Foi bonito e revigorante ver o Dragão outra vez cheio, de gente e de esperança. Dizem que a festa não foi de se deitar fora, mas eu só cheguei a tempo de ver o jogo. Vi, ainda em casa, a apresentação do novo autocarro e confirma-se: continua a ter rodas e um volante, mas em mais catita.
O convidado de honra foi o nosso velho conhecido RC Deportivo de La Coruña, que actualmente vive momentos bem mais modestos do que em 2004, aquando da meia-final da Champions que disputaram connosco. Escaparam por pouco à descida no ano passado e parece-me, pelo que vi hoje, que nesta nova época vão passar pelo mesmo tipo de provações. Mas, também, quem tem Sidnei como central titular, como pode aspirar a mais? Que bela assistência para Corona, já agora.
O resultado final foi gordo e sem espinhas, mas, na verdade, para quem não viu o jogo, é bem enganador. O Porto, este novo Porto de Sérgio Conceição, passou por muito mais dificuldades do que os quatro sem resposta sugerem. Houve momentos de algum brilhantismo, mas foram poucos. Dominamos, sim, mas não de forma contínua. E ao adversário contei pelo menos três boas oportunidades para marcar. E vi-nos, a espaços, totalmente desorganizados, desposicionados e com o nosso homem a chegar tarde ao portador da bola.
Houve Danilo a menos. E isso nota-se sempre, até pela raridade. Muito desconcentrado, muitos passes mal medidos e tentativas de corte mal planeadas. Também não houve Corona durante a maior parte do tempo que esteve em campo, só me lembrou que estava em campo quando, enfim, assistiu Abou para o segundo. Aliás, estava tão discreto que o bom do Sidnei nem deu por ele... até que marcou. Os demais estiverem em plano aceitável, oscilando entre o muito bom e o razoável.
E eu até acho que foi bom que assim fosse. Serviu para que todos os que estiveram no estádio percebessem que ainda há muito trabalho pela frente, que ainda vai demorar até que a equipa esteja como o treinador a idealiza. Por outras palavras, foi o regresso do coração a casa e dos pés à terra.
As boas exibições contra Vitória e Portimonense poderão ter deixado no ar a sensação de que já estávamos quase lá, de que o Mago Conceição já tinha espalhado a sua magia e estava tudo feito. Não está, nem seria lógico que estivesse. Vamos assim, a ganhar e a "ilusionar" (xx credo!), mas com calma.
"Notas" DPcA
Dia de jogo: 30/07/2017, 19h30, Estádio do Dragão, FC Porto - RC Deportivo de La Coruña (4-0).
Marcou Pontos: Telles, Óliver, Abou, Sá, Sérgio Oliveira
Dia de jogo: 30/07/2017, 19h30, Estádio do Dragão, FC Porto - RC Deportivo de La Coruña (4-0).
Marcou Pontos: Telles, Óliver, Abou, Sá, Sérgio Oliveira
Tudo como Dantes: Iker, Ricardo, Marcano, Felipe, Corona, Brahimi, Soares, Maxi, Reyes, Rafa, Layún, Herrera, Marega, Hernâni
Marcou Passo: Danilo, Otávio, JC Teixeira
Os novos e os regressados:
Ricardo Pereira
- está definitivamente lançado para ser o lateral direito da equipa e, como tal, esteve sempre empenhado em cumprir a sua missão. Não se destacou, mas também não destoou. Balanço positivo na primeira vez que jogou nesta sua casa com o estatuto de titular "incontestado".
Diego Reyes - substituiu Felipe sem perda de rendimento, conseguindo até um par de incursões ofensivas de relevo. Teve também um dos seus passes à Herrera, mas foi só unzinho. Se tremeu, não se notou - já era tempo!
Rafa Soares - apenas uns minutinhos em campo para picar o ponto.
Rafa Soares - apenas uns minutinhos em campo para picar o ponto.
Sérgio Oliveira - consegui dar um cheirinho do perfume do seu futebol, coisa que raras vezes consegue. E só isso já é de louvar, porque é bonito de ser ver e porque tende a tornar o jogo numa coisa realmente simples...
Hernáni - tentou mostrar-se mas não lhe saiu grande coisa dos pés. Valeu o esforço e o comprometimento com a equipa no momento defensivo.
Marega - salvou uma exibição cinzenta ao aproveitar um erro infantil de um adversário para fazer o seu golo. E no aproveitar é que está o ganho...
Segue-se o último jogo-treino com o Gil Vicente e depois a estreia no campeonato, dia 9 no Dragão, contra o Estoril. E sim, haverá bilhetes para ganhar.
Do Porto com Amor,
Lápis Azul e Branco
