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domingo, 26 de agosto de 2018

A Conspiração dos Sérgios


Eu sabia. Eu sabia que tinha de haver outra razão para lá da merecida preguiça de férias para ter decidido adiar a crónica do jogo do Jamor e condensá-la na do jogo de hoje no Dragão. Eu sabia.




Isto de ser doentinho pelo Clube, antecipando a descida rumo ao paraíso só para parar a meio, no inferno, e ver o jogo do Porto, tem que se lhe diga. Fui, vi, sofri, injuriei e finalmente - sem saber bem como - festejei aliviado. Ainda não era dessa - à segunda jornada - que iríamos desperdiçar pontos, o que somado ao facto de se tratar de uma deslocação que se tem tornado complicada, poderia dar alento e aumentar a crença de que devagar, devagarinho, lá íamos indo. Só que...

Só que, o que se passou no Jamor - corrijo, o que eu vi no Jamor - foi pouco menos do que assustador. A equipa escolhida do plantel campeão nacional, descontando dois ou três titulares essenciais desbaratados sem eira nem beira, teve um comportamento muito preocupante para o muito que se segue. 

Mesmo com a sorte do jogo a soprar na nossa direcção, fomos incapazes de guardar uma confortável vantagem de dois golos, fruto de uma gritante incapacidade de controlar a bola e o jogo rápido do adversário (um bom adversário, diga-se, mas a lutar por uma época tranquila e pouco mais). O lance do segundo golo (estou ainda no Belenenses-Porto, ok?) é simplesmente uma inadmissível sequência de erros grosseiros, individuais mas também colectivo e sintomática de uma equipa à deriva, sem confiança no seu plano de jogo.

Como sabemos, no final tudo acabou em bem. O VAR deu-nos um penálti, da mesma maneira que tinha dado um ao adversário, e Telles teve a classe necessária para marcar o golo da vitória. Os três pontos foram para o Dragão, mas o amargo de boca ficou. 




Fast-forward para esta noite desconcertada no Dragão, frente ao até então sem-pontos Vitória de Guimarães. Em teoria, um adversário na mó de baixo, presa ideal para mais uma festança em família com a casa cheia. Mesmo onze da semana passada (...) e vamos a isso. 

Uma primeira parte sem grandes coisas para contar, para lá de um golaço de Brahimi e de um inacreditável erro da arbitragem ao validar o segundo golo ao estreante André Pereira, claramente em fora-de-jogo. Sim que a equipa esteve longe de ser brilhante, mas nem assim encontro respaldo para as "francas" declarações do treinador no final, ao carregar na tecla de que já na primeira parte as coisas não tinham estado bem. Não tinham, é certo, mas em que primeira parte desta época já estiveram? Houve assim uma quebra tão acentuada face as anteriores para merecer esse destaque? Não creio.

Quem assistiu, de forma privilegiada como Sérgio Conceição o fez, à segunda parte tenebrosa da sua equipa, só tem é de relevar o que aconteceu na primeira. O descalabro começou na burrice infantil de outro Sérgio, o Oliveira, que tal como na jornada passada, foi de longe o pior em campo e nem assim o treinador teve a inteligência de o mandar tomar banho mais cedo (muito mais cedo). Sim que as lesões alteraram os planos, mas mesmo ANTES delas já se justificava a "expulsão" do médio - demasiado fraco para jogar (para ser convocado) no Porto nesta forma actual. 

Acreditem ou não, uns 10 segundos antes da burrice que deu o penálti e consequente 2-1, já eu pensava para mim mesmo que ia dar asneira da grossa. É que não é preciso muito mais que dois olhos e uns anitos a ver futebol para o intuir. E já vinha do Jamor, insisto. Num meio-campo assente em apenas dois jogadores (Otávio é um "extra", não vem de "série"), quando um deles simplesmente não rende, tudo se tende a desmoronar.

[Para quem não me lê há pelo menos uma época, esclareço que sou um dos "fãs" de Sérgio Oliveira, um dos poucos que nunca deixaram de acreditar que ainda poderia "dar jogador", como tal sinto-me perfeitamente à vontade para agora escrever o que escrevo]

Compreendo, até certo ponto, o dilema do treinador, quando olha para o banco e não vê nem um jogador com o "perfil" adequado para substituir Oliveira e pedir-lhe que assuma as mesmas tarefas; mas caramba, há um limite que se traça quando o "original" passa a comprometer a equipa lance após lance defensivo: aí, não tendo cão, é mesmo preciso ir ao saco de gatos e confiar que um deles acabará a latir.




Os outros dois golos sofridos foram exemplos do descontrolo e da desorganização que reinava na equipa. Vários erros individuais nas marcações e no posicionamento, dificuldade em reagir, incapacidade para deter a bola e/ou os adversários. Como se explica isto, em jogadores com a experiência de Maxi (falhou hoje e no Jamor)? Ou Felipe, que desde que soube que ia à Canarinha só tem metido água? Ou? Ou? Ou?... 

Claramente, a equipa não está bem. Hoje, mal saiu Brahimi, o nosso íman de estimação, a equipa encolheu-se e perdeu a direcção da baliza adversária. Não por o argelino ser peça-chave no jogo colectivo, mas precisamente por ser peça-chave (e quase única, por estes dias) para individualmente manter uma mão cheia de adversários em sentido permanente. Sabendo-se da Maregodependência da época passada e da actual correspondente "ressaca", perder também Brahimi parece resultar no esmigalhar completo da equipa, perdendo o sentido colectivo e a necessária coesão para um bom funcionamento.

E por mais voltas que se dê - algumas bem justificadas, como a ausência de reforços, dignos do nome, para no mínimo compensar as saídas - é mesmo a Sérgio Conceição que devemos pedir explicações. O que se passa com a equipa, dentro da equipa, que possa explicar estas duas exibições tão, mas tão fracas?

Mais, o que se passa com o próprio treinador, que no Jamor tão mal mexeu na equipa? Má leitura do jogo? Achar que não tem soluções melhores no banco para o que pretende? Difícil de descodificar. Inegáveis são os factos. Por duas vezes a ganhar por 2-0, deixámo-nos empatar já perto do final. Na primeira, conseguimos vencer. Nesta segunda, acabámos inapelavelmente derrotados.

Parece-me que há uma conspiração momentânea dos Sérgios, ou melhor, contra os Sérgios. Os astros, os administradores e os adversários, todos se conjugam em conluio para lhes tramar a vida. E os pobres, atraídos pela luz brilhante, acabam por lhes fazer a vontade. Deixam-se levar, perdem o Norte e acabam a decidir mal, dentro e fora das quatro linhas. 

A solução? O reequilíbrio. Parar para analisar e pensar. Reflectir. Concluir e depois fazer de acordo. Pode cair bem no goto do adepto aquela postura frontal e coisa e tal após a derrota, mas na verdade de pouco vale se a seguir não se for ao fundo das questões com o objectivo único de as resolver. 

Esta equipa joga pouco futebol. E quando não tem a bola, parece não saber o que fazer, o que ainda assusta mais. Acredito que esteja tudo relacionado, faz sentido que assim seja. Mas já é tempo de encontrar o caminho, outro caminho e de o percorrer. Antes que seja tarde demais. 

Em simultâneo, continuar "irredutível" a fazer ver à direcção que faltam jogadores de qualidade para várias posições. Mas ir fazendo pela vida com os que cá estão, just in case. Assim é muito pouco. Assim não chega.




Notas DPcA 

(por ordem cronológica)


Dia de jogo: 19/08/2018, 18h00, Estádio do Jamor, Belenenses SAD - FC Porto (2-3)


Nota (7)Alex Telles, Herrera 

Nota (6): Iker, Diogo Leite, Otávio (<73'), Brahimi (<81'), Aboubakar, André Pereira (<64') 

Nota (5): Maxi, Felipe, Óliver (>73'), Corona (>64')Hernáni (>81')

Nota (4): Sérgio Oliveira

Sérgio Conceição (5)

Ganhou, é um facto, mas foi por pura sorte. Foi um tal de Capela que o safou, que nos safou do empate, já em plenos descontos. Não se compreende como é que uma equipa que recebe uma oferta adversária e se apanha a vencer por dois logo no recomeço da segunda parte, se deixa depois voltar a empatar já perto do final. Um autêntico hara-kiri de que o treinador tem de ser o principal responsável. 

Não compreendi a "bondade" das duas últimas, não só pelos "nomes" mas pelos respectivos momentos que o jogo atravessava. Creio que cada uma delas contribuiu para agravar o estado da nossa equipa, sobretudo por subtrair Otávio e Brahimi ao jogo, mantendo o morto-vivo Oliveira nas quatro linhas. Algo vai mal na cabeça de Sérgio (ou na minha).


Outros Intervenientes:


Outro bom jogo deste Belenenses de Silas contra nós, nomeadamente na forma como alterou a equipa durante o jogo. Destaque natural para Fredy, mas houve mais quem desse nas vistas.

Vi o jogo apenas no estádio e poucas repetições dos lances críticos à posteriori, mas fico com a ideia de que houve uniformidade do VAR no critério das grandes penalidades. Não que sejam lances iguais, mas o princípio subjacente parece coerente. Na minha forma de ver futebol e interpretar as leis, não marcaria nenhum deles, o que também me sugere haver proximidade entre os dois lances. No restante, foi Xistra.






Dia de jogo: 25/08/2018, 21h00, Estádio do Dragão, FC Porto - Vitória SC (2-3)


Nota (7): Brahimi (<51')

Nota (6): Telles, Otávio, Herrera, Aboubakar (<62'), André Pereira 

Nota (5): Maxi, Diogo Leite, Felipe, Óliver (>74'), Marega (>62')

Nota (4): Sérgio Oliveira

Nota (-): Corona (>51') (<74')

Sérgio Conceição (4)

Mesmo filme, final diferente: desta vez foi de terror. Indo directo aos assuntos, porquê manter Oliveira em campo para lá dos 50 e poucos minutos, de tão flagrante que já era o seu desacerto e falta de pulmão? Porquê retirar Aboubakar do jogo, fosse a troca por quem fosse (sim, sofremos três golinhos desde a sua saída)? 

O que explica esta fragmentação da equipa nos últimos trinta minutos dos encontros? Questões físicas? Mentais? E por que motivo temos sido fustigados com tantas lesões musculares, desde a Supertaça até agora? Não haverá aqui um padrão de treino com urgência de revisão? Muitas perguntas sem resposta (conhecida). Veremos o que se segue.


Outros Intervenientes:


Não sou capaz de alinhar no discurso dos parabéns a este Vitória de Luís Castro, que pelo que vi pouco mais fez do que aproveitar as escassas ocasiões que teve e depois resistir com a ajuda de todos os santinhos. Teve a sorte do jogo, depois de ter sido severamente prejudicado num golo pela arbitragem ausente. Não lhes tiro o mérito da resiliência, mas não me atirem com "vitórias justas" porque não foi o caso. O empate era o mais correcto.

Gritante o erro da validação do segundo golo, o de André Pereira, que depois se veio a saber devido a não ter havido VAR durante meia-hora. Coisas do arco da federação, já se sabe. Uma vergonha. O suposto penálti sobre JCT seria forçadíssimo, houve contacto mas de "ponta com ponta", nada que o derrubasse, acho acertada a decisão. Outros lances não posso comentar, porque não pude rever ainda.

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O Twitter, ah o Twitter. Quem acha que não há nada pior do que uma derrota caseira, que experimente navegar pelo pássaro azul nos momentos subsequentes. É vê-los, aos baluartes do portismo, a disparar alarvidades de todo o feitio e em todas as direcções. O meu top 10, injusto pelos outros 10 que mereciam igualmente estar na lista, mas enfim, a vida é tramada:

1) Pronto, já vêm (ou veem, FJM?) os abutres, os portistas de merda, criticar logo à primeira oportunidade [medalha de ouro, every time]
2) Agora é que temos de estar todos juntos, somos todos importantes, mar azul, sieg heil
3) A SAD é que é uma merda
4) Não, o treinador é que é uma merda
5) Não, não, os jogadores é que não valem nada: menos o André André e o Tozé, que faltinha nos fazem
6) E os gajos que comem pipocas no estádio? A culpa é deles, claro. Mais dos que saem antes de acabar, traidores!
7) Grande Vitória, derrota justíssima (mesmo perante stats que escancaram o oposto)
8) Isto sem o Marega não vai lá!
9) #MeteOMarega (e o Óliver)
10) Isto nem com o Marega lá vai!

Enfim, já desabafei também. Vou regressar às minhas férias. 



Não vou, não, que isto não se evapora assim. Amanhã vou passar ainda mais tempo dentro do mar salgado, diz que desincha mais rápido. Depois confirmo.



Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco




terça-feira, 15 de maio de 2018

O Berço Que Embalou A Festa


Está encerrada a liga 17/18, com o Porto Campeão a sair de cena da melhor maneira, garantindo mais uma vitória e um recorde pontual da competição (partilhado... até ver) de 88 pontos. Foi um jogo disputado a um ritmo já de fim de época, pausado e com menos rasgos, mas que ainda assim teve alguns pontos de interesse.


Foto de Catarina Morais / Kapta +

Desde logo, as novidades no onze. Vaná teve a sua estreia e garantiu poder reclamar também para si o título de campeão, tal como Fabiano que o rendeu já perto do final. Ricardo e Sérgio Oliveira ficaram no banco a ver como se portavam os substitutos Maxi e Óliver, tal como Soares, que cedeu o seu lugar no onze ao Minguinhos Júnior, Gonçalo Paciência.

Para quem já tinha a época resolvida, foi "bonito" registar a determinação com que os jogadores encararam a partida, mesmo sem forçar por aí além, para garantir os últimos três pontos da temporada. 

Houve lances de perigo nas duas balizas, um par deles bem perigoso para Vaná, mas quem acabou por sorrir foi o homem que nunca raramente sorri - Iván Marcano - ao aproveitar de forma soberba mais um bom passe de Alex Telles. O cantábrico respondeu ao cruzamento com uma pujança assinalável, tendo em conta que quando cabeceou já se encontrava praticamente parado. Tratando-se com grande probabilidade do seu último jogo de dragão ao peito, foi uma despedida em beleza.


Foto de Catarina Morais / Kapta +

Notas DPcA 



Dia de jogo: 12/05/2018, 16h00, Estádio D. Afonso Henriques, Vitória SC - FC Porto (0-1)

Nota (8): Marcano

Nota (7): Alex Telles, Herrera 

Nota (6): Vaná (<80'), Maxi, Felipe, Óliver, Corona (<73'), Brahimi, Marega, Gonçalo (<53'), Soares (>53'), André André (>73'), Fabiano (>80')

Sérgio Conceição (8): Mesmo já campeão, o treinador não facilitou nem permitiu facilitismos, conseguindo motivar os jogadores para um último acto de esforço e seriedade. Conseguido isto, a vitória acabou por ser uma consequência normal e lógica, até porque do outro lado estava uma equipa sem grande motivação. Tudo bem feito, parabéns Sérgio.


Foto de Catarina Morais / Kapta +

 

Outros Intervenientes:



Vou usar este espaço dedicado ao Vitória, não para destacar jogadores ou treinadores, mas para lamentar a selvajaria que se passou nas imediações do estádio. É inconcebível que circulem livremente hordas de cobardes a agredir quem passa com uma cor adversária, apenas por usar uma cor adversária. Bem sei que a questão não se resume aos adeptos do Vitória, tal como sei que são dos mais "reconhecidos" por este tipo de acções. Sejam de que clube forem, são uns animais, selvagens e perigosos, e deveriam ser tratados como tal: A FERRO E FOGO.

Sobre a arbitragem de João Calabote Capela, nada a dizer - os jogadores facilitaram e o larápio não complicou. São os milagres que acontecem quando já tudo está decidido. 



Cumprida a última missão, era tempo de festejar, desta vez sem reservas nem comedimentos, porque desta vez é que era: a última, a oficial e a mais memorável de todas as celebrações da temporada.


Os Aliados pareceram demasiado pequenos para tantos e tantos milhares de Portistas, também eles bem cientes da sua última e saborosa "missão" da época: acarinhar e celebrar os novos heróis da nação invicta. Após 19 anos de mofo e restrições pacóvias, os nossos Aliados ficaram finalmente de cara e alma lavada após a passagem desse indomável Mar Azul. E que bonita foi a nossa festa!


Dentro da câmara municipal, fez-se finalmente justiça. Jorge Nuno Lima Pinto da Costa foi finalmente reconhecido pela edilidade como um dos seus mais notáveis filhos. E mais vale tarde do que nunca, especialmente quando o é ainda em vida do homenageado.




Não me esqueço, claro, que no próximo domingo estaremos ausentes do Jamor por culpa exclusivamente própria. E vai custar. Tal como muito do que não estava bem antes, não se resolveu por obra e graça deste título. Mas essas serão as contas finais da época, já a seguir no vosso blogue.

Começamos como outsiders, acabamos CAMPEÕES com mérito inquestionável! Venha de lá 2018/19... mas com juízo.



Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco




terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Yacine, O Mago Do Magreb


Foi assim que derrubamos as muralhas e conquistamos os que têm a fama de conquistadores. Não foi com força bruta, não foi com uma estratégia surpreendente, foi com magia negra. Africana e de várias tonalidades, para ser mais preciso.


foto original: Catarina Morais / Kapta +

O jogo começou com o Porto determinado em marcar cedo e colocar o Vitória em sentido. Criamos um par de boas situações e houve mais uma grande penalidade perdoada a um adversário nosso, logo ao minuto dez, desta vez sobre Marega (um agarrão claro e ostensivo). Mas ficariam mais por assinalar.

Perante a menor inspiração dos nossos e dos do apito e tele-apito, o jogo foi avançando e o Vitória, na primeira vez que se acercou da baliza de Sá, fez golo por Raphinha. Alguma passividade na lateral esquerda e mais ainda de Ricardo, que se deixou antecipar pelo brasileiro.

A perder aos 22 minutos, sem nenhuma das equipas saber bem como isso aconteceu. Já à de arbitragem que deslizava sobre o tapete do Dragão, aceito perfeitamente que não tenha conseguido descortinar o fora de jogo "milimétrico" de Raphinha. O que não entendo é por que motivo o VAR não analisou o lance com minúcia - eu fi-lo em poucos segundos e não tive dúvidas, mesmo sendo centimétrico. Para que serve o pacóvio na cabine, então? Para decidir de forma diferente em lances iguais, quando se trata de proteger os da segunda circular? Claramente que sim, é para isso que esta encomenda aVARiada serve.

Os nossos sentiram em demasia o golo sofrido e sentiram muitas dificuldades para se reorganizar, táctica e mentalmente, durante os mais de 25 minutos que ainda durou essa primeira metade. Nervosismo, precipitação, incoerência nas decisões, poucas coisas saíram bem nesse período. Pior do que ao Porto, só mesmo o que se passou com a já famosa equipa de arbitragem: mais dois penáltis perdoados - um para cada lado - e um claríssimo segundo amarelo por mostrar a Rafael Miranda - decisão inacreditável de Artur Soares Dias.

Confesso que estava apreensivo ao intervalo, pelo que não conseguimos jogar e pelo que arbitragem não quis assumir - o cumprimento das regras. Ao ver que o mesmo onze se mantinha, uma luzinha de esperança reacendeu-se, por sentir que havia um plano sólido que afinal não estava ainda abalado. 

O resto já é história. Entrada muito forte, com uma oportunidade logo nos primeiros segundos, que teve sequência alguns minutos depois e que finalmente foi coroada aos 57', com o inevitável Abou a finalizar muito bem após cruzamento atrasado de Corona. O Dragão voltou a acreditar com toda a força e a equipa nunca mais parou.

O momento do jogo e seguramente um dos do campeonato chegou cinco minutos depois, por obra e graça do Mago Magrebino, o homem da cabine telefónica, o reinventado argelino que dá pelo nome de Brahimi. Recebeu a bola de Telles já dentro da área, entrou na cabine onde já estava Jubal a fazer uma chamada intercontinental e destruiu-lhe a autoconfiança numa fracção de segundo, mesmo antes de finalizar por cima de Douglas com toda a classe do mundo. Uma obra-prima. O jogo podia acabar ali que já estava tudo satisfeito.

Não acabou e a paleta de cores da magia africana continuou a desfilar pelo embevecido Dragão. Brahimi, Aboubakar, Marega e até Hernáni pintaram a manta e encantaram a plateia, garantindo quatro golos sem resposta. Tão forte foi o encantamento que alguns dos nossos, com Reyes à cabeça, acharam que eram todos como o Brahimi, embalados pelos desnecessários olés do público incauto, que ainda permitimos um segundo golo ao Vitória.

A noite encerrou em beleza, apesar das várias tentativas para que assim não fosse, e cada um dos presentes no estádio levou para casa um souvenir para guardar com carinho na memória futebolística. It was a kind of magic. Ou melhor, c'était une sorte de magie.






Notas DPcA 


Dia de jogo: 07/01/2018, 20h15, Estádio do Dragão, FC Porto - Vitória SC (4-2)


José Sá (5): Impotente no primeiro golo e mal batido no segundo, apesar da boa colocação do remate. No resto do jogo, foi quase só espectador e jogador de campo a espaços.

Ricardo (6): Um dos mais "desorientados" na primeira parte, em má parceria com Corona, com muitas bolas perdidas e desperdiçadas. Desatento no lance do primeiro golo, acaba como réu maior. A redenção só chegou no nosso último golo, com uma boa assistência para Marega finalizar fácil.

Alex Telles (6): Igualmente pouco acerto nos primeiros 45 minutos, embora menos oscilante, cresceu na segunda e lá entregou a sua assistência da praxe, embora desta vez quase seja abuso considerá-la assim, tal o brilhantismo da conclusão de Brahimi.

Marcano (6): Menos bem na primeira parte, menos mal na segunda. Mas voltou a ter daqueles passes de eriçar ao mesmo tempo os milhões de pelos e cabelos de um homem só. E de todos também.

Reyes (5): Teria a mesma nota do parceiro de sector, não fosse o deslize idiota de onde resultou o segundo golo sofrido. Menos "olés" e mais rigor, por favor.

Danilo (7): O Senhor Porto estava a ser tão ineficaz como os demais e não escapou a uma primeira parte errática. Acontece que, a certa altura, se deve ter "enchido" daquele marasmo e lá foi ele, a empurrar tudo e todos para a frente, a apontar o caminho e... pumba, 1-1. Sim, a génese do lance é toda dele. E é por isso que é o senhor Porto. Agradecido.

Óliver (6): Não começou mal, procurando dar largura ao nosso jogo, mas após o golo sofrido perdeu o discernimento e colocou-se em excelente posição para ser substituído logo ao intervalo. Felizmente que o treinador manteve a aposta, porque também ele foi importante na reviravolta.

< 65' Corona (6): Primeira metade muito desconcentrado, a perder quase todas as bolas sem um nexo de causalidade que o justificasse. Quis o destino que fosse ele a assistir Abou para o empate, golo fundamental para tudo o que veio a seguir. E só por isso, já justifica nota positiva.

 


< 80' Melhor em Campo Brahimi (9): BRAHIIIMI! BRAHIIIIMI! BRAHIIIMI! (modo standing ovation). Fez muitas coisas importantes e bem feitas, mas aquela pequena maravilha tem de ser relevada acima de todas as outras. Por ter desbloqueado o jogo e confirmado a reviravolta, mas também pelo lance em si mesmo. Soberbo. Pior ficou o pobre Jubal, que se entregou aos miminhos da APAV assim que o jogo terminou.

< 84' Marega (8): Longe dos holofotes do mago do Magreb, o maliano não quis fazer por menos e encarregou-se de selar a vitória com um par de bons golos. Antes disso, foi furando e perfurando, até conseguir que toda a defesa vitoriana ficasse com cãibras e sem fôlego.

Aboubakar (7): Picou o ponto na altura certa, devolvendo o empate ao jogo e a confiança ao Dragão. Sempre muito envolvido em todos os ataques, mesmo que nem sempre da melhor maneira.

> 65' Hernáni (7): A primeira boa exibição desde que chegou, mesmo tendo estado apenas 30 minutos em campo (ou sobretudo por isso). Entrou logo após o winner de Brahimi, já livre da pressão de ser decisivo na busca da vitória e conseguiu vários lances de bom nível pelo flanco direito, com natural destaque para o excelente cruzamento para a cabeça de Marega fazer o terceiro da noite, no fundo o golo que sentenciou o encontro. Haverá mais disto para nos oferecer?

> 80' Layún (5): Entrou para estabilizar a equipa e aumentar o equilíbrio defensivo, mas acabou por se envolver em várias iniciativas ofensivas.

> 84' Soares (-): Nada a relevar.

Sérgio Conceição (8): Vários méritos de muito relevo a registar. Primeiro e mais importante, a forma como a equipa se transfigurou após o intervalo - teve de ter dedo do treinador. Segundo e em sequência, ter mantido os mesmos onze no regresso do balneário. Se há uma estratégia, há que ser coerente com ela. Terceiro, ter mantido a aposta em Óliver após a boa resposta do espanhol na Feira. Por último, o grande desempenho no pós-jogo, acertando mesmo em cheio na desonestidade intelectual de Sonso Pança.





Outros Intervenientes:


O milésimo reforço do Sporting quis já mostrar serviço e não falhou na altura da decisão, mas aparte esse lance e mais um par de pormenores, Raphinha não conseguiu mostrar muito mais (o que não significa que não seja bom jogador, entenda-se). Destaque para o bom golo de Héldon, apesar da passadeira, e para o reencontro com Francisco Ramos, "para sempre" um dos nossos.


Quanto a Artur Soares Dias , já lhe apontei os muitos e gravosos erros durante a crónica do jogo. Agora, retiro a conclusão: o mais grave não é que ASD seja considerado o melhor árbitro português da actualidade; o mais grave é que é mesmo o melhor.


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Segue-se a eliminatória da Taça de Portugal em Moreira de Cónegos, onde teremos de estar na máxima força e concentração para garantir presença nas meias-finais, previsivelmente contra o Cova da Piedade.

Antes disso, vou ainda tentar concluir a habitual análise sobre a primeira metade da temporada.


Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco




terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Onde Está a Bola? #58


Ultrapassada a quadra festiva, é tempo de voltar a encher o Dragão com o Mar Azul e apoiar a equipa no primeiro encontro caseiro de 2018. Como habitualmente, o Onde Está a Bola? (OEaB?) contribui com as suas duas gotas de Portismo, que é como quem diz, dois bilhetes para o jogo contra o Vitória Sport Clube (dia 7/1 às 20h15). Para os ganhar, basta que acerte onde está escondida a bola verdadeira (ou se não está lá de todo).




Respostas possíveis #58 (Vitória Guimarães):

A - Bola Azul
B - Bola Verde
C - Bola Castanha 
D - Bola Preta
E - Não há nenhuma bola escondida 


Já descobriu? Então deixe o seu palpite na caixa de comentários, tendo em atenção as seguintes regras de participação:


1 - Escrever a resposta que considera acertada na caixa de comentários deste post, indicando igualmente um nome e um email válido para contacto em caso de vitória.

2 - Entre os que acertarem, serão sorteados os vencedores através da app Lucky Raffle (iOS).

3 - Para ser elegível para receber os bilhetes, deverá fazer o obséquio de:

   a) Comprometer-se a enviar-me duas ou mais fotos da sua ida ao estádio (pelo menos uma selfie) nas 48h seguintes ao jogo, acompanhadas da resposta à pergunta "Como foi a sua ida ao Estádio?" (duas frases bastam, desde que venham do fundo da Alma Portista...);

   b) Registar e confirmar o seu email (nas "Cartas de Amor", na lateral direita do blogue);

   c) Seguir o FB e o Twitter do DPcA (basta clicar nos links e "gostar" ou "seguir"). 
   Quem não tiver conta nesta(s) rede(s) não será excluído, mas... cuidado porque o Lápis vai investigar :-)

4 - Apenas será aceite uma participação (a primeira) por cada email válido.

5 - Cumpridos todos os critérios, o vencedor sorteado será contactado através de um email onde encontrará instruções sobre como e quando levantar os bilhetes.

6 - Se já tiver Dragon Seat ou outro tipo de acesso, poderá oferecê-los a um amigo ou familiar que não tenha a mesma sorte.

7 - A edição #58 deste passatempo termina às 23h00 de 4 de Janeiro e o vencedor (a quem será enviado um email logo após o sorteio) terá de reclamar o prémio até às 13h00 de dia 5.

8 - Se o vencedor não reclamar o prémio até à data e hora referidas no ponto anterior, será contactado o primeiro suplente. Se o primeiro suplente não reclamar o prémio até ao prazo limite indicado no email de contacto, será contacto o segundo suplente (e assim sucessivamente até que um sorteado reclame o prémio).

9 - A edição especial anual do passatempo tem um novo critério: o da melhor selfie. Todos os vencedores de edições anteriores ficarão automaticamente habilitados. Mas não só: todos os concorrentes de todas as edições podem participar, desde que também enviem as suas selfies no Dragão em dia de jogo (email para envio das fotos: lapisazulebranco@gmail.com )

E é só! Concorra e divulgue, queremos o Dragão sempre cheio de Portistas!


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A terminar, o fecho de contas das edições #56 e #57.


#56 - Marítimo

 

Resposta certa: A - Bola Azul

 

Vencedora: Ana Cancela!



Primeiro, a comparação entre imagem original e modificada.



A seguir, os habilitados ao sorteio e respectivo vencedor.



Quem beneficiou com a sorte da mãe foi o filho da Ana, que faz questão de nos mostrar toda a sua determinação e paixão pelo Clube. Seguem-se então a compilação das fotos e a sua descrição desta ida ao nosso Dragão:


"Foi um jogo bonito, com muita técnica dos nossos jogadores. Acabámos assim o ano em primeiro lugar, o lugar em que esperemos estar em maio, se continuarmos assim, com esta garra e dedicação...

Só tenho que agradecer ao Porto com Amor por esta experiência fantástica!

Força PORTO!"

Muito bem, "filho da Ana" :-)

Falta apenas dizer que a Ana foi seleccionada como primeira suplente, ficando com o prémio por impossibilidade do primeiro sorteado. 



#57 - Rio Ave (TL)

 

Resposta certa: B - Bola Púrpura

 

Vencedor: Ezequiel José!



Primeiro, a comparação entre imagem original e modificada.



A seguir, os habilitados ao sorteio e respectivo vencedor.



Por fim, fiquem com o vídeo (boa ideia!) e a compilação das fotos enviadas pelo Ezequiel, bem como com as suas "duas linhas" sobre esta visita ao magnífico Dragão:




"Dia de semana, às 9 da noite e mesmo assim quase 30 mil no Dragão... Diz muito acerca da paixão dos adeptos. 

Aquela roda no fim emociona qualquer portista que se preze. 

O meu sincero obrigado ao autor do blogue que me permitiu viver esta experiência."


Sempre às ordens, Ezequiel!



Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco



sexta-feira, 28 de julho de 2017

De Guimarães a Portimão em 80 Linhas


Após uma curta passagem pelo México, a preparação do plantel comandado por Sérgio Conceição teve seguimento em Portugal, com muitas sessões de treino duro e dois jogos de preparação pelo meio.




O primeiro foi em Guimarães, onde pudemos assistir a uma primeira parte de muito bom nível, talvez até acima do que seria expectável por esta altura. Muitas combinações ao primeiro toque, com progressão rápida pelo meio e sobretudo pelas laterais e muitas bolas a caírem em zona de finalização.

De novo, destaco a velocidade que conseguimos imprimir às nossas movimentações e a quantidade de jogadores que colocamos em posição de fazer golo. Saliento também as recuperações de bola em zonas adiantadas, fruto de uma pressão quase sempre alta. 

Nesse período, fizemos dois golos pelo pé dos dois avançados, Soares e Aboubakar, que voltaram a alinhar juntos desde o primeiro apito bem. Voltando à concretização, pelo menos outros tantos ficaram por marcar. Voltei a gostar de ver Óliver bem subido e a recuperar muitas bolas, gostei de rever Danilo (stay put, boy!) e da acutilância dos laterais Alex Telles e Ricardo, embora este último se tenha evidenciado mais quando subiu para médio. Dos titulares, só Corona me desiludiu pelo seu fraco envolvimento no jogo.

Foi evidente o pouco acerto do adversário, mas com esses problemas podemos nós bem. Quando "vierem" adversários melhores, trataremos de responder. E à altura, espero eu. 

A segunda parte para pouco serviu, uma vez que o árbitro optou por rigor máximo e expulsou André André logo a abrir. Decisão impossível de contestar, excepto pelo tal rigor num jogo de preparação. Mostovoi não facilita, nem a feijões...

Valeu para apelar ao espírito de sacrifício dos 10 que iam estando em campo, à medida que o treinador ia rodando e dando minutos a mais jogadores. E pouco mais. Foi igualmente positivo termos evitado sofrer qualquer golo, algo que não conseguimos contra o Chivas de Guadalajara.


Catarina Morais / Kapta +



Dia de jogo: 23/07/2017, 20h30, Estádio D. Afonso Henriques, Vitória SC - FC Porto (0-2)


Os novos e os regressados:

Ricardo Pereira - jogo bem conseguido, após ser outra vez aposta inicial do treinador. Voltou a experimentar a defesa e o ataque, sempre na sua lateral direita, e respondeu bem em ambas, com destaque para o que acrescentou quando mais adiantado, até pelo contraste com o que (não) havia feito o apagado Corona. Se não sair, parece-me que está bem encaminhado para agarrar a titularidade.

Martins Indi - apenas uma dúzia de minutos em campo, sem sobressalto, o que pode indiciar que agora já é tempo de trabalhar a dupla titular e que os demais terão de esperar por uma oportunidade. Ou então, que estará mesmo de saída...

Mikel Agu - teve a mesma dúzia de minutos de Indi e tratou de procurar não complicar, até porque entrou quando o Vitória procurava pelo menos o tento de honra. Foi varrendo o que lhe apareceu à frente, incluindo adversários, e aí tem de ter mais calma para não prejudicar a equipa.

Hernáni - não, ainda não foi desta que conseguiu mostrar que se pode contar com ele para acrescentar valor. Parece-me que está a ficar sem ar para poder sobreviver no Dragão.

Aboubakar - mais um golo, bem finalizado após recuperação e ataque rápido e bons pormenores de envolvimento no jogo colectivo. Falta-lhe ser mais eficaz a distribuir ou devolver após desmarcação, para que jogadas promissoras não se esfumem nos seus pés. Bom nível.

Marega - regressou de forma um pouco inesperada (para mim), pelo pouco tempo que levava de treino. Acredito que foi a forma do treinador lhe dizer que pode vir a ser opção, se trabalhar para isso. Agora, suspeito que tenha de suar muito até que volte a aparecer...


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Seguiu-se um mini-estágio no Algarve que culminou com o jogo de hoje, onde o Portimonense foi o adversário e o fantasmagórico Estádio do Algarve o palco escolhido.

Uma entrada de rompante que atordoou os algarvios, que nesse período sugeriam serem ainda um grupo impreparado para a divisão principal. Pressão a todo o campo, velocidade, largura e bola em zona de finalização! Dá gosto ver o Porto jogar, senhoras e senhores - quem não tinha já saudades disto?

A primeira vez que a bola entrou na baliza não contou, mas devia, porque não houve posição irregular de Aboubakar. Compensação cósmica ou pura aselhice do árbitro auxiliar, não sancionou a infracção por offside de Soares no primeiro golo do jogo. Pouco depois foi Abou a cabecear e desta vez valeu mesmo. Já depois de vinte minutos de futebol ofensivo e vistoso, foi Brahimi que interceptou um passe da esquerda e ficou perante o redes adversário, que contornou sem dificuldade para fazer o terceiro.

Muito bem os laterais e a dupla do meio campo nesta meia hora de luxo (para pré-época...), sempre em combinação com os alas e os dois avançados. Houve tempo e espaço para quase todos se destacarem, fosse com golos, assistências ou passes relevantes.

No último quarto de hora da primeira metade quase só deu Portimonense, como se de um eclipse azul se tratasse. E então sim, ficou a ideia de uma equipa mais competitiva e a caminho de fazer uma temporada positiva. Quanto a nós, caberá ao treinador encontrar os "porquês" e eliminá-los sem piedade. Quando for a sério, não pode haver quebras tão acentuadas no rendimento da equipa.

A segunda parte foi a melhor das segundas partes de toda a pré-temporada. Houve mexidas, como sempre tem havido, mas ainda assim se manteve alguma coisa daquela bolina sôfrega inicial. Mais temporizado, é certo, mas sem tirar o foco da baliza adversária. Destaque para a estreia de Reyes sem pecados e para a jogada do quinto golo: passe magistral de... Herrera (socorro...) e grande desmarcação e boa finalização de Hernâni.

Muito bom ensaio, a deixar água na boca. Que venha depressa os dois próximos (Deportivo e Gil Vicente), para que a época comece de vez. Sim, estou entusiasmado com o que tenho visto. Será crime?


Foto Kapta +



Dia de jogo: 27/07/2017, 20h30, Estádio do Algarve, Portimonense SC - FC Porto (1-5)


Os novos e os regressados:

Ricardo Pereira - acutilante e ameaçador na primeira meia hora, a melhor da equipa, envolveu-se bem no ataque e recuperou sempre a preceito para defender. Começo a importar-me ligeiramente com a possibilidade de não continuar. Vamos lá fechar as portas da SAD até 1 de Setembro, pode ser?

Martins Indi - teve mais minutos e geriu relativamente bem o seu espaço, mesmo perante as rápidas investidas que o adversário conseguiu em alguns momentos. Tendo em conta que fez dupla com Reyes, que se estreou apenas hoje, diria que entrou e saiu sem mácula.

Diego Reyes - estreia muito antecipada (por mim, pelo menos), dada a curiosidade que tinha de o rever em campo ao fim de tanto tempo. Surpreendeu-me pelo acerto e concentração, qualidades que lhe faltaram sempre nas passagens prévias. Já está ligado ao clube há demasiado tempo (foi o primeiro mexicano a ser contratado pelo clube, acreditam?) para não ser opção. Não sei se é verdade que está determinado em sair, mas, a bem de todos, a solução que se encontre agora deve ser definitiva. E se sair, é preciso quem o substitua.

Hernáni - hoje sim, mostrou poder ser opção para Sérgio Conceição! Descaído sobre a direita mas a "fugir" para o meio nas costas dos adversários, conseguiu um dos golos mais bonitos da noite precisamente nesse movimento. Mais do que tudo, terá sido importante para o próprio se sentir mais confiante e conseguir mostrar o talento que sabemos que tem. Ainda mexe...

Aboubakar - mais um jogo, mais um golo. Em boa verdade, foram dois, mas um foi precocemente invalidado por offside inexistente. Melhora o "entrosamento" a cada jogo de forma visível e só lhe falta mesmo ser mais consistente no passe. O que se perdeu em dignidade, ganhou-se em reforço de peso. 

Marega - não conseguiu tornar-se relevante, apesar do empenho. Valeu pelos minutos adicionais (que, conforme escrevi acima, pensei ver passar mais tempo antes que lhe fossem presenteados).


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Não havendo saídas relevantes, creio que está encontrado o primeiro onze de Sérgio Conceição no Porto - ou melhor, o primeiro treze, porque as dúvidas parecem recair somente sobre três jogadores para duas das onze posições. Refiro-me a Brahimi, Corona e Otávio, trio de onde provavelmente sairá uma dupla titular. Os outros nove parecem seguros, assumindo o risco que estas previsões implicam: Iker, Ricardo, Felipe, Marcano, Telles, Danilo (hands-off, bitches!), Óliver, Soares e Aboubakar.

Há ainda outra coisa que me importa dizer. É um sentimento, ou melhor, são sensações que o treinador me tem provocado. Nas decisões, nas atitudes e nas palavras, por esta altura sinto uma sintonia quase inédita com Sérgio Conceição (então se comparado com o pós-AVB, até assusta). São apenas indícios, porque a época a doer nem sequer começou e tudo se pode esfumar perante um mau resultado. Pode ser, mas não me parece. Nem creio que seja a míngua dos anos recentes a sobrepor-se ao meu realismo inato: desta vez, são mesmo só bons feelings. Que se confirmem. 



Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco