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segunda-feira, 11 de julho de 2016

Merci Payet. Obrigado Fernando Santos.


Aquele que parecia ser o início do fim, acabou por ser o momento decisivo para fazer de Portugal o novo Campeão Europeu.
 


Estava o jogo ainda a dar os primeiros passos quando uma tragédia, de proporções aparentemente gregas (como a de há 12 anos), se abateu sobre todos os portugueses que assistiam à final de Paris. Ronaldo, o super-jogador/capitão/selecionador foi cirurgicamente abalroado pelo melhor jogador do torneio, o "francês" Payet. Pela reação de Cristiano, logo se anteviu que a sua participação acabara ali. O melhor jogador da Europa (no mínimo) estava fora do jogo decisivo, disputado em casa do adversário que, além do mais, era já o grande (e justo) favorito à vitória... Fossemos nós os gauleses e naquele momento o céu teria desabado sobre as nossas cabeças.



No entanto, aquele momento que parecia ser o fim do sonho português, acabou por ser precisamente o momento em que o sonho se começou a transformar em realidade. Do lado nacional, houve um toque a rebate que uniu ainda mais os restantes jogadores. Agora era preciso ganhar em nome do infortunado capitão. Dentro de campo, passamos a ter uma equipa onde todos defendiam e onde todos se sentiram mais à vontade a poder "exprimir" o seu futebol sem o constrangimento de poder desagradar ao craque (que o diga João Mário). Mais equilíbrio, ainda mais disponibilidade para defender e esperar pelo momento certo.



Do lado francês, veio também uma inesperada reacção à saída do lesionado Ronaldo. Deu a sensação que um sentimento de culpa teria invadido as cabeças dos jogadores, quebrando-lhes de imediato o ímpeto ofensivo (que já ameaçava transformar-se em golo) e os submergiu numa estranha apatia, numa tácito pacto de não-agressão durante largos minutos. Uma espécie de luto em memória do finalista CR7. Em particular a Payet, que pareceu nunca mais se ter recuperado e foi mesmo o primeiro a ser substituído em meados da segunda parte, quando o jogo recuperou enfim a sua normal competitividade.



Portugal voltou a ser Portugal. Compacto, fechado atrás, policiando de perto as movimentações dos bandidos mais temidos do adversário. Desta vez, sem o facilitador Ronaldo para resolver um dos "toca-e-foge" lá na frente.



Para lá da lesão e do golo de Éder (já lá vamos), houve outros dois momentos fundamentais no desfecho final. A careta que o poste de Patrício (grande exibição, o melhor em campo em minha opinião) fez a Gignac mesmo em cima dos noventa. E a decisão de Fernando Santos (finalmente posso fazer-lhe um elogio sem engasgo) em fazer entrar um ponta-de-lança. Foi Éder, porque não havia outro. Foi Éder porque foi ele o escolhido de seleccionador. O único escolhido para a posição. Nessa decisão, Fernando Santos foi, finalmente, audaz. E acabou por merecer a felicidade que chegou logo a seguir.



Éder, o acidental herói do mar. Não escrevi mas disse várias vezes entre amigos que Éder não justificava a presença na convocatória. Que era um erro levar apenas um ponta-de-lança mas que a seguir essa opção, André Silva faria muito mais sentido, por representar o futuro... e o presente. Não altero uma vírgula. Não só porque Éder não estava numa fase particularmente feliz na seleção, mas porque considero o nosso menino já hoje mais capaz. Quis a providência que houvesse um remake de um filme de sonho, agora intitulado "O Fabuloso Destino de Édelie". Ainda bem para Portugal e ainda bem para Éder. Valeu a pena estar no sítio certo à hora marcada.



Quanto a mim, acabei surpreendido (ou não...) ao espontaneamente gritar GOLO! após o remate de Éderzito. E a emocionar-me com quem se emocionava à minha volta. E a ficar muito feliz pela vingança servida aos franceses com tamanho requinte de malvadez que durante muito tempo irá alimentar um inabalável orgulho dos muitos portugueses que por lá vivem e trabalham. E pelos quatro cantos do mundo. Já hoje foi tempo de regressar à parvónia, com as avenidas da capital a encherem-se de felizes inúteis para saudar os campeões. Tudo normal, portanto.



Antes de encerrar de vez o EURO 2016, o reconhecimento de um erro. Ou de uma previsão falhada. Ou de uma crítica injusta. Escrevi que Renato Sanches não merecia estar nos 23 e mantenho-o. Mas escrevi também que não acrescentaria nada de útil à equipa e enganei-me redondamente. Foi de facto útil e importante nesta conquista. Mérito para quem confiou nele, portanto. E assim chego a onde queria: estou agora em paz com Fernando Santos. Não se trata de mudar de opinião, trata-se de reconhecer que ele estava certo e eu errado. Ele é que sabe. Ele é que ganhou, e nenhum outro antes dele o havia conseguido. Parabéns a Fernando Santos. Parabéns a Danilo e aos demais 22 selecionados.



Portugal é finalmente Campeão da Europa e assim continuará durante os próximos quatro anos. Ontem li isto algures no facebook: "Tenho 42 anos e já fui campeão da Europa três vezes. Que sorte a minha!". Subscrevo na íntegra. Quem nunca tinha sido, agora já sabe como é.







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Com o fim do EURO terminou também a respectiva liga Do Porto com Mística, com os Maldito EC de Luciano Silva a aguentarem brilhantemente a liderança e assim se sagrarem vencedores da nossa liga!



Parabéns ao Luciano e a todos os que jogaram até final. As ligas fantasy regressam em Setembro com as competições oficiais de clubes! 


Do Porto com Amor



quinta-feira, 7 de julho de 2016

A Descer, todos os Santos Ajudam...


...Ou pelo menos não atrapalham, o que já é uma ajuda em si mesmo.


Reuters


Contra as probabilidades e as minhas expectativas formadas antes do início da competição, Portugal está na final do EURO 2016.

É de facto surpreendente que esta seleção, liderada desta forma por Fernando Santos, tenha conseguido tal proeza. A confirmá-lo, o percurso realizado até chegar a Saint-Denis:

Portugal 1 - Islândia 1
Portugal 0 - Áustria 0
Hungria 3 - Portugal 3

Croácia 0 - Portugal 1 (após prolongamento) 
Polónia 1 - Portugal 1 (3-5 após g.p.)
Portugal 2 - Wales 0

Seis jogos e apenas uma vitória no tempo regulamentar. O que significa isto?

Em primeiro lugar, que não conseguimos convencer ninguém da nossa valia. Os três adversários da fase de grupos são seleções medianas, e exceptuando a Áustria (#10), esquecidas algures pelo ranking da FIFA. Não conseguir derrotar nenhum deles teria significado a eliminação noutro EURO qualquer antes deste. Para sorte de Portugal, neste valeu não só o apuramento como evitar 5 das 6 melhores seleções presentes no torneio: Alemanha (#4), Espanha (#6), Inglaterra (#11), Itália (#12) e França (#17). Do nosso "lado" da fase a eliminar só ficou a Bélgica (#2), com quem nem sequer chegamos a medir forças por obra e graça de Ga(reth Ba)les.

No entanto, Portugal está na final após derrotar o novato País de Gales com dois golos sem resposta. Fomos melhores? Sim, fizemos dois golos sem resposta... E no espaço de três minutos. Fernando Santos diz que é estratégia, que Portugal estuda bem e anula os pontos fortes dos adversários. Pode ser que sim, mas não é agradável de se ver. E mais do que isso, encerra em si muito mais riscos do que possa parecer à primeira vista, talvez mais até do que a (tentar) jogar o "nosso" futebol, como o golo no final do prolongamento contra a Croácia e os penáltis contra a Polónia bem o demonstram: facilmente poderíamos ter sido nós a vir para casa mais cedo. Neste jogo, o adversário entrou mais determinado e ofensivo (surpresa...), teve as primeiras meias-oportunidades de golo e nunca se atemorizou diante de Ronaldo e companhia. Ao intervalo, a impressão que dava é que qualquer equipa poderia chegar à final. Felizmente para Portugal, Ronaldo fez um golaço do c@r@lho a partir de um canto e logo a seguir Nani desviou para o segundo. Estava planeado? Não me lixem...


Que grande golo... (Reuters)


Mas nem tudo são nuvens negras. Aliás, a tal estrelinha tem-nos acompanhado desde o início da competição e isso é sempre fundamental para se ganhar uma competição destas. E o próprio inginheiro do tenta, apesar das várias falhas que lhe tenho apontado, teve a sagacidade de saber aceitar a sua "inferioridade estatutária" face a Ronaldo, optando por tirar partido daquilo que ele pode dar à seleção e assumindo o que de negativo daí pudesse resultar. E fez outra coisa importante, conseguiu rodar todos os jogadores de campo e manter-se vivo na competição, algo que pode ser determinante para a final: além de ter todos os jogadores motivados, tem-nos em melhor condição do que se jogassem sempre os mesmos. Vai contra aquilo que acredito num clube, mas pode resultar numa seleção. E está a resultar.

Agora segue-se França ou Alemanha. Qualquer uma delas, muito melhor equipa do que qualquer dos adversários que já defrontamos. Eu prefiro a Alemanha, para nos garantir presença inédita na Taça das Confederações seja qual for o desfecho da final de domingo.

Não é por Portugal estar na final que mudo de opinião. Continua a ser uma seleção sectária, continuo a discordar dos 23 escolhidos e não consigo perceber qual é a forma de jogar da equipa (para além de tentar anular os adversários). Mas também não será por pensar assim que deixarei de torcer pelo país a que o meu Porto deu o nome.

Espero que ganhem a competição, ficarei feliz por todos os meus amigos e familiares que se revêem e sofrem por esta SeleNão. E pelo significado que sei que terá para os muitos milhões que vivem longe da pátria amada (pela ausência, evidentemente). E pelo Danilo, pelo Quaresma, pelo Ricardo Carvalho, pelo Moutinho e pelo Pepe.



Do Porto com Amor



sábado, 25 de junho de 2016

Mete o Quaresma, ó palerma!


Jogo fraco, exibição medíocre e a habitual inabilidade do seleccionador.




O "meio-campo do Sporting" confirmou tudo o que são, ou melhor, o que não são. Dois jogadores vulgares e um acima da média, que nem com uma época inteira de rotinas conseguem impor-se a jogadores que começaram a treinar juntos à menos de um mês.

Valeu-lhes Quaresma mas não o merecem, em especial Fernando Santos. Patrício ainda tentou levar os croatas para os penaltis mas já não foi a tempo. E sim, a entrada de Renato Sanches foi essencial para nos manter à tona. Não altero uma vírgula ao que disse, porque temos outras soluções equivalentes dentro da selecção, mas hoje aproveitou a "carta branca" para contribuir positivamente.

Já vi outras equipas ganhar competições a jogar menos, mas ainda assim duvido que Portugal tenha qualidade de jogo para chegar à final. Segue-se Lewandowski e os amigos. Já veremos.



Do Porto com Amor




quinta-feira, 23 de junho de 2016

Euro News #1



Terminada que está a primeira fase do Euro 2016, é tempo para uma breve análise sobre a competição. E de olhar para o andamento da nossa Liga Fantasy.


Albânia: uma estreia cheia de argumentos... mereciam ir mais longe!


Cá estou de regresso, após uma ausência inusitada, eventualmente longa para alguns e demasiado curta para outros. Seja qual for o seu sentimento, caro leitor, prometo tentar não repetir a graça.

Acabou há minutos a última partida da fase de grupos do Euro 2016. O que sobra destes 36 primeiros jogos?

 - Equilíbrio. Ao contrário do que foi profetizado, o aumento do número de seleções presentes não se traduziu em jogos e grupos desnivelados. Bem pelo contrário, vários dos "pouco habituais" deram água pela barba aos históricos dos EUROs. País de Gales, Eslováquia, Hungria e Irlanda do Norte surpreenderam e ofereceram férias antecipadas a russos, ucranianos e austríacos. Mas foi o País de Gales quem brilhou com mais intensidade, bem secundado pela Croácia (pobre de quem os enfrentar a seguir...) que relegou a Espanha para a segunda posição. Só não gosto do sistema encontrado para emparelhar os quatro melhores terceiros e acredito que uma competição com 32 equipas ainda venha a ser testada.

 - Enfado. Com honrosas excepções, onde se incluem os dois últimos jogos de Portugal e uns quantos mais, houve uma mediania entediante na maior parte das partidas. E nem o desgaste dos jogadores após uma longa época serve de desculpa, basta comparar com o que se tem assistido na Copa América. O problema está na cabeça dos treinadores e por consequência, dos jogadores. Com o elevado nível de bagagem táctica e conhecimento dos adversários que todos os misters possuem, é bastante mais fácil optar por anula-lo do que correr o risco de o tentar surpreender. Assim, assistimos a jogos com equipas amarradas uma à outra na maior parte do tempo, à espera de um lance de génio ou de sorte (ou de ambos).

 - Street Fighting. Absolutamente deplorável o que se tem passado nas ruas das cidades anfitriãs do evento, com as forças de segurança a revelar bastante dificuldade em controlar o fenómeno. O que motiva esses animais é-me indiferente, falta é começar a tratá-los como tal. Por mim até lhes alugava uma arena para que se pudessem espancar à vontade, fazia-se um campeonato só para eles em que ganhava quem matasse mais. Resolviam-se assim dois problemas de uma vez só: deixavam o futebol em paz e libertavam-se recursos preciosos da Mãe Terra para quem merece viver.

Nota final para algo que felizmente nunca muda: o colorido das bancadas, repletas de flores frescas e viçosas. Recomendo uma visita a esta compilação de 100 dos melhores bouquets deste europeu. São rosas Senhor, são rosas. 


getty images


Quanto à "nossa" SeleNão, não é fácil resumir ou explicar os três empates. Mas vamos lá tentar.

- Fernando Santos. O grande (i)responsável material pelo desfecho. Esteve mal logo na convocatória (Eliseu é um perfeito anormal e um qualquer Antunes - sem desprimor - com mialgia nas orelhas seria melhor; Renato Sanches não mereceu ser chamado e não está lá a acrescentar nada de útil; André Silva merecia o bilhete e a falta de avançados exigia-o), mas o problema começou muito antes. Mais concretamente, no dia da sua apresentação. Eternamente grato por ter sido o escolhido (quem não gostaria de ter o seu emprego?), capitulou desde logo a sua autoridade, transferindo-a para o mais melhor do mundo, o "nosso" CR7. Desde então, tem vivido às costas do capitão, escondendo-se nelas. 

Não surpreende portanto que seja incapaz de o pôr na ordem. Não está em causa a qualidade de Ronaldo - é um grande jogador, um atleta de eleição e uma máquina de fazer golos (o segundo de hoje é magnífico) - mas sim a sua atitude perante os seus companheiros. Não há jogo em que não dê asas ao seu superego, totalmente deslocado e prejudicial a quem pretende ter uma "equipa" no verdadeiro sentido da palavra. Para Ronaldo, os outros dez só lá estão porque precisa deles. Quando a jogada não passa por ele, amua. Quando é outro a fazer o golo, tem pena. Se pudesse jogar sozinho nem hesitava. Precisa, portanto, de quem o ponha no seu lugar, começando por entregar a braçadeira a outro. Mas em Portugal não há ninguém para o fazer.

- Aselhice. 17 remates contra a Islândia, 16 contra a Áustria e 18 contra a Hungria. 1 golo marcado no primeiro, zero no segundo e (finalmente) três no último. Se pensarmos que em cada jogo tivemos uma mão cheia de oportunidades desperdiçadas (com destaque para o jogo com a Áustria), explica-se parte destes três empates. Mas não nos esqueçamos do nome e valia dos adversários: Islândia, Áustria e Hungria. Para enfatizar a aselhice, obviamente.

- Infortúnio. Não gosto nada de atribuir à sorte ou à falta dela o desfecho de um jogo de futebol. Mas há excepções e parece-me justo reconhecer que Portugal tem tido pouca sorte. Não apenas no que depende de si (bolas aos postes e traves, penálti falhado, etc.), mas também no que não depende (golos de ressalto, por exemplo). Mas, como se costuma dizer, a sorte dá muito trabalho. E a produtividade desse trabalho depende sempre da sua organização, acrescento eu.


Seguem-se os oitavos-de-final, onde além do Croácia-Portugal se destaca o "impensável" Itália-Espanha e um tragicómico País de Gales-Irlanda do Norte. Logo veremos no que dá. Se passar, Portugal defrontará o vencedor do Suíça-Polónia...



Quanto à Liga Do Porto com Mística do Fantasy Euro 2016, começo por realçar a grande participação registada: 72 inscritos!




Após três jornadas, o actual líder e grande vencedor da fase de grupos é o Luciano Silva, que ao comando do Maldito EC, soma já 187 pontos. Em segundo, a uns respeitáveis 15 pontos, segue o LIMAerpool de Paulo Lima e em terceiro e quarto dois dos especialistas de UEFA. 

Ainda nem estamos a meio da competição, pelo que ainda todos podem aspirar a vencê-la. Basta continuar atento e começar a acertar mais nas apostas!



E por hoje é tudo. Voltarei no feriado para me debruçar sobre aquele que verdadeiramente me representa, o nosso Futebol Clube do Porto. Até lá, muitas sardinhas a pingar na broa e ainda mais marteladas... bom São João (mesmo aos que cá não estão!).



Do Porto com Amor




sábado, 11 de junho de 2016

A Minha Seleção (e um reforço?)


Começou hoje o Euro 2016 - e eu continuo sem saber por quem torcer.




Não será exactamente assim. Nunca "torcerei" por nenhuma outra seleção que não seja a Portuguesa. A questão é que carrego dentro de mim um conjunto de sentimentos que conflituam entre si e me deixam em dúvida sobre o que vou sentir, quando o primeiro apito soar. Imagino não ser o único, pelo menos entre Portistas.

Nós nunca fomos muito à bola com a Seleção. 

Não por vontade própria, mas antes por ela tradicionalmente ser apenas uma extensão do centralismo que nos menoriza a todos. Sempre foi a SeleNão de Lisboa, dos clubes de Lisboa e sobretudo dos interesses concentrados em Lisboa - não da cidade ou dos lisboetas, mas sim dos que se governam governando-nos.

Ainda assim, a generosidade que nos caracteriza sempre fez com que cada jogo da equipa nacional disputado no nosso estádio recebesse um apoio extraordinário, único, genuíno. Até que a dupla Madaíl/Scolari assumiu o protagonismo. Esse foi o ponto de ruptura para muitos de nós, onde aliás me incluo. Não deixei de assistir ao vivo a todos os jogos de Portugal do Euro 2004, de torcer e vibrar, até que o guarda-redes de Scolari nos destruiu o sonho (o tal que ocupou o lugar de Baía, o então campeão europeu de clubes, o único que o merecia - sem culpa, mas com demasiado pedantismo). Sofri com a derrota, como todos. Talvez com menor duração do que a maioria, porque a certa altura o inevitável raciocínio assumiu protagonismo: "pelo menos somos campeões europeus de clubes - um feito em si mesmo extraordinário, que se lixe o cabrão do brasileiro e todos os que o apoiaram apenas para atingir o Porto.". E nos torneios seguintes, o sentimento manteve-se. Com a diferença de já não termos o consolo extra.

Desde então, pouco ou nada mudou. Apesar das expectativas que Fernando Gomes suscitou, cedo se percebeu que se trata apenas de mais um político a fazer pela vida. Não tardará a embarcar em definitivo para a UEFA ou FIFA. E como bom (mau) político que é, sabe que teclas tocar para garantir os apoios de que necessita. Não quero desmerecer o seu trabalho na Federação (até porque tendo Madaíl como termo comparativo, seria impossível não fazer muito melhor - basta não ser invertebrado), mas o que é certo é que pouco ou nada fez para reaproximar os Portistas da SeleNão.

O mesmo se pode dizer em relação a Fernando Santos, homem bom e figura simpática, mas de má memória para as nossas cores. Conseguiu sozinho perder dois campeonatos - ainda com Jardel no primeiro e já com Deco no segundo - o que não era fácil. E nem a passagem pelo Benfica serviu para se redimir, embora tenha feito por isso. Aliás arrisco-me a dizer que se viu grego para ter sucesso com treinador. Regressou (bem) para orientar Portugal e tem feito um trabalho positivo até à data. Foi portanto uma pena ter-se espalhado ao comprido com a escolha dos 23. Ficou com o rabo de fora...

Com isto tudo na bagagem, não é fácil para um Portista abstrair-se e apoiar incondicionalmente, sem reticências ou mágoas. Cada um sabe de si, evidentemente, uns apoiarão sem dificuldade, outros recusar-se-ão a fazê-lo (contrariando a sua vontade). Eu confesso que não sei. Vou mesmo ter que esperar até ao primeiro jogo para o saber. Não o que digo ou o que desejo, mas o que realmente vou sentir.  

A presença de Danilo, mas também de Ricardo Carvalho, Pepe, Moutinho, Quaresma e até Bruno Alves são uma grande desculpa para apoiar a equipa deles e esquecer-me do resto. Deve ser por aí. Mas uma coisa é certa: se por acaso ganharem o campeonato, ninguém me verá a festejar. Não por vergonha ou teimosia, apenas por não me identificar. E se naturalmente não o ganharem, no pasa nada

Seja como for, espero poder desfrutar de jogos emotivos e de bom futebol. Venha de lá esse Euro pois então!


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Quanto ao que realmente interessa, chegou-me aos ouvidos o rumor da iminente contratação de João Teixeira (médio de 23 anos do Liverpool). Não sabem quem é? Eu também não sabia, ou quase, porque creio lembrar-me de ter visto uma e outra reportagem sobre a sua adaptação a Inglaterra. Ou então foi sobre outro. É, também não sabia... mas se for bom (e verdade), que venha ele.



Do Porto com Amor




terça-feira, 22 de março de 2016

Uma Civilização à Deriva


Nova vaga de atentados terroristas no coração da Europa, desta vez na cidade que mais e melhor simboliza a nossa determinação de outrora em construir um continente-país. Bruxelas está de luto e com ela, o nosso modo de vida.




Hesitei sobre o título a dar a este texto.

"Os Filhos de Saud" seria apropriado numa tentativa de ir à origem do problema. Al-Qaeda, DAESH, jovens seduzidos por uma "corrente" apocalíptica, tudo aponta para um começo comum. O reino da Arábia Saudita (bem como os estados terroristas do Qatar e E.A.U.) e o wahhabismo, a "religião" ultra-conservadora, extremista e violenta que os define enquanto "nação". Que ninguém no mundo parece estar interessado em resolver de vez, preferindo antes aproveitar para suprimir "temporariamente" as liberdades que nos definem a nós ocidentais.

"Outra facada no coração do Ocidente" levar-nos-ia mais para os efeitos do que para as causas. Para lá do nunca negligenciável sofrimento individual (e choque colectivo) causado, a conclusão mais imediata que retiro da constatação das "nossas" reacções a cada atentado é que os terroristas estão a ganhar esta guerra e nós a perdê-la. Não apenas pela contagem de baixas (meia dúzia de "mártires" têm conseguido ceifar a vida de centenas de inocentes), mas pela disrupção que causam no nosso dia-a-dia. São cidades inteiras, organismos e economias paralisadas durante horas ou até dias.

Optei pelo que se pode ler.

Talvez por ser o que melhor define o meu estado de espírito. Ver as imagens de carrinhos de bebé abandonados no meio do caos que tomou conta da zona atingida do aeroporto de Bruxelas enche-me de uma momentânea raiva incontida, que explodiria certamente ficasse eu face a face com algum dos terroristas. Sem dó nem piedade. 

Momentos depois reflicto sobre a minha reacção. Apenas natural, mas que a concretizar-se nada de positivo traria para a resolução do problema.

Esta minha contradição acaba por representar o que se passa com as nossas lideranças políticas, entaladas entre a necessidade de agir decisivamente e protecção universal dos Direitos Humanos. E todos os seus interesses egoístas, que tanto contribuíram para que se chegasse a este estado de coisas.

E a incapacidade das sociedades em regenerarem as suas lideranças, de encontrarem dentro de si mesmas homens dispostos a fazer o que é preciso, colocando o bem comum acima do seu próprio.

Não tenho obviamente a presunção de saber como se resolve este problema civilizacional. Mas temo que se não o resolvermos a tempo, ele acabará por nos mudar de forma irremediável. E a deriva poderá acabar em naufrágio.


Com tudo isto e o que se antecipa, o Euro-2016 promete ficar na história pelos piores motivos. Esperemos que não.


Em nota de muito menor relevância, a tradicional tacanhez lusa, contra a qual já deveria estar vacinado mas não estou. Começando nos media, em particular nas televisões, que se desmultiplicam em directos do aeroporto da portela (onde mais?) como se houvesse algum nexo ou causalidade entre este e o de Bruxelas, até que finalmente alguma alma caridosa lhes fez o favor de se esquecer de uma mala algures no aeroporto e justificou a "evacuação parcial" de uma área do aeroporto e mais um directo, desta vez com algum nexo. As intermináveis entrevistas a especialistas em estúdio e a portugueses na capital belga. Uma barbaridade. E acabando no primeiro-ministro, que não conseguiu melhor do que balbuciar meia dúzia de banalidades e disparates. Deus nos ajude.


E termino com uma preciosidade, por coincidência resgatada ontem mesmo do meu "baú VHS", totalmente apropriada aos acontecimentos de hoje. Não necessita de mais palavras minhas, apenas da vossa atenção (redobrada, dada a fraca qualidade do áudio).





Do Porto com Amor