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sexta-feira, 8 de abril de 2016

O Bom, o Mau e o Vilão


"Palavras Proibidas: Doyen, Xaninho, EuroAntas."

Terá sido este o recado entregue por um solícito membro da comissão de recandidatura ao bom do Juca Magalhães. Ou então foi apenas coincidência, ou impreparação do entrevistador, mas bem que poderia ter sido.

Porque qualquer uma delas colocaria o presidente Pinto da Costa numa posição, mais do que incómoda, quase indefensável. E como ninguém quer um presidente (ainda mais) enfraquecido logo no arranque do novo mandato, ficaram e bem por dizer. No entanto, muito foi dito. Vamos lá à análise, com a ajuda de Sergio Leone.




O Bom



Candidatura para o futuro. Na linha do que tenho defendido, o presidente afirmou alto e em bom tom que não quer ser eleito pelo que já fez mas sim pelo que se propõe fazer no novo mandato. Mesmo sem sabermos muito bem o quê, sabemos pelo menos que reconhece que "batemos no fundo", "que as coisas estão mal" e que "é preciso voltar a por as coisas como eram" e que se sente com capacidade para dar a volta já na próxima época, feita que está "a radiografia" para que se possa "corrigir o que está mal" e "não voltar a cometer os mesmos erros". 

Assumir finalmente a paternidade de um erro chamado Lopetegui. Foi bom, mas ficou curto, como veremos mais abaixo.

O presidente-adepto. Que por um lado, "se junta ao coro de protestos" e por outro, "aceita e compreende" esses protestos. Conseguiu reaproximar-se das pessoas com este discurso. E isso é importante para o clube.

O discurso para o balneário, colocando um ponto final imaginário nesta época e desafiando os jogadores a provarem que merecem cá continuar nos seis jogos que faltam. E treinador também, deduzo. Pelo caminho, renegando todos os que cá chegam já a pensar noutros voos. Excelente, se for levado à prática. Frases fortes:

"Queremos equipas com qualidade e carácter." 

"Para o ano vamos ter uma equipa a jogar à Porto."


"All-in" para o Jamor. Ficou bem claro que não admite outro cenário que não seja ganhar a Taça (e na minha opinião, é condição necessária para a continuidade de Peseiro - mas talvez não seja suficiente). Evidentemente mesmo que já tenha na sua cabeça a dispensa do treinador, não o poderia dizer. Não sem ter o próximo contratado e claro, sem antes ter disso avisado o actual. Eu já o disse e reafirmo, para mim não tem what it takes para ser treinador do Porto.

Reforço da mensagem na aposta "a sério" na formação, alicerçada no projecto do novo Centro de Treino. No imediato, os regressos de Rafa e Octávio na próxima época. Já sobre Josué, tenho sérias dúvidas. E ainda sem sair da Académica, então e o Gonçalo e o Leandro? E da equipa B, sobe alguém? Para esclarecer mais adiante.

Provedor do Adepto. Sendo a minha uma das muitas vozes que, por várias vezes, se insurgiram contra o tratamento frio e distante a que todos temos sido vetados enquanto sócios, só poderia ter ficado contente com o reconhecimento deste problema e pelo desenho de uma "solução" para o resolver. Não espero que este provedor faça magia de um dia para o outro, conforme já referi é sobretudo um problema de "cultura clubística" (ou da sua falta; e que se transmite de cima para baixo), mas pode ser um primeiro passo nesse sentido. Esperemos que a pessoa escolhida tenha sensibilidade para a coisa e real acesso às esferas de decisão.



O Mau



Comissões: a pior parte da entrevista, felizmente foi logo a primeira. Nada do muito que disse sobre o assunto me convenceu. Atribuiu o sucesso das contratações de Layún e Corona às comissões pagas (elevadas, infere-se do raciocínio), porque caso contrário não seria possível levar a melhor sobre "clubes ingleses que recebem 10x mais de direitos televisivos". Como assim, presidente? É a comissão que se paga aos intermediários que faz com que estes desistam de melhores condições oferecidas noutras paragens aos seus representados? Não bate certo. E na questão Rúben Neves então, enfim, "os pés pelas mãos". Decisivo só mesmo o que ficou por dizer.

Indisponível para enfrentar o #colinho. Questionado quanto a uma postura pouco interventiva, a resposta que saiu espontanea foi "não sei o que quer dizer", para de seguida discordar, justificando com o facto de o clube ter um vice-presidente na direcção da Liga... Ainda preso pelas algemas do infame Apito Encarnado? Se sim, (outro) alguém tem que dar a voz e a cara pelo clube. Se não... não sei. 

Não assumir o erro Lopetegui na sua plenitude. Faltou referir-se (ou melhor, faltou a pergunta) aos motivos que o levaram a renovar a aposta após o fracasso que foi a primeira temporada. E faltou também explicar por que motivo não o segurou até final desta, sobretudo considerando que não havia ninguém interessante pronto para o substituir. E já agora, como se chegou a este ponto, em que muitos treinadores, até mesmo com pouco curriculum, desdenham vir para o Porto. 

As "Palavras Proibidas". Pode ter sido importante para evitar um desgaste maior da imagem do presidente, mas o preço a pagar é continuarem a latejar nas veias dos portistas durante muito tempo, com o rótulo "culpado" bem à vista. 

 - "EuroAntas": a fórmula milagrosa para o aumento de capitais próprios e do activo no exercício passado. Referi-los sem explicar como foi feito e do que se abdicou por isso, é no mínimo pouco sério. Ou então percebi mal. Mas se não percebi, estamos a falar da incorporação do Estádio na SAD. Ou seja, é apenas e só um artifício (ou "ferramentas", segundo a versão do R&C) para adiar por mais uns tempos ficarmos sujeitos às penalizações introduzidas pelo Fair-Play Financeiro (F-PF) da UEFA. Necessário, conforme se deduz. Mas que significa que em última análise o Estádio deixou de estar directamente na esfera do Grupo FC Porto, passando a pertencer à SAD. No limite, se esta falir e fechar portas, bye bye estádio. Pouco provável? Talvez, mas possível.

 - "Doyen": para mim teria sido fundamental ouvir o presidente explicar com algum detalhe o tipo de relação que o clube (através da SAD) tem com estes "mecenas" do futebol moderno. Ok, talvez agiotas seja mais apropriado. Seja como for, assuntos como o scouting, os financiamentos (empréstimos) e o catálogo carecem de esclarecimento, para que todos possam perceber da bonomia ou da necessidade imperiosa da sua existência.

 - "Xaninho": já abordado aqui.



O Vilão



Lopetegui: a raíz de todos os males, fazendo fé no discurso do presidente. Como se não tivesse havido imediatamente antes outra aposta falhada e (também ela) incompleta. Quem me tem lido ao longo deste ano de vida, sabe bem que desde Munique rejeitei em definitivo o basco. E que fiquei desolado com a notícia da sua continuidade para nova temporada. Mas sabe também que defendi que, feita essa opção, deveria ter continuado até final desta época, para se poder avaliar em definitivo todos os seus "méritos" ou a falta deles.

Não aceito que agora impute todas as culpas ao treinador, exceptuando a sua por "ter confiado nele". Quem dirige o clube, quem foi eleito pelos sócios, é que tem a última palavra. Nas contratações e em tudo o resto. É que, infelizmente, os nossos problemas são muito maiores do que os flops Adrián Lopez e Campaña.


Sem grande interesse, assistimos à continuação da sua querela pessoal com Fernando Gomes (presidente da federação), a apresentação da lista para o próximo mandato (excepto provedor), os louros do negócio MEO e a desvalorização dos "blogues sem rosto". Fico feliz em saber que houve franca evolução desde a entrevista anterior e que o presidente já começou a reparar nos blogues "que lhe mostram de vez em quando". Ainda há esperança, portanto.


Em jeito de conclusão, não foi mau. Considerando o contexto, não foi mau. Hesitações (comissões) e "confusões" (contas) à parte, conseguiu projectar pujança e determinação. Mostrou-se confiante em dar a volta já no próximo ano e com isso devolveu alguma confiança aos portistas e terá acalmado os ânimos rumo ao acto eleitoral. Várias questões continuarão pendentes, mas se voltarmos a ganhar de imediato, muitas regressarão para segundo plano.

Está dito, agora faça-se.


Como nota final, não posso deixar de qualificar como uma canalhice os petardos e as tarjas, acrescentando que também eu tenho sérias dúvidas quanto à sua real origem.



Do Porto com Amor




sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

A Norte, nada de novo


Não se me oferece dizer muito sobre uma entrevista pouco esclarecedora e até enfadonha em certos momentos. Ainda assim, vamos lá.




Ao contrário de muitas outras entrevistas dadas ao longo dos anos pelo presidente Pinto da Costa, esta nem sequer foi um momento especialmente bem passado. Assisti até ao fim, naturalmente, mas com o interesse a diminuir à medida que a conversa avançava. Foi-se passando ao de leve por temas importantes, mas nenhum foi verdadeiramente aprofundada e ainda menos esclarecido. 

Não contava que fossem feitas estas 20 perguntas, não só pela deferência natural (sem ironia) do empregado pelo empregador, mas porque fosse onde fosse, ninguém se atreveria a colocá-las a não ser que estivesse preparado para ter um final de carreira precoce, no que concerne ao assunto F.C. Porto. E os que adorariam fazer essas perguntas com o único intuito de nos atacar, jamais teriam a oportunidade. Felizmente.

Portanto, esperava uma dança tranquila em que o Júlio dava o mote mas quem marcaria o passo seria Jorge Nuno. E assim foi. Aqui fica o que retive da entrevista e o que ficou por dizer:


- O inevitável anúncio da recandidatura. Não foi notícia, era evidente que iria acontecer. Ficou-lhe bem dizer e repetir que o clube não é uma monarquia e que portanto não há sucessões e que todos os sócios (que cumpram os requisitos x5) se podem candidatar. Gostaria de o ter ouvido ir mais longe, apelar a quem o critica para se apresentar a votos com propostas alternativas.


- O pesadelo Lopetegui. Como esperado, caiu tudo sobre as costas do basco. Desde "não compreender o futebol português" ao flop (até ver) de Imbula, passando pelos "passes da esquerda para a direita". E quem me lê, sabe o que eu penso dele. Mas o Juquinha deveria ter tido a coragem de perguntar por que motivo foi sempre o treinador a dar a cara contra árbitros, paineleiros e jornalistas, sem defesa pública de ninguém da SAD. E porque motivo o despediram agora, seis meses depois de lhe terem renovado a confiança sem nada que o justificasse. E porque o fizeram sem ter solução para o substituir. Peseiro não estava contratado. Terá sido sondado após o Rio Ave, como foi dito, mas certamente que não foi o único. Nem o primeiro.


- O negócio Adrián. Foi bom que o tivesse abordado, de tão mal que resultou. E ter reconhecido que foi um erro. Só lhe fica bem. Mas não explicou tudo. E há muitos outros negócios, todos "pequenos", que somados causam uma mossa muitíssimo superior. O tal exército de emprestados e dos "estranhos casos" da equipa B e o seu não aproveitamento. Juca bem tentou mas o presidente "calou-o" com Rúben Neves, como se fosse suficiente. "Está a começar a dar frutos". Qualquer dia caem de podres...


- O "Xaninho". Foi o momento de maior embaraço na entrevista, que aliás deve valer um cartão amarelo ao Juca no final do evento, por entrada imprudente. Notou-se o desconforto com que o presidente abordou a questão, começando por não responder, agarrando-se (longamente) a explicar a contratação de Suk. Depois lá falou do filho e do seu envolvimento nos negócios do clube, mas não disse o que não podia dizer. Nem da relação entre ele e Antero. É um dos pontos negros das últimas presidências e não antevejo que termine antes que saia.


- Baía e Fernanda. Outro ponto baixo da entrevista. Felizmente não atacou o Vitor directamente - sabe bem do carinho que uma grande minoria tem por ele, pelo seu passado como jogador - mas endossou-o pela sua esposa. Excessivamente, diria. Repetiu várias vezes que a senhora só o fez para "defender pessoas que lhe são queridas" (...), ao mesmo tempo que frisava que não se sentiu pessoalmente atingido. E não foi - directamente; mas foi pelas suas escolhas em quem o acompanha, quer queira, quer não. E por isso mesmo, a sua potencial candidatura levou (compreensível) nega por ser "apoiada pelo CM".

Já agora, aproveito para abordar esse assunto e arrumá-lo. A senhora tem todo o direito de se expressar como bem entender, mas não pode nunca perder de vista que é casada com o presidente do FC Porto e como tal, tudo o que disser será escrutinado e terá impacto. Seguindo o raciocínio, espero que tenha sido a primeira e a última vez que se expressa publicamente sobre assuntos do clube. Lembro-me bem do outro ponto negro - a escritora Carolina - e jamais aceitarei que se repita. Esta senhora, Fernanda Pinto da Costa, tinha sido absolutamente exemplar até agora, pelo que espero que tenha sido apenas um impulso irreflectido e único.


- Continuo sem saber por que motivo não há a intenção para ter futsal no clube. Para mim, seria "o projecto" que gostaria de ver anunciado. Não desprezo a revelação sobre o "centro de formação", porque pode de facto vir a ser importante no futuro do clube. Só não sei onde encaixa o actual da Constituição, mas certamente teremos mais detalhes com o tempo. Imagino que seja fora da cidade, à semelhança do centro do Olival, mas aguardemos. 


- As águas tranquilas em que navegámos. Não se dispara sobre a arbitragem (como se a época passada nem tivesse existido) excepto para insistir na questão da conflitualidade entre Vítor Pereira (que por lá continua a fazer das suas) e do avaliador dos árbitros Ferreira Nunes (até deu para elogiar Duarte Gomes, veja-se bem), nem sobre os rivais (uma ligeiríssima farpa ao Sporting), nem sobre a FPF do "Dr. Fernando Gomes" e muito menos sobre a liga do "Dr. Pedro Proença". Tudo na paz do senhor dos futebóis. Que maravilha... 


- Sobre o negócio televisivo nada de relevante, apenas um remoque à NOS e ao fedorento (sempre bem aplicado).


- Gostei, finalmente, que convocasse todos a apoiarem Peseiro e a equipa, ainda que gostasse de ter sentido mais convicção quanto à real possibilidade de ganharmos o campeonato. E a propósito, dizer que os assobios são "para o modelo de jogo" é dizer meia verdade ou desconhecer a outra metade (o que não acredito). Eu não assobio, mas não é difícil perceber que eles são para o treinador, jogadores, administradores e sim, também para o líder, ainda que com a natural deferência para com quem tanto fez pelo clube.


Como por certo repararam, coloquei vários links de artigos d'O Tribunal do Dragão, um dos meu blogues preferidos da bluegosfera e o que mais informação relevante dá a conhecer da vida interna do clube. Naturalmente não tenho como saber se tudo o que lá se escreve é verdadeiro, mas até agora, também não tenho motivos para duvidar. Que continue com o seu bom trabalho.


E pronto, já está. Vou dormir e sonhar com dois centrais e um goleador (pela entrevista, parece que só mesmo em sonhos).


Do Porto com Amor