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quarta-feira, 25 de maio de 2022

Sir Sérgio Conceição


Finda que está a época 2021/22, com sucesso quase-absoluto do Futebol Clube do Porto no plano nacional, é, pois, tempo de revisitar o trilho percorrido pelo maior obreiro deste feito: o treinador Sérgio Conceição.

 


 

Uma época onde, a meio, se viu privado do melhor jogador (de longe) que até então actuava em Portugal, e que de certa forma tinha carregado a equipa às costas nos primeiros meses da temporada, oferecendo assim tempo e espaço para que a equipa e jogadores como Vitinha e Fábio se fossem desenvolvendo e habituando ao padrão de exigência mais elevado das suas curtas carreiras. Perder Luís Diaz foi um golpe tremendo para o treinador, não apenas a nível da ambição europeia como agora se faz crer, mas de todos os objectivos que tinha para cumprir, sobretudo o primordial, o campeonato.

Sérgio protestou (e bem) mas continuou a trabalhar. E conseguiu, de forma até algo surpreendente, que os que ficaram se ligassem ainda mais entre si, mostrando verdadeiramente que a força de um bom colectivo é o melhor remédio para suprir a partida do seu maior craque. Mérito absoluto aos jogadores, pois claro, mas também ao maestro (e seus ajudantes) que lhes deu as partituras adequadas e os ajudou a aprender a tocar em conjunto.

Nem tudo foram prestações melodiosas, houve - como sempre há - interpretações menos afinadas que até nos poderiam ter custado pontos importantes em momentos decisivos da época, mas, no final, qualidade, trabalho e alguma fortuna foi quanto baste para nos devolver a felicidade suprema, coroada com a sensação de já algum enfartamento de glória com a dobradinha assegurada este domingo. E assim também Diaz se tornou campeão de Portugal e vencedor da Taça.

 


 

Muito do que quero expressar neste momento sobre Conceição, já o disse no final de época do ano pandémico de 2020, pelo que seria perda de tempo estar a repeti-lo; antes, convido o estimado leitor a ler ou reler o que então escrevi em "Obrigado pelos Títulos, Agora Queremos Futebol" - prometo que vale a pena e que o conteúdo é bem mais simpático para treinador do que o título possa sugerir.

Prefiro então focar-me no que mudou desde então.

Em minha opinião, baseada somente na observação nas bancadas e por vezes na TV dos nossos jogos, a forma de jogar do Porto de Conceição 21/22 deu um claro passo (salto?) em frente, não só em termos de "agradabilidade" para quem assiste, como também em termos de consistência (a todos os níveis).

E relembro que me refiro a uma época onde, por exemplo, tivemos várias vezes Bruno Costa a lateral com tudo o que isso implicou de mau em termos de profundidade e capacidade de atacar por esse lado (sem nenhum desprimor ao Bruno, claro, que somente se sacrificou fazendo o que lhe foi pedido o melhor que podia). Quero com isto ilustrar o desequilíbrio em termos de posições que mais uma vez assolou o plantel e a necessidade de - mais uma vez - ir improvisando pelo caminho, sem perder o rumo.

Mesmo assim, observou-se clara evolução ao longo da época que só terminou, diria, por volta da eliminatória com o Lyon, quando me pareceu que a equipa sentiu a necessidade de se "defender" e passou a jogar mais em modo sobrevivência rumo aos títulos, do que preocupada em continuar a evoluir, mesmo que o treinador o não quisesse. Opção impossível de criticar, evidentemente.

Até esse momento, houve uma primeira fase onde o "herói" foi sendo Luis Diaz, não apenas por resolver grande parte dos problemas de construção e finalização ofensiva, mas também por com isso tirar o foco de vários outros jogadores, que assim puderam ir crescendo sem comprometer.

 


 

Com a sua saída para Liverpool, começou um novo período onde a equipa se fortaleceu nos seus movimentos colectivos, sob a batuta de Otávio, Taremi e Vitinha (sem desprimor, Pepe!) e demonstrou uma fiabilidade e consistência exibicional como ainda não se tinha visto no consulado de Conceição. Mesmo com trocas de um ou dois jogadores no onze, a equipa pouco oscilava nos seus propósitos e demonstrava a cada jornada o quão difícil seria ser destronada da liderança ou afastada da Taça.

Claro que ter jogadores mais esclarecidos e evoluídos ajudou e muito a construir esta "nova" forma de jogar, mas até porque já os tinha tido em épocas anteriores, é apenas justo reconhecer que o próprio treinador soube evoluir e limar arestas da(s) sua(s) proposta(s) de jogo.  

E até num dos seus pontos "menos fortes" me pareceu registar evolução, a capacidade de influenciar os acontecimentos a partir do banco. Foram vários, muitos os jogos onde começamos mal e foi necessário correr atrás dos pontos e prejuízos, operação quase sempre concluída com sucesso.

Em resumo, o mister fez o favor de atender ao meu pedido e, além de títulos, deu-nos também melhor futebol. Não que seja uma obra acabada (nunca é), porque ainda há muito por onde evoluir (a equipa e o treinador), mas que houve um claro salto qualitativo, ninguém pode negar. 

Espero e desejo, evidentemente, que Sérgio Conceição continue como treinador do FC Porto na próxima temporada e que volte a ser a pessoa mais decisiva na definição das contratações. Se possível, que se mantenha pelo menos até que se vire a página da presidência mais titulada de sempre. Por tudo.

 

- - -


Os parolos e os desonestos que tentam decalcar este nosso ano de conquistas com o do Sporting na época passada, falham nos "piqueninos pormenores" que fazem toda a diferença:

- O Sporting em nenhum momento se viu confrontado com arbitragens unanimemente julgadas como surripiadoras de pontos decisivos, ao contrário do que nos fizeram há um ano nos campos de Belenenses, Braga e Moreira de Cónegos, onde nos privaram de seis pontos absolutamente decisivos na definição do campeão;

- O Sporting, em momento algum demonstrou a superioridade futebolística em 20/21 que o Porto exibiu esta época, bem patente nos confrontos directos entre candidatos a títulos;

- Por fim, devo fazer justiça ao Sporting do capitão Varandas e reconhecer o mérito onde o têm, porque falta ainda ser-lhes reconhecido o inédito título que só eles detêm: o de causadores do maior surto de infecções de COVID-19 do país e de todas as implicações económicas e sociais que daí advieram.


Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco


 


quinta-feira, 19 de abril de 2018

Medo e Marcano


Cada um terá a sua forma de entender o jogo, nela se baseando para a definição ou a proposta de estratégias para chegar aos objectivos. A minha parece ser substancialmente diferente da de Sérgio Conceição. Numa eliminatória, quando se chega à segunda mão, após ter vencido em casa pela vantagem mínima e sem sofrer golos, a estratégia principal única só pode ser uma: marcar fora.




Mais do que procurar manter o nulo do marcador, do que não sofrer golos e conservar a magra vantagem, o que encaminha a eliminatória definitivamente a "nosso" favor é conseguir marcar um golo em solo "inimigo". Ora, daquilo a que eu assisti no estádio, não fiquei convencido que fosse essa a prioridade estabelecida pelo treinador. De todo.

É verdade que a minha posição de adepto é muito mais fácil e cómoda, porque me limito a observar e opinar, no entanto quem vive à custa das suas estratégias é o treinador, pelo que é a ele que se deve "pedir explicações". 

Creio que ontem tivemos mais medo de sofrer golos do que vontade de o marcar e, no final, fomos penalizados por um erro individual que é sempre passível de acontecer. Depois, já não houve pernas nem coragem para empatar antes do prolongamento. Seguiram-se 30 minutos a meio-gás, sem grande capacidade nem convicção para marcar o tal golo que seria "de ouro" para nós. Voltamos a cair nos penáltis, que desta vez até foram 80% bem marcados. Pouca sorte, dirão alguns; pouca audácia, digo eu.

Do outro lado, esteve uma equipa que quase espelhou na nossa em termos de atitude. Foram deixando o jogo correr sem forçar em demasia, porque sabiam (eles sim, sabiam!) que sofrendo um golo ficariam muito mais longe da final. Tiveram algumas oportunidades ao longo do jogo, escassas, mas nunca me apercebi que perdessem o controle emocional. A poucos minutos dos noventa foram bafejados pela sorte e a sua estratégia provou ser a mais correcta. Mas barely, diga-se.

O futebol admite sempre a possibilidade de um golo entrar a qualquer altura, sem aviso prévio (alô Capitán Herrera!), pelo que poderíamos ser levados a concluir que o golo que aconteceu na nossa baliza poderia, ao invés, ter acontecido na do Sporting. Sendo verossímil o "pressuposto", não é o que mais releva neste contexto: o que faria a diferença era haver, da nossa parte, uma obstinação, um desígnio fundamental para este jogo que fosse o de fazer golos. Ou golo que fosse, para início de conversa. Em minha opinião, não houve - pelo menos, não o principal.


Grande apoio, mas não chegou



Notas DPcA 



Dia de jogo: 19/04/2018, 20h30, Estádio de Alvalade XXI, Sporting CL - FC Porto (1-0; 5-4 g.p.)


Iker (6): Não teve especial trabalho, mas respondeu sempre bem quando a isso foi chamado, tirando os habituais e irritantes disparates com os pés. Não defendeu nenhum penálti (apesar de ter adivinhado o lado por uma vez), mas ninguém lhe poderia exigir tal coisa. #renovaCasillas

Maxi (6): Não quis saber das suas "eventuais" menores capacidades físicas e foi à luta em todas as oportunidades, acabando por ser mais feliz a construir, onde conseguiu mais espaço, do que a defender-se de Acunã, uns anos mais novo e uns metros mais rápido. Nunca seria por ele que acabaríamos eliminados...

Alex Telles (6): Passou muito mais tempo preocupado com Gélson & companhia do que em atacar, o que para ele é contranatura, algo que se reflecte na sua exibição, muito mais pálida do que o habitual.

Felipe (7): Muito bom jogo, sempre impecável nas marcações e antecipações e ainda bem a sair ou a endossar a bola.

Marcano (5): Estava a alinhar pelo mesmo diapasão do companheiro até que chegou o momento fatídico: falhou o "alívio", colocando a bola à disposição de Coates para fazer o golo da nossa derrota. Por ironia macabra do destino, foi também ele quem falhou o único penálti da noite.

Herrera (7): Bom jogo, muito combativo numa vasta área de acção de início, retraindo-se mais adiante por imposições tácticas (e físicas também, suponho), mas sem nunca deixar de lutar. Contra o seu normal, não me lembro de nenhum passe disparatado ou de alguma "travadinha", o que só pode ser bom.

< 84' Óliver (6): Voltou a ter uma oportunidade inteira para demonstrar que a sua parca utilização é pouco menos do que uma injustiça, mas na verdade não fez o suficiente para o justificar. Não tendo jogado mal, a verdade é que também não conseguiu ser melhor do que quem tem jogado no "seu" lugar, começando até com uma série de maus passes que me deixaram os cabelos em pé (os 7 que ainda tenho). Melhorou com o evoluir do jogo, não destoou propriamente, mas... soube a pouco. Ainda por cima, "obrigou" o treinador a queimar a última substituição dada a sua incapacidade para continuar. Malditas expectativas.

< 75' Otávio (7): Boa exibição do baixinho, juntando à sua habitual combatividade um acerto e objectividade que raramente demonstra. Do meio para a ala e vice-versa, foi varrendo e ajudando a varrer as iniciativas adversárias, recuperando muitas bolas e depois saindo com critério, pese a pouca profundidade da equipa. Possivelmente, o seu melhor jogo da temporada. De tal forma, que me custou vê-lo ser substituído. E à equipa também, diga-se.

Not this time, capitán...

Ricardo (7): Um dos melhores dos nossos, talvez até fosse o melhor em campo se a eliminatória nos tivesse sido favorável. Mais um jogo enorme, comprido de uma área à outra e cheio de qualidade. Acaba a época em grande forma e MERECE estar no mundial.

Brahimi (7): Sem ser um Brahimi especial, esteve bem melhor do que nas últimas partidas (e ainda melhor do que na última), porque foi capaz de perceber quando deveria insistir no lance individual ou servir os companheiros, garantindo com isso o "manter em sentido" de dois ou três adversários de cada vez, o que libertou espaço para os companheiros.

< 66' Soares (6): Exibição muito ao estilo da que fez na Luz, com dificuldade em segurar a bola e tocar depois, embora me parecesse ligeiramente melhor globalmente. Faltou, claro, o golo que dá o colorido a qualquer desenho de um avançado, mas nem oportunidades teve para isso. 

> 66' Aboubakar (4): Está num momento horrível de forma, tudo em que toca transforma em cocó, pelo que não entendo a insistência do treinador. Se quer e não consegue, teria de ser quem o dirige a optar por outra solução. Mete dó vê-lo em campo e ontem custou-nos caro jogar com "um a menos".

> 75' Sérgio Oliveira (5): A equipa perdeu com a troca, pareceu-me entrar um pouco amorfo e fora de ritmo, o que o levou a fazer mais faltas do que o recomendável (nem todas assinaladas). Não esteve propriamente mal, mas também não se destacou pela positiva.

> 84' Reyes (6): Entrada forçada, por via do "estouro" de Óliver, mas positiva, dentro do que se sabe que poderia dar à equipa. Precisou de uns minutos para encontrar o seu espaço (literalmente), mas a partir daí integrou-se bem e cumpriu a missão, tendo até chegado a introduzir a bola na baliza adversária, mas com o fora-de-jogo já assinalado.

Sérgio Conceição (4): Explicou após o jogo que as substituições se ficaram todas a dever a problemas físicos, tal como a não-titularidade de Marega (esta infiro eu das suas palavras), pelo que só tenho de acreditar na sua palavra e não o penalizar por ter tirado Soares e Otávio do jogo - o primeiro porque a alternativa era muito pior, o segundo porque estava a jogar bem. 

No entanto, do que não se "livra" é de uma primeira parte em que raríssimas vezes chegámos à baliza de Rui Patrício e de uma segunda no mesmo "tom", ainda que com melhor produção de jogo. Já expliquei acima que não entendo como não montou uma estratégia para marcar golos em Alvalade acima de qualquer outra coisa. E como no final deu-se mal e custou-nos a presença no Jamor, sai deste jogo como o principal responsável pela eliminação. Mais do que tudo, teve medo de perder. E perdeu.




Outros Intervenientes:



Este Sporting é uma equipa razoável que combina a experiência do treinador e alguns jogadores com a imensa qualidade de Gélson e Bruno Fernandes. Não jogaram muito, nem sequer mais do que nós, mas marcaram. Conseguiram derrotar-nos à quinta tentativa e voltaram a ser melhores nos penáltis. Foram mais felizes, pelo que só me resta dar-lhes os parabéns, ainda que muito a contragosto.


Em vez de perder tempo a repisar o quão fraquinho e pequenininho é o ser Jorge Sousa, o que só lhe permite fazer arbitragens assim, ultra-defensivas, cobardes, mesquinhas, vou insistir no carácter "profissional" de Hugo Macron, o vídeo-árbitro de serviço, que uma vez mais deve ter adorado ver-nos a provar do seu veneno, que incluiu a não marcação de um penálti evidente de Mathieu e a não-expulsão de Acuña, entre outras eventuais cegueiras selectivas deste montinho de esterco verde (como será que Maxi ficou no estado que se pode ver abaixo?). No conforto da sua cabine tecnológica, abrigado das reacções do estádio, o viscoso Hugo lá fez o seu trabalhinho e no final foi para casa todo contentinho. E assim há-de continuar, até ao dia em que alguém lhe fizer engolir a dentição toda de uma vez só.




Se já estava doente com a eliminação, mais fiquei e fico ao ser obrigado a ler as baboseiras do costume de entre as nossas fileiras, do tipo "o que importa são as quatro finais que temos para ganhar", "o campeonato é que interessa" ou o eterno "amo-te hoje mais do que ontem"... Não, porra! Ontem o que interessava era garantir a final, cambada, nada mais, NADA MAIS! A Taça é objectivo tal como o Campeonato, a Supertaça e a Taça da Liga: competições internas, TODAS para ganhar!

Se falhámos, há que ter coragem para "viver" esse falhanço, encará-lo de frente e evitar que se repita! Enfiar a cabeça na areia pode estar no ADN deles, os da segunda circular, mas não está no nosso. Man up!


Dito isto e assumida sem reservas a colossal azia pela eliminação (que perdurará ainda durante alguns dias e regressará em força no dia da final), AGORA digo que há que olhar em frente e deixar de ser "cagarolas" a enfrentar os quatro jogos que nos faltam. Têm de ser todos para ganhar, mas mesmo para ganhar, desde o primeiro ao último minuto, e um de cada vez. Não há margens, não há folgas, não há empates nenhuns para se poderem ceder. NADA, ZERO. Só há é que ganhar os quatro jogos, começando pelo Vitória de Setúbal.

Sem desculpas, sem receios, sem nada que não seja uma indomável e inquebrantável vontade ser campeão, embalada pelo grito audaz da nossa ardente voz.



Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco




quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

A Ganhar ao Intervalo


Jogo interessante do ponto de vista táctico, certamente um bombom para quem se delicia com a análise dos comportamentos das equipas durante o jogo. Para mim, que vivi este como qualquer outro clássico - a roer as unhas, a exigir o céu da equipa mas sempre à espera que ele nos caia em cima da cabeça - foi um jogo duro de seguir.


Catarina Morais / Kapta +

Muitas cambiantes, vários momentos completamente distintos de ambas as equipas durante a partida e a maldita e desnecessária incerteza no marcador até final. Soado o último apito, seguiram-se uns segundos de alívio, mas logo depois instalou-se uma incomodativa frustração do que poderia ter sido. E poderia ter sido coisas bem díspares, desde a goleada que a primeira parte justificou ao empate que a segunda poderia ter consumado. 

Comecemos pelo princípio. Entrada titubeante do Porto perante uma improvisada disposição táctica do Sporting, com três defesas em linha e dois alas, que se "juntavam" à linha média quando recuperavam a bola e o matreiro Gelson a escapulir-se para o meio, procurando (com sucesso) o espaço vazio à frente da nossa defesa. 

Se Sérgio Conceição estava à espera disso, não se notou nada. Começando e acabando pelo inefável Herrera, sempre no sítio errado à hora errada, mas extensível a quase toda a equipa, que parecia um carrossel de atrasados, a chegar ao rendez-vous sempre um bocadinho depois da coisa acontecer.

Foi preciso um pouco mais de um quarto de hora para se habituarem ao adversário e finalmente começar a domá-lo. Não que tivessem criado qualquer perigo efectivo nesse período, simplesmente não nos "deixavam" fazer o nosso jogo. 

Seguiram-se 20/25 minutos de intenso domínio portista, que podia e DEVIA ter-se materializado em golos. Golos, senhores jogadores, o objectivo final (único!) deste belo jogo. Mas não. Mais uma vez, desperdiçamos uma mão quase cheia de grandes oportunidades, com culpas repartidas entre a falta de sorte, a aselhice e Rui Patrício.

A cinco minutos do intervalo, nova quebra, tipo "ok, já queimámos todo o combustível que tínhamos para esta metade, agora há que aguardar pelo refill. Só que o adversário não estava propriamente de acordo e tratou de incomodar Casillas como nunca o havia feito até então.

Um nulo frustrante em tempo de descanso, uma vez mais, como um daqueles filmes em que já sabemos as deixas antes mesmo de os actores as dizerem, de tantas vezes o termos visto. Enfim, sobrava ainda outra parte.


Catarina Morais / Kapta +

Estranhamente, a equipa regressou menos afoita e outra vez baralhada, com muita dificuldade em soltar a bola no momento certo e para o companheiro melhor posicionado. Já o Sporting, tentou finalmente fazer pela vida, de tão pequenina que tinha sido a sua confrangedora exibição em 80% do primeiro tempo. Não fez grande coisa, é certo, mas o suficiente para incomodar e criar desconforto nos nossos, impedindo aquele assalto avassalador por que se aguardava.

Voltamos à carga e à posição dominante na partida, mas sem nenhum tipo de supremacia evidente e palpável. Em minha opinião, houve uma série de equívocos e limitações de SC que muito contribuíram para essa desorientação. Tardou uma eternidade a tirar do jogo o perfeitamente inócuo Brahimi, não pode mandar o errático Herrera às malvas por falta de alternativa (wishful thinking da minha parte, eu sei) e voltou a demorar a reagir aos reajustes do adversário - ou simplesmente não quis saber.

Foi com o jogo repartido que chegámos ao muito ansiado golo. Soares respondeu com uma cabeçada imperial a um cruzamento teleguiado de Sérgio Oliveira, após um mau alívio de um defesa contrário, dando finalmente alguma justiça ao domínio acumulado ao longo da partida (boa parte dele trazido do primeiro tempo, conforme já referido).

Ansiedade é mesmo a palavra que melhor (ou mais intensamente) caracterizou a nossa postura neste jogo. Sentiu-se demasiada pressa, excessivo sentido de urgência em cada lance, em cada passe, em cada remate. Que é de certa forma compreensível, dado o histórico recente, mas convém trabalhar sobre esse estado de alma durante a semana.

Na ressaca do golo, ainda houve espaço para uma fugaz tentativa de chegar ao segundo, mas não demorou até que o modo "mais vale um na mão" tomasse de vez conta da psique dos azuisebrancos. Por oposição (e agradecendo a nossa candura), o Sporting tentou tudo para empatar a partir dos 85 minutos (típico de equipa pequena, evidentemente) e quase o conseguia, não fosse a inépcia dos seus muito semelhante à nossa em momentos anteriores. E à galhardia com que fomos bloqueando cada tentativa, acrescente-se também.

Resultado curto que nada decide, mas nos deixa em vantagem para o segundo jogo. Daqui a duas eternidades. Até lá, temos muito mais com que nos entreter, incluindo nova visita do adversário de hoje.





Notas DPcA 


Dia de jogo: 07/02/2018, 20h15, Estádio do Dragão, FC Porto - Sporting CP (1-0)


Casillas (6): Uma boa defesa a acabar a primeira parte e mais um par de intervenções "acessíveis", ligeiramente tingidas por aquelas precipitações com os pés.

Ricardo (8): Grande, grande joga deste senhor, seguramente uma das melhores da temporada. Fez o corredor inteiro uma quantidade infindável de vezes, passando pelos adversários como se de paraplégicos se tratassem. Confiante e inspirado, fez tudo para que no final a vantagem fosse bem mais confortável. Cometeu um pecadillo mesmo a acabar (que o poderia ter mandado directamente para o inferno, é verdade), mas que feliz e merecidamente não resultou em dano significativo.

Alex Telles (7): Menos exuberante que o companheiro do lado oposto, mas igualmente bem no jogo, dentro do seu alto nível habitual, embora mais colado ao limite inferior desse intervalo de qualidade garantida.

Reyes (6): Ele tenta, ele esforça-se, ele luta, até talvez dê tudo o que pode. Só que... nem sempre chega. Há nele uma lentidão natural que o atraiçoa a cada passo. Uma certa displicência (tipo 1/100000 da de Herrera) que lhe complica a vida - e a nossa. Não sei se é defeito, feitio ou algo ainda "moldável", mas não estou confiante.

Felipe (7): Outra grande exibição, claramente merecedora da nota 8, por tudo o que fez com a bola em jogo. Seguro, bem a antecipar-se e a dobrar e até (pasmo-me) a colocar a bola na frente com algum critério. Infelizmente, ainda não aprendeu a lição nem a controlar os seus piores ímpetos e foi por sorte que não nos deixou a jogar com dez, após ter reagido mal à "cacetada" que o charrado lhe deu quando simulou abaixar-se para apanhar a bola.

Melhor em Campo Sérgio Oliveira (8): Outro jogo de muito bom nível, ligeiramente abaixo do anterior em termos de exuberância e omnipresença, mas seria expectável que assim fosse porque (em teoria) o de Lisboa é mais forte que o de Braga. Ainda assim, decisivo na missão de dar ordem e sentido ao jogo da equipa e na de aglutinação dos "meios humanos" à sua disposição na construção de um bloco defensivo coeso e solidário. Decisiva foi também a sua assistência para o golo solitário, que poderia ter tido um "irmão mais velho" se a bola não decidisse espatifar-se caprichosamente no poste de Rui Patrício. E foi esse extra "decisório" que me levou a distingui-lo sobre Ricardo como o melhor em campo.

Catarina Morais / Kapta +

Herrera (5): Não adianta, cada tiro (leia-se passe), cada melro (leia-se bola para o quintal do vizinho da frente, ou a partir o vidro da vizinha do lado, ou para o adversário). É isto o verdadeiro Errera, não adianta continuar a enganar-me com os pequenos períodos de lucidez. A defender não esteve mal, foi evidentemente importante pela "escassez de pessoal na zona", mas nem por isso foi brilhante. Longe disso. À noite, quando ninguém me ouve, já sonho alto com a dupla Danilo - Sérgio Oliveira.

< 71' Corona (7): Sem ser brilhante, conseguiu imprimir um bom ritmo em alguns períodos do jogo, em especial na segunda parte, criando ou ajudando a criar desequilíbrios na defesa adversária. Entre outros, lembro-me, ainda no primeiro tempo, da quase-assistência para Brahimi e do passe magistral que isolou Herrera na cara de RP, por pena, cruelmente desperdiçada pelo compatriota. Um dos seus melhores desempenhos da temporada, o que também diz bem de quão medíocre tem sido.

< 80' Brahimi (4): Vou tentar ser meigo: uma perfeita nulidade, do primeiro ao seu último minuto em campo. Há dias assim (em especial quando se aproxima a Champions...), e a culpa maior foi mesmo de quem tinha a responsabilidade de o retirar do jogo bem antes.

Marega (6): Melhor que nos dois últimos jogos, deu muito trabalho e dores musculares a quem, em azar, teve a missão de o marcar. O charrado, os centrais, um e outro médio, todos sentiram no lombo o cimento de que é feito. Já com a bola no pé é que a coisa foi menos objectiva, mas foi porfiando à sua maneira. Ainda não deu para dar o título à crónica "Mete o Marega", mas ainda não perdi a esperança.

< 83' Soares (7): Marcou o golo que decidiu o jogo, o que seria sempre relevante, mesmo tendo desperdiçado um par deles antes disso. Mas fez bem mais, foi importante nos duelos aéreos e na preparação da conquista das segundas bolas, e individualmente ganhou muitos lances. Ainda bem que a sua ausência do último jogo foi apenas uma coincidência... 

> 71' Otávio (6): Um regresso pouco esperado, que não aqueceu nem arrefeceu. Serviu para que o objectivo primordial fosse alcançado, mas na verdade não acrescentou grande coisa ao jogo da equipa.

> 81' Hernáni (4): Mais uma confirmação... de que não tem andamento para este nível. Pode ter muito talento a jogar sozinho, nos treinos e na praia, mas futebol de onze no Porto... não creio. Jogador que não é capaz de controlar a ansiedade, uma e outra vez, quando tem vários companheiros isolados e não resiste a desperdiçar a jogada em vãs tentativas individualistas. Ou então trate-se de arranjar-lhe um transplante cerebral. Com o que tem hoje, não vai lá. Lamentavelmente.

> 83' Gonçalo (-): Sem tempo para nada, nem sequer um toque de classe, porque chegou na altura em que o adversário se lembrou que também podia tentar fazer golos.

Sérgio Conceição (5): Não gostei, Sérgio. Sei que estou a ser injusto, porque vencemos sem sofrer golos, mas não gostei e injusto serei. Seria capaz de encaixar as dificuldades que a equipa teve para se adaptar à "não-surpresa" de JJ e à habitual falta de eficácia, mas não consigo entender como é que Brahimi, hoje um verdadeiro peso-morto, se arrastou em campo durante uns infindáveis oitenta minutos. Saiu o pobre do Corona, na altura em que estava melhor no jogo, para deixar o Yacine naquela pastelice desmesurada. Não entendo, mesmo. Já para não falar de Herrera, que provavelmente não tomou uma boa decisão com a bola no pé em todo o jogo - mas pronto, entendo que precisávamos dele para o momento defensivo, onde aliás voltou a não estar propriamente mal. No final da noite, foi tudo contentinho para casa, menos eu. Antes isso.



Outros Intervenientes:



Pela terceira vez esta temporada, o Sporting submeteu-se voluntariamente ao Porto. Talvez por JJ reconhecer a nossa superioridade, talvez por inépcia do treinador, mas o que é facto é que fomos outra vez melhores e finalmente vencemos como já merecíamos. Perante tanta mediocridade, só mesmo Gélson sobressaiu. É um verdadeiro talento, que só precisa de sair depressa para um clube grande para se poder tornar num valor de classe mundial.


Quanto a João Pinheiro e sus muchachos, menos mal. Sem ter revisto o jogo ou sequer os eventuais casos mais polémicos, no estádio ficou-me a sensação que, apesar dos muitos pequenos erros, interrupções a mais e cartões a menos, no global não influenciou o desfecho final. O maior pecado foi mesmo o de não exibir vermelho directo a Acuña, em vez do segundo amarelo. Se houver motivo para tal, cá voltarei para emendar a mão.


Catarina Morais / Kapta +


E agora, Chaves. Muito mais importante do que este jogo de hoje, que ninguém duvide. É no jogo de Chaves que ninguém admite outro resultado que não seja vencer. Convençam-se disso, meus meninos. Não pode haver mais baldas, sob pena de acabarem por chumbar no final do ano. Toca a estudar a lição com afinco, que jogos de Taça não ganham campeonatos.



Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco




domingo, 19 de novembro de 2017

Um Pouco Mais de Azul


Ufa... estava a ver que íamos ficar outra vez precocemente pelo caminho na Taça de Portugal. O excelente comportamento do Portimonense teve muito a ver com isso, há que o dizer sem rodeios, mas a nós faltou-nos mais intensidade e concentração para colocar o jogo fora do alcance do adversário antes da ansiada descontração (leia-se poupança para Istambul).


Empate salvador já nos descontos? Não chega! (foto Catarina Morais/Kapta +)

O golo inaugural chegou madrugador, mas não foi por isso que parámos de tentar. Tivemos a seguir um par de boas oportunidades para ampliar e colocar o marcador mais longe dos algarvios. Não o tendo conseguido, acabámos por relaxar ao fim de uns muito razoáveis 20/25 minutos. Acto contínuo, o Portimonense conseguiu chegar ao empate, num lance de ressaltos e falhas colectivas de marcação (após a perda de bola infantil de Ricardo, que, no entanto, recuperou a posição a tempo de evitar um mal maior apenas por sua culpa).

Até ao intervalo, pouco mais. No regresso do balneário, orelhas em brasa e nova busca do golo. Mais um par de possibilidades, mas nada. Quem não se fez rogado foi Pedro Sá, que marcou um golaço à entrada da área do regressado mas impotente Casillas. De repente, estávamos a perder e já só sobravam vinte minutos para recuperar. 

Parecia mais do que suficiente quando o golo entrou, mas, a cada nova tentativa frustrada, a preocupação foi crescendo em todos os que sofrem pela azulebranca. O momento da inflexão foi-nos oferecido por um adversário, o imprudente Felipe Macedo, que recebeu bem o segundo amarelo após travar Danilo num lance que ameaçava ser perigoso. 

A partir daí, Vitor Oliveira concentrou-se em fechar as trancas da porta e nós em rebentá-las. Só que não foi fácil. Ao ponto de na placa do tempo de compensação serem mostrados sete minutos e o resultado se manter em 1-2. Foi preciso esse último alerta para que Alex Telles descobrisse uma rota de fuga para Aboubakar, que na cara do Carlos Henriques, não falhou. Explosão de alívio no Dragão e mentalização para mais trinta abençoados minutos de futebol. Só que não...

Abou deu o mote, ao correr para agarrar a bola e devolvê-la ao centro do grande círculo, quase sem festejar o saborosíssimo empate. Não, era ainda tempo de tentar acabar logo ali com o jogo. Dito e feito: o estreante André Pereira serviu muito bem o mesmo Abou, que... sem querer, deixou a bola passar por baixo do seu pé, o que permitiu a Brahimi aparecer solto no um-para-um com o desamparado redes e selar a passagem à próxima eliminatória. Ufa... 

Terá de ter servido de sério aviso para todos: os jogos são para resolver primeiro e descansar depois, não se pode inverter a ordem. No entanto, serviu também para demonstrar a enorme crença que esta equipa tem, seja sob que circunstâncias for. É daquelas que nenhum adversário pode desconsiderar, sob pena de se ter um dissabor a qualquer momento. E é muito por isto que acredito que esta vai ser uma época à Porto e do Porto. Do meu bom, velho Porto, agora navegando sobre um irredutível Mar Azul.





Notas DPcA 


Dia de jogo: 17/11/2017, 20h30, Estádio do Dragão, FC Porto - Portimonense SC (3-2)


Casillas (6): Regresso (para mim) inesperado mas correspondido com firmeza. Sem responsabilidades nos golos, teve intervenções seguras e procurou liderar a partir da baliza.

Ricardo (7): Muitos momentos bons e alguns de menor concentração, com destaque para o lance que depois acabou por resultar no primeiro golo sofrido. Globalmente, bastante bem.

Melhor em Campo Alex Telles (8): O jogador mais decisivo do encontro, em minha opinião, mesmo sem ter feito nenhum golo. Marcou o canto para o primeiro e inventou uma desmarcação a meias com Abou para o fundamental golo do empate, já a terminar.

Marcano (6): Regular, com algumas hesitações pouco habituais.

Felipe (6): Um bocadinho melhor do que nas últimas partidas, mas sempre com aquela garra que neste jogo era mesmo fundamental.

Danilo (7): Marcou e quase bisava, mas fora isso, foi igualmente importante no desenrolar da partida. Está felizmente a recuperar o seu nível, pelo que a equipa só tem de agradecer e aproveitar.

Óliver (6): Foi notória a vontade de querer mostrar o muito que tem para dar, mas o que melhor lhe saiu foram as recuperações de bola. E nós sabemos que é melhor a construir do que a destruir. Ansiedad...

Catarina Morais / Kapta +

< 70' André André (6): Outro arranque de jogo com pouca intensidade e até utilidade, razoavelmente rectificada à medida que o relógio avançava. Mas tem de fazer mais.

< 77' Corona (6): Procurou ser o elemento desequilibrador que sabe poder ser, mas quase nunca foi consequente. Trabalhou muito para a equipa, mas também dele se espera mais arte ofensiva do que afinco defensivo.

Aboubakar (7): Faro de golo na desmarcação e eficácia (pouco habitual) na altura decisiva. Tudo o resto também foi bom e importante, mas nada que se compare com o momento do jogo.

< 54' Hernani (5): Se não foi a última oportunidade, não deve andar longe. Precisava de um lance que o libertasse de toda aquela pressão de quem sabe que tem de mostrar serviço antes que o tempo se esfume pelos seus dedos. Infelizmente, ainda não foi desta.

> 54' Brahimi (8): Fundamental para a reviravolta final, ainda que tenha entrado com o marcador empatado a um. Fez o que faz melhor e no último momento não perdoou. É o que se lhe pede.

> 70' André Pereira (7): A surpresa da convocatória... e das substituições. Correspondeu da melhor maneira, isto é, procurou jogar simples e bem, ao invés de querer mostrar o repertório todo de uma vez só. Deu até a sensação de já jogar na equipa há muito tempo, tal o "à vontade" e a boa ligação aos companheiros. Por felicidade, ficou ainda umbilicalmente ligado ao golo da vitória. Boa estreia, mesmo se for a única durante uns tempos largos.

> 77' Layún (6): Entrou bem, acrescentou experiência, garra e qualidade ao assalto final. Assim, sim, pode ser opção.

Sérgio Conceição (6): Ao contrário do que tem sido habitual, estive muito de acordo com a equipa escolhida e com as mudanças operadas ao longo do jogo. Houve momentos em que a equipa baixou um pouco a guarda, o que não deveria acontecer, em especial antes de o jogo estar definitivamente resolvido. No entanto, aquela recuperação final tem muito dedo deste treinador, aliás o primeiro pensamento que me ocorreu após o apito final foi o de que nos últimos anos, jamais teríamos tido a crença para ir atrás do prejuízo até ao final.






Outros Intervenientes:



Mais uma bela exibição deste Portimonense de Vitor Oliveira. É das poucas equipas que dá gosto ver jogar no nosso campeonato e até torcer por ela. Ofensivamente, são um regalo de ver e uma chatice de jogar contra. São vários os bons valores que formam o conjunto, mas o destaque - neste e em vários outros jogos - recai sobre o pequeno japonês Nakajima. Insisto que seria acertado trazê-lo para o Dragão, a ver no que dava...

Sobre a arbitragem de Soares Dias & Companhia, tão ridiculamente contestada pelos sem-vergonha do costume, creio que esteve globalmente acertado. Foram muitas as demonstrações de desagrado e impaciência das bancadas, mas sinceramente parece-me que foi mais o fruto da época do que algo sustentável. Teve os seus erros, mas nada muito relevante. 

A excepção poderá ter sido o lance de que Vitor Oliveira se queixa, mas eu acho que decidiu bem. Foi uma entrada imprudente de Alex Telles, sem dúvida, mas enquanto disputava a bola com outro jogador que não o que foi atingido. Além disso, nas repetições é bem visível a falta de "força" no contacto, o que revela não haver intencionalidade de magoar. Admito, ainda assim, que havia margem para o árbitro decidir de ambas as maneiras, apenas amarelo ou vermelho. Esta última, em minha opinião, seria excessivamente rigorosa.

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Taça (bem) arrumada, apesar do susto, venha de lá o bicho papão turco. Não, não é, mas foi a equipa que mais dificuldades nos causou até agora. E também por isso, vai ser bom para avaliar o quanto crescemos desde o primeiro embate. Lá estarei, se tudo correr bem. Até lá!



Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco




terça-feira, 14 de novembro de 2017

Onde Está a Bola? #53


Está quase a chegar ao fim a seca de FC Porto... é já na próxima sexta 17 que a alegria e a emoção regressam ao Dragão, desta vez num jogo da Taça de Portugal contra o Portimonense SC. Conforme prometido, regressa também o Onde Está a Bola? (OEaB?) com o habitual bilhete duplo para presentear o leitor mais perspicaz e afortunado.


Relembro uma última vez que este ano se podem candidatar à Edição Especial apenas através do envio das vossas selfies no Dragão para lapisazulebranco@gmail.com

Vamos à edição #53!


OEaB? #53 - Portimonense (clicar para ampliar)


Respostas possíveis #53 (Portimonense):

A - Bola Azul
B - Bola Castanha 
C - Bola Laranja 
D - Bola Púrpura
E - Não há nenhuma bola escondida 


Já descobriu? Então deixe o seu palpite na caixa de comentários, tendo em atenção as seguintes regras de participação:


1 - Escrever a resposta que considera acertada na caixa de comentários deste post, indicando igualmente um nome e um email válido para contacto em caso de vitória.

2 - Entre os que acertarem, serão sorteados os vencedores através da app Lucky Raffle (iOS).

3 - Para ser elegível para receber os bilhetes, deverá fazer o obséquio de:

   a) Comprometer-se a enviar-me duas ou mais fotos da sua ida ao estádio (pelo menos uma selfie) nas 48h seguintes ao jogo, acompanhadas da resposta à pergunta "Como foi a sua ida ao Estádio?" (duas frases bastam, desde que venham do fundo da Alma Portista...);

   b) Registar e confirmar o seu email (nas "Cartas de Amor", na lateral direita do blogue);

   c) Seguir o FB e o Twitter do DPcA (basta clicar nos links e "gostar" ou "seguir"). 
   Quem não tiver conta nesta(s) rede(s) não será excluído, mas... cuidado porque o Lápis vai investigar :-)

4 - Apenas será aceite uma participação (a primeira) por cada email válido.

5 - Cumpridos todos os critérios, o vencedor sorteado será contactado através de um email onde encontrará instruções sobre como e quando levantar os bilhetes.

6 - Se já tiver Dragon Seat ou outro tipo de acesso, poderá oferecê-los a um amigo ou familiar que não tenha a mesma sorte.

7 - A edição #53 deste passatempo termina às 23h00 de 16 de Novembro e o vencedor (a quem será enviado um email logo após o sorteio) terá de reclamar o seu prémio até às 11h00 de dia 17.

8 - Se o vencedor não reclamar o prémio até à data e hora referidas no ponto anterior, será contactado o primeiro suplente. Se o primeiro suplente não reclamar o prémio até ao prazo limite indicado no email de contacto, será contacto o segundo suplente (e assim sucessivamente até que um sorteado reclame o prémio).

9 - A edição especial anual do passatempo tem um novo critério: o da melhor selfie. Todos os vencedores de edições anteriores ficarão automaticamente habilitados. Mas não só: todos os concorrentes de todas as edições podem participar, desde que também enviem as suas selfies no Dragão em dia de jogo (email para envio das fotos: lapisazulebranco@gmail.com )

E é só! Concorra e divulgue, queremos o Dragão sempre cheio de Portistas! 


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Falta apenas encerrar as contas da edição anterior, a #52.


#52 - RB Leipzig

 

Resposta certa: D - Bola Púrpura

 

Vencedor: Delfim Ferreira!



Primeiro, a comparação entre imagem original e modificada.



Agora, os habilitados ao sorteio e respectivo vencedor.



Por fim, a compilação das fotos enviadas pelo Delfim e as suas "duas linhas" sobre esta ida ao magnífico Dragão:  


"Inesquecível! 

Uma vitória conseguida através das características que puseram o FCPorto no topo do mundo: raça, paixão, entreajuda, entrega, rigor e competência.

Impossível ficar indiferente ao ambiente do Dragão. A comunhão entre os adeptos e a equipa é fantástica e melhora a cada jogo.

Resta-me agradecer a oportunidade e desejar todo o sucesso para o blogue."


Agradecido, caro Delfim, volte sempre!



Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco




sábado, 14 de outubro de 2017

Um Mundo de Diferença


Começou tranquila e generosa a nossa participação na Taça de Portugal. O adversário, um brioso, histórico, mas agora amador Lusitano Ginásio Clube "de Évora" é de uma outra realidade, a um mundo inteiro de distância, pelo que o desfecho da eliminatória nunca poderia estar verdadeiramente em causa.

Bruno de Carvalho / Kapta+

"Nunca poderia" desde que treinadores e jogadores abordassem o jogo com a indispensável seriedade. E assim foi. Confesso até que senti um extrazinho de orgulho ao ver como, genericamente, todos se comportaram durante os noventa minutos.
A abordagem de Sérgio Conceição foi a que considero sempre a mais indicada: uma mistura equilibrada de jogadores pouco ou nada utilizados com titulares. Faz-me muita confusão quando treinadores mudam por completo o onze em partidas oficiais onde há um troféu em disputa, por mais fraco que aparente ser o adversário. É que onze jogadores sem "entrosamento" são só onze jogadores, nunca uma verdadeira equipa. Bem, Sérgio.
Deu até para observar fenómenos raros, como o sorriso de Brahimi a partir do banco. Ele, que ajudou a decidir a eliminatória nos 45 minutos que esteve em campo, passou a segunda metade a experimentar a sensação de ser adjunto, sempre interessado e motivado com o que se ia passando em campo. Gostei. Pode ser que ele também.

O resultado final serve de amostra ao tanto que separa as duas equipas e o Lusitano deve sentir-se feliz pela oportunidade e desempenho. Quanto a nós, missão bem cumprida. Siga para Leipzig.


Notas DPcA 


Dia de jogo: 13/10/2017, 20h15, Estádio do Restelo, Lusitano GC - FC Porto (0-6)


Nota (7): Brahimi < 46', Aboubakar < 52', Marcano < 67'
Nota (6): José Sá, Reyes, André André, Óliver, Otávio, Ricardo 

Diogo Dalot (7): Claramente o segundo maior vencedor da noite, logo a seguir ao Clube. Aproveitou por completo a oportunidade, revelando uma maturidade fora do comum, e ainda mostrou versatilidade ao jogar (bem) em ambos os lados. Está pronto... ou parece estar.

Hernani (6): Na maior oportunidade que teve até ao momento, esforçou-se por não defraudar e mostrar que merece mesmo estar no plantel. Muita coisa não lhe saiu bem mas teve pelo menos o mérito de nunca baixar os braços. O prémio chegou já em cima do apito final, com um golo de "meio-escorpião", feliz mas vistoso. Dá para continuar a sonhar...

> 46' Galeno (6): Reforçou a ideia com que dele fiquei na pré-época, é uma mini-locomotiva (tipo Marega, mas com "volante") que arranca rumo à linha de fundo e não quer saber de mais nada. O que é uma chatice, porque a baliza só tem 9 metros e pico e está a meio dessa linha. Fez o seu golo, o que é sempre motivador, mas desperdiçou mais dois ou três. Não, não está pronto ainda.

> 52' Luizão (5): Possivelmente a exibição menos conseguida, denotando claro nervosismo nesta estreia às ordens de Sérgio Conceição. Não tenho visto as suas exibições na B, pelo que não sei do que já mostrou ser capaz, mas para este nível ainda não dá.

> 67' Jorge Fernandes (6): Aproveitou para mostrar pormenores, bons pormenores, como a facilidade de recepção e domínio da bola e sentido posicional. Não deu para muito mais, porque não havia quem o testasse a sério. A rever, certamente.

Sérgio Conceição (7): Fez tudo o que lhe competia, sem facilitar nem exagerar. Deu oportunidade a Bs e a As menos utilizados, ritmo a quem não esteve em compromissos internacionais e passou a eliminatória de forma clara. Também aqui, houve um mundo inteirinho de diferença face a vários dos seus antecessores.


Bruno de Carvalho / Kapta+


Segue-se importante desafio em Leipzig, onde teremos a possibilidade de dar metade de um passo gigantesco rumo ao apuramento, que seria a conquista de duas vitórias neste duplo confronto. Mas, um jogo de cada vez.

Vamos confiantes, pelo que temos vindo a fazer, mas sem esquecer o que aconteceu na estreia com o Besiktas. Easy does it.



Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco