Compreendo que aos jogadores seja mais difícil aperceberem-se da dimensão da roubalheira, porque afinal, são eles que estão dentro de campo a correr e suar para conseguir ganhar. E quando o conseguem, não deixam de pensar que ganharam pelo seu trabalho, relativizando os "favores" como sendo apenas detalhes sem os quais ganhariam na mesma. É obviamente errado, mas compreensível.
Dos treinadores já espero outra postura. Pese embora também viverem intensamente o jogo, estão do lado de fora e conseguem ter uma visão diferente, mais abrangente. Mesmo que não o consigam durante o jogo, têm à sua disposição pequenos exércitos de informadores e tecnologia sem fim para poder revisitar as suas primeiras impressões e corrigi-las, se for o caso.
De um treinador dos sem-vergonha (para quem não se lembre, o subproduto em que Benfica actual se tornou), não espero nada de positivo. Nem mesmo de Rui Vitória, por quem nutria alguma simpatia e respeito antes de se transformar no que é hoje.
Supostamente (digo-o assim porque a fonte é o pasquim record), Dom Sonso Pança disse isto:
"Acho que não. Mas lembrem-se lá de um jogo em que o Benfica ganhou por causa do árbitro. Não vejo nenhum jogo em que eu diga 'houve um penálti, ganhámos 1-0, foi um erro'"
Isto a propósito de (supostamente) ter sido questionado se alguma vez havia reconhecido ter sido beneficiado por uma arbitragem.
Se não queria reconhecer os evidentes benefícios de que a sua equipa foi alvo, ao menos tivesse o decoro de se manter em silêncio sobre o assunto. Desviar a conversa, como tantas vezes o fez perante assuntos incómodos ao nacional-candeeirismo.
Responder desta forma é simplesmente ridículo e uma afronta a qualquer pessoa de bem que acompanhe o futebol.
Isto não é proteger o seu grupo. Isto não é valorizar os seus méritos (que também existem, como sempre disse). Isto nem sequer é ser solidário para com a entidade empregadora.
Isto é assumir ser um dos tentáculos deste polvo salazarento. Isto é querer agradar à turba lampiânica que apenas quer ter motivos para partir cabeças no Marquês, sem se importar como lá chegou. Isto é ser parvo por pensar que faz de nós todos parvos.
Pois não faz, Dom Sonso Pança. Aqui não há quixotes alienados atrás de moinhos de vento. Aqui há gente séria que se recusar a conviver com uma farsa de dimensões épicas.
Nem só de penáltis mal assinalados a favor se ganham jogos de forma viciada. Também com o muito que se subtrai aos adversários se chega ao mesmo desfecho. Offsides mal assinalados, expulsões perdoadas, faltas não assinaladas (algumas dentro da área), enfim, é só escolher.
Segue-se uma pequena amostra, mas suficiente só por si para que o campeão já fosse outro. Apesar de NES!
FC Porto - Benfica (1-1): dois penaltis claríssimos por assinalar contra o slb
Feirense - Benfica (0-1): um penalti por assinalar contra o slb
Moreirense - Benfica (0-1): duas expulsões perdoadas ao slb, a primeira ainda com 0-0
Rio Ave - Benfica (0-1): penalti por marcar contra o slb
Ou seja, só nestes quatro jogos o Porto ficou sem dois pontos e o Benfica surripiou 1+2+2+2= sete. É só fazer as contas, Dom Sonso!
Sem tempo nem paciência para mais, aqui fica um possível resumo em vídeo:
Provavelmente não lhe perguntaram a seguir se o facto de o principal adversário ser constantemente vilipendiado nos seus jogos não o beneficia indirectamente. Suponho que mesmo que o tivessem feito, Dom Sonso teria respondido "Acho que não", sem perder a compostura.
Creio que já fez o suficiente para merecer um cognome.
Ouvi todos! Ouvi todos! Doravante, por decreto real, o ilustre coxo de Vila Franca de Xira deverá ser anunciado em todas as cortes e cantos do reino como
Dom Sonso Pança, o Desavergonhado!
No que as pessoas se transformam...
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A propósito de metamorfoses, o mui meritório Universo Porto - Da Bancada parece estar numa crise de identidade, agora que a época findou e Bernardino saiu de cena.
Apesar de tardio (demasiado tardio, como se comprovou), foi ainda assim a única voz do Clube durante a temporada contra a espetentacular campanha salazarenta que culminou com mais um título da treta. Mau por ser a única, bom por existir.
Já sem o futebol profissional jogado, sobram por estes dias as modalidades - também elas, vítimas deste octopus orelhudus - na fase decisiva para atribuição dos títulos. Neste capítulo, continua atento o agora empobrecido painel, ainda que a reboque de trabalhos anteriores de outros jornalistas da casa. Tudo bem.
A exposição de um alto quadro da PIDE como visita de casa do Benfica também faz sentido, dadas as inúmeras tentativas da prole em branquear esse inegável passado, que aliás se fez também presente, como fica fácil de ver. Muito bem.
O problema começa quando se deixa de falar dos erros dos outros e se começa a deflectir os nossos, como se aliás nem sequer existissem.
A questão do treinador é paradigmática. Primeiro, em relação à saída de NES, e agora, na questão do recrutamento do novo timoneiro.
Compreendo que o Clube tenha uma posição oficial que salvaguarde os seus interesses e bom-nome. Aliás, exijo-o. Mas não se "estiquem" em tentativas esfarrapadas de justificar o injustificável.
Se Nuno saiu por comum-acordo (nem demitido, nem rescisão unilateral da sua parte), eu entendo. Mas não entendo como é que a administração liderada pelo "Senhor Presidente" não tinha já o veredicto traçado em relação ao treinador. Como é que não era já assumido entre-portas que ele não servia. E não era, porque se fosse, obrigatoriamente já teriam de estar à procura do sucessor antes do final da época.
Não estavam.
Tendo iniciado o processo após o "divórcio" com Nuno, tenho também dificuldade em entender que se tenha permitido todo aquele circo à volta de Marco Silva. Se o queriam, deveriam tê-lo assumido publicamente. E se de facto foi o treinador que não quis vir, deveria o Clube tê-lo dito, passando todo o ônus da "nega" para os ombros dele. Ninguém de bom-senso entende uma recusa dessas sem motivos muito fortes.
Arrumada essa hipótese, continuamos à espera. O mal não está na espera em si, mas na navegação à vista que tem caraterizado esta administração. Ao sabor dos ventos e das correntes, aparentemente sem rumo próprio.
Vir Francisco J. Marques dizer que se soubéssemos dos nomes oferecidos ao FC Porto ficaríamos espantados, não vale nada. Zero. Se queria provar um ponto, tinha de citar alguns desses nomes. Assim, funcionou ao contrário, mais valia não ter dito nada.
E o pior de tudo, é aquela sensação de que nos têm a todos, os sócios e adeptos do Porto, por lerdos. Aquele carrocel de dicas e conselhos unionistas, paternalmente passados em catadupa por cada um dos comentadores, chega a ser confrangedor. Não vão por aí, meus caros, a franja de adeptos que se deixa levar por essa ladainha já está ao lado de quem nos dirige, haja o que houver. Forever and ever, suponho.
Já o disse em "discurso directo" e repito aqui: credibilidade exige coerência. Que não se perca o Norte, porque este trabalho é muito meritório e decisivo para que o futuro próximo possa ser um pouco mais azul-e-branco.
Do Porto com Amor,
Lápis Azul e Branco
Lápis Azul e Branco
