Notas "breves" sobre a entrevista do presidente (JN) Pinto da Costa ao novo formato do diário portuense (se é que ainda o é - portuense).
Vou passar por cima de temas requentados como Lopetegui, Adrián e Jorge Mendes, sobre os quais nada de novo foi dito, focando-me apenas sobre as "novas revelações" - condição que defini como imprescindível para voltar a falar sobre a actuação do Presidente antes do final da temporada.
Começa a notar-se um padrão indesmentível em relação às aparições públicas de Pinto da Costa - o de só falar quando se ganha. Se por um lado reflecte a prudência e a astúcia que a experiência lhe ensinou ao longo de todos estes anos, por outro deixa no ar a sensação de não dar o corpo às balas na altura devida, mesmo que não seja essa a sua intenção. Em todo o caso, vamos às notas.
O Treinador, a Equipa e o Plantel
Cavalgando esta onda de mini-euforia onde actualmente surfam muitos Portistas, reafirmou a sua crença e confiança no trabalho que Nuno está a desenvolver (não tenho a certeza que "reafirmou" seja a palavra correcta, porque - lá está - nos momentos difíceis imediatamente anteriores ao actual não me apercebi que o tenha feito). E que essa confiança advinha do facto de "o nível exibicional ser bom" e de a equipa criar muitas oportunidades. Ok, então vejamos esta listinha: Brugge (f), Setúbal (f), Brugge (c), Chaves (f), Copenhaga (f), Belenenses (f), Belenenses (c) - bom futebol e muitas oportunidades? Certo... Se insistisse nos pontos subtraídos por algumas dessas arbitragens, ainda podia ser. Aliás, deveria ser. Mas sem muitas oportunidades e quase nenhum bom futebol, ok?
Aproveitou para reafirmar (aqui sim) que NES foi sua escolha, da qual se limitou a informar a sua administração (adeus Antero...), e que Jorge Mendes nada teve a ver com a vinda de Nuno para o Porto. Informação que já circulava há muito, ao contrário do que pressupus aquando da apresentação do treinador, e que agora é confirmado na primeira pessoa. Assim já se compreendem melhor os fracassos dos últimos dias de transferências.
Sobre a equipa, deu sequência à defesa dos centrais (nomeou até Marcano) e criticou quem disse que precisávamos de três centrais. Eu não fui tão ambicioso, mas agradeço a referência à mesma. E insisto: uma das falhas graves deste plantel é a falta de um grande central. Felipe pode vir a ser mas ainda não é; Marcano está a fazer uma grande época até agora, sem dúvida, mas está a jogar nos seus limites e já deu provas de falhar nos momentos mais importantes, pelo que a dúvida se mantém; Boly ainda não jogou o suficiente para mostrar o que pode valer; Não temos quarto central (não me queiram impingir Chidozie, por favor).
Abordou também a juventude da dupla AS - Jota (e bem, na minha perspectiva), apontando ao futuro como destino para um rendimento máximo, mas faltou explicar onde será esse futuro (Jota não é nosso) e como voltaremos a ganhar até lá. E já não se atravessou por Depoitre (no final da temporada é que se verá se foi "contratação falhada" - expressão do presidente, não minha).
Fiquei também a saber que Brahimi só agora começou a fazer parte dos planos porque teve de se adaptar ao que o treinador pretendia... é de compreensão lenta o argelino, portanto. E que a sua ida para a CAN será naturalmente colmatada por Otávio, não perspectivando nenhuma movimentação no mercado de inverno. Logo agora que já sonhava com Luiz Adriano (not).
Sobre o desenvolvimento de futuros plantéis, houve novidade quanto à provável localização do Centro de Formação "para jovens", que suponho ser o cartão de visita para a candidatura ao mandato seguinte. Sim, ao de 2019-22.
Comissões, Comichões e Urticárias
Inevitavelmente, Alexandre Pinto da Costa. Ficámos a saber que prestou dois grandes serviços à nossa colectividade (para quando a medalha de mérito, pergunto eu): livrou-nos de Rolando e assegurou a continuidade de Rui Pedro. Já quanto ao que "a empresa de que o Alexandre era sócio" recebeu por esses feitos notáveis, as coisas não são tão claras. Começou por dizer que "se [APdC] recebeu [comissões pela venda de Rolando] não foi do FCPorto" mas sim do Marselha, para uns minutos volvidos admitir que "do FCPorto recebeu aquilo que normalmente qualquer um recebe". Em que ficamos? No que nos diz o R&C, obviamente.
Disse também que não lhe interessava nada se o interlocutor nos negócios era filho ou não, que "se o negócio for bom para o FCPorto", ele o faz. Estou de acordo quanto ao corolário de o negócio ser bom, mas, senhor Presidente, não basta! Aliás são os próprios Estatutos do Clube a "dizê-lo". Em tese, não teria nenhum mal que o seu filho participasse em negócios com o clube se houvesse total transparência quanto aos serviços por ele prestados e as contrapartidas por ele recebidas. Sim, ainda mais por ser seu filho, senhor Presidente. Ética.
E por último, uma falha de memória. Então e Casemiro, o scouting e Quaresma, senhor Presidente? Nada a ver com o seu filho empresário? Peço então desculpa, se estiver equivocado. Mas não me parece.
Outra questão totalmente diferente é o enquadramento e a circunstância com que este assunto veio agora à baila. Já tínhamos percebido que, (pelo menos) no que toca ao futebol, o Expresso tem clube. Ou clubes, vá. Mas o Porto não é um deles. Por coincidência, no momento em que a nossa equipa está em recuperação e havia a real possibilidade de ganhar pontos aos dois da segunda circular, sai uma capa com Alexandre PdC, claramente o ponto mais fraco da nossa actualidade Portista. Quando, como o Presidente bem referiu, outras revelações do Football Leaks seriam merecedoras de muito mais destaque. É evidente que se pretendeu atingir o Porto, ao mesmo tempo que se desviavam atenções da carneirada do Benfica de Vieira. Claro como a água. Comichões centralistas.
Mais uma vez descartou a possibilidade de explicar aos Portistas os motivos da saída de Antero Henrique (mas autorizando o próprio a fazê-lo), não admitindo conexão entre a saída e a interferência de Alexandre na gestão do clube. Seria realmente interessante ouvir Antero sobre o assunto, sem reservas, mas vou continuar sentado. E apesar das "boas relações", também não o endossou como futuro candidato (que surpresa!), situando-o apenas ao nível de todos os outros com as quotas em dia.
Sobre a mudança para a MEO ouvimos mais detalhes sobre o processo negocial, mas o que releva é a surpresa de, ao fim de tantos anos a negociar com Joaquim Oliveira, ter finalmente descoberto "ter sido vigarizado" e que desde então o bom do Joaquim não voltou a dar notícias e inclusive deixou o Presidente pendurado no Altis para jantar. Urticária?
A Contestação, a Oposição e as Alternativas
Sobre o período do empata disse não ter sentido contestação - desvantagem de viver fechado sobre si próprio, certamente. Aliás, só vislumbrou um lencinho branco, um... e mesmo esse seria para o 13 de Maio, suponho eu.
Sentiu sim foi o "apoio dos verdadeiros Portistas, das claques Super Dragões e Convívio (leia-se Colectivo)". Hum... vou ser generoso e assumir que o presidente não restringiu os "verdadeiros Portistas" às claques, mas apenas as distinguiu entre os (muitos) "verdadeiros Portistas". E sentiu também a união dentro do plantel, o que se saúda.
Pois, senhor Presidente, sou um verdadeiro Portista (tanto quanto o senhor, no mínimo) e nem por isso deixei de ficar severamente preocupado com mais um potencial erro na escolha do treinador. Aliás, é por sentir e sofrer com os destinos do Clube que fico preocupado. Desconfio muito mais de quem o diz apoiar cegamente, sabe-se lá com que intenção ou a troco do quê.
Felizmente o júnior da equipa B Rui Pedro marcou ao Braga e desde então as coisas encarreiraram. Tal como com Depoitre, com Nuno as contas só se fazem no fim, mas... até agora o seu rendimento não tem sido "importante" e ainda menos entusiasmante. Que continue a evoluir (e depressa) para ainda chegar a tempo de conseguir o essencial: ganhar o campeonato. É por isso que ele e o senhor serão julgados quando a época se findar.
As referências à suposta oposição são correctas, em minha opinião, se apenas limitadas a quem anseia ser alternativa. Tenho apelado "mais do que ninguém" para que apareçam projectos alternativos para disputar eleições. Não apareceu nenhum, até agora. Sinal da "pobreza associativa" actual. Mas o Presidente levou a resposta para a oposição quando a pergunta (várias, por sinal) pretendiam saber a sua opinião sobre o descontentamento e críticas de adeptos, em particular nos blogues (here we go again...), quando a equipa não correspondia dentro de campo. E, mais uma vez, Pinto da Costa preferiu apelidar de "sem rosto" e "cobardia" a oposição, preferindo não distinguir opositores de críticos.
Eu sou sócio. Permito-me (exijo-me) acompanhar e avaliar o trabalho desta e de qualquer direcção. Vou às assembleias-gerais a que posso ir, reservando-me o direito de nelas intervir ou não. E depois ainda me dou ao trabalho de escrever sobre as minhas reflexões. Não sou candidato, não sou oposição, não sou alternativa. Sou um Portista com opinião. Não gosta, senhor Presidente? Lamento, é a democracia. Mesmo os outros blogues, onde supostos opositores se escondem, têm o direito à existência - tal como a serem criticados por si. É a democracia.
O que eu não ouvi e gostaria muito era uma crítica feroz e ameaçadora perante as arbitragens que nos têm prejudicado de forma vil. Não deveria ser pelo facto de nos dois últimos jogos se terem marcado penáltis e expulsado adversários que se passa uma esponja pelo que ficou para trás - até porque para trás ficaram já muitos pontos e a Taça de Portugal. Este encolher de ombros e limitar-se ao wishful thinking de que não nos voltem a prejudicar soa realmente curto nos ouvidos dos (verdadeiros) Portistas.
Nem de propósito: Bruno Paixão nomeado para o Estoril-Benfica; Hugo "Macron" Miguel para o Sporting-Braga. E nós a vê-los passar...
Nem de propósito: Bruno Paixão nomeado para o Estoril-Benfica; Hugo "Macron" Miguel para o Sporting-Braga. E nós a vê-los passar...
Lápis Azul e Branco,


