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sexta-feira, 30 de novembro de 2018

O Porto de Conceição


Estava mortinho que este jogo acontecesse (e acontecesse assim!) para poder finalmente tecer as justas loas a Sérgio Conceição. Quem me segue sabe dos muitos reparos que lhe fui fazendo, a maioria de pormenor mas uma mão deles bem relevantes. Sinto-me por isso bem à vontade para o que agora vou escrever.




À quinta jornada, o Porto garantiu o primeiro lugar do grupo da Champions. O Porto, este Porto de Sérgio Conceição, está nos oitavos com uma jornada ainda por cumprir e no lote dos primeiros classificados no sorteio que há-de vir. Sob qualquer ponto de vista, resume-se numa palavra este desempenho: brilhante.

Não me esqueço nem por um segundo da muita "sorte" que tivemos nos primeiros quatro jogos: o penálti caído do céu em Gelsenkirschen, os inúmeros desperdícios dos turcos no Dragão e igual dose - a dobrar - no confronto duplo com os russos, somando-lhes ainda a penalidade defendida por Casillas. Em todos esses quatro jogos fiquei com a sensação que facilmente o desfecho final poderia ter sido diferente. Poderia... mas não foi.

Até porque me lembro bem do que "foi" Conceição na fase de grupos do ano passado - o ano da sua estreia na competição. Evoluiu depressa e bem, como se lhe exigia. Mas não é para todos, é só para quem tem essa capacidade.

Regressando ao presente, uma série de quatro jogos já tem de servir como "prova" de que há mais (bem mais) do que apenas ter caído nas boas graças da Dona Fortuna. Esta equipa está transformada num grupo muito resiliente, persistente e inamovível na persecução dos seus objectivos. Parece ter sempre seis vidas extra para sobreviver a cada uma das armadilhas que lhe são colocadas no caminho. E isto, meus amigos, mais do que outra coisa qualquer, é mérito do treinador.

Recuemos até ao defeso. O grupo a caminho do estágio em Portimão, convulsão interna, reforços que nunca o chegaram a ser e a conversa decisiva com o presidente. Conceição soube controlar a sua fúria e entender que o melhor caminho - o único caminho - era este, o de seguir viagem com aqueles que tinha à disposição, mas ainda assim sem permitir que outros sem qualquer valor acrescentado (na sua óptica) viessem para fazer número.

Engoliu em seco, contou até dez (milhões?) e seguiu em frente. Perdeu dois jogadores nucleares na defesa e apenas recebeu Militão em troca (até ver, pelo menos). Na direita, só há mesmo Maxi e em algumas ocasiões Corona pode chegar.



Início tremido, derrota caseira com o Guimarães e futebol pouco esclarecido, com poucas soluções para chegar às balizas contrárias. De vitória em vitória até à desesperante exibição que se concluiu com a derrota na Luz. Ponto mais baixo, disse Sérgio. E bem. Foi mesmo, mesmo rasteirinho. 

Aboubakar de fora por vários meses, Soares fora da Champions por má decisão técnica. Só com Marega na frente e André Pereira como enésima opção, a equipa conseguiu este registo próximo da perfeição nestes cinco encontros, sem com isso ter de sacrificar qualquer outra das provas em que está envolvido: liderança no campeonato, apurado na Taça de Portugal e "vivo" na da Liga. E com a Supertaça já conquistada, convém não esquecer.

Nada disto é especialmente diferente do que se exige sempre neste Clube, mas a diferença entre a exigência e a realidade tem sido bem significativa, tal como as quatro épocas antes eloquentemente comprovam. E é aqui que Conceição tem o seu imenso mérito: o de voltar a fazer coincidir as expectativas com a realidade dos números. 

Sobre a conquista da época passada já tudo foi dito, em relação ao que irá suceder nesta ainda é cedo para dizer em definitivo mas uma coisa é certa: tudo o que de positivo vier a suceder terá como principal responsável o nosso treinador. Insisto, o nosso treinador, não a "nossa" administração e nem o nosso presidente.

Sem Ricardo Pereira e sem Marcano, com Herrera outra vez "Errera", Telles eclipsado, Oliveira de volta à penumbra e sem Aboubakar. Logo no final da época disse em entrevista que este ano iria exigira mais a Corona e Otávio. Dito e feito, ei-los que nos enchem de golos, assistências e ainda mais esperança. E o craque Militão, que o é mas ainda agora chegou. E Maxi a dar tudo o que já não tem. E Óliver a tentar provar que merece mais. Isto, meus amigos, é "só" trabalho da equipa técnica.

Desde que a época começou e até aqui chegar, já muitos (poucos...) cabelos se esbranquiçaram à custa do bom do Sérgio. As exibições cinzentas, as vitórias sofridas e as tiradas descabidas. Destaco obviamente a rábula dos pseudo-adeptos, do Sá da Bandeira e quejandos: num primeiro momento profundamente errado e a dar nota de não saber lidar com a (justa) crítica, o treinador não tardou mais do que uns dias a ter a inteligência e o bom-senso de recuar, reduzindo ao mínimo o tom da contenda e assim pondo ponto final nesse não-assunto. Parece óbvio agora, mas na altura não seria tanto. 

E assim conservou atrás de si todo o Mar Azul, ciente do muito que havia conquistado e esperançoso no muito que ainda há para conquistar. E assim, já a entrar em Dezembro, seguimos. Felizes, líderes, esperançosos.



Notas DPcA 

(por ordem cronológica)



Dia de jogo: 31/10/2018, 19h00, Estádio do Dragão, FC Porto - Varzim SC (4-2)




Jogo bem mais acidentado do que se previa, com o Varzim a conseguir molhar a sopa por duas vezes (a última delas graças a uma mega-oferta de Sérgio Oliveira). No final, a vitória que se exigia apesar do susto. Na memória perdurará apenas a jogada mágica de Corona que ofereceu o golo a André Pereira.

Nota (8): Corona (>45')

Nota (7): Bazoer (<77'), Otávio, Soares (>65'), André Pereira

Nota (6): Vaná, Mbemba, João Pedro (<65'), Hernáni, Adrián, Óliver (>77')

Nota (5): Chidozie, Jorge (<45'), Oliveira

Sérgio Conceição (6): Deu lugar aos menos utilizados (e bem), apesar de ter exagerado na quantidade. Uma equipa que nunca joga junta (treinar não é jogar) não pode ter rotinas e nenhum adversário se pode menosprezar hoje em dia. No final, cumpriu o objectivo e por isso ganhou a sua aposta. Mas mais cuidado de futuro.


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Dia de jogo: 03/11/2018, 18h00, Estádio da Madeira, CS Marítimo - FC Porto (0-2)



Jogo tradicionalmente complicado e que se foi complicando ainda mais à medida que o cronómetro avançava (e muito pela nossa inabilidade) até que o desespero se parecia ter instalado com o penálti infantilmente desperdiçado por Marega.

Felizmente nas estrelas estava escrito um final feliz e quase foi preciso um prospecto para poder apreciar a obra de arte colectiva de onde resultou o primeiro golo do encontro, magnífico. O maestro foi Otávio, vindo do banco. Vitória muito importante e totalmente merecida.

Nota (8): Otávio (>67')

Nota (7): Militão, Danilo, Brahimi (<79'), Marega

Nota (6): Iker, Felipe, Óliver, Corona, Soares (<74'), Herrera (>74'), Mbemba (>79')

Nota (5): Maxi (<67'), Telles


Sérgio Conceição (7): Mais de uma hora de jogo nada brilhante que no entanto não comprometeu objectivo último dos três pontos. Bem ao "não deixar" a equipa esmorecer após o penálti falhado, mexendo de imediato e de forma decisiva com o lançamento de Otávio. Se a vitória esteve em dúvida, foi Conceição quem mais ajudou a desfazê-la.


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Dia de jogo: 06/11/2018, 20h00, Estádio do Dragão, FC Porto - Lokomotiv (4-1)



Outra exibição no "limite" com a fortuna a favorecer-nos uma vez mais. O Lokomotiv teve várias oportunidades para fazer duvidar o desfecho até final mas acabou por as desperdiçar. Ainda bem para nós, que assim seguimos na liderança do grupo. Reconfortante e merecida a standing ovation ao herói da pátria Éder.


Nota (7): Iker, Danilo, Herrera, Óliver (<84'), Brahimi (<68'), Corona (<77'), Marega, Otávio (>68')

Nota (6): Maxi, Militão, Felipe 

Nota (5): Telles, Hernáni (>77')

Nota (-): Oliveira (>84')

Sérgio Conceição (7): Outro jogo a demonstrar o quanto o treinador evoluiu a este nível, procurando dotar a equipa dos fundamentais equilíbrios em todos os momentos. Nada de euforias, nada de loucuras, saber jogar com o relógio e com paciência deu os frutos desejados. Ainda que pudesse ter sido diferente o resultado... só que não foi.


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Dia de jogo: 10/11/2018, 20h30, Estádio do Dragão, FC Porto - SC Braga (1-0)




Bom jogo de futebol, do melhor que se tem visto por cá, com a fortuna de novo a sorrir-nos no final. Abomino o estilo de Abel mas devo reconhecer que a sua equipa fez um belo jogo no Dragão e que, com a tal sorte do seu lado, até poderia ter vencido. O empate nunca ficaria mal a nenhuma das equipas. Felizmente ganhámos nós e assim passamos a líderes isolados do campeonato. Como mais gostamos de estar.

Nota (8): Soares

Nota (7): Iker, Militão, Danilo, Óliver, Brahimi (<72'), Corona (<64') Otávio (>63')

Nota (6): Maxi, Telles, Felipe, Marega (<89'), Herrera (>72')

Nota (5): Hernáni (>83')


Sérgio Conceição (7): Boa postura desde o início, ainda que o jogo jogado nem sempre lhe tenha feito justiça. O melhor foi mesmo quando decidiu mexer, porque foi assim que desbloqueou o impasse e ganhou o jogo. A equipa "soube" resistir às boas investidas do adversário e acabou com xeque-mate. Que bela é a vida...


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Dia de jogo: 24/11/2018, 20h45, Estádio do Dragão, FC Porto - CF Belenenses (2-0)



Jogo de taça... desta vez o treinador foi mais prudente e reduziu a quantidade de mudanças no onze. o que se notou na fluidez do jogo colectivo, muito mais próximo da nossa normalidade. Vitória segura rumo à eliminatória seguinte e sempre com o Jamor em fundo.

Nota (7): Adrián, Óliver (<86'), Corona, Soares

Nota (6): Fabiano, Telles, Militão, Felipe , Herrera, Otávio (<66'), André Pereira (<76')

Nota (5): Oliveira (>66'), Marega (>76')

Nota (-): Mbemba (>86')

Sérgio Conceição (6): Sem deslumbrar e sem tremer, a equipa assegurou o único objectivo da partida. Missão cumprida.


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Dia de jogo: 28/11/2018, 20h00, Estádio do Dragão, FC Porto - Schalke 04 (3-1)



O jogo que o treinador classificou como o mais complicado do grupo - não o sendo, entende-se bem o propósito. Era o que bastava para garantir o apuramento em primeiro e assim ficar melhor posicionado para o sorteio dos oitavos, feito raro para as equipas deste rectângulo do vale-tudo. Jogo bem encarado, sem precipitações ou ansiedades prematuras e as coisas acabaram por acontecer com alguma naturalidade, depois de uma vez mais a equipa saber resistir a alguns momentos complicados.

É a tal da resiliência, do "calo" que vai crescendo na mentalidade deste grupo. Tudo pode ser possível, se trabalharem para isso. E uma equipa que acredita nisto é sempre mais difícil de derrubar. E a estreia do menino-craque a marcar na Champions a ficar para a posteridade.

Nota (8): Militão

Nota (7): Iker, Danilo, Corona (<79'), Marega

Nota (6): Telles, Felipe, Herrera (<85'), Óliver, Otávio (>79')

Nota (5): Maxi, Brahimi (<74') Adrián (>74') 

Nota (-): Hernáni (>85')

Sérgio Conceição (8): Nova prova de maturidade (prematura) do treinador, demonstrando que claramente entende como se disputa e se vencem jogos nesta competição. Claro que fomos felizes, mas desta vez sem nada de muito relevante e de que o adversário se possa queixar (a não ser de si mesmo). Este jogo e esta vitória foram o corolário de uma campanha quase perfeita e a nota também reflecte isso mesmo. Parabéns mister.


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Termino voltando à resiliência. É mesmo disto que os campeões, os vencedores das corridas de fundo são feitos. Sobretudo os que à partida não sugeriam grande capacidade para o ser. Sérgio Conceição não é perfeito - longe disso - mas foi o melhor que nos poderia ter acontecido neste momento do tempo. Por isso e quase só por isso, um outro e renovado agradecimento ao presidente Pinto da Costa por ter voltado a acertar ao fim de tantos falhanços sucessivos. 

Siga para campeonato, na batalha campal do Bessa. Lá estarei, como sempre.



Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco






quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Joga Muito o Jota


Por motivo de força maior só hoje consegui ver o jogo CD Nacional - FC Porto na íntegra e com a devida atenção. Segui o jogo ao vivo mas apenas à distância, pelo que apesar de muito tardiamente aqui fica a minha análise à partida. Para animar o feriado.


 

Jota, Diogo Jota.

Pronto, está feita a análise. Até à próxima.

Poderia quase ser assim, tal o impacto que o jovem avançado (gentilmente cedido pelo Atlético de Madrid) teve no desfecho final do encontro. Mas sempre se arranja mais qualquer coisinha para compor o ramalhete.

Relembremos por um momento algumas das minhas primeiras observações ao jovem craque.

"Pormenores. Foi o que eu lhe vi. Daqueles que aguçam o apetite, que deixam água na boca só de imaginar o que poderá vir a dar. É mesmo como o algodão, este lampiãozinho a caminho da conversão." vs. V. Guimarães

"Outra vez a mostrar pormenores, dos que sugerem que muito em breve poderá começar a ser um jogador importante nesta equipa. É uma questão de acertar o primeiro..." vs. Boavista.  

Pormenores. Desta vez, pormaiores. Acertou o primeiro com grande desembaraço, o segundo com muita classe e o terceiro com alguma sorte à mistura. Hat-trick para o pequeno Diogo. Quem diria, hein? O Lápis, claro.

Se Jota foi a chave do jogo, realce para o mérito de quem o meteu na fechadura com a combinação certa. Bem Nuno ao manter aquele em que acredita ser o melhor sistema, alterando apenas as pedras que o compõem. Relegou para o banco o amorfo André André e o indescritível Adrian Lopez, trazendo para o jogo Herrera (...) e Diogo Jota. É também de convicções que vive o homem. Se estão certas ou erradas, é outra questão, sempre mais subjectiva de avaliar. Neste caso, certíssimas, em função daquilo que o jogo deu.

Manuel Machado foi outro dos personagens da história, montando (para seu infortúnio) uma equipa bem à medida do nosso apetite. Apresentaram-se tenrinhos, bem temperados e no ponto certo para serem devorados em poucos minutos. Só ficaram os ossinhos, tal era a fome que nos afligia...

Vitória categórica num campo tradicionalmente complicado para o Porto, antes da primeira paragem para seleções e taça. Mesmo a calhar.





Notas DPcA 

Dia de jogo: 01/10/2016, 19h45, Estádio da Madeira, CD Nacional - FC Porto (0-4). 


Casillas (6): Jogo muito tranquilo onde apenas se destacam as pouco habituais (mas obrigatórias) saídas aéreas na sua zona de actuação. E sem mácula...

Layún (7): Começou a lateral e acabou a médio direito. Muito mais importante enquanto lateral, até porque coincidiu com o período em que o jogo se decidiu. Mais uma assistência para menino. E quase marcava de livre directo (outra vez).

Alex Telles (6): Menos decisivo no jogo do que Layún mas muito interventivo ainda assim. Continua a dar dores de cabeça a NES na decisão de quem relegar para o banco, agora que Maxi está recuperado. 

Felipe (6): Jogo correcto do brasileiro, sem falhas nem "benfeitorias" de relevo.

Marcano (6): Muito à imagem de Felipe, ainda que mais perto de ficar na história do jogo, fosse através de um golo, fosse por... oferecer um. Valeu Maxi na dobra.

< 80' Danilo (6): Muito bem na sua zona, a limpar e a dar para quem sabe organizar. Não tem "culpa" que a sua missão tivesse sido facilitada pelo adversário.

Herrera (7): E é isto... anda 10 jogos a enterrar a equipa, é relegado para o banco e depois reaparece a jogar "em condições", primeiro como suplente utilizado e agora a titular. É um puzzle indecifrável este Héctor Miguel. 

Óliver (6): Deu mostras de estar mais "habituado" ao que Nuno lhe pede, não só porque cumpriu mas ainda teve "coragem" para chegar mais à frente (no final, foi o próprio treinador a adiantá-lo) e fazer o que melhor sabe. Continuo a insistir que é um desperdício, mas neste jogo Herrera cumpriu bem a missão de encurtar distâncias com os avançados e a equipa não se ressentiu.

< 76' Otávio (7): Começa a ser repetitivo o elogio a este pequeno "génio", mas em boa verdade é indispensável reafirmá-lo, a bem da justiça. É ele o homem fundamental da equipa neste momento, pelo que joga e faz jogar, mas também pelo carácter que evidencia em cada disputa de bola. Que agradável surpresa!

André Silva (7): Falhou dois golos fáceis (um deles com fora-de-jogo assinalada) e isso não é bom, mas tudo o resto foi - muito bom, aliás. Combinou maravilhosamente bem com Jota, assistiu e fez o seu golo. Siga para bingo.

< 72' Melhor em Campo Diogo Jota (9): Notável a desenvoltura com que finaliza e o compromisso para com o jogo, para lá do mais óbvio mas não menos relevante hat-trick na sua estreia a titular. Obviamente, para ter continuidade no onze, sem "mas", ok mister? Ah, e muito boa a ligação com AS, outro "pormenor" de muito relevo. Não vai ser sempre assim, mas não engana, é mesmo (um projecto de) craque. Lampião, dizem? Lampiões destes, quero sempre - e muitos.

> 72' Maxi Pereira (6): Regresso importante de uma das pedras nucleares do plantel, desta vez apenas para recuperar parte do ritmo competitivo. Um corte à Maxi a salvar uma travadinha de Marcano foi o que de mais vistoso deixou na Madeira, mas o importante era mesmo somar minutos.

> 76' Brahimi (6): Entrou também com o jogo a dar as últimas mas ainda aproveitou para mostrar que pode ser útil, naqueles seus desenhos de samba, se souber entregar a bola no momento certo.

> 80' Rúben Neves (5): Foi o último a entrar no jogo, numa altura em que todos os demais já ansiavam pelo seu término. Nunca poderia evidenciar-se nestas condições, a não ser pela negativa. E esse momento chegou num lance excessivamente duro - mesmo se claramente acidental, tem que controlar a ansiedade por mais minutos. Para que não fique sem eles em lances disparatados.

Nuno Espírito Santo (7): E cá estou eu, para mais uma voltinha na montanha russa do Nuno... desta vez, estamos em cima, a desfrutar de um conjunto de boas decisões na preparação da partida (e de outras menos boas, da parte do adversário). O jogo correu "tão de feição" que se limitou a fazer as substituições "óbvias", dando minutos a quem menos os tem tido. Seria possível continuar mais uns tempos aqui em cima, ó mister? É que eu enjoo facilmente...





Outros Intervenientes: 


Foi fraquinha a prestação do Nacional, tão fraquinha que não me apetece destacar ninguém. Se bem que, comparando com o Feirense, foram um bravos...

Quanto a Rui Costa, não teve nenhum caso cabeludo para ajuizar, mas pareceu-me demasiado condescendente em lances que roçaram o excesso de virilidade (nomeadamente da nossa parte). 



Foi muito importante garantir os três pontos na Madeira (ainda para mais desta forma tão inequívoca), porque nos colocamos onde queríamos, com a ajuda do nosso Marega. Estamos a três pontos do líder provisório Benfica, que visita o Dragão no início de Novembro. Basta não desperdiçar pontos até esse confronto e depois massacrá-los sem dó nem piedade.
 
Já estamos em modo de pausa para a chatice das seleções e o regresso está marcado para o fantasmagórico estádio de Aveiro, para defrontar a malta da Gafanha da Nazaré a contar para a Taça deste Portugal republicano.

Até lá, fiquem bem.



Lápis Azul e Branco,

Do Porto com Amor




segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Dia de jogo: CD Nacional - FC Porto (1-2)


Chegamos à ilha num vistoso paquete e saímos de lá numa jangada. Mas o mais importante é que sobrevivemos.

"No veo um carajo..."

No jogo mais atípico da temporada, jogado em 5 partes assimétricas, conseguimos os três pontos. Enorme sensação de alívio. E regozijo, por saber que continuamos na luta e que - afinal - os árbitros também erram a nosso favor. Ufa, estava com receio que fosse sempre em favor do Sporting...

Conforme previsto na antevisão, chegámos a este jogo cheio de fantasmas de jogos passados. E que melhor embaixador para esses simpáticos gasparzinhos do futebol do que Ivan Marcano, o homem que nos dois primeiros passes que faz no jogo entrega a bola ao adversário, convidando-o a sair em contra-ataques perigosos e a assombrar ainda mais a equipa do Porto. Aliás, tenho para mim que o central espanhol era por essa altura mais do que um embaixador, era alguém já devidamente possuído por um qualquer diabrete que nunca havia dado um chuto numa bola... alguém que chame o Padre Fontes ao Dragão, por favor.

Ironicamente, foi um taconazo do Morc... de Marcano que nos deu o primeiro do jogo, na sequência de mais um canto apontado por Layún. Bem cedo no jogo, vantagem ideal para tranquilizar todo o mundo, incluindo o marcador do golo.

Dois minutos volvidos, canto para o Nacional e golo do empate. Um tal de Willyan (parece sina) foge a Brahimi e cabeceia à vontade, com Layún a desviar e Iker incapaz de a deter. Rico serviço. A sorte, quando nos bate à porta, é para ser bem tratada. Convidámo-la a entrar, sentámo-la confortavelmente no sofá (já de pantufas) e servimos-lhe um chá e uns bolinhos, ok? Não é para lhe dar um biqueiro no traseiro à primeira oportunidade, senhores! É certo que foi um lance (bem) trabalhado do nacional, mas seria suposto estarmos preparados. Foram todos atrás dos adversários ao primeiro poste e deixaram uma clareira para a entrada do foragido alvinegro. Marcação à zona totalmente desfeita... ou seria marcação individual?

A partir daqui, gostei. Não é piada, gostei mesmo. Está fácil de ver que não fizemos um grande jogo, mas também não eram essas as minhas expectativas. Eu, dos jogadores, só esperava atitude e alguma inteligência. Sofremos um golpe durinho ao consentir o empate dois minutos após o nosso golo mas não trememos. Fomos de imediato à procura do segundo. Sem fazer as coisas especialmente bem, mas fomos. E conseguimos. Aos 14' Brahimi emendou da melhor forma um remate de Herrera, após jogada de envolvimento e alguma sorte no primeiro ressalto em Corona. Daqui até ao intervalo, o jogo continuou repartido, com ataques de ambas as partes. Do Nacional, porque queria e sabia como; nossos, porque não tínhamos outro remédio: nesta fase, não temos arcaboiço mental para esconder a bola de uma equipa como esta... Dentro deste contexto, foi um resto de primeira parte agradável de seguir, com mais um par de oportunidades para fazer o terceiro, não fossem Herrera e Abou os protagonistas do último passe e da finalização...

E acabou. Aparentemente, a Ghost Team atacou em força durante o intervalo, porque no reatamento a nossa equipa parecia composta por onze almas penadas. Em menos de cinco minutos, três boas oportunidades para o Nacional. Como corolário, mais uma substituição do outro mundo: aos 49 minutos, sai Layún, entra Maicon. Como até agora não vi em lado nenhum que o mexicano estivesse lesionado, só posso assumir o pior: saiu por opção. QUATRO MINUTOS APÓS O INTERVALO! A sério Lopetegui? O Nacional (sim, o Nacional, não o Dortmund) faz 3 ataques perigosos e a resposta é tirar o lateral por onde ocorreram esses lances? Ou pior ainda, já estava previsto e aqueles quatro minutos foram só para chatear? Inacreditável.

Depois, chegou o nevoeiro. E a primeira paragem. E mais nevoeiro. E a segundo paragem. E o adiamento para hoje. Nesses períodos de jogo, ainda me pareceu ter visto Abou isolado a falhar um golo acessível e Herrera a fazer exactamente o mesmo (e outras coisas igualmente más). E o adversário a acreditar que conseguiria chegar ao empate. E nós com medo disso. Salvou-nos o nevoeiro...

Com uma noite inteira para dormir sobre o assunto, seria expectável que estes últimos minutos fossem abordados com outra calma e confiança. Estando sob ameaça de um KO, o árbitro parou a contagem até... ao dia seguinte. Mas não. Precisamente o oposto. Foi absolutamente confrangedor assistir a estes minutos. Miserável atitude (OBVIAMENTE resultante do planeamento), encolhidos atrás à espera que a sorte continuasse connosco. Postura de equipa pequena (tipo Sporting), inadmissível. Vergonhoso. Felizmente, a sorte continuou do nosso lado. 

Quem sabe se agora possuído por mil demónios em simultâneo, o bom do Marcano resolveu fazer um dos penáltis mais estúpidos e despropositados de que tenho memória, uma coisa tão evidente e inacreditável que Jorge Sousa deve ter pensado que estava a ver mal. Penálti escandaloso por marcar. Para terminar, mais um pormenor do descontrolo de Lopetegui: a reacção de Brahimi ao tomar conhecimento de que iria ser substituído. Como é possível que os jogadores não soubessem de antemão o que iria ser feito no cenário A, B e C para estes minutos finais? Como é possível que o treinador não inclua os jogadores nos seus planos, para que se preparem para eles? Não havia plano? É o desnorte total. 


Um dos momentos em que melhor se percebe a genialidade da táctica de Lopetegui


Notas DPcA: 


Casillas (5): Mais inseguro do que o habitual, não ajudou a tranquilizar a equipa. Respondeu bem em vários lances, mas mal em alguns. Dele espero sempre mais. Não chegou.

<-49' Layún (6): Uma exibição atípica, em que demonstrou algum descontrole. Não sei que bicho lhe mordeu, mas levou um amarelo evidente e desnecessário e depois ainda foi de carrinho disputar uma bola com o GR que felizmente saltou por cima. No regresso do intervalo, foi pelo seu lado que o Nacional causou muito perigo. Não vi bem se por sua culpa (e se exclusiva), mas o que é certo é que foi tomar banho cinco minutos depois do recomeço. Deve ter encetado parceria com um fantasma recente, ainda a habituar-se ao além... Mas, mais uma vez, fez uma assistência.

Maxi (6): Continua apagado, resguardando-se e limitando-se a defender bem a sua zona, certamente consciente da sua actual incapacidade de fazer mais. Não sei o que tem, mas não está bem.

Marcano (1): O que foi isto, Ivan, O Terrível (central)? Depois da enorme cagada de Londres, um poço cheio de esterco com a tua assinatura? Estás burro ou quê? Só por milagre não nos derrotaste sozinho! Bancada, já. Ah, o 1 é pelo golo.

Martins Indi (7): É o patrãozinho, queiram ou não. Sóbrio, austero mas muito eficaz. Além de cumprir bem as suas funções, ainda se dedicou a limpar a porcaria que os outros iam fazendo. Teve muito trabalho e fez quase tudo bem (só aquele amarelo era desnecessário).

<-87' Danilo (5): Estava a cumprir, q.b. mas sem brilho, até que saiu por indisposição. Obrigado Dr. Puga, pelo seu bom senso. 

Herrera (2): É desesperante, um suplício. Já não sei o que mais escrever sobre este jogador. Sem bola, revela alguma utilidade, sobretudo por andar a penar pelo campo e com isso ir surpreendendo os adversários (e companheiros, é certo). Mas com a bola no pé, faz quase sempre quase tudo mal. Desde o passe longo ao passe a dois metros, passando pelo cabeceamento para o sítio errado e o remate sem nexo. É caso de psicanálise. Internem-no p.f.

Rúben (6): Sempre o mais esclarecido do nosso meio-campo, a procurar equilibrar e emendar. Não brilhou mas foi importante para manter os cacos colados.

Corona (6): Foi, outra vez, um dos melhores da equipa. Não fez golos nem assistiu, mas procurou sempre descobrir espaços na defesa adversária. E ajudou a defender.

<-83' Melhor em Campo Brahimi (7): Outro golo decisivo e outro jogo onde se assume como o principal meio para incomodar o adversário e chegar à sua baliza. Só não pode é continuar a reagir às decisões do treinador, por muito que ache que tenha razão. A disciplina tem que ser para todos, sem excepção.

Aboubakar (4): Outro para quem já me faltam adjectivos. Não deixa de trabalhar, mas convenhamos que não chega. Se não acredita nas suas capacidades ou as pernas lhe falham neste momento, há que dar lugar a outros e continuar a trabalhar com ele para o recuperar.

->27' Imbula (6): Entrou bem no jogo, integrou-se na manobra da equipa e ajudou a segurar o resultado. Daquilo que vi, claro está.

->49' Maicon (6): Não lhe vi mais do que duas asneiras à Maicon e apenas de nível intermédio, o que na sua escala é muito aceitável. Muito aceitável.

->83' Evandro (-): Sem tempo útil para ser avaliado.

Lopetegui (3): Está em queda livre. Somando o apertão de que foi alvo e consequente vontade de abandonar (familiar até, pelo que se diz) à senda de más exibições e péssimas opções, não há muito que lhe valha neste momento. Olha-se para a sua postura, os seus gestos e até o que diz e percebe-se que perdeu o controlo. A substituição de Layún foi um sintoma. A forma vergonha como jogamos hoje o tempo em falta, é a própria doença. Está enfermo e nós por arrasto. Uma aspirina e muita fé. Ah, o 3 é pela vitória (um por cada ponto).

"Como não viste? Foi deste tamanho..."


Outros intervenientes:


Como habitualmente, o Nacional revelou-se uma equipa difícil de bater em sua casa. Desta vez, foi até um pouco mais longe e esteve perto de assegurar o empate. Vários jogadores interessantes, mas nenhum se destacou no nevoeiro, pelo que destaco o lance estudado de Manuel Machado no seu golo.


Não gosto de Jorge Sousa. Já nos custou várias e amargar derrotas com algumas decisões gritantes e muitas, mesmo muitas pequenas decisões, daquelas que inclinam os campos. Além de que me parece um simplório sem auto-confiança que depois tenta esconder com aquela postura esfíngica e autoritarista. Um palerminha, como se diz na minha rua. Posto isto, devo reconhecer que neste jogo nos beneficiou clamorosamente, ao não marcar um penálti do tamanho do mundo já perto do fim. Quanto ao primeiro lance, com o mesmo protagonista do nosso lado, acho que ajuizou bem dentro daquilo que a lei respectiva lhe permite, o que não significa que se tivesse marcado tivesse errado. Por isso mais uma vez repito: estou aliviado por saber que também se erra a nosso favor.


O nevoeiro: não o próprio fenómeno em si mesmo, mas o seu impacto na competição. Parece-me inadiável uma decisão por parte da Liga que impeça que isto se volte a repetir. Como? Bem, das duas uma: ou se "descobre" com os meteorologistas uma época do ano em que não haja nevoeiro e os jogos neste estádio terão que se desenrolar obrigatoriamente nesse altura, ou - mais simples - considera-se o estádio como inadequado para a competição profissional e o Nacional que se arranje. É chato? É. Mas deviam ter pensado nisso antes de construírem ali um estádio (ou melhor, em fazer os melhoramentos que o tornaram naquilo que é hoje).


Continuamos sem tempo para nada que não seja descansar, recuperar e jogar o jogo seguinte. Que é já na quarta-feira, em Santa Maria da Feira para a taça. Até lá, se não for antes!



Do Porto com Amor