouco releva que quase tenha ganho) e não tenho ideia de que posteriormente tenha tido verdadeiro sucesso em algum lado. Sim, ganhou-nos uma Taça da Liga. Mas convenhamos que é manifestamente pouco.

- Pela desconfiança que a sua contratação vai gerar junto dos adeptos. Não é uma pessoa que (enquanto treinador) granjeie empatia com facilidade. A sua forma de falar, a sua postura corporal, tudo contribui um pouco para isso. Prova disso são as dificuldades que tem sentido em todo o lado por onde a sua carreira tem passado. Haverá uma quantidade relevante de adeptos dos seus ex-clubes que o tenha em boa conta? E claro, a lembrança do regozijo que provocou em muitos portistas aquando das decepções leoninas - e o medo que as coisas se invertam agora.

- Pelo contexto do clube. Escolher alguém que não gera à partida um consenso alargado, no momento actual que a equipa atravessa, é exponenciar o risco de forma pouco avisada. À primeira falha, que margem de manobra sobrará a José Peseiro? Quanto do seu capital de reconhecimento, granjeado durante todos estes anos, estará PdC disposto a apostar em sua defesa?

Definitivamente, não seria José Peseiro a minha escolha. Mas eu sou apenas um adepto.


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Dito isto, vamos ao futuro.

Não o longínquo, mas aquele que começa já hoje (ou talvez amanhã).

José Peseiro é agora o meu treinador. Sim, o meu, não apenas o da SAD ou de Pinto da Costa, mas o meu também.

Como tal, só lhe posso garantir o meu apoio incondicional durante os jogos, ainda que sempre crítico antes e depois deles, até que um dia deixe de o ser. Já nada me interessa tudo o que fez antes de cá chegar, apenas me interessa o que fará daqui em diante.

Meu caro Zé, só te posso desejar todo o sucesso do mundo, porque ele será também o meu, o nosso, o de todos os portistas. Tens agora uma oportunidade dourada (quem sabe se a única) de provares a todos e a ti próprio que o “quase” foi apenas uma infeliz conjugação de factores, que és capaz de ir até ao fim e cortar a meta em primeiro. Pode parecer-te injusto, mas o mínimo que te peço é sermos campeões já este ano. E o mínimo que te exijo é que te esforces por compreender o que é o FC Porto e que o respeites em cada momento de cada jogo. Não é muito, mas é tudo. Vamos a eles carago!


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Hoje joga o Porto! Às 19h45, em Famalicão, para disputar o nosso segundo jogo na Taça da Liga. 

É absolutamente irrelevante que as nossas possibilidades de apuramento sejam muito reduzidas, teremos que (como sempre) entrar fortes, assumir o favoritismo e vencer. Só isto. E depois... e depois José Peseiro is in da'house!


Do Porto com Amor



terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Stop. Rebobina a fita, puxa o filme atrás. Stop. Replay


Nada como umas más horas de sono para pôr as coisas em perspectiva.



Já temos treinador. Thy name is Peseiro, José Peseiro.

Vamos por partes.


1 - Há umas semanas atrás, deixei bem clara a minha posição sobre a então eventual mudança de treinador a meio da época.

"Como regra, não acredito em mudanças de treinador a meio do percurso. Apenas se reunidas condições excepcionais e incontornáveis admito que a mudança possa trazer benefícios. E que condições poderão ser essas?
 
a) O treinador abandonar o clube unilateralmente;

b) Já não haver nada para ganhar na época desportiva;

c) A direcção decidir mudar de rumo, ter já encontrado o sucessor e ele estar disponível para assumir funções de imediato, começando já a preparar a época seguinte enquanto luta pelos objectivos ainda atingíveis da actual.

Mas - um enorme "mas" - no caso desta última alínea, esta opção representa para mim o assumir de um rotundo falhanço por parte da direcção. As ilações que cada sócio portista retirar do processo, deverão ser reflectidas no seguinte acto eleitoral."

Isto é o que mais releva desse post para o assunto em questão. Mas recomendo a leitura completa para melhor compreensão do meu pensamento sobre todos os intervenientes.

Primeira conclusão: Pinto da Costa e a sua direção falharam duas vezes neste processo. Primeiro, na manutenção de Lopetegui após a desastrosa época anterior. Segundo, ao despedi-lo a meio da época - contradizendo as suas convicções de há seis meses atrás - sem ter uma alternativa melhor já contratada para lhe suceder.


2 - Não havendo plano B, foi Rui Barros o cordeiro sacrificial escolhido para carregar com o peso morto desta equipa até que finalmente fosse encontrado o sucessor do basco. Conseguiu fazê-lo com sucesso nos dois confrontos com o Boavista (apurando-nos para a meia-final da Taça) mas falhou estrondosamente em Guimarães. 

Segunda conclusão: a ausência de um plano custou-nos mais 3 pontos, numa jornada em que o líder até empatou em casa com o último. E não se ouve a voz a um dirigente portista desde que tivemos a fugaz passagem pelo primeiro lugar. Haverá correlação entre uma e outra? Aposto que sim.


3 - Ontem à noite, o universo portista foi brindado com mais uma notícia estrondosa: José Peseiro é o escolhido para recolher e colar os cacos desta equipa, reabilitando-a de forma a ainda conseguirmos atingir o nosso grande objectivo de qualquer época, sermos campeões. Apesar de todas as pequenas catástrofes que já vivenciamos esta época, estamos a apenas 5 pontos do primeiro quando ainda faltam disputar 48 pontos! Quarenta e oito! Isto após uma semana em que foram apontados muitos nomes para assumir o nosso comando técnico, um deles o próprio Sérgio Conceição que nos acabou de derrotar. O que tinham em comum? Serem portugueses e (na minha opinião) os "interessantes" estarem todos empregados. E Peseiro também, já agora.

Terceira conclusão: José Peseiro não era nenhuma das primeiras opções do plano de contingência traçado à pressa pela SAD. Terá sido a quarta ou quinta solução, já apontando para baixo. É evidente que Conceição foi sondado, tal como AVB, Marco Silva e Leonardo Jardim, pelo menos. Podem não ter sido "contactados directamente", brinquem o que quiserem com o português, mas foram sondados. 

Quarta conclusão: aquele Porto a quem bastava estalar os dedos para que qualquer treinador português abanasse a cauda e suspirasse de ilusión já não existe; a dura realidade é que hoje em dia já nem sequer conseguimos convencer aspirantes a deixarem os seus medianos (ainda que muito bem pagos) empregos para virem treinar o Futebol Clube do Porto. Sim, porque não estamos a falar de treinadores consagrados, que já venceram tudo ou qualquer coisa que fosse, mas sim de técnicos jovens, promissores mas com quase tudo por conquistar no futebol (apenas AVB não se enquadra nesta conclusão, já têm CV, ainda que ganho cá ).


4 - No meio disto tudo, estão previstas eleições no clube ainda antes do final da temporada. E se nada mudar entretanto, de novo com lista única.

Quinta conclusão: seria de todo recomendável que as eleições fossem adiadas para setembro/outubro, por dois motivos principais. Primeiro, para que a actual direção pudesse ser avaliada pela totalidade das épocas desportivas que compuseram este mandato. Segundo, para que outros interessados tivessem tempo para ganhar coragem e preparar as suas candidaturas com projectos credíveis. Ainda não averiguei se alguma questão estatutária o impede, mas em todo o caso temo que apenas se a voz de muitos portistas se fizer ouvir alto e em bom som é que será colocada a hipótese do adiamento.


Termino renovando o meu apelo a todos os portistas com aspirações a serem presidentes do meu clube: se querem ter a possibilidade de conseguir o meu voto, é agora que têm que dar a cara

Agora é que o clube precisa de alternativas, para que cada um as possa comparar e escolher em função da sua avaliação. Nada poderia ser mais nocivo do que voltarmos a ter eleições de lista única. Tem que haver quem contradiga, quem esteja atento, quem pense diferente. 

O tempo da unanimidade está morto e enterrado. Quase arriscaria dizer que para sempre. 

Quem continuar na penumbra, assistindo impávido enquanto Roma é consumida pelas chamas, para depois surgir como o salvador da pátria, só terá o meu desprezo. O meu e de muitos milhares de portistas, tenho quase a certeza.


Quanto a José Peseiro, é já a seguir. Estou mesmo a acabar a digestão. A carne de sapo sempre me provocou uma azia terrível, ainda para mais em sashimi.


Do Porto com Amor




segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

O novo Zé


It's SAD, so SAD

It's a SAD, SAD situation
 

And it's getting more and more absurd
 

It's SAD, so SAD
 

Why can't we talk it over
 

Oh it seems to me
 

That sorry seems to be the hardest word




Estou sem reacção. Paralisado. Peseiroso.



Do Porto com Amor




sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Declaração de intenções


Para que não restem dúvidas e para memória futura.




Na sequência de tudo o que se tem passado, com particular foco no presente pico de contestação a Lopetegui pós-derrota em Londres e nos rumores que hoje circularam dando conta de o treinador ter colocado o lugar à disposição de Pinto da Costa, senti necessidade de clarificar ideias e tomar uma posição

É dessa tomada de posição - a oficial (e única) deste blogue - que darei conta no restante deste texto.

Logo à nascença deste vosso espaço, questionei-me sobre a anunciada renovação da aposta no basco, ainda com a época em andamento mas já depois de termos perdido tudo - ou melhor, com a garantida de já nada podermos ganhar. E sobre o tema escrevi que só entenderia a continuidade havendo "uma fé inabalável de PdC e seus pares nas qualidades do Julen, quando devidamente pesadas e comparadas com as possíveis alternativas".

Terminada a época, escrevi o post Verano Azul, onde expliquei detalhadamente a minha posição e depois resumi: época demasiado má para merecer uma segunda hipótese. No entanto, sabendo-se na altura que Lopetegui continuaria, resignei-me ao facto e apenas lhe pedi que deixasse de ser teimoso e aprendesse com os muitos erros cometidos, porque se o fizesse até passaríamos a ser os claros favoritos a vencer o campeonato, dadas as profundas alterações que sofreram os da segunda circular. 


Quem tiver curiosidade, tem à disposição a análise completa à época 2014/15, dividida em cinco partes: parte 1, parte 2, parte 3, parte 4 e parte 5 (arbitragem).


Umas semanas volvidas, voltei ao assunto abordando "A Segunda Vida de Lopetegui". Tendo já absorvido a sua continuação, coloquei-me de novo ao seu lado e até fiz de conta que o caso Quaresma já era passado (fiz de conta porque apesar de continuar bem presente, senti que devia guardar esse sentimento para mim). Terminei o post assim: "Concluindo, estou esperançado que o treinador tenha aprendido com os seus erros. Mal dele se não o tiver feito. Se dependesse de mim, não teria segunda vida aqui. Mas como não depende, estou com ele (de novo) até final da temporada. E como gostava de ter vontade de lhe dar um abraço nessa altura.".

Aconselho todos os leitores a ler (ou reler) com atenção estes dois posts, não só para que percebam com exactidão o que me levou a pedir a sua saída no final da época passada, como também para atestarem da coerência da minha posição desde então até hoje.

E um aparte antes de continuar: por esta altura já muitos dos "irredutíveis" defensores de Lopetegui começavam a olhar-me de soslaio, processo esse que aliás terminou com a minha ostracização daquela parte da bluegosfera. Não que seja relevante, mas confesso que me deu vontade de rir ao reler hoje o que os acérrimos comentaram nesse post (e noutros por essa altura). O tempo é tramado. Irrevogável até.


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Renovação de votos consumada, avançamos para a pré-época, onde me esforcei por desvalorizar por completo todo e qualquer indício de que o filme se começava a parecer com o anterior. Afinal, era pré-época...

Época a doer adentro, empate na Madeira, blá, blá, blá, mesmo futebol empastado, blá, blá, blá, Moreirense, blá, blá, blá, Benfica e Chelsea, "viva! viva!", Braga, Dynamo, Tondela por um triz e Londres. And all hell broke loose...


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E cá estamos, a 10 de Dezembro do ano da graça de 2015, a assistir a uma tremenda contestação de grande maioria dos adeptos, que aliás ameaça alastrar para além das fronteiras do treinador, invadindo as da "estrutura" e até as de Jorge Nuno Pinto da Costa


E é sobre este momento actual que me quero pronunciar.


1. Por esta altura, é para mim um facto consumado e praticamente irreversível (sou relativista, daí o praticamente) de que Lopetegui não tem qualidade suficiente para ser treinador do Porto. Nem técnica nem humana. Foi um claríssimo erro de casting repetido duas vezes.


2. Mesmo que, como eu espero e todos desejamos, consiga vencer o campeonato e que (a partir daqui já não espero, embora deseje) até lhe acrescente a conquista das taças nacionais e da europeia, não antevejo nenhuma possibilidade realística de vir a mudar de opinião: não por teimosia mas por convicção de que Lopetegui é isto e não vai (não quer) mudar. E não mudando, não serve para o meu clube.


3. Como regra, não acredito em mudanças de treinador a meio do percurso. Apenas se reunidas condições excepcionais e incontornáveis admito que a mudança possa trazer benefícios. E que condições poderão ser essas?

a) O treinador abandonar o clube unilateralmente;

b) Já não haver nada para ganhar na época desportiva;

c) A direcção decidir mudar de rumo, ter já encontrado o sucessor e ele estar disponível para assumir funções de imediato, começando já a preparar a época seguinte enquanto luta pelos objectivos ainda atingíveis da actual.

Mas - um enorme "mas" - no caso desta última alínea, esta opção representa para mim o assumir de um rotundo falhanço por parte da direcção. As ilações que cada sócio portista retirar do processo, deverão ser reflectidas no seguinte acto eleitoral. 


Todos reconhecemos imenso valor à obra imensa do presidente. Muitos ainda lhe reconhecem suficiente crédito acumulado para passar incólume a esta e eventualmente outras más decisões. Alguns inclusive continuarão a achá-lo credor de um eterno cheque em branco, tal a obra feita. Mas outros  estarão convencidos de que o seu tempo à frente do clube já expirou ou está prestes a expirar. Todas são posturas justificáveis e merecedoras de respeito de quem delas discorda.

Eu sou dos que lhe reconhece ainda capacidades para continuar a liderar o clube. Sem cheque em branco, obviamente (e muito menos sem data)


Como tal, faço-lhe aqui directamente um pedido, senhor presidente:

Não ceda. 

Mantenha Lopetegui até final da época, doa o que doer, a quem doer. 

Seja coerente com as suas ideias e palavras. 

Dê-lhe a oportunidade de mostrar tudo o que vale e não vale. Para que o resultado desta temporada lhe possa ser atribuído na totalidade e em exclusividade. Sem desculpas. 

E, no final, tire as suas conclusões. Aliás, tenho poucas dúvidas de que já não as tenha tirado. Sabe mais de futebol a dormir do que eu acordado. 

Por isso mesmo, contrate desde já um treinador à sua imagem - repito, à sua imagem, fechando a porta a quem o tem levado na conversa

Regresse às suas origens e estou certo de que voltará a fazer uma boa escolha. Pode ou não ter sucesso, mas isso serão outros quinhentos. Mas acredite, que se a escolha for boa, os portista saberão valorizá-la (e a si na mesma medida).


De um portista eternamente grato, mas nunca desatento e sempre crítico.



Do Porto com Amor




sexta-feira, 17 de julho de 2015

A segunda vida de Lopetegui


Sobre a primeira época do treinador basco Julen Lopetegui aos comandos deste nosso Amor já falei aqui.

Se ainda não teve oportunidade de ler, sugiro que o faça agora antes de avançar no texto. Vá lá que eu espero.

Já está? Pronto, antes assim.
Nada se alterou de significativo em relação à minha opinião sobre Lopetegui. Os erros cometidos já não têm remédio. O campeonato perdido já não tem volta. A humilhação de Munique ficará para sempre. E não, nada mais. Porque se tivesse sido despedido como merecia, seria lembrado no futuro (não muito distante) apenas pelo seu rotundo falhanço.

Antes de avançar, vou carregar um bocado mais na ferida, porque ainda me dói particularmente. Para nós portistas, a época anterior ficará para sempre como a do #colinho, mas apenas porque Lopetegui não foi capaz de ter a competência para o evitar. Porque na realidade, apesar de todas as ajudas, o SLB só ganhou o campeonato porque nós falhamos nos momentos decisivos: Madeira, Luz e ainda Belém. Se tivéssemos feito o que nos competia, não só seriamos campeões como a época seria lembrada como "nem com o #colinho lá chegaram". E sim, para mim o maior responsável foi sem dúvida nenhuma o treinador, conforme detalhei no texto para onde o remeti no início.

No entanto, Lopetegui continua.
E como tal, será outra vez o meu treinador, ou melhor, o treinador do meu clube.
Portanto, achei ser este o momento certo para dizer de minha justiça, antes que as coisas comecem a doer.

Na abordagem inicial, parecia-me que, ao contrário do que seria expectável, o Porto iria partir em vantagem, dadas as loucuras de verão da segunda circular. Ambos mudaram de treinador e nós não. À partida seria suficiente para garantir um lugar na pole.

Hoje já não tenho essa convicção. Parece-me que temos demasiadas mudanças no plantel e sobretudo no onze para que se possa atribuir qualquer vantagem. Ainda por cima quando o treinador dá sinais de querer (pelo menos) testar modelos de jogo alternativos (ainda que eu continue sem perceber bem qual era o do ano passado...).

Isto para dizer que Lopetegui começa outra vez (quase) do zero. Se Quaresma foi sua (péssima) opção, Danilo, Casemiro, Óliver e Jackson não foram seguramente. E depois a armada espanhola de segunda categoria, que agora recebe guia de marcha e me vem dar razão quando dizia que nada vinham acrescentar a não ser quantidade, daquela que dá um jeito tremendo porque se coloca sempre ao lado do treinador dentro do balneário.

Se as saídas foram de peso (com o risco de ainda se agravar), as entradas não o são menos. Nesta altura, em que muita coisa ainda pode mudar, garantidamente não temos um plantel inferior. Garantidamente. Mas mantém no entanto algumas das insuficiências: falta (pelo menos) um central de qualidade para jogar ao lado de Indi e um bom suplente para rivalizar com Maxi (a que se soma agora também a necessidade de um médio criativo e um ponta de lança, a não ser que se façam adaptações).

Teremos que aguardar pelo fecho do(s) mercado(s) para tirar conclusões, mas os sinais são de uma aposta única, arriscada (e provavelmente irrepetível) para recuperar o título e gritar bem alto que não haverá nem fim de ciclo, nem novo ciclo, mas que apenas se tratou de um (grande) acidente de percurso.

Ficou para mim claro que a aposta em Lopetegui vai muito para além das suas qualidades e curriculum como treinador. Lopetegui é hoje um polo de atração de jogadores espanhóis e da liga espanhola, uma espécie de gaja boa que seduz nuestros hermanos com um belo par de contratos e um rijo traseiro cheio de euros (a chegada de Casillas é o expoente máximo dos seus dotes de sedução). É verdade que destes seus atributos nunca outros treinadores tinham beneficiado, mas é igualmente justo reconhecer que o facto de ser espanhol, ter uma reputação razoável e conhecer o meio futebolístico também tem muito peso nesta atração fatal.


Concluindo, estou esperançado que o treinador tenha aprendido com os seus erros. Mal dele se não o tiver feito. Se dependesse de mim, não teria segunda vida aqui. Mas como não depende, estou com ele (de novo) até final da temporada. E como gostava de ter vontade de lhe dar um abraço nessa altura.