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quarta-feira, 13 de maio de 2020

O Elefante na Sala


Este será um texto curto e grosso, mas para que se compreenda na íntegra é importante que a sua leitura seja antecedida do texto que o antecede. Se por inacreditável e inexplicável coincidência ainda não o leu, clique já a seguir e comece pelo Futebol nos Tempos da Pandemia.




Agora que tiramos de caminho uma série de pontos prévios e estamos no mesmo nível de entendimento, vamos ao tema que parece continuar tabu para todos os envolvidos, a começar e a acabar no meu clube, o Futebol Clube do Porto (que, por acaso, deveria ser o mais interessado).

Os dias vão passando, os contornos do regresso da Liga vão sendo divulgados a conta-gotas, mas no ninguém se atreve a apontar o enorme paquiderme que está na sala desta liga. Ui ui que nisso não se fala. Soubemos hoje que 4 de Junho é a data do regresso, saberemos já a seguir em que estádios se jogarão as dez jornadas remanescentes e tudo o mais que se exige saber - tudo, menos o tabu.

Sobra tempo para falar de aversão ao azul, dos "instas" dos jogadores, do corte da relva e do sal na comida, mas para interrogar, alto e em bom som, o que a fará a Liga caso a competição venha a ser de novo interrompida e não se conclua em termos da classificação final, não parece sobrar. Nada, nem um comentário jocoso, nem um tweetzinho, nada.

Sabemos o que o escroque que escandalosamente ainda ocupa a pasta de secretário de Estado do Desporto deseja ardentemente, aliás tanto que já nem se contém na diarreia verbal, tal como adivinhamos que coincide com o que um largo espectro da sociedade - essa gangrena de que padecemos - também anseia.

Parecemos um condenado a caminho do cadafalso, limitando-nos a caminhar ao ritmo do carrasco, perante a turba extasiada de antecipação.

Paremos por um instante com a declamação inflamada para analisar com objectividade a situação.

Um campeonato de 34 jornadas, das quais já se disputaram 24, o que corresponde a cerca de 70% do total. Ideal para atribuir um campeão e uma classificação final a todos os participantes? Não. Suficiente para que reflicta minimamente o mérito desportivo? Sim. No caso do apuramento do campeão ainda mais, porque os dois jogos entre os dois candidatos já se realizaram e com vitória em ambos para o líder FC Porto. Ideal? Não. Suficiente? Sim.

No entanto, como já vimos, o futebol não se resume à própria competição e ao mérito desportivo per se, há toda uma vertente de negócio que não pode ser desconsiderada porque dela depende a sobrevivência do sector como um todo. Por isso, compreende que se envidem todos os esforços para que se jogue. Mas acautelem-se também, por antecipação, todos os cenários possíveis.

O que acontecerá se a situação sanitária do país regredir e a competição for declarada terminada antes que se concluam as dez jornadas em falta?

O que acontecerá se uma ou várias equipas registarem um número de infectados que as impeça de competir em um, dois ou mais jogos?

Em meu entender, dois desfechos admissíveis para o apuramento da classificação final desta Liga:

 - Ou se considera a actual, que resulta da paragem forçada em face de uma situação de todo imprevista à altura em que se iniciou a competição

 - Ou se cumpre integralmente o calendário com todos os competidores e a classificação final será a que dela resultar.

Qualquer in between será sempre uma deturpação do espírito da competição e uma grosseira adulteração da verdade desportiva. Porquê?

Pela simples razão de que, à data de hoje em que se define um dia para o recomeço, já se sabe do panorama sanitário e dos riscos envolvidos nesse recomeço, não só em termos da saúde dos jogadores e demais envolvidos, mas também da consequente impossibilidade de terminar a competição caso haja uma evolução desfavorável na primeira.

Ora daqui se depreende que só faz sentido alterar a classificação actual - a que corresponde ao momento da forçada e inesperada interrupção - se for possível cumprir tudo o que falta ainda jogar, porque este recomeço é assumido sabendo-se que existe uma razoável probabilidade de não ser possível de concluir. Logo, se não for possível uma classificação completa da prova, deve valer a que se registou durante a fase "saudável", porque não faz sentido trocá-la por uma intermédia que será sempre resultante do facto da espada do Covid19 ter caído de forma abrupta sobre a cabeça da competição.

Por este motivo, deve ser dito e assumido pelo organizador da competição que apenas estes dois cenários serão admissíveis.

(regresso à tese conspirativa)

Que a Liga e a Federação se calem bem caladinhas enquanto os habituais lacaios vão lançando "pistas" sobre o que vai acontecer, não pode surpreender ninguém, mas que o mais interessado de todos, o FC Porto, não levante esta questão de forma pública, clara e concisa e se recuse a participar antes de obter uma resposta, é algo que não consigo compreender (apenas mais uma entre tantas, admito, mas este de especial relevância até para o futuro do Clube).

Meus caros Portistas, se outros calam, falemos nós. Façamos o barulho possível para que o silêncio deles todos se torne ensurdecedor. O tempo urge.



Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco




quinta-feira, 7 de maio de 2020

O Futebol nos Tempos de Pandemia

"Quanto tempo esperaria pela pessoa que ama?"

É assim que a famosa obra de Gabriel García Márquez, em que o título deste texto se inspira, é promovida numa das livrarias online da nossa praça. Se ainda não sabe de que livro se trata, investigue, pela sua "saúde". Quanto tempo estaríamos nós dispostos a esperar pelo regresso do Futebol Clube do Porto aos relvados?

Por certo toda a eternidade, se em causa estivesse somente o amor ao Clube, mas é a coisas mais práticas e objectivas a que me quero referir, nomeadamente ao tempo a que teríamos de esperar se, por motivo de uma longa e irrecuperável paragem, fosse forçado a declarar insolvência da SAD, perdesse todos ou quase todos os seus activos com valor (jogadores) e fosse assim forçado a recomeçar do zero, nos distritais ou coisa que o valha. Sim, meus caros, porque pode bem ser disto que estamos a falar quando opinamos apaixonada e ignorantemente sobre a retoma ou não do actual campeonato e final da Taça.


imagem: Bruno Sousa


É também bem possível que apenas por não se retomar a época em curso, regressando na próxima, tal cenário apocalíptico quedasse ainda longe de se concretizar. No entanto, sabendo-se o que hoje se sabe desta doença e da distância a que se diz ainda estarmos de uma vacina pronta, produzida e distribuída para ser administrada a toda a população, que lógica ou argumento se pode encontrar em não jogar agora que a temperatura vai naturalmente subir e fazê-lo quando voltar outra vez a descer e atravessar a próxima estação de gripe que, inevitavelmente, chegará na sua habitual cadência anual?

Não encontro, de facto, justificação racional para não se jogar o que falta, se o objectivo é manter vivo o futebol (leia-se, retomar na próxima época). E até recorro a um argumento do presidente do Sporting (sim, assumo o risco) para reforçar a ideia: se o futebol, com todas as condições que oferece aos seus "colaboradores", não pode regressar, que área da economia poderá? Bem sei que o futebol é um jogo de contacto, mas sendo os jogadores testados regularmente e antes dos jogos, o risco será infinitamente menor do que ir ao supermercado ou trabalhar numa pastelaria, por exemplo.

Será diferente? Pois claro que sim e inevitavelmente para pior, até que se resolva o Covid ou se encontre uma forma dos espectadores poderem entrar e sair dos estádios com dois metros de distância entre si... Será estranho, triste até, incluindo para os jogadores, mas antes isso que perderem o emprego e nós a equipa. Jogue-se pois.

Outros quinhentos são os motivos perversos e escondidos (com as penas da cauda de fora) que muitos de nós suspeitamos estarem na base da decisão da Federação, apoiada pelo Governo - e com toda a legitimidade, dado o conspurcado passado recente - de retomar as dez jornadas que faltam disputar. E que não estivesse o Porto em primeiro, já há muito se tinha dado por encerrada a temporada. E ainda os válidos receios de que, se e quando os sem-vergonha passarem para a frente (benzo-me repetida e freneticamente), o Covid "regresse" em força e se dê por terminada a competição por "falta de condições". Percebo e partilho parcialmente destas suspeitas e receios, mas não acho que sirva de justificação para não querermos jogar, desde que se garantam condições de igualdade para os dois candidatos ao título. Condições de que cabe à direcção da SAD obter garantias irrevogáveis por parte da Liga e Federação.

Refiro-me em concreto à questão dos jogos fora de casa. Parece já posta de parte a ideia peregrina de se disputar todos os jogos numa mesma região ou até estádio, de tão estapafúrdia que era, mas ainda subsiste a de reduzir os estádios aos que oferecem "mais condições de segurança" covídica, o que me continua a parecer uma palermice (ou vigarice, se preferirem). Com os estádios vazios, não encontro motivos válidos para cada clube não jogar em sua casa. Mas, se de facto assim for, então que haja simétrica igualdade entre Porto e Benfica naquilo que é possível.

O cozinhado que se diz estar a ser preparado fará com que, por exemplo, o Porto defronte o Braga na Pedreira, como deveria ser, mas que o Marítimo-Benfica não se dispute nos Barreiros, antes num Estorilgate qualquer de conveniência. Isto, evidentemente, é desvirtuar a competição ainda mais, por coincidência em prejuízo do Porto. Posso aceitar o argumento de se querer evitar as viagens de avião (embora os aviões e aeroportos hoje estejam tudo menos cheios de gente), trazendo o Marítimo e o Santa Clara para o continente para disputar o que falta, mas entenda-se que a fórmula final tem de minorar ao máximo estes desequilíbrios competitivos. Como? Adoptando um critério compreensível de escolha dos estádios a que os "despejados" vão chamar de casa (se puserem o Marítimo a jogar no Algarve, estamos conversados) e que seja sempre o mesmo estádio até final e garantindo transmissões de todos os jogos de Porto e Slb em sinal aberto, incluindo e sobretudo os da BTV.

Dito isto, venha à bola! Mesmo sem poder estar lá, onde mais gosto, venha ela. Espero que o @CoachConceicao e o plantel se inspirem na magnífica prestação de Rui Cerqueira e Miguel Marques Mendes na criação do "FC Porto em Casa" - entretenimento de altíssima qualidade - e percebam desde o primeiro segundo após o primeiro apito que só eles poderão fazer o seu destino e evitar o fado bolorento que se está a ensaiar na sarjeta... que não duvidem que vão mesmo ter de ser muito melhores nestes dez jogos para acabarem a Liga como os campeões que acredito que são e serão. Tudo e todos, excepto nós, estarão a torcer para que assim não seja, resta-nos mostrar-lhes, uma vez mais, de que somos feitos.


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Até aqui falei apenas da Primeira Liga, porque é onde está o meu amor, mas não consigo encontrar nenhuma justificação que não seja a económico-financeira para não se disputar igualmente o que falta da Segunda Liga. E não me venham com a treta dos quatro balneários, porque ninguém me convence que não foi apenas um argumento fabricado para validar a conclusão que queriam obter. Condições de segurança para atletas, treinadores e staff seria sempre possível de garantir, nem que jogassem em estádios fantasma (Aveiro, Leiria, Algarve) e/ou da primeira Liga. Houvesse vontade, havia maneira.

Resumindo, money talks (yet again):

 - De um lado, a necessidade dos 3 grandes (sim, porque é apenas por causa deles tudo isto) de jogarem para recuperar parte das suas receitas e retomar a valorização, mesmo se parcial, dos seus melhores jogadores, lembrar aos compradores não só que existem mas que estão de boa saúde e com as qualidades intactas; em face desta necessidade, todos os demais clubes da primeira são chamados a jogar, para que a competição seja real e para que o efeito em cadeia propague, dos grandes para os outros, as migalhas de que tanto necessitam para sobreviver.

 - Do outro lado, suponho que a constatação de que os orçamentos da segunda liga se "fazem" com os tostões que a Federação libertará para o efeito, assegurando também a continuidade da maioria. E então o mérito desportivo? Bem, fica para depois. Até se deu a coincidência do SC Farense ser um dos felizes contemplados com a subida, vejam lá, poucos anos volvidos após o escândalo Harramiz que, num país sério, teria determinado a relegação de ambos os envolvidos para os escalões amadores. Mas se aqui até se encontra alguma lógica na decisão - os dois primeiros e os dois últimos tinham vantagens razoáveis sobre os "perseguidores" (ainda que completamente anuláveis), o que se fez no escalão não-profissional é de bradar aos céus.


Detectam alguma coincidência na carreira de Harramiz?


Chocante e vergonhosa são os adjectivos que encontro para qualificar a forma como as subidas do Campeonato de Portugal à Segunda Liga foram decretadas, sem ponta de critério que se possa defender. Para quem não sabe, o Campeonato de Portugal é disputado numa fase regular em quatro séries (A, B, C e D), da qual se apuram os dois primeiros de cada série para um playoff final de subida. E o que foi decidido quando a competição foi interrompida ainda na fase regular? Subiram os dois líderes com maior vantagem pontual nas quatro séries. A sério, foi mesmo assim. Como se a vantagem pontual em 4 competições diferentes, onde os clubes jogam apenas contra os da sua série, pudesse justificar alguma coisa! Obviamente seria possível pegar nos 8 clubes melhor classificados e fazer já o playoff, muito mais justo e inclusivo do que "isto". Aberrante, vergonhoso e insultuoso para os prejudicados e para todo o futebol. Mais do que protestar, espero bem que os clubes se unam e reúnam fundos para interpor acções legais que bloqueiem esta pessegada toda. VERGONHOSO.

Não, meus caros, este país não é para gente séria e não seria agora que iria mudar. Mas ainda assim há algo que nos une a todos, a necessidade de sobreviver, individual e colectivamente, pelo que o barco que nos transporta não pode afundar e isto aplica-se tanto ao futebol como à nação valente e imoral. É remar para a frente ou servir de comida para os tubarões.


Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco



Outro tema, para fechar: regozijei-me, como qualquer pessoa civilizada, com a sentida reacção de RQ7 a propósito de mais uma descarga do esgoto a céu aberto que dá pelo nome de Ventura. Fê-lo porque é bem formado e provavelmente porque, apesar dos privilégios que conquistou para si, nunca terá deixado de sentir os olhares de soslaio e a desconfiança (no mínimo) apenas porque é cigano (e n vezes mais em relação a outros ciganos que são anónimos cidadãos). Muito bem, fez o que achou correcto e - digo eu - lhe competia.

Não se pode é confundir os pus libertados pela chaga de forma aparentemente humana com aquilo a que o deputado benfiquista se refere a propósito do desrespeito pela Lei. Porque esta, tal como o sol quando nasce, tem de ser para todos e todos a têm de respeitar sem excepções ou wildcards, independentemente do estatuto social, raça ou credo. Sendo ainda mais claro e referindo-me no caso à etnia cigana: por serem cidadãos de pleno direito, tem não só os mesmos direitos de todos os demais - incluindo o de verem respeitadas as suas tradições e costumes - como também as mesmas obrigações - incluindo o de os seus costumes e tradições não se poderem nunca sobrepor ou contrariar as leis do Estado de Direito. É tão simples (e tão complicado) como isto, mas tem de ser assim: nem exclusão, nem excepção.



terça-feira, 16 de janeiro de 2018

2018 - Odisseia na Amoreira


Meio jogo fraquinho, dos piores que temos feito (se não mesmo o pior) e eis que chega o ansiado intervalo, e com ele, a possibilidade de mudar tudo e dar a volta ao texto, como já vem sendo hábito.



A perder pela margem mínima, tudo era evidentemente possível e a reviravolta estava na cabeça e no coração de todos os Portistas. Era o renascer da esperança. Era? Era. Mas não foi, porque, entretanto, começou e exibição de...

... 2018 - Odisseia na Amoreira ...

...o pobre e saloio remake do clássico de sci-fi, agora salpicado por burrice, incompetência e humor negro, realmente negro. Imperdível... inacreditável.

Let's look at the trailer:



Ficaram em pulgas para ver o filme completo? Claro que não. Já bastou a amostra.

Como se pode compreender que uma bancada com uma década dois anos (!) possa estar em perigo de ruir? Ridículo. Absurdo.

O que seria se as pessoas naquela bancada tivessem entrado em pânico e se esmagassem ou espezinhassem quando ordenadas pelas autoridades a descer rapidamente e saltar para dentro do campo? Perigoso. Irresponsável.

Quem ordenou a "invasão" de campo? E que os adeptos regressassem à mesma bancada pouco depois? E que a seguir se "instalassem" nas outras bancadas? E que, finalmente, mandasse evacuar outra vez a bancada? Ridículo. Absurdo. Perigoso. Irresponsável.

Fosse numa galáxia muito, muito distante e...



Mas não. Aqui vai-se à vida a assobiar para o lado, bigode farfalhudo (com restos de comida), garrafão e o Zébio tatuado na nalga. E aquele sorriso boçal:

 - Uélcame tu Pórtugalistão, éve a naice dei!

Alguém que nos salve de nós mesmos. Alô Madrid? Podemos trocar com a Catalunha, eles saem, nós entramos? Socorro.



Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco



segunda-feira, 3 de abril de 2017

Agressões Aos Molhos, Punições Exemplares?


Nos últimos dias, sucederam-se múltiplas agressões no país do futebol, todas relevantes, todas a requerer uma actuação firme e decidida, mas nem todas a receber a mesma atenção mediática. Por que será?




Vamos enumerá-las por ordem cronológica.


Agressão nº 1


Agressor: Membro do Corpo de Intervenção da PSP

Agredido: Suposto adepto do Benfica

Local: Imediações do Estádio da Luz, antes do início do Clássico


As imagens difundidas quase até à exaustão chocaram qualquer pessoa de bem, pelo aparente uso desproporcionado de força por parte do agente.

Não sei o que fez o agredido, pelo que reforço o "aparente". Sei que após ser derrubado com um pontapé "técnico", o agredido se quedou imobilizado e deixou de oferecer resistência. Apesar disso, foi socado e pontapeado pelo agressor, o que põe em causa os seus direitos fundamentais, bem como a capacidade do agente para o ser. 

Segundo foi hoje divulgado, a PSP avançou de imediato para abertura de um inquérito, o que se saúda, mas é importante que as suas conclusões sejam tornadas públicas, bem como o enquadramento da situação. Não poderá subsistir a dúvida após essa divulgação. Se prevaricou, o agente deve ser punido de acordo com a legislação em vigor.




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Agressão nº2


Agressor: Jonas Gonçalves Oliveira 

Agredido: Nuno Espírito Santo

Local: Relvado do Estádio da Luz, durante o Clássico


Aquando de uma disputa de bola na proximidade do banco do Porto, o agressor aproveitou o movimento resultante para se deixar embalar, ao invés de tentar travá-lo, na direcção do agredido, provocando assim o choque sem nunca se tentar desviar.

É bem conhecida a total inabilidade de Nuno para lidar com perguntas que lhe são colocadas em cima do acontecimento, sem tempo prévio para ponderar sobre os factos e elaborar uma resposta adequada.

Ao invés de apontar de imediato o dedo ao jogador, quis "armar-se em macho latino" e brincar com a situação. Um erro colossal, mas que pode e deve ser corrigido pelo Clube, através dos seus departamentos jurídico e de comunicação. 

Jonas agrediu o nosso treinador. De nada importa se o magoou ou não, se foi no pé, na cara ou no tronco. Importa sim a intenção dolosa do agressor, comprovada pela simples análise do seu movimento.

É fundamental que o Porto faça deste caso um exemplo e exija junto das autoridades desportivas competentes a punição imediata de Jonas.


Que tipo de punição?



Ontem assisti incrédulo a comentadores, analistas e até ex-árbitros a defenderem que Jonas devia ter sido advertido. O quê??

(Para quem não saiba, ser advertido significa receber um cartão amarelo)

A Lei 12 das Leis de Jogo define claramente as situações em que o cartão amarelo deve ser mostrado.

"Um jogador deve ser advertido quando:
• retardar o recomeço do jogo;
• manifestar desacordo por palavras ou por atos;
• entrar ou reentrar ou deliberadamente deixar o terreno de jogo sem autorização
do árbitro;
• não respeitar a distância exigida quando o jogo recomeça com um pontapé de canto, um pontapé-livre ou um lançamento lateral;
• infringir com persistência as Leis do Jogo (não está definido o número a partir do qual se pode falar de “persistência”, nem um padrão de comportamento);
• se tornar culpado de comportamento antidesportivo."

Fica claro que não houve motivo para advertência a Jonas nesta situação (mas sim em muitas outras, ao longo do jogo).





E em que situações está prevista a expulsão?



"Um jogador, um suplente ou um jogador que tenha sido substituído deve ser expulso do terreno de jogo quando cometa uma das infrações seguintes:
• impedir a equipa adversária de marcar um golo, ou anular uma clara oportunidade de golo, tocando deliberadamente a bola com a mão (isto não se aplica ao guarda-redes na sua própria área de penálti);
• anular uma clara oportunidade de golo de um adversário que se dirija para a sua baliza, cometendo uma infração passível de um pontapé-livre ou de um pontapé de penálti (exceto da forma descrita abaixo);
• tornar-se culpado de uma falta grosseira;
• cuspir num adversário ou sobre qualquer outra pessoa;
tornar-se culpado de conduta violenta;
• usar linguagem ou gestos ofensivos, injuriosos e ou grosseiros;
• receber uma segunda advertência no decurso do mesmo jogo."


É transparente como a água da mais pura nascente. Jonas teve uma conduta violenta para com Nuno Espírito Santo. Não há sequer lugar a outra interpretação. Basta ver o seu movimento.

Portanto, deveria ter sido expulso ao minuto oito, com tudo o que a inferioridade numérica implicaria no desenrolar dos restantes oitenta e dois. É incrível como "ninguém" é capaz de dizer isto alto e em bom som.


Não tendo sido expulso, o que sobra de punição



Vejamos o que enuncia o Regulamento Disciplinar 2016/17 da Liga Portugal, na SUBSECÇÃO II - INFRAÇÕES DISCIPLINARES MUITO GRAVES, Artigo 145.º - Agressões, nº1. alínea b):

"São punidas nos termos das alíneas seguintes as agressões praticadas pelos jogadores contra os membros dos órgãos da estrutura desportiva, elementos da equipa de arbitragem, observadores, delegados da Liga, dirigentes ou delegados ao jogo de outros clubes, agentes de segurança pública, e treinadores:

a) no caso de agressão que determine lesão de especial gravidade, com a sanção de suspensão a fixar entre o mínimo de três meses e o máximo de três anos e, acessoriamente, com a sanção de multa de montante a fixar entre o mínimo de 50 UC e o máximo de 250 UC; 

b) noutros casos de agressão, com a sanção de suspensão a fixar entre o mínimo de dois meses e o máximo de dois anos e, acessoriamente, com a sanção de multa de montante a fixar entre o mínimo de 25 UC e o máximo de 125 UC."


É disto que se trata, uma suspensão entre dois meses e dois anos para Jonas! É por isto que o Porto tem que lutar, por que se trata da mais elementar justiça.


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Agressão nº 3


Agressor: Jogador do Canelas 2010 

Agredido: Árbitro do jogo 

Local: Campo do Rio Tinto, durante o jogo Rio Tinto - Canelas 2010


As imagens difundidas para lá da exaustão chocaram qualquer pessoa de bem, simplesmente animalesco, próprio de um marginal inadaptado para viver em sociedade.

Terá direito à sua defesa criminal, como qualquer outro cidadão, a quem caberá demonstrar que se tratou de um acto irreflectido e excepcional. A mim não, até porque não acredito na excepcionalidade do acto.




Mas há mais culpados, para lá do agressor.

Em primeiro lugar, os dirigentes do Canelas 2010. É quase anedótica a entrevista do canastrão presidente do clube à TSF, assumindo uma inadmissível postura de consternação e surpresa, como se tivesse aterrado hoje vindo do Marte, após vários anos de ausência.

Então o senhor não sabia já das agressões recorrentes que vários jogadores da sua equipa cometiam contra jogadores de outras equipas, ao ponto de ter havido um boicote aos jogos? Ou será que só agora é que considera grave, por o agredido ser um árbitro? Ridículo. Incrível também como a TSF se presta a ser veículo destas tristes figuras sem fazer o mínimo contraditório. 

Em segundo lugar, os próprios árbitros daquela divisão/categoria. Se é verdade que não expulsavam jogadores do Canelas por serem ameaçados e coagidos, porque não se recusaram a apitar os jogos do Canelas, assumindo uma posição de força com o apoio da APAF?

Por último, a Associação de Futebol do Porto e, por inerência, a FPF. Toda a gente viu os vídeos das agressões a jogadores de outras equipas, por que raio se acomodaram e se esconderam atrás dos "trâmites processuais"? São homens ou são ratos?

Vêm agora falar de repor a irradiação, pena que nunca deveria ter sido suprimida em primeiro lugar. Tudo bem, que o façam e já, mas este árbitro já não recupera o que perdeu neste incidente. E, por sorte, as consequências não serão ainda mais gravosas.

A irresistível colagem por parte dos mérdia ao Porto foi instantânea. Afinal, trata-se da equipa onde joga o Madureira e outros membros dos Super Dragões, incluindo o próprio agressor. Como é óbvio, não há qualquer responsabilidade directa do Clube no sucedido. Nada nem ninguém do Porto poderia impedir que a agressão se consumasse. Tudo o que se tentar dizer em contrário é absurdo e mal-intencionado. Normal, portanto.


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Mas o facto de o meliante ser um membro destacado dos Super Dragões não é - ou não deveria ser - irrelevante para o Clube, sobretudo se for mesmo verdade que se trata de um dos "tenentes" do líder da claque (que aliás, num primeiro momento, me pareceu também ir pedir "explicações" ao árbitro pela expulsão). Alguém que supostamente é bem conhecido do clube e com quem interage com (mais ou menos) frequência.

A claque é reconhecida e recebe vários apoios do clube. Há um funcionário do clube responsável pela ligação com os adeptos. Há um líder, mais famoso do que o tremoço, que tem de responder pela claque. O Porto tem que exigir uma conduta "mínima" aos membros da claque, em particular aos seus líderes, porque é sabido que serão sempre associados ao Clube em qualquer situação negativa. Saindo fora dessa conduta, deve haver implicações, desde suspensão temporária à expulsão da claque. Ou terminar todo e qualquer apoio por parte do Clube até que isso aconteça.

Nada disto existe, continua a vigorar a lei da selva, mas já vai sendo tempo de se pensar muito seriamente no assunto e passar da teoria à práctica.

Por último, que ninguém queira usar o argumento de que o agressor não estava naquele momento no papel de Super Dragão, porque isso não existe. Cada pessoa é um todo, soma das suas múltiplas facetas, não se pode desligar umas e ligar outras quando se trata de assumir responsabilidades. Para isso já basta os medíocres políticos que vamos tendo.


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E já agora, para quando a obrigatoriedade, em dias de jogo, da apresentação numa determinada esquadra, de indivíduos sinalizados como desordeiros ou problemáticos, sejam eles membros de claques ou paizinhos imbecis de jogadores das "escolinhas"?
 


Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco




quarta-feira, 22 de março de 2017

O Engenheiro Distraído


Era uma vez um guarda-redes de futebol que não gostava de futebol. Apesar de ter algum jeito para a coisa, não gostava de o ser. 

Talvez gostasse daquilo que ser jogador de futebol lhe proporcionava, talvez sorrisse sempre que se cruzava com um colega da primária que agora era licenciado mas recebia pouco mais do que o salário mínimo, várias vezes menos do que ele.


Não Sr. Engº, não é o Eddie Murphy


Talvez se vangloriasse quando ouvia falar de outros colegas desse tempo, que eram agora trolhas, varredores, operadores de call-center ou de caixas de supermercado, com contratos precários e sem regalias, mesmo trabalhando muito mais horas por dia do que ele. E recebendo muito, muito menos.

Mas nem percebendo a sorte que tinha, percebia que a sua postura punha em causa o próprio futebol que lhe havia proporcionado tal sorte. 

Talvez por isso, entrava em campo concentrado em evitar ao máximo que se jogasse futebol. Desde o primeiro apito do árbitro que se aproveitava da flacidez das leis de jogo no que toca à posição específica do guarda-redes, que determinam que o jogo não pode prosseguir sem que este esteja em condições físicas para jogar.

Não havendo nenhuma solução expressamente prevista na lei nem sequer jurisprudência que o impeça, o ludibriador sabia que podia usar e abusar do expediente de se fingir lesionado, obrigando a que a sua equipa médica entrasse em campo para o assistir e, com isso, que o jogo não se jogasse. E fazia-o consecutivamente, sem que o árbitro se atrevesse a fazer mais do que fingir dar-lhe uma reprimenda e, no limite, um único cartão amarelo. 

Como se apenas isso não fosse suficiente, havia uma outra coincidência. Esse guarda-redes batoteiro, por mero acaso, exibiu toda a sua artimanha contra o clube rival do seu - de formação e de coração, quando ambos os clubes disputavam o título nacional palmo a palmo.

No rescaldo desse triste episódio, apesar da dominância do panorama mediático por parte do clube do batoteiro, houve uma crítica mais ou menos generalizada àquela actuação do guarda-redes burlão

Contra a corrente, de forma completamente surpreendente e irresponsável, o engenheiro comendador selecionador nacional achou por bem premiar esse intolerável comportamento com uma chamada de última hora à Seleção do país. 

Como se não lhe coubesse, acima de muitos outros, dar o exemplo e passar as mensagens correctas nos momentos apropriados, defendendo o jogo limpo e o próprio futebol que tudo lhe deu na vida.

Sabendo-se da devoção mariana e fortitude de carácter desse engenheiro selecionador, é impensável admitir que o fez alheando-se do comportamento do bandalho guarda-redes um par de dias antes dessa chamada. Caso contrário, a devoção teria de ser classificada de beatice. E a fortitude substituída por subserviência. 

Não, não é possível. O engenheiro só pode ser distraído. Fico a aguardar o indispensável acto de contrição.


Lápis Azul e Branco,

Do Porto com Amor




quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Top Down


Os bons exemplos devem vir de cima.

Na sequência do último episódio público da já longa inimizade entre Mourinho e Wenger, ocorrido na e a propósito da Charity Shield (a supertaça inglesa) que os gunners venceram no último fim de semana (quebrando assim o longo enguiço do francês contra o português), vieram hoje a terreiro os responsáveis pelo futebol inglês (FA e Premier League) mandar calar os dois treinadores, relembrando-lhes que acima deles e dos seus clubes está o futebol.

Esta reprimenda pública é um grande exemplo de como o futebol deve ser encarado e gerido.

As emoções e os exageros apaixonados fazem parte do jogo e são fundamentais para que continue a existir, mas apenas e se enquadrados e mantidos nos seus lugares (nos estádios, a apoiar; nos pubs ou em casa, em frente à televisão; nas redes socais) e pelas pessoas certas - os adeptos, que sendo parte do jogo, são também o seu destinatário mas não um dos seus principais intervenientes.

Esses - jogadores, treinadores e dirigentes - devem provar diariamente que são merecedores dos cargos que ocupam, não apenas pela competência que dedicam ao seu clube, mas pela compreensão de que o negócio do futebol é um "bem comum" que a todos obriga a dele cuidar. E quando se esquecem deste seu dever, são rapidamente chamados à atenção e colocados nos seus lugares, sob pena de sofrerem pesadíssimos castigos a vários níveis. Trata-se tão somente de proteger o brutal negócio que é hoje a Premier League e mantê-la como como melhor campeonato do mundo.

Curioso também é observar o papel dos media, nomeadamente dos jornais. Não havendo desportivos, são os genéricos e os tabloides que lhe dedicam secções nas suas páginas. Mesmo com todo o frenesim e sensacionalismo que os caracteriza, é interessante registar que são encarados pelas pessoas como um veículo de informação ou "fofocas", mas à parte do futebol em si mesmo. Não são do clube A ou B (ainda que o peso regional se faça naturalmente sentir), são órgãos de (des)informação e é nisso que se concentram.

Haveria tanto para aprender e transpor cá para o burgo, que nem me atrevo a começar a listar nestas linhas. Deixo apenas como exemplo comparativo e para reflexão, o "caso" Lopetegui-JJ após o jogo da Luz e as reações dos vários agentes do futebol e (falta de) consequências relevantes que dele resultaram.



Para terminar, aproveito para voltar ao meu post sobre Arsène Wenger.

Porque a propósito do tema de hoje, descobri duas notícias interessantes que explicam ainda melhor o "estranho caso", ou se calhar, não tão estranho:

1 - A primeira é uma reflexão do segundo maior accionista do clube (o tal russo-uzbeque de nome Alisher Usmanov), segundo o qual Wenger terá sacrificado os melhores anos da sua carreira de treinador em prol da concretização do sonho chamado Emirates Stadium. Vale a pena ler.

2 - A outra tem a ver com uma recém divulgada sondagem sobre a taxa de aprovação de 76% de Wenger pelos adeptos do Arsenal, contrastando com 51% em 2014 e apenas 17% em 2013. Igualmente interessante é descobrir a associação de accionistas que levou a cabo a sondagem e as questões desassombradas que inclui. Mesmo, mesmo muito diferente. E já agora, o inquérito foi realizado no final da época passada (portanto, antes desta supertaça, pelo que certamente agora teria mais uns pontos valentes de aprovação).

De facto, é outro mundo...



Do Porto com Amor (e admiração)



sexta-feira, 3 de julho de 2015

Tudo boas notícias



Boa notícia!
Já tardava nas mentes ansiosas dos dragões, mas na altura certa concretizou-se. Um jovem jogador de muito talento e ainda maior potencial. Realmente contente por o ver de azul e branco.



Boa notícia!
Que cidadão cumpridor da lei poderá não ficar contente ao saber que as forças policiais estão em campo para acabar com "atividades ilícitas no âmbito de empresa de segurança privada em estabelecimentos de diversão noturna, suscetíveis de integrar a prática de crimes de associação criminosa, de exercício ilícito da atividade de segurança privada, de detenção de arma proibida, de extorsão agravada, de coação, de ofensas à integridade física qualificada, e de favorecimento pessoal"?

Que todos os envolvidos e comprovadamente culpados sofram as devidas consequências.

Importa é garantir que os inocentes, se existirem, sejam explicita e publicamente declarados como tal.

E já agora, que não se aproveitem para tentar atirar lama para terceiros (pessoas e instituições) que nada tenham a ver com o caso.



Boa notícia!
Assim facilita-me imenso o trabalho de listar uma corja que abomino de sobremaneira.

Miguel Relvas é o exemplo perfeito do oportunista, vigarista, carreirista e malabarista traficante de influências, que se relaciona com tudo e com todos os que estão dispostos a fazer-lhe um favor para a seguir serem compensados. Representa tudo o que a classe política tem de mau e que leva a que a grande maioria dos portugueses se afaste do assunto. É revoltante e ultrajante assistir ao desfile de energúmenos que mesmo depois de tudo o que já se sabe sobre o Dr. Miguel Relvas, se prestam a devolver uma das várias cortesias que certamente o Dr. já teve para com eles. Nojento.

Para memória futura, a lista de vassalagem conhecida:
  • Pedro Passos Coelho
  • Durão Barroso
  • Luís Marques Guedes
  • Paula Teixeira da Cruz
  • Maria Luís Albuquerque
  • Artur Trindade
  • Sérgio Monteiro
  • Luís Campos Ferreira
  • Castro Almeida
  • Teresa Morais
  • Emídio Guerreiro
  • Jorge Coelho
  • Marco António Costa
  • Fernando Seara
  • Carlos Carreiras
  • Marques Mendes
  • José Matos Rosa
  • Luis Montenegro
  • Nuno Magalhães
  • Altino Bessa
  • Luis Filipe Vieira
  • Joaquim Oliveira
  • Fernando Gomes

Para que fique claro, não estou a acusar ninguém desta lista do que quer que seja, excepto do que já referi.

Gente que está disposta (por convicção ou obrigação, pouco interessa) a associar-se a esta patética tentativa de reabilitação do Dr. Relvas fica obrigatoriamente conotada com as acções deste último. É baixo, é obscuro e é sujo.


Do Porto com Amor



quarta-feira, 3 de junho de 2015

In a galaxy far, far away...

A Premier League divulgou hoje a distribuição de receitas resultantes das transmissões televisivas referentes à época que agora terminou, revelando números astronómicos que nos devem fazer reflectir sobre as diferenças abismais que separam as diferentes ligas.

Ao todo, serão distribuídos 2.200 milhões de euros (!!) pelos 20 clubes que disputaram a competição, sendo €270M para o campeão Chelsea e uns ainda incríveis €90M para o último classificado QPR.

Mas igualmente relevante é o mecanismo de distribuição de verbas, considerado o mais equitativo da europa:
"Metade das receitas angariadas na época é distribuída em partes iguais entre os 20 clubes. Um quarto fica diretamente associado ao mérito desportivo e classificação final, enquanto o restante respeita ao número de jogos transmitidos em direto, num mínimo de dez"

Se pensarmos que o último classificado da liga inglesa recebe quase o dobro de direitos televisivos que os nossos "3 estarolas" juntos, fica mais fácil perceber a distância que os separa dos primeiros classificados, em particular daqueles que "volta-e-meia" defrontam nas competições europeias.

Daí se falar constantemente em "milagres", quando os nossos conseguem bater o pé ou simplesmente fazer a vida difícil aos grandes europeus. Claro que o futebol não se resume a dinheiro, pelo menos enquanto começarem sempre 11 homens de cada lado, mas que realça de sobremaneira as tremendas desigualdades nas condições de partida, disso certamente ninguém terá dúvidas.

São, de facto, de outra galáxia.


Então que ilações retirar para o campeonato português?

Primeiro, o modelo. Isto de ser "cada clube por si" não só beneficia quem compra os direitos (ao retirar peso ao poder negocial de 18 clubes), como promove uma maior desigualdade entre os grandes e os restantes clubes, o que acaba inevitavelmente por diminuir a competitividade e o interesse do campeonato.

Depois, o contexto. Sendo certo que não temos qualquer possibilidade de gerar receitas televisivas que se aproximem às da liga inglesa (ou espanhola, ou alemã, ou até italiana e francesa), talvez seja pelo menos possível reduzir o diferencial que nos separa dessas ligas. Temos um imenso mercado de língua portuguesa por explorar, para além das comunidades de emigrantes. E além destes, por que não ser possível gerar interesse nos outros países, em pelos menos ter acesso aos resumos semanais e uma ou outra transmissão dos jogos mais importantes? Parece-me evidente que sim.

Então o que falta? Vontade e competência.

Vontade dos clubes (grandes) em juntarem-se para defender uma causa comum, vontade dos actuais detentores dos direitos, vontade dos dirigentes dos organismos que organizam as competições, eleitos pelos clubes, que por sua vez são alimentados pelos detentores dos direitos.

Falta competência a esses mesmos dirigentes, para saberem como elaborar um plano de negócio suficientemente atractivo ao ponto de convencer os dirigentes dos clubes a assumirem a quebra com o modelo actual.

Plano esse que deveria prever a criação de um pacote de entretenimento futebolístico integrado, criando estórias à volta da competição, relacionando com a nosso rica história, cultura e geografia. E gerar interesse por todos os participantes na competição, dando-lhes o valor e destaque necessário para que a competição como um todo tenha interesse. Exactamente o oposto do que se faz hoje, onde 15 clubes só existem para que os 3 grandes possam ter com quem competir.

Entende-se que não seja simples, dado o sufoco financeiro que todos atravessam, mas se não o fizerem, a situação só pode piorar.