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quinta-feira, 10 de fevereiro de 2022

Até Quando, Sérgio?

 Quase trezentos dias após o meu último texto, eis-me aqui de novo, contrariando a minha escassa racionalidade, compelido por uma mistura de obrigação moral e fraterna solidariedade. A primeira para com o meu Clube, a segunda para com Sérgio Conceição, o treinador do meu Clube.

 


 

Uma breve recapitulação

 Quem me foi lendo, no tempo em que escrevia com regularidade, recordará ainda as minhas convicções principais sobre este timoneiro do Mar Azul:

- Um grande Portista, sempre disposto a dar o peito às balas invejosas, bafientas e centralistas, sem sequer hesitar;

- Um treinador em construção, que no primeiro ano conseguiu com um saco de enjeitados apanhar todos de surpresa e ganhar o anti-penta de forma espetacular, mas que a partir daí parecia ter ficado refém dessa conquista e pouco disponível para mudar a proposta de jogo para algo mais consistente e condizente com os pergaminhos do Porto, ou seja, mais dominador e controlador e - sim, também é preciso - mais interessante de se ver ( e jogar, apostaria);

- "Variabilidade" emocional, oscilando entre a instabilidade e a euforia, com alguns episódios nada edificantes à mistura, que, em minha opinião, prejudica mais do que ajuda ao seu desempenho como treinador;

- Tudo somado e subtraído, a pessoa em quem mais confio na actualidade para manter o Clube à tona do sucesso desportivo e assim evitar a debacle total (económico-financeira) - distanciando-me de sebastianismos bacocos, a única pessoa em quem confio das que lá estão neste momento.

Curiosamente, esta época fez-me rever em alegre alta a parte da sua não-evolução: o futebol que a equipa pratica(va com Diaz) sugere um claro salto qualitativo na proposta de jogo, para lá da melhor qualidade dos intérpretes do meio-campo, obviamente. Parece que foi preciso parar de escrever para se dar a metamorfose.


The name is Diaz, Luis Diaz

 Dizia esta semana José Manuel Ribeiro, director d'O Jogo cujas reflexões opinativas muito prezo, na Visão de Jogo, que o problema do Porto ser forçado a vender o craque colombiano neste Janeiro não é de um erro cometido agora mas há anos, cuja "factura" chegou agora para ser paga. Permito-me ir mais além: é o somatório de muitas facturas, acumuladas ao longo de mais uma década (quase duas, na verdade), quase sempre empurradas para a frente com a barriga ou saldadas com fracos remendos (empréstimos obrigacionistas, por exemplo) que logo a seguir engrossariam a factura seguinte.

 Para ser justo, disse também que os três grandes portugueses têm agora um problema "quase insolúvel", que tem a ver com a folha salarial, cuja "média" tem disparado a nível internacional e que Porto, Benfica e Sporting não podem acompanhar por falta de acréscimo equivalente das receitas. É factual, reconheço, mas não se resume a isto nem é insolúvel, requer é outra abordagem. Já lá vou.

Luis Diaz seria sempre vendido, mais cedo do que tarde, dado o sua inegável qualidade. O problema é ter saído agora, a meio caminho da felicidade. Poderia até ficar já vendido agora e sair em Junho, eventualmente o melhor de dois mundos: entrava dinheiro fresco e continuava o rendimento desportivo. O que faltou para isso acontecer é simples: incapacidade negocial, pela conhecida ruína de tesouraria a que se permitiu chegar. Houvesse o mínimo para garantir cumprimento de obrigações contratuais até final da temporada e não me parece complicado fazer ver aos ingleses que ou o garantiam já para o próximo ano ou se arriscavam a ficar sem ele para sempre. Agora assim, de chapéu estendido, nada a fazer.

Quanto a uma forma distinta de gerir o futebol profissional, não há soluções milagrosas. É preciso manter a competitividade interna sem perder o equilíbrio das contas, isto é, garantindo que as receitas cobrem as despesas. Sendo claro que o "modelo das vendas para pagar custos" se esgotou por força da nova realidade, resta encontrar outros caminhos. 

Sem me querer alongar, lanço alguns bitaites avulso. Em relação à impossibilidade de renovar contratos (que a seguir permitiriam as tais vendas), há que seguir o que todos já fazem: scouting impecável, formação de nível mundial, acertar contratos com jogadores também em final de contrato noutros clubes e/ou comprar jogadores ainda baratos para o nosso nível. Tirar máximo rendimento desportivo e vender... se ainda possível. Uma máquina sempre oleada, com substitutos prontos a entrar no lugar dos que saem, a custos inferiores aos actuais. Não vejo outro caminho.

Quanto à falta de dimensão do nosso mercado futebolístico (em termos de atractividade e capacidade de gerar receitas), só há uma solução: ganhar dimensão. E isso só seria possível com a criação de uma liga ibérica, por exemplo. Mas até para isso seria necessária uma outra direção, no Porto e nos outros dois de Lisboa, que tivessem a capacidade de perceber que teriam de se juntar e fazer pressão nesse sentido, para que todo o futebol profissional português e os fat cats da Federação o fizessem também.

 

Até quando...

O que é real para o treinador, é que se vê privado do seu melhor jogador (de longe) a meio da época, cuja metade já cumprida ficará sempre marcada pela espetacular forma do colombiano. Sem ele, esta equipa será seguramente diferente e pior, dê por onde der. Podem os mais pintistas argumentar que, não tivéssemos sido eliminados pelo Atlético naquele mau jogo a fechar a fase de grupos, Diaz ficaria até final da temporada - o que até poderia ser verdade (com reticências), mas não desmente nada do que até aqui escrevi. Aliás, acrescento e resumo: a venda precoce de Luis Diaz é da responsabilidade exclusiva da gestão danosa da SAD de Pinto da Costa e nunca um treinador poderá ser culpabilizado de uma venda pelo resultado negativo de um jogo.

"Até quando" é a dúvida que me assalta a cada passo, nestes dias já sem Luis. Até quando estará Sérgio Conceição disposto a aturar este estado de coisas, sem bater com a porta de uma vez por todas? É evidente e inequívoco que o Clube será sempre maior que todo e qualquer homem, e naturalmente este treinador sairá um dia e outro ocupará o seu lugar. Mas a minha interrogação não tem nada a ver com filosofia e tudo com a práxis: é com o momento actual que estou preocupado, com o muito que ainda há para vencer esta época e as que lhe seguirão, ainda durante o consulado deste presidente; com a manutenção de limites mínimos de decência na gestão do Clube que Sérgio vai, directa e indirectamente, "assegurando". Sem ele, o seu amor ao Porto e a sua idiossincrasia tão distintiva, temo que tudo se precipite ainda mais vertiginosamente. O outro futuro, que virá depois, será toda uma outra conversa.


Entretanto, amanhã joga o Porto. Por sinal, um dos jogos mais importantes da temporada, onde vencer marcará uma diferença porventura inultrapassável para o rival. O que mais desejo, do fundo do meu coração de uma só cor, é que amanhã depois do jogo ninguém seja forçado a pensar que "com o Diaz, a história seria outra".


Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco


quarta-feira, 13 de maio de 2020

O Elefante na Sala


Este será um texto curto e grosso, mas para que se compreenda na íntegra é importante que a sua leitura seja antecedida do texto que o antecede. Se por inacreditável e inexplicável coincidência ainda não o leu, clique já a seguir e comece pelo Futebol nos Tempos da Pandemia.




Agora que tiramos de caminho uma série de pontos prévios e estamos no mesmo nível de entendimento, vamos ao tema que parece continuar tabu para todos os envolvidos, a começar e a acabar no meu clube, o Futebol Clube do Porto (que, por acaso, deveria ser o mais interessado).

Os dias vão passando, os contornos do regresso da Liga vão sendo divulgados a conta-gotas, mas no ninguém se atreve a apontar o enorme paquiderme que está na sala desta liga. Ui ui que nisso não se fala. Soubemos hoje que 4 de Junho é a data do regresso, saberemos já a seguir em que estádios se jogarão as dez jornadas remanescentes e tudo o mais que se exige saber - tudo, menos o tabu.

Sobra tempo para falar de aversão ao azul, dos "instas" dos jogadores, do corte da relva e do sal na comida, mas para interrogar, alto e em bom som, o que a fará a Liga caso a competição venha a ser de novo interrompida e não se conclua em termos da classificação final, não parece sobrar. Nada, nem um comentário jocoso, nem um tweetzinho, nada.

Sabemos o que o escroque que escandalosamente ainda ocupa a pasta de secretário de Estado do Desporto deseja ardentemente, aliás tanto que já nem se contém na diarreia verbal, tal como adivinhamos que coincide com o que um largo espectro da sociedade - essa gangrena de que padecemos - também anseia.

Parecemos um condenado a caminho do cadafalso, limitando-nos a caminhar ao ritmo do carrasco, perante a turba extasiada de antecipação.

Paremos por um instante com a declamação inflamada para analisar com objectividade a situação.

Um campeonato de 34 jornadas, das quais já se disputaram 24, o que corresponde a cerca de 70% do total. Ideal para atribuir um campeão e uma classificação final a todos os participantes? Não. Suficiente para que reflicta minimamente o mérito desportivo? Sim. No caso do apuramento do campeão ainda mais, porque os dois jogos entre os dois candidatos já se realizaram e com vitória em ambos para o líder FC Porto. Ideal? Não. Suficiente? Sim.

No entanto, como já vimos, o futebol não se resume à própria competição e ao mérito desportivo per se, há toda uma vertente de negócio que não pode ser desconsiderada porque dela depende a sobrevivência do sector como um todo. Por isso, compreende que se envidem todos os esforços para que se jogue. Mas acautelem-se também, por antecipação, todos os cenários possíveis.

O que acontecerá se a situação sanitária do país regredir e a competição for declarada terminada antes que se concluam as dez jornadas em falta?

O que acontecerá se uma ou várias equipas registarem um número de infectados que as impeça de competir em um, dois ou mais jogos?

Em meu entender, dois desfechos admissíveis para o apuramento da classificação final desta Liga:

 - Ou se considera a actual, que resulta da paragem forçada em face de uma situação de todo imprevista à altura em que se iniciou a competição

 - Ou se cumpre integralmente o calendário com todos os competidores e a classificação final será a que dela resultar.

Qualquer in between será sempre uma deturpação do espírito da competição e uma grosseira adulteração da verdade desportiva. Porquê?

Pela simples razão de que, à data de hoje em que se define um dia para o recomeço, já se sabe do panorama sanitário e dos riscos envolvidos nesse recomeço, não só em termos da saúde dos jogadores e demais envolvidos, mas também da consequente impossibilidade de terminar a competição caso haja uma evolução desfavorável na primeira.

Ora daqui se depreende que só faz sentido alterar a classificação actual - a que corresponde ao momento da forçada e inesperada interrupção - se for possível cumprir tudo o que falta ainda jogar, porque este recomeço é assumido sabendo-se que existe uma razoável probabilidade de não ser possível de concluir. Logo, se não for possível uma classificação completa da prova, deve valer a que se registou durante a fase "saudável", porque não faz sentido trocá-la por uma intermédia que será sempre resultante do facto da espada do Covid19 ter caído de forma abrupta sobre a cabeça da competição.

Por este motivo, deve ser dito e assumido pelo organizador da competição que apenas estes dois cenários serão admissíveis.

(regresso à tese conspirativa)

Que a Liga e a Federação se calem bem caladinhas enquanto os habituais lacaios vão lançando "pistas" sobre o que vai acontecer, não pode surpreender ninguém, mas que o mais interessado de todos, o FC Porto, não levante esta questão de forma pública, clara e concisa e se recuse a participar antes de obter uma resposta, é algo que não consigo compreender (apenas mais uma entre tantas, admito, mas este de especial relevância até para o futuro do Clube).

Meus caros Portistas, se outros calam, falemos nós. Façamos o barulho possível para que o silêncio deles todos se torne ensurdecedor. O tempo urge.



Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco




segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

De Racismo e De Hipocrisia


Escrevo sabendo que trilho um caminho perigoso, porque estruturo o meu raciocínio da mesma forma que o pobre coitado do Rui Santos o fez (ontem, em directo no palco da Sic Notícias), começando por me declarar contra qualquer tipo de racismo ou discriminação de outro tipo. Espero manter a lucidez e não acabar como ele, provando-me racista e imbecil.



Portugal é um país predominantemente racista, todos o sabemos. Talvez as gerações mais recentes, dos teens, dos "vintes" e de alguns "trintas" o sejam menos, por força da tecno-multiculturalidade geracional que os absorve desde o berço. Talvez, mas não o tenho por garantido.

Facto é que nós, os dos "entas", estamos impregnados com um perfume de cariz discriminatório, muitas vezes direccionado para a raça mas não só, também por força da mentalidade "português suave" que evoluiu (livremente) desde o tempo colonial. Sempre (ou quase) tácito, implícito, assumido mas nunca reconhecido. E há boas razões para isso.

(Sei que não há boas razões para justificar qualquer espécie de racismo ou discriminação outra, mas acompanhem-me por mais um pouco, por bondade ou condescendência)

Eu sou, em certa medida, praticante de discriminação. Não por acreditar ou defender a superioridade de uma (qualquer) raça face a outra ou às demais, não por pretender evitar o (inevitável) cruzamento de raças (na defesa do "bacteriologicamente puro", como o pateta Santos dizia enquanto tropeçava na armadilha que o próprio subconsciente lhe montara) nem nenhuma das outras baboseiras que nos tentam impingir os Venturas desta vida, nada disso. Nunca, jamais.

Basta ter o mínimo de formação cívica e de humanidade para que qualquer pessoa se situe nos antípodas deste posicionamento, não é sequer nada de excepcional. Mas sou sim um pouco racista, no sentido em que me habituei a ver, ouvir e finalmente replicar, sem sequer me questionar ou reflectir sobre, comportamentos que objectivamente são discriminatórios. Há maldade, vontade de segregar ou inferiorizar alguém nesses comportamentos? Não, não da forma a que hoje se cola instantaneamente o rótulo de "porco racista". 

Exemplifico, sem meias-palavras. Situação vulgar, infelizmente, estar ao volante e um(a) condutor(a) fazer uma asneira cabeluda. Se o condutor for negro, a minha reacção instintiva é a de soltar algo como "és burro, ó preto do caralho??". Eu sei, assim escrito choca ainda mais, mas quem é do Porto ou do norte do país, entende bem a inocência dos palavrões. Esta frase, em si mesma, aparentemente denuncia o óbvio: quando perante a necessidade de insultar/agredir, recorro à palavra "preto" como se de um insulto se tratasse. Porque é fácil, imediato, instintivo. Mas é por ser racista, por acreditar que é pior ser preto do que ser branco ou amarelo? Claro que não, não da forma como pensarão que possa ser os menos avisados/mais desonestos. 

Da mesma maneira, conforme as características "salientes" de quem comete a tal asneira, facilmente mudaria para "és burro, ó gordo do car...??", "és cego, ó caixa d'óculos do car...??", "és burra, ó vaca do car...??" e assim sucessivamente (nem vos conto quando leva o galhardete do milhafre no retrovisor). Até quando se trata de um homem branco, elegante e de boa visão, é fácil e instintivo o insulto "és burro, ó corno do car...??". Sou um Lucky Luke do insulto, eu sei. Mas, no fundo, o que une todos estes "adjectivos" é a diferença que estabelecem perante eles e quem os profere: "tu não és como eu, toma lá que é para aprenderes, já que és um nabo a conduzir". Não é inocente, mas tão pouco é uma discriminação consciente e voluntária. É, na maioria das vezes, apenas um desabafo que alivia a tensão.

Imagino que muitos por esta altura dêem por garantido que sou um cretino altamente preconceituoso e discriminador perante os vários grupos... tipicamente discriminados ("não-brancos", mulheres, obesos, traídos, etc.), em súmula, um candidato natural ao Chega. Na verdade não sou nem nunca serei e seria incapaz de discriminar alguém, de forma consciente e reiterada, que não fosse por critérios objectivos e intencionais como os da boçalidade, da estupidez ou da desumanidade. Já a parte do cretino, deixo à consideração de quem me conhece. Quem quiser ver isto como preto ou branco, ou se é racista ou não se é, que me crucifique (também sou bom a desenferrujar pregos).

No fundo, há preconceito subjacente, obviamente, mas é "benigno", tanto quanto possa ser, pelo menos. Diz que é uma espécie de racismo, este racismo português de Portugal. Não quer matar, mas mói. E sim, deve desaparecer, mas não adianta decretá-lo, terá de ser conscientemente reflectido e afastado.

E isto tudo para chegar a Marega.

Um jogador que me comove, literalmente, pela alergia que têm à bola, como se ambos tivessem a mesma carga eléctrica e se repelissem constantemente. Desespera-me. Tal como muitos outros, diga-se. E ao contrário de uns quantos, que admiro. Como qualquer um que goste de futebol. Mas isso é irrelevante, porque não estamos a tratar de futebol. Eu não gosto do jogador e nem sequer conheço a pessoa. O facto de vestir a azulebranca dá-lhe crédito a meus olhos, logicamente, mas limitado e com juros altos. 

Como já perceberam, não sou fã de Marega. Nem eu, nem muitos milhares de adeptos do Vitória, suponho. E mesmo os que possam ser, num dia em que ele defronta a sua equipa, é normal que desejem que tudo lhe saia pelo pior e - podendo - não hesitem em criar as condições para que isso aconteça. Assobiar, chamar nomes, fazer gestos feios, insultar. Tudo isto é normal nos estádios portugueses - quem disser o contrário, é mentiroso. Normal porque recorrente, não porque correcto ou aceitável.

Mesmo os agora infames "uh uh uh uh uh uh" são "normais", saibam disso ou não. Menos frequentes hoje, é verdade, mas subsistem e vêm pelo menos desde que vou a estádios de norte a sul do país, uns trinta e muitos aninhos bem medidos, na estrada da bola. Quem disser o contrário, mente ou não conhece. Aconteceu e ainda acontece. Menos hoje, repito, muito também por conta das campanhas anti-racismo que o futebol tem promovido e da própria evolução da sociedade.

Ontem, Marega fez questão de nos dizer que não é normal, que não pode ser normal e que ele - em nome de muitos, seguramente - não está disponível para os continuar a ouvir. Eu, que não faço nem me lembro de ter feito os "uh uh uh", senti-me visado pelo seu statement, como se os fizesse também. Porque reconheço que, ainda que mentalmente, já os fiz ou tive vontade de, pelo menos. E porque é uma indignidade, se visto pela perspectiva dele - a única que conta, em minha opinião.

É chocante que em 2020, em Portugal, este tipo de atitude seja ainda "normal" ou normalizada. Reconheço a minha quota-parte de culpa, quanto mais não seja pelo estado de dormência em que me deixo navegar na espuma dos dias. Por isso, desculpa-me Marega, foi mau mas nunca foi por mal. Arrisco-me a dizer que alguns/muitos dos que ontem tiveram aquele comportamento indecente pensarão hoje da mesma forma. Não serei eu a desculpabiliza-los das consequências, com que devem arcar, mas ajudo-os a enquadrar a situação se tal fizer sentido.

Este episódio já serviu para nos pôr, enquanto indivíduos e enquanto sociedade, a reflectir um pouco sobre o tema. Pelo menos isso teve de positivo, se nada mais. No entanto, aproveitando o embalo, deveria também para nos fazer reflectir sobre a profunda e nojenta hipocrisia que comanda o desporto e em particular o circo mediático que rodeia o futebol em Portugal.

Os moralistas de ocasião, palhaços deste circo, que ontem puseram a sua cara (de pau) mais séria e institucional e fizeram juras de amor a Marega contra o racismo, deveriam ter vergonha do que são e do que representam. Toda essa corja de invertebrados que infecta diariamente televisões, rádios, jornais e redes sociais, sob a capa do especialista, do comentador, do jornalista e do dirigente, estendeu ontem uma das mãos enquanto recarregava a outra com mais pedras para atirar já de seguida, no fundo o seu verdadeiro desporto-rei.

Fazem-se de indignados perante o "caso" Marega, mas andam há anos, décadas, diariamente a espalhar a insídia e a calúnia, a mentir e a omitir, normalmente em nome de um amor cego e sem-vergonha

Perante o encarceramento imoral de um denunciante da mais variada panóplia de crimes que lesam e empobrecem nações e povos, fazer o quê? Apoiam e justificam a imoralidade, apenas porque no meio da lama estará a prova dos delitos do seu slb.

Perante os graves actos de violência perpetrados por delinquentes das claques benfiquistas, semana após semana, em que pessoas são agredidas (crianças e idosos incluídos), bens são destruídos, forças da autoridade são desrespeitadas, ameaçadas e agredidas, fazem o quê? Silenciam, omitem, ocultam, desviam as atenções.

Perante a maior farsa de sempre do futebol mundial, em que o slb corrompe tudo e todos para no fim roubar os títulos, fazem o quê? Glorificam, festejam e ainda gozam com os espoliados, mesmo perante uma infinidade de provas e testemunhos dessa corrupção.

Perante o caso semelhante com Hulk na Luz fizeram o quê? Esgotaram as pastilhas Rennie das farmácias e esconderam-se nas suas tocas, seguindo a preceito o manual do bom verme.

Sabem a diferença entre o que aconteceu ontem em Guimarães e antes noutros palcos portugueses? É que ontem, por força da atitude de Marega e da era da informação instantânea, o caso chegou rapidamente aos quatro cantos do mundo. E se há coisa que o aldrabão pacóvio português não admite é ficar mal-visto fora de portas. Cá dentro, espinha partida, desde que o slb ganhe. Mas se os estrangeiros estiverem a ver, ai que temos de parecer dignos e íntegros.

Nojo, nojo absoluto por esta gentalha, que nada mais tem feito do que destruir a paixão natural com que se vive o futebol em Portugal, sempre com a alto patrocínio de presidentes da repúblicas, primeiros-ministros e secretários de estados dos mirtilos e a conivência transversal a toda a sociedade, desde juízes a magistrados e procuradores-gerais da república, de directores de estações de media a accionistas de referência, de bancários a banqueiros. Tudo em nome de uma doença que putrifica tudo aquilo em que toca, este slb do ladrão de camiões e seus acólitos. Até mesmo o Benfica merecia melhor.

Se o racismo não pode ser tolerado nem relativizado, a hipocrisia também o não deveria ser.

Força Marega!



Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco




sábado, 2 de novembro de 2019

Não Te Fines, @CoachConceicao


Este é um momento da vida do Clube especialmente cansativo para o Portista sofredor e desinteressado de outra coisa que não seja o seu sucesso desportivo e a sua viabilidade futura.




Cansa assistir passivamente ao delapidar de uma obra ímpar por parte de uma direção virada para si mesma e capturada por parasitas. Cansa ver a equipa principal de futebol jogar sem eira nem beira, sem se descortinar um plano de jogo minimamente eficaz e em que os jogadores acreditem e pelo qual deixem a pele em campo. Cansa ainda ler e ouvir imbecis de toda a espécie a debitar cartilhas várias, frustrações e ignorância sob a capa da liberdade de opinião. 

Quem duvidar da minha gratidão e apreço pelo nosso treinador Sérgio Conceição, só tem de visitar ou revisitar boa parte dos últimos dez textos deste blogue. Para mim, Conceição será para sempre um dos heróis deste extraordinário clube a que o mais iluminado de todos teve o bom gosto de apelidar de Futebol Clube do Porto. Do meu Porto. Conceição, praticamente sozinho, pegou num grupo descrente de acomodados e proscritos e fez-se campeão, evitando o objectivo máximo da corja vigarista sem-vergonha, o penta que é só nosso.

Nunca me esquecerei das condições em que chegou, mais um numa extensa lista de tentativas falhadas, para reabilitar por artes mágicas aquilo que a direção indecorosamente paga foi sendo incapaz de fazer: lutar pelo Clube. Nem dentro, pela incapacidade de reassumir o sucesso como o objectivo primeiro (já nem peço único), cedendo a interesses que nada interessam ao FC Porto. Nem fora, pela demissão do inadiável e inevitável combate à podridão que o polvo sujo instalou no desporto nacional. Virados para dentro, para a perpetuação do poder pelo poder, até ao dia em que, enfim, quando o Presidente já não puder, sejam obrigados a desaparecer na mediocridade ou a mendigar por novas alianças, provavelmente ainda mais medíocres.

Para mim, @CoachConceicao significa resistência, resiliência e coragem. O que fez garantiu o seu lugar ao sol na nossa história, nem que seja apenas por uma época. Provavelmente, apenas por uma época. E esse é o drama que nos atormenta hoje, pelo menos aos que de nós não padecem nem de irremediável optimismo nem de incurável cegueira voluntária. 

Conquistado o campeonato 17/18, o seu percurso tem sido quase sempre a descer. Digo-o consciente da muito boa campanha na Champions que liderou na época passada. Globalmente, soube a pouco, tendo em conta o campeonato e as taças que tão mal perdidos foram. Mas mesmo a própria campanha europeia foi, a meus olhos, muito feliz na forma como decorreu. Na fase de grupos, várias foram as vitórias que facilmente poderiam não o ter sido, tivesse o adversário um bocadinho mais de acerto. Contra a Roma, até o VAR foi amigo... Não retiro uma grama ao mérito do que se conseguiu, apenas sinto que veio aos ombros de muita felicidade em momentos-chave dos jogos. Mais isso que qualidade e segurança de jogo. No entanto, muito positivo, até por se tratar da prova mais importante.

Com isto pretendo ilustrar que aquilo que “pedi” ao treinador na ressaca dos festejos do título e não se concretizou: que o treinador tivesse consciência das suas limitações e conseguisse evoluir (depressa) enquanto... treinador. Nunca tive ilusões (nem seria justo) que Sérgio refinasse a sua personalidade - é a dele, para o bem e para o mal, e faz parte do pacote. Esperava sim - exigia, enquanto adepto - que não se cristalizasse naquela forma “única” de jogar, assente num modelo bruto-dependente que resultou pela surpresa e incapacidade de a “acomodar” em tempo útil por parte dos adversários na primeira temporada (em especial na primeira volta), mas que facilmente se deduzia que mais cedo do que tarde seria neutralizada. Ainda mais porque os próprios intérpretes acabariam por descer do “sobre-rendimento” de 18/19 para a sua normalidade, e disto Marega é sem dúvida o exemplo maior e pior também.

Mesmo assim, mesmo após o autêntico descalabro de resultados desportivos que foi a sua segunda época à frente da equipa, defendi a sua continuidade. Primeiro, porque acreditava que tinha finalmente todas as condições para fazer uma boa equipa assente em novas/diferentes e boas ideias de jogo. Segundo, porque confio mais nele para defender os interesses do Clube do que em qualquer outra pessoa que por lá anda actualmente. E não, não estou a exagerar, é mesmo o que sinto. Se para o lugar dele viesse um “boneco” qualquer, sobretudo para dizer “ámen” a todos os disparates lesa-Clube no mercado de transferências, ficaríamos seguramente num lugar pior do que aquele onde estamos hoje. Disso não tenho dúvidas.

No entanto, estando nós já em Novembro, sem Champions e tremidos na Europa, com 5 pontos já desperdiçados no campeonato e a dois pontos do primeiro, apesar de termos ganho em sua casa, e sobretudo - mais que tudo - pelo terrível futebol que a equipa vai apresentando como regra e não como excepção, começa a ser difícil sobrepor o feito heróico à crueza da realidade pós-título. Objectivamente, a equipa rende pouco e joga ainda menos do que rende. E pior, dá sinais de pouco acreditar na proposta de jogo do seu líder.

Acresce (ou resulta deste estado de coisas) o descontrolo emocional de Sérgio Conceição, já descontado o seu feitio "volátil". Não é aceitável que o treinador do FC Porto diga o que ele disse após mais um jogo paupérrimo na Madeira. Podemos pintar da cor que quisermos, mas não é aceitável. Que posteriormente se tenha desculpado em certa medida, é apenas o mínimo exigível e não apaga o que foi dito.

Até porque fica a sensação de que a “coragem” que lhe sobra para “atacar” uma parte mais fraca e sem capacidade de “defesa” - o tal adepto que o critica, que suspeita, em diferentes momentos, mais ou menos, somos todos nós...- é a mesma que lhe tem faltado para atacar com mais vigor e frequência quem mina e põe em causa o seu trabalho. Árbitros, dirigentes, instituições e adversários manhosos e aparentemente seduzidos pelo lado negro do “jogar para perder” são demasiadas vezes perdoados ou esquecidos por quem tem o palco e a obrigação de exigir que a sua equipa tenha as mesmas condições que os outros na disputa das competições internas. Sim, que não competiria ao treinador esse papel num clube normal, mas... Que quem dirige o Clube já há muito desistiu, todos sabemos e ninguém se parece importar muito com isso; que o nosso aguerrido treinador se esqueça também, faz confusão.

Em jeito de conclusão, renovo o meu apelo ao meu treinador: foco total no que é importante, isto é, no aperfeiçoamento das suas competências técnicas e na denúncia intransigente dos vilipêndios de que vamos sendo alvo, semana sim, semana não.

 - Não vás na onda da época @CoachConceicao, não te deixes finar perdido neste turbilhão em que pareces estar submergido. Pára, respira fundo, reflecte e volta ao trabalho, mas com outros trunfos na manga. Sabes que, na grande maioria, estaremos contigo até ao fim (da época), mesmo que cada jogo seja um bocejo sobressaltado à luz dos nossos leigos olhos. Vai que nós vamos atrás.

Abraço mister.


Por fim, os "imbecis". Aos que nos querem mal, retiro as aspas e nem perco tempo. Têm agenda e já está. Tudo o que lhes possa acontecer de mau será um prazer assistir e nem me importo de contribuir. Preocupo-me sim com os Portistas, que se parecem "cismar" entre os que apoiam incondicionalmente e os que pedem a cabeça do treinador/direcção/qualquercoisaserveparadiscutir, exigindo que todos os demais tomem igualmente partido. Connosco ou contra nós.

Pois permitam que vos diga, meus caros extremistas, estão a ser uns perfeitos idiotas. Nem o mundo é azul ou branco, nem os outros são obrigados a sujeitar-se à vossa postura inquisitorial. Sim, é possível apoiar de forma crítica, nunca incondicional; sim, é possível estar com o treinador e simultaneamente fazer-lhe reparos sempre que se justifica; sim, é saudável duvidar e questionar. E não, não é produtivo estar sempre à espera de um mau resultado para atacar quem não se gosta; não, discordar de quem nos dirige (seja a que nível for) não dá direito a insultar quem pensa diferente; não, não sou obrigado a adoptar nenhum dos extremos só porque vos apetece. Penso, logo decido por mim, a cada momento. Sou do Porto, não sou do Sérgio, nem do Jorge Nuno e ainda menos sou do que quer que seja que vocês queiram que eu seja. Apoio durante, critico se achar que devo antes e depois dos jogos. Vou aos estádios se puder e me apetecer e ninguém tem nada a ver com isso e nunca tal servirá de medida do meu "Portismo" ou de quem quer que seja. 

Não pretendo educar ninguém para além dos meus, mas fica escrito porque desconfio me será muito útil sempre que uma discussão deste género vier ter comigo. Daqui em diante... vão ler se quiserem. Não há paciência. Já cansa.




Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco




quarta-feira, 11 de setembro de 2019

A Derrocada do Estado de Direito

Soa a exagero e a frustração. Ainda bem, porque (se um qualquer deus quiser e permitir) será apenas isso: exagero e frustração.



Não me vou debruçar sobre tecnicalidades (que em Português correcto se diz "expedientes legais criados pelo legislador com o exacto propósito de permitir que quem pode se escape"). Quem tiver paciência e sapiência, que o faça. 

A mim apenas me interessa o que o bom-senso me revela - a mim e a qualquer um que o possua, independente de credo, afiliação política ou clubística: hoje, uma vez mais, fez-se tudo menos Justiça em Portugal.

Um resumo muito ligeiro da situação:

- Todos reconhecem (por força das evidências) da autenticidade dos emails;

- Todos sabemos das provas irrefutáveis das violações do segredo de justiça e outros atropelos cometidos;

- Todos percebemos o irrefutável nexo de causalidade entre o benfica dos sem-vergonha e essas violações;

- Todos sabemos que Paulo Gonçalves era um dos dirigentes máximos dos sem-vergonha, independente do estatuto formal.

Corolário: o benfica dos sem-vergonha cometeu crimes gravíssimos que atentam ao Estado de Direito e obrigatoriamente haveria de ter sido punido por isso. No limite, pelo menos os seus dirigentes haveriam de ser responsabilizados criminalmente - e depois, a "justiça desportiva" que seguisse o óbvio caminho.

Sou Portuense e Portista indefectível, como todos os que me leram sabem. Indefectível. O que a maior parte não saberá é que, acima disso, sou um defensor ainda mais acérrimo da civilidade, da solidariedade, da honorabilidade, da Lei e do Estado de Direito democrático.

O que hoje a "justiça" portuguesa confirmou é um atentado mortal a todas estas minhas inabaláveis crenças. Hoje, ainda mais do que antes, temo pelo futuro do país mas - muito mais - pelo futuro dos meus filhos neste país.

Desenganem-se os Portistas, de que isto é apenas e só sobre o nojento polvo encarnado. Infelizmente, é muito mais do que isso. Neste momento do tempo, o benfica sem-vergonha de Vieira é apenas mais um instrumento/faceta de um grupelho mais ou menos visível mas quase sempre inimputável de bandalhos e BANDIDOS (com todas as letras) que se une por e para proveito próprio, em conluio criminoso e execrável para dominar e viver acima da Lei e do Estado, servindo-se deles apenas e só para a persecução dos seus interesses, em detrimento da tal civilidade e da idealizada persecução do BEM COMUM que cabe a um regime democrático.

Isto é uma espécie de desleixo do grupelho que se sente já fora do alcance de qualquer punição e se dá ao desplante de fazer as coisas assim, em plena luz do dia e sem o mínimo de pudor. Falo de juízes, oficiais de justiça, investigadores do ministério público, PGR, mas também de primeiros-ministros, ministros, deputados, dirigentes partidários, empresários, banqueiros e bancários, directores de informação, jornalistas e jornaleiros, que navegam tranquilamente na infâmia, na insídia e na dissimulação e no encobrimento perante o desinteresse e passividade de todos nós pessoas de bem, desde os mesmos magistrados, políticos e empresários até aos mais humildes varredores de rua (que muito prezo e respeito). 

Isto, meus caros, é uma ameaça ferocíssima ao que pensamos ainda existir em Portugal como Estado de Direito. É a subversão completa das prioridades e das missões mais básicas e fundamentais das instituições e organismos que existem com a única missão de assegurar o cumprimento das leis da República e de punir quem não o faz. 

Isto, meus caros, é a abertura da supostamente intransponível comporta da Justiça para permitir passagem de todo o tipo de banditismo e criminalidade. O que se pode seguir ninguém pode antever. Está escancarada a caixa de Pandora (porque aberta já estava há muito) e o que de lá sairá nem Asimov nem Philip K. Dick poderiam imaginar. 

Na prática, isto leva-me a temer que a justiça passe a ser apenas mais um instrumento ao serviço dos bandidos e contra os portugueses. Quem tiver o azar de afrontar os seus interesses, sofrerá as consequências sem hipótese de defesa ou contraditório. Sei bem que soa a exagero profundo, mas acredito piamente que este é um dos caminhos possíveis de serem trilhados daqui em diante. 

Hoje passei a ter sérias dúvidas quanto à justeza da Justiça neste país. Hoje fiquei com a certeza de que não só não é cega, como vê muito bem ao longe e escolhe a dedo os seus alvos. Hoje, mais do que em qualquer outro dia passado, ganhei medo de criar os meus filhos em Portugal. Pode parecer exagero - espero que seja exagero - mas talvez não o seja.

Aceitar, desistir, emigrar, todas hipóteses possíveis e até apetecíveis. Resistir, contrariar e lutar é muito mais complicado, difícil, incómodo e aparentemente impossível: mas é a única solução que nos sobra enquanto cidadãos desta nação que desejámos continuem a ser de Direito. 

QUANTO A MIM E NO IMEDIATO, UMA COISA VOS GARANTO: ANTÓNIO COSTA E A CORJA QUE REPRESENTA NUNCA, MAS NUNCA MAIS.



Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco




terça-feira, 2 de julho de 2019

Pré-Época 19/20: Guia de Sobrevivência


Está tudo louco. Em cada recanto, seja em cada um dos media ou em cada uma das redes sociais relevantes, está tudo louco. Louco de ansiedade, louco de desinformação, louco de angústias, louco de certezas e da falta delas, louco. Louca, louco, loucos. Nos casos mais graves, chegam ao ponto de escrever textos onde não conseguem evitar de repetir desenfreadamente a palavra louco. Pobres coitados. Loucos.




É o Zé Nakajima que esteve a comprar tripa enfarinhada no Bolhão, é a SAD que não compra tripa enfarinhada, é o "Saraiba" que é pior que a peste bubónica, é a SAD que não vende o "Saraiba" - enfim, é o fim dos tempos em calções de praia.

Pois, não é, not just yet. Seria bom que fosse o fim do tempo que já se esgotou de quem ainda nos lidera, mas nem isso. Garrote financeiro à parte, continua - e continuará - tudo na paz do senhor Presidente e seus escolhidos para o muito que já delega (e tanto que é). 

Por outro lado, o jurado inimigo mortal. Tentacular, sujo, reles, ardiloso, megalómano. Tudo quanto de mal se apregoa para a nossa casa, só pode ter origem (única!) na maldade do cefalópode sem-vergonha. Por cá, os resistentes da aldeia, só se podem dar por felizes por ainda ter o Grande Chefe à sua frente, caso contrário tudo seria pior. Muito pior. Tão, mas tão pior, que até inimaginável e indizível.

Entretanto, enquanto o tedioso e surdo "debate" prossegue em cada um desses recantos, a equipa profissional do querido Futebol Clube do Porto abriu a oficina e regressou ao trabalho. Com Sérgio Conceição ao leme, obviamente, e uma carrinha cheia de miúdos também. Parece que iam para a colónia de férias em Francelos mas se enganaram no caminho. Ainda bem. Mais do que estes, não se sabe bem. Há uma malta que se foi, outra que talvez ainda se vá e uns tantos que continuam. Agora chegar é que nada. Ainda nada, entenda-se, porque o tempo urge.

Antes, bem antes do estapafúrdio mercado de verão fechar portas, muito se jogará do sucesso da época e até das vindouras. Uns quantos jogos de treino, algumas jornadas da Liga fajuta mas primordialmente as duas eliminatórias de acesso à Champions League. Terceira pré-eliminatória a 6/7 e 13 de Agosto e play-off a 20/21 e 27/28 do mesmo mês. Quatro datas em absoluto decisivas para o futuro próximo do Clube, não só a nível desportivo mas sobretudo financeiro. 

Dia 29 de Agosto já se poderá dizer - com propriedade e para lá de todo este turbilhão de "notícias" - se o planeamento e a política de contratações foram os suficientes e os necessários para o arranque da época. Antes disso, pura especulação. Depois só em Maio de 2020.

Não significa isto que, entretanto, não se consiga filtrar algumas ideias do lixo mediático pela observação atenta dos factos (insisto, factos) que se vão desenrolando. E factual é que a oficina abriu com um reforço confirmado, por oposição a cinco saídas igualmente confirmadas. Como também é factual que Sérgio Conceição quer Zé Luís e ainda não o tem a treinar às suas ordens.

Para que ninguém tenha a vertigem de se imolar perante tanta desgraça anunciada, deixo-vos a minha lista de recomendações para sobreviver com sanidade (quem ainda a possa ter) a esta pré-época:

> Não ver/ouvir/cheirar/lamber(?!) programas de "debate" futebolístico de nenhuma espécie. Nem os sofríveis, nem os maus, nem os freak-shows.

> Ignorar todo e qualquer rumor de contratação. A sério, não queiram saber. Tentem nem ouvir ou ler, mas se por acaso o fizerem, sorriam como se estivessem perante um membro da Flat Earth Society ou da Lampiões Honestos (esta última está ainda por criar).

> No jornal desportivo (só conheço um em Portugal que mereça a designação de jornal), dar apenas relevância aos factos e ler com espírito crítico as crónicas e editoriais (em particular do JMR); Quanto aos pasquins folclóricos, recomendo nem tocar e jamais usar para embrulhar peixe, sob pena de o tornar não comestível por envenenamento.

> Ignorar tudo o que é CM. Não se brinca com o lixo, recicla-se ou enterra-se. A correr bem num futuro não muito distante, manda-se para o espaço sideral.

> Não entrar em "debate" com ninguém que se posicione (sabendo-o ou não) em qualquer dos extremos, qualquer que seja o tópico. Se em algum momento o caro leitor tiver a noção de estar num desses extremos, tenha o bom senso de se isolar para meditação.

> Em particular no Twitter:

        * Ignorar tudo o que não é facto (verificável);

      * Ignorar todos os que confundem opiniões com factos e mais ainda os que acham que opiniões valem tanto ou mais do que factos;

       * Fazer diariamente uma saudável dose de "unfollow" e "block" a quem origina os dois pontos anteriores;

        * Não insultar (ninguém) e ignorar insultos recorrendo ao ponto prévio;

     Não retwittar a diarreia programática da corja sem-vergonha, mesmo que seja para a criticar/denunciar. Tirando casos muito pontuais em que a denúncia possa sortir algum tipo de efeito positivo, apenas se está a jogar o jogo deles, aumentando o seu alcance.

> Fazer desporto com regularidade

> Respirar ar puro

> Comer bem e beber melhor

> Contemplar

> Não fazer nada

> Last but never the least, praticar o Amor


Seguindo à letra esta prescrição do Doutor Lápis, vão ver como rapidamente melhora a vossa higiene mental e a disposição para enfrentar este mundo virado de pernas para o ar. Vão por mim, desliguem-se deste circo até (pelo menos) à apresentação no Dragão e depois falamos. Mas se fizerem mesmo questão de continuar ligados e a "lutar" pelo nosso Porto, então juntem-se a outros com a mesma vontade e - em sossego - discutam ideias e planos para o futuro. Algum dia terá de ser feito, mais vale começar já.



Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco




segunda-feira, 13 de maio de 2019

JÁ CHEGA


Não era este o regresso à escrita que tinha planeado. Na verdade, nem planeio voltar, apenas ir voltando sempre que inevitável. Estava a guardar-me para o pós-Jamor, para discorrer sobre a época, Sérgio Conceição e o Clube.

Regressei há pouco da Madeira, onde estive muitíssimo bem e - logicamente - assisti ao vivo ao Nacional - Porto. Não tenho nenhuma intenção de escrever sobre o jogo nem sobre qualquer jogo de futebol deste pardieiro em que se transformou o "Futebol Português".




O "Futebol Português" é quase tudo menos uma competição desportiva - daquele desporto que todos adoramos e que se chama... futebol! O "Futebol Português" é um esgoto a céu aberto para onde desaguam e onde prosperam toda a espécie de delinquentes, vigaristas e criminosos.

Hoje, o "Futebol Português" é somente:

- Uma Federação e respectivo presidente capturados pelos desígnios dos sem-vergonha (a.k.a. Benfica de Vieira), que se limita a fazer de conta que tutela as competições profissionais, quando na realidade se esquiva a assumir as suas claras responsabilidades de regular e fazer cumprir esses regulamentos, resumindo-se às Seleções (outra pouca vergonha, mas que na verdade pouco ou nada me interessa);

- Uma Liga que simplesmente não existe enquanto entidade independente e supra-clubes e se limita a gestão corrente, assegurando a função básica de organizar os jogos (sort of);

- Um campeonato onde pelo menos 80% dos clubes participantes são entrepostos dos sem-vergonha, vivendo à custa de subsídios ilegais (em género e em espécie), alinhando em fila e prestando-se a todo o tipo de negociata para finalmente receber as suas migalhas bolorentas;

 - Um campeonato onde, mesmo nos clubes não-alinhados, há sempre jogadores que cometem erros básicos, têm deslizes infantis, são, em suma, infelizes quando defrontam os sem-vergonha. Os dez que o Nacional levou de uma vez só e o Braga em duas prestações são apenas os exemplos mais vergonhosos desta farsa, porque em quase todas as jornadas é possível detectar um ou vários casos destas infelicidades;

- Um Conselho de Disciplina sem pingo de isenção ou seriedade, comprovadas pelas estapafúrdias decisões e omissões desta temporada, sempre em benefício dos sem-vergonha;

- Um Conselho de Arbitragem sem o mínimo de credibilidade, incapaz de se auto-gerir, impotente e incompetente para dar aos fracos árbitros o mínimo de condições e garantiras para que apitem de acordo com a sua (pouca) capacidade, sem estarem sujeitos a pressões fortíssimas por parte dos sem-vergonha face a decisões que não os beneficiem em toda e qualquer circunstância. 

- Um grupelho de Árbitros, composto maioritariamente por gente medíocre, sem o mínimo perfil para comandar um jogo de futebol, absolutamente temeroso de cometer algum erro que prejudique os sem-vergonha. Viram e registaram como fado inescapável o que aconteceu a ex-colegas quando se atreveram a não os favorecer à margem das Leis do jogo. Sabem que não há futuro na arbitragem (nem fora dela...) sem promiscuidade e vassalagem absoluta aos sem-vergonha;

- Uma corte de "jornaleiros", paineleiros, peritos e arautos da carapinha e do fair-play que se submetem, ora com resignação, ora com fervor, à gigantesca manipulação mediática que diariamente contamina os portugueses, bombardeados non-stop com factos falsos, opiniões insidiosas, palpites insultuosos e tentativas de desestabilização do Porto, única equipa que se mostrou perfeitamente capaz de os derrotar em campo durante uma temporada completa e de, com toda a justiça - a única justiça possível, vencer o campeonato. Sim, apesar de todos os erros próprios. Mesmo assim, melhores.

- Um exército de trolls disseminados pelas redes sociais, que mais não pretendem do que criar diversões para desviar o foco das vigarices realizadas por ou a mando dos sem-vergonha.

No final, sobram os lampiões, esse desvio de personalidade que toma de assalto a consciência até do vulgar cidadão, que no restante procura viver uma vida digna e (vou arriscar agora) honrada. Saem à rua, vangloriam-se, agridem indefesos, destroem propriedade alheia, tudo por conta de uma "vitória" que nunca, mas nunca foi nem será deles - apenas um logro, uma vigarice, bem à vista de todos e fácil de descortinar, mas que essa infecção maldita os "impede" de o ver. Ou então não, são apenas tão vigaristas como quem os lidera.


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Que eles queiram chafurdar neste lodo, eu entendo. Que nós - todos os não-lampiões, mas em concreto os Portistas e em particular o Presidente Pinto da Costa, enquanto líder e representante da direcção eleita, NÃO. Não compreendo e não aceito mais. Isto tem de ser o limite, JÁ CHEGA. 

É evidente que ninguém nos liga, ninguém com responsabilidades, dentro ou fora da pocilga, está interessado em ouvir e compreender o que se passa e agir em conformidade. Como se viu nos últimos meses, a Justiça portuguesa está (também ela, como a política e muitos outros sectores da sociedade) parcialmente capturada pelos meninos e meninas bonitas dos sem-vergonha, que a troco de um prato de lentilhas e desse fervor doentio se deixam corromper e assim traem os seus princípios e "juramentos" e os nossos direitos e garantias constitucionais. UEFA e FIFA, nem vale a pena tentar, só lidam com corrupção de alto perfil - a sua própria.

É por isso tempo de, nós Portistas, nos lembrarmos do que somos feitos, de onde viemos e de quais são os valores basilares sobre os quais assenta esta nossa jura de amor eterno. A luta do Clube é a luta da Cidade que lhe deu o nome. A defesa do que é nosso, por direito, porque criado com o nosso suor e contra a usurpação sistemática do nosso provento pela e para a ostentação da capital. 

Não podemos continuar a assistir de braços cruzados ao retomar da vigarice dos anos do Treta, agora ainda mais às claras e sem qualquer reserva de pudor (como se eles soubessem o que isso é). Esta farsa, esta fraude gigantesca a que chamam "Futebol Português" está prestes a falsificar mais um "campeão" (sempre o mesmo "campeão"), após mais um andamento da vigarice em Vila do Conde (tal como Braga, Feira e Moreira).

Eu, sócio e accionista, exijo que o Porto tome uma medida definitiva, independentemente das consequências que daí advierem. Não digo que não sejam ponderas, pelo contrário, mas chegados a este ponto, não vejo o que poderia ser pior do que participar (e assim validar) esta vigarice imunda e sem fim à vista. 

Se o presidente e seus pares não têm interesse ou simplesmente não partilham desta visão, então devem dizê-lo e serem julgados por isso. O silêncio é que não é aceitável, porque ensurdece. E prefácios de revistas e tweets também não valem quase nada, porque não resolvem nada. Eles não têm vergonha na cara e não se importa do que se diz sobre eles, em especial se for verdade. 

Pinto da Costa tem uma última missão, se a mais não se propuser: reacender o combate sem tréguas contra o nacional-lampionismo que se julga intitulado a vencer por direito próprio e à margem de todas as regras.

E eu que proponho em concreto? Sabendo que os Estatutos não o prevêem mas admitindo que não o proíbem, marcar uma Assembleia Geral Extraordinária para a próxima sexta-feira, com ponto único para discussão: como deve o Clube reagir a este estado de coisas. 

Por mim, defendo como mínimo a não-comparência ao último jogo do campeonato, equacionando também faltar ao Jamor, a convocação de todos os Portistas para uma manifestação massiva na sede que se julgar mais conveniente, fazer campanha para punir nas urnas todos os responsáveis políticos (sempre, agora uns, depois os próximos, é-me indiferente) e uma nova exposição à UEFA (mesmo sabendo o resultado) bem divulgada nos media internacionais.

Podemos perder o segundo lugar, podemos ser relegados para uma divisão inferior, podemos até falir e ter de recomeçar de novo. Meço as palavras, não as atiro da boca para fora. Sou Portista e continuarei a ser, seja em que divisão for, em que campo jogar. Não ganho nada com o Clube que não seja a alegria de ver as nossas equipas jogar e vencer sempre que somos melhores. Mas tenho muito a perder: a minha identidade, os valores com que fui educado e que em boa parte partilho com o Clube e a minha alma Portista. Mas isso só poderia acontecer se ficasse (eu e o Clube) quieto, amorfo, resignado a esta podridão que tomou de assalto o desporto nacional. Se lutarmos, nunca perderemos, nunca.
 


Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco




quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Manuel, o Triste Bárbaro


Como se não bastasse a irritação solene que aquela postura de pavão recheado me provoca, eis que o bom senhor resolveu dar um passito mais fora da sua dourada reforma parlamentar e voltar a eriçar-me os pêlos.




Corria o mundo na sua louca normalidade, entre as diarreias twittícas de Trump, os afectos agora um pouco menos afectuosos do Senhor Presidente e a invertebrada bonacheirice do actual rei absolutista dos lusitanos, D. Costa I, quando o triste do Manel se lembrou de nos lembrar que ainda está aí para as curvas, prontinho a seguir em frente em cada uma delas.

No sempre democrático modo da "carta aberta", o camarada veio desafiar D. Costa a usar de trela curta na sua nova ministra de Cultura, a tal que teve o desplante de traduzir em proposta de lei algo que a esmagadora maioria dos portugueses pensa: as touradas são uma barbárie bafienta, importada de um tempo onde a amada democracia do Manel nem era ainda sonhada neste canto do planeta, carregada aos ombros de meia-dúzia de "aficionados" e que portanto não justifica qualquer tipo de benefício ou ajuda por parte da sociedade como um todo. 

São uma minoria sim, mas não das que necessitam de protecção suplementar; são antes uma "seita" sádica a quem falta coragem para espetar bandarilhas nas costas dos familiares e vizinhos, canalizando para os touros essa frustração.

Atente-se que a ministra não veio propor a proibição da tourada - isso sim, seria motivo de legítima e saudável contestação por parte do Manel e demais tristes, ainda que perfeitamente justificável a discussão - mas apenas defender que o cruel "espectáculo" não beneficiasse de uma taxa reduzida de IVA, a par dos verdadeiros espectáculos culturais. 

Pois não só deveria ter taxa máxima de IVA, como uma sobre-taxa especial. Uma não, dez. Todas as reverter para associações de acolhimento e tratamento de animais vítimas de abandono e maus-tratos, fundos ambientalistas e afins. E mais, já é tempo de o Governo, um qualquer governo, pôr fim ao nojento apoio e palco que a televisão pública dá às touradas. Querem televisão, que se fundam todos no seu próprio canal, privado e suportado por quem gostar da carnificina.

Ou então que se dê a todas as "meias-dúzias" de cidadãos a possibilidade de recuperar velhas tradições culturais, como as lutas de cães ou de galos, a tortura dos opositores, a fogueira dos hereges, o apedrejamento das adúlteras e tudo o que lhes der na gana. Afinal, há que preservar as "liberdades pessoais" como o Manel as entende. Olha, por exemplo, aqui na minha rua somos uns quinze fanáticos por um "desporto" muito peculiar, o espancamento de deputados que voluntária e repetidamente vilipendiam o erário público - teremos direito a taxa reduzida no IVA? Ou a practicar o desporto, pelo menos? Serão os touros menos dignos de protecção que esses animais?

A liberdade do Manel termina onde começa a minha e vice-versa. Tem, portanto, todo o direito de querer touradas e eu de não as querer. Em democracia, debatem-se os pontos de vista e depois vota-se: e ganha a maioria. O "velho resistente" estará porventura a ficar demasiado velho, perdendo a noção do essencial que durante tanto tempo defendeu. Quer impor a uma imensa maioria algo que essa maioria não quer (e que vasta percentagem abomina), bem ao estilo Bolsonaro que sugere nascer destas "intolerâncias". O Manel continua a servir-se do faro, mas já com graves falhas na sua interpretação: cheira-lhe a totalitarismo, mas não se apercebe que é o seu próprio.



Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco




quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Valente Merda


Chega, Sérgio. Já são vários os avisos e as tentativas falhadas nas mesmas circunstâncias. Campos pequenos, equipas medíocres mas hiper-motivadas e cheias de "saúdinha", árbitros sempre "atentos" a tudo o que podem fazer para impedir as nossas vitórias e, por fim, incapacidade para impor de forma inequívoca a nossa indiscutível superioridade.


"Quem garantir que está offiside, é mentiroso ou mentecapto (ou ambos)"

Concordo com todas as críticas que o treinador fez na conferência pós-jogo, referindo-se precisamente ao que acima referi - neste e noutros jogos - mas há que acrescentar as culpas próprias, que se traduzem num jogo fraco do Porto em Moreira de Cónegos.

Apostámos na entrada directa de Paulinho para o onze, perante a ausência de Danilo, com Herrera e Óliver a assumirem o duplo pivô defensivo - ou melhor, alternando nesse papel. E aí começaram os nossos problemas. Se ao recém-chegado brasileiro nada se pode apontar (estreia razoável, com bons pormenores e natural falta de entrosamento), aos outros dois tudo se pode: ambos foram demasiado maus para ser verdade, e sobretudo, para que a equipa conseguisse ser perigosa e acutilante.

O Moreirense foi uma nulidade em termos ofensivos. O único lance de quase-perigo nasceu de um ressalto, ainda na primeira parte, e foi devidamente "limpo" por Felipe. De resto, um deserto. Remeteu-se a tarefas defensivas, com marcações muito cerradas aos quatro avançados e aos dois extremos, assim que passavam a linha de meio-campo. No meio, dois jogadores fisicamente poderosos e com "liberdade" para abusar dessa sua mais-valia.

Perante este cenário e após uma primeira parte confrangedora, não entendo a demora de Sérgio Conceição em mexer no que claramente não estava nem ia funcionar. 

Porquê desperdiçar mais vinte e dois minutos até finalmente meter outro avançado (Tiquinho)? 

Porque não tirar do jogo um ou ambos os médio(cre)s perante tão más exibições, dando uma oportunidade decente a Sérgio Oliveira

E Abou, fez sentido abdicar dele com o resultado a zero, metendo um jogador com mais velocidade mas sem capacidade física para disputar bolas aéreas na área? Não seria de esperar pela última substituição e então arriscar tudo, tirando um médio ou até um central? 

E já agora, também me pareceu haver excesso de desinspiração a mais, de forma quase transversal a toda a equipa. O que se passa, realmente? Se fosse um ou dois, era normal; quase todos...

Soube realmente a pouco, coach. Outra vez.

Não faltaram os habituais lances de perigo, as ocasiões de golo, mas em dias em que não há eficácia, são precisas mais para garantir pelo menos um golo. Ou então uma arbitragem competente, mas com isso já sabemos que não podemos contar. 

E agora, o mantra do costume: mesmo a jogar assim, mal, teríamos ganho o jogo se a arbitragem fosse correcta e/ou isenta. Onde lagartos e vigaristas ganham pontos à custa de erros e/ou paixões do apito, nós perdemo-los. E assim fica a dúvida se vale a pena participar nesta farsa.






Notas DPcA 


Dia de jogo: 30/01/2018, 21h00, Estádio Comendador J. A. Freitas, Moreirense FC - FC Porto (0-0)


José Sá (6): Nada a declarar.

Ricardo (5): Não gostei. Muita parra e pouquíssima uva. E no futebol pretende-se qualidade, não somente quantidade. Vi-o pensativo no final e percebo bem porquê: sabia que não conseguiu estar ao seu nível.

Alex Telles (7): Deu de bandeja o golo a Brahimi e ainda tentou (bem) fazer o seu, ambos os lances a partir de livres directos. Qualquer um destes bastaria para resolver o jogo, mas ainda acrescentou outros, que ninguém quis/soube aproveitar. Isto num jogo onde até não esteve particularmente inspirado.

Reyes (6): Ele esforça-se, mas aquela lentidão natural parece impedi-lo de chegar a outro patamar, aquele onde "moram" os bons centrais do Porto. Disto isto, lá foi cumprindo à sua maneira.

Felipe (7): O melhor da equipa, o que é uma dupla surpresa. Primeiro, pelo pouco que tem jogado; segundo e mais grave, porque significa que os demais estiveram abaixo do exigível. Quanto ao brasileiro, só faltou mesmo ser mais expedito na altura de empurrar de cabeça para o fundo da baliza, porque de resto esteve quase impecável, com destaque para o providencial desarme no único lance de perigo do adversário.

Herrera (5): O Errera voltou na pior altura, é tudo o que se me oferece dizer. Cada lance é um suplício, um sufoco, pela imprevisibilidade do desfecho. Até que começa a ser previsível, no mau sentido.

< 89' Óliver (4): Estou baralhado. Andei tanto tempo a defender a sua utilização para isto? Passes sem nexo, ou atrasados, ou adiantados, ou com força a menos, ou a mais, ou, ou, ou!! Irra, pá. Nem uma para a caixa? Que 89 minutos de nulidade.

< 67' Paulinho (6): Estreia talvez demasiado precoce, para uma posição onde é fundamental conhecer as rotinas para que o jogo flua e as coisas saiam com naturalidade. Sentiu essas dificuldades, pois claro, mas não se rendeu e do seu talento saíram dois ou três bons passes de ruptura que poderiam e deveriam ter tido outro desfecho.

Brahimi (4): Noite para esquecer. Creio que nada lhe saiu bem, nadinha. Zero. Nem o golo cantado conseguiu aproveitar. Que má altura para um enguiço deste calibre.

Marega (5): Quase nunca teve o espaço de que necessita para explanar os seus pontos mais fortes e quando o teve, não conseguiu grandes resultados. Creio que o posicionamento também o condicionou, algo que não será da sua (maior) responsabilidade.

< 74' Aboubakar (5): Pouco em jogo, quase sempre sufocado por uma muralha de adversários, teve um par de lances onde poderia ter conseguido melhor desfecho. Saiu, não por estar a ser pior do que os outros, mas por opção técnica no mínimo duvidosa.

> 67' Soares (5): Causou impacto imediato, infelizmente não soube dar sequência e mostrou-se absolutamente incapaz de atirar com precisão à baliza, para lá de algumas faltas escusadas. Acrescentou enquanto novo elemento no jogo, mas individualmente nada trouxe

> 74' Waris (6): E pronto, ao segundo jogo já sabe o que significa vestir esta camisola. Aqui nunca se pode festejar um golo até que o diabo acabe de esfregar os seus mil olhos. Vestidos a rigor, os encarnados do apito não validaram. Para lá desse lance decisivo, nada. Mas chegava, não chegava?

> 89' Sérgio Oliveira (6): Foi rápido a demonstrar que já há muito deveria estar em campo. Três ou quatro colocações a preceito na área e os lances perigosos a reaparecerem, com destaque para o último, o do golo anulado. Em seis minutos, conseguiu fazer mais em termos ofensivos do que Óliver e Herrera juntos.




Sérgio Conceição (4): Não, mister, assim não. Atirem-se à cara dos outros as suas culpas - que existiram, como tem existido em quase todos os jogos, mesmo nos que ganhámos - mas tratemos de ser mais competentes no que nos toca, até para prevenir essas "golpadas" do costume. Onze mal organizado, disfuncional, a desperdiçar outra parte. E ainda mais vinte minutos, sem melhorias evidentes. Não dá para esperar tanto tempo, Sérgio! Há que dar aos jogadores o sinal de que têm de resolver o jogo logo no início, porque de outra forma podem nunca o chegar a fazer. Erros vários e a vários níveis, num dos piores jogos do seu consulado no Dragão. A rever, com muita urgência. 



Outros Intervenientes:



Nesta equipa do Moreirense que nunca quis jogar futebol a valer, destaco o único que merece, por ter tentado fazê-lo e pelo muito (bem) que defendeu: Rúben Lima.


Outra arbitragem implacável, no pior sentido da palavra. Luís Ferreira e restante gang juntaram-se ao já extenso rol de árbitros que nunca hesitam em não validar lances capitais a nosso favor, mesmo quando disso resultam claros atropelos às Leis do Jogo. Um penálti evidente, porque Johnatan não joga na bola, mas apenas na cara de Felipe; um golo invalidade sem a mínima evidência de existir um offside claro e indiscutível; e muita, muita permissividade perante o anti-jogo do Moreirense, quer através de faltas, quer nas múltiplas e variadas perdas de tempo. Um sério candidato a árbitro internacional.


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Infelizmente, aconteceu o que eu temia. Fraquejámos neste jogo, abrindo o flanco para artistas como Luís Ferreira. Mais dois pontos desperdiçados, que em si podem não representar muito, mas que teriam sido um golpe rude nas aspirações dos sem-vergonha. Com mais penálti, menos fora-de-jogo, amanhã a lagartada vai ganhar e anular a vantagem que era nossa, aumentando a pressão para a segunda parte do jogo do Estoril. Não havia necessidade, mesmo. Mas o destino continua nas nossas mãos, nada de desesperos: apenas mais rigor e competência.



Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco