Ora cá está uma crónica difícil de começar. Hum... pronto, ficamos assim. Até à próxima.
Esperem, tive uma ideia. Vou reler o que escrevi sobre a entrevista da semana passada, a ver se encontro o fio à meada.
Qualidade e Carácter. Tudo muito espremido e compactado, sobram estas duas palavras. Será que consigo abordar o jogo deste domingo através destas duas "lentes"?
Qualidade (qua·li·da·de) - substantivo feminino
(...)
2. Superioridade, excelência.
3. Aptidão, disposição feliz.
4. Talento, bons predicados.
5. Título, categoria.
3. Aptidão, disposição feliz.
4. Talento, bons predicados.
5. Título, categoria.
(...)
Já estamos mais do que conversados quanto ao desequilibro que caracteriza o plantel. Posições sobre-lotadas contrastam com outras de cacifos vazios. Gente que tem atributos para jogar de Dragão ao peito e gente que nem na segunda liga calçava.
No entanto, centrando o foco apenas sobre os 14 que jogaram hoje em Paços, não há dúvida que deveria chegar e sobrar para sair do jogo com uma boa vitória.
Não, não foi por falta de qualidade dos jogadores que perdemos.
Carácter ( ca·rác·ter |át| ou |áct|) - substantivo masculino
1. O que faz com que os entes ou objectos se distingam entre os outros da sua espécie.
2. Marca, cunho, impressão.
3. Propriedade.
4. Qualidade distintiva.
5. Índole, génio.
6. Firmeza.
7. Dignidade.
2. Marca, cunho, impressão.
3. Propriedade.
4. Qualidade distintiva.
5. Índole, génio.
6. Firmeza.
7. Dignidade.
Não, não nos faltou carácter hoje na capital do móvel.
Uma primeira parte agradável de assistir, com Sérgio e Corona em destaque, na qual desperdiçamos duas ou três oportunidades de marcar. O adversário mal se viu. A segunda começou menos bem e rapidamente piorou, uma vez que o Paços de Ferreira também quis jogar e nós - inexplicavelmente - deixamos no balneário o que de bom fizemos na primeira metade. O jogo passou a estar mais repartido e passou a ser jogado em todo o campo. Ainda assim, fizemos o suficiente para marcar e por mais do que uma vez.
No entanto, desde o início que vagueava discreta pelo campo a alma penada de um sacanita com o único intuito de nos tramar. Na primeira parte, não fossem os golos falhados e quase não se tinha dado por ele. Na segunda foi em crescendo, primeiro colocando macaquinhos nos sótãos azuis-e-brancos, depois em forma de cisco no olho do árbitro quando Suk foi claramente agarrado na área pacense, finalmente ao disferir o golpe fatal, aos 80 minutos, atordoando Layún e carregando o Paços ao colo até ao golo caído do céu. Mas nem por isso sossegou; até ao final, ainda soprou 2 ou 3 vezes aos ouvidos de Defendi para que o guarda-redes "adivinhasse" onde teria que estar para defender aquelas bolas.
E a quem pertenceu em vida esta alma penada? A Edward Murphy, obviamente. Não sabem quem é? Imagino que não, mas certamente conhecem aquele adágio que ficou conhecido como sendo a sua lei:
"Qualquer coisa que possa correr mal, correrá mal, no pior momento possível" (tradução livre)
É assim mesmo que resumo este jogo. Por esta altura, nada nos sai bem. Tudo o que pode correr mal, corre. Entrevistas e frases fortes podem motivar e responsabilizar, mas não fazem uma equipa começar a funcionar num par de dias. E quando o treinador e o árbitro complicam, mais difícil se torna.
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| "Vá, ponham-me os pregos..." |
Notas DPcA:
Dia de jogo: 10/Abr/2016, 18h15, Estádio Capital do Móvel. FC Paços Ferreira - FCPorto (1-0).
Casillas (6): Sem possibilidades de intervir no lance do golo. E de resto, tudo normal.
Maxi (5): Teve algumas falhas no passe que poderiam ter sido complicadas (mas não foram). No essencial, procurou ajudar a assaltar a baliza adversária e quase marcava.
Maxi (5): Teve algumas falhas no passe que poderiam ter sido complicadas (mas não foram). No essencial, procurou ajudar a assaltar a baliza adversária e quase marcava.
< 86' Layún (5): Menos activo que Maxi e marcado pela falha da qual acabou por resultar o golo. Teria sido apenas uma falha normal, não fosse o desfecho atroz. Se a substituição foi castigo, não o merecia.
Indi (6): Jogo medianíssimo, acabou por levar com (e desviar) a bola no golo.
< 76' Chidozie (6): Continua a alternar abordagens seguras com hesitações comprometedoras. Tem que ser trabalhado, antes que seja proscrito.
Danilo (6): Menos exuberante do que habitualmente, mas ainda assim bem. É este o meu capitão para 2016/17.
Sérgio (7): Sem deslumbrar, foi o melhor da equipa, o único que parece ter futebol, aquele autêntico e imprevisível, nos pés. Tem coisas por corrigir e que ainda o vão impedindo de se tornar num grande jogador. Mas pode lá chegar.
Herrera (6): Exibição positiva. Não se pode esperar que faça passes de génio ou que tenha rasgos individuais, mas dentro do que pode dar esteve bem. Muito trabalho posicional e as desmarcações que o caracterizam.
Varela (5): O joker de Peseiro para este jogo que infelizmente acabou por não resultar. Não esteve especialmente mal, mas também não acrescentou nada de muito relevante ao jogo.
< 45' Corona (6): Boa exibição, como já não lhe via há bastante tempo, precocemente terminada ao intervalo. A sua saída foi para mim o maior mistério desta partida.
Suk (5): O homem correr, luta, bate, corre, luta, bate, corre, luta e bate tanto que até cansa. Infelizmente não chega para ser jogador do Porto. Até porque de tanta bravura os árbitros abdicam de marcar faltas sobre ele...
> 45' Brahimi (5): Seria o joker do segundo tempo, que entraria para resolver. Assim terá imaginado Peseiro. Não foi. E, coincidência ou não, esteve em campo nos piores 45 minutos. Cereja no topo do bolo, ainda se conseguiu excluir do jogo com o Nacional.
> 76' André Silva (5): Teve no pé o empate e o tão ambicionado momento de glória na equipa principal. Mas ainda não foi desta. Um dia será, não desesperes (que nós... também não! Dragon Ball, Z Z Z...).
> 76' André Silva (5): Teve no pé o empate e o tão ambicionado momento de glória na equipa principal. Mas ainda não foi desta. Um dia será, não desesperes (que nós... também não! Dragon Ball, Z Z Z...).
> 86' Ángel (-): Sem tempo de jogo suficiente para ser avaliado (wtf??).
Peseiro (4):
Mais uma vitória moral, daquelas que correspondem a derrotas reais. Não ponho em causa as suas opções iniciais - seria sempre importante mudar após a derrota em casa e a entrevista do presidente, mas questiono a saída de Corona ao intervalo que - coincidência ou não - se traduziu numa quebra significativa de rendimento da equipa. E questiono também a saída de Layún. Se foi para o castigar, foi uma parvoíce. E depois, questiono quem escolheu para entrar - aos '86 e a perder: porquê (glup) Ángel e não Marega?
Outros intervenientes:
Mais uma vez Diogo Jota demonstrou estar a mais no Paços de Ferreira, tal é o potencial que exibe. Quem surpreendeu foi Defendi que, fazendo jus ao nome, defendeu tudo e um par de botas. Sobre o idiota do treinador, recuso-me a falar (sofro das costas, custa-me baixar).
Quanto a Fábio Veríssimo e sus muchachos, o erro capital foi não marcar o penálti sobre Suk. Obviamente com influência no resultado final, mais uma vez em nosso desfavor. Mas não o vou crucificar por isso, falhou gravosamente nesse lance, é verdade, mas demonstra qualidade para apitar. Desde que não se deixe atrair pelo lado negro, obviamente.
Há dias assim. Pior, há semanas, meses, épocas assim. Fazer o quê, desistir? Nope, resistir, insistir e voltar a vencer. Para o ano.
Do Porto com Amor
P.S. - A Rodolfo Reis, sugiro que guarde a sua pena para quem precisar dela (ainda que não seja fácil de imaginar quem poderia estar assim tão desesperado). Pena tenho eu de quem se vende por um prato de lentilhas.

