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segunda-feira, 16 de abril de 2018

Capitán Herrera: El Primer Vengador


É mesmo assim que se começa esta crónica, a glorificar o improvável herói que ontem criou uma quebra no contínuo tempo/espaço do filme imperialista dos sem-vergonha, adiando ou acabando em definitivo com a esperança do Portugalistão em celebrar o tão ambicionado quando viciado penta.




Héctor Miguel Herrera López, um coração enorme aninhado num corpo desajeitado que não tem especiais (nem ordinárias) capacidades para vingar como futebolista profissional - sim, meus caros, não mudei de opinião de um dia para o outro - mas que, contra todas as probabilidades, se mantém como titular no meu Porto com todos os treinadores que por ele têm passado, chegando até a capitão de equipa com Sérgio Conceição.

Foi Herrera, el Capitán, quem num momento de inspiração individual e já ao cair do pano, se encheu de fé e coragem e fuzilou o batoteiro Varela sem apelo nem agravo, para indescritível alegria da nossa nação e exemplar castigo para todos os que andam há quatro anos a festejar uma gigantesca farsa, mais ainda aos que albergam negligentemente essa culpa na consciência.

Ao contrário do que fui ouvindo e lendo, não penso que se tenha tratado de alguma espécie de justiça divina. Se houve alguma justiça a ser feita, foi a dos homens, daqueles que mais têm sentido na pele as trafulhices dessa corja de sem-vergonhas que tomou de assalto um dos grandes clubes do país.

O futebolista Herrera não é meu novo ídolo, nem sequer revi ainda um ponto que fosse sobre a minha opinião já muito fundamentada sobre si, mas se viermos finalmente a conquistar este campeonato como agora já exijo, entrará com todo o merecimento para a galeria dos imortais do Futebol Clube do Porto.




Para se chegar àquele momento mágico, houve que passar por 89 minutos muito intensos e emocionalmente exigentes, com diferentes momentos e muitas incidências a registar, mas todas dentro da normalidade de um Clássico. 

Creio com sinceridade que o Porto deveria ter feito mais para ganhar o jogo, considerando que estava e de lá sairia em segundo na classificação se não o tivesse vencido. 

A primeira parte foi muito mais do Benfica, já ponderados os diferentes momentos de dominância de cada uma das equipas. Mais concentrados, menos ansiosos e mais eficazes na construção - felizmente não na finalização. Também tivemos as nossas oportunidades, mas já muito "tarde" na metade.

O intervalo foi bom conselheiro (kudos a quem tiver feito por isso, imagino que com o treinador à cabeça) e a nossa reentrada forte e determinada foi decisiva para amedrontar os da casa, remetendo-os uma vez mais para os seus fantasmas e correspondente incapacidade de nos defrontar olhos-nos-olhos. 

Fiquei então com a clara sensação que, a partir daí, se trataria de uma corrida contra o relógio do árbitro na tentativa de conseguir fazer um golo que nos daria a quase-certa vitória. Claro que seria sempre possível sofrer um golo, em especial se o nulo se mantivesse e o desespero se apoderasse (como me parece que se apoderou) dos nossos jogadores, mas parecia-me mais provável que fossemos nós a marcar.

Tivemos duas ou três boas oportunidades, em especial a(s) de Marega, mas sempre sem a necessária e exigível eficácia. Com o nulo a manter-se, Sérgio Conceição arriscou tudo o que podia, fazendo entrar sucessivamente Óliver, Corona e Aboubakar. Em sentido inverso, o sonso-mor foi mexendo no sentido de não sofrer, apostando na manutenção da liderança que ele bem sabe lhe poderia bastar para o objectivo final.

Com o final do tempo regulamentar a aproximar-se, comecei a resignar-me que uma vez mais não iríamos ser capazes de domar o nosso destino, sem contudo deixar de espreitar para a eterna memória de Kelvin & companhia... Espreitava já o jogo de esguelha, com ângulo suficiente para apenas distinguir cores e movimentos, quando detectei uma aproximação relevante de azuis à área encarnada, numa espécie de último assalto e num impulso recuperei a visão total do televisor. O resto já é história - da boa.

Apesar da vitória, não vou deixar de registar mais uma lamentável transmissão da SVTV, tanto a nível "técnico" como "estratégico". E se quanto ao facto de nos fazerem perder quase metade do jogo em directo à custa de repetições inoportunas e demasiado longas se pode dizer que são apenas maus profissionais de realização, já em relação à constante sonegação de imagens e ângulos nos lances em desfavor da sua equipa e consequente deturpação da percepção pública do que de facto se passou dentro do campo, o que se TEM de dizer é que esta vigarice tem de acabar JÁ. Por princípio, a nenhum clube deveria ser permitido controlar a transmissão dos seus jogos. A este clube em concreto, ainda menos.






Notas DPcA 



Dia de jogo: 15/04/2018, 18h00, Estádio da Luz, SL Benfica - FC Porto (0-1)


Iker (8): Começa a ser normal assistir a grandes exibições do senhor Casillas neste palco, como se já não bastasse o temor natural que nos têm em termos ofensivos. Enquanto estivemos por baixo no jogo, foi Iker que nos manteve igualados e com as aspirações intactas. Herrera foi o mais decisivo pelo golo, mas Iker foi uma vez mais providencial. #renovaCasillas

Ricardo (7): Dois jogos num só. O primeiro, de fraca qualidade pela intranquilidade e desacerto, durou até cerca dos 40 minutos, quando o próprio teve uma iniciativa individual que quase dava golo. A partir daí, em especial durante todo o segundo tempo, foi um monstro e dominou por completo o seu corredor, dando inclusive para se aventurar pelo meio.

Alex Telles (6): Mesmo sem deslumbrar ou fazer as habituais assistências, fez uma segunda metade de bom nível que mais do que compensou o desacerto da primeira.

Felipe (7): Quase sempre bem nas marcações, conseguiu controlar os ímpetos e em nenhum lance se expôs para sequer ser advertido. Boa evolução, que espero não tenha volta atrás.

Marcano (7): Jogo com algumas falhas, mas felizmente sem consequências de maior. Quando mais foi preciso, voltou à sua normalidade e desfilou eficácia e sobriedade.

Melhor em Campo Herrera (5+5): Sim, sim, meninas e meninos, para mim foi o pior da equipa (ex-aequo) até ao sublime momento de glória, porque uma vez mais se fartou de desperdiçar posses de bola, para além do péssimo posicionamento em vários momentos da primeira metade. É certo que melhorou um pouco em sintonia com a equipa, mas não o suficiente para justificar uma nota positiva. Até que... "saiu" o Héctor Miguel e entrou o Capitán Herrera, o primeiro vingador e novo justiceiro super-herói do Portismo, que desenhou um momento de perfeição que perdurará para sempre na memória de quem teve a felicidade de o viver.




< 74' Sérgio Oliveira (6): Trabalhou muito e sentiu claras dificuldades para travar as saídas rápidas e em superioridade numérica dos adversários, pelo que não lhe sobrou grande tempo ou espaço para se destacar com bola a não ser pelos passes longos. Foi imprudente no lance em que agarrou Cervi, mesmo se Felipe foi quem fez a falta primeiro, porque deu margem de manobra para uma má interpretação do árbitro e consequente expulsão.

< 80' Otávio (5): A par de Ricardo, foi dos piores durante a primeira meia hora, com muitos passes perdidos e mau posicionamento defensivo. Melhorou a tempo de ajudar a equipa a crescer e conquistar o domínio da partida, até que depois saiu vergado ao cansaço e ao amarelo.

Brahimi (6): Sem ser um Brahimi especial, esteve bem melhor do que nas últimas partidas, porque foi capaz de perceber quando deveria insistir no lance individual ou servir os companheiros, garantindo com isso o "manter em sentido" de dois ou três adversários de cada vez, o que libertou espaço para os companheiros.

Marega (7): Regressou da lesão para a titularidade numa forma física invejável, só foi pena que o acerto na finalização ainda estivesse "em recuperação". Teve duas oportunidades soberanas, uma em cada parte, que nos poderiam ter dado vantagem mais cedo e provável acesso a uma vitória mais folgada e segura. Tirando isto, trouxe consigo o próprio modelo de jogo da equipa, que quase inacreditavelmente depende mais da sua presença do que a de qualquer outro jogador.

< 83' Soares (6): Esperava que fosse capaz de segurar mais a bola, dando tempo aos companheiros para subir e/ou ganhar fôlego. Ao invés, foi muito "anjinho" nos duelos, perdendo quase sempre o tempo de abordagem ou de domínio da bola. Quando conseguiu furar deu alguma profundidade, mas faltou-lhe estar mais perto da zona de tiro e com boas hipóteses de acertar no alvo, algo que só me lembro de ter feito uma vez para rematar ao lado. Sobrou o muito trabalho físico e de desgaste que desenvolveu.

> 74' Óliver (6): Não entrou como ele e todos desejaríamos, mas lá se encaixou no jogo e acabou por participar na ofensiva final, mesmo se de forma discreta.

> 80' Corona (6): O outro regressado de lesão denotou mais essa condição, mas participou no "contexto" que nos trouxe a felicidade. Desta vez, foi suficiente.

> 83' Aboubakar (6): Se mais não fez, esteve no lance em que a bola sobrou para Herrera nos fazer felizes. Para mim, chegou.

Sérgio Conceição (7): Uma primeira parte decepcionante para quem tinha de vencer, felizmente compensada com a segunda, onde justificamos a sorte que foi aquele momento H. No entanto, demos uma vez mais "uma parte de avanço", desperdiçando meio jogo. O que mais me agradou foi detectar que não hesitou em entrar em modo de desespero, mas de forma racional e acertada. Óliver tinha mesmo de ser, Corona foi ainda mais longe do que eu imaginava (Maxi para defesa e Ricardo a extremo) e Aboubakar a troca directa que se impunha. No final, festejou como todos nós e deve orgulhar-se de muito ter contribuído para isso. No entanto, atenção: os jogos mais difíceis são os que se seguem.





Outros Intervenientes:



Quanto à equipa da SAD Sem-Vergonha, Rafa foi quem mais se distinguiu, com nota positiva também para Grimaldo. Destaque ainda para o divino castigo final ao batoteiro Varela, espécie de parábola para o que foi efectivamente infligido ao clube que representa.


Em relação à arbitragem de Soares Dias & companhia, teve uma prestação defensiva, tipicamente portuguesa, apitando quase sempre as faltas no sentido em que geram menor polémica, como seja proteger quem defende. Disciplinarmente, perdoou demasiados cartões para ambos os lados (Herrera, Brahimi, Pizzi, Samaris, Samaris), mas nos lances mais polémicos e decisivos esteve bem.

- Lance entre Marega e Rúben Dias: o contacto de pernas pareceu-me normal, já o empurrão pelas costas deveria ter valido um livre muito perigoso, porque ainda fora da área. Em todo o caso, não foi flagrante ao ponto de exigir que tivesse sido marcado;

- Lance do possível segundo amarelo a Sérgio Oliveira: a falta foi cometida por Felipe e só depois houve o agarrão do Sérgio, pelo que em rigor a decisão foi correctíssima. No entanto, acho que o jogador se arriscou em demasia e o árbitro poderia ter interpretado de maneira diferente;

- Lance entre Ricardo e Zika: no momento, ainda hesitei entre a possibilidade de poder ou não ter sido marcado penálti, mas após algumas repetições fiquei totalmente convencido que nunca poderia ser marcado, porque nada de ilegal aconteceu no lance. Admitiria que o árbitro, num primeiro momento, pudesse ter a sensação de ser penálti, mas o vídeo-árbitro jamais poderia ter outra decisão.




Uma vez mais, quero aqui insistir na mesma tecla em que toquei na minha prestigiosa intervenção no A Culpa é do Cavani na antecâmara da partida, onde disse que mais do que o jogo da Luz, me preocupavam os que se seguiriam. Não estava nem a menosprezar o Clássico nem a exacerbar os demais: estava mesmo a dizer o que penso.

Os sem-vergonha não chegaram até aqui, a escassos quatro jogos de um inédito penta, para desistir agora. Da mesma forma que até aqui chegaram - a viciar e adulterar resultados - vão fazer tudo o que estiver ao seu alcance (e que ainda é muito, infelizmente) para que o Porto não vença os seus jogos.

A isto acresce ainda a dificuldade natural dos próprios jogos:

- Os jogos caseiros são contra V. Setúbal e Feirense, clubes com que registamos empates caseiros, desperdiçando pontos decisivos para os insucessos das épocas mais recentes;

- As saídas são ao Marítimo (provavelmente, o campo onde temos mais dificuldades) e Guimarães (sempre difícil, seja qual for a circunstância).

Estes quatro jogos serão todos, mas todos eles, muito difíceis se não os encararmos seriamente do primeiro ao último minuto. Claro que temos capacidade para os vencer, um por um, mas teremos de estar preparados para as minas e armadilhas que aí vêm.

Antes disso, há ainda uma segunda-mão da meia-final da Taça para disputar e vencer - no mínimo, fazer um resultado que assegure a presença no Jamor.



Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco



domingo, 2 de abril de 2017

Ambição de Perna Curta


Estão encerradas as contas do Clássico. Pontos repartidos, tudo na mesma na tabela, uma jornada a menos por disputar e o Porto a já não depender apenas de si para ser campeão. Satisfeito, Nuno?

Por tudo o que fez e disse, não tenho dúvidas de que Nuno saiu feliz do Estádio da Luz. Inacreditável.




Este jogo teria sido aceitável - recomendável, até - se tivéssemos ganho ao Setúbal, como era nossa obrigação. Aí sim, justificar-se-iam as cautelas, o "mais vale segurar um ponto do que tentar ganhar três e ficar sem nenhum". Nas circunstâncias em que entramos hoje em campo, soube claramente a pouco.

Ainda no túnel de acesso ao relvado era possível descortinar a enorme tensão que os nossos jogadores sentiam. Faltou trabalho psicológico. A confirmação chegou mal o apito inicial do habilidoso Xistra se fez ouvir. Jogadores rígidos, passes a saírem curtos, presos a um receio desnecessário mas que lhes tolhia a capacidade de desenvolver o seu futebol.

O lance do penalti assinalado pelo ardiloso Xistra ilustra perfeitamente esse ligeiro descontrolo. Felipe foi imprudente, entrou mal ao lance e Jonas só teve de fazer o que faz melhor e piscar o olho ao Carlos. A perder logo aos sete minutos, terá havido quem temesse o pior. Eu, por exemplo. Mas, racionalizando agora, talvez tenha sido bom ter sofrido golo logo a abrir. Porque deixou de haver dúvidas quanto à necessidade de jogar para marcar, para manter o campeonato em aberto. De ficar à espera que o céu pudesse ou não nos cair na cabeça.

Apesar disso, pouco fizemos até ao intervalo. Entramos verdadeiramente no jogo a partir do quarto de hora, tivemos algumas aproximações à área contrária, mas nenhuma verdadeiramente capaz de se finalizar em golo. O livre de Brahimi foi o que de mais parecido conseguimos. Quem também não fez muito mais foi o adversário, cujo maior mérito terá sido o de saber agarrar a vantagem que lhe caíra do céu aos xistralhões.

Na segunda parte, inverteram-se os papéis. Entrada mais forte do Porto e golo igualmente madrugador, fruto de muita persistência e basta qualidade de Brahimi, André André e Maxi. Sobravam então uns longuíssimos quarenta minutos para jogar. Tudo nivelado, tudo para conquistar.

Poucos minutos volvidos, antecipava-se um bis do que Soares tinha feito contra o Sporting. Por azar, era Nélson Semedo quem desta vez ia na perseguição, o que intimidou o avançado e o levou a optar pela revienga, que apesar de bem sucedida, deu margem de manobra a Éderson para sair em grande estilo e matar o lance. Foi quase o nosso canto do cisne.

Daí até final, o Benfica esteve sempre por cima e mais perto de marcar. Foi San Iker que mais uma vez nos manteve vivos. As substituições não trouxeram nada de positivo, bem pelo contrário, ainda que por motivos diferentes. Jota foi absorvido pelo cerco adversário e o seu momento de glória sonegado por um dos assistentes do manhoso Xistra. André Silva entrou tenso e desconcentrado, só diminui à nossa já de si parca capacidade de pressionar alto e construir ataques. Otávio entrou tarde de mais para poder ser relevante. Elemento comum a todas as substituições: nem um milímetro adicional de risco. Zero. Nada.

No final, dei-me por contente por não ter perdido. Mesmo se empurrado pelo viscoso Xistra, o Benfica foi, pela primeira vez em muitos anos, claramente superior. Foi preciso ir buscar NES para conseguir fazer deste conjunto banal de jogadores uma equipa melhor do que a nossa. É obra!

Pior do que a exibição, só mesmo ter de assistir a alguns tolinhos a festejar como se tivessem ganho.


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Notas DPcA 

Dia de jogo: 1/04/2017, 20h30, Estádio da Luz, SL Benfica - FC Porto (1-1)


Casillas (8): Uma vez mais providencial para garantir o empate. Jogador de jogos grandes = grande jogador. Uma vénia. E agradecido por os mandar baixar a bola.

Maxi (8): Queria muito elegê-lo como o homem do jogo, pelo golo e pela enorme e quase sobre humana bravura e resiliência com que defrontou a cavalaria encarnada, especialmente Rafa e Cervi. Vinha muito desgastado de dois jogos intensos pelo Uruguai, mas foi ao fundo da alma buscar as forças. Notável. Foi o melhor dos nossos e só não é o melhor em campo, porque esse vestia outra camisola.

Alex Telles (6): Sempre muito retraído (alô NES?), nunca foi a ajuda que Brahimi precisava para rebentar a defesa encarnada. Mas nem a defender esteve especialmente inspirado, tendo-lhe valido quase exclusivamente a raça com que se entregou ao jogo.

Marcano (7): Teve algumas desatenções complicadas, sobretudo em lances de bola parada, mas a exibição foi globalmente segura e bem positiva. Bem nas dobras e antecipações, nunca foi foco de destabilização, bem pelo contrário.

Felipe (5): Lance displicente, a não repetir (sobretudo porque não foi a primeira vez), que poderia ter deitado tudo a perder. Demorou um pouco a recompor-se e nunca foi verdadeiramente o melhor Felipe, traído amiúde por perigosos passes falhados e abordagens fora de tempo. Acontece. 

Danilo (5): Escolheu mal o momento da época para baixar (drasticamente) de rendimento. Começou com o Setúbal e deu seguimento hoje. Mordeu o isco de Jonas demasiadas vezes, saindo da posição e deixando uma clareira aberta para infiltrações inimigas. Foi ingénuo. Ou é ainda ingénuo, não sei. Mas custou-nos muitos calafrios. A atacar, tentou virar o jogo variadas vezes, mas sempre sem criar rupturas - a excepção foi o passe que isolou Soares.

Óliver (6): Teve dificuldade em conter o meio-campo adversário (culpas repartidas com NES) e nunca foi realmente importante a atacar. Jogo esforçado mas pouco relevante, sem nada que fique na retina.

André André (7): Foi o nosso melhor jogador no primeiro tempo, pena que quase mais ninguém estivesse disponível para emparelhar com ele. Bem a marcar e a pressionar, mas melhor ainda a forçar as saídas, com garra mas também com critério. Infelizmente quebrou por volta da hora de jogo e começou a desaparecer. E que tal treinar mais o cardio para fazer noventa minutos de grande nível?


 
< 87' Brahimi (7): O agitador de massas do costume, sempre à procura de porfiar por todo e qualquer buraquinho, foi o principal foco de preocupação dos adversários. Chega a "enjoar" só de o ver fazer tantas curvas e contra-curvas. Tem uma capacidade técnica de eleição e até rara, mas hoje, como em muitos outros jogos, faltou dar-lhe o melhor uso possível: um último passe de morte ou um remate vitorioso. Sem isso, sabe a algo inacabado. Ainda assim, um bom jogo.

< 67' Corona (6): A "surpresa" no onze, quis ser protagonista e também ele se permitiu dar asas à sua técnica, um pouco mais longitudinal do que a do argelino, mas igualmente sem um bom final para tanta habilidade. Foi sugerido que saiu por lesão (não consegui confirmar), mas a verdade é que estava já no seu pior momento da partida e era o candidato principal a ir tomar banho mais cedo.

< 72' Soares (5): Parece ter esgotado o fogo-de-artifício com que nos maravilhou a todos à sua chegada, agora é apenas um jogador normal, que acerta e falha como os demais. Naquele lance, ficou a sensação que poderia ter tentado ir a direito até ao fim... e que bonito seria, saber que ainda se mantinha num plano extraterrestre. No restante, teve dificuldade em segurar e combinar, não dando tempo aos companheiros para subir. Foi substituído pela miúfa de NES.

> 67' Diogo Jota (5): Não acrescentou muito ao pouco que Corona vinha fazendo antes da substituição, sendo obrigado a dar mais atenção ao plano defensivo, mesmo tratando-se de Eliseu o seu adversário directo... Uma única vez, arrancou isolado rumo à glória mas um erro arbitral interrompeu-lhe o lance.

> 72' André Silva (4): Está uma sombra do que é, sem confiança nem instinto de jogo. Está tudo na cabeça, pois claro. Insisto, precisa de ir ao psicólogo. E não adianta insistir antes de limpar a cabeça. Encravou. Foi claramente inferior a Soares, que também já não tinha sido grande coisa.

> 87' Otávio (-): Tempo insuficiente para se tornar relevante.

NES (4): Se o onze parecia acertado, a estratégia claramente não o era. Ou então o golo sofrido alterou tudo, mas não me parece. Quem pode ir jogar a casa do rival sem antever como razoavelmente provável sofrer um golo? Apesar dos discursos de ambição e nhanha, apenas transmitiu falta dela. Receio, cautelas, pequenez.

No jogo estratégico, foi claramente derrotado pelo treinador adversário. Nunca conseguiu perceber como estancar as investidas dos médios e alas pelo meio, porque não lhe ocorreu fixar Danilo à frente da defesa e repartir a vigilância a Jonas pelos outros médios. Ofensivamente, deixou a equipa partida, pela falta de "ambição" de Telles, sempre preso atrás. Apostou no transporte de bola de Óliver e André e no "Brahimi pega na bola e resolve" (sem apoio).

Um treinador confiante teria aproveitado o empate para tentar ganhar o jogo. Nuno apenas se esforçou por não o perder - e mesmo assim foi por pouco que o conseguiu. Terá assim tanta desconfiança das actuais capacidades dos seus jogadores?

Quer ser campeão à custa de terceiros. Espera poder chegar aos Aliados fruto do trabalho de estranhos ao Clube. Não entendo. Como não entendo a falta de uma crítica contundente no final à arbitragem tendenciosa, preferindo antes concordar com o penalti que nos foi marcado. Mas lá está, ele é "somos Porto". E eu sou do Porto. Um mundo de diferenças, um mundo de distância.





Outros Intervenientes:


Para variar, o Benfica conseguiu ser melhor do que nós. Uma raridade extraordinária. Para isso muito contribuiu a melhor leitura do jogo de Rui Vitória e principalmente as exibições de Nélson Semedo e Rafa, ambas muito bem conseguidas. No extremo oposto, Jonas, o palhaço de serviço, cabalmente aplaudido pelo astucioso Xistra e seus comparsas.


Chegámos então à nomeação do ano, Carlos Xistra. O tal que encomendou as faixas do #tricolinho. Começo já por dizer que aceito a marcação do penalti, mesmo achando que foi Jonas quem se atirou para cima de Felipe. Em velocidade real e sob pressão de todo aquele antro, compreende-se.

O que é incompreensível e inaceitável é a diferença de critérios aplicados a cada uma das equipas na marcação de faltas e advertências. Quem quiser rever o jogo (e for sério), que me tente explicar como é que só o Porto viu amarelos (cinco!). Como é que Pizzi, Sálvio, Jonas, Samaris e outros mais conseguiram chegar ao fim sem ver um cartãozinho que fosse. Nas faltas, as que não eram para amarelo, ainda houve maior dualidade. Incrível como não se marcavam infracções sucessivas sobre Brahimi, Corona, André André e Soares, ao passo que, no nosso meio campo, muito do que era papoila tombada era falta energicamente apitada. É assim que se encaminham jogos equilibrados. Uma vergonhosa arbitragem, mesmo se sem erros capitais.

Ah, mas esperem, houve um lance potencialmente capital mal avaliado: o offside mal assinalado a Jota quando se isolava para a baliza. Um lance onde havia boas probabilidades de acabar em golo.

E houve um efectivamente capital: o palhaço Jonas atingiu intencionalmente o treinador adversário, gesto que só pode ser considerado agressão, punível com expulsão no jogo e suspensão severa posterior. Tivesse sido com Luís Godinho e estava bem arranjado o palhaço. Ou seria Nuno o visado, por intencionalmente não se ter desviado do artista de circo?





Tudo somado, foi uma arbitragem à Benfica numa exibição à Porto dos da casa. O empate é mau para as nossas aspirações, mas nada compromete. Teremos que derrotar Belenenses, Braga e Feirense, para começar, para ver no que dará o derby quando formos a Chaves.

O que me custou mesmo foi a receita de falta de ambição da equipa, sem dúvida alguma cozinhada pelo chef Espírito Santo. Não esteve à altura dos nossos pergaminhos. O preço a pagar, só mais adiante saberemos. Entretanto, só nos resta amealhar todo e qualquer ponto em disputa. Todos juntos.



Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco



sábado, 13 de fevereiro de 2016

Alive and Kicking


Ainda não foi desta que nos fizeram o funeral neste campeonato. Mas talvez tenha sido desta que despertámos de um longo pesadelo rumo ao título.



Grande vitória.

Tão sofrida como desejada. Tão favorecida pela sorte como pela determinação. Era tudo o que interessava conseguir desta partida. Vencer.

Numa primeira parte em que os visitados entraram melhor, criaram algumas boas oportunidades e fizeram um golo cedo, o cenário não parecia famoso. Mas além de San Iker, houve algo mais. Algo que parecia adormecido num sono brancadeneviano. A nossa alma. Nunca cheguei a detectar nenhum dos nossos cabisbaixo, temeroso ou resignado. Desta vez, vi sempre nas suas atitudes a confiança de quem acredita poder agarrar o destino pelas suas próprias mãos. E felizmente, a sorte não nos falhou.

Empate praticamente à primeira oportunidade, que nem sequer o foi. Foi sim um grande remate de Herrera que não deu hipótese de defesa. Golaço. Daí até ao intervalo, jogo repartido, com os ataques a imporem-se às estratégias defensivas. Eles mais em posse, nós mais no contra. Mas repartido.

Na segunda metade, tudo se transformou. Nós e eles. E no mesmo sentido. Eles encolheram-se, quase desaparecendo do jogo e nós ocupámos o espaço deixado livre. O jogo continuou repartido mas o Benfica deixou de criar perigo. E então... então surgiu Abou a fazer o segundo. Explosão de alegria azul e branca.

O adversário não desarmou, como lhe competia. Tentou reerguer-se, mas já não reencontrou a mesma pujança da primeira parte... da primeira parte. E nós cometemos o maior pecadilho possível, remetemo-nos atrás. Totalmente atrás, sem conseguir sair a jogar durante minutos a fio. Percebe-se o que motivou a atitude, auto-defesa natural e subconsciente de um grupo de jogadores que nesta altura duvidam das suas capacidades individuais e sobretudo colectivas. Mas que podia ter sido fatal, tivesse o adversário conseguido crescer mais. Não conseguiu e quem ficou mais perto de fazer novo golo até fomos nós, já na fase final do jogo.

Não foi um jogo brilhante, mas no final brilhou a raça do Dragão. Welcome back!



Notas DPcA: 


Dia de jogo: 12/Fev/2016, 20h30, Estádio da Luz. SL Benfica - FC Porto (1-2).


Melhor em Campo Casillas (9): "Exibição de grande categoria, absolutamente decisiva para o grande resultado que acabámos de conseguir." É esta a descrição associada à nota nove. Assenta que nem uma luva. Três ou quatro intervenções absolutamente categóricas e decisivas para que apenas sofrêssemos um golo. Diz-se que os grandes aparecem nos grandes momentos. Ontem verificou-se. Agora é preciso que apareça também nos menos grandes.

Layún (8): Mais uma exibição à Layún. Melhor a atacar do que a defender, mas sempre muito combativo. É um senhor jogador mesmo sem ser craque. Que bom, pode ser que assim fique mais anos. Ah, e a assistência da praxe, ainda que desta vez o mérito quase total seja do marcador.

Maxi (8): Só por ter conseguido aguentar-se a tudo o que lhe fizeram, já teria nota positiva. Acrescentou ainda a limpeza com que se entregou às batalhas e a calma e discernimento que teve com a bola nos pés. É, eles insultaram-te mas foi porque têm saudades tuas. É compreensível. Do Porto com Amor.

Chidozie (8): Uma estreia memorável. Teve os seus pequenos tremores, como seria expectável, mas nada que belisque a coragem, acerto e maturidade com que se exibiu. E sim, tinha pela frente dois avançados que juntos já marcaram por 35 vezes no campeonato. Ganhámos um central ontem, não se atrevam a desperdiça-lo, oferecendo o lugar de novo a qualquer um dos Ms. Agora é mantê-lo na equipa até que perca fulgor e precise de uma pausa.

Martins Indi (6): Foi bravo, como todos os outros, mas esteve dominado pelo desacerto, que aliás quase lhe valeu um golo... na própria. Colaborou no esforço de guerra sem reservas e isso tem que ser valorizado acima de tudo o que poderia ter acontecido.

Danilo (9): Começa a ser difícil adjectivar as exibições deste menino. Enquanto os olhos mediáticos se concentravam no outro menino - o do adversário - o nosso fez um jogo monstruoso. Em todos os aspectos do jogo: bravura, entrega, compostura, talento, acerto. Enfim, monstruoso. Só mesmo o impacto das ações de Iker lhe poderiam retirar o título de MeC.

<-74' André André (7): Se não teve a exuberância de outros jogos, foi porque se dedicou às tarefas sujas mas imprescindíveis para ganhar a batalha do meio-campo. Entre outras coisas, dedicou-se a enfrentar o monstrinho Sanches e fê-lo quase sempre bem (apesar do enorme talento e da boa exibição do benfiquista). Uma exibição invisível para muitos, mas não para mim. Bem feito, André.

Herrera (8): Eu até tive que me socorrer das estatísticas individuais para comprovar a minha suspeita. Estão sentados? Pois aqui vai: "percentagem de passes acertados: 86%". 'Nough said. E um grande golo, num momento crucial do jogo. E outro desperdiçado, logo a seguir. E muito trabalho, quase todos bem feito durante os 90. É desesperantemente desconcertante, este mexicano.

<-59' Corona (6): Tinha grandes expectativas sobre a exibição que poderia fazer, conforme referi na antevisão, mas não se confirmaram. Não por falta de empenho, mas por falta de inspiração. E um pouco mais de desenvoltura. Enfim, q.b.

<-87' Brahimi (7): Ontem ficou (quase) até ao fim, como gosta. Mas foi porque mereceu e porque... era preciso que ficasse. A sua presença concentra muitas atenções adversárias que de outro modo estariam a pensar em 1001 formas de fuzilar Casillas. Continua a pegar no jogo muito atrás, ontem ofereceu-nos uma série de bailados que pareciam não ter fim mas que, naquele contexto, foram sendo muito úteis. Falta-lhe o danoninho para confirmar tudo o que sabemos que é capaz de fazer.

A festa do segundo golo


Aboubakar (7): Um golo decisivo no meio de um jogo de muito desacerto, ainda que com entrega total. Se não tivesse feito o golo, seria para mim uma exibição negativa. Como fez, tem que ser valorizado o momento acima do contexto.


->59' Marega (6): Entrou desligado do jogo e demorou um pouco a acertar agulhas. Quando o fez, passou a ser importante a atacar e - por conseguinte - a impedir ataques adversários. Teve um momento mau, quando não deu um golo feito (seria?) a Abou, preferindo tentar o chapéu a JC. Nota-se que tem muito mais para dar, mas ainda não sabe como. Alguém que o ensine por favor.

->74' Rúben Neves (6): Entrada no jogo com demasiado adrenalina que lhe valeu o amarelo logo no primeiro lance que disputou. Não se descompôs nem se escondeu, teve a tranquilidade que a sua inexperiência ainda não lhe ensinou para abordar o jogo com todo o empenho mas sem correr o risco da expulsão. Foi valente e importante no momento do encolhimento generalizado da equipa. 

->87' Varela (-): Entrou para segurar o resultado e cumpriu a tarefa, mas sem tempo suficiente para justificar uma nota.

José Peseiro (9): Vou ser claro, foi uma vitória do treinador. Que começou logo no onze inicial. Depois de ter visto o jogo, fico totalmente convencido de que manter Danilo no meio foi decisivo. Arriscou em Chidozie e foi recompensado. Viu a equipa sofrer primeiro mas não deixou que se descompusesse. Mostrou que confiava nos que lá estavam e no plano traçado. E voltou a ser recompensado pelo empate que se registava ao intervalo. E se a segunda parte foi quase toda nossa, foi também pela forma como mexeu na equipa. Muito bem, senhor Peseiro. Surpreendeu-me e ganhou um novo admirador. Mas que é volátil ainda; outra aroucada e voltamos à estaca zero. Vamos aproveitar este embalo e nada de mais aroucadas, ok mister?

Tabela de pontuação concluída, não deixem de visitar

 



Outros intervenientes:


Tentando colocar-me por uns segundos na pele de um benfiquista (já com o desinfetante a postos, obviamente), consigo imaginar o que muitos poderão estar a sentir. Tiveram oportunidades para pelo menos não perder, apesar da má segunda parte. Não tiveram a sorte do jogo desta vez. Que bom... Gostei de ver Renato Sanches, é de facto uma grande promessa. Enquanto estiveram por cima no jogo, Pizzi e Mitroglou deram nas vistas. E o sueco Lindelof também não destoou. Já Rui Derr... perdão, Vitória terá sido quem saiu pior do clássico. Não mexeu bem e foi incapaz de inverter o rumo que o jogo seguiu na segunda parte. Que bom...

Quanto à equipa de arbitragem liderada por Soares Dias, o que retive da emoção com que vivi o jogo foi que não teve influência no resultado final porque nós ganhámos. Houve um lance incrivelmente interrompido quando Marega ficava na cara de JC e que poderia ter sido uma falha grave. De resto, algumas falhas de pormenor para os dois lados, nada de relevante. Que bom...


No final, a comunhão entre equipa e adeptos


E agora... saborear. Nada mais, saborear. 

Até já! 


Do Porto com Amor




sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Hoje joga o Porto! (vs Benfica)


Um problema inesperado a dificultar a tarefa que se prevê complicada mas inadiável: vencer para encurtar distâncias e manter legítimas aspirações de conquistar o campeonato.


Bruno Sousa

A má construção do plantel (e a não-correção do erro em janeiro) ficam visíveis do espaço a olho nú neste momento crucial da época. Quem dos (apenas) 3 centrais que constituem o grupo 2015/16 tira um lesionado e outro proscrito, fica com... Chidozie ou Danilo para acompanhar Indi no eixo da defesa.

Nenhuma das duas soluções me agradam especialmente, mas não é por achar que farão pior trabalho do que qualquer um dos ausentes. Não senhor, que desses não sinto falta nenhuma. É por motivos diversos.

Optar por Danilo a central na Luz significa retirá-lo da posição onde mais e melhor pode dar à equipa. Para agravar um pouco mais a situação, Danilo será possivelmente o jogador em melhor forma. Bom se pensarmos que se pode superar a central, mau considerando que deixará de estar no meio campo a travar as investidas vermelhas e a assumir o início das nossas.

Lançar Chidozie às feras num jogo tão exigente é um risco duplo. Para a equipa, que se pode ver reduzida a 10 num ápice por imprudência "natural" da impetuosidade e inexperiência do nigeriano. E para o próprio, sabendo-se o efeito que uma má prestação poderá ter no desenrolar da sua carreira. Se for o jovem central o eleito para a Luz e o jogo (lhe) correr bem, ganharemos uma nova solução para o centro da defesa. Se correr mal...

Problema bicudo para José Peseiro. Penso que tudo se resume à fé que o treinador (e direção) tenha em Chidozie. Se de facto acreditam que possa estar pronto para o desafio, que o lancem. Se duvidam, talvez seja melhor Danilo amanhã.

Por outro lado, a alteração forçada no centro da defesa poderá levar a que este quarteto caia na tentação de se proteger contra investidas nas suas costas recuando a linha defensiva. O que seria quase de certeza um erro fatal. Jogue quem jogar, parece-me fundamental que Peseiro vinque bem esta questão ANTES do jogo. Defender subidos e compactos, sem deixar espaços "fáceis" entre linhas.

E há ainda uma outra questão, relacionada não com este mas com o jogo seguinte: nem Danilo (castigado) nem Chidozie (não-inscrito) estarão disponíveis para Dortmund. Mas isso já são contas de outro rosário.

À parte deste problema central, espera-nos um jogo complicado num ambiente divertido.

Com Maxi a canalizar 99% das atenções encarnadas (e que a sua experiência fará certamente com que as devolva para onde o sol não brilha dos respectivos), os demais jogadores poderão ter mais facilidade em abstrair-se do cenário e focarem-se em exclusivo nas suas tarefas dentro de campo.

Será um jogo bom para Corona se mostrar. Brahimi terá vigilância muito mais apertada e com isso abrirá espaços para os mexicanos (Layún além de Tecatito). Espero também ver ressurgir a imensa alma de André, dado que tem andado um pouco desaparecida. E sonho ainda que Herrera ficará no banco, mas sei bem que me estou a iludir. E também que Abou esteja um pouquinho menos perdulário...

Consigo visualizar sem esforço uma vitória na Luz. Já as condições para a conseguir talvez sejam um pouco mais complicadas de garantir:

 - uma equipa de arbitragem isenta e inspirada

 - uma equipa concentrada, corajosa e solidária

 - um treinador inteligente, matreiro e audaz


Mas que é possível, é. Perfeitamente. Aliás, não será nada de extraordinário. Muito saboroso mas nada de extraordinário.

O meu onze para ganhar:



Este é mesmo decisivo. Para nós, claro. Creio até que o empate não será um resultado que Rui Vitória descarte a dada altura do jogo, se este estiver equilibrado e for forçado a arriscar para tentar vencer. Já nós não nos podemos dar a esse luxo. Se queremos ser campeões, temos que vencer. Empatar servirá apenas os interesses do Sporting. Perder significa começar a estar atento aos resultados do Braga.

Não vale a pena continuar a fazer de conta que matematicamente ainda será possível. Porque mesmo sendo-o, não o será.

Eu vou lá estar. Incógnito, no meio deles, como tanto aprecio. Espero conter-me quando fizermos o 0-3.

Vamos a eles c@r@lho! Com tudo o que temos. Com tudo o que somos!


Do Porto com Amor