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segunda-feira, 5 de setembro de 2016

A Lista de Mendes


Nota preliminar importante: nada me move contra o sucesso profissional de Jorge Mendes. Por linhas tortas ou direitas, a verdade é que partiu de quase nada para chegar ao muito que tem hoje. Mesmo não sendo o maior empresário do mundo como tanto gostam de o pintar por cá, é um dos mais influentes em várias ligas e clubes. Tem obra feita e portante deve merecer o sucesso que tem. Tudo o resto que se diga sobre a sua actividade, sem provas concretas, não passa de especulação.

 (e eu especulo)




A mim, enquanto Portista, apenas me interessa o impacto das suas acções (ou omissões) no sucesso do Clube. E, por essa perspectiva, Jorge Mendes é apenas mais um filho bastardo que se está perfeitamente a defecar para o Porto. Tenho a certeza que não se esqueceu de que foi no Dragão que passou de zé-ninguém a empresário de renome, ainda antes do jackpot CR7. Tanto o clube como o empresário lucraram com a relação. Depois, outros interesses se levantaram. 

Compreendo o afastamento no pós-Gelsenkirschen, tratando-se da internacionalização do seu negócio e de lançar a rede a peixes maiores, muito maiores (financeiramente falando) -  e também de certo deslumbramento que se viveu por cá. Até aqui, tudo imaculado. O problema começa quando Jorge Mendes decide regressar ao investimento local e promove a abertura da lavandaria da Luz. Tem todo o direito de trabalhar com quem quiser, tal como eu tenho de não gostar das suas opções. Mas enfim, cada um à sua vida.

No entanto, não foi só isso que aconteceu. Jorge Mendes nunca deixou de trabalhar com o Porto, e pouco importa se foi mais por vontade da SAD do que pela sua. Se aceitou manter ou reatar ou reforçar a ligação profissional, o que se lhe exigia era isso mesmo, que se comportasse como um bom profissional. Se não queria estar a dar-se ao trabalho de lidar com os tostões de cá, que o assumisse. Se queria apenas engordar vitelos no Seixal, que o assumisse. Como não o fez, mais uma vez tenho o direito, enquanto Portista, de o criticar. Tratar-nos como a parte fraca e descartável é que não. Quem não se sente...


Mais do que mil palavras


Aparentemente, três dos últimos quatro treinadores vieram pela mão do empresário ou, no mínimo, existe uma ligação forte entre eles. Só por aí, já lhe poderia apontar o dedo - no entanto, que eu saiba, ele no máximo "sugere". Quem decidiu foi o presidente Pinto da Costa e restante administração. Maus conselhos, ainda assim.

Bem mais grave se torna a questão quando passamos para os jogadores, a sua grande especialidade. Recentemente, Adrian é a contratação mais sonante que chegou pela sua mão. Neste defeso, abriu a porta 18 a Rafa e deixou Mangala escorregar para a lavandaria de Valência. Quase tudo dito, embora haja mais. 

Falta ainda acrescentar que as aproximações recentes foram sobretudo para fazer "raptos" cirúrgicos, de que Rúben Neves e André Silva são os melhores exemplos (também não ignoro a legítima vontade dos jogadores em pertencerem à sua lista de mercadorias, como é óbvio). Como diria a minha avozinha, é finório. Leva o lombo e deixa o resto para quem tiver interesse.

E vendas? Zero, zerinho. O super-agente de repente perdeu os seus super poderes quando se trata de jogadores do Porto. Em contraste e por comparação, observe-se o que o bom do Mendes tem feito pelo Benfica de Vieira. Quem despacha produtos seixalenses inacabados por 15 milhões aos magotes, perde depois o toque de Midas quando passa o Douro? Não me venham com a treta de que não temos jogadores vendáveis, eles também não tinham. Com parceiros de negócio assim, quem precisa de rivais? The North remembers.

Tenho realmente pena que os dirigentes eleitos do Porto não sejam capazes de impor o interesse do Clube acima de todos os demais, sejam eles pessoais ou de terceiros. Talvez seja tempo de regressar às origens, apostando mais numa rede eficaz de scouting, em vez de depositar cegamente todas as fichas (e responsabilidades) nas mãos de meia-dúzia de empresários meramente guiados pelo seu interesse. Talvez a chegada de Luís Gonçalves para o lugar deixado vago por Antero Henrique (próximo post) dê corpo a essa ideia. Talvez, mas duvido.



Lápis Azul e Branco,

Do Porto com Amor