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segunda-feira, 18 de setembro de 2017

A Mudança Nos Arcos da Liderança


Na tarde solarenga (e sem vento!) dos Arcos, o ovo-surpresa eclodiu assim que me chegou aos ouvidos o onze inicial. Pensava eu que eram águas passadas, de outros carnavais, isto das mudanças radicais de um jogo para o outro... mas afinal, parece que não. 




O que me preocupa, a única coisa que ainda me preocupava após o apito final que confirmou a nossa vitória, é a situação de Óliver. Não percebi o que se passou, nem na quarta, nem ontem. A saída ao intervalo foi estranha, mas, enfim, coisa de treinador impaciente, pensei. 

Já a relegação para o banco contra o Rio Ave não "encaixa", extravasa o jogo da Champions e sugere algo mais. Não sei se sim ou se não, mas preocupa-me. Por Óliver, mas principalmente... pelo resto. Já veremos o que nos reserva o próximo capítulo.

Nos Arcos, onde a bola rolou, jogava-se um encontro fundamental para a época Portista. Depois do circo ter ardido no Bessa e da vitória confortável do Sporting, a nossa resposta tinha de ser uma vitória. Apenas e só uma vitória.

Sérgio Conceição apostou numa mudança "radical" e deu-se bem. Além do espanhol, também Corona foi preterido no onze. Quem subiu ao palco foram Otávio... e Herrera. Sim, Herrera. No lugar de Óliver. 

Como seria de esperar, o nosso jogo não foi pensado. Não havia quem. E também não foi pausado, controlado, com bola, quero dizer. Não havia quem. E assim sendo, o plano só poderia ser um: pegar na bola e zarpar rumo à baliza de Cássio. Tudo rapidinho, a toque de caixa... a bola estava pouco tempo em nossa posse, porque o plano era outro. Quer dizer, só podia ser.

Após uma primeira parte repartida mas com as escassas oportunidades a serem essencialmente nossas (a mais flagrante por Brahimi, logo ao minuto 8), a equipa regressou mais determinada em conquistar os três pontos. Sentia-se pela forma como os jogadores se entregaram desde o apito do recomeço. Não (me) surpreendeu portanto o golo ao minuto 54, excepto pelo marcador: o totalmente fora de forma Danilo respondeu da melhor maneira a um canto de Telles e abriu a contagem. Melhor ainda, ele próprio se serviu desse estimulante para subir de rendimento.

O jogo continuou repartido, com o Porto a procurar o segundo. Que chegou treze minutos depois, pelo inultrapassável Marega, concluindo uma jogada individual de Brahimi, que recebeu a bola após um passe falhado de... Marega.

Com dois golos de vantagem, suspirei finalmente de alívio. Já não escaparia a vitória. Só que... o Rio Ave não desistiu (e muito bem) e a dupla substituição não resultou conforme seria esperado. Ricardo subiu no terreno, entrando Maxi para a lateral direita por troca com Otávio; e o perdulário Abou deu o lugar a Soares

A equipa quis então controlar o jogo, controlando a bola, mas não tinha como. A pressão alta do Rio Ave, que entretanto também mexeu (bem), quase que nos obrigava a subir sem hesitar, procurando o ataque em cada possibilidade para evitar perder a bola perto dos domínios de Casillas. O "plano" parecia estar a resultar - estava a resultar, porque o adversário não conseguia criar reais situações para marcar - até que Telles se lesionou e foi obrigado a sair. 

Na sequência, ainda Ricardo estaria a reprogramar o chip para defesa esquerdo, deu-lhe um "ecrã azul" e permitiu que Nuno Santos recebesse a bola à vontade nas suas costas e batesse o indefeso Casillas. E o coração lá voltou a bater forte, pois que ainda sobravam dez minutos mais os (previsivelmente longos) descontos. Soubemos gerir a vantagem sem grandes sobressaltos e ainda espreitamos o golo da tranquilidade.

No final, vitória justíssima e missão cumprida. Uma vez mais. Siga!




Notas DPcA 


Dia de jogo: 17/09/2017, 18h00, Estádio dos Arcos, Rio Ave FC - FC Porto (1-2)


Casillas (6): Jogo sem grande trabalho, o que teve de fazer foi sobretudo pelo ar - o que não o favorece, como sabemos - e cumpriu. Sem hipótese de defesa no golo.

Ricardo Pereira (5): Foi-lhe pedido muita coisa diferente durante o jogo e - por azar - falhou de forma grave numa dessas mudanças de papel. O resto do jogo foi positivo, mas esse lance marcou-lhe a exibição.

< 80' Alex Telles (7): Mais um jogo de vai-vém, não excepcional mas seguro. E mais uma assistência de bola parada. Que recupera a tempo do próximo jogo... ou do seguinte - sem precipitações!

Marcano (7): Jogo complicado para os centrais, a exigir muita concentração e disponibilidade física. Cumpriu bem em ambas, bom jogo

Felipe (7): O mesmo que Marcano, ainda que num estilo mais rude. Sem problema.

Danilo (6): Andava entre o mau e o sofrível, até que... golo. Uma bela tolada ao primeiro poste, a inaugurar o marcador. A forma efusiva como festejou foi um prenúncio de um resto de jogo a um nível superior, mesmo sem deslumbrar "como dantes". Que tenha sido o primeiro passo nesse caminho.

Herrera (6): A surpresa maior no onze, entrou com vontade de justificar a aposta, apesar da habitual trapalhice quando se trata de lidar com a bola. Descontando esses "detalhes", esteve bem no jogo, inclusive no transporte de bola e no passe (!). Se eu não soubesse, ficaria esperançado...

< 68' Otávio (6): Não resultou em pleno a aposta, mas também não foi "tempo perdido". O espírito combativo permite-lhe ir disfarçando a presente falta de inspiração, em especial quando outros acabam por assumir esse protagonismo e os resultados aparecem. Mas... é preciso arribar, só "isto" não chega.

Brahimi (7): Teve uma perdida logo a abrir que não deveria acontecer, mas não se deixou afectar e continuou igual a si próprio. Subiu de rendimento na segunda parte, com destaque para a assistência para Marega, após boa jogada individual.

< 68' Aboubakar (5): Mais uma falha "escandalosa", que põe em causa todo o outro trabalho que foi desenvolvendo, porque se trata do corolário desejado e necessário de um ponta de lança. Não foi ontem que voltou a cair nas boas graças de todos os adeptos...




Melhor em Campo Marega (8): All abord...The Might(y) Train! É uma verdadeira locomotiva este mousso, daquelas com milhares de cavalos para puxar centenas de vagões de carga... impressiona vê-lo cavalgar campo afora, abalroando (legalmente!) quem se atrever a cruzar-se no seu caminho. Um poço de força, que dura todos os 90 minutos. Cereja no topo do bolo: um golo... de bico! Marega é isto, não se lhe peça outras coisas. E "isto", neste jogo, foi fundamental para garantir os três pontos.

> 68' Soares (5): Rendeu Abou sem ganhos evidentes. Creio ser um caso onde ambos beneficiam com a presença um do outro... e se ressentem quando a solo. Empenhou-se, teve uma meia-oportunidade e pouco mais.

> 68' Maxi Pereira (5): Entrou para a sua posição natural e cumpriu, apesar de algumas dificuldades para conter a velocidade dos avançados do Rio Ave.

> 80' André André (5): Entrou para render um lesionado e acabou também ele lesionado. No entretanto, esforçou-se para manter a sua zona de acção estanque e cumpriu. Com bola, nada de relevante.

Sérgio Conceição (7): Quis abanar a equipa depois da primeira derrota da época, mexendo na zona nevrálgica da equipa, o que - em minha humilde opinião - é sempre arriscado. O jogo correu de feição, também porque a equipa fez por isso, em particular Herrera que respondeu bem à aposta nele. Mexeu e venceu. Pouco importa se não me convenceu. Mas importa (a todos) uma voz que nos tranquilize quanto ao que se passou com Óliver, seja por palavras, actos ou... omissões. Venha o Portimonense, que já hoje deu um belo espectáculo de futebol, em conjunto com o Feirense. 



Outros Intervenientes:



Muito bem este Rio Ave de Miguel Cardoso - para mim, (ainda hoje) um ilustre desconhecido - a justificar o porquê deste bom arranque de época. Joga um futebol positivo e bem elaborado, o que é bonito de se ver e de se saudar. Mesmo perante a ausência de Geraldes, a equipa bateu-se muito bem, fruto do jogo colectivo e das boas exibições de Nuno Santos, Barreto e Rúben Ribeiro.

Quanto à arbitragem da equipa liderada por Jorge "p*t@ da baliza" Sousa, não me apercebi de nada relevante a destacar. O que só pode ser bom sinal. Os meus parabéns, portanto, por esta boa arbitragem. Não é assim tão difícil, pois não??



Segue-se a recepção ao Portimonense, já na sexta, na antecâmara de Alvalade. Fundamental, portanto. Bilhetes para o jogo aqui.



Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco



sábado, 13 de agosto de 2016

Com o Pé Direito


Começou de forma inusitada o "meu" jogo. O primeiro lance que vi, ainda a espreitar entre cabeças, foi o passe com olhinhos de Otávio para a cabeçada de André Silva (AS) à figura de Cássio. E porquê? Porque a gente boa do Rio Ave FC não sabe como organizar um jogo de futebol. 


Dois dos homens do jogo


É duro mas é mesmo assim. Eu e muitas centenas de adeptos pagámos bom dinheiro pelo bilhete (€20 no meu caso) e apesar de chegar à porta de acesso ao estádio uns bons minutos antes do início, não conseguimos entrar antes dos 20 minutos de jogo. Eu entrei aos 23... Simplesmente inaceitável, uma vergonha para a competição e que deveria merecer especial atenção à entidade que a organiza, a Liga. Não é assim que se convence as pessoas a trocar o sofá pelo estádio.

Creio já nem ter visto o primeiro amarelo a Alex Telles, porque só me "lembrei" dele quando chegou o segundo e consequente vermelho - mal mostrado, diga-se. Vi sim um Porto com vontade mas sem grande intensidade. A repartir o jogo com o adversário e com dificuldade em colocar muitas unidades em acção ofensiva. Uns fogachos da época passada, a que não será alheio o meio-campo composto por Danilo, André André (AA) e Herrera. Muito músculo mas pouca cabeça para pensar e organizar o jogo.

Para complicar, o Rio Ave adiantou-se ao minuto 36 com um lance de canto bem estudado. Tarantini bloqueou Herrera logo no início da movimentação de trás para a frente de Marcelo que chegou de rompante ao primeiro poste e cabeceou certeiro entre Felipe e Marcano, sem hipótese para Casillas.

Simplesmente vergonhoso e inadmissível


Felizmente nem houve tempo para temer o pior. Quatro minutinhos depois, Corona repôs a igualdade e a justiça no marcador. Boa iniciativa de Telles pela lateral com o cruzamento a ser desviado pelo defesa do Rio Ave para o centro da área, onde imparável AS saltou mais alto e mais forte do que ambos os centrais adversários e tocou para Corona fazer um belo golo de moinho. Ainda antes do descanso, novo lance individual de Corona, a dominar muito bem de peito e a rematar ao poste esquerdo de Cássio. 

No regresso, foram os da casa que entraram melhor... difícil de compreender, mas enfim, início de época com resquícios de um passado recente. Mas, aos 52', Herrera fez um golaço vindo do nada e virou por completo o bico ao prego. Para melhorar ainda mais, cerca de cinco minutos depois saiu-nos duplo jackpot: penálti sobre Otávio e expulsão de Marcelo. AS bateu mal mas teve a sorte de poder recarregar a culatra e fazer golo. O terceiro, que com um homem de vantagem, só poderia significar ter o jogo ganho.

No entanto, houve ainda a expulsão errada de Telles, que deixou as equipas de novo empatadas em jogadores. O Rio Ave nunca desistiu mas o Porto soube gerir bem, incluindo as substituições. Primeiro Layún por Otávio para refazer a defesa e depois a estreia de Depoitre e novo voto de confiança em Adrián.

Quantos aos primeiros 23 minutos, que só vi posteriormente e já em casa, gostei da entrada impetuosa e afirmativa. Pena só ter durado dez minutos. Depois o Rio Ave equilibrou, porque nós afrouxámos o ritmo.

Valeu sobretudo pela capacidade de reagir bem à desvantagem, pelos bons golos e pelos três pontos. Há ainda muito para afinar, incluindo o próprio plantel. Em campo, é preciso quem comande a equipa. E que os jogadores não percam os posicionamentos em situação defensiva, foram demasiadas as possibilidades de remates concedidas à entrada da área. Mas foi bom. É sempre bom começar a ganhar. Já veremos o que farão os outros.


A festa de mais um golo numa bancada cheia de dragões



Notas DPcA: 

Dia de jogo: 12/Ago/2016, 20h30, Estádio dos Arcos. Rio Ave FC - FC Porto (1-3).


Casillas (6): Uma boa defesa a remate de meia distância e um disparate com os pés. Típico Iker. 

Maxi (6): Comentei (sem graça) que a espaços parece puxar um arado, tal a dificuldade com que se locomove face aos demais. Não sei se é da idade que não perdoa ou um passageiro momento de (má) forma. Mas se não melhorar, vai ter dificuldade em continuar indiscutível no lugar... Em todo o caso, fez o seu papel como seria suposto.

Telles (6): Esteve bem em todos os terrenos, com destaque para os dois passes que acabaram por acabar em golos mais adiante (primeiro e terceiro). Não o vou penalizar pela expulsão forçada, mas tem obrigatoriamente de ser mais cuidadoso quando tiver um cartão.

Marcano (6): Esteve certinho, não meteu água (mas tentou uma e outra vez). Para mim basta. Shhhhh...

Felipe (6): Exibição com oscilações, intercalando domínio total do jogo aéreo com passes consecutivos para o adversário. Precisava mesmo da ajuda do Prof. Doutor Ricardo Carvalho para um doutoramento rápido em futebol europeu.

Danilo (6): Esteve menos bem do que aquilo a que nos habituou, especialmente com bola, onde exibiu alguma lentidão e indecisão. Está a recuperar o atraso na preparação, conto (espero) vê-lo um pouco melhor já com a Roma.

Herrera (7): Já estava pronto para soltar o meu preconceito de estimação quando... PUM! Tiraço de longe e a inesperada vantagem no marcador oferecida com sal e tequilla. Isso tem sempre que ser valorizado. Mas sendo justo, o resto também não foi mau. Foi oscilante, como sempre é com este hombre. Será que Nápoles e Juventus tinham olheiros em Vila do Conde?

André André (6): Nota-se que está a tentar ajustar-se aos novos requisitos do treinador e também se nota que ainda não lá chegou. Eu acho, cada vez mais, que ou joga ele ou Herrera. E ontem, o mexicano foi bem mais decisivo.


O momento do penálti falhado e "recargado"


< 82' Melhor em Campo Corona (8): Muito bom início de época de Tecatito, esperemos que dure mais do que na época de estreia. Muito mexido, confiante e disposto a ajudar Maxi. Golo muito bom, pleno de oportunidade (e qualidade) e sempre a pôr em água as cabeças dos defesas contrários. Muito bem, bom de início ao (seu ) fim.

< 68' Otávio (8): Decisivo mais uma vez, ao sofrer o penálti que ditou a expulsão e resultou no terceiro golo. Mas antes já tinha feito muita coisa boa, sempre a procurar ganhar sobre o marcador directo e à procura de um companheiro em zona de finalização. Muito bem. 

< 78' André Silva (8): Grande jogo, para lá da assistência para Corona e do golo na recarga ao penálti (a rever, obviamente). Lutou muito, ganhou muitas bolas e desgastou todos os que o tentaram parar. O verdadeiro trabalhador para a equipa. 

> 68' Layún (6): Demorou uns minutos a entrar no jogo, assim que o conseguiu foi o que costuma ser, com o bichinho do ataque dentro dele e sem grande vontade de se "chatear" a defender. Cumpriu ainda assim. 

> 78' Depoitre (5): E assim se estreou o nosso pinheirinho, sem oportunidade para mostrar muito, mas com vontade. E já se viu que sabe fazer uso do seu metro e noventa e um. Pode ser útil, sim senhor.

> 82' Adrián (5): Voto de confiança renovado... e correspondido. Cerca de 10 minutos em campo, ajudando a equipa a gerir o resultado e tentando sair sempre que possível.

Nuno Espírito Santo (7): Começou a ganhar, não se podia pedir mais. Em especial porque começou a perder no jogo e conseguiu a reviravolta. O jogo correu sempre bem, é verdade, mas disso não tem culpa. Depois do terceiro e da nossa expulsão, geriu com cautela e doseou esforços. Bem.




Outros intervenientes:


Fixem este nome: Gil Dias. Muito interessante o jogo deste menino, desinibido e cheio de intencionalidade nas suas acções. Abusou no apego à bola, mas a paixão é mesmo assim. De resto, uma equipa ainda com bastante por fazer.

Fábio Veríssimo teve um critério largo mas pouco uniforme, mas tal não seria suficiente para ter nota negativa não fosse o erro na expulsão de Telles, onde se deixou levar pelo teatro do palhaço Heldon. Bem no penalti e expulsão. Ao contrário da maioria dos Portistas, não desgosto da sua forma de arbitrar. Precisa de ser mais equilibrado nas decisões, apitar de forma igual o que é igual. 


Venha de lá a Roma. E a Champions.



Do Porto com Amor


 

segunda-feira, 9 de maio de 2016

Campeões e Figurantes


Finalmente, campeões. E o mais do que devido tributo deste blogue a uma época tão longa quanto extraordinária. São os Bs pois claro, os novos campeões da Ledman Ligapro (ou II Liga, para os amigos).


in fcporto.pt


É um feito realmente notável, que poderá passar despercebido a muito boa gente.

Sobretudo por se tratar de uma equipa B, concebida para desenvolver talentos e dar ritmo a excedentários do plantel principal. Aliás, por algum motivo é a primeira equipa B a vencer a competição em quatro épocas. Eu, que quero sempre ganhar, seja em que modalidade ou categoria for, fiquei muitíssimo satisfeito com esta enorme proeza de Luís Castro e seus 33 pupilos. E nada tem a ver com a paupérrima época dos A's, é mesmo um prazer autónomo registar o mérito deste conjunto valioso de futebolistas.

Fui acompanhando a época sempre que conseguia pela televisão, via que se complicou de sobremaneira quando a NOS ficou "sem" o Porto Canal. Ainda assim, fui espreitando sempre que possível. Ontem foi bom poder ver a transmissão na íntegra na aplicação.


Mas o que sobrará para o futuro, terminados que estejam a época e os festejos?


Ainda antes de avançar para os jogadores, uma justíssima nota para o excelente trabalho que Luís Castro desenvolveu esta temporada. Critiquei (não sei se justa ou injustamente) o seu trabalho em edições anteriores (porque, repito, para mim é sempre para ganhar ou ficar perto disso), mas nesta temporada conseguiu tirar o melhor rendimento de um bom grupo de jogadores. Não vejo nisto nenhuma portabilidade para a equipa principal (também não fiquei convencido com a sua passagem por lá), mas são coisas distintas e neste momento o que releva é saudá-lo pelo brilhante percurso de 2015/16.

in fcporto.pt


Com a pouca informação "angariada" sobre os jogadores, não será muito avisado dar palpites quanto aos seus futuros, mas ainda assim arrisco-me a abordar uns quantos:

- Gudiño: precisa de jogar todas as semanas para continuar o seu desenvolvimento, bem como de trabalhar afincadamente o jogo com os pés. Outro empréstimo na Primeira Liga poderá ser a melhor solução.

- Víctor García: gostei das vezes que actuou na principal, ainda que sempre muito mais contido do que na sua B. É para mim o exemplo claro do jogador que merece ser a segunda escolha para a posição.

- Rafa: não vi o suficiente dele, mas as loas (e garantias) do presidente obrigam-me a referencia-lo. Pela idade, parece-me que outro empréstimo não seria pior, mas se já for tão bom como o têm pintado, pois talvez justifique um lugar (sombra) no plantel principal.

- Chidozie: teve uma estreia de fogo auspiciosa mas desde então tem-se visto negro para confirmar as promessas. Tem qualidades, mas tem também muitas arestas por limar. E um central do Porto não pode ter muitas arestas por limar. Um ano fora a crescer e reavaliar se tem ou não potencial para se afirmar. Se sim, fica, se não... 

- Chico Ramos: outro de quem muito se apregoa e que também já teve uns minutos ao sol. Vejo um jogador inteligente mas franzino. Estará pronto para o salto? Duvido.

- Ismael Díaz: um projecto de Hulk, dizem-me. Right... Mas mesmo assim, vejo um jogador interessante e com margem grande de crescimento. Seria a minha primeira escolha no draft (assumindo que André Silva já mora nos As').

- Gleison: um jogador importante na época vitoriosa dos Bs', fico com dúvida se terá velocidade e cabeça para se afirmar ao mais alto nível. Um empréstimo "tira-teimas" não seria despropositado.

- Rúben Macedo: é ainda menino mas feito de algodão, daquele que não engana. Ainda pode degenerar num Folha, mas parece-me ter condições para mais. Seria de manter na B, dar-lhe (muitos) minutos e preponderância na equipa e chamá-lo aos "crescidos" para taças da Liga e afins.

- André Silva: porventura o jogador mais importante na primeira parte da temporada, só deixou de o ser aquando da promoção. No entanto, havia um "mas": o André foi, mas os golos ficaram na equipa B. É notória a adaptação e subida de rendimento com o passar dos jogos, mas falta-lhe ainda fazer golos. Que certamente chegarão em 2016/17, onde "só pode" ser um dos avançados da equipa principal. 


E esta "campeona", em que posição joga mesmo?


Tenho lido e ouvido que há uns quantos mais (Verdasca, Pité, Graça, Omar e Leonardo, entre outros) com potencial suficiente para justificar uma oportunidade no plantel principal. Mas a questão é sempre a mesma: lançar "incógnitas" (sobretudo se forem jovens e portuguesas) na equipa A requer um tempo de adaptação, tempo esse que escasseia na mesma medida em que o insucesso da equipa se agrava.

Ora o actual contexto do Porto é porventura o pior desde que o senhor Oliveira caiu da cadeira e os campeonatos deixaram de ser atribuídos por decreto ministerial. Estes jovens talentos precisam de espaço para se ambientarem e crescerem dentro do grupo de "elite". O que faria sentido seria integrar todos os anos 2 ou 3 "jovens promessas" no plantel, sem a pressão de serem soluções de primeira linha logo de início - algo que seria muito mais fácil de executar nos anos em que fomos campeões (e foram tantos).

Em 2016/17, não vejo muitas hipóteses de apostar convictamente nos campeões da B. Vamos entrar de novo sobre brasas, ainda mais atiçadas pelos ventos dos fracassos acumulados, com uma decisiva pré-eliminatória da Champions à cabeça. Seria um crime não integrar alguns (até mais do que os 2 ou 3) no plantel, mas pensar que poderão ser soluções na primeira metade da temporada é hipotecar as nossas hipóteses de sucesso (bem como as carreiras deles). Para outros, talvez não seja pior garantir bons clubes na Primeira Liga onde haja o compromisso (salarial) de jogarem regularmente, com a opção de os resgatar em Janeiro.

Por agora, ainda lhes falta saborear o seu merecido sucesso. Parabéns campeões! São uns dignos portadores do nosso emblema, sinto real orgulho em todos vocês.


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Um dia antes, entraram em campo os figurantes. Os tais que seria suposto serem os actores principais mas que não o souberam ser. E - para figurantes - não estiveram mal.


"Oh Happy Days! Ooh Happy Daaaays!..."


Começaram o jogo quase a perder mas a cabeça nunca saiu do sítio. Com perseverança, alguma determinação e um pouco de futebol, conseguiram dar a volta ao jogo, devolvendo um certo ar de normalidade às nossas exibições internas.

As notas mais relevantes foram as ausências e os regressos à equipa. 

Desde logo, Marcano e Layún, metade da defesa mais utilizada na primeira metade da época. E um meio-campo renovado, sem os até agora indiscutíveis Danilo e Herrera, mas com o regressado André André em parceria com Rúben e Sérgio. Na frente, destaque para a titularidade de André Silva e para a ausência de Corona. 

Peseiro falou em lesões, gestões e recuperações. Talvez assim seja mas, na verdade, quem é que quer saber disso por esta altura? Agora só nos interessa chegar ao Jamor com uma equipa e um plano infalíveis para sair de lá com o caneco. Será este o melhor caminho, o das mudanças em catadupa jogo após jogo? Duvido.

Quanto à equipa que subiu ao relvado, soube respeitar o emblema. Como um condenado que dá os seus últimos passos rumo ao cadafalso, sem no entanto abdicar da sua dignidade. Por grandes que sejam os seus "crimes", não desiste de deixar uma imagem minimamente decente da sua (agora triste) figura. E ainda bem, é para isso que lhe(s) paga(m). 



Notas DPcA:


Dia de jogo: 7/Mai/2016, 16h15, Estádio dos Arcos. Rio Ave FC - FC Porto (1-3).


Hélton (6): Um golo indefensável e pouco mais. 

Maxi (7): O seu lado foi sempre o mais acutilante e dinâmico, em grande parte graças a ele. Grande assistência para o golo de Varela.

Layún (7): Mais retraído do que é seu habitual, possivelmente por dar ouvidos a tantas críticas ao seu comportamento defensivo. Mas assim fica a meio da ponte... Penálti muito bem marcado numa altura crítica do jogo e por isso um ponto extra.

Marcano (6): Alguns cortes após boas antecipações e o terror habitual com a bola em seu poder. É o Marcano.

Chidozie (6): Festejou merecidamente o título da II Liga, mas para este patamar não está (ainda?) preparado. Falta-lhe saber posicionar-se melhor e antecipar os movimentos adversários para os impedir. Talvez esteja pronto para jogar numa equipa menor, mas não no Porto. Cabe-lhe continuar a evoluir para demonstrar que merece voltar. Por agora, deverá ter sido o último jogo no palco principal. 

< 86' Rúben (6): Em 10 minutos de jogo teve 4 ou 5 abordagens incorrectas que causaram potencial perigo para Hélton e, numa delas, ficou mesmo ligado ao erro de Brahimi e consequente golo de Postiga. Continua demasiado suave para ser implacável a destruir jogo. Ele é bom é com a bola no pé, a pôr-lhe um selo e remetê-la para destinatário à escolha. Já vos disse que não tem características para ser um bom 6?

< 73' André André (6): Mantém o registo ultra-discreto, quase sempre afastado das avenidas principais do jogo. E um jogador como ele precisa de estar envolvido para se motivar e se tornar relevante para a equipa. Andámos a tentar recuperá-lo para a final do Jamor, mas nesta fase parecia-me mais eficaz apostar noutro cavalo com maior andamento.

Melhor em Campo Sérgio (8): Sem deslumbrar consegue facilmente ser o melhor da partida, o que funciona como um elogio ao próprio e um atestado pouco agradável aos demais. Tem aquela raça de Dragão que o leva a meter sempre o pé, quando a bola não é sua. Quando passa a ser, faz-me lembrar outros craques do passado. Dos poucos que precisava que a época seguinte começasse de imediato, para não perder o embalo. Ponto extra pelo fuzilamento de Cássio.


Preparar... apontar... fogo!


< 87' Brahimi (6): Dividiu a meias a culpa pela perda de bola que resultou no golaço de Postiga e nos colocou a perder logo a abrir. Não ficou refém desse lance (talvez nem tenha noção da responsabilidade...) e procurou ser a gazua habitual: aquela que porfia e volta a porfiar para no final... estar no mesmo sítio. Alternou bons lances e passes com outros de assustadora mediocridade. Au revoir mon ami...

Varela (6): Fez boa parceria com Maxi na direita e esteve envolvido em muito jogo, coisa que não lhe é habitual. Ponto extra pelo golo e ponto retirado pela excessiva dureza que lhe deveria ter custado uma acertada expulsão. 

André Silva (7): Continua a sua travessia do deserto de golos, mas o seu comportamento individual e colectivo melhora a olho nu. Está muito mais ligado ao resto da equipa, demonstra perceber alguns dos movimentos que lhe são esperados e mantém os dois centrais na linha. Tendo em conta a idade, tem mesmo tudo para chegar muito longe. Assim reapareçam os golos. Desta vez, foi só meio-golo, com o penálti ganho e que Layún converteu.

> 73' Evandro (6): Entrou bem no jogo, uma real surpresa face ao que o jogo estava a proporcionar e ao seu próprio historial de alguma passividade. Deve estar a sentir que já não lhe restam muitas oportunidades para justificar nova temporada no Dragão e está a fazer pela vida. Ainda bem.

> 86' Danilo (-): Sem tempo de jogo suficiente para ser avaliado.

> 87' Aboubakar (-): Sem tempo de jogo suficiente para ser avaliado. 


Peseiro (6): Promoveu mais uma pequena revolução no onze, ainda que desta vez se possa justificar com o desastre que foi o jogo com o Sporting. No entanto, o único objectivo é a conquista da taça e desse ponto de vista, tenho dificuldade em entender tantas alterações de jogo para jogo. Parece estar a levar demasiado à risca a historieta da pré-época... Neste jogo, no entanto, atingiu aquilo a que se propôs: ganhar e recuperar alguma da muita dignidade esbanjada no seu consulado.



Outros intervenientes:


Sem ninguém que se destaque de forma evidente no Rio Ave, sobra espaço para referir dois jogadores: Edimar e Roderick. O primeiro pela surpresa de, aos 29 anos, estar num clube com estas ambições, depois de já ter passado por várias ligas. Tem futebol para mais, não sei o que terá a menos. O segundo, pelo eterno prazer de o reencontrar, claro (não por o culpar pelo momento K 92, mas porque a ele ficou inevitavelmente associado), mas também pelo lance de ir às lágrimas que protagonizou com... Edimar. Após um corte de risco do brasileiro na sua área, eis que o bom do Rodas resolveu aliviar a bola com um petardo... mas não reparou que a 50 cm estava a cabeça do seu companheiro... que assim levou com ela em cheio e ficou a dizer mal da vida. Priceless.

Falar sobre Bruno Paixão é como falar sobre uma úlcera. Dá uns dias piores, outros melhores, mas está sempre lá para nos infernizar a vida (até que seja erradicada de vez). Este jogo não foi dos seus piores, mas nem assim deixou de ser o mau protagonista do costume, com prejuízo para ambos os lados.


Avançamos pois em passada larga para o final da época, primeiro o derby matinal que encerra o campeonato (bilhetes em breve) e depois a final da Taça. Resta-nos ganhar com categoria, nada mais.



Do Porto com Amor