#clube dos sem-vergonha
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segunda-feira, 13 de maio de 2019

JÁ CHEGA


Não era este o regresso à escrita que tinha planeado. Na verdade, nem planeio voltar, apenas ir voltando sempre que inevitável. Estava a guardar-me para o pós-Jamor, para discorrer sobre a época, Sérgio Conceição e o Clube.

Regressei há pouco da Madeira, onde estive muitíssimo bem e - logicamente - assisti ao vivo ao Nacional - Porto. Não tenho nenhuma intenção de escrever sobre o jogo nem sobre qualquer jogo de futebol deste pardieiro em que se transformou o "Futebol Português".




O "Futebol Português" é quase tudo menos uma competição desportiva - daquele desporto que todos adoramos e que se chama... futebol! O "Futebol Português" é um esgoto a céu aberto para onde desaguam e onde prosperam toda a espécie de delinquentes, vigaristas e criminosos.

Hoje, o "Futebol Português" é somente:

- Uma Federação e respectivo presidente capturados pelos desígnios dos sem-vergonha (a.k.a. Benfica de Vieira), que se limita a fazer de conta que tutela as competições profissionais, quando na realidade se esquiva a assumir as suas claras responsabilidades de regular e fazer cumprir esses regulamentos, resumindo-se às Seleções (outra pouca vergonha, mas que na verdade pouco ou nada me interessa);

- Uma Liga que simplesmente não existe enquanto entidade independente e supra-clubes e se limita a gestão corrente, assegurando a função básica de organizar os jogos (sort of);

- Um campeonato onde pelo menos 80% dos clubes participantes são entrepostos dos sem-vergonha, vivendo à custa de subsídios ilegais (em género e em espécie), alinhando em fila e prestando-se a todo o tipo de negociata para finalmente receber as suas migalhas bolorentas;

 - Um campeonato onde, mesmo nos clubes não-alinhados, há sempre jogadores que cometem erros básicos, têm deslizes infantis, são, em suma, infelizes quando defrontam os sem-vergonha. Os dez que o Nacional levou de uma vez só e o Braga em duas prestações são apenas os exemplos mais vergonhosos desta farsa, porque em quase todas as jornadas é possível detectar um ou vários casos destas infelicidades;

- Um Conselho de Disciplina sem pingo de isenção ou seriedade, comprovadas pelas estapafúrdias decisões e omissões desta temporada, sempre em benefício dos sem-vergonha;

- Um Conselho de Arbitragem sem o mínimo de credibilidade, incapaz de se auto-gerir, impotente e incompetente para dar aos fracos árbitros o mínimo de condições e garantiras para que apitem de acordo com a sua (pouca) capacidade, sem estarem sujeitos a pressões fortíssimas por parte dos sem-vergonha face a decisões que não os beneficiem em toda e qualquer circunstância. 

- Um grupelho de Árbitros, composto maioritariamente por gente medíocre, sem o mínimo perfil para comandar um jogo de futebol, absolutamente temeroso de cometer algum erro que prejudique os sem-vergonha. Viram e registaram como fado inescapável o que aconteceu a ex-colegas quando se atreveram a não os favorecer à margem das Leis do jogo. Sabem que não há futuro na arbitragem (nem fora dela...) sem promiscuidade e vassalagem absoluta aos sem-vergonha;

- Uma corte de "jornaleiros", paineleiros, peritos e arautos da carapinha e do fair-play que se submetem, ora com resignação, ora com fervor, à gigantesca manipulação mediática que diariamente contamina os portugueses, bombardeados non-stop com factos falsos, opiniões insidiosas, palpites insultuosos e tentativas de desestabilização do Porto, única equipa que se mostrou perfeitamente capaz de os derrotar em campo durante uma temporada completa e de, com toda a justiça - a única justiça possível, vencer o campeonato. Sim, apesar de todos os erros próprios. Mesmo assim, melhores.

- Um exército de trolls disseminados pelas redes sociais, que mais não pretendem do que criar diversões para desviar o foco das vigarices realizadas por ou a mando dos sem-vergonha.

No final, sobram os lampiões, esse desvio de personalidade que toma de assalto a consciência até do vulgar cidadão, que no restante procura viver uma vida digna e (vou arriscar agora) honrada. Saem à rua, vangloriam-se, agridem indefesos, destroem propriedade alheia, tudo por conta de uma "vitória" que nunca, mas nunca foi nem será deles - apenas um logro, uma vigarice, bem à vista de todos e fácil de descortinar, mas que essa infecção maldita os "impede" de o ver. Ou então não, são apenas tão vigaristas como quem os lidera.


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Que eles queiram chafurdar neste lodo, eu entendo. Que nós - todos os não-lampiões, mas em concreto os Portistas e em particular o Presidente Pinto da Costa, enquanto líder e representante da direcção eleita, NÃO. Não compreendo e não aceito mais. Isto tem de ser o limite, JÁ CHEGA. 

É evidente que ninguém nos liga, ninguém com responsabilidades, dentro ou fora da pocilga, está interessado em ouvir e compreender o que se passa e agir em conformidade. Como se viu nos últimos meses, a Justiça portuguesa está (também ela, como a política e muitos outros sectores da sociedade) parcialmente capturada pelos meninos e meninas bonitas dos sem-vergonha, que a troco de um prato de lentilhas e desse fervor doentio se deixam corromper e assim traem os seus princípios e "juramentos" e os nossos direitos e garantias constitucionais. UEFA e FIFA, nem vale a pena tentar, só lidam com corrupção de alto perfil - a sua própria.

É por isso tempo de, nós Portistas, nos lembrarmos do que somos feitos, de onde viemos e de quais são os valores basilares sobre os quais assenta esta nossa jura de amor eterno. A luta do Clube é a luta da Cidade que lhe deu o nome. A defesa do que é nosso, por direito, porque criado com o nosso suor e contra a usurpação sistemática do nosso provento pela e para a ostentação da capital. 

Não podemos continuar a assistir de braços cruzados ao retomar da vigarice dos anos do Treta, agora ainda mais às claras e sem qualquer reserva de pudor (como se eles soubessem o que isso é). Esta farsa, esta fraude gigantesca a que chamam "Futebol Português" está prestes a falsificar mais um "campeão" (sempre o mesmo "campeão"), após mais um andamento da vigarice em Vila do Conde (tal como Braga, Feira e Moreira).

Eu, sócio e accionista, exijo que o Porto tome uma medida definitiva, independentemente das consequências que daí advierem. Não digo que não sejam ponderas, pelo contrário, mas chegados a este ponto, não vejo o que poderia ser pior do que participar (e assim validar) esta vigarice imunda e sem fim à vista. 

Se o presidente e seus pares não têm interesse ou simplesmente não partilham desta visão, então devem dizê-lo e serem julgados por isso. O silêncio é que não é aceitável, porque ensurdece. E prefácios de revistas e tweets também não valem quase nada, porque não resolvem nada. Eles não têm vergonha na cara e não se importa do que se diz sobre eles, em especial se for verdade. 

Pinto da Costa tem uma última missão, se a mais não se propuser: reacender o combate sem tréguas contra o nacional-lampionismo que se julga intitulado a vencer por direito próprio e à margem de todas as regras.

E eu que proponho em concreto? Sabendo que os Estatutos não o prevêem mas admitindo que não o proíbem, marcar uma Assembleia Geral Extraordinária para a próxima sexta-feira, com ponto único para discussão: como deve o Clube reagir a este estado de coisas. 

Por mim, defendo como mínimo a não-comparência ao último jogo do campeonato, equacionando também faltar ao Jamor, a convocação de todos os Portistas para uma manifestação massiva na sede que se julgar mais conveniente, fazer campanha para punir nas urnas todos os responsáveis políticos (sempre, agora uns, depois os próximos, é-me indiferente) e uma nova exposição à UEFA (mesmo sabendo o resultado) bem divulgada nos media internacionais.

Podemos perder o segundo lugar, podemos ser relegados para uma divisão inferior, podemos até falir e ter de recomeçar de novo. Meço as palavras, não as atiro da boca para fora. Sou Portista e continuarei a ser, seja em que divisão for, em que campo jogar. Não ganho nada com o Clube que não seja a alegria de ver as nossas equipas jogar e vencer sempre que somos melhores. Mas tenho muito a perder: a minha identidade, os valores com que fui educado e que em boa parte partilho com o Clube e a minha alma Portista. Mas isso só poderia acontecer se ficasse (eu e o Clube) quieto, amorfo, resignado a esta podridão que tomou de assalto o desporto nacional. Se lutarmos, nunca perderemos, nunca.
 


Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco




segunda-feira, 16 de abril de 2018

Capitán Herrera: El Primer Vengador


É mesmo assim que se começa esta crónica, a glorificar o improvável herói que ontem criou uma quebra no contínuo tempo/espaço do filme imperialista dos sem-vergonha, adiando ou acabando em definitivo com a esperança do Portugalistão em celebrar o tão ambicionado quando viciado penta.




Héctor Miguel Herrera López, um coração enorme aninhado num corpo desajeitado que não tem especiais (nem ordinárias) capacidades para vingar como futebolista profissional - sim, meus caros, não mudei de opinião de um dia para o outro - mas que, contra todas as probabilidades, se mantém como titular no meu Porto com todos os treinadores que por ele têm passado, chegando até a capitão de equipa com Sérgio Conceição.

Foi Herrera, el Capitán, quem num momento de inspiração individual e já ao cair do pano, se encheu de fé e coragem e fuzilou o batoteiro Varela sem apelo nem agravo, para indescritível alegria da nossa nação e exemplar castigo para todos os que andam há quatro anos a festejar uma gigantesca farsa, mais ainda aos que albergam negligentemente essa culpa na consciência.

Ao contrário do que fui ouvindo e lendo, não penso que se tenha tratado de alguma espécie de justiça divina. Se houve alguma justiça a ser feita, foi a dos homens, daqueles que mais têm sentido na pele as trafulhices dessa corja de sem-vergonhas que tomou de assalto um dos grandes clubes do país.

O futebolista Herrera não é meu novo ídolo, nem sequer revi ainda um ponto que fosse sobre a minha opinião já muito fundamentada sobre si, mas se viermos finalmente a conquistar este campeonato como agora já exijo, entrará com todo o merecimento para a galeria dos imortais do Futebol Clube do Porto.




Para se chegar àquele momento mágico, houve que passar por 89 minutos muito intensos e emocionalmente exigentes, com diferentes momentos e muitas incidências a registar, mas todas dentro da normalidade de um Clássico. 

Creio com sinceridade que o Porto deveria ter feito mais para ganhar o jogo, considerando que estava e de lá sairia em segundo na classificação se não o tivesse vencido. 

A primeira parte foi muito mais do Benfica, já ponderados os diferentes momentos de dominância de cada uma das equipas. Mais concentrados, menos ansiosos e mais eficazes na construção - felizmente não na finalização. Também tivemos as nossas oportunidades, mas já muito "tarde" na metade.

O intervalo foi bom conselheiro (kudos a quem tiver feito por isso, imagino que com o treinador à cabeça) e a nossa reentrada forte e determinada foi decisiva para amedrontar os da casa, remetendo-os uma vez mais para os seus fantasmas e correspondente incapacidade de nos defrontar olhos-nos-olhos. 

Fiquei então com a clara sensação que, a partir daí, se trataria de uma corrida contra o relógio do árbitro na tentativa de conseguir fazer um golo que nos daria a quase-certa vitória. Claro que seria sempre possível sofrer um golo, em especial se o nulo se mantivesse e o desespero se apoderasse (como me parece que se apoderou) dos nossos jogadores, mas parecia-me mais provável que fossemos nós a marcar.

Tivemos duas ou três boas oportunidades, em especial a(s) de Marega, mas sempre sem a necessária e exigível eficácia. Com o nulo a manter-se, Sérgio Conceição arriscou tudo o que podia, fazendo entrar sucessivamente Óliver, Corona e Aboubakar. Em sentido inverso, o sonso-mor foi mexendo no sentido de não sofrer, apostando na manutenção da liderança que ele bem sabe lhe poderia bastar para o objectivo final.

Com o final do tempo regulamentar a aproximar-se, comecei a resignar-me que uma vez mais não iríamos ser capazes de domar o nosso destino, sem contudo deixar de espreitar para a eterna memória de Kelvin & companhia... Espreitava já o jogo de esguelha, com ângulo suficiente para apenas distinguir cores e movimentos, quando detectei uma aproximação relevante de azuis à área encarnada, numa espécie de último assalto e num impulso recuperei a visão total do televisor. O resto já é história - da boa.

Apesar da vitória, não vou deixar de registar mais uma lamentável transmissão da SVTV, tanto a nível "técnico" como "estratégico". E se quanto ao facto de nos fazerem perder quase metade do jogo em directo à custa de repetições inoportunas e demasiado longas se pode dizer que são apenas maus profissionais de realização, já em relação à constante sonegação de imagens e ângulos nos lances em desfavor da sua equipa e consequente deturpação da percepção pública do que de facto se passou dentro do campo, o que se TEM de dizer é que esta vigarice tem de acabar JÁ. Por princípio, a nenhum clube deveria ser permitido controlar a transmissão dos seus jogos. A este clube em concreto, ainda menos.






Notas DPcA 



Dia de jogo: 15/04/2018, 18h00, Estádio da Luz, SL Benfica - FC Porto (0-1)


Iker (8): Começa a ser normal assistir a grandes exibições do senhor Casillas neste palco, como se já não bastasse o temor natural que nos têm em termos ofensivos. Enquanto estivemos por baixo no jogo, foi Iker que nos manteve igualados e com as aspirações intactas. Herrera foi o mais decisivo pelo golo, mas Iker foi uma vez mais providencial. #renovaCasillas

Ricardo (7): Dois jogos num só. O primeiro, de fraca qualidade pela intranquilidade e desacerto, durou até cerca dos 40 minutos, quando o próprio teve uma iniciativa individual que quase dava golo. A partir daí, em especial durante todo o segundo tempo, foi um monstro e dominou por completo o seu corredor, dando inclusive para se aventurar pelo meio.

Alex Telles (6): Mesmo sem deslumbrar ou fazer as habituais assistências, fez uma segunda metade de bom nível que mais do que compensou o desacerto da primeira.

Felipe (7): Quase sempre bem nas marcações, conseguiu controlar os ímpetos e em nenhum lance se expôs para sequer ser advertido. Boa evolução, que espero não tenha volta atrás.

Marcano (7): Jogo com algumas falhas, mas felizmente sem consequências de maior. Quando mais foi preciso, voltou à sua normalidade e desfilou eficácia e sobriedade.

Melhor em Campo Herrera (5+5): Sim, sim, meninas e meninos, para mim foi o pior da equipa (ex-aequo) até ao sublime momento de glória, porque uma vez mais se fartou de desperdiçar posses de bola, para além do péssimo posicionamento em vários momentos da primeira metade. É certo que melhorou um pouco em sintonia com a equipa, mas não o suficiente para justificar uma nota positiva. Até que... "saiu" o Héctor Miguel e entrou o Capitán Herrera, o primeiro vingador e novo justiceiro super-herói do Portismo, que desenhou um momento de perfeição que perdurará para sempre na memória de quem teve a felicidade de o viver.




< 74' Sérgio Oliveira (6): Trabalhou muito e sentiu claras dificuldades para travar as saídas rápidas e em superioridade numérica dos adversários, pelo que não lhe sobrou grande tempo ou espaço para se destacar com bola a não ser pelos passes longos. Foi imprudente no lance em que agarrou Cervi, mesmo se Felipe foi quem fez a falta primeiro, porque deu margem de manobra para uma má interpretação do árbitro e consequente expulsão.

< 80' Otávio (5): A par de Ricardo, foi dos piores durante a primeira meia hora, com muitos passes perdidos e mau posicionamento defensivo. Melhorou a tempo de ajudar a equipa a crescer e conquistar o domínio da partida, até que depois saiu vergado ao cansaço e ao amarelo.

Brahimi (6): Sem ser um Brahimi especial, esteve bem melhor do que nas últimas partidas, porque foi capaz de perceber quando deveria insistir no lance individual ou servir os companheiros, garantindo com isso o "manter em sentido" de dois ou três adversários de cada vez, o que libertou espaço para os companheiros.

Marega (7): Regressou da lesão para a titularidade numa forma física invejável, só foi pena que o acerto na finalização ainda estivesse "em recuperação". Teve duas oportunidades soberanas, uma em cada parte, que nos poderiam ter dado vantagem mais cedo e provável acesso a uma vitória mais folgada e segura. Tirando isto, trouxe consigo o próprio modelo de jogo da equipa, que quase inacreditavelmente depende mais da sua presença do que a de qualquer outro jogador.

< 83' Soares (6): Esperava que fosse capaz de segurar mais a bola, dando tempo aos companheiros para subir e/ou ganhar fôlego. Ao invés, foi muito "anjinho" nos duelos, perdendo quase sempre o tempo de abordagem ou de domínio da bola. Quando conseguiu furar deu alguma profundidade, mas faltou-lhe estar mais perto da zona de tiro e com boas hipóteses de acertar no alvo, algo que só me lembro de ter feito uma vez para rematar ao lado. Sobrou o muito trabalho físico e de desgaste que desenvolveu.

> 74' Óliver (6): Não entrou como ele e todos desejaríamos, mas lá se encaixou no jogo e acabou por participar na ofensiva final, mesmo se de forma discreta.

> 80' Corona (6): O outro regressado de lesão denotou mais essa condição, mas participou no "contexto" que nos trouxe a felicidade. Desta vez, foi suficiente.

> 83' Aboubakar (6): Se mais não fez, esteve no lance em que a bola sobrou para Herrera nos fazer felizes. Para mim, chegou.

Sérgio Conceição (7): Uma primeira parte decepcionante para quem tinha de vencer, felizmente compensada com a segunda, onde justificamos a sorte que foi aquele momento H. No entanto, demos uma vez mais "uma parte de avanço", desperdiçando meio jogo. O que mais me agradou foi detectar que não hesitou em entrar em modo de desespero, mas de forma racional e acertada. Óliver tinha mesmo de ser, Corona foi ainda mais longe do que eu imaginava (Maxi para defesa e Ricardo a extremo) e Aboubakar a troca directa que se impunha. No final, festejou como todos nós e deve orgulhar-se de muito ter contribuído para isso. No entanto, atenção: os jogos mais difíceis são os que se seguem.





Outros Intervenientes:



Quanto à equipa da SAD Sem-Vergonha, Rafa foi quem mais se distinguiu, com nota positiva também para Grimaldo. Destaque ainda para o divino castigo final ao batoteiro Varela, espécie de parábola para o que foi efectivamente infligido ao clube que representa.


Em relação à arbitragem de Soares Dias & companhia, teve uma prestação defensiva, tipicamente portuguesa, apitando quase sempre as faltas no sentido em que geram menor polémica, como seja proteger quem defende. Disciplinarmente, perdoou demasiados cartões para ambos os lados (Herrera, Brahimi, Pizzi, Samaris, Samaris), mas nos lances mais polémicos e decisivos esteve bem.

- Lance entre Marega e Rúben Dias: o contacto de pernas pareceu-me normal, já o empurrão pelas costas deveria ter valido um livre muito perigoso, porque ainda fora da área. Em todo o caso, não foi flagrante ao ponto de exigir que tivesse sido marcado;

- Lance do possível segundo amarelo a Sérgio Oliveira: a falta foi cometida por Felipe e só depois houve o agarrão do Sérgio, pelo que em rigor a decisão foi correctíssima. No entanto, acho que o jogador se arriscou em demasia e o árbitro poderia ter interpretado de maneira diferente;

- Lance entre Ricardo e Zika: no momento, ainda hesitei entre a possibilidade de poder ou não ter sido marcado penálti, mas após algumas repetições fiquei totalmente convencido que nunca poderia ser marcado, porque nada de ilegal aconteceu no lance. Admitiria que o árbitro, num primeiro momento, pudesse ter a sensação de ser penálti, mas o vídeo-árbitro jamais poderia ter outra decisão.




Uma vez mais, quero aqui insistir na mesma tecla em que toquei na minha prestigiosa intervenção no A Culpa é do Cavani na antecâmara da partida, onde disse que mais do que o jogo da Luz, me preocupavam os que se seguiriam. Não estava nem a menosprezar o Clássico nem a exacerbar os demais: estava mesmo a dizer o que penso.

Os sem-vergonha não chegaram até aqui, a escassos quatro jogos de um inédito penta, para desistir agora. Da mesma forma que até aqui chegaram - a viciar e adulterar resultados - vão fazer tudo o que estiver ao seu alcance (e que ainda é muito, infelizmente) para que o Porto não vença os seus jogos.

A isto acresce ainda a dificuldade natural dos próprios jogos:

- Os jogos caseiros são contra V. Setúbal e Feirense, clubes com que registamos empates caseiros, desperdiçando pontos decisivos para os insucessos das épocas mais recentes;

- As saídas são ao Marítimo (provavelmente, o campo onde temos mais dificuldades) e Guimarães (sempre difícil, seja qual for a circunstância).

Estes quatro jogos serão todos, mas todos eles, muito difíceis se não os encararmos seriamente do primeiro ao último minuto. Claro que temos capacidade para os vencer, um por um, mas teremos de estar preparados para as minas e armadilhas que aí vêm.

Antes disso, há ainda uma segunda-mão da meia-final da Taça para disputar e vencer - no mínimo, fazer um resultado que assegure a presença no Jamor.



Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco



quarta-feira, 29 de novembro de 2017

A Portista


Em jeito de preparação para a leitura do que se segue, faça o caro leitor o favor de fechar os olhos por uns segundos e cantarolar mentalmente o Hino Nacional. Lálá lálaaá, lá lálá lálá láláláláá lá lá lálá...
Mantendo-o como música de fundo, coloque a mão direita sobre o coração azulebranco e avance sem precaução, cantando a plenos pulmões. Senhoras e senhoras, eis A Portista:


Heróis do VAR, padres podres
Jogos com vício
Tudo a cheirar mal
Demonstrai sexta de novo
O pior de Portugal

Entre os zurros da escória
Ó Dragão, ergue a tua voz
Que é a de todos nós
E há-de guiar-te à vitóoooria!

Às armas! Às armas!
Sobre a relva e no Azul Mar
Às armas! Às armas!
Pelo nosso Porto lutar
Contra os burlões, massacrar, massacrar!
 
Desfralda a invicta Bandeira,
À luz viva do teu céu!
Brade a Europa à terra inteira:
Portugal não pereceu
Beija o solo teu jucundo
O Oceano, a rugir d'amor,
E teu braço vencedor
Deu mundos novos ao Mundo! 

Às armas! Às armas!
Sobre a relva e no Azul Mar
Às armas! Às armas!
Pelo nosso Porto lutar
Contra os lampiões, ganhar, ganhar!


Muitos ficarão surpreendidos ao tomar conhecimento que a estrofe a preto pertence à versão completa d'A Portuguesa (actual hino português, composto por Alfredo Keil e escrito por Henrique Lopes de Mendonça) mas aplica-se tão bem ao nosso sentimento que não pude deixar de a incluir.

Sexta, é sem dó nem piedade. Dentro de campo e no apoio incessante e incondicional fora dele.

Conto com o nosso treinador, Sérgio Conceição, para fazer perceber a todos os jogadores, um por um, a importância de vencer categoricamente este jogo. Por tudo o que nos têm feito e por tudo o que somos.

Conto, igualmente, com o sentido de responsabilidade e a determinação de todos os jogadores, muitos deles já vítimas bem reais dos truques sabujos dos sem-vergonha, para que deixem no relvado do Dragão tudo o que têm e ainda um pouco mais.

Mas se detectarem um lampião perto de vós, não o maltratem, por favor. Limitem-se a ter pena dele. Somos diferentes e temos de o demonstrar uma vez mais.

Sexta, é com tudo para cima deles, c@r@lho!



Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco




quarta-feira, 9 de agosto de 2017

A Reconquista: Primeiro Andamento


Começa hoje a nossa caminhada desportiva rumo à reconquista do título de campeão nacional.

Uma vez mais com um novo treinador, uma vez mais a começar do zero e (também por isso) atrás dos outros candidatos. Sinais de tempos que se fecham. Apesar da tendência, este ano carrego uma confiança que já não sentia desde a chegada de Paulo Fonseca.


Bruno Sousa

Bem sei que o que aconteceu depois não justificou essa confiança, mas o que releva aqui é a minha crença naquilo que Sérgio Conceição pode conseguir. Gostei quase sempre do que o ouvi dizer, fosse antes ou depois dos jogos de pré-época, que aliás foram também quase todos interessantes de se ver.

A seu favor, tem o seu carácter (desde que o contenha nos limites do razoável) e um plantel claramente melhor do que PF tinha. O final do mês ainda está longe, pode haver mudanças significativas, mas nem assim creio que esta "verdade" deixe de o ser. 

Tem também o inequívoco e entusiástico apoio da esmagadora maioria dos Portistas, que aliás já foi apelidado de Mar Azul. Gosto da boa onda que sugere. Um imenso Mar Azul cujas ondas de espuma branca encontrarão a sua praia na costa da Glória.

Hoje é o primeiro jogo do resto da vida do nosso Clube. Lá estarei, como sempre. Vamos a isso!


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Fora do campo, a batalha já recomeçou ontem, com a rentrée do Universo Porto da Bancada. Os mesmos protagonistas pré-férias numa exibição morna, ainda à procura do melhor ritmo competitivo.

Foi, todavia, suficiente para se saber (ou melhor, comprovou-se com factos o que já se sabia) que este Benfica está mesmo tomado de assalto por uma corja de vigaristas sem-vergonha, que não hesitam em recorrer a qualquer tipo expediente, mesmo se ilegal (sobretudo se o for, digo eu), para conquistar fora de campo aquilo que não conseguiriam apenas dentro. 

E sempre devidamente auxiliados por um exército de lacaios sem escrúpulos, estrategicamente colocados em posições decisivas nas estruturas do futebol. Ontem, foi necessário voltar-se a conspurcar a transmissão do Porto Canal com o odor putrefacto de duas ratazanas de esgoto: Ricardo Costa, o justiceiro cego (pela luz do candeeiro) e Ferreira Nunes (a.k.a. Frankc Vargas), o tal das classificações dos árbitros aquando da descida de Marco Ferreira, no auge do #colinho. Ambos, sempre em modo lambe-botas, dispostos a dar tudo para ser os mais queridos. Nojento(s).

Ainda sem outros factos que não fosse o ter assistido aos jogos, escrevi convictamente logo no início deste blogue, em 2015 (na segunda parte deste post):

"Desde 1994 que o Benfica não ganha um campeonato por seu exclusivo mérito"


Pois agora ratifico o que disse, actualizado com a pouca-vergonha que foi a treta do ano passado.

Mal sabia eu que algum dia se haveria de demonstrar publicamente os "processos" que o comprovam. Simplesmente vergonhoso, até o Benfica salazarento merecia melhor sorte. Não a tendo, são o que são: um bando de desavergonhados. Todos eles, os que perpetram os crimes e os que festejam assobiando para o lado como se nada fosse. Todos.


VAR = Vícios Antigos Renovados


Por muitas denúncias que tenham sido feitas e se venham ainda a fazer, que ninguém se iluda: o polvo orelhudo está bem vivo e não afrouxará a pressão dos seus tentáculos antes que lhe seja cortada a cabeça. Até que se faça alguma justiça neste país candeeiro, o polvo reinará. A vergonhosa "exibição" do vídeo-árbitro na Supertaça é a prova mais evidente. E só um Porto muitas vezes melhor conseguirá ganhar apesar dele.


Por tudo isto e sobretudo pelo Porto, a batalha recomeça hoje. Contamos contigo, meu caro Portista?



Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco




terça-feira, 1 de agosto de 2017

A Verdade Alternativa: Se Outros Calam, Gritemos Nós


Transcrevo na íntegra o comunicado de hoje do Clube, a propósito das mais recentes declarações do cabecilha dos sem-vergonha:

"A VERDADE ALTERNATIVA

No futebol português há umas regras para todos os clubes e uma bolha de exceção para o Benfica, que permite ao clube da Luz viver em permanente regime alternativo, submetendo-se às regras e aos regulamentos da forma que lhe apetece e mais convém. Isto acontece devido à cumplicidade de várias entidades, desportivas e não desportivas, mas agora atingimos um nível de sublimação com o presidente do clube a afirmar sem se rir que desconhece a existência de claques no clube.

Mais do que uma forma ardilosa de procurar eximir-se às responsabilidades de apoiar duas claques ilegais, como são os No Name e os Diabos Vermelhos, Luís Filipe Vieira goza com todos os adeptos de futebol, com as autoridades desportivas e com a polícia, que ainda na última época levantou dezenas de autos devido a incidentes protagonizados pelas duas claques. Aliás, esta situação é conhecida ao mais alto nível, designadamente pelo primeiro-ministro e outros membros do governo, que nos últimos anos assistem a jogos no Estádio da Luz.

E não, não se trata de uma questão semântica, entre grupo organizado de adeptos ou de sócios, as claques do Benfica existem, Luís Filipe Vieira sabe disso perfeitamente, sabe-o tão bem que o Benfica até paga o aluguer de carrinhas para transportar esses adeptos, sabe-o tão bem que o treinador da equipa principal dá os parabéns em conferência de imprensa quando as claques fazem anos. Sabe-o tão bem que cede instalações no estádio às claques, sabe-o tão bem que as claques beneficiam de bilhetes a preços reduzidos…Pior, muito pior, sabe-o muito bem, pois certamente não se esqueceu de que em abril deste ano a claque No Name foi mais uma vez responsável por uma morte de um adepto. Infelizmente, nem este género de tragédias faz esta gente ter um pouco mais de decoro e responsabilidade. E que só acontecem devido à cumplicidade dos sucessivos governos, incapazes de fazer cumprir as leis.
"





Considero-me um democrata, ainda que com reparos; simplesmente não observei até hoje nada melhor. Sou também anti-violência, seja ela de que tipo for. Mas há momentos em que é preciso fazer frente, sem reservas, àquilo que ameaça os nossos valores e as nossas crenças mais profundas.

Não é só o terrorismo que ameaça o nosso modo de vida democrático, português e ocidental. São também os Maduros desta vida, quando indevidamente escoltados e respaldados por quem jamais poderia quebrar o seu juramento de defender o interesse público e a democracia acima de qualquer outra coisa.

Esta corja liderada por este bandido Vieira tomou de assalto todas as instituições relevantes da nossa democracia. Só assim se explica a impunidade com que se exibe todos os dias. Só assim se explica que o cabecilha seja um dos maiores devedores à banca (falida) e nada lhe aconteça. Só assim se explica que a fraca gentalha que nos governa se permita sentar-se e ser vista ao lado do cabecilha. Só assim se explica que as instituições judiciais teimem e tardem a investigar sem reservas tudo o que já se sabe sobre as actividades do cabecilha, dos seus lacaios e dos gangues que patrocina. 

Pode soar a exagero, mas não é. É factual. Estamos já num ponto onde qualquer um se pode interrogar sobre a validade deste regime putrefacto em que vivemos. Como se não bastasse já esta classe política que há anos nos desgoverna, governando-se e aos seus, temos agora um estado-sombra - um narco-estado-sombra - que consagra um regime de excepção e total impunidade aos sem-vergonha

 


Da maneira como vejo as coisas, há duas opções

a) ou as instituições que são os pilares da Democracia expurgam (com celeridade) do seu ventre quem compactua com os golpistas do bigode e retomam o seu normal funcionamento, devolvendo a todos os cidadãos a essencial confiança na sua actuação imparcial e de acordo com as leis da República;

b) ou a situação se mantém e inevitavelmente se agrava pela disseminação da doença, o que obrigará a que todos os que amam a Democracia sejam forçados a clamar por justiça pelos seus próprios meios. 

Pode soar a exagero, mas não é. Quando comecei a sátira Portugalistão, não imaginava que a podridão pudesse ser tão profunda e estar tão enraizada na nossa democracia. Mas está - e acreditem em mim: nada de bom poderá advir deste estado de coisas. 

Todos os grandes fogos começam com uma pequena chama. Eu estou disposto a fazer o que for preciso para que a minha nunca seja uma terra queimada, e vocês?



Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco




segunda-feira, 3 de julho de 2017

Shame on You - Shame on Us


Tenho andado a conter-me. A prudência que alguns cabelos brancos me doaram assim o aconselha. Esperar antes de falar. Procurar conhecer os factos antes de emitir uma opinião sobre eles. 

O problema é que nestas coisas do futebol raramente se chega alguma vez a conhecer os factos - em especial o português, ainda mais se envolver Jorge Mendes, muito muito mais se envolver o Benfica e ad nauseam se envolver ambos. A opacidade extrema que envolve a gestão das SAD e em particular as transferências, quase obriga a que quem queira comentar, o faça meio às escuras.


" - Tive um pesadelo, Sá. Que para o ano ia com este urso para a segunda liga inglesa..."
 

Começando pelo que mais me interessa e indo directo ao assunto: a transferência de Rúben Neves é uma absoluta VERGONHA para todos os Portistas - e se não é, deveria ser.

Já a da AS me custou a aceitar, mas enfim, o montante é razoável (bom para um jovem talento, baixo para um nº9 que não se limita a ser só isso) e a urgência inadiável de fazer dinheiro a que os nossos estimados administradores nos conduziram a isso (n)os obrigou. É uma pena, porque acredito piamente que o poderíamos vender bem melhor mais adiante. Aliás, se acreditasse na bonomia do Presidente, diria agora que numa única época (por sinal, a melhor da sua curta carreira) o pobre do André desvalorizou 33%, uns míseros €20 milhões. É o mercado, estúpido. 

Fez-se, está feito. Custa mas aceito, até porque queria acreditar que essa venda impediria outras do género. Só que não.

Esta patética venda de Rúben Neves tresanda por todos os lados.

Pela incapacidade/incompetência (riscar o que não interessa) revelada, uma vez mais, pelos nossos estimados administradores quando chega a hora de vender. A comprar, são os maiores da sua rua. A vender, não tendo as costas cobertas por um ou vários "super-agentes", são pequeninos, fraquinhos, mediocrezinhos. Com tanto lastro para despachar, com vários jogadores "cheios de mercado" e pelos quais já se recusaram "ofertas fabulosas", acabaram a exilar mais um jovem Portista cheio de futuro. Um jogador que sente o emblema, que entende o clube como poucos no plantel principal. Um potencial futuro capitão.

Fala-se em "€18 milhões para os cofres da SAD portista". Um valor insultuoso, se me perguntarem. No entanto, sou capaz de apostar que nos corredores da SAD andará quem se vanglorie por ter conseguido "mais três milhões do que o SLB por Bernardo Silva" (e uns dez mais).

Para agravar o insulto, considere-se o destino final: o colossal, promissor e cheio de objectivos Wolverhampton. O dinheiro é todo igual? Talvez seja (para mim não é!), mas é difícil entender que não houvesse outro clube disposto a pagar esta mesma ninharia. Sabem o que é isto? É o alfaiate do Panamá Mendes a dar uso aos seus golden fingers nos estimados administradores da SAD - up theirs! Que desfrutem, pelo menos. De mim, só sobra a vergonha alheia. Shame on them.

Por último, o jogador. Qual será o seu estado de espírito neste momento? Nada santo, aposto. Viu a época praticamente toda do banco, ficou aquém do que seria necessário em termos da sua evolução. Qual foi a solução que o seu altruísta empresário lhe arranjou? Ir para a segunda divisão inglesa, ser orientado pelo mesmo mamífero que o preteriu no ano anterior! Um conto de fadas? Por alguma coisa nunca nas histórias de encantar se falou num mago-padrinho. Lamento sinceramente por ti, caro Rúben. Que tenhas sorte, bem vais precisar.

Para acentuar o gozo, parece que se segue Boly. Uma contratação que nunca chegou a demonstrar o que pode valer porque... o antigo treinador nunca contou muito com ele. Dá-se que o futuro treinador é o mesmo. E eu que pensava que também NES já tinha batido no meu fundo, mas afinal ainda se conseguiu enterrar mais - parece-me um mero servo do amo Mendes, disponível para o agradar em tudo desde que o prato de lentilhas continue a aparecer na sua mesa. Shame on him e shame on us & them (grande, grande música!), que desperdiçamos mais um ano com este indivíduo.

O aperto financeiro não é nem pode servir de desculpa. É algo que já é sabido desde pelo menos o início da época passada - repito, pelo menos desde o início da época passada, sabendo nós que o prazo é bem mais dilatado. Houve muito tempo para fazer as coisas bem. Ou melhor, pelo menos. Uma vergonha, mais uma.


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Elsewhere, terminou a Taça das Confederações.

Fui vendo os jogos da Seleção, ainda que sempre em partilha com outra tarefa qualquer. O jogo de que menos vi foi este último, pelo desinteresse que a disputa do terceiro lugar contra o mesmo México me suscitou, mas também porque apenas 30 segundos após começar a assistir à transmissão da RTP (o "P" é de Portugalistão, obviamente) fui obrigado a ouvir esta pérola de um mamífero comentador: "ahhh Quaresma decidiu mal". Num lance em que tentou a trivela para fazer um golo impossível, à Quaresma. Num lance em tudo semelhante a muitos outros que fizeram dele um dos melhores e mais imprevisíveis jogadores do seu tempo. Num lance que, se tivesse acertado no alvo, o mesmíssimo mamífero seria forçado a disfarçar um ligeiro orgasmo (dada a ligação de RQ7 ao Porto). Em resumo, um lance daqueles que separa os génios do resto. Quaresma é um génio da bola, o tal mamífero é apenas mais um dos outros bitaiteiros daltónicos - mas pago com os nossos impostos. Shame on us




Era uma oportunidade única de conquistar este troféu - duvido que Portugal volte a lá estar presente durante o meu tempo de vida, que é como quem diz, nos próximos cem anos. Caímos merecidamente nos penáltis, acabou-se a "vaca". Ficámo-nos pela participação e pelo honroso terceiro lugar, sempre de cabeça erguida. Nada como regressar à normalidade de santíssima trindade: um patrocinador, um empresário e um treinador qualquer, desde que "alinhado".

No final, ganhou a Alemanha. Dizem que é a equipa B, mas eu discordo. São igualmente bons jogadores, ainda que em fases mais precoces de desenvolvimento. Mas o que releva é a forma como (todos eles) jogam em conjunto, essa sim, a grande arma alemã. 

Uma palavra de estima para o Chile, que proporcionou um belo jogo e quase conseguia levar o jogo para prolongamento. A ter em conta, o progresso de Pizzi. Do que vê com os dois olhos para o mesmo lado.

E um "hã?" para o vídeo-árbitro: vai ser assim? Mais vale acabar com isto já, antes mesmo de começar.

Mas ainda pode sair algo de positivo desta competição: parece que o bom do Héctor esteve em bom plano. Será desta?


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Por cá, o Expresso deu conta de mais um detalhe da sem-vergonhice que transformou o futebol luso num charco imundo e irrespirável (excepto pelos imundos que o criaram). Nada de mais, dizem eles, tudo invenções de jornalistas mal-intencionados.

Desta vez, o irrepreensível Paulo Gonçalves dá conta, na primeira pessoa, de como ele e Nuno "paga o que deves ao McD's" Gomes foram "safos" de uma sanção disciplinar graças a uma abnegada omissão de um senhor delegado da Liga (mais um) em relação a (mais uma) confusão no túnel. Tão abnegada que o senhor delegado "lixou-se" em prol da causa maior, sendo suspenso por 18 meses por falsificar um relatório. Isto a propósito de, oito anos volvidos, os ainda gratos e impolutos dirigentes encarnados, terem acedido a oferecer-lhe mais uns bilhetinhos para ver mais um jogo dos 3 Fs. Nada de grave, nada de especial, all in a day's work. Shame on his mother, for sure.


clicar para ampliar


O sentimento de impunidade continua ainda bem presente na resposta do senhor assessor jurídico da SAD candeeira. Quase não dá para acreditar em tamanha cara-de-pau. Mas é mesmo assim e assim será, enquanto quem de direito não lhe puser um termo.



Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco



quinta-feira, 22 de junho de 2017

BenficaGate: os SMS do Presidente e a Fruta Divina


Mais um Universo Porto da Bancada, mais se ficou a saber sobre este polvo candeeiro, corrupto e traficante, sem ponta de pejo ou vergonha na cara.



Com pouca vocação para pastorinho mas muito a propósito da linguagem inaugurada pelo sinistro Adão, Francisco Marques fez ontem três revelações de fazer corar o vigarista mais empedernido.


Primeira revelação

Um tal de Carlos de Deus (parece de propósito...) Pereira, outra figurinha gordurosa e rastejante da corte candeeira à la Figueiredo (Mário ou António, podem escolher) que na altura era somente o presidente da AG da Liga, enviou a 16 de Fevereiro de 2014 um email a Pedro Guerra com ficheiros em anexo que continham a transcrição de centenas de SMS de Fernando Gomes, actual presidente da FPF! Além da óbvia ilegalidade por via da violação de correspondência, é uma demonstração clara da imparcialidade do energúmeno e da vontade de ser, também ele, um "menino querido" do regime.

Acresce ainda que FJM disse haver muitos emails onde o bom do Carlos sossega o Guerra, garantindo que quando decisões fossem tomadas na Liga, ele seria avisado antes dos clubes. A put@ da falta de vergonha parece não ter limite.

Sem coincidência, este foi o mesmo mamífero que rejeitou duas candidaturas à presidência da Liga, deixando o seu Mário Figueiredo como concorrente único às eleições. Vale a pena clicar no link e ler as desventuras, bem como artigos associados.

Quem já o tinha topado em 2014: Tribunal do Dragão.


Segunda revelação

A 2 de Fevereiro de 2017, o Benfica emitiu comunicado a apelar à contenção dos seus adeptos. Esse comunicado foi partilhado entre várias figuras do clube, deduzo que antes de ser emitido, para que pudessem comentar e dar a sua opinião. Foi partilhado por Luis Bernardo, o responsável pelo pelouro e comentado por... Paulo Gonçalves, o tal "portista fanático", da seguinte forma:

"(...) reforçaria somente o seguinte parágrafo "a segurança é também um bem de todos e os recentes e graves acontecimentos noutros estádios - seguramente com consequências disciplinares verdadeiramente punitivas e preventivas - levam-nos a reforçar este apelo". Assim, metemos pressão do CD para sancionar o FC Porto e o SC Braga como deve ser. Como ainda vamos ter que ir a Braga, era bom que houvesse coragem para interditarem a pedreira.".

Não é preciso ser um génio para deduzir que Paulo Gonçalves exerceu ou tentou exercer pressão sobre o órgão disciplinar em questão, o que à luz do Artigo 61º ("Exercício e abuso de influência") do Regulamento Disciplinar da FPF é proibido e sancionado com multa e exclusão da competição entre uma a três épocas. Muito interessante é também o seu ponto 2, cuja leitura recomendo vivamente.


Terceira revelação

"€200 o tempo que quiseres; se for a 3, €400", ilustrado por fotografias de amantes, amadoras e profissionais. De quem, para quem e sobre quem? Do menino querido Nuno Cabral para o imenso Guerra, informações íntimas sobre árbitros! Segundo FJM, são vários os emails trocados entre ambos, com informações do género.

É óbvio qual o intuito de saber e partilhar com os amigos estes segredos sujos dos árbitros: condicioná-los e, se necessário, chantageá-los. Isto sim é um caso de polícia, transcendendo claramente a esfera desportiva (mas onde também pertence). Que um dos visados tenha a decência de dar o seu testemunho.


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São demasiados, demasiados indícios do que realmente se tem passado desde pelo menos 2013 (eu apostaria que bem antes disso) e que não podem continuar a ser ignorados pelas instâncias desportivas.

É sua obrigação agirem, começando por dizer alguma coisa sobre os assuntos, reconhecendo a sua existência e a sua imensa importância. Ou será que alguém ainda acha que a próxima época pode começar com tudo na mesma?

De seguida, devem investigar com rigor e isenção e apurar da verdade dos factos denunciados. 

O FJM disse ter em sua posse os anexos com as SMS do presidente da Federação, o que mais será preciso para que o douto senhor DEIXE DE SE FAZER DE MORTO ?

A PJ deve procurar recuperar os emails "mal" apagados de Pedro Guerra (@slbenfica.pt, não esquecer este detalhe) e interrogar todos os envolvidos. De certeza que não faltará quem ponha a mão na consciência e confesse por fim aquilo que sabe.

Os órgãos disciplinares da FPF e da Liga têm de liderar toda e qualquer investigação a nível desportivo, não se furtando de nenhuma das suas obrigações. Se os actuais dirigentes desses órgãos estiverem comprometidos de alguma maneira, devem ser destituídos de imediato e dar lugar a gente séria, competente e isenta, que chegue com a predisposição - caramba, com a missão! - de investigar e apurar a veracidade de todos os factos já denunciados, de solicitar outros ainda por revelar ao Porto Canal e de retirar as consequências apropriadas dessas averiguações! 

Sim, o Benfica deve ser excluído das competições por tempo a determinar. 

Sim, seria moralmente justo que o Benfica descesse aos escalões não-profissionais e lhe vissem retirados todos os títulos conquistados no período onde decorreram todos os factos apurados.

Já chega de meias-palavras, há deturpação evidente das competições desportivas em favor do Benfica, realizada por pessoas "do" ou "associadas a". O Benfica deve ser responsabilizado na extensão total dos regulamentos desportivos e da Lei portuguesa.



Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco 



quarta-feira, 14 de junho de 2017

BenficaGate: Crime, Disse Eu


Por ser auto-explicativo o "material" que se segue - todo ele apresentado ontem no Universo Porto - da Bancada, nem vou fazer introdução. Volto no final, para a conclusão.




Atenção: conteúdo explícito, susceptível de provocar nojo e vómitos. Se acabou de ingerir alimentos, recomendo aguardar e voltar daqui a duas horas.



I - E-mails trocados entre Adão Mendes e Paulo Gonçalves, um dos homens-fortes do Ventoínhas e assessor jurídico da SAD do SLB




23 de Setembro de 2014 

AM para PG:

"Anexo três documentos que explicam o que preciso de si. Peço que ponha toda a carne no assador, como eu a ponho todos os dias por nós"

"(...) Sei que consigo vamos ganhar" [o recurso de uma avaliação do filho Renato]

Respostas de Paulo Gonçalves a Adão Mendes:

"Caro Adão Mendes, amanhã tentarei pessoalmente explicar a razão que assiste ao árbitro. (...) Se depender de mim..."

"Este é o documento que foi entregue em mão hoje de manhã"


29 de Setembro de 2014

AM para PG:

"(...) O Vítor Pereira pode ser solução antes do recurso?

"Eu a doutora [sugerida por Paulo Gonçalves para patrocinar o recurso para o CJ] somos amigos. A questão é ser o glorioso a apadrinhar a questão e não alguns anti-cristos"

"Temos de ganhar isto e se o doutor puser a carne toda, sei que ganhamos. O chefe [Ventoínhas?] está comigo para tudo.

PG para AM:

"(...) Vou pensar melhor e fazer uns contactos e amanhã falamos."


30 de Setembro de 2014

AM para PG: "O Vítor Pereira já respondeu ao recurso do Renato e alegou que vai levar o caso ao plenário. Era a altura de o...

PG para AM: "Vamos então..."


9 de Outubro de 2014

AM para PG:

"O nosso amigo Manuel Mota recorreu de nota negativa no jogo (...). Temos de lhe dar nota positiva. Ele e eu apelamos ao doutor"

"Sobre o Renato [Mendes, filho de Adão Mendes], o Vítor Pereira nada disse até hoje."

"Não podemos dormir, vem aí o esfolar do cabrito

PG para AM: "Caro amigo, obrigado pela informação. Abraço forte." 


6 de Junho de 2016

AM para PG: "Junto envio lista dos melhores candidatos assistentes. Força nisso e cuidado. Teste escrito (...) [elencada lista de cinco árbitros, com o filho Renato em segundo] Por esta ordem, estes são os melhores e nada pode falhar



II - E-mails trocados entre Nuno Cabral (ex-árbitro de qualidade duvidosa, delegado da Liga à data dos factos e acutalmente funcionário da FPF), o omnipresente Paulo Gonçalves e o próprio Ventoinhas.



31 de Março de 2014

NC para LFV e PG"[Assunto: arbitragem] Caríssimo presidente e doutor Paulo, para vosso conhecimento e análise. Forte abraço" [envio de anexos desconhecidos]

PG para NC: "Bom trabalho, excelente.

NC para PG: "Obrigado amigo doutor. Apenas quero ser um menino querido para vocês e fazer bem o meu trabalho e que o homem confie em mim tal como o doutor. Abraço"


23 de Junho de 2014

NC para PG: "Destes 15, vão 12 a estágio para o próximo ano. [referindo-se a árbitros de segunda categoria, eventualmente passíveis de serem promovidos após o estágio; este email é um reencaminhamento de outro, do árbitro João Pinheiro que na altura ainda não era de primeira categoria e ia para estágio, e que por sua vez tinha recebido o e-mail original de um funcionário da FPF, Mauro Quaresma]



III - E-mails trocados entre Nuno Cabral, Paulo Gonçalves, o então presidente da Liga Mário Figueiredo e o amigo Ventoinhas



29 de Janeiro de 2014

NC para PG: "Amigo doutor, 3 dos delegados dos jogos da polémica da Taça da Liga estão nomeados. Sou o único delegado até ao momento que não fiz Primeira Liga.

PG para MF, reencaminhando o original de NC: "Mário, a ser verdade. será que o homem é feio ou incompetente? É o único delegado que ainda não fez nenhum jogo da Primeira Liga e já foi nomeado 11 vezes para Chaves. Qualquer dia vai ser treinador do Chaves he he he"

MF para PG: "Paulo, só tu para me fazeres sorrir um bocado. Ele está pronto? Vem fazer um jogo aqui ao Porto? Só tens que dizer. Um abraço "


2 de Abril de 2014

MF para LFV: "Caro Luís, segue em anexo as declarações de António Salvador (...). Por favor tem calma que sempre tenho estado e estive do teu lado. Um abraço"

LFV para MF: "Inda querem-me faser atrazado mentol"


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Alguém de boa fé pode duvidar por um segundo que isto é uma amostra (pequeníssima, imagino) do que é o polvo de que tanto se fala?

Alguém, com pelo menos um QI de sobrevivência, pode duvidar que isto são indícios concretos e irrefutáveis de que o Benfica tem a seu soldo uma horda de lacaios, disseminados por todo o futebol português e para lá dele, com a missão de o beneficiar ilicitamente?

Alguém ainda se admira que os apelide como o clube dos sem-vergonha?

Não sei se alguma vez haverá alguma investigação séria sobre tudo isto. E havendo, não sei se alguma vez se encontrarão provas admissíveis em tribunal que levem a uma mais do que merecida condenação. 

Nem se alguma vez, alguém nos órgãos disciplinares do futebol, levará a cabo igual demanda. E levando, se encontrará provas que permitam aferir da culpa do Benfica e dos personagens envolvidos. 

Mas o que eu sei, sem qualquer sombra de dúvida, após ter conhecimento destes e-mails, é que o Benfica montou uma máquina de corrupção e tráfico de influências que, desde há vários anos, controla e manipula a arbitragem e os órgãos que gerem o futebol profissional, e assim desvirtua, ilicitamente e em seu favor, as competições futebolísticas em que está envolvido.

São vigaristas, são corruptos, corruptores e corrompidos. São traficantes de influências (e algo mais, como bem sabemos). São batoteiros, além de caloteiros. São uma fraude e deveriam ser julgados e condenados à luz da Lei. Presos. 

O que seria justo e decente, era haver um CalcioCaos em Portugal. Não se lembram? Foi isto. Entre outros condenados, a Juventus desceu de divisão e perdeu os títulos de campeão de 04/05 e 05/06 "apenas" por ter influenciado indevidamente a nomeação de árbitros em 2004/05. E o seu director-geral de então ficou impedido de exercer funções desportivas durante cinco anos.

Pausa para reflexão.

Lamento profunda e sinceramente por todos os benfiquistas que, por serem honestos e pessoas de bem, começam agora a despertar para esta realidade suja e mentirosa. E agora, vão continuar a exibir o "rumo ao..."? Ao quê? Ao espelho? Ao desespero? 

Já não dá para assobiar para o lado: quem continuar a glorificar as "conquistas" deste Benfica, terá de reconhecer ser tão vigarista como os seus dirigentes.



Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco