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segunda-feira, 30 de abril de 2018

E no Final... Marca o Marega


Passava já das 23h e na Avenida do Mar, em contraste com a pacatez de um domingo à noite, ainda se continuavam a ouvir, aqui e ali, agora e depois, gritos anónimos (não denunciados!) de "Pooorto" ou "Eu quero o Porto campeãaaooo", como balões de São João a pintar a noite escura. O Funchal tem de facto muito mais encanto salpicado de azul e branco. 




E tudo porque, horas antes, no Estádio do Marítimo, conquistamos uma mui decisiva vitória mesmo ao cair do pano, num campo "amaldiçoado" onde já não ganhávamos há muitas épocas. Após a brilhante vitória do Tondela no dia anterior, o campeonato ficara ainda mais à nossa mercê - desde que conseguíssemos derrotar o Marítimo.

E assim foi. Somos quase-campeões, o que, como bem se sabe, é o mesmo que não ganhar nada. Zero. Ficamos foi muito perto de ganhar. 

Um jogo onde o até Porto entrou bem, logo a ameaçar marcar nos primeiros segundos e depois por um par de vezes nos vinte minutos que se seguiram. O que correu mal foi o que veio a seguir: não tendo conseguido marcar, a equipa enervou-se, tremeu e perdeu o discernimento para continuar a pressionar com qualidade para chegar ao golo.

Quase em cima do intervalo deu-se a expulsão do GR visitado, após derrube a Soares que se isolava, lance que obviamente marcou o jogo em definitivo. Não conseguimos aproveitar nem o livre, nem os minutos que ainda faltavam até ao descanso, mas a expectativa era a de fazer uma segunda parte muito mais conseguida e dominadora, consubstanciada em golos.

Na realidade, tal não aconteceu. A parte mais importante, pelo menos. Ficamos com o domínio do jogo, é verdade, mas da forma desejada pelo Marítimo, que nos ia conseguindo controlar nas zonas de perigo e quase abdicando de pôr o pé na nossa metade do campo. Toda a avalanche de lances ofensivos que se foram sucedendo era de pólvora seca, fosse pela incapacidade de desposicionar a defesa adversária, pelo desacerto do último passe ou pela ineficácia nas escassas oportunidades de finalização.

À medida que o relógio avançava, a frustração e o "desespero" começavam a pairar sobre os nossos - dentro e fora do campo - apesar do apoio ininterrupto vindo das bancadas. O treinador foi ao banco mas não conseguiu alterar grande coisa, mantendo-se a incapacidade para chegar à baliza em condições de finalizar com sucesso.

Já próximo do final dos 90 regulamentares, foram os dois "mais suspeitos" do costume a resolver: Telles marcou o pontapé de canto e Marega cabeceou para o fundo da baliza. Com ou sem brilhantismo, estava feito. Golo. Vitória. Campeonato à vista.






Notas DPcA 



Dia de jogo: 29/04/2018, 18h00, Estádio dos Barreiros, CS Marítimo - FC Porto (0-1)


Iker (7): Sem muito para fazer, foi uma vez mais decisivo ao negar o golo no lance de maior perigo (e único) do Marítimo, ainda na primeira parte. #renovaCasillas

Ricardo (6): Jogo menos conseguido, apesar da luta permanente. Pareceu estar com dificuldades em controlar a pressão do jogo.

Alex Telles (7): Muita desinspiração, aparentemente por culpa do nervosismo, não lhe permitiu ser aquele lateral do costume, mas ainda assim foi decisivo ao assistir para o único golo do jogo.

Felipe (7): Bem a "gerir" a sua zona de influência e até para lá das suas fronteiras, quase sempre concentrado e certeiro nas suas acções.

Marcano (7): Tal como Felipe, controlou bem a sua zona de acção na maior parte do tempo, quase não permitindo oportunidades para o adversário atirar à nossa baliza.

Herrera (6): É para mim um desespero ver este homem jogar. Corre que se farta, dá o litro e recupera a bola, para logo a seguir a desperdiçar com um passe absurdo. É uma espécie de choque térmico contínuo.

< 71' Sérgio Oliveira (6): Importante no combate físico do meio-campo, acabou por não lhe "sobrar" muito para o momento ofensivo, optando quase sempre pelo passe curto ou lateral, sem risco nem recompensa, sendo que as mais notáveis excepções foram o passe para Soares no lance que acabou com a expulsão de GR contrário e um remate de longe já na segunda parte.

< 59' Otávio (5): O menos inspirado da equipa, talvez por não ter entendido bem como e onde se posicionar em campo, em particular durante toda a primeira metade. Saiu com naturalidade.



Foto de Rogério Ferreira / Kapta+

< 88' Brahimi (6): Andou muitos minutos a decidir mal, também ele aparentemente nervoso primeiro e quase-desesperado depois. Foi o último a ser substituído, quase já no final do jogo e com o nulo no marcador, pelo "peso" que os adversários lhe atribuem, mas francamente deveria ter ido descansar mais cedo. Pelo meio, teve alguns bons registos individuais, com o ponto alto num lance brilhante sobre a esquerda onde se libertou dos adversários, entrando na área e assistindo Otávio para um... quase-golo.

Melhor em Campo Marega (7): Não foi a locomotiva do costume, não só porque não está na plenitude das suas capacidades, mas também porque a estratégia do adversário para o controlar foi bem montada. Ainda assim, foi ele quem decidiu o jogo e muito provavelmente o campeonato, que justamente ficará para a história como o Campeonato do Marega.

Soares (5): Trabalhou muito mas com pouco propósito e ainda menos acerto, em particular na finalização, o que quase nos custou a vitória.

> 59' Corona (5): Defraudou as expectativas a quem acreditava que poderia agitar e dar mais intensidade ao nosso ataque, mostrando-se pouco inspirado e até desconcentrado.

> 71' Óliver (6): Acrescentou qualquer coisa em termos de assertividade ofensiva, embora sem fazer realmente a diferença num jogo que continuou a caminhar para um frustrante empate.

> 88' Gonçalo (-): Entrou a tempo de "estorvar" os adversários para que Marega finalizasse.

Sérgio Conceição (6): Ganhámos, excelente, magnífico, estamos mesmo prestes a cortar a meta. Dito isto, ganhámos por muito pouco. E muito pouco foi também o que a equipa jogou, mesmo com a sorte do jogo quase sempre a nosso favor, com destaque para a superioridade numérica de que beneficiamos desde o minuto 41. Todos compreendemos que a equipa está a jogar muito perto do seu limite (às vezes, parece que até para lá dele), que se aguentou "por um fio" graças à vitória na Luz, mas é difícil "desculpar" uma exibição tão pobre num jogo tão importante. Difícil mas não impossível, porque no final os três preciosos pontos regressaram com ela para o Dragão. 





Outros Intervenientes:



Este Marítimo do competente Daniel Ramos é uma equipa formada por bons valores, bons de bola, que em sua casa se transformam numa equipa perigosa e muito combativa. Apesar de não ter mostrado muito neste jogo, Joel Tagueu tem uma movimentação muito interessante, dando uns ares de Jackson. Gostei também de ver um para mim desconhecido Jorge Correa, bons pés e durinho.


Foto de Rogério Ferreira / Kapta+

À partida, o nome Carlos Xistra causa sempre calafrios a qualquer Portista, tão "dramático" que é o seu histórico recente connosco. No entanto, desta vez surpreendeu pela positiva. Pareceu entrar mais descontraído do que o seu normal (por que será?), levando as coisas "a bem" e deixando jogar, mas fazendo cumprir as regras do jogo. 

Acabado de regressar da Madeira, não tive ainda oportunidade de rever o jogo ou sequer os lances mais polémicos com a devida e necessária atenção, em especial o da primeira expulsão, que terá sido o mais relevante do jogo. Do que vi, parece-me que a decisão do auxiliar/VAR foi acertada, porque não considero que haja qualquer falta por braço na bola de Soares. O movimento do braço resulta da percepção do avançado do abalroamento iminente e preparação "automática" para a queda que se seguiria. Se entretanto descortinar algo diferente, aqui virei rectificar.


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Não é ainda tempo para balanços, pelo que venha de lá esse ponto final que os Aliados já mal se aguentam de se imaginar banhados pelo imenso Mar Azul. Todos sabemos que o Porto tem muito mais encanto quando pintado de Azul e Branco. Vamos lá acabar com isto.


Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco



segunda-feira, 8 de maio de 2017

Recital em Duas Notas


É fácil de resumir esta época da divisão superior do futebol nacional. Repugnante, mas fácil.

Sem complicar, explica-se rapidinho: em 2016/17, a tribo do futebol luso foi brindada com um Recital em Duas Notas tocado a quatro mãos (de corpos distintos). 




A nota Fá, que em rigor não foi tocada por nenhuma mão mas antes por tentáculos, muitos e sucessivos, que assim Fabricaram um campeão Falso como Judas. Dos mais de trinta anos que levo a ver futebol com muita atenção, não me lembro de alguma vez ter assistida a tamanho despudor e falta de vergonha na cara como agora vejo no benfica de Vieira e toda a sua corte rastejante de sabujos e invertebrados. 

Nem eu, que afirmo sem hesitar que o Benfica não ganha um campeonato por mérito próprio desde 1994, havia alguma vez imaginado que a vigarice desavergonhada assumisse tamanhas proporções. Ao contrário de outros títulos comprados, onde os benefícios do andor se destacaram sobre tudo o resto, nesta época acumularam ainda mais vergonhosa conspiração de prejuízos ao Porto - algo impensável nos anos em que tínhamos um presidente que presidia com todo o seu ser - que a não terem existido, já nos teria permitido ter festejado o título há algumas semanas atrás.

Pois que festejem até lhes saltarem os olhos das órbitas, porque este rótulo de sem-vergonhas nunca mais ninguém lhes tira. É uma tatuagem de infâmia que lhes manchará as almas para todo o sempre. Cada um deles que se desenrasque a viver com isso. Sabendo eu que a boçal imensa maioria nem articula mais do que meia-dúzia de palavras com sentido e portanto nem sente o toque, sei igualmente que há muitos benfiquistas que são tão bons ou tão maus quanto eu - e é a esses que me dirijo agora. Saibam que sempre que vos encarar, a todos e a cada um, verei a etiqueta da desonestidade estampada na vossa testa.

A nota (que mete) Dó ficou a cargo do sofrível Nuno Espírito Santo. Um "treinador" (desculpem, mas não encontro justificação para remover as aspas) sem eira nem beira, fraco de convicções e ainda menos de capacidades, a que se junta um discurso melado que dá ideia de ser dito por alguém que acabou de ler (apenas uma vez) um livro foleiro de auto-ajuda, daqueles de quem acha que é a bater punho que se chega a algum lado.

Uma época inteira sem que alguém (ele incluído, suspeito) consiga perceber o que pretendia para a equipa. Equívocos, enganos e desenganos, avanços e recuos e uma recta final inaceitável, uma sequência de exibições tão medíocres quanto o treinador, que se traduziram em cinco empates. E o pior de tudo, é ter aquela sensação que com nenhum deles aprendeu coisíssima nenhuma, que voltando atrás, faria exactamente as mesmas cagadas. 

Caísse o Carmo e a Trindade e o Porto fosse ainda campeão, que não mudaria sequer uma vírgula. Mais um tremendo erro de casting por parte de Pinto da Costa. Sugerir sequer que pode continuar nem chega a ser insultuoso, é motivo para por em causa a sanidade mental do presidente e seus pares.

Sem coincidência, as duas notas juntas dão FaDo. Mesmo ao jeito do revivalismo saudosista que esta liga salazarenta ressuscitou. 


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O jogo de sábado no Funchal foi semelhante a todos os outros recentes que também acabaram mal. Uma equipa mentalmente destruída, sem confiança, com medo de tudo e de todos - apesar de bem tentar fazer peito e disfarçar.




A primeira parte até foi boa, com a equipa a começar a jogar desde o primeiro apito, com boa pressão e a colocar bastantes unidades em zona de finalização, o que me surpreendeu de tal maneira que ao intervalo me interrogava se já não teríamos "gasto" os 45 minutos da praxe. Não foi bem assim, mas quase. Regressámos do balneário com o tal peito feito, a ver se convencíamos o Marítimo da nossa invulnerabilidade de papel. Por volta da hora de jogo, a máscara começou a cair com demasiada rapidez para o nosso próprio bem, o adversário não teve receio algum de ir à procura do empate, mesmo sabendo que poderia sofrer o segundo. 

Mais do que coragem, acredito que fosse uma convicção de que iríamos ceder sob pressão, a exemplo de vários outros jogos. E cedemos, claro. Não conseguimos fazer o segundo em condições favoráveis, oferecemos um canto que nem nos amadores e, com alguma falta de sorte à mistura, sofremos o empate sem que houvesse uma qualquer oportunidade anterior. Convicção de uns, medo de outros. E quem vive no terror de que tudo lhe corra mal, muitas vezes acaba mesmo por lhe correr. 

Com o empate, o meu lado racional logo concluiu que estava feito, na melhor das hipóteses não perderíamos. Claro que o emocional continuou a acreditar cegamente até ao penúltimo minuto dos descontos, mas no fundo, no fundo, até ele sabia que não marcaríamos outro golo. O desacerto e a falta de convicção com que tentamos fazê-lo chegaram a ser deprimentes. 

São os jogadores que não têm qualidade? Certamente que não, a grande maioria definitivamente que não. O problema está no sótão e nas minhocas que lá habitam. 

Uma psicose resultante de um massacre de uma época inteira a sentir a completa animosidade das arbitragens, de saber que nenhum pequeno deslize deixaria de receber um enorme e desproporcionado castigo, ao passo que a nosso favor apenas casos de morgue ou, vá lá, de internamento nas urgências, mereceriam alguma deferência por parte dos "senhores" do apito. Um amarelito, se tivéssemos em dia de sorte. Se fosse fora da área adversária, obviamente. 

Quando a este status quo se junta um treinador que não consegue transmitir segurança nem confiança aos jogadores no seu plano de jogo (admitindo que existe algum) e, por inevitável consequência, nas suas próprias capacidades que, por definição, não chegam para resolver um jogo que é colectivo, chegámos a onde estamos hoje. No final de mais uma época e sem nenhuma conquista. E uma próxima sem estar sequer na Supertaça. Miserável.




Notas DPcA 

Dia de jogo: 06/05/2017, 20h30, Estádio dos Barreiros, CS Marítimo - FC Porto (1-1)


Casillas (6): Um quase-espectador que nada podia ter feito no golo sofrido. Ingrato.

< 85' Fernando Fonseca (6): Chamado de surpresa pela ainda maior surpresa que foi a ausência de Layún da convocatória (quem souber, que explique), mostrou-se solto e desinibido, com bons pormenores e atrevimento que quase lhe valeram uma estreia de sonho coroada com um golo. Teve algumas falhas menores que passariam sem remoque mas infelizmente fazia parte do trio que assistiu em primeira fila ao movimento de Djousse que só acabou no fundo da nossa baliza. Em todo o caso, uma boa estreia a pedir nova oportunidade.

Alex Telles (5): Já não é o primeiro nem o segundo jogo em que denota uma falta de concentração pouco compatível com um profissional com o estatuto e a capacidade técnica que possui. Este acabou mesmo por nos sair caríssimo, porque o canto absurdo que cedeu resultou no empate que nos tramou.

Marcano (6): Não esteve tranquilo na primeira metade, mas também não cometeu nenhum deslize "cabeludo" nesse período. Recompôs-se e fez um resto de jogo de qualidade aceitável, mesmo se incapaz de ajudar no ataque.

Felipe (5): Também pouco seguro na fase inicial, mas também se reergueu e recuperou a sua normalidade. Mas na fase final, perdeu por completo o controlo emocional, "aliviando" para a bancada bolas sucessivas quando seria fundamental tentar mantê-las em jogo para iniciar novo ataque. É a cabeça, estúpido.

< 76' Rúben Neves (6): Jogo bem menos conseguido do que em Chaves, talvez pela maior agressividade destes adversários na disputa da bola, pelo chão e sobretudo pelo ar. Foi demasiado macio para aquilo que a equipa precisava, mais concretamente no segundo tempo, mas o saldo consegue ainda ser positivo (barely).

André André (5): Depois de ter sido o melhor em Chaves, foi dos piores na Madeira. Fraco nas disputas de bola, foi ainda pior na construção, revelando-se muitas vezes incapaz de fazer um passe de desmarcação e até de "assistência", mesmo quando as condições eram favoráveis. Foi um mau André na ilha, aquele que dá razão aos que dizem que não tem estofo para ser titular do Porto. Eu acho que tem, mas neste jogo não o demonstrou. E era (também) neste jogo que precisávamos que o demonstrasse.

Herrera (6): A verdadeira surpresa no onze enquanto médio, já que muitos até lhe adivinhavam presença como defesa direito. Teve um ou dois pares de passes "à ele mesmo", mas nem isso o afastou de uma exibição globalmente positiva, pelas recuperações e acelerações ofensivas, onde esteve particularmente activo. Já vi Herreras piores, bem piores..

< 71' Otávio (7): Menos exuberante e eficaz do que no jogo anterior, mas ainda assim o único capaz de ver as desmarcações dos companheiros e conseguir pôr-lhes a bola redondinha. Tem essas características (únicas no plantel ?) de que jamais NES poderia ter prescindido durante tanto tempo. Mas, para não destoar, tirou-o do jogo assim que o empate chegou. Brilhante. Afinal, já tinha marcado um golo e quem sabe se faria outro.

Brahimi (6): De regresso à equipa após uma injustiça de dois jogos, não foi capaz de pôr o seu jogo ao serviço da equipa. Sempre muito centrado em si mesmo, raras foram as vezes em que "meteu" o último passe em boas condições, acabando o jogo a desesperar com ele próprio. Já éramos dois, Yacine.

Soares (5): Não conseguiu marcar, apesar das oportunidades flagrantes de que dispôs. E isso tem sempre de marcar negativamente a exibição do suposto goleador da equipa, em especial quando o resultado final é um empate. Só luta não chega. Mesmo.

> 71' Corona (5): Não foi capaz de acrescentar nada à equipa, seguindo o modelo Brahimi de auto-atrapalhação com a bola. Já bastava um, digo eu.

> 76' André Silva (5): Entrou a frio, dispôs de uma oportunidade de cabeça mas não acertou na baliza. Melhores treinadores virão, André - aqui ou noutro lado melhor.

> 85' Rui Pedro (5): Nada a relevar, apesar das tentativas.

NES (1): Chega. Fim. Rua.





Outros Intervenientes:


Sou apreciador deste trabalho de Daniel Ramos no Marítimo, infelizmente desta vez tocou-nos levar com ele. Não que a sua equipa tivesse feito um grande jogo, aliás confesso que esperava mais, mas claramente foi suficiente para nos empatar, mesmo se com alguma sorte à mistura. Daquela que dá trabalho, já se sabe. Também já se sabe que não fica na Madeira na próxima época, pelo que possivelmente seguirá carreira noutro campeonato. Vou continuar a segui-lo. Da sua equipa, devo destacar as boas presenças em campo de Charles (boa surpresa), Raúl Silva (de quem nem sou grande fã), Fransérgio (porquito mas bom jogador) e claro, o imprestável Luís Martins, que se lesionou ainda antes de nos poder brindar com um dos seus famosos auto-golos. Que azar o nosso...

Tirando aquele autoritarismo inclinado que apareceu na fase final (pós-empate), típico de Jorge Sousa quando apita o Porto onde supostamente foi superdragão (permissão para rir à gargalhada), nada de relevante a apontar. Definitivamente, não foi por ele que não ganhámos. 



Não foi intencional, mas acabo por escrever este texto já depois do Rio Ave - benfica. Até parecia mal que não ganhassem um jogo decisivo graças à (não-)intervenção divina da arbitragem, onde mais um penálti escandaloso e uma expulsão ficaram por marcar em desfavor dos candeeiros. Apenas e só mais um episódio dos #sem-vergonha no país do faz-de-conta, nada mais.

Vou continuar a ver os jogos até final, nem saberia fazer diferente, mas a partir de agora já com o olhar centrado na avaliação do que foi a época, nas conclusões que se devem tirar e nas consequências para o que se segue.



Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco




domingo, 23 de agosto de 2015

Dia de jogo: CS Marítimo - FC Porto (1-1)



E ao segundo jogo, os primeiros dois pontos perdidos.



Comecemos pelo onze inicial. Mais ou menos alinhado com as previsões gerais, Lopetegui preferiu manter Herrera e deu a merecida titularidade a Varela. Tudo dentro do expectável. À partida, um onze com boas condições para triunfar.

Começou o jogo e logo se percebeu que não seria bem assim. Mais uma entrada frouxa q.b. (a enésima na era Lopetegui), quem sabe se motivada pelas declarações e correspondente postura do treinador na antevisão ("jogo de máxima dificuldade"). Afinal, parece que o basco ainda não percebeu onde está nem a responsabilidade que o nosso historial impõe. Nós somos Porto mas não é de letra, é de atitude. Em Portugal, temos que entrar sempre com a confiança para dominar e ganhar em todos os campos, apenas admitindo maior equilíbrio em Alvalade e na Luz. 

Castigo divino ou aleatoriedade cósmica, o certo é que o jogo começou da pior forma. Ao minuto 4, Varela marca um canto de onde resulta um lançamento a nosso favor, por Maxi. Confusão, contra-ataque do adversário por Marega, que temporiza, novo ataque pela nossa direita com cruzamento largo para o primeiro golo do jogo. Falha grave de Cissokho após displicência de Varela na pressão sobre Marega. E pronto, começamos a perder.

A reação ao golo demonstrou vontade mas com pouca competência e muita previsibilidade. E outra coisa, na disputa de cada lance, os jogadores do Marítimo estavam sempre dispostos a dar um pouco mais do que os nossos. Como se tivéssemos ainda todo o tempo do mundo para inverter a situação. O nosso jogo muito afunilado, médios sem profundidade nem progressão, o jogo a chegar lento às alas, sem vantagem numérica, previsível e fácil de anular, excepto pelo talento individual. Mas repito, com vontade os jogadores. Sem grandes ideias, mas com vontade.

Golo de Herrera aos 34' e tudo voltou a serenar, como se já estivesse garantido o mal menor e isso fosse suficiente. Com mais uma ou outra tentativa envergonhada de assalto à baliza adversária, chegou inexorável o intervalo.

Tendo em conta o golo sofrido logo a abrir, no descanso era pior a exibição do que o resultado. Mas isso não me animou nem um pouco. Sou portista e não me deixo levar por esta onda condescendente que julga aceitável ou satisfatório jogar de igual para igual ou apenas um pouco melhor que o Marítimo.

Mas avancemos então para o segundo tempo. 

O que seria de esperar depois de 45 minutos em que entramos a perder mas conseguimos empatar, deixando tudo como no início?
Uma reentrada fortíssima, a empurrar o adversário para as cordas e fazer rapidamente o segundo golo. 

E o que aconteceu?
Um regresso tranquilo, a ver o que o jogo ia dar. A pasmaceira habitual da equipa de Lopetegui. Sem sentido de urgência nem consciência colectiva da responsabilidade. O adversário agradeceu e começou ele próprio a fazer contas ao que mais poderia conseguir do jogo, com os nossos cumprimentos. Bola para o lado, bola para trás, bola para Maicon e passe transatlântico para onde calhasse (às vezes bem , às vezes mal).

Aos 55', dupla substituição. André André e Tello por Herrera e Varela. Alguma alteração táctica? Algum risco? Nada, zero. 

Posso aceitar que não tenha substituído ao intervalo para ver se a palestra sortia efeito (estou a pressupor que houve uma), mas se ao fim de apenas 10 minutos já tinha constatado que a sua retórica havia falhado, por que raio não deu alterou a forma de jogar para uma postura mais ofensiva, passando clara mensagem (por actos e não palavras) que o jogo era para ganhar fosse de que maneira fosse? É verdade que a dupla recém-entrada quase fazia golo logo aos 58', mas rapidamente se deixaram absorver pelo marasmo e deserto de ideias que nos caracterizou.
E o jogo lá avançou, sempre muito disputado, muito "físico" por parte dos visitados a defender e rápido a sair para o contra. No último quarto de hora o jogo começou a partir-se, com perigosos espaços a surgirem nas nossas costas, mas sem que isso tivesse como contrapartida o reforço evidente da nossa pressão ofensiva. Algumas excepções como a quase-assistência de André para o desperdício de Abou na pequena área. 

E a seguir, o inexplicável. Osvaldo entra (finalmente) mas quem sai é... Aboubakar! O nosso avançado é substituído a pouco mais de 10 minutos do fim de um jogo em que estamos empatados e temos que ganhar. Existirá alguém com criatividade suficiente para me tentar explicar isto?

Osvaldo entrou para o mesmo anonimato de Abou, mas como poderia ser diferente se nada mais se alterou? Ainda assim, sofremos um ou outro susto em remates de longe e criamos mais algumas situações de perigo na área, a mais relevante das quais o cabeceamento de Maxi à trave no último andamento da partida. Podíamos ter tido a felicidade de marcar nesse lance e ganhar, mas seria "apenas" essa a diferença: 3 pontos em vez de 1. De resto, nada mudaria nesta análise.


Vamos então às notas DPcA:

Casillas (6): atrapalhou-se com os pés após um "remate" de Herrera mas correu bem. De resto, pouquíssimo trabalho ainda que com alguns sustos em remates que passaram próximo da baliza. 

Maxi (7): quase saía em ombros como o herói da pátria, mas a fortuna riu-se na cara dele (e nas nossas). De resto, entrega total durante todo o jogo, com mais ganas a atacar do que a defender, como é sua característica.  

Marcano (6): teve Marega a invadir constantemente o seu território e nunca pode relaxar. Procurou simplificar e reduzir espaços, o que conseguiu quase sempre. Cumpriu bem.

Maicon (6): é lento e disso não nos livramos. Seja a atacar ou a defender, parece que tem um lag de um ou dois segundos entre o pensamento e a ação. Mas ontem não foi por ele. Cumpriu sem reparos de maior.

Cissokho (5): indiscutivelmente responsável máximo pelo golo sofrido, soube seguir em frente e foi à luta sem reservas físicas ou mentais. Não conseguiu ser tão ofensivo como seria desejável, mas o Marítimo também deve receber crédito por isso.  

Danilo (6): começou com dificuldades de posicionamento, foi melhorando e começou a desmarcar-se mais à frente, mas raramente foi opção de passe para os seus companheiros. Não só nunca foi o patrão que diz gostar de ser (e que não seria expectável que já o fosse), como quase sempre se limitou a tarefas defensivas, que cumpriu relativamente bem. 

Imbula (6): jogo complicado de analisar, este do francês. O mais relevante que fez foi a assistência para o golo, só por si feito relevante. De resto, sem ter estado mal, também não se destacou por contribuir mais do que a média para o nosso jogo ofensivo.

<-55' Herrera (6): Não, não foi o pior dos nossos, mesmo sem acrescentar grande coisa ao jogo colectivo. Por vezes é também ele vítima da "similitude" dos médios. E os passes, senhores, os passes são impróprios de um jogador profissional, ainda mais ao serviço do FC Porto. Aquele atraso para Iker... Mas ontem foi dele o único golo que nos separou de nova derrota na Madeira e isso tem que ser (sobejamente) valorizado. 

Melhor em Campo - Brahimi (7): sem deslumbrar, inventou espaços e ajudou a equipa a subir e chegar à área. Mas afunilou em demasia e tem dificuldade em fazer o passe longo para tirar partido do espaço que a sua criatividade descobre. Ainda assim, foi muitas vezes ele a agitar as águas e por segundos, devolver-nos a esperança. Como na assistência para a cabeça de Maxi, no último suspiro da partida.

<-55' Varela (6): esforçado, também ele falhou no lance do golo (não tinha que ser ele a "ir" a Marega, mas já que foi tinha que ser mais assertivo). Teve algumass boas incursões na linha mas o último passe nunca foi com açúcar. Saiu cedo do jogo, quando se procuraram outras soluções que ele não estava a dar.

<-79' Aboubakar (5): quase ninguém o viu nos primeiros 46 minutos, até sofrer a falta à entrada da área que nos ofereceu um livre muito perigoso, para Brahimi desperdiçar. Passou toda a primeira parte prisioneiro dos centrais e trincos madeirenses, incapaz de sair dessa zona para procurar jogo e abrir espaços. Começou a segunda metade mais dinâmico e disponível para colaborar mas foi sol de pouca dura. Voltou ao mesmo registo e por lá continuou até à sua incompreensível substituição, logo após não conseguir fazer golo (em posição de esforço) já na pequena área. 

>55' André André (7): entrou voluntarioso e a assumir a responsabilidade de fazer a equipa rodar mais depressa e chegar mais vezes ao ataque, o que conseguiu a espaços. Com o passar do tempo, deixou de ser capaz de arrastar a equipa consigo, antes sucumbindo, também ele, morto de sede no deserto de ideias de Lopetegui. Mas nunca deixou de lutar, o que nestes jogos pode acabar por valer ouro.

>55' Tello (6): continua a perder demasiadas bolas fáceis, seja a dominar ou a passar. Falta -lhe o #vamosportocaralho dentro do campo, só Twitter não chega. Ainda assim teve alguns bons lances pela direita e quase consegui o golo ou a assistência. Passa muito tempo ausente do jogo e desta forma vai continuar a ver o início dos jogos sentadinho no banco.

>79' Osvaldo (5): entrou com vontade... de ver o primeiro vermelho de dragão ao peito. Não agrediu ninguém mas arriscou-se (ainda que o adversário tenha feito o mesmo e primeiro). Se vai ser assim, boa sorte para nós. De resto, foi mais vítima do que vilão. Em vez de entrar como parceiro de Abou, entrou para o seu lugar. E sozinho, também ele não conseguiu ser útil à equipa. Teve uma bola em profundidade que não conseguiu dominar a preceito e pouco mais.


Outros intervenientes:

António Xavier e Moussa Marega. Não é de agora, na época passada já lhes detectei talento e fortes possibilidades de subirem muitos degraus nas suas carreiras. Muito irreverente, técnico e consequente o ala. Já o avançado, apesar do porte respeitável, muito móvel e com finalização. Trazia ambos para o Porto.

Uma palavra de apreço para Ivo Vieira, o treinador do Marítimo. Não conheço a maioria dos seus jogadores, mas o que conta no final - o efeito prático das suas alterações - resultou sempre. Respondeu às nossas e conseguiu neutraliza-las em grande percentagem, ainda que no derradeiro lance com um enorme beijo da Lady Luck. E ouvi-lo na flash foi até reconfortante. Recomendo, a quem não ouviu ou não prestou atenção.

E outra para o árbitro, Hugo Miguel. Quase sempre bem e nada caseiro, se é que me faço entender. No lance final de Maxi à trave pode discutir-se se há falta do jogador maritimista, mas não é um lance claro e evidente. Nem ele ajudou Lopetegui a defender o indefensável. 



Depois do discurso absurdo de abordagem ao jogo, em que, como tantas outras vezes, insistiu em fazer do Marítimo um adversário de valor idêntico ou até superior ao nosso, Lopetegui foi correcto na flash após o jogo, mas o que disse pouco interessa. Porque o injustificável não pode ser justificado. Gostei bem mais do silêncio (forçado) de André André.
 
Em resumo, ano novo, o mesmo... cacau.

Pior que o desfecho do jogo, só mesmo a postura de Lopetegui no banco, gesticulando e barafustando loucamente, que nem uma teenager histérica por os pais não a deixarem ir ao concerto. Não se compreende este desespero tão temprano. Porque ou os jogadores são todos burros ou então não sabe passar a sua "mensagem" durante os treinos diários sobre como deseja que a equipa jogue.

Espero e confio que ao fazer a retrospectiva desta época, verifique que este tenha sido O percalço, isolado e de preferência único. Caso contrário, sugiro que usem mais vezes o equipamento alternativo, sempre é mais condizente com o que fazem.  

Tremenda desilusão.

Siga para bingo, já no próximo sábado, no Dragão, contra o Estoril Praia. Quem quiser dois bilhetes, pode concorrer aqui!


Do Porto com Amor (e bastante azia)



sábado, 22 de agosto de 2015

Hoje joga o Porto! (vs Marítimo)


E ao segundo jogo do campeonato, lá vamos nós à Madeira. So what?

Imagem Bruno Sousa


Juro que não entendo por que raio se desenvolveu o mito deste papão que - diz que - come dragõezinhos ao pequeno-almoço.

Ou melhor, sei como surgiu. Assim:

14/15 Derrota: Marítimo 2 - Porto 1 (TL)
           Empate: Nacional 1 - Porto 1 (Liga)
           Derrota: Marítimo 1 - Porto 0 (Liga)

13/14 Derrota: Marítimo 1 - Porto 0 (Liga)
           Derrota: Nacional 2 - Porto 1 (Liga)

12/13 Empate: Marítimo 1 - Porto 1 (Liga)


Mas o que não entendo é o motivo de tamanho bloqueio mental nas visitas aos clubes madeirenses. Se fosse só com um, ok, aceitava-se, todos os grandes têm uma ou duas bestas negras para lhes atazanar o juízo a cada santa época (e já agora, também não entendo o porquê destas, racionalmente falando). Mas até com o União empatamos 2 dos 5 jogos que com eles disputamos na ilha...

Não há, obviamente, nenhum motivo razoável para isto acontecer. Nem o medo de aterrar, nem a humidade ou temperatura (bem boa!), nem o nevoeiro e muito menos o bolo do caco ou o peixe-espada. Nada. Rien. Niente. Ouviram ò cromos da bola? Por isso vamos lá honrar a camisola que vestem e fazer aquilo que lhes compete: ser melhores em campo e ganhar.

Não espero grandes mudanças face ao primeiro jogo além do óbvio (Cissokho).  

Danilo deve ser aposta para manter e como tal, deverá jogar uma boa série de partidas até que Rúben tenha uma hipótese de alinhar de início. Para hoje, acresce ainda o factor psicológico de Danilo defrontar a antiga equipa.

Talvez André possa ter uma oportunidade, face à evidente má forma de Herrera, mas tratando-se de um dos preferidos de Lopetegui, pode muito bem ser o mexicano o titular. 

Por último, Varela ou Tello (porque me parece que Brahimi jogará sempre). De novo, socorrendo-me do que conheço do treinador, deverá ser Tello a começar, ainda que o português tenha estado bem melhor no primeiro jogo. Uma versão mais ousada poderia incluir os três, com Brahimi na posição "10", mas sinceramente não me parece.

Assim sendo, o meu palpite para o onze:



Sejam eles quem forem, os 11 que entrarem de início e os prováveis 3 que se seguirão, terão apenas um objectivo primário - ganhar o jogo - e um secundário, de bónus - esmagar, golear, vencer sem espinhas - e mandar o tal do papão de volta para a sua caverna imaginária com uma colossal perfuração rectal. 


Resumindo, até os comemos carago!


Do Porto com Amor