marco ferreira
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sábado, 24 de outubro de 2015

E Pluribus Unum


Dois exemplos, desfasados no tempo em quase meio século, mas que ilustram perfeitamente o status quo que eles julgam ter por direito divino.

La Piovra

Rica maneira de começar o dia.

O que à partida seria apenas mais uma preguiçosa manhã de fim de semana, any given saturday, deixou-me já a ferver

Duas notas de imprensa, 48 anos de distância, os mesmo culpados. Ou favorecidos, se preferirem.


A primeira pelas mãos do Dragões Diário, cuja pertinência e actualidade tem melhorado substancialmente com o passar dos dias. A propósito do sorteio da próxima eliminatória da Taça, onde nos calhou em sorte o Sport Clube Angrense da ilha Terceira, o DD recuperou uma velhinha estória de pasmar. Decorria então o ano da (des)graça do senhor Oliveira de 1967 e dessa vez, foi o Glorioso quem saiu na rifa ao clube açoriano. Mas era um clube tão, mas tão Glorioso que nem se deu ao trabalho de ir aos Açores jogar a eliminatória, simplesmente pediu ao Angrense para desistir em seu favor em troca de um jogo particular mais adiante. É tão deprimente, tão revelador e tão (porno)gráfico este conto que nem me atrevo a acrescentar mais nada ou a sequer tecer comentários.


A segunda, tão actual como o #colinho bicampeão, é a entrevista do ex-árbitro Marco Ferreira ao jornal espanhol As. Desta vez, sem papas na língua nem acusações vagas. Está tudo lá. Os bois e seus nomes. Vitor Pereira e Benfica

" - ¿Encuentra una explicación?
 - Para mí lo más grave es que, además de haber arbitrado la final de Copa, en enero me habían renovado como árbitro internacional de la FIFA. La única explicación que encuentro es que la pasada temporada había arbitrado tres veces al Benfica y perdió dos. Creo que por eso no me dieron ningún Clásico."

" - ¿Por qué lo cree?
 - Yo y muchos compañeros recibimos llamadas del presidente del Consejo de Arbitraje, Vitor Melo Pereira (homólogo en Portugal de Sánchez Arminio), en la misma semana que estamos nombrados para arbitrar al Benfica. Vitor Pereira tiene muchos enemigos y muchos opositores, entre ellos la gente del propio Consejo de Arbitraje y muchos clubes de Primera. No le quieren ahí. Ahora, el único de los grandes que apoya a Pereira es el Benfica.

"El Benfica nunca me ha llamado para que le favoreciera, pero Vitor Pereira, sí"

 O resumo da entrevista é este: Benfica apoia VP (mantendo-o no lugar) e VP condiciona os árbitros para que o Benfica ganhe. É isto, sem tirar nem pôr. Ainda assim, recomendo vivamente a leitura integral. Desta vez é demasiado grave para que tudo continue na mesma. Ou se "prende" Marco Ferreira, ou se investigam as acusações. Seja a nível desportivo, seja a nível dos tribunais.

O tempo passa mas há coisas que parecem nunca acabar. Em particular, essa arrogância megalómana que caracteriza muitos dos benfiquistas, esse credo de serem os escolhidos, destinados a vencer por decreto divinio. Será do lema que os acompanha? "De muitos, um". Não, tinham que saber latim. E enchem eles a boca com os apitos, as fruta, os calheiros e mais não sei o quê. É preciso ser estúpido ou mal-intencionado. Ou ambos.


Relembro os estimados leitores que não faço de conta que vivemos num mundo encantado, onde os outros são os maus e nós somos os bons. Não, não sou desses. Tenho plena consciência de que todos sujaram as mão em determinados momentos. Todos. E por isso mesmo não tolero que os lacaios de Vieira (e o próprio) queiram reescrever a história, apresentando-se ao mundo como as virgens desfloradas pelo Dragão mau e a clamar por justiça. Não, não sou nem estúpido nem mal-intencionado.

Mas reafirmo, ainda uma outra vez, que respeito o Sport Lisboa e Benfica como grande clube que é. Pena que os melhores benfiquistas (alguns deles, amigos meus) estejam tão afastados da sua liderança e de quem lhe dá voz.


Do Porto com Amor



P.S. - Parabéns aos Porto Universal pelo seu primeiro aniversário. Mesmo discordando de muitas posições lá defendidas, não deixa de ser para mim um espaço de puro portismo



domingo, 26 de julho de 2015

Sorteio, o não-assunto


Confirmou-se o cenário mais do que previsível, o sorteio dos árbitros "pedido" pela maioria dos clubes profissionais foi negado pela AG da FPF. Nada menos surpreendente, aliás julgo que até para os próprios clubes que lideraram o processo: tirando talvez Bruno de Carvalho, já não há anjinhos entre as fileiras dos clubes, pelo que este resultado teria sido antecipado desde o início da demanda.

Então porque se deram ao trabalho de o fazer?
É simples. Mesmo sem conseguir o sorteio (desconfio que verdadeiramente nem o queriam), certificaram-se de que todos os olhos mediáticos ficam definitivamente postos em Vitor "imodium" Pereira. Por outras palavras, vai ser muito mais difícil repetir as gracinhas da época anterior e das anteriores a essa. É a chamada marcação cerrada.

Se será suficiente para que os bons árbitros tenham a "liberdade" necessária para fazerem o seu melhor, para que os "aficionados" se coíbam de inclinar os campos e para que melhores sejam nomeados para os jogos mais importantes, não sei. Mas que haverá menos graus de liberdade para "improvisar, não tenho dúvida.

No entanto, isto nada garante. Sem um acompanhamento rigoroso, jornada a jornada, a denunciar o que for denunciável, o andor continuará o seu caminho, ainda que mais lentamente. Até porque LFV já foi muito claro quanto à sua visão de médio prazo. É fundamental que o Porto fale sempre e nos momentos certos, porque passado o timming já pouco importará. E há silêncios que ensurdecem. E consolidam o sistema.

Em paralelo, assistimos ao anúncio de que (finalmente!) todos os jogos das ligas profissionais passarão a ser gravados, ficando assim disponíveis para complementarem a avaliação dos desempenhos dos árbitros. Pelo que se pode ler, será um membro do CAR (Comissão de Análise e Recurso) a visionar cada jogo, "auxiliando" o observador que, aparentemente, também passará a recorrer ao vídeo antes de "finalizar" a nota.

Num mundo de gente séria e competente, esta seria uma boa medida que apenas pecaria por tardia (como aliás prontamente denunciou Marco Ferreira, mas já lá iremos). Sendo com os mesmos artistas, a dúvida instala-se.

Em primeiro lugar, porque não é ainda claro como é que efectivamente será o real processo de avaliação: é o observador que decide, o membro do CAR tem poder para alterar ou é um trabalho de equipa (e neste caso, quem tem voto de qualidade em caso de discórdia)?

Depois, porque voltamos ao velho problema de Juvenal, "Quis custodiet ipsos custodes?" - quem guarda os guardiões? Não havendo total transparência e full disclosure das notas e respectivas justificações, ficará sempre a incómoda sensação de nebulosidade.

Ora, quem mais uma vez não perdeu tempo para mais uma vez atacar VP foi o bom do Marco. Referindo-se a este anúncio de gravação de todos os jogos, o madeirense fez mais umas interessantes revelações sobre o modus operandi deste CA. Se já antes havia dado conta da luta de galos entre VP (o nomeador) e um tal de Ferreira Nunes (o classificador), agora foi um pouco mais longe e trouxe à colação a memória de que já há 3 anos havia sido financiada e testada esta agora novel medida, questionando se haveria sido "exigida" pelo segundo, uma vez que "tinha conhecimento que houve árbitros esta época que pediam aos clubes da II Liga para não disponibilizarem a gravação ao observador no final do jogo" e ainda assim, optou por validar as respectivas classificações.

Além de mais uma acusação gravíssima para juntar à sua coleção pessoal, Marco Ferreira volta a trazer à tona o lodo pantanoso em que a arbitragem se movimenta. E mais uma vez eu pergunto: vai ficar tudo na mesma, ninguém vai fazer nada?




terça-feira, 21 de julho de 2015

Onde Pára a Polícia 444 1/4


Conforme prometido, caro Marco Ferreira, cá estou eu mais uma vez a dar eco às suas declarações.

Aproximando-se já esta estória a uma tragicomédia (trágica para ele, comédia para quem sonha com um futebol profissional e sério), aproveito para a transformar na sequela da descomplicada trilogia do tenente Frank Drebin em "The Naked Gun" (em portugais, "Onde pára a Polícia", disse Lauro Dérmio), apresentando "Onde pára a Polícia 444 1/4: o desaparecimento da PJ".


Numa extensa mensagem no seu FB, o ex-árbitro volta a dar sinais de que não está disposto a deixar cair no esquecimento todo o processo de que, segundo o próprio, foi alvo.

Mantendo o ataque cerrado e centrado em Vitor Pereira, desta vez critica a forma como a profissionalização da arbitragem está a ser conduzida, começando nos critérios de seleção (que segundo ele se baseiam apenas na idade, ignorando a qualidade), passando pela discricionariedade e subsequente atropelo dos regulamentos e terminando com a indicação dos árbitros para serem internacionais, que segundo Marco Ferreira, são já produto dessa academia recém-criada e como tal, estavam "destinados" a serem internacionais e por lá ficarem "enquanto estas pessoas continuarem", independentemente dos seus desempenhos dentro de campo.

Obviamente que todas estas acusações são mais uma vez gravíssimas e apenas se compreenderia que não tivessem consequências (pelo menos e no limite para Marco Ferreira por difamação) se fossem investigadas por Frank Drebin, essa maravilhosa personagem da referida trilogia magistralmente interpretada por Leslie Nielsen (paz à sua alma).


Brincadeiras à parte, seria de esperar que mesmo que a PJ estivesse de facto a investigar, nada se soubesse sobre isso até que houvesse frutos desse trabalho para apresentar. Mas por outro lado, seria expectável que, nesse caso, Marco Ferreira fosse dos primeiros a ser ouvidos e como tal, deixasse de fazer comentários públicos sobre o assunto. O que não acontece, pelo que a conclusão, ainda que simplista, não é difícil de tirar.

Reitero os meus votos para que Marco Ferreira continue a sua cruzada até que alguém seja obrigado a fazer alguma coisa. Ainda que os gigantes acabem por não ser mais do que moinhos de vento, o importante é lutar por aquilo em que se acredita.


segunda-feira, 13 de julho de 2015

A morte do árbitro Marco


"Termina hoje a minha carreira de Árbitro, agradeço a todos as sentidas mensagens que recebi, foram muitos os amigos que quiseram deixar uma palavra de amizade, gente do futebol, da sociedade em geral desde a política até aos desconhecidos, a todos o meu muito obrigado... Dediquei 20 anos a esta nobre causa, sendo 9 deles no futebol profissional, abdiquei da minha profissão de 12 anos na Banca, dos meus amigos e até da minha família quando o dever chamava por mim, todas as minhas ausências eram compreendidas por quem gosta realmente de mim. Não me arrependo de nada, de nenhuma palavra que disse contra o "SISTEMA" enraízado. Saio neste momento não por deixar de gostar de arbitragem, muito pelo contrário, saio para poder ganhar a minha liberdade de expressão e acabar com as pessoas que destruiram e continuam a destruir anos e anos de conquistas que a arbitragem portuguesa alcançou. Tantas injustiças ao longo destes anos e não entendo como continuam a prestar vassalagem a incompetentes, todos se queixam mas infelizmente só o fazem no silêncio. O 25 Abril deu-nos liberdade, está na altura de perderem o medo, de levantar a cabeça e enfrentar as pessoas de frente, unidos venceremos e podem ter uma certeza, estarei na linha da frente como sempre estive nos momentos e nos sitios certos e se optarem uma vez mais em serem submissos façam-no de forma a que todos os dias consigam se olhar ao espelho e questionem, tenho orgulho em mim? Sou um bom exemplo para os meus filhos? Se a resposta for "sim" continuem que um dia os vossos filhos vão demonstar que estavam errados... Não saio por querer, levei um "cartão vermelho" por ter carácter, por ser sério e por não pactuar com injustiças, talvez estas infrações estejam este ano nas alterações às leis de jogo. Estudem bem para não seguirem o meu exemplo... bem hajam..."

É esta a declaração de despedida do agora ex-árbitro Marco Ferreira, que como sabemos desiste da arbitragem após ter sido despromovido como resultado de ser o último da classificação em 2014/15, algo inacreditável se recordarmos todos os artistas do apito que fizeram o bicampeão.

Já escrevi sobre a contundente e gravíssima acusação que fez após ter sido divulgada a classificação, bem como sobre a clarificadora entrevista que deu à RTP mais recentemente.

Tendo passado praticamente um mês desde as primeiras declarações, continua tudo na mesma.

Vitor Pereira ainda não se demitiu.

O sorteio ainda não foi aprovado e provavelmente nunca o será.

E, tanto quanto se sabe, nenhuma investigação judicial teve ainda início para apurar da veracidade das graves acusações do cidadão Marco Ferreira.

Ele promete nesta despedida acabar com as pessoas que "destruíram" as "conquistas da arbitragem". Logo veremos se terá mesmo coragem para o fazer ou não passará de uma ameaça vã de um árbitro no seu último suspiro.


Se hoje morreu o árbitro Marco Ferreira, que das suas cinzas renasça um homem de convicções inabaláveis, disposto a ir até ao fim para limpar o seu nome.

Em todo o caso, vou estar atento aos sinais. E se puder ajudar de alguma maneira, estou à disposição caro Marco.


Do Porto com Amor



segunda-feira, 6 de julho de 2015

A Grande Entrevista de ontem



Ontem, domingo, foi dia de grandes entrevistas.

Apreciei a frontalidade de JJ e a coragem com que respondeu a quase tudo o que lhe perguntaram, muitas vezes em jeito de provocação, sem se deixar intimidar ou atrapalhar, como aliás é seu timbre. Nem a sanguessuga viperina Simões o conseguiu desmanchar, pese embora muito ter tentado enlear JJ num emaranhado léxico, ao estilo do político charlatão, que se serve da retórica apenas para confundir os impreparados e evitar que se discuta o que realmente importa.

Mas a grande entrevista, as grandes revelações, aconteceram na RTP Informação.

De novo, foi Marco Ferreira a trazer alguma luz às trevas em que está envolta a arbitragem da última época, com o resultado que todos conhecemos. Não foi exactamente uma entrevista, porque estavam várias outros convidados em estúdio a responder às questões de Manuel Fernandes Silva - a propósito, que salutar diferença para Carlos "Lampião de Paredes" Daniel. Também não foi propriamente um debate, porque poucas vezes os intervenientes entraram em diálogo, antes privilegiando responder na sua vez.

Não obstante, foi um programa muito interessante, não só pela raridade que é a existência de um programa sério sobre arbitragem e ainda mais por ser constituído apenas por pessoas ligadas ao sector, com destaque para os três árbitros no activo, mas sobretudo pelas revelações do madeirense recém-despromovido e os diferentes posicionamentos que os seus colegas assumiram.

Em estúdio com o moderador estavam Artur Soares Dias, Jorge Sousa, Paulo Paraty e o líder da APAF, José Gomes. Na RTP Madeira estava Marco Ferreira.


E então o que sobrou do programa?


O inconformado delator

Além de insistir que Vitor Pereira (VP) não tem credibilidade e deveria ter o bom senso de se demitir, Marco Ferreira acusou VP de várias coisas muito graves e fez ainda outras interessantes revelações:

 - Mentir, ao dizer que não conhecia as classificações quando fez a nomeação para a final da taça, tendo sido desmentido pelo "seu" vice-presidente da secção de classificações, um tal de José Ferreira Nunes.

 - Condicionar, referindo dois telefonemas antes e depois do Rio Ave - Benfica e onde lhe terá dito "ainda bem que o jogo correu bem, senão não podia contar contigo para o clássico do próximo mês", que VP adjetivou como "o jogo do título" (na realidade, quem depois apitou o clássico foi... Jorge Sousa!).

 - Adulterar, afirmando categoricamente que VP faz "nomeações cirúrgicas" porque "sabe muito bem quem quer por lá em cima e quem quer por lá em baixo", tendo inclusivamente apontado uma das últimas jornadas da segunda liga onde se disputaram cinco jogos com clubes envolvidos na luta pela subida e para os quais foram nomeados 3 internacionais que "precisavam dos pontos para serem salvos" e 2 não-internacionais, o que demonstra igualmente na opinião da MF "falta de critério nas nomeações". Disse ainda que Jorge Sousa era o protegido de VP e que já se sabia a meio da época que tinha sido escolhido para ser primeiro da classificação, pelas diversas nomeações para os clássicos (jogos de maior coeficiente, com impacto decisivo na classificação final) - isto sem beliscar a competência daquele que considerou o "melhor árbitro português da actualidade".

 - Estar de má-fé e pretender puni-lo pela sua frontalidade; ao validar/publicar as classificações sem que esteja decidido o recurso em relação ao pedido de anulação do relatório do Setúbal-Porto em que o o observador cometeu "ilegalidades".

 - Humildade, ao assumir que a época lhe correu mal, destacando o Braga-Benfica em que teve a pior nota da carreira mas nem por isso recorreu da nota (tendo inclusivé congratulado o observador pelo trabalho), ao contrário do que fez em outros 2 jogos em que lhe foi posteriormente dada razão.

 - Humor, daquele que a brincar, a brincar conta as verdades, quando a propósito de uma falha técnica na sua primeira intervenção e perante o comentário descontraído do moderador que defendia que não houve censura, MF retorquiu "o programa até é no Porto, portanto não poderia haver nenhum censura" (alô Carlos Daniel?)

- Lei da rolha, mostrando um papel onde constavam regras do CA para os árbitros e que no ponto 6 diz "não critique a organização e os seus dirigentes e os clubes"

Tendo o Benfica perdido o jogo em Vila do Conde e a arbitragem sido positiva, ficamos sem saber com clareza com que intenção foi feito esse telefonema (que segundo MF não é procedimento normal em VP): uns especularão que o objectivo era proteger o Benfica de dissabores (o que não veio a acontecer), outros defenderão que VP apenas pretendia que MF estivesse no máximo da sua concentração e tivesse um desempenho sem falhas.

Mas falta esclarecer se de facto VP tem ou não por hábito ligar aos árbitros antes dos jogos, acenando com "brindes" futuros e em caso afirmativo, se mais algum árbitro o entende como "pressão inaceitável". Sobre MF já me havia referido antes, aqui e aqui.


O carreirista

Artur Soares Dias apresentou-se seguro de si e procurou sempre manter distância face à polémica que envolve MF, afrontando apenas questões relevantes para toda a arbitragem. Nota-se que sabe o que já conseguiu e o que lhe está reservado - suceder a Proença no panorama internacional - pelo que não está disponível para fazer ondas que possam incomodar alguém que não deva e assim comprometer o seu percurso. Aliás, coincidência ou não, Pedro Proença dá hoje uma entrevista, já do alto do seu novo cargo, onde assume a mesmíssima postura carreirista, dando uma no cravo e outra na ferradura.


O homem do presidente

Jorge Sousa foi igual a si próprio, fazendo-me lembrar as suas arbitragens nos jogos contra o Benfica: discreto, cauteloso e a olhar para o umbigo, ignorando acusações directas como a de MF de ser o protegido de VP com respostas politicamente correctas. Não é tonto nenhum, preparou-se muito bem para o programa (como certamente faz para os jogos). No entanto, faltou claramente contrapor várias das suas "explicações", para as quais acredito que o jornalista não estivesse preparado no momento. Assim sendo, faço-as eu agora:

 - os próprios clubes disseram que o sorteio não era o melhor para o futebol logo após a AG que o aprovou, logo há incoerência: incoerente é a sua postura conforme a cor da camisola; o facto de não ser o melhor não significa que não seja melhor do que as nomeações feitas por este CA de VP

 - o que os clubes querem é poder condicionar, coagir e pressionar os árbitros (se puderem fazer a "denúncia das suas actuações"): até pode ser verdade Jorginho, não há como negar essa irresistível tentação que ainda governa em Portugal. Mas não é disso que se trata, com bem sabes. A questão aqui é que actualmente já se condiciona, coage e pressiona, mas quem o faz é VP - e nós (e os clubes constestatários) temos uma ideia sobre quem poderá estar a ser beneficiado... tu não?

  - os clubes vão contestar apenas por ressabiamento (sim, ele utilizou esta palavra): pois vão, e também pôr a língua de fora e esticar o middle finger; hum... não te terá ocorrido que se pretenda penalizar e afastar os incompetentes, que erram repetidamente?

Ao que Jorge Sousa não conseguiu fugir foi à excelente questão do moderador, que o interrogou se era verdade que havia pedido escusa de apitar o Benfica após saber que uma nota sua tinha sido alterada por pressão do clube, ao que respondeu afirmativamente. Justificou-se dizendo que o fez para evitar que o penalizassem em jogos futuros por potenciais decisões erradas, que seriam aproveitadas pelos dois lados da barricada conforme errasse a favor ou contra. Tem a sua lógica, mas quanto tempo durou essa escusa? E tendo acabado, desapareceu a suspeição porquê? Foi um período de nojo que simplesmente desvaneceu, ainda que as pessoas do Benfica continuem as mesmas? Ninguém diria...


Quanto aos outros dois, nada de importante. Paulo Paraty dá a impressão de apenas estar em bicos de pés e José Gomes foi dizendo o que se esperaria, contestando e apoiando o óbvio e afastando-se de temas quentes.


Foi um programa riquíssimo em conteúdo relevante, para quem tiver interesse em relevá-lo.

Mais do que insistir no colinho (que aliás está mais do que provado), o que me parece relevante concluir é que a continuidade deste CA e VP são insustentáveis e que deveria haver uma investigação judicial aos comportamentos denunciados por MF.

Ficou igualmente claro que a aprovação do sorteio não é um dado adquirido e a entender-se melhor a pressa do representante do Benfica em acorrer à tal outra reunião em Coimbra, para assim liderar a contra-revolta do sistema vigente.



Do Porto com Amor



P.S. - Quando escrevi este texto, não fazia ideia de que Paulo Paraty já se debatia com a doença que acabou por lhe custar a vida. Por respeito à sua família, alterei o texto que, mesmo não sendo de forma alguma negativo, era desnecessário.

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Investigue-se! Já!


"Amigos, não tenho palavras para descrever o que sinto, todos vocês estão a demonstrar que o meu trabalho não foi em vão, não perdi a esperança que ser sério vale mesmo a pena, é a minha forma de viver custe o que custar. Agradeço aos meus pais a educação que me deram e a todos vocês o apoio e solidariedade que demonstraram nestes dias. Lamento não conseguir responder a todos, mas podem ter a certeza que estão todos guardados no meu coração. Felizmente o meu coração é da grandeza do meu carácter, da minha seriedade e da justiça que irá imperar, tratar todos por igual sem ceder seja ao que for. É um modo de vida e não uma obrigação. Estar bem com a minha consciência é algo que não tem preço. Vocês são grandes... bem hajam..."

Árbitro Marco Ferreira, no "seu" FB.
 



Terei sido o único a descortinar a gravíssima e inultrapassável acusação de Marco Ferreira?

 "ser sério vale mesmo a pena"

Não é preciso ser muito inteligente nem grande conhecedor da língua para perceber que Marco Ferreira está a afirmar ter sido penalizado com a descida de divisão por não ter abdicado de ser sério, o que obviamente significa que alguém o aliciou para que o fizesse, deixasse de ser sério. Transparente como água.

"justiça que irá imperar, tratar todos por igual sem ceder seja ao que for"

Se dúvidas restassem... volta a referir que não cedeu a aplicar tratamentos diferenciados. Mas acrescenta que haverá justiça no final.

Qual justiça, caro Marco? A divina? É que se vai ficar à espera dessa é capaz de demorar...

Vamos lá ser consequentes e denunciar publicamente e sem rodeios quem o pressionou, quando e com que objectivos.

Significa que há na arbitragem quem não seja sério, Marco Ferreira?

Então a sua obrigação é denunciá-lo(s).

Mas se não for tão sério como diz e se se ficar por meias palavras e acusações vagas, então que as autoridades desportivas e judiciais, outrora tão diligentes, o façam dizer aquilo que sabe, sob pena de difamação ou até cumplicidade.


Do Porto com Amor



quinta-feira, 18 de junho de 2015

Marco "este não pode ser" Ferreira

Jogos apitados por Marco Ferreira na Liga 14/15


Foi anunciada a classificação dos árbitros relativa à temporada 14/15 e com ela o último lugar e consequente despromoção do árbitro madeirense Marco Ferreira.

É um daqueles árbitros de que nenhum adepto dos 3 grandes gosta, porque várias vezes tem a ousadia de se enganar contra eles. É portanto, um árbitro potencialmente pouco influenciável, se não totalmente impermeável. O que, obviamente, é bom.

Claro que, à parte isto, importa saber se tem qualidades técnicas, e mais importante, se tem bons desempenhos. Fixando-me na classificação da época anterior, sim - ficou em segundo lugar, apenas atrás de Pedro "Elvis" Proença.

Será que de uma época para a outra teve uma quebra assim tão vertiginosa que justifique ficar em último?

Será que foi assim tão mau que tenha merecido ficar atrás de João Capela, Bruno Paixão, Paulo Baptista e Vasco Santos, entre outros?

Mas se foi assim tão mau, ainda assim o nomeiam para a final da Taça de Portugal?

Ah, e já agora, reparem na imagem p.f.


Sobre o grande vendedor, perdão vencedor da época há ainda mais para dizer.

Por agora fico pelo essencial: Jorge Sousa esteve em todos os jogos decisivos do campeonato e influenciou-os a todos, com maior clareza o Sporting - Benfica, cujo golo do empate no final dos descontos é claramente ilegal, por offside activo do querido Maxi. Este jogo não só afastou definitivamente o Sporting da corrida ao ouro, como impediu que o Porto ficasse a 3 pontos e portanto a depender de si próprio (o que, como se sabe, tem grande impacto psicológico em perseguidor e perseguido).

E já agora, quando é que se viu um árbitro apitar 3 clássicos na mesma época? Raramente, aposto. Nem o "melhor do mundo" Proença terá tido essa sorte...

Superdragão? Right...



Do Porto com Amor