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quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Feira da Vergonha


Seria preciso recuar muito no tempo para recordar algo semelhante com o que se passou ontem na simpática cidade de Santa Maria da Feira. Não que não seja prática corrente sermos espoliados sem apelo nem agravo. Quem não se lembra disto? Ou disto? E claro, disto?




São muitos e maus os exemplos recentes. Em todo o caso, jogos "conduzidos" da forma que ontem presenciei no reduto do CD Feirense são (felizmente) uma raridade. Já se sabe que os nossos adversários têm sempre incentivos extra à sua espera no caso de nos "roubarem" pontos, mas o mesmo não se pode esperar nem aceitar de uma equipa de arbitragem: que vá para o campo com o propósito de nos roubar (aqui sem aspas) pontos.

Foi simplesmente indigna e intolerável a forma como Fábio Veríssimo e restante quadrilha tentaram, por todos os meios, impedir o Porto de sair da Feira com os três preciosos pontos. São tantos e tão gravosos os erros, que vou deixar o detalhe para a "secção" de arbitragem, ali mais abaixo no post.

O que não quero é falar sobre o jogo, sobre a forma como ambas as equipas se comportaram, sem antes deixar bem vincado que de mais importante aconteceu neste jogo teve a ver com a arbitragem. Perante tamanha adulteração de um jogo de futebol, o próprio torna-se - infeliz e obrigatoriamente - secundário.

Não podemos continuar a permitir que isto volte a suceder impunemente. É muito bonito (e necessário) denunciar o modus operandi deste polvo orelhudo e vigarista, mas urge agir de imediato - para que no final não nos fiquemos a lamentar, uma vez mais, de ter sido a gatunagem a impedir-nos de chegar ao título.

A certa altura do jogo, fiquei totalmente transtornado, fora de mim e quase sem controlo, ao ponto de ter admitido saltar para dentro do campo e fazer não sei bem o quê. Um estado de fúria de que não me orgulho e muito menos recomendo, mas que tem causas e causadores bem identificados.

São anos a fio a ver os outros comprarem o que não pode ser comprado, festejarem o que não mereceram conquistar, perante um silêncio comprometido das instituições que deveriam zelar pelo bom funcionamento das competições e da própria sociedade.

As coisas estão a chegar a um ponto que poderá ser sem retorno, em que algo ou alguém vai perder por completo o controlo e a razão e cometer uma loucura. Acreditem, não falo apenas pelo que senti, mas por todos os que vi à minha volta. Sim, é apenas um jogo de futebol, mas é também a dignidade de cada um que está em causa. O ser filho de boa gente.




Sobre o jogo jogado, deixo apenas algumas notas.

Num campo difícil, pelas dimensões e pela má qualidade do relvado (agravada ontem pela chuva), entrámos no jogo com um onze ofensivo, apenas com os dois médios da praxe nestes contextos. O problema é que, até que Óliver entrasse aos 57 minutos, na prática tivemos apenas um médio e um... deflector. André André fez um jogo muito, muito fraquinho, pouco eficaz a defender e uma perfeita nulidade a construir, incapaz de tentar um passe de ruptura, que desbloqueasse uma jogada. Ao invés, sempre para o lado e para trás, sem nada acrescentar.

O resultado prático foi uma grande dificuldade em furar a muralha defensiva do Feirense, muito recuada e determinada a parar-nos por todos os meios, perante a complacência da equipa de arbitragem. Faltava imaginação e ousadia para desposicionar os caceteiros entrincheirados no seu meio-campo. Ainda assim, fruto da qualidade individual dos nossos, fomos construindo algumas situações de perigo, acabando por marcar pelo inevitável Aboubakar, após recuperação na raça de Brahimi sobre a lateral.

Parecia estar finalmente desbloqueado o jogo, mas, nem cinco minutos volvidos, consentimos o golo do empate. Livre idiota provocado por AA, bola para a área e Felipe muito mal batido por Luis Rocha, o marcador. É certo que há um toque do feirense nas costas do brasileiro, mas não me parece suficiente para o isentar da responsabilidade do péssimo tempo de abordagem ao lance. Tudo empatado, outra vez.

Sentimos em demasia o golo, porque tardamos em responder à altura. Custou-nos a reactivar a máquina, o Feirense recuou ainda mais e foi sem surpresa e com muita apreensão que se chegou ao intervalo com tudo na mesma.

O aquecimento intenso de Óliver durante o descanso deixava antever uma possível entrada logo no recomeço, mas Sérgio Conceição optou por prolongar o voto de confiança aos mesmos onze. Durou 12 minutos esse prolongamento, tal era a evidência de que nada tinha mudado. Com a entrada do espanhol, passámos finalmente a jogar com "onze" jogadores, com dois médios de corpo inteiro, e foi notória a melhoria da qualidade e da variedade do nosso jogo, ainda que não tenha sido uma transformação radical.

O tempo avançava sem "novidades" e o treinador lançou Tiquinho para o lugar do apagado Corona, que oscilou entre o meio e o flanco esquerdo, missão quase espelhada à (nova) de Marega. A pressão intensificou-se e finalmente cheirava a golo. Por ironia do destino, foi o "mau-da-fita" Felipe a marcar o golo da vitória, uma cabeçada imparável após (mais um) canto de Telles.

Ainda espreitamos o terceiro golo, mas na cabeça dos jogadores já só reluzia uma ideia: defender a vantagem com todas as suas forças. Ideia que se amplificou por mil quando Felipe foi expulso aos 84 minutos. A partir daí, já com Layún a ajudar, foi fazer das tripas coração e aguentar estoicamente a vantagem. Apesar de todas as tentativas da arbitragem.

Vitória importante que, cerca de uma hora mais tarde, nos confirmou como os justíssimos e isolados líderes do campeonato. Contra tudo e contra todos, outra vez sem aspas.





Notas DPcA 


Dia de jogo: 03/01/2018, 20h15, Estádio Marcolino de Castro, CD Feirense - FC Porto (1-2)


José Sá (6): Sofreu um golo sem nada poder fazer para o evitar e quase mais nada a não ser estar atento. E foi bravo, como todos os demais.

Ricardo (6): Não se ligou da melhor forma com Corona, mais por culpa do mexicano, mas nunca desistiu de tentar perfurar, pecando essencialmente nos (maus) cruzamentos. Deve também rever a sua concentração quando se trata de "aliviar", para evitar calafrios desnecessários. E foi bravo, como todos os demais.

Alex Telles (6): Jogo menos conseguido, com várias falhas de concentração e de execução, em especial na primeira parte, o que não lhe retira a habitual importância no jogo colectivo. Mais uma assistência, outra vez de bola parada. E foi bravo, como todos os demais.

Marcano (6): Algumas falhas pouco habituais e muita luta e empenho. Soube comportar-se como capitão, assumindo a dianteira na contestação ao desvario de Veríssimo. E foi bravo, como todos os demais.

84' Felipe (5): Quase acabava como herói absoluto, ao marcar o golo da vitória. Que o foi, em certa medida, porque o resultado não mais se alterou. Mas o seu jogo fica marcado por vários erros e hesitações, a maior das quais no golo do empate. A expulsão é injusta, mas a sua abordagem foi demasiado imprudente para quem já estava amarelado. Pelos vistos, o tempo de banco não lhe serviu para amadurecer. E que tal mais umas semanas por lá?

Danilo (6): Bom jogo no capítulo defensivo, considerando que teve de fazer quase tudo sozinho durante uma hora. Talvez por isso, quase não teve oportunidade de subir, de progredir com bola como tanto gosta. Mas foi uma exibição sólida. E foi bravo, como todos os demais.

< 57' André André (4): Uma perfeita nulidade em campo, um verdadeiro discípulo de NES no jogo de ontem. A rever, com muita urgência.

< 65' Corona (5): Pouco inspiração e ainda menos concentração, deixando escapar muitas bolas ao seu alcance. Quis ajudar, quis fazer a diferença, simplesmente não o conseguiu. Mas foi bravo, como todos os demais.

Melhor em Campo Brahimi (8): Este é mesmo outro Brahimi, não tanto pelo futebol mas pela atitude. O primeiro golo é um exemplo notável, tendo ido ganhar uma bola já perdida para depois descobrir Abou dentro da área. Mas fez mais, muito mais. Foi efectivamente quem mais conseguiu assustar e desequilibrar os feirenses, tentando novo golo de antologia. E já perto do fim, tornou-se no embaixador de ocasião de todos os Portistas, ao esfregar nas fuças do árbitro que nada nos iria derrubar - muito menos ele. Foi bravo, bravíssimo: um pouco mais que todos os demais. VAMOS GANHAR CARAGO!



Marega (6): Não foi o seu dia, embora tenha feito por isso. As fintas e os passes nunca lhe saíram na perfeição, pelo que teve de se contentar com o papel secundário de ajudar no "esforço de guerra". Secundário, mas muito importante. E foi bravo, como todos os demais. 

< 80' Aboubakar (7): Mais um golo para a sua conta pessoal e mais um par deles desperdiçados. É assim o nosso Vincent, nada a fazer. No resto, lutou muito e procurou segurar e tocar, mas havia quase sempre demasiada gente "inimiga" à sua volta. E foi bravo, como todos os demais. 

> 57' Óliver (6): Entrada que imediatamente se fez sentir, tal a inoperância de quem foi substituir. Acrescenta clarividência e poder de passe ao nosso jogo e ontem isso foi importante para fazer sentir algum desconforto à acantonada equipa adversária. E foi bravo, como todos os demais.

> 65' Soares (6): Sentiu dificuldade para entrar no ritmo do jogo, mas lá o conseguiu fazer e ajudou a equipa a chegar ao golo da vitória, ao ser mais um a desbravar terreno e a desgastar os adversários perante tantas "frentes" de batalha. E foi bravo, como todos os demais.

> 80' Layún (6): Foi bravo, como todos os demais.


Sérgio Conceição (6):

Não posso estar satisfeito com o jogo que a equipa fez, mesmo descontando todo o prejuízo arbitral. Jogámos q.b. para garantir os três pontos, mas sabe-se que q.b. raramente nos chega nas competições nacionais. E foi o próprio treinador quem desafiou a sorte, ao fazer sentar Reyes que tão boa conta de si vinha dando desde que ocupou o lugar de Felipe. 

Para seu e nosso azar, Felipe esteve particularmente mal, sendo réu maior no golo sofrido, além de vários outros pecadilhos. Que tenha sido Felipe a marcar o golo da vitória é apenas coincidência - uma muito feliz, obviamente - que em nada justifica a saída de Reyes da equipa, em minha opinião. Queria fazê-lo, esperava por um jogo em casa, onde há sempre muito mais força para recuperar de resultados adversos. 

Por outro lado, cedeu e dispensou AA ainda em bom tempo, dando a Óliver a mais do que justa oportunidade. E aí "redimiu-se", dando à equipa novo fôlego para ganhar o jogo. No final, trouxemos os indispensáveis pontos para o Dragão e é isso que fica para a história do campeonato.



Outros Intervenientes:



O Feirense de Nuno Manta é um clube modesto e ontem fez-se ainda mais pequenino, pela sua forma de actuar. Quando assim é, para quê destacar algum bom jogador como Tiago Silva? Nem vale a pena.


Arbitragem miserável, aliás inqualificável, de tantos e tão gravosos os erros de Tiago Veríssimo, Paulo Soares e Paulo Brás.

Cronologia de um crime:
32' - Kakuba tem entrada violenta sobre Brahimi merecedora de cartão vermelho, mas apenas foi advertido
35' - Etebo entrou de forma violenta sobre Ricardo, novo vermelho por mostrar, desta vez nem falta foi assinalada
52' - Lance de penálti sobre Marcano, com ou sem intenção, o certo é que o defesa feirense acertou no espanhol e não na bola. Viva o VAR Paixão, já agora.
68' - Tiago Silva deveria ter sido expulso por acumulação de amarelos
78' - Soares é punido com amarelo por suposta simulação, mas na verdade foi bem "tocado" pelo adversário
85' - Felipe é imprudente na abordagem mas não acerta no adversário, jamais deveria ter sido expulso com segundo amarelo.
95' - Marcano sofre falta dura, não assinalada, e protesta com o árbitro enquanto o jogo decorre e a bola sai pela linha lateral. O árbitro, nesse momento após a saída da bola, decide advertir Marcano e... inventa uma falta no sítio do protesto, como se a bola estivesse em jogo. Um livre perigosíssimo inventado, numa derradeira tentativa de agradar ao dono.

Quem me conhece sabe que era, até ontem, defensor deste árbitro, ao contrário da maioria dos meus consócios. Depois deste jogo, e até prova em contrário, Tiago Veríssimo ou é terrivelmente incompetente ou está terrivelmente condicionado ou é vigarista. Em qualquer dos casos, não pode ser árbitro de futebol.


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Depois deste jogo, nada pode ficar como dantes.

A nossa paciência, para começar. Em todos os jogos que estão por disputar, a pressão vai ser imensa e as bancadas não vão ter contemplações perante qualquer decisão que aparente ser errada.

A postura do Clube, para continuar. Há que fazer, falar, acontecer, antes que seja tarde demais.

A tranquilidade da equipa, para terminar. Os jogadores, mais do que nós, sentem o que se passa dentro de campo e tendem a exacerbar comportamentos se os considerarem premeditados. Tenho muito receio que percam a cabeça (muito) mais vezes. É fundamental fazer um sério trabalho psicológico com o grupo.



Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco




VAMOS GANHAR! VAMOS GANHAR! VAMOS GANHAR!


E hoje é só isto, para não sair asneira.


Pronto, só mais isto.



Deal with it, you dirty cheatin' bastards!



Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco



terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Lapidar - Até os Benfiquistas Se Revoltam


Salvo revelações graves e irrefutáveis, não contem que embarque na onde da divulgação massiva de tudo o que está a ser "libertado" dos emails dos sem-vergonha (grupelho criminoso que lidera o Benfica). 

Primeiro, porque não reconhecendo a tal especial gravidade, não vejo motivo para vasculhar e expor vidas alheias. 

Segundo, porque não tenho a certeza das reais intenções destas divulgações massivas. Há já quem suspeite terem sido eliminadas as partes comprometedoras, ficando apenas alguma "palha" e os burros sacrificiais... para que se conclua que não houve nada de ilegal. Estão a perceber, certo?

Terceiro, tenho mais e melhor que fazer.

Esta excepção que agora abro parece-me justificadíssima pela actualidade do tema - impunidade das claques ilegais do Benfica e vista grossa das autoridades - e porque reaviva a minha crença de que grande parte dos benfiquistas, por muito megalómanos e delirantes que possam ser, não se revêm nestes comportamentos criminosos. E é disso que o clube deles mais precisa.

Sem mais demoras, fiquem com um apelo desesperado de uma benfiquista. Um entre muitos, segundo os próprios. Dividido em duas imagens, a primeira identifica o assunto e a segunda contém a emocionada missiva.

E não, isto não é de agora. Isto é de... 2008!




(clicar para ampliar)

Não só não foi atendida, como fizeram ou permitiram o preciso oposto. Como vem sendo habitual, onde há porcaria, está Paulo Gonçalves. Ele e os demais elementos do gangue são, portanto, co-responsáveis por tudo o que esses criminosos e assassinos têm feito desde então. Que paguem também por isso.



Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco



sábado, 2 de dezembro de 2017

Roubados e Gozados


Tenho dificuldade em começar esta crónica. Se, por um lado, sinto uma elevada dose de frustração por aquilo que não fomos capazes de fazer em campo e me apetece discorrer sobre isso, por outro, não sou capaz de o fazer sem ter em conta o fundamental: a jogar bem ou mal, teríamos ganho aos sem-vergonha, não fosse por mais uma arbitragem escandalosamente benfiqueira. Segunda consecutiva, a somar ao que aconteceu com os lampiões das Aves. E assim se transformam oito pontos de avanço em três e liderança repartida com o empurradito Sporting.


O Polvo corrupto em acção

Comecemos então pela parte que nos competia. Talvez a minha expectativa estivesse desajustada, mas por toda a conjuntura, não esperava nada menos do que um esmagamento dos rapazes vítimas do holocausto de Basileia, esse portento do futebol europeu. Ganhando por um ou por dez, esperava que os sufocássemos, que os tivéssemos encostados às cordas durante boa parte dos noventa minutos, a sorrir perante as vigarices dos árbitros e a atropelá-los a todos.

Digamos que era pedir muito, então. Fiquemo-nos pelo básico: em casa, contra o Benfica, com ou sem-vergonha, a nossa missão é sempre a mesma: fazer tudo mais do que eles e ganhar. Correr mais, lutar mais, bater mais, jogar mais. E ganhar. Sinceramente, acho que falhámos em alguns desses pontos. Fomos superiores, sim, mas não de forma tão evidente como eu espero sempre contra estes.

Entrámos mal, com receio não sei de quê, e deixamos que eles ganhassem indevida confiança. Equilibramos, passamos a estar ligeiramente por cima mas nunca de forma avassaladora, excepto nos últimos dez (+4) minutos, finalmente em superioridade numérica. 

Em boa parte, creio que o erro esteve nas opções estratégicas de Sérgio Conceição. Bem no onze escolhido, mal nos tais 99% de "adivinhação" da forma como o adversário ia jogar. E a reagir a ela. A colocação de Herrera tão subido acabou por ditar novo desequilíbrio no miolo e correspondente dificuldade em travar as investidas, ganhar segundas bolas e construir de forma organizada. Faltava sempre gente para pegar, para receber, para tocar e ir. Só depois do intervalo (uma parte "ao ar") se notou o imperioso reajuste, o que é difícil de compreender.




Outro ponto que me decepcionou, à luz dessa minha exigência de ganhar sempre no Dragão, foi a troca de Soares por Aboubakar. Sérgio como que se justificou com a entrada prévia de Otávio e o cansaço acumulado do camaronês, mas eu não "engulo" nenhuma das duas. 

Primeiro, sendo Otávio um jogador sem ritmo algum, parece-me descabido sacrificar o nosso melhor marcador por antes ter optado pelo brasileiro. 

Segundo, cansado ou não, este era o jogo onde tinha de dar mais do que tinha - ele e todos os demais - pelo que não me encaixa. Brahimi foi um elemento em claro sub-rendimento, desaparecido do jogo durante largos períodos (mais ainda na segunda parte), pelo que seria mais lógico ser ele o sacrificado, arriscando colocar Soares e Abou lado a lado e Marega a carregar a partir do flanco, com o apoio de Herrera e dos laterais para um assalto final mais físico e directo (estava evidente que o adversário recuara e não dava grande espaço para os desenhos do argelino).

Não arriscamos tudo para ganhar, certamente com receio de perder. Entendo, mas não concordo. Kelvins aparecem de 100 em 100 anos. Ainda assim, criámos oportunidades para ganhar, verdade? Então de que me queixo, das opções do treinador ou da falta de pontaria? Ambas, evidentemente. Tivesse havido a pontaria e estaria muito mais feliz, mas na mesma a apontar o dedo ao treinador.

Falta agora o óbvio: mesmo com opções técnicas discutíveis e tremenda falta de eficácia, teríamos ganho o jogo e, com grande probabilidade, por mais de um golo de diferença. Primeiro, porque marcamos um golo que nos foi surripiado a meias entre o fiscal de linha e Jorge Sousa: um porque levantou o pequeno pau, o outro porque apitou de imediato, inviabilizando a intervenção (not) do VAR. Segundo, porque ainda na primeira parte Luisão fez penalti, visível no campo e claríssimo nas repetições televisivas. Ficariam desde logo com dez e - provavelmente - a perder. E seria outro jogo, como é óbvio.

Tudo somado, fomos menos competentes do que se exigia e uma vez mais indecentemente prejudicados pela equipa de gatunagem. Em nossa casa e em dia de visita do inimigo. No final, tudo embora caladinho, que o cheque chega na mesma no final do mês. Não aceito.


Tão crescidinhos mas tão ingénuos ainda...


Notas DPcA 


Dia de jogo: 1/12/2017, 20h30, Estádio do Dragão, FC Porto - SL Benfica (0-0)


José Sá (7): Primeira intervenção algo titubeante mas sempre em crescendo a partir daí, culminando com a grande intervenção aos pés do isolado Krovinovic.

Ricardo (5): Primeira metade fraquinha e alguns erros defensivos comprometedores espalhados ao longo do jogo.

Alex Telles (6): Mais retraído do que o habitual, não conseguiu fazer a diferença nem nas bolas paradas.

Marcano (6): Regular e discreto, como convém.

Felipe (5): Brigão mas alguns erros perigosos.

Melhor em Campo Danilo (7): Não sendo brilhante, foi o jogador em que mais me revi enquanto jogador à Porto. Quem sabe o que isso é, não precisa de mais explicações.

< 60' Sérgio Oliveira (6): Muita luta e desigual naquele miolo, o que acabou por lhe retirar tempo e espaço para construir.

Herrera (6): A primeira metade viu o regresso do velho e mau Herrera, quase sempre mal posicionado a e passar mal a bola. Melhorou um pouco no regresso e quase virava herói nacional, não fosse o desarme ilegal da dupla árbitro / fiscal-de-linha.

Brahimi (6): Sendo o enorme talento que todos sabemos que é, tem este pequeno/grande defeito de raramente aparecer nos grandes jogos. Neste, exagerou até na sobriedade. Teria sido o meu sacrificado para acrescentar poder de fogo.

Marega (7): Não fosse pelos desperdícios capitais, seria o melhor em campo. Foi quase só ele a criar perigo lá na frente e a lutar contra a corrente. Grande regresso de lesão, cruéis os falhanços, tão decisivos como as vigarices da arbitragem.

< 76' Aboubakar (6): O lutador do costume, conseguiu segurar muitas bolas e dar tempo aos companheiros para subir, embora por vezes tenha exagerado nesse controlo de bola. Para não variar, dispôs de uma oportunidade flagrante para marcar, desta feita reaproveitada por Herrera mas apenas para os vigaristas se divertirem a anular.

> 60' Otávio (6): Sentiu naturais dificuldades, vindo de longa ausência competitiva para um jogo tão intenso. Foi reagindo e acabou mesmo o jogo a ganhar uma bola na raça e servir exemplarmente Marega para o que seria o justo golo da vitória, se o maliano tivesse mais (algum?) acerto. 

> 76' Soares (5): Pouco ou nada, foi o que o vi fazer de concreto e efectivo.

Sérgio Conceição (5): Já expliquei quase tudo acima, foi surpreendido pela forma como o adversário entrou no jogo e demorou muito a conseguir reagir (ou a conseguir que a equipa reagisse, o que vai dar ao mesmo). Depois, não viu bem as substituições nem quis arriscar tudo para ganhar - entendo, mas discordo, porque mesmo assim eles tiveram as suas oportunidades. No entanto, poderia e deveria deitar-se hoje feliz da vida e com a consciência de dever cumprido, não fosse pelo assalto de que fomos vítimas por parte dos miseráveis do apito. Vá lá que, terminado o jogo, não deixou passar nada em claro. Não remedeia, mas alivia a dor de não ter NENHUM dirigente do Clube a dar sinais da mais pequena reacção que fosse.





Outros Intervenientes:



São sem-vergonha e não me merecem uma linha que seja. Jaula com eles, para que um dia clube e adeptos se possam voltar a orgulhar do que já foram.

Sobre a ladroagem de Jorge Sousa e respectiva cáfila (com destaque o "duas bossas" Hugo Miguel), há muito para dizer, sendo que o essencial é que nos impediram, ilegalmente, de ganhar o jogo:

- Começou logo pela falta não assinalada sobre Sá na pequena área;

- Aos vinte minutos, um lance muito, muito duvidoso entre Jardel e Marega dentro da área;

- À meia hora, o momento zen da noite: Herrera remata, Varela defende para canto e o árbitro assinala pontapé de baliza ou uma qualquer infracção inexistente;

- Pouco depois, fizeram vista grossa ao mimo de Jonas na cara de Danilo;

- Em cima do intervalo (minuto 44), começaram a mudar a história verdadeira do jogo, ao deixar passar incólume um penalti claro de Luisão, a que acresceria respectivo segundo amarelo e correspondente expulsão;

- Aos 55', golo extorquido por offside inventado pelo bandeirinha e prontamente oficializado pelo árbitro, impossibilitando o VAR de ter o gostinho de ser ele a invalidar um golo limpo;

Com o jogo já totalmente inquinado, fizeram por disfarçar a coisa, ao expulsar correctamente um inimigo por acumulação de amarelos a pouco menos de dez minutos para os noventa. Ah, e faltou também um amarelo a Felipe, logo no início, por entrada (pouco) dura sobre o farsante Jonas. Ena...


Vídeoquê?
 

Seguimos na frente, mas o campeonato como que recomeça agora. Esfumou-se a confortável vantagem tão arduamente conquistada. Veremos se a crença e a pujança se mantêm intactas.

Quanto a mim, é provável que pare de escrever por uns tempos. 

Comecei o blogue pela necessidade inadiável de defender o meu Porto de tudo o que o lhe estava a ser infligido, tanto daquela pouca-vergonha que hoje todos conhecem por polvo, como do evidente declínio da gestão de Pinto da Costa - incapaz de combater essa sem-vergonhice - e gritante falta de alternativas para um novo rumo.

Ao fim deste tempo, pouco mudou. 

Os vigaristas enchem a boca com um tetra da treta, mais falso do que eles próprios, dando-se ao desplante de vir a nossa casa gozar com os "pretos", roubar-nos debaixo dos nossos narizes e sair daqui a sorrir, sem que nada lhes aconteça. 

E o que dizem ou fazem os dirigentes por nós vós eleitos? Nada, zero. Pinto da Costa manda umas atoardas quando nada o justifica, normalmente a anteceder um mau resultado desportivo - desta vez foram dois (and counting); restante administração, nem vê-los, excepto a tentar justificar o injustificável, de seis em seis meses. Ficam o FJM e o treinador sozinhos, cada um em seu "departamento", a dar o corpo às balas e gritos de revolta. Para isso, façam do Francisco presidente, sempre fica mais em conta.

Por outro lado, se um destes dias ouvirem notícia de que um selvagem Portista agrediu um árbitro (vigarista), um delegado (bajulador) ou um dirigente (corrupto), desconfiem e interroguem-se se não terá sido o Lápis que perdeu a cabeça. É o mais provável. Estou farto de ser roubado e gozado por cima. Passaram todos os limites, não se admirem com o que possa acontecer.



Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco



quarta-feira, 29 de novembro de 2017

A Portista


Em jeito de preparação para a leitura do que se segue, faça o caro leitor o favor de fechar os olhos por uns segundos e cantarolar mentalmente o Hino Nacional. Lálá lálaaá, lá lálá lálá láláláláá lá lá lálá...
Mantendo-o como música de fundo, coloque a mão direita sobre o coração azulebranco e avance sem precaução, cantando a plenos pulmões. Senhoras e senhoras, eis A Portista:


Heróis do VAR, padres podres
Jogos com vício
Tudo a cheirar mal
Demonstrai sexta de novo
O pior de Portugal

Entre os zurros da escória
Ó Dragão, ergue a tua voz
Que é a de todos nós
E há-de guiar-te à vitóoooria!

Às armas! Às armas!
Sobre a relva e no Azul Mar
Às armas! Às armas!
Pelo nosso Porto lutar
Contra os burlões, massacrar, massacrar!
 
Desfralda a invicta Bandeira,
À luz viva do teu céu!
Brade a Europa à terra inteira:
Portugal não pereceu
Beija o solo teu jucundo
O Oceano, a rugir d'amor,
E teu braço vencedor
Deu mundos novos ao Mundo! 

Às armas! Às armas!
Sobre a relva e no Azul Mar
Às armas! Às armas!
Pelo nosso Porto lutar
Contra os lampiões, ganhar, ganhar!


Muitos ficarão surpreendidos ao tomar conhecimento que a estrofe a preto pertence à versão completa d'A Portuguesa (actual hino português, composto por Alfredo Keil e escrito por Henrique Lopes de Mendonça) mas aplica-se tão bem ao nosso sentimento que não pude deixar de a incluir.

Sexta, é sem dó nem piedade. Dentro de campo e no apoio incessante e incondicional fora dele.

Conto com o nosso treinador, Sérgio Conceição, para fazer perceber a todos os jogadores, um por um, a importância de vencer categoricamente este jogo. Por tudo o que nos têm feito e por tudo o que somos.

Conto, igualmente, com o sentido de responsabilidade e a determinação de todos os jogadores, muitos deles já vítimas bem reais dos truques sabujos dos sem-vergonha, para que deixem no relvado do Dragão tudo o que têm e ainda um pouco mais.

Mas se detectarem um lampião perto de vós, não o maltratem, por favor. Limitem-se a ter pena dele. Somos diferentes e temos de o demonstrar uma vez mais.

Sexta, é com tudo para cima deles, c@r@lho!



Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco




sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Qualquer Dia Uma Pessoa Séria Não Pode


Qualquer dia uma pessoa séria não pode estar no futebol” - LFV, O General Ventoinhas, ao vivo n'Os Serões do Hélder.

Nem na construção, nem nos pneus, nem nos empréstimos e nem na vida em geral, faltou-lhe dizer, agastado. Mas apreciei a finesse da referência exclusiva ao futebol. Um verdadeiro estadista da vigarice, que seria o orgulho de muitos dos seus precursores.





A propósito e seguindo a mesma linha de desonestidade - vá, vou usar o termo "intelectual", mesmo sabendo que estou a exagerar - o que teriam dito alguns dos seus mestres da patranha?

Qualquer dia uma pessoa séria não pode ser sortuda - Vale e Azevedo, a esfregar o convés do Lucky Me.


Qualquer dia uma pessoa séria não pode levar uma vida modesta em Paris enquanto escreve um livro - José Sócrates, agarrando Vítor Gonçalves pelos colarinhos.


Qualquer dia uma pessoa séria não pode estar na política - Dias Loureiro, a pescar lagostas ao largo do Sal; Isaltino Morais, reeleito presidente em Oeiras...


Qualquer dia uma pessoa séria não pode ser banqueiro - José Oliveira e Costa & Ricardo Salgado, num uníssono indignado.


Qualquer dia uma pessoa séria não pode estar na filatelia - Alberto Figueiredo, enquanto colava selos com a testa.


Qualquer dia uma pessoa séria não pode correr a maratona - Fred Lorz, enquanto buzinava o calhambeque.


Qualquer dia uma pessoa séria não pode ser atleta de lançamento do martelo - Thor, Deus do Trovão.


Qualquer dia uma pessoa séria não pode ser atleta de lançamento do disco - Capitão América.


Qualquer dia uma pessoa séria não pode ser atleta olímpico feminino - China, Rússia & Ex-RDA, de mãos dadas (musculadas e peludas).


Qualquer dia uma pessoa séria não pode jogar à cabra cega - Super-Homem, a lamber um gelado de kryptonite.


Qualquer dia uma pessoa séria não pode ser atleta de salto em comprimento (nem espetar cinco nos lampiões)” - O Incrível Hulk, a partir (uma vez mais) os rins a David Luiz


Qualquer dia uma pessoa séria não pode jogar Risco nem fazer investigação genética - Adolf Hitler, ao assinar mais um decreto para sacrificar outro lote de judeus em nome da ciência.


Qualquer dia uma pessoa séria não pode estar no import/export - Pablo Escobar, enquanto limpava salpicos de sangue da cara.


Qualquer dia uma pessoa séria não pode prestar aconselhamento financeiro - Bernie Madoff & Charles Ponzi - "Nem trabalhar pela solidariedade social!" - acrescentou ufana Dona Branca.


Qualquer dia uma pessoa séria não pode operar no imobiliário de luxo - Victor Lustig & George C. Parker, digladiando-se sobre qual seria mais valiosa, se a Torre Eiffel ou a Estátua da Liberdade...


Qualquer dia uma pessoa séria não pode ser exímia na arte da multiplicação" - Alves dos Reis & Mary Butterworth, distribuindo notas pelos pobrezinhos.


Qualquer dia uma pessoa séria não pode estar na música - Milli Vanilli, cantarolando "girl, you know it's true, uh, uh, uh!"


Qualquer dia não se pode ser sério... enfim, são tantas as vítimas desta terrível incapacidade de se poder ser sério, que nunca mais daqui saímos. Fica a amostra. E o convite para as vossas contribuições, pois claro - mas com seriedade, por favor.



Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco




sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Vídeo Ga Ga, Vídeo Goo Goo


No meio de todo este chinfrim à volta dos desempenhos pouco transparentes do Video Assistant Referee, por cá mais conhecido por VAR ou vídeo-árbitro, importa fazer uma breve reflexão, tão desapaixonada quanto possível.

Não, meus caros, não me estou a desdizer nem a embarcar no conto do candeeiro vigário. Relembro que escrevi isto aqui. E que o reafirmo.

Estou simplesmente a procurar raciocinar sobre uma ajuda tecnológica à equipa de arbitragem que, em tese, tem tudo para ser relevante e bem acolhida por todos.


- Alguém viu onde pousei o apito?

Vamos por partes, começando pelo princípio.

O VAR foi introduzido à pressão (para não dizer às três pancadas) em Portugal. Não houve planeamento suficiente, selecção adequada de recursos humanos nem muito menos o fundamental treino para os futuros VARs e AVARs.

A FPF avançou à pressa com esta medida para tentar aliviar o ar quase irrespirável que pairava sobre a liga portuguesa, graças à revelação da enormidade do polvo sujo que tem deturpado o desenrolar e desfecho final das competições nacionais. No fundo, tratou-se de uma oficialização daquilo de que já todos desconfiávamos. Mas o discurso directo e televisivo, assumido pelo Clube pela voz de FJM, tornou o assunto incontornável. Sort of, anyway.

Tudo o que é introduzido à pressão, corre sério risco de ser expelido com o dobro dessa pressão. Pois, não soa lá muito bem, mas percebem onde quero chegar. Não é um nado-morto, mas nasceu torto. E o que nasce torto...


Vídeo-Captura



Havendo este vazio de preparação e planeamento, é fácil de entender o que se passou a seguir. Toca de preencher as vagas com os amigalhaços do costume, entre os quais se incluem os "meninos bonitos" dos "meninos queridos" do primeiro-ministro (o que não leva caril na receita). Tinha que dar borrada, obviamente.

Figuras autoritárias dentro de campo - porque pouco resolvidas e inseguras fora dele, de que é exemplo paradigmático Jorge Sousa e o seu outburst com um jovem GR lagarto - os árbitros lusos têm agora um palco adicional onde "exibir" as suas fracas personalidades: um mini-estúdio de televisão, isolado do mundo e sobretudo da populaça dos estádios, onde podem livremente dar asas à imaginação, "dinamizar" as carreiras e expurgar as frustrações.

O "Agueeenta! Agueeenta!" não tem nenhuma relevância per si. Aliás, é perfeitamente compreensível, à luz do que se sucedia dentro do campo: um golo acabado de marcar suscitava dúvidas no início do lance, pelo que era importante alertar de imediato o árbitro principal desse encontro.

O tom, as palavras escolhidas, a suposta emoção que delas retiram, não valem nada. São giras para parodiar, são fáceis de desvirtuar (eventualmente), mas não têm qualquer valor intrínseco. Atribuir-lhes esse valor é próprio dos mestres propagandistas, no fundo, aquilo que se pretende criticar - e com total propriedade.

O problema aqui é que ninguém se preocupou em "ensinar" aos novos VARs como se deveriam comportar, que tipo de linguagem utilizar e evitar e como proceder. Há um conjunto de indicações, sim, mas parece-me que suficientemente vagas ou "abertas" para permitirem desempenhos quase antagónicos por parte dos diferentes VARs. No fundo, ao sabor das suas personalidades - que, como já vimos, não são muito recomendáveis.


- Fora de jogo! Fora de jogo!


Ultrapassadas as questões da aparência, vamos ao que realmente importa: a essência.


Same Old, Same Old



Aqui é que está, obviamente, o cerne do problema. Os VARs são os árbitros, os mesmos árbitros que andam há (pelo menos) quatro épocas a inclinar estádios sempre a favor do mesmo - este Benfica dos sem-vergonha. Seja por amor, carreirismo ou incompetência; seja intencional, subconsciente ou por mero azar; o facto é que o fizeram e continuam a fazer. Não sei se são todos ou apenas alguns, sei sim que são em número suficiente para desvirtuar o desfecho final das competições. É factual.

E sendo os mesmos, o que esperavam que acontece? Que se transformassem ao entrar no bunker, despindo as suas vestes sujas à porta? Que lá dentro, como que por milagre, fossem diferentes do que são quando estão no campo? Claro que não.

Havia quem achasse que, estando agora perante imagens e repetições sem fim, se inibiriam de ajuizar "mal". Qual quê... a discussão de lances de futebol é uma demanda interminável, raramente há duas cabeças de cores diferentes que vejam o mesmo (até da mesma cor, caramba!), pelo que haverá (quase) sempre "espaço" para a leitura própria do VAR, seja ela qual for.

Os mais pessimistas dizem que agora "são dois a roubar", cada um pelo seu lado. Os menos, apostam na referida inibição. Mas ninguém sério se tranquiliza com o VAR. Porquê?


Eu transmito, tu confias, ele dá o jeito



Porque as pessoas são as mesmas. Porque os vícios são os mesmos. E também porque há um clube - o dos sem-vergonha, claro - que goza de uma prerrogativa única: controlar as transmissões dos seus próprios jogos. Decidir, a seu bel-prazer e sem qualquer supervisão, que imagens mostrar e que imagens sonegar. Que câmaras utilizar nas repetições de cada lance duvidoso, que linhas virtuais aplicar e com que precisão.

É tão absurdo que, contado lá fora, ninguém acredita. Como foi possível? - perguntam.

Foi possível porque andamos todos a dormir ou a fazer de conta, enquanto as coisas se faziam, em particular a direcção do nosso Clube, preocupados antes sabe-se lá com quê. Acordaram "agora", muito tarde, pelo que a tarefa de desmontar esta teia insalubre será muito mais hercúlea.

Foi possível porque vivemos num país de gente pobre - não (só) de dinheiro, mas sobretudo de ideias e formação. Gente essa muitíssimo bem representada nas direcções de quase todos os clubes. Os mesmos que se vergam, que se sujeitam aos caprichos dos grandes (de um deles em particular, claro) a troco de um prato de lentilhas. E que, vai-se a ver, até festejam a derrota do seu clube em prol de um bem maior.

Foi possível porque o nosso futebol vive ainda no Portugalistão.


Concluindo, tenho sérias dúvidas de que, neste contexto, o VAR tenha vindo para ajudar o futebol. Ou melhor, que tenha condições para o fazer. A única solução que vislumbro para o viabilizar e credibilizar é o recrutamento de um quadro totalmente novo, isolado destas sacristias e missas cantadas, convenientemente treinado e avaliado regularmente pelos seus desempenhos. Estrangeiros, se possível.

Caso contrário, enquanto for o polvo quem mais ordena (padres e vídeo-padres), o VAR acabará por ser mais um dos seus tentáculos. O que é uma pena, porque poderia de facto ser um passo em frente para este jogo magnífico que é o futebol.



Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco



sábado, 9 de setembro de 2017

Isto Só Lá Vai A MAL!


Acabei de ver a filhadaputice que foi a arbitragem dos Sem-Vergonha - Portimonense SC. Um jogo completamente subvertido pelos sacanas do apito e video-apito. Se o não-penálti de Vila do Conde foi um abuso, este vai muito além: é um ROUBO descarado, propositado e encomendado. Cereja no topo do bolo, a expulsão. 

Os VARs reviram o lance? Se sim, a sério que esperam que eu ou alguém acredite que acharam, em consciência, que era mesmo penálti e expulsão? Sem a mais pequena dúvida? Se não, para que merda servem afinal?

Já no lance que uns segundos depois resulta no novo empate do Portimonense, com apenas 10 jogadores (contra 16), o que despoletou a inquietação dos VARs, quando o fiscal de linha nem dúvidas teve e o "árbitro" se preparava para validar o golo? Terá sido mesmo o eventual offside no início da jogada? 

NÃO. Foi o sem-vergonhismo de coração e/ou carreira quem fez soar o alarme. 

E como puderam ter a certeza que estava mesmo em offside em igualmente poucos segundos, sem qualquer auxílio virtual sobre as imagens?

NÃO PUDERAM.. Ao invés de beneficiar quem ataca, em conformidade com as instruções da IB, seguiram o coração de papoila.

O aviso foi feito com antecedência: o noviço nomeado para rezar a missa sabia mais que o vigário que se sentava no camarote. Ninguém se importou, apesar do alerta.

Esta corja faz o que lhe mandam e o que lhe mandam, como tem sido demonstrado à saciedade, é vigarizar a favor dos sem-vergonha. A bem dos seus corações e dos seus futuros.




Hoje cheguei ao meu limite.

Não deixei de ser um cidadão pacato e eminentemente pacifista, mas não tolero mais este estado de coisas. Fui educado a ser educado e cordial mesmo com os mais ordinários, mas também a saber dizer "basta" quando os valores em que acredito são trucidados desta forma.

Esta corja anda a ganhar há mais de uma década de forma ilícita e debaixo dos nossos narizes. E nós impávidos, a vê-los roubar. E a rirem-se na nossa cara.

CHEGA!

Escrever a quente nunca é boa ideia. É quase garantido que amanhã me vou arrepender de o ter feito. Mas caramba, se não for a quente, acabo por não o fazer nunca. Tal como quase todos nós, gente que se sente por ser filha de boa gente. E a caravana da vergonha continuará a passar. 

CHEGA!

Da minha parte, fica feito o aviso: tolerância zero

VAR's, árbitros, dirigentes, delegados, jornaleiros e mais o raio que os parta, leiam com muita atenção: se forem desonestos, VÃO SOFRER AS CONSEQUÊNCIAS! Vão.

Nada de actos cobardes ou despropositados nem fogo cruzado sobre inocentes. Nada disso. Nada de pinturas ou montas partidas. Não. Tudo na cara, olhos nos olhos, dos que indiscutível, propositada e repetidamente viciam o jogo.

Da minha parte, um murro no focinho logo a abrir. Sem aviso prévio. E o mais que vier a seguir. Amanhã vou ao Dragão, com a infelicidade de me poder cruzar com vários destes artistas. Livrem-se. A sério, livrem-se. Detestaria abrir o telejornal da Corja da Manha.


Portistas, se não formos nós, ninguém o fará. Já chega. Se o Clube não se mexe, se as autoridades deste país fazem de conta, façamo-lo nós. Já o sugeri e repito: vamos mil, 10 mil, 100 mil, 200 mil, meio milhão se necessário à Cidade do Futebol, a ver se eles percebem. E se não perceberem, nós explicamos. À moda do Porto.

Se não vão a bem, hão-de ir a mal. Cambada de filhos de varejeiras sarnentas e sem vergonha. A promessa está feita e o desafio lançado.



Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco


quarta-feira, 6 de setembro de 2017

L. Fantoche V.


Após um período de algum marasmo, eis que o UPdB voltou a fazer uma revelação digna desse nome. Foi no programa de ontem que FJM desvendou mais uma faceta do modus operandi deste polvo vigarista e bacoco, liderado pelo famoso estadista, o General Ventoinhas. Ou não será assim?


- O que passou se?


É pois, mas nem tanto. Cada macaco no seu galho, ou melhor, cada cefalópode no seu buraco. É que o "general", quiçá consciente das suas terríveis e inultrapassáveis limitações, culturais e cognitivas (quem não as tem?...), concentra-se nos assuntos onde se sente mais à vontade: as negociatas. Sejam de jogadores, construções ou farinhas, é ele quem lidera tudo. 

Se meter coisas mais elaboradas ou gente mais sofisticada, entra em campo o Domingos. Se tiver a ver com os contornos da lei, chama-se o Gonçalves. Quando se trata de imprensa - livre ou açaimada - vai o Bernardo. Já responder a entrevistas fajutas, é com o Galamba. Tudo muito profissional naquele clube, cada tentáculo en su sitio.

Aparentemente, tudo bem. Só que não. 

Há uns dias e a propósito da negociata Mitroglou, um empresário envolvido apelidou Vieira de ser um "4 em 1". Acertou, mas não da maneira que imaginava. Domingos, Gonçalves, Bernardo e Galamba é que são o quatro em um, porque o "um" não tem capacidade para o fazer por si só. Nem interesse, nem tempo, estrebucharão os seus lacaios.

Talvez assim seja, mas nada justifica ou torna admissível o que FJM revelou sobre as famosas entrevistas de regime de ano novo, que A Bola "faz" religiosamente "ao presidente" do Benfica.

Aspas porquê? Porque o pasquim, na realidade, não entrevista ninguém. Garantidamente, não o presidente do Benfica. Envia as perguntas por email, mas é o referido "4 em 1", o póker de mosqueteiros ao serviço da eminência parda, quem elabora as respostas e as devolve ao jornaleiro. Ao Ventoinhas, toca apenas tomar conhecimento e, admite-se, dar um ou outro palpite nas perguntas que envolvam negociatas.

FJM disse-o com todas as letras: é uma FRAUDE. Eu acrescento: de várias dimensões. 

Do pasquim, que engana os seus leitores mas não só (quem o lê, gosta de ser enganado, e por isso até não seria grave), muitos outros meios se servem do conteúdo para propagar as mensagens nele contidas; de Vieira, porque assume a autoria de algo que não fez; do Benfica, porque se faz "ouvir" subrepticiamente por uma quadrilha de ventríloquos que, à vez, vão desbobinando a propaganda, cabendo ao presidente o triste papel de fantoche, que abre e fecha a boca em sincronia mas sem emitir um único som.

O que se retira disto?

Que um burro, mesmo com diplomas, riquezas ou títulos, será sempre um burro. Seja ele presidente, sócio votante ou leitor de pasquins.

E que a falta de vergonha desta gente tende para mais-infinito.

Amén.


Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco




quarta-feira, 9 de agosto de 2017

A Reconquista: Primeiro Andamento


Começa hoje a nossa caminhada desportiva rumo à reconquista do título de campeão nacional.

Uma vez mais com um novo treinador, uma vez mais a começar do zero e (também por isso) atrás dos outros candidatos. Sinais de tempos que se fecham. Apesar da tendência, este ano carrego uma confiança que já não sentia desde a chegada de Paulo Fonseca.


Bruno Sousa

Bem sei que o que aconteceu depois não justificou essa confiança, mas o que releva aqui é a minha crença naquilo que Sérgio Conceição pode conseguir. Gostei quase sempre do que o ouvi dizer, fosse antes ou depois dos jogos de pré-época, que aliás foram também quase todos interessantes de se ver.

A seu favor, tem o seu carácter (desde que o contenha nos limites do razoável) e um plantel claramente melhor do que PF tinha. O final do mês ainda está longe, pode haver mudanças significativas, mas nem assim creio que esta "verdade" deixe de o ser. 

Tem também o inequívoco e entusiástico apoio da esmagadora maioria dos Portistas, que aliás já foi apelidado de Mar Azul. Gosto da boa onda que sugere. Um imenso Mar Azul cujas ondas de espuma branca encontrarão a sua praia na costa da Glória.

Hoje é o primeiro jogo do resto da vida do nosso Clube. Lá estarei, como sempre. Vamos a isso!


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Fora do campo, a batalha já recomeçou ontem, com a rentrée do Universo Porto da Bancada. Os mesmos protagonistas pré-férias numa exibição morna, ainda à procura do melhor ritmo competitivo.

Foi, todavia, suficiente para se saber (ou melhor, comprovou-se com factos o que já se sabia) que este Benfica está mesmo tomado de assalto por uma corja de vigaristas sem-vergonha, que não hesitam em recorrer a qualquer tipo expediente, mesmo se ilegal (sobretudo se o for, digo eu), para conquistar fora de campo aquilo que não conseguiriam apenas dentro. 

E sempre devidamente auxiliados por um exército de lacaios sem escrúpulos, estrategicamente colocados em posições decisivas nas estruturas do futebol. Ontem, foi necessário voltar-se a conspurcar a transmissão do Porto Canal com o odor putrefacto de duas ratazanas de esgoto: Ricardo Costa, o justiceiro cego (pela luz do candeeiro) e Ferreira Nunes (a.k.a. Frankc Vargas), o tal das classificações dos árbitros aquando da descida de Marco Ferreira, no auge do #colinho. Ambos, sempre em modo lambe-botas, dispostos a dar tudo para ser os mais queridos. Nojento(s).

Ainda sem outros factos que não fosse o ter assistido aos jogos, escrevi convictamente logo no início deste blogue, em 2015 (na segunda parte deste post):

"Desde 1994 que o Benfica não ganha um campeonato por seu exclusivo mérito"


Pois agora ratifico o que disse, actualizado com a pouca-vergonha que foi a treta do ano passado.

Mal sabia eu que algum dia se haveria de demonstrar publicamente os "processos" que o comprovam. Simplesmente vergonhoso, até o Benfica salazarento merecia melhor sorte. Não a tendo, são o que são: um bando de desavergonhados. Todos eles, os que perpetram os crimes e os que festejam assobiando para o lado como se nada fosse. Todos.


VAR = Vícios Antigos Renovados


Por muitas denúncias que tenham sido feitas e se venham ainda a fazer, que ninguém se iluda: o polvo orelhudo está bem vivo e não afrouxará a pressão dos seus tentáculos antes que lhe seja cortada a cabeça. Até que se faça alguma justiça neste país candeeiro, o polvo reinará. A vergonhosa "exibição" do vídeo-árbitro na Supertaça é a prova mais evidente. E só um Porto muitas vezes melhor conseguirá ganhar apesar dele.


Por tudo isto e sobretudo pelo Porto, a batalha recomeça hoje. Contamos contigo, meu caro Portista?



Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco




terça-feira, 1 de agosto de 2017

A Verdade Alternativa: Se Outros Calam, Gritemos Nós


Transcrevo na íntegra o comunicado de hoje do Clube, a propósito das mais recentes declarações do cabecilha dos sem-vergonha:

"A VERDADE ALTERNATIVA

No futebol português há umas regras para todos os clubes e uma bolha de exceção para o Benfica, que permite ao clube da Luz viver em permanente regime alternativo, submetendo-se às regras e aos regulamentos da forma que lhe apetece e mais convém. Isto acontece devido à cumplicidade de várias entidades, desportivas e não desportivas, mas agora atingimos um nível de sublimação com o presidente do clube a afirmar sem se rir que desconhece a existência de claques no clube.

Mais do que uma forma ardilosa de procurar eximir-se às responsabilidades de apoiar duas claques ilegais, como são os No Name e os Diabos Vermelhos, Luís Filipe Vieira goza com todos os adeptos de futebol, com as autoridades desportivas e com a polícia, que ainda na última época levantou dezenas de autos devido a incidentes protagonizados pelas duas claques. Aliás, esta situação é conhecida ao mais alto nível, designadamente pelo primeiro-ministro e outros membros do governo, que nos últimos anos assistem a jogos no Estádio da Luz.

E não, não se trata de uma questão semântica, entre grupo organizado de adeptos ou de sócios, as claques do Benfica existem, Luís Filipe Vieira sabe disso perfeitamente, sabe-o tão bem que o Benfica até paga o aluguer de carrinhas para transportar esses adeptos, sabe-o tão bem que o treinador da equipa principal dá os parabéns em conferência de imprensa quando as claques fazem anos. Sabe-o tão bem que cede instalações no estádio às claques, sabe-o tão bem que as claques beneficiam de bilhetes a preços reduzidos…Pior, muito pior, sabe-o muito bem, pois certamente não se esqueceu de que em abril deste ano a claque No Name foi mais uma vez responsável por uma morte de um adepto. Infelizmente, nem este género de tragédias faz esta gente ter um pouco mais de decoro e responsabilidade. E que só acontecem devido à cumplicidade dos sucessivos governos, incapazes de fazer cumprir as leis.
"





Considero-me um democrata, ainda que com reparos; simplesmente não observei até hoje nada melhor. Sou também anti-violência, seja ela de que tipo for. Mas há momentos em que é preciso fazer frente, sem reservas, àquilo que ameaça os nossos valores e as nossas crenças mais profundas.

Não é só o terrorismo que ameaça o nosso modo de vida democrático, português e ocidental. São também os Maduros desta vida, quando indevidamente escoltados e respaldados por quem jamais poderia quebrar o seu juramento de defender o interesse público e a democracia acima de qualquer outra coisa.

Esta corja liderada por este bandido Vieira tomou de assalto todas as instituições relevantes da nossa democracia. Só assim se explica a impunidade com que se exibe todos os dias. Só assim se explica que o cabecilha seja um dos maiores devedores à banca (falida) e nada lhe aconteça. Só assim se explica que a fraca gentalha que nos governa se permita sentar-se e ser vista ao lado do cabecilha. Só assim se explica que as instituições judiciais teimem e tardem a investigar sem reservas tudo o que já se sabe sobre as actividades do cabecilha, dos seus lacaios e dos gangues que patrocina. 

Pode soar a exagero, mas não é. É factual. Estamos já num ponto onde qualquer um se pode interrogar sobre a validade deste regime putrefacto em que vivemos. Como se não bastasse já esta classe política que há anos nos desgoverna, governando-se e aos seus, temos agora um estado-sombra - um narco-estado-sombra - que consagra um regime de excepção e total impunidade aos sem-vergonha

 


Da maneira como vejo as coisas, há duas opções

a) ou as instituições que são os pilares da Democracia expurgam (com celeridade) do seu ventre quem compactua com os golpistas do bigode e retomam o seu normal funcionamento, devolvendo a todos os cidadãos a essencial confiança na sua actuação imparcial e de acordo com as leis da República;

b) ou a situação se mantém e inevitavelmente se agrava pela disseminação da doença, o que obrigará a que todos os que amam a Democracia sejam forçados a clamar por justiça pelos seus próprios meios. 

Pode soar a exagero, mas não é. Quando comecei a sátira Portugalistão, não imaginava que a podridão pudesse ser tão profunda e estar tão enraizada na nossa democracia. Mas está - e acreditem em mim: nada de bom poderá advir deste estado de coisas. 

Todos os grandes fogos começam com uma pequena chama. Eu estou disposto a fazer o que for preciso para que a minha nunca seja uma terra queimada, e vocês?



Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco