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terça-feira, 24 de maio de 2016

O Abismo


É inútil continuar a falar de fundos e de novos fundos, cada um sempre mais profundo, e de neles bater, um por um, consecutivamente. Por agora, não há fundo à vista. Resta então o abismo.




O Porto, o clube Porto, o meu Futebol Clube do Porto é nesta altura uma faca em queda. Qualquer tentativa de lhe amparar a descida resulta sempre em novos ferimentos, mais ou menos graves conforme a ousadia da tentativa.

Ontem foi dia de fazer uma tentativa "a sério" de parar a queda. Olhando para trás, para a época que agora termina, foi mesmo a mais importante e ousada tentativa de agarrar a faca e reverter o destino. Tão ousada que acabamos, todos nós portistas, esventrados sem dó nem piedade.

Assim que Goiano converteu o penálti decisivo, as tripas e as miudezas começaram de imediato a sair-nos ventre fora, tal a severidade e amplitude do corte infligido. Foi uma coisa linda de se ver, mais de vinte mil portistas a esvaírem-se em sangue, que impiedoso manchou de encarnado o azul da nossa alma. Uma orgia de Walking Dead, em pleno Jamor. Pelo menos, foi assim que eu o (vi)vi.


Os dois números circenses que marcaram o jogo e que só por milagre não nos derrotaram ao fim de 90 minutos, não carecem de qualquer descrição ou tentativa de explicação. Aconteceram por responsabilidade exclusiva dos protagonistas e pronto. Numa final, sobretudo contra uma equipa que nunca quis jogar, oferecer dois golos tende a ser definitivo. E então quando a equipa que os oferece não tem pingo de confiança em si mesma nem ponta de organização no seu jogo, só mesmo um milagre a pode salvar.

Esse milagre aconteceu e dá pelo nome de André Silva. Devidamente ajudado pela crença de alguns dos seus companheiros que se recusaram a desistir antes do tempo, lá nos abriu as portas do prolongamento e com isso, a esperança inequívoca de justamente aniquilar um adversário psicologicamente destroçado. Nesse momento, não houve portista que não sentisse que a Taça iria ser nossa. Mas não foi.

Porque no prolongamento, não houve pernas. Nem alma suficiente. Nem grande vontade de arriscar sofrer a tentar marcar. Mas sobretudo não houve pernas. Porque Aboubakar entrou apenas para estorvar, porque André André esteve (mais uma vez) longe de ser o jogador decisivo de que precisávamos e porque André Silva (já sem pernas) não teve a clarividência necessária para completar o merecido hat-trick. Nos penáltis, ganhou quem não falhou. E o crime lesa-futebol compensou.





Notas DPcA:


Dia de jogo: 22/Mai/2016, 17h15, Estádio do Jamor. FC Porto - SC Braga (2-2; 4-6 após g.p.).


Hélton (0): Culpa maior no primeiro golo e, não satisfeito, quase ofereceu outro. Nem nos penáltis conseguiu a absolvição. Tenho muita estima e apreço por ele, mas neste jogo não merece nada.

Maxi (6): Além de jogar bem na sua zona de acção (e de ser repetidamente provocado e "tocado"), foi um dos que nunca desistiu. Agradecido por isso, mesmo tendo falhado o seu penálti.

Layún (6): Se ao intervalo era o que mais exteriorizava o seu inconformismo, durante o jogo tratou de o demonstrar. Nem sempre com acerto, mas tentou. Agradecido por isso.

Marcano (0): Não sobra ponta de humor para abordar isto. Saída imediata do clube. Sem mas.

< 45' Chidozie (3): Parceiro e cúmplice de Hélton no primeiro crime e disso nunca se recompôs. Era o único jogador que tinha a carreira em risco ontem no Jamor e temo que a possa ter mesmo comprometido.

Danilo (6): O meio-campo inicial não funcionou, tanto pela falta de plano próprio como pelo sobre-povoamento braguista, mas sobrou o seu empenho. Foi mais importante quando recuou para central, apesar de um e outro lance "arriscados".

< 74' Sérgio (5): Escolheu mal o jogo para não estar à altura das exigências. Tinha grandes expectativas para a sua exibição e congratulei-me quando o vi confirmado no onze inicial. Infelizmente andou quase sempre pelos locais errados e quando teve bola, teve pouco acerto. Lutou como sempre, mas não chega.

Herrera (6): Outra exibição mal conseguida, ainda que muito esforçada. Logicamente não lhe cobro nada pelo penalti falhada, mas "q.b." pelo falhanço do meio-campo.

Brahimi (4): Foi o primeiro a sucumbir às dores, o que de facto se enquadra perfeitamente com o que nos habituou. Até lá, muito "agitação" mas quase nenhum resultado positivo. Espero bem que alguém dê alguma coisa por ele, detestava voltar a vê-lo com a minha camisola.

< 79' Varela (5): Nada de relevante em termos da sua produção futebolística, mas enquanto esteve em campo, não deixou de tentar.  Mal, mas tentou.

Melhor em Campo André Silva (9): Brilhante, lutador, incansável, lutador, brilhante. E absolutamente decisivo a adiar a derrota. Merecia ter tido a "sorte" de fazer o terceiro e com isso, receber a nota da perfeição.

> 45' Rúben (7): Entrou bem no jogo e achei a sua acção a "seis" (mesmo não sendo um) melhor do que a de Danilo. E porquê? Porque o Braga não quis jogar e com isso, sobrou-lhe mais tempo e espaço para pensar na saída com bola. Não foi brilhante, mas foi portista. E isso tem valor.

> 74' André André (5): Entrou a quinze minutos do final e ajudou ao assalto que culminou com o golaço do seu homónimo. No entanto, depois disso, esperava muito mais dele. Estava fresco e tinha "obrigação" de carregar a equipa (que pergunte ao pai como se faz) para o terceiro golo que nos salvasse do mata-mata final.

> 79' Aboubakar (1): Que entrada miserável. Terá por certo atrapalhado q.b. nos lances dos dois golos de André Silva, admito que sim, mas que diabo, um bidão também atrapalharia. De resto, uma perfeita nulidade. Que miséria.


Peseiro (3): Pode parecer cruel "disparar" sobre um treinador que é forçado a assistir impotente a duas coisas daquelas. Fez-me lembrar aquele senhor de tez escura com a bola laranja na boca em Pulp Fiction... Ele que até escolheu o onze que eu escolheria, excepto Chidozie. Mas, uma vez que tinha alinhado esta "dupla" no jogo anterior, não lamentei a coerência da sua manutenção. Pareceu-me lógica, o raio da batata. Ele que até teve que defrontar um adversário que não queria jogar. Pode parecer cruel... mas é da mais elementar justiça. Peseiro é um absoluto flop. No fundo, personifica na perfeição o que é ser do Sporting - que é a antítese de ser do Porto. Desde que chegou, mesmo descontando as imensas dificuldades que encontrou, quase só fez cagada. Ontem não destoou, apresentando mais uma vez onze jogadores que aparentavam não fazer a mínima ideia de como jogar em conjunto. E isso só pode ser responsabilidade do treinador. 




Quanto ao Braga, divida-se a "coisa" em dois planos.

Primeiro que tudo, sinceros parabéns a todos os braguistas, que por esta altura ainda saboreiam esta grande conquista  (em módulo) do seu clube. Aos demais, aos bracarenses lampiões (infelizmente ainda em maioria), que se afoguem na saliva da sua pequenez. O Sporting Clube de Braga venceu a Taça de Portugal frente ao Futebol Clube do Porto e os seus verdadeiros adeptos só têm que se congratular com isso. Nada mais. De novo, parabéns.

Depois, esta equipa do Braga que venceu a Taça. Como nos demais jogos em que nos defrontaram esta época, foram uma equipinha tacanha, fechada, sem uma ideia e muito menos um plano para nos causar dano. Bem à imagem do seu treinador, que ao contrário do muito que se balbucia por aí, ontem só confirmou o terrível erro que foi a sua contratação para o Porto. Pequenino, muito pequenino. Minúsculo.

Onde e porquê se esconde aquele Braga ousado, que joga olhos nos olhos com os da segunda circular e é invariavelmente goleado, sem ponta de vergonha ou arrependimento? Têm-nos assim tanto respeito (ou coisa pior) que os impede de tentar jogar futebol contra nós? Nem era preciso escacharem-se como contra o Benfica, bastava tentarem jogar. 

O anti-jogo que fazem contra nós deveria ser alvo de estudo psicanalítico. Uma das coisas que mais me custou ontem foi ver aquele ordinário, batoteiro e reles "guarda-redes" que me recuso a nomear converter-se no herói do dia. Às vezes, ser miserável resulta. Esta época foram três vezes, e cerca de 10 minutos por jogo no chão, a defraudar todos os que assistiram aos jogos. Mais cedo do que tarde, há-de ter a sorte que merece.


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A época finou-se, graças a todos os santos. 

Mais uma vez, sem novos títulos. 

Mais uma vez, sem Supertaça para disputar no início da próxima.

Paupérrima, para lá dos meus piores pesadelos. Tal como o mandato já cessado de Pinto da Costa, entretanto reeleito sem oposição. 

Muito mal vai o Porto. Mas eu não me esquecerei de quem não deu a cara, quando o Porto deles precisava. E não deixarei que ninguém se esqueça, também.


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De domingo 22 de Maio de 2016, sobram-me duas coisas. 

A memória do estupendo apoio que os portistas dispensaram à saída dos jogadores para o intervalo, após um golo oferecido e 45 minutos miseráveis. 

E um extraordinário convívio com amigos de sempre, que se estendeu pela noite dentro e que nem o descalabro vespertino conseguiu arruinar. Momentos menos frequentes do que outrora, por motivos de força maior... e melhor. Talvez por isso os valorize mais agora. Obrigado meus amigos, até daqui a nada. Que pena não ser já na Supertaça.


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Neles inspirado (nos meus amigos), deito-me a imaginar um Porto novo. E que este tenha sido mesmo o fundo do abismo. E que Jorge Nuno Pinto da Costa tenha ainda um último sopro de vida clubística e com ele nos consiga devolver ao caminho certo, para também ele sair como merece. Nada tem de mais decisivo nos próximos dias do que a escolha do novo treinador. Que o seu Deus, seja ele qual for, o ajude a escolher bem.



Do Porto com Amor




domingo, 15 de maio de 2016

Xeque-Mate


Acabou o campeonato.


Mais que mil palavras


Na realidade, para nós já tinha acabado há umas valentes jornadas atrás, mas, enfim, havia ainda que cumprir o calendário com dignidade. Que tivemos em alguns jogos, mas não em Paços ou contra o Sporting.

Ontem acabámos bem, apesar de termos passado metade da primeira parte encostados atrás, com o Boavista a pressionar alto... é verdade, aconteceu mesmo, entre o primeiro golo e quase o intervalo. Mas no final e para a história ficam os 4-0. Acabámos bem, portanto.

Da nossa parte, foi um jogo completamente orientado para a final do Jamor. As escolhas do onze, as substituições, tudo foi planeado a pensar no Braga. Ainda assim, não entendi a ausência de Sérgio Oliveira do jogo. Está numa fase de afirmação, a jogar bem e melhor de jogo para jogo, para quê interromper esse processo?


Impossível não fazer referência à estreia de André Silva a marcar pela equipa principal. Um golo tão desejado como desesperado, que chegou quando chegou, como tudo o resto na vida. Só é pena que a época esteja agora no fim. Sobra-lhe a final da Taça para fazer miséria na defesa minhota.

Gostei da estreia matinal, acho que é um bom horário (passível de ser ajustado, meia-hora para trás ou para a frente) que liberta o resto do dia das questões futebolísticas. E aquele ar da manhã, ainda que já avançada, fez-me lembrar as muitas vezes que saía de casa cedo para ir jogar futebol. Gostei mesmo. Repita-se, pois.


Os festejos da estreia



Notas DPcA:


Dia de jogo: 14/Mai/2016, 11h45, Estádio do Dragão. FC Porto - Boavista FC (4-0).


Casillas (6): Uma boa defesa por instinto a evitar o empate e um resto de jogo relativamente tranquilo. Até com os pés esteve acertado... 

Maxi (7): Termina a época em crescendo, numa espécie de pré-época para a Copa América. Sempre muito interventivo no seu corredor, ainda teve tempo para arrancar um penálti para Brahimi converter.

Layún (8): Regressou a habitual alegria e tremenda produtividade que o seu jogo transporta. Ponto extra pelo belo golo.

Marcano (6): Esteve sereno o Ivan, talvez por se sentir amparado pela falange de apoio dedicada com quem confraternizou, já o Dragão estava quase vazio. Não foi nunca testado "a sério" e desde que assim seja, o bom do Ivan não se espalha.

Chidozie (6): Menos sereno do que o parceiro, ainda assim sem comprometer em definitivo. E acrescenta impetuosidade à dupla. Será que Indi vai assistir do banco de suplentes à final do Jamor?

< 45' Danilo (7): Esteve bem como quase sempre, embora mais discreto. Fez o primeiro da manhã e saiu em "gestão de esforço".

< 69' André André (6): Melhorou ligeiramente face ao jogo anterior, mas continua a preferir navegar pelas águas mais seguras das sombras do jogo. Tenho dificuldade em perceber a insistência nele neste final de época, mesmo tendo presente a questão do Euro, sobretudo quando temos um Sérgio em boa forma e a crescer de jogo para jogo... quando joga.

Herrera (6): Foi o regresso do Héctor trapalhão, ainda que em dose reduzida. Correu muito mas nem sempre a propósito e foi menos incisivo do que vinha sendo habitual.

< 45' Corona (5): O elo mais fraco de ontem. Esteve até bastante envolvido no jogo colectivo mas quase sempre decidiu ou executou mal, desperdiçando boas ocasiões para desenvolver ataques de perigo. Alguém que te ensine, hombre, e depressa...

Varela (6): Também menos consequente do que em jogos recentes, mas pelo menos nunca deixou de atrapalhar (fosse quem fosse). 

Melhor em Campo André Silva (8): Já está! Custou mas foi, meu menino. Agora é só... marcar muitos mais. Claro que o golo seria sempre o destaque ansioso da sua exibição, mas reduzi-la a isso seria tremendamente injusto. Até porque também assistiu Layún (mesmo que o mérito do concretização seja o mais relevante) e jogou muito bem durante 90 minutos na sua missão de avançado. Segurou e tocou, desfez os centrais do Boavista com cargas de ombro e correu atrás de todas as bolas (todas mesmo!). Porque pode, pela idade, e porque quer, pela ânsia de conquistar o seu lugar ao sol. E fico a pensar: mantendo este trajecto, acrescentando experiência e deduzindo impetuosidade, que avançado fenomenal não poderá ser aos 26 anos...


Homem do Jogo também para os adeptos que estiveram no Dragão


> 45' Brahimi (7): Entrou bem outra vez, acrescentando agora um golo e uma gloriosa assistência para o menino se estrear. Muito menos do que poderia dar, mas mais próximo...

> 45' Rúben (6): Bons 45 minutos, porventura até melhores do que os de Danilo. Beneficiou da pouca pressão dos adversários sobre si e da saída de André, que entretanto lhe disputava desnecessariamente os terrenos pisados. Também mais perto do Rúben que todos queremos, mas... não é um seis...

> 69' Evandro (6): Entrada positiva e mais uns pontos conquistados rumo à sua participação na final da Taça.


Peseiro (6): Vitória gorda e limpa que não espelha as dificuldades que o Boavista nos causou até ao golo de Layún, já perto da hora de jogo. E perante isto, não posso senão considerar positiva a sua acção neste jogo. Tal como não posso "ir-me embora" sem questionar a ausência de Sérgio Oliveira do jogo. Está cansado? Medo do Xistra? Nada me satisfaz a curiosidade de entender por que motivo se quebra o ritmo e o processo de afirmação de um jogador que finalmente começa a despontar para o grande futuro que precocemente lhe adivinharam. Em todo o caso, foi o seu último jogo no Dragão e a última imagem que fica é positiva.


Os (únicos) campeões


Outros intervenientes:


Ser pequenino não é fácil. Até porque a pequenez normalmente mora dentro das cabecinhas (ou cabeçorras, tanto faz). Quando a malta da rotunda, já a perder por três, começou a cantar alegremente "outra vez, outra vez, campeonato com o car(v)alho outra vez" dei por mim a pensar em que raio de psicologia é que os gatinhos escuros se movimentam. "Ah e tal, nós somos meia-dúzia de gatos pingados, mas pelo menos vocês - que são da nossa cidade e sofrem diariamente e ano após ano o mesmo que nós - também não ganham aos lagartos e lampiões de Lisboa (onde se decide o nosso sofrimento)!". É isto, gente? Ou será apenas um instinto básico pavloviano? Enfim, ontem nem Renato Santos se evidenciou no Boavista, apesar da boa réplica que, como equipa, deram durante largos minutos da primeira parte.


A desfaçatez de Vítor Pereira atingiu ontem um novo patamar. Nomear para o último jogo (ainda por cima em casa) o apitador Xistra que sentenciou a nossa despedida do campeonato, só prova que o imbecil acredita mesmo que nada do que faça lhe provocará dissabores. E neste contexto, chocou-me a "leveza" com que Peseiro abordou esta nomeação, na antevisão da partida, como se nada de muito grave e decisivo se tivesse passado em Braga. Ou então será consciência peseirosa, não sei.


E foi assim, com o primeiro derby matinal, que demos por concluída a nossa vergonhosa participação neste campeonato, o terceiro consecutivo que descansará noutro museu qualquer.

Sobra apenas a final da Taça. Tal como escrevi há dias, "resta-nos ganhar com categoria, nada mais". Até lá.



Do Porto com Amor 



terça-feira, 10 de maio de 2016

Onde está a bola? #21 - Última Edição


De regresso com mais 2 bilhetes para oferecer ao leitor mais perspicaz e afortunado.

Nesta edição #21 do "Onde está a bola?" - a última da época 2015/16 - o feliz contemplado terá a oportunidade de assistir no Dragão ao jogo FC Porto - Boavista FC, que será disputado no próximo sábado, 14 de Maio, no inédito horário matinal das 11h45! Aproveite e faça parte da história do clube...

Para se habilitar a ganhar os bilhetes nesta edição compacta (apenas dois dias de duração), terá que deslindar onde está escondida a bola verdadeira na imagem abaixo - ou se não está lá de todo.

Concentre-se, analise e arrisque o seu melhor palpite, vai ver que não dói nada!


Onde está a bola? #21



Para se habilitar a ganhar, basta acertar qual das respostas à seguinte pergunta é a correcta:

Onde está escondida a verdadeira bola de jogo?

1 - Bola Laranja
2 - Bola Azul
3 - Bola Verde
4 - Bola Amarela
5 - Não há bola na imagem

Já tem o seu palpite? Então é só responder na caixa de comentários.


As regras:

1 - Descobrir na imagem acima onde está escondida a(s) bola(s) de jogo e escrever na caixa de comentários deste post qual a resposta certa, indicando igualmente um nome e um email válido para contacto em caso de vitória (pode comentar como "anónimo" desde que no comentário inclua estes dados).

2 - Entre os que acertarem, será sorteado o vencedor (através da app Lucky Raffle).

3 - Para ser elegível para os bilhetes, o concorrente deverá fazer o obséquio de registar e confirmar o seu email (nas "Cartas de Amor", na lateral direita do blogue) e seguir o FB e o Twitter do DPcA (basta clicar nos links e "gostar" ou "seguir"). Sim, quem não tiver conta na(s) referida(s) rede(s), não será excluído por isso mas... cuidado porque o Lápis irá investigar :-)

4 - Apenas será aceite uma participação (a primeira) por cada email válido.

5 - Cumpridos todos os critérios, será contactado o vencedor por email onde constarão instruções sobre como e quando levantar os bilhetes.

6 - Mesmo que já tenha Dragon Seat ou outro tipo de acesso, poderá oferecê-los a um amigo ou familiar que não tenha a mesma sorte.

6 - Este passatempo termina às 22h00 de dia 12 de Abril e o vencedor será anunciado até às 12h00 de dia 13.

7 - Se o vencedor não reclamar o prémio até à data e hora referidas no email que lhe será enviado, será feito novo sorteio entre todos os que tiverem acertado na resposta (e assim sucessivamente até se encontrar um vencedor que reclame o prémio).


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Quanto à edição anterior, relembro que se tratou de uma edição especial, com vencedor anunciado logo à partida (mais detalhes aqui): a Catarina Machado, que esteve presente e nos enviou estas espetaculares fotos para partilhar connosco a sua experiência.




Obrigado Catarina, só ficou mesmo a faltar a selfie da praxe!



Do Porto com Amor



segunda-feira, 9 de maio de 2016

Campeões e Figurantes


Finalmente, campeões. E o mais do que devido tributo deste blogue a uma época tão longa quanto extraordinária. São os Bs pois claro, os novos campeões da Ledman Ligapro (ou II Liga, para os amigos).


in fcporto.pt


É um feito realmente notável, que poderá passar despercebido a muito boa gente.

Sobretudo por se tratar de uma equipa B, concebida para desenvolver talentos e dar ritmo a excedentários do plantel principal. Aliás, por algum motivo é a primeira equipa B a vencer a competição em quatro épocas. Eu, que quero sempre ganhar, seja em que modalidade ou categoria for, fiquei muitíssimo satisfeito com esta enorme proeza de Luís Castro e seus 33 pupilos. E nada tem a ver com a paupérrima época dos A's, é mesmo um prazer autónomo registar o mérito deste conjunto valioso de futebolistas.

Fui acompanhando a época sempre que conseguia pela televisão, via que se complicou de sobremaneira quando a NOS ficou "sem" o Porto Canal. Ainda assim, fui espreitando sempre que possível. Ontem foi bom poder ver a transmissão na íntegra na aplicação.


Mas o que sobrará para o futuro, terminados que estejam a época e os festejos?


Ainda antes de avançar para os jogadores, uma justíssima nota para o excelente trabalho que Luís Castro desenvolveu esta temporada. Critiquei (não sei se justa ou injustamente) o seu trabalho em edições anteriores (porque, repito, para mim é sempre para ganhar ou ficar perto disso), mas nesta temporada conseguiu tirar o melhor rendimento de um bom grupo de jogadores. Não vejo nisto nenhuma portabilidade para a equipa principal (também não fiquei convencido com a sua passagem por lá), mas são coisas distintas e neste momento o que releva é saudá-lo pelo brilhante percurso de 2015/16.

in fcporto.pt


Com a pouca informação "angariada" sobre os jogadores, não será muito avisado dar palpites quanto aos seus futuros, mas ainda assim arrisco-me a abordar uns quantos:

- Gudiño: precisa de jogar todas as semanas para continuar o seu desenvolvimento, bem como de trabalhar afincadamente o jogo com os pés. Outro empréstimo na Primeira Liga poderá ser a melhor solução.

- Víctor García: gostei das vezes que actuou na principal, ainda que sempre muito mais contido do que na sua B. É para mim o exemplo claro do jogador que merece ser a segunda escolha para a posição.

- Rafa: não vi o suficiente dele, mas as loas (e garantias) do presidente obrigam-me a referencia-lo. Pela idade, parece-me que outro empréstimo não seria pior, mas se já for tão bom como o têm pintado, pois talvez justifique um lugar (sombra) no plantel principal.

- Chidozie: teve uma estreia de fogo auspiciosa mas desde então tem-se visto negro para confirmar as promessas. Tem qualidades, mas tem também muitas arestas por limar. E um central do Porto não pode ter muitas arestas por limar. Um ano fora a crescer e reavaliar se tem ou não potencial para se afirmar. Se sim, fica, se não... 

- Chico Ramos: outro de quem muito se apregoa e que também já teve uns minutos ao sol. Vejo um jogador inteligente mas franzino. Estará pronto para o salto? Duvido.

- Ismael Díaz: um projecto de Hulk, dizem-me. Right... Mas mesmo assim, vejo um jogador interessante e com margem grande de crescimento. Seria a minha primeira escolha no draft (assumindo que André Silva já mora nos As').

- Gleison: um jogador importante na época vitoriosa dos Bs', fico com dúvida se terá velocidade e cabeça para se afirmar ao mais alto nível. Um empréstimo "tira-teimas" não seria despropositado.

- Rúben Macedo: é ainda menino mas feito de algodão, daquele que não engana. Ainda pode degenerar num Folha, mas parece-me ter condições para mais. Seria de manter na B, dar-lhe (muitos) minutos e preponderância na equipa e chamá-lo aos "crescidos" para taças da Liga e afins.

- André Silva: porventura o jogador mais importante na primeira parte da temporada, só deixou de o ser aquando da promoção. No entanto, havia um "mas": o André foi, mas os golos ficaram na equipa B. É notória a adaptação e subida de rendimento com o passar dos jogos, mas falta-lhe ainda fazer golos. Que certamente chegarão em 2016/17, onde "só pode" ser um dos avançados da equipa principal. 


E esta "campeona", em que posição joga mesmo?


Tenho lido e ouvido que há uns quantos mais (Verdasca, Pité, Graça, Omar e Leonardo, entre outros) com potencial suficiente para justificar uma oportunidade no plantel principal. Mas a questão é sempre a mesma: lançar "incógnitas" (sobretudo se forem jovens e portuguesas) na equipa A requer um tempo de adaptação, tempo esse que escasseia na mesma medida em que o insucesso da equipa se agrava.

Ora o actual contexto do Porto é porventura o pior desde que o senhor Oliveira caiu da cadeira e os campeonatos deixaram de ser atribuídos por decreto ministerial. Estes jovens talentos precisam de espaço para se ambientarem e crescerem dentro do grupo de "elite". O que faria sentido seria integrar todos os anos 2 ou 3 "jovens promessas" no plantel, sem a pressão de serem soluções de primeira linha logo de início - algo que seria muito mais fácil de executar nos anos em que fomos campeões (e foram tantos).

Em 2016/17, não vejo muitas hipóteses de apostar convictamente nos campeões da B. Vamos entrar de novo sobre brasas, ainda mais atiçadas pelos ventos dos fracassos acumulados, com uma decisiva pré-eliminatória da Champions à cabeça. Seria um crime não integrar alguns (até mais do que os 2 ou 3) no plantel, mas pensar que poderão ser soluções na primeira metade da temporada é hipotecar as nossas hipóteses de sucesso (bem como as carreiras deles). Para outros, talvez não seja pior garantir bons clubes na Primeira Liga onde haja o compromisso (salarial) de jogarem regularmente, com a opção de os resgatar em Janeiro.

Por agora, ainda lhes falta saborear o seu merecido sucesso. Parabéns campeões! São uns dignos portadores do nosso emblema, sinto real orgulho em todos vocês.


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Um dia antes, entraram em campo os figurantes. Os tais que seria suposto serem os actores principais mas que não o souberam ser. E - para figurantes - não estiveram mal.


"Oh Happy Days! Ooh Happy Daaaays!..."


Começaram o jogo quase a perder mas a cabeça nunca saiu do sítio. Com perseverança, alguma determinação e um pouco de futebol, conseguiram dar a volta ao jogo, devolvendo um certo ar de normalidade às nossas exibições internas.

As notas mais relevantes foram as ausências e os regressos à equipa. 

Desde logo, Marcano e Layún, metade da defesa mais utilizada na primeira metade da época. E um meio-campo renovado, sem os até agora indiscutíveis Danilo e Herrera, mas com o regressado André André em parceria com Rúben e Sérgio. Na frente, destaque para a titularidade de André Silva e para a ausência de Corona. 

Peseiro falou em lesões, gestões e recuperações. Talvez assim seja mas, na verdade, quem é que quer saber disso por esta altura? Agora só nos interessa chegar ao Jamor com uma equipa e um plano infalíveis para sair de lá com o caneco. Será este o melhor caminho, o das mudanças em catadupa jogo após jogo? Duvido.

Quanto à equipa que subiu ao relvado, soube respeitar o emblema. Como um condenado que dá os seus últimos passos rumo ao cadafalso, sem no entanto abdicar da sua dignidade. Por grandes que sejam os seus "crimes", não desiste de deixar uma imagem minimamente decente da sua (agora triste) figura. E ainda bem, é para isso que lhe(s) paga(m). 



Notas DPcA:


Dia de jogo: 7/Mai/2016, 16h15, Estádio dos Arcos. Rio Ave FC - FC Porto (1-3).


Hélton (6): Um golo indefensável e pouco mais. 

Maxi (7): O seu lado foi sempre o mais acutilante e dinâmico, em grande parte graças a ele. Grande assistência para o golo de Varela.

Layún (7): Mais retraído do que é seu habitual, possivelmente por dar ouvidos a tantas críticas ao seu comportamento defensivo. Mas assim fica a meio da ponte... Penálti muito bem marcado numa altura crítica do jogo e por isso um ponto extra.

Marcano (6): Alguns cortes após boas antecipações e o terror habitual com a bola em seu poder. É o Marcano.

Chidozie (6): Festejou merecidamente o título da II Liga, mas para este patamar não está (ainda?) preparado. Falta-lhe saber posicionar-se melhor e antecipar os movimentos adversários para os impedir. Talvez esteja pronto para jogar numa equipa menor, mas não no Porto. Cabe-lhe continuar a evoluir para demonstrar que merece voltar. Por agora, deverá ter sido o último jogo no palco principal. 

< 86' Rúben (6): Em 10 minutos de jogo teve 4 ou 5 abordagens incorrectas que causaram potencial perigo para Hélton e, numa delas, ficou mesmo ligado ao erro de Brahimi e consequente golo de Postiga. Continua demasiado suave para ser implacável a destruir jogo. Ele é bom é com a bola no pé, a pôr-lhe um selo e remetê-la para destinatário à escolha. Já vos disse que não tem características para ser um bom 6?

< 73' André André (6): Mantém o registo ultra-discreto, quase sempre afastado das avenidas principais do jogo. E um jogador como ele precisa de estar envolvido para se motivar e se tornar relevante para a equipa. Andámos a tentar recuperá-lo para a final do Jamor, mas nesta fase parecia-me mais eficaz apostar noutro cavalo com maior andamento.

Melhor em Campo Sérgio (8): Sem deslumbrar consegue facilmente ser o melhor da partida, o que funciona como um elogio ao próprio e um atestado pouco agradável aos demais. Tem aquela raça de Dragão que o leva a meter sempre o pé, quando a bola não é sua. Quando passa a ser, faz-me lembrar outros craques do passado. Dos poucos que precisava que a época seguinte começasse de imediato, para não perder o embalo. Ponto extra pelo fuzilamento de Cássio.


Preparar... apontar... fogo!


< 87' Brahimi (6): Dividiu a meias a culpa pela perda de bola que resultou no golaço de Postiga e nos colocou a perder logo a abrir. Não ficou refém desse lance (talvez nem tenha noção da responsabilidade...) e procurou ser a gazua habitual: aquela que porfia e volta a porfiar para no final... estar no mesmo sítio. Alternou bons lances e passes com outros de assustadora mediocridade. Au revoir mon ami...

Varela (6): Fez boa parceria com Maxi na direita e esteve envolvido em muito jogo, coisa que não lhe é habitual. Ponto extra pelo golo e ponto retirado pela excessiva dureza que lhe deveria ter custado uma acertada expulsão. 

André Silva (7): Continua a sua travessia do deserto de golos, mas o seu comportamento individual e colectivo melhora a olho nu. Está muito mais ligado ao resto da equipa, demonstra perceber alguns dos movimentos que lhe são esperados e mantém os dois centrais na linha. Tendo em conta a idade, tem mesmo tudo para chegar muito longe. Assim reapareçam os golos. Desta vez, foi só meio-golo, com o penálti ganho e que Layún converteu.

> 73' Evandro (6): Entrou bem no jogo, uma real surpresa face ao que o jogo estava a proporcionar e ao seu próprio historial de alguma passividade. Deve estar a sentir que já não lhe restam muitas oportunidades para justificar nova temporada no Dragão e está a fazer pela vida. Ainda bem.

> 86' Danilo (-): Sem tempo de jogo suficiente para ser avaliado.

> 87' Aboubakar (-): Sem tempo de jogo suficiente para ser avaliado. 


Peseiro (6): Promoveu mais uma pequena revolução no onze, ainda que desta vez se possa justificar com o desastre que foi o jogo com o Sporting. No entanto, o único objectivo é a conquista da taça e desse ponto de vista, tenho dificuldade em entender tantas alterações de jogo para jogo. Parece estar a levar demasiado à risca a historieta da pré-época... Neste jogo, no entanto, atingiu aquilo a que se propôs: ganhar e recuperar alguma da muita dignidade esbanjada no seu consulado.



Outros intervenientes:


Sem ninguém que se destaque de forma evidente no Rio Ave, sobra espaço para referir dois jogadores: Edimar e Roderick. O primeiro pela surpresa de, aos 29 anos, estar num clube com estas ambições, depois de já ter passado por várias ligas. Tem futebol para mais, não sei o que terá a menos. O segundo, pelo eterno prazer de o reencontrar, claro (não por o culpar pelo momento K 92, mas porque a ele ficou inevitavelmente associado), mas também pelo lance de ir às lágrimas que protagonizou com... Edimar. Após um corte de risco do brasileiro na sua área, eis que o bom do Rodas resolveu aliviar a bola com um petardo... mas não reparou que a 50 cm estava a cabeça do seu companheiro... que assim levou com ela em cheio e ficou a dizer mal da vida. Priceless.

Falar sobre Bruno Paixão é como falar sobre uma úlcera. Dá uns dias piores, outros melhores, mas está sempre lá para nos infernizar a vida (até que seja erradicada de vez). Este jogo não foi dos seus piores, mas nem assim deixou de ser o mau protagonista do costume, com prejuízo para ambos os lados.


Avançamos pois em passada larga para o final da época, primeiro o derby matinal que encerra o campeonato (bilhetes em breve) e depois a final da Taça. Resta-nos ganhar com categoria, nada mais.



Do Porto com Amor



domingo, 1 de maio de 2016

O Fundo do Fundo


Chegámos lá, hoje. Ao fundo do fundo. Mas nada nos garante que a garimpagem de incompetência e irresponsabilidade não descubra um novo filão de vergonha ainda um pouco mais abaixo, no abismo da nossa essência.


Só dois (três com Danilo) não chegam


Perder com o Sporting é mau. Ponto. Sempre e em qualquer circunstância. Não por serem "rivais" (porque não o são, de facto), não por serem de Lisboa. Mas por serem um espelho crónico da petulância incompetente, da nobreza falida, do rei que vai sempre nu. São uns tipos engraçados, no mesmo estilo que um Gibão-de-crista é engraçado: passar por ele na sua jaula do zoo, apontar, admirar o seu exotismo e seguir em frente. É castiço, é exótico. Mas ninguém o quer levar para casa. 

Perder duas vezes com o Sporting na mesma época é degradante. Sem atenuantes.

Esta equipa do Sporting merece respeito. Hoje provou que está correctamente a lutar pelo campeonato. Sem me esquecer da fila de ajudas fundamentais de que beneficiaram na primeira metade da época, que os colocaram artificialmente na liderança. Tiveram o mérito de as saber aproveitar até finalmente cederem onde menos queriam. Mas nem assim desistiram. Nem quando a onde vermelha de podridão invadiu as praias do nosso campeonato de apito na boca. Contra todas as probabilidades, continuam lá, na luta pelo título. E isso é merecedor de respeito. Não quero confundir as coisas. O clube é ridículo (porque faz questão de o ser), esta equipa não.

O jogo de hoje foi repartido, houve oportunidades várias para ambos os lados, ganhou quem foi mais eficaz, blá, blá, blá... O RAIO QUE OS PARTA! A todos!

O jogo de hoje foi no Dragão, c@r@lho! Era e será sempre para ganhar, mas mais do que isso, para dominar, esmagar, para lhes enfiar tantas batatas no saco, tanto osso escanado, tanto pitão tatuado nos rins que os fizesse sair a correr, de rabo entre as pernas e a ganir pela mãe, de volta para a toca de azulejo urinol. 

É isto que nós somos neste momento? Um bando de indigentes, liderado por um campino anafado que nada entende sobre a nossa essência? Deslizamos pelo campo como se nada de muito importante se estivesse a disputar, como se o amanhã (e o fim do mês) inevitavelmente acabe por chegar? 

Pior que ouvir companheiros portistas a quererem convencer(-se) de que foi o árbitro o culpado da derrota, é ter que levar com o presidente eleito a dizê-lo. Ele, que nada fez até agora, durante três anos a fio. Ele que assumiu "ter perdido a batalha" mas que nada fez para a ganhar.

Houve um penálti escandaloso por apitar, houve sim senhor. Que a ser marcado poderia mudar o desfecho final, poderia sim senhor. Mas é a isto que nos resumimos, quando o que se viu em campo foi uma equipa de futebol a defrontar um rancho folclórico de Babel? Quando nos comportamos tão indecorosamente que fazemos do adversário a equipa grande e da nossa a pequena? Vão-se f@der todos. A sério. Vão.






Notas DPcA:


Dia de jogo: 30/Abr/2016, 18h30, Estádio do Dragão. FC Porto - Sporting CP (1-3).


Casillas (4): Os grandes jogadores vêem-se nos grandes jogos. Ou não. Uma grande defesa seguida de um infeliz (mas grande) peru. MLS? Godspeed.

Maxi (5): A raça do homem é quase imbatível. Mas não chega. E já é altura de dizer alto e em bom som que já lhe faltam pernas. E propensão defensiva. 

Ángel (3): A culpa não é mesmo dele, é de quem o põe a jogar. Ainda por cima, com (sem?) Brahimi no mesmo lado.

Indi (2): Mim defesa central, tu avançado. Mim marcar tu. Mim falhar. E mim falhar de novo. Mim ser uma merda. 

Chidozie (4): Estava ele tão bem na sua equipa - a B - a fazer golos e preste a sagrar-se campeão e eis que o campino anafado resolve desfazer tudo o que andou a fazer nos últimos dois jogos. E o rapaz tremeu. E vacilou. E comprometeu.

Danilo (6): Muita entrega e raça de Dragão, bastante qualidade mas pouca cabeça. Enfim, falta-lhe uma equipa com quem jogar. Eu percebo. 

Herrera (7): Foi (de longe) o nosso melhor. Merecia ter um treinador que o ajudasse a ajudar a equipa. E assim se adensam as minhas dúvidas sobre a sua real utilidade para o futuro próximo. Mas estou (cada vez mais) inclinado a erguer o polegar. 

< 65' Sérgio (6): Rapaz, tens que falhar mais passes, lutar menos pela bola, mostrar menos empenho em cada disputa, ser menos criativo com a bola no pé, levantar menos a cabeça e - mais do que tudo - vestir-te de campino. Caso contrário, serás sempre o primeiro sacrificado quando as coisas correm mal. E bem também. Mesmo quando quase todos estão a fazer menos do que tu. Aguenta...

< 63' Brahimi (5): O pouco que faz bem ofensivamente não compensa (nem por sombras) o enorme desequilíbrio defensivo que provoca no seu corredor. Junte-se um Ángel e está o caldo entornado.

< 86' Corona (5): Demorou meia hora até se dignar a aparecer e depois tentou alguma coisa, mas nunca com especial acerto. Precisa mesmo de um treinador que o ensine a jogar...

Aboubakar (5): Menos mau do que o seu novo normal, até com alguns pormenores técnicos interessantes e boas movimentações. Teve uma (meia) oportunidade mas o que continua a faltar é disponibilidade e inteligência para jogar com a equipa, ajudando-a a galgar terreno rumo à baliza adversária, mesmo sendo esta um "culpa" colectiva e não exclusivamente sua.

> 61' André André (4): Está claramente fora de forma, física e psicológica, e o seu instinto leva-o a defender-se, ficando encostado atrás e escondido do jogo. Nunca seria solução para este jogo.

> 68' Varela (4): Não acrescentou nada de relevante ao jogo.

> 85' André Silva (-): Sem tempo de jogo suficiente para ser avaliado. Entrou no minuto em que sofremos o terceiro golo e já nem sequer houve força para uma reacção convicta. 


Peseiro (ZERO): Podia falar da equipa que apresentou de início, onde voltou a mexer na dupla de centrais (o sector que requer maior entrosamento dentro da equipa) após dois jogos com Danilo e Indi; onde voltou a por um tal de Ángel (não sei o que faz na vida, mas não é futebolista) em vez de Layún (se está apto e é convocado, não há NADA que me possam dizer que justifique esta opção). Podia falar das substituições perfeitamente inócuas e temerosas, onde a perder retirou do jogo o nosso maior criativo para dar lugar a um André a meio-gás; onde a perder tirou Corona para lançar o jovem e fulgurante... Varela; onde a perder apenas aos 85 minutos fez a terceira alteração e a troca que deveria ter feito logo ao intervalo, fazendo entrar André Silva para o lugar de Chidozie. Mas não vou (falar disto). Vou apenas centrar-me na inaceitável atitude da sua equipa, que nem sequer conseguiu jogar pela nossa honra. Peseiro é um tremendo e terrível erro de casting. Mais um. E nem coragem há para o assumir desde já. Relembro a minha reacção quando se anunciou a sua vinda. Detesto ter razão. Rua!


"---- ----- -- ----- ----? ---- ---- ----------- ------ ------!"



Outros intervenientes:


João Mário é um belíssimo jogador, tal com Bryan Ruiz (só lhe falta não desperdiçar golos que custam campeonatos). E Slimani um bom goleador. Depois há meia dúzia de jogadores medianos e uns quantos mancos. Mas o suficiente para Jorge Jesus fazer uma equipa competitiva para lutar pelo campeonato. Porque bem preparada para derrotar equipas pequenas, como aquela que o Porto teve hoje em campo.


Dois bons jogadores (num clube ridículo)

Soares Dias tem uma boa postura, consegue fazer-se respeitar dentro de campo, tem tudo para ser um bom árbitro e seguir as pisadas de Pedro Proença. Tudo? Não, quase tudo. Sofre de cegueira selectiva. É a única explicação aceitável para não ter marcado aquele penálti do tamanho da dívida de Vieira e do Benfica ao BES. É tão, mas tão evidente, que não permite discussão nem que não a tenha visto (ao contrário da que assinalou sobre Brahimi, que é perfeitamente discutível). Tal como o presidente afirmou há duas épocas após o jogo na Luz (já nessa altura sabia que tinha "perdido a batalha", mas cuja reacção para acabar com este estado de coisas... bai no Batalha...): ou é vigarista ou é incompetente. Mas em qualquer dos casos, não interessa ao futebol.



Eu sou do Porto. Para sempre. Esteja lá quem estiver, haja as modalidades que houver, tenhamos ou não uma equipa de futebol profissional. É irrelevante para o meu ser. "Ser portista é uma bênção, que não se pode partilhar". Ainda mais sendo portuense. Lá estarei contra o Boavista e depois no Jamor. Sempre com as minhas cores, para que todos os que por mim passem inspirem o orgulho que transpiro. Mas não me peçam para continuar a fazer de conta.

Não se consegue mudar algo tão estrutural de uma semana para a outra, muito menos com entrevistas em catadupa. Mas pelo menos a atitude já teria que ter mudado. Hoje tínhamos que ter corrido o dobro da lagartada e de ter feito tudo para os vencer. Só que não o fizemos, uma vez mais.



Quero este Porto de volta.



Do Porto com Amor