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quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Circus Maximus


Está feito, missão cumprida! Estamos de volta ao nosso habitat natural. Pela 21ª vez


Assim se constrói um grupo


Hoje seria muito mais interessante para mim falar apenas do enorme feito conseguido na città eterna e da extrema importância que assume para o nosso futuro próximo. Já o tinha dito, com todas as letras: este era o jogo mais importante da temporada. Além do que faria transportar para o jogo do próximo domingo (como metáfora de todas as competições internas), era o equilíbrio financeiro que estava em causa - ou, para ser mais preciso, a sobrevivência financeira num ambiente de elevada alavancagem como é a nossa.

Conseguimos eliminar o pior (leia-se "melhor, mais forte") adversário de entre os possíveis. Calhou-nos a AS Roma no azareio, o que desde logo nos transformou nos cães de baixo (sim, é piada, intencional, obrigado e voltem sempre). Após uma primeira mão, que terminou com um resultado complicado (ver deliciosa imagem abaixo), ainda mais distante ficou o hino da Champions.

Felizmente, hoje (ontem) voltámos a ter a estrelinha dos champions. Por completo, diga-se. Aliás, não me lembro de termos tido tanta felicidade junta numa eliminatória europeia. Felizmente não a desperdiçamos (apesar das tentativas...).


Olha o melão fresquiiiiiiinho!


E agora o jogo.

Primeira parte aceitável, apesar do desnorte que se seguiu à primeira expulsão. Começamos a pressionar bem à frente, o que durante 20 minutos confundiu e atrapalhou o adversário. Depois, já em vantagem no marcador, aceitámos a superioridade do adversário e procurámos surpreendê-los em contras rápidos e nas bolas paradas. Correu bem, marcámos cedo e ficámos "como queríamos" no jogo. Bem estudada a lição para o onze contra onze.

Não contavam era ter que jogar contra nove. Evidentemente que é um grande bónus, mas quanta gente não se perde após ganhar o Euromilhões por não saber lidar com tanta sorte junta? Nós não "nos perdemos", mas quase sofríamos a humilhação de ver a bola no fundo da nossa baliza quando o adversário só contava com nove jogadores. Cheguei a ter vontade de desligar a televisão, tamanha que foi a irritação que me provocaram naquela fase. Foi preciso Layún fazer o segundo para todos acalmarem e assumirem de vez que estava tudo (apenas) nas nossas mãos. Os de Roma já tinham cortado as suas.

A partir daí, geriu-se bem o que faltava do jogo, com um grande golo pelo meio e mais umas quantas oportunidades. Chegou, mais do que chegou, ainda que fruto de erros alheios. Mas saber aproveitá-los é uma grande virtude.


A eliminatória virada ao contrário



Notas DPcA: 

Dia de jogo: 23/Ago/2016, 19h45, Estádio Olímpico de Roma. AS Roma - FC Porto (0-3).


Casillas (6): Três ou quatro defesas de champions, dignas de um jogador com o seu currículo, em profundo contraste com os infantis disparates que foram algumas reposições de bola e passes à queima para companheiros. Não o admito de um jogador tão experiente e reforço o meu voto para que José Sá seja levado a sério como candidato à titularidade.

< 47' Maxi (6): Esteve bem (concentrado e empenhado) até ser ceifado por De Rossi. Ressentiu-se logo a seguir e saiu de maca. Recupera depressa Maximiliano.

Telles (7): Exibição muito consistente durante toda a partida, sempre mais focado em fechar o flanco mas sem com isso deixar de fazer investidas na frente de ataque. Tem sido sempre a melhorar e ainda bem.

Marcano (7): Tal como Felipe, sentiu naturais dificuldades frente à categoria dos avançados romanos, mas não se atemorizou e principalmente não meteu água. Bom jogo...

Felipe (8): Ainda outra exibição com oscilações, mas desta vez com os pontos positivos a superarem largamente os negativos. Pelo golo fundamental, pois claro, mas também pelo acerto defensivo que revelou mais adiante (depois das tais oscilações). Está a melhorar, aos poucos, e vai dar bom central. Podem confiar.

Danilo (7): Voltou o meu Godzuki, impositivo e dominador do seu espaço. Também enfrentou dificuldades várias, a principal das quais um jovem belga com um talento excepcional. Mas, conseguiu sair ileso e isso só tem que ser valorizado (em milhões de euros).

Herrera (7): Avanço já para a boa assistência para o golo que matou a eliminatória (o segundo), momento mais alto da sua exibição. Antes e depois, lutou muito, acertou menos, mas globalmente bem.

André André (7): Outra boa exibição, como já não fazia (durante tantos minutos) há muitos meses. É bom tê-lo de volta a este patamar, para que possa retomar onde parou e continuar a crescer como jogador.

Melhor em Campo Corona (8): Continua em grande o Tecatito e de novo provou que foi um erro ter prescindido dele no onze inicial na primeira mão. Exibição muito completa, que ganhou fulgor quando aumentou o espaço nas costas da defesa da Roma e que teve como corolário um belíssimo golo. Continua rapaz, já em Alvalade de preferência.

< 57' Otávio (7): Voltou à faixa esquerda e com isso voltou a desequilibrar. Foi dele o passe para o golo de Felipe, mas fez muito mais, em especial na primeira parte, em quem manteve a defesa romana sempre em sentido. Saiu cedo mas percebe-se porquê. Contribui bem para o desfecho final.

< 66' André Silva (7): Não marcou mas fez um bom jogo, desgastando ao máximo a defesa contrária e procurando dar tempo e espaço para os companheiros se adiantarem no terreno. No lado menos positivo, registo o ter voltado a agarrar-se em demasia à bola em vários momentos. É de ser tenro, certamente. 

> 47' Layún (8): Entrou mais cedo do que estaria à espera, mas em boa hora o fez. Encaixou-se bem e apesar de a sua entrada quase ter coincidido com o pior momento da equipa, foi ele a pôr-lhe um ponto final com um belo golo de difícil execução. Hoje não assistiu (shame on you)... marcou!

> 57' Sérgio Oliveira (5): Os primeiros momentos em jogo marcaram tudo o resto. Más opções, cartão amarelo e um suspiro. Aos poucos foi melhorando, preferindo a discrição ao "exibicionismo" como forma de se resguardar. Tem que entrar mais concentrado, para não perder o comboio...

> 66' Adrian (5): Trocou com AS e assumiu a frente de ataque sozinho, ainda que sempre secundado por Corona e pelos médios que se adiantavam à vez. Não fez nada de especialmente relevante no jogo, mas contribui com a sua quota-parte.





Nuno Espírito Santo (8): Garantiu a passagem à fase de grupos, é isto que realmente conta e que marcará a sua carreira no clube. Mas como a análise se restringe apenas aos 90 minutos de Roma, há que acrescentar algo mais. Fez alinhar de início o que para mim era o melhor onze possível e (coincidência ou não) a resposta inicial foi boa. Tivemos a sorte e o engenho de marcar cedo (e primeiro), o que nos deixou a respirar muito melhor. Depois veio a primeira expulsão e um desnorte difícil de entender até ao intervalo. Mas pior, muito pior, foi a autêntica desgraça de exibição a que se assistiu entre a segunda expulsão romana e o nosso segundo golo. Quase 25 minutos de puro horror, tal a impotência da equipa para controlar um adversário tão inferiorizado e para matar o jogo de vez. Total incapacidade para tirar partido da dupla superioridade numérica e risco eminente de sofrer golo em vários lances. Muito difícil de compreender, mesmo descontando a normal ansiedade que o jogo transportava para os jogadores. As mudanças não convenceram, mas acabaram por dar os frutos desejados. Portanto, esqueçamos esse período horribilis do jogo e foquemo-nos no essencial: parabéns Nuno pelo apuramento. 



Outros intervenientes:


Não há equipa ou treinador que resista a erros individuais desta magnitude. Depois de Vermaelen do Dragão, agora foram De Rossi e Emerson a enterrar os romanos para as profundezas da Liga Europa. Continuo a não ter dúvidas de que têm melhor plantel e uma equipa muito mais trabalhada. E um grande, grande craque: Nainggolan. Que enorme jogador, merecia mesmo jogar de azul e branco...

"O azul, que bem que te fica(va)"


Hoje abro uma justíssima excepção e incluo o árbitro na análise qualitativa junto com os jogadores. Este senhor Szymon Marciniak merece ser destacado como co-Melhor em Campo, tal a qualidade extrema da sua exibição arbitral. No meu conceito do que deve ser o futebol, esteve simplesmente perfeito. Corajoso, imparcial e a não marcar as faltinhas que tanto prejudicam o futebol (com o português à cabeça). Muitíssimo boa prestação, merece ser seguido com atenção e ter mais oportunidades ao mais alto nível.


Muito bom estarmos de novo na Champions. Amanhã reabrir-se-ão por certo as (até agora) perras torneiras que matam a sede aos ávidos vendedores e empresários (e...) de craques. Espero que com melhor critério do que nos últimos anos. Apenas bons jogadores e que nos façam falta. Óliver, central, avançado. Tudo o mais, antes de isto assegurado, será sempre supérfluo.


Nota final para o símio Rui Gomes da Silva: agradecido pela motivação extra, estou certo que foi importante para o resultado final.



Do Porto com Amore