quarta-feira, 28 de abril de 2021

Exéquias

Quase dois dias após o maior roubo de que há memória num jogo de futebol no Portugal pós-ditadura - ia escrever democrático, mas fui educado a nunca mentir - o extremo nojo e a absoluta descrença numa qualquer utópica regeneração deste pardieiro crescem em mim a cada "peça noticiosa" que ouço e vejo (e que não ouço ou não vejo), a cada minuto que respiro.

 



Todos sabem da conjuntura, ainda que a maioria não queira saber. O Porto, sempre mais intolerado e odiado a cada tropeção que provoca no andor do desígnio nacional que, hoje como desde quase sempre, se resume à concentração de tudo na capital Lisboa (e que por isso é tão pouco e tão menos do que deveria). Não basta o maior PIB per capita, não basta a concentração das sedes de decisão, não basta a aglutinação das empresas de maior dimensão, não basta todo e qualquer braço do obeso, obsoleto e definhador Estado, não basta os eventos culturais, não basta as convenções internacionais, não basta os títulos desportivos, não: é preciso ser tudo, ter tudo e estar tudo o que (lhes) importa ali a quinze minutos da porta de casa. O resto do território é para explorar à saciedade e ir de férias quando aprouver, visitar as vinhas, praia, campo, montanha e dar de comer à fauna local (de tão pitoresca que é).

E o Porto, hoje mais do que nunca, é a única voz dissonante que se vai fazendo ouvir, seja pela perplexidade que causa, seja pelo incómodo da persistência. Mas a luta que o Porto ainda vai dando, no espaço mediático, quase se resume ao Futebol Clube do Porto e a umas investidas de Rui Moreira. Nada de novo, uma deprimente tendência que se arrasta há décadas, durante a maior parte das quais em contra-ciclo com o Clube: o que a cidade e a região iam cedendo sem gemer, o Clube ia reconquistando em orgulho, honra e dignidade. E títulos desportivos, muitos títulos desportivos, nacionais e internacionais.

Ora como fica bom de ver, isto é intolerável e até incompreensível nas cabeçorras destas segundas e terceiras gerações de "macro(a)céfalos" nados e criados na capital, filhos e netos de gente saída de todos os cantos do país and beyond e a quem deveria ter sido explicado e demonstrado que aqueles cem metros quadrados de terra numa aldeia de Bragança, de Portalegre, de Luanda ou de Goa que ficaram para trás, valerão sempre infinitamente mais do que os T-muitos na Ajuda e as moradias em Cascais - porque são os cem metros quadrados da sua herança, origem e história das gerações idas que os antecederam e lhes dariam um sentido e um propósito. 

Claramente não foi e se a estes juntarmos os boçais arrivistas, oportunistas e parasitas recém-chegados às luzes hipnotizantes da "grande" metrópole (estou a devanear com um mosquiteiro eléctrico de talho, para ser sincero), temos o retrato fidedigno do panorama actual da corte deste país. 

O desporto é muitas vezes considerado como o substituto moderno das batalhas e guerras que acompanharam a Humanidade desde os seus primórdios em que se começou a organizar em grupos, clãs, tribos e afins. E bem, diga-se, porque permite experimentar o prazer e adrenalina da conquista e da vitória sem toda aquela chatice da mortandade e dos campos cobertos de sangue. Por regra, sobra apenas o direito dos vitoriosos a gabarem-se e a enfurecer os rivais e na batalha seguinte, lá continuam todos vivos para novo confronto desportivo. Parece simples, mas é a essência do desporto: o confronto entre oponentes enquadrado de forma civilizado por regras pelas quais todos se devem reger.

Voltando à corte bolorenta, as incontáveis evidências demonstram a sua total incapacidade para lidar com as décadas de meritórios sucessos do Porto, tão bem ilustradas pelo João Pinto no Jamor e em Viena, pelo Baía em Gelsenkirschen e pelo festival de luz e água com que nos brindaram pela conquista de mais um campeonato no mais saboroso dos lugares mal-frequentados. 

Havendo finalmente um jagunço ignorante e vigarista, sem vestígio de vergonha na cara e capaz de tudo, a liderar o clube que mais adeptos reclama ter (e por conseguinte, que mais sofre às mãos do Porto), juntou-se finalmente a fome à vontade de roubar - e de comer também, pronto. A corte pestilenta, normalmente sempre tão ávida por destruir o seu companheiro do lado e ficar-lhe com o quinhão, uniu-se finalmente a bem do desígnio nacional

Do "jornalista" ao director de informação, do comentador isento ao especialista impoluto, do juiz ao funcionário do tribunal, do funcionário público ao Secretário de Estado, do bancário ao banqueiro, do advogado ao deputado e do vendedor de rifas ao empresário dos frangos, todos viram a Luz e sentiram o apelo de se irmanarem com o único fim: devolver (?) a glória desportiva ao maior do mundo (e de Lisboa também), fosse de que forma fosse, custasse o que custasse, doesse o que doesse. 

Acto continuo, o assalto a todas as instituições que regulam as actividades desportivas e, muito especialmente, ao futebol. Não ficou pedra sobre pedra. Desde a federação à liga, em todos os lugares de decisão e em particular, onde com facilidade se pode adulterar a lealdade e o mérito desportivo: órgãos de disciplina e de arbitragem. Desde o justiceiro Ricardo Costa (hoje juiz conselheiro do STJ, pasmem-se) até esta senhora de que nem sei o nome, vários se perfilaram, serviram e foram recompensados (juiz conselheiro do STJ, insisto enquanto choro e rio). 

Na arbitragem, foi ainda mais refinada a trama, bem ao estilo nazi: sob a batuta de um Vitor Pereira que nunca ajoelhou Jesus, foi fabricada e programada toda uma nova geração de árbitros, seleccionada segundo apertados critérios arianos de uma raça (desta vez inferior) amestrada e unida pelo ódio visceral ao FC Porto. Passo a passo, foram-se empurrando os árbitros activos para fora do futebol profissional, despromovendo os desalinhados, reformando os pouco determinados e mantendo apenas os serviçais como João Capela e Bruno Paixão, tão reconhecidos pela sua "incompetência" como pelo fervor clubístico.

"De repente",  o quadro profissional de árbitros estava tomado de assalto pela nova seita e protegido pelos velhos pederastas que já mencionei e mais alguns como Hugo Miguel, que nos nutre um ódio doentio, e Nuno Almeida, mais benfiquista que árbitro. Não satisfeitos e para que o plano não corresse o mais pequeno risco, uma mão cheia desses novos acólitos é promovida de rajada a internacionais, onde ficam protegidos de descidas de divisão. Os famosos internacionais-proveta, para quem acompanha o futebol. E quem são eles? Vocês sabem, claro, mas eu digo: Fábio Veríssimo, Tiago Martins, Luis Godinho, João Pinheiro. Ring a bell?

Mas tão ou mais importante como adulterar a lealdade e o mérito desportivo é a enviesar a percepção pública que disso se cria. Sim, que ninguém se iluda, para o cidadão comum e até um pouco mais, uma mentira repetida muitas vezes e em todas as televisões, rádios e jornais por comentadores que se apresentam como isentos, seja de futebol, seja de arbitragem (um must destes tempos que vivemos, acaba por se tornar na única verdade que conhece e quanto mais distante do fenómeno, mais verdadeira essa verdade por desinteresse ou simples preguiça de verificação. E nisto também foram mestres da podridão, com o beneplácito dos directores das estações e demais artistas do meio com poder de decisão sobre quem convida e a quem paga para passar determinadas mensagens.

Ainda assim, o Porto continuou a ganhar. Não tanto como mereceu em campo, mas continuou. Não podia ser. Passamos ao nível seguinte, a desavergonhada e reles corrupção de adversários, jogadores e (suspeito) treinadores, pagar-lhes para facilitar, a negação do desporto. Quem puder garantir que nunca aconteceu, que me atire todas as pedras que encontrar (e peça ao Google para eliminar todos os registos de testemunhos na primeira pessoa dessas tentativas de suborno).

Ainda assim continuamos a ganhar, não foi? Pois sejam então bem-vindos ao que só pode ser o último nível

Em todos estes quadrantes, é vê-los saírem aos magotes dos armários farsolas em que se iam contendo e deixar cair todas as máscaras, assumir sem qualquer pudor ou decoro (porque nunca os tiveram) o seu facciosismo, imparcialidade, sectarismo e puro ódio. 

Jornalistas e comentadores insultam sem arrependimento o Porto, os Portistas e muitas vezes todos os que não são da corte capital (apenas porque não o são e mesmo nem sendo Portistas...), mentem descaradamente, sem castigo, e voltam à carga no dia seguinte ainda mais empoderados. 

Nos gabinetes da política, fazem-se medidas à medida de uns e de outros, sempre em favor dos mesmos e em desfavor do mesmo. Sempre. Nos corredores da justiça acontece o impensável num estado de Direito, aceitam-se amnésias, permitem-se fugas, ignoram-se provas, avisa-se de buscas, tecem-se prescrições. Um cancro que se espalha agressivamente pela sociedade portuguesa e que ninguém parece querer parar. 

Dentro de campo, o culminar de tudo isto e um pouco mais. Jornada após jornada, os mesmos são beneficiados de forma descarada, o Porto é intencionalmente prejudicado e todos são recompensados com novo jogo importante na jornada seguinte. Chegaram ao ponto de assassinar de vez as boas intenções que criaram o VAR a troco de um título nacional ou até menos, um segundo lugar. As decisões podem agora ser tomadas a centenas de quilómetros, sem que ninguém se possa sequer queixar. Os vigaristas são escondidos, protegidos e recompensados. Jogo após jogo.

O desespero é tal que já nem tem de ser o maior do mundo (e de Lisboa) a ganhar, pode ser o irrelevante tolo apalhaçado do outro lado da estrada que não faz mal, o importante... o importante é que o Porto pare de ganhar!

O completamente intencional, absurdo e desajustado empolamento que se tem dado desde segunda à noite a uma agressão de um grunho parasita a um operador de câmara, com honras sucessivas de primeiras páginas e aberturas de telejornais, comentários empertigados e exaltados vindos de todo o tipo de vermes e de todos os quadrantes da vida pública, em detrimento e para encobrir a muito mais grave viciação de resultado desportivo e do desfecho da competição que antecedeu a agressão é apenas o exemplo mais recente e paradigmático de estarmos já no tal último nível. 

É evidente, até para qualquer imbecil, que a agressão tem a sua gravidade e deve ser tratada segundo dita a lei, tal como é evidente que muitas agressões semelhantes ou piores se sucederam em tempos bem recentes e nada disto se gerou. Mas todos sabemos isto, nós e eles. Só que eles já nem querem saber, o importante... o importante é que o Porto não ganhe outra vez

Desde o jogo em Belém que fomos consecutivamente espoliados e afastados do título, o que só não tinha acontecido até segunda à noite por manifesta incompetência do líder fantoche e de quem nos persegue. Conseguiram, mas só desta forma. Mais um "campeão" falso como Judas.

 

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Este é o cenário. Este é o cenário em que já não consigo viver enquanto cidadão e homem de princípios. Enquanto não decido mudar de país, só me resta não me envolver mais neste lodaçal de podridão. Afastar-me do futebol, render-me talvez. Porque isto de andar aí a gritar aos quatro ventos sociais que somos isto e aquilo, e que nunca, jamais, enquanto imaginamos bater no peito, só serve mesmo para nos irmos enganando e digerindo os aviltamentos de que somos alvo. 

Caramba, se quem dirige o meu próprio clube desistiu há tanto tempo de lutar, fazendo de conta que há-de passar e para o ano há mais, se os meus consócios continuam num sono criogénico à espera do próximo D. Sebastião enquanto o actual permite que se destrua tudo o que foi sendo construído, quem sou eu para lutar sozinho? 

Pior, sei que se ficasse só me restaria mesmo lutar, no sentido mais literal e físico da palavra, para expurgar parte da raiva e da revolta que me consome por estes dias. E ficar depois, sozinho, a arcar com as consequências de um acto irreflectido e a tentar olhar nos olhos dos meus filhos e explicar-lhes porque fiz o que sempre lhes digo para não fazer, sem que absolutamente mais nada tivesse mudado sequer.

No dia em que sentir que os Portistas estão dispostos a tudo, começando por se juntar entre si sem estar à espera que a iniciativa venha de um qualquer presidente e deste em particular e demonstrar, com a força dos números, que não aceitaremos mais este estado de coisas, voltarei para estar na fila da frente. Antes disso, não me vou deixar mais consumir.


Até um dia destes,

Lápis Azul e Branco




terça-feira, 6 de outubro de 2020

O dia em que o Futebol morreu

Não sei precisar quando terá sido ao certo, mas que ninguém se iluda: o desporto futebol que existiu durante quase um século faleceu com estrondo.



Hoje percebo a imensa sorte que tenho em ser filho da revolução, nascido ainda bem dentro do século XX,  que me permitiu disfrutar desse jogo único que já foi tudo. Mais afortunado ainda por ser Portuense e - obviamente - Portista, onde a dimensão intrínseca do Clube, concretizada no futebol, atinge níveis de afeição e sentimento de pertença dos mais elevados do planeta.

Conheci e cresci com um futebol que era o orgulho (quantas vezes o único) da Invicta, o seu baluarte como o presidente tão bem dizia (e fazia), o seu porta-estandarte que recusava sempre vergar-se enquanto as forças sociais e políticas que o iam rodeando se vendiam por um bilhete de ida para a capital. Sempre contra-corrente, sempre hirto a encarar de frente às adversidades. 

Ainda senti, por história contada de uma geração para a seguinte, o que era ser Portista e não poder ganhar depois de passar a ponte sobre o Douro. Cresci a ver o Porto crescer, a tornar-se maior que o mesquinho país que tem a infelicidade imensa de o acolher, até chegar ao topo do mundo através do seu futebol. Uma estória daquelas de encantar, só que em real. 

Esse futebol, sempre visto pela lente enamorada pelo Futebol Clube do Porto, era uma escola de virtudes, insubmisso, lutador até à última gota de suor. Quem as corporizava eram os jogadores, moldados cirurgicamente pela determinação e sagacidade de Pinto da Costa e pela inteligência e competência de Mestre Pedroto e (alguns dos) seus sucessores. 

Todos sabemos quem foram e o que significaram Rodolfo, João Pinto, Paulinho Santos e Jorge Costa, mas muitos mais passaram pela azulebranca de forma mais discreta mas ainda assim contribuindo com a sua quota-parte para o sucesso inigualável em democracia de quase quatro décadas. Nunca se fez só (nem sobretudo!) de artistas, mas também por lá passaram muitos, de Cubillas a Hulk, passando por Oliveira, Lucho, Quaresma e Deco - em comum, além do talento sem fim, o sentimento. Nuns espontâneo, noutros ensinado, mas sempre único e coerente. Todos em prol do Clube.

Os mais recentes, como Hulk ou Deco, tinham já e justamente a ambição de chegar a um clube mais poderoso, que lhes permitisse ganhar mais dentro e fora de campo. Deco conseguiu, Hulk só parcialmente, mas o que importa é o que acrescentaram e a inspiração de que serviram para os que se lhes seguiram. Todos percebemos a ambição natural de cada pessoa, o problema não está nela mas nas condições que foram adulteradas para que o desequilíbrio entre partes se tornasse tão gritante.

Todos nos forçamos a saber também que os tempos mudaram, primeiro mais lentamente e depois com grande velocidade. Pode ter sido com Bosman que a primeira bala foi disparada, mas seguramente que foi a ascensão da nossa tão querida Champions League a um patamar de negócio estratosférico e desregulado quem descarregou o resto do carregador. 



O cheiro a dinheiro fácil e garantido, aliado ao passaporte dourado garantido a quem nele investisse, no questions asked, tornou-se um chamariz irresistível para clepocratas e criminosos dos quatro cantos do mundo se estabelecerem, de forma limpa e livre, na Europa civilizada. Foi o início do fim.

Se juntarmos a isto a total cumplicidade da UEFA e a constante cedência perante as exigências absurdas (para quem gosta do futebol como ele era) das maiores ligas europeias, temos a cova aberta e o caixão a ser carregado em ombros.

Chamemos-lhe negócio, indústria, o que quisermos, sempre seguido de rentável, mas não lhe chamemos futebol. Sempre houve e haveria clubes maiores e mais poderosos, fruto das suas idiossincrasias e circunstâncias geo-políticas, sociais e demográficas. O Real Madrid, o Barcelona, o Bayern e mais alguns "nunca" deixariam de o ser, mas como compreender e aceitar que outros campeões do passado, também eles gigantes nas suas realidades, tenham sido relegados para uma quasi-eterna penumbra por força dos petroeuros e similares, por troca com os paraquedistas Chelsea, PSG, City e demais "aberrações"? Ou um Mundial no Qatar? 

Como pode o futebol ser global se Porto, Ajax, Olympiacos, Anderlecht, Celtic, Roma ou Marselha estão impedidos de lutar com armas minimamente equivalentes? Como entender que clubes tão fortemente identitários e identificados com as suas regiões não as consigam representar condignamente com jogadores das suas fileiras? Não para lutarem todos os anos pelo ceptro europeu, porque estaria naturalmente fora da sua dimensão, mas para conseguir intrometer-se a espaços, como "sempre" aconteceu.

Só o Liverpool parece ter escapado à sina e apenas porque foi - também ele - comprado, embora sem perder a identidade (bem pelo contrário). E pode parecer contrasenso (talvez seja...), mas é um exemplo que abre uma pequena janela de esperança de que talvez seja possível... um futuro diferente, ainda distópico só que não tanto, em que o valor da identidade prevaleça sobre o investimento cego, surdo e mudo e que o equilíbrio dentro de campo reflicta as diferenças "naturais" entre clubes.

Pior que este reshuffle da hierarquia dos clubes do velho continente, é a forma como aconteceu e as implicações na forma de viver e sentir o futebol por parte dos jogadores. O amor ao clube e a antes indissociável aspiração máxima de representar as suas cores, gentes e valores desapareceu. Ou melhor, existe mas é de plástico, para russo ou árabe ver. É que a doença não se restringe ao topo, está disseminada de cima a baixo ao ponto de qualquer Wolves ter a capacidade de ter vários titulares da selecção portuguesa.

Hoje, os miúdos borbulhentos que não passam ainda de projectos de jogador já têm bem claro que o objectivo é chegar ao clube que lhes garanta uma vida financeiramente "feita" no pós-futebol, seja ele qual for. Jogar pelo clube grande da cidade ou do país é, na grande maioria das geografias, apenas um trampolim provisório e para encher de orgulho o avô (porque os pais já estão a pensar no passo seguinte), excepto nos casos em que coincide com esse clube ser do tal topo longínquo onde só cabe uma dezena.

Por fim, é triste constatar que mesmo o amor ao jogo sobrevive em cada vez menos jogadores e nada poderia ser mais fatal do que isso. O futebol como eu o conheci, com que cresci e que vi também crescer, está em vias de extinção. E só não está - nunca estará? - extinto porque ainda sobrevive nas ruas, nos pelados e nos sintéticos. Vive dentro da alma das crianças que ainda não sabem e das que sabendo não se importam e dos "veteranos" que nunca chegaram a ser. Essas são as casas onde o espírito do futebol livre ainda vive, esses somos todos nós que do futebol apenas recebemos emoções.

A reflexão é muito mais extensa e complexa do que isto, que não passa de um simples desabafo. O futebol pode estar morto, mas longa vida ao Futebol!



Sobre a loucura destes últimos dias do mercado do Porto, não me quero alongar muito. A péssima, melhor, inexistente gestão a médio prazo empurra-nos sempre para as mãos dos que não tem nem pressa nem falta de dinheiro. É estar sempre à espera de aproveitar a melhor oportunidade, que muitas vezes não deixa de ser má. 

Se já há muito nos habituámos a ignorar olimpicamente toda e qualquer declaração do Presidente sobre entradas e (sobretudo) saídas, não deixa ainda assim de ser dramático o total desbaratamento dos sub-19 vencedores da Youth League. É que há mentiras que doem mais do que outras e os que, como eu, ainda suspiram por ter na equipa jogadores que amam e vivem o Porto, não conseguem ficar indiferentes.

Lamentavelmente, o Porto em 2020 é exemplo de tudo o que se perdeu com o futebol-indústria, ao que se soma uma gestão em fim de ciclo, sem rumo e muitas vezes negligente. Os títulos regressados pela mão obstinada de Sérgio Conceição não podem nem devem voltar a servir de anestésico para que os Portistas regressam ao seu estado amorfo-catatónico. Não creio que esses tempos possam voltar de forma esmagadora, mas há ainda muito boa gente que não admite questionar as decisões da liderança de Pinto da Costa.

Esperemos para ver que nível competitivo irá atingir esta nova equipa, desejando ardentemente que seja o suficiente para nos levar ao bicampeonato, mas os negócios feitos remetem-nos para o primeiro ano de Lopetegui, com empréstimos sem opção de compra e para a inenarrável venda dos jovens jogadores da formação.

Nota final para Sérgio Conceição que, até prova em contrário, deverá ser considerado "cúmplice" desta estratégia sem estratégia - para o bem e para o mal e independentemente do que a seguir conseguir fazer com a matéria-prima. É que haverá sempre vida para lá desta época desportiva e o treinador campeão associou-se voluntariamente à ideia de que o futuro próximo da equipa principal passaria pelos vencedores de UYL. O que se constata é o exacto e doloroso oposto. Já há muito que aprendi a não sofrer com as possíveis chegadas, mas é-me ainda impossível não fazer o luto das saídas antes de tempo.

É certo que "isto da formação" tem também bastante que se lhe diga, mas fica para outra altura. Por agora, aguardemos pelo clássico de Alvalade e... StayAway Covid.

Um abraço sentido de gratidão a Danilo e Telles pelos bons serviços prestados e nada mais, porque Portista sou eu e vocês.


Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco


quarta-feira, 9 de setembro de 2020

Do Porto com Mística: Ligas Fantasy 20/21

Fantasia em tempos de pandemia... rima sem intenção, porque de poético não tem muito. Em todo o caso, cá estamos (felizmente!) prontos para iniciar uma nova época futebolística, nos estádios vazios e nas ligas fantasy, 100% Covid-free. Longe da acção real, nada como estimular a imaginação e testar a perícia de treinador no mundo digital.

 


 

Sem mais treta, deixo os links/códigos para se juntarem às ligas Do Porto com Mística, uma longa parceria de sucesso entre este blogue e A Mística Azul e Branca. É só clicar nos links ou copiar os códigos (parte final dos links) para inserir directamente na respectiva plataforma, seja ela RealFevr, Fantasy Premier League ou UEFA Fantasy Football

Atenção que a liga espanhola começa já na próxima sexta e a liga inglesa no dia seguinte!

 

RealFevr

Liga Portuguesa - https://fantasy.realfevr.com/t/78a95559
Início: a decorrer, inscrições ainda abertas

Liga Inglesa (NOVA!) - https://fantasy.realfevr.com/t/57dd4160
Início: a decorrer, inscrições ainda abertas

Liga Espanhola - https://fantasy.realfevr.com/t/b1da899d
Início: a decorrer, inscrições ainda abertas

Liga Italiana - https://fantasy.realfevr.com/t/93aa69e0
Início: a decorrer, inscrições ainda abertas

Champions League - https://fantasy.realfevr.com/t/966ee15e
Início: 20 Outubro, 16h55

Europa League - https://fantasy.realfevr.com/t/ffad68aa
Início: 22 Outubro, 16h55
 


Official FPL

FPL code: l0heyj
Início: a decorrer, inscrições ainda abertas

ou 

https://fantasy.premierleague.com/leagues/auto-join/l0heyj  


Oficial UEFA

Champions League - código 28NOOMHJ4T03

ou

https://gaming.uefa.com/en/uclfantasy/leagues/28NOOMHJ4T03


Tenho bem consciência que estou em grave falta para com os participantes da época passada, em particular para com os grandes vencedores finais, mas infelizmente as classificações da maioria já não estão disponíveis para consulta e não as registei atempadamente... a culpa é do Covid... obviamente.

Fica a promessa solene de não permitir que tal se repita, com ou sem pandemia. 

 

Let the games begin!



Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco
 
 
 
 

quarta-feira, 5 de agosto de 2020

Obrigado pelos Títulos, Agora Queremos Futebol


Creio que devo começar por acalmar os (que se acham) mais acérrimos defensores de Sérgio Conceição, face a uma possível mas não-intencional "agressividade" inferida do título deste texto, mas que mais não é que a adaptação do título de um livro escrito por um bom amigo e que recomendo a todos, cujos detalhes guardo para o post scriptum.




Somos Campeões, carago! Do campeonato e da Taça, a saborosa Dobradinha, que é como quem diz, umas belíssimas e dominicais Trip(inh)as à moda do Porto. Parabéns a todos os envolvidos nestas determinantes conquistas, com natural destaque para jogadores e treinador.

Em inusitado tempo de pandemia e incerteza, esta dobradinha chega como um enorme bálsamo de tranquilidade e coragem que os Portistas muito agradecem e celebram, mesmo que de forma contida e contra-natura. Enfim, apenas mais uma dificuldade, das muitas de que é feita cada conquista da nossa história.

A final da Taça acabou por representar exemplarmente o que é ser do /jogar pelo FC Porto. Mais de uma hora em inferioridade numérica, uma arbitragem hostil e os nossos a morderem a língua, fazendo das tripas coração para trazer o troféu para o Museu do FC Porto. Não necessariamente contra tudo e todos, como muito gostamos de apregoar, mas seguramente contra muito mais que os 11 adversários em campo.

O Porto é uno e indiviso, Clube e Cidade, e nunca será apenas futebol. Pelo contrário, cada vez mais é necessário um Clube forte e determinado em carregar a bandeira de toda uma região - que não é geográfica, mas de sentimento de pertença - contra os permanentes vilipêndios e achincalhos por parte do centralismo bafiento e macrocéfalo que nos tolhe o desenvolvimento enquanto nação. Valente e imortal? Não, dependente e imoral.

Quem não entende isto, não se deveria considerar portuense. Que tenha a infelicidade de ter "nascido" e crescido do Benfica ou Sporting, enfim, disso não terá culpa, mas não entender o que o FC Porto representa (até para eles), é falta de coragem ou incapacidade.

Por tudo isto, cada conquista, cada troféu, é sempre mais um avanço da resistência, um novo grito de revolta, um abanão na inércia que nos adormece nos braços. Por tudo isto, Sérgio Conceição é, para mim, um herói dos tempos modernos. Não voa, não tem visão raio-X, mas tem uma força interior "sobre-humana" (e agora usa máscara, como todos nós) que nos teria conduzido agora ao tricampeonato, não fosse pela habitual vigarice dos sem-vergonha nas jornadas decisivas da época passada.

Sou, ao mesmo tempo, o maior defensor e o maior crítico de Sérgio Conceição. Parece ser uma pessoa normal, como qualquer um de nós, talvez com a diferença de ter defeitos e virtudes muito bem vincados, sempre presentes e facilmente detectáveis por todos. Goste-se ou não, pelo menos não engana.

O meu "problema" com ele é exclusivamente "profissional": como fui escrevendo ao longo destas três temporadas, o Sérgio chegou no meio da maior crise do Clube a que assisti (e que ainda subsiste, note-se) e fez de um bando de rejeitados e perdedores uma equipa de campeões. Esse mérito já seria suficiente para ficar eternamente nas páginas douradas do Porto, mas não se ficou por aí. Teve coragem para seguir ao leme na nova temporada.

Desvanecido o efeito surpresa e perante contratações que pouco ou nada acrescentaram, começou a fase lunar de Conceição: os resultados ainda foram aparecendo, mas o futebol nem por isso. Tendência que, sublinhe-se a bold, já vinha da primeira época. A questão é que nessa primeira época o desígnio era claro - manter a exclusividade do Penta - e as expectativas baixas, após várias épocas de péssimas escolhas do Presidente, que nos deixaram à mercê da incompetência, desonestidade e/ou falta de brio profissional dos vários treinadores e empresários que foram passando pelo Dragão, cada um com sua pá, cavando uma sepultura cada vez mais profunda.




Sentindo-se acossado, chegou a revoltar-se com os adeptos que pediam espetáculo, remetendo-os para o Coliseu ou Sá da Bandeira. Entendo bem que quem trabalha com dedicação e sacrifício da vida pessoal, se sinta injustiçado ao sentir esse tipo de exigência, ainda mais quando pontuada por muito desconhecimento do trabalho realizado e do próprio jogo.

Mas faz parte da vida do treinador do Porto, como ele bem sabe. E mais importante, pelo menos no meu caso, é que o tal "espetáculo", que eu designaria antes como bom futebol, além do inerente prazer de o assistir, nos colocará sempre mais perto de vencer - e aí, meu caro Sérgio, não há como contestar: jogar bem não é só (nem principalmente) jogar bonito, é jogar com confiança e atitude desde o primeiro apito, é saber e conseguir controlar o jogo, é impor respeito ao adversário seja ele qual for.

E isso, até hoje, ainda não aconteceu de forma consistente e predominante. Claro que houve jogos assim (felizmente, quase todos os contra o Benfica e uns quantos mais), mas volta e meia sentia-se a equipa amarrada, sem soluções para chegar à baliza contrária, ainda por cima sem a consistência defensiva que justificasse essa inoperância ofensiva. Qualquer Portista reconhecerá o frequente receio de poder sofrer um golo a qualquer momento, de qualquer adversário. Foi muito isto a segunda época - isto e a incapacidade de ganhar nos momentos decisivos (finais) e, claro, as arbitragens incorrectas e sempre tendenciosas a favor dos sem-vergonha.

Apesar de alguns bons reforças, tudo parecia indicar que esta terceira temporada ia ser mais do mesmo: pouco futebol e nenhum troféu. Para agravar, a eliminação madrugadora perante o Krasnodar, que tanto nos custou a nível económico (ainda por apurar o quanto...) mas também desportivo e mental. Por alturas da final da Taça da Liga, tudo parecia estar prestes a implodir: até o próprio Sérgio se revoltava publicamente contra o que considerava estar mal, embora tendendo a esquecer-se de incluir os erros próprios.

Podemos agora gozar com quem nos fez o funeral na altura, mas... usando de seriedade intelectual, quem é de nós, por aquela altura, não antecipava um fim muito triste para a temporada? Eu evidentemente que sim, digo-o sem assombro. Era o mais natural e o mais provável, sejamos sérios.

Felizmente não foi. Soubemos resistir (dentro de campo) e aproveitar o inesperado desabamento da equipa do Benfica, que nem com algumas das habituais ajudar teve capacidade para evitar o espectacular naufrágio. A vitória sobre eles no Dragão foi o princípio do seu fim anunciado. Depois... veio a pandemia e, meses mais tarde, o recomeço das competições. Voltamos a falhar com estrondo em Famalicão e tudo voltou àquele final de jogo na "Pedreira" em Janeiro. O resto é mais do que conhecido e acabámos inclusive a Liga jogar o nosso melhor futebol da época, alternado com mais alguns momentos de credo na boca, como em Paços de Ferreira.

Tudo somado, regresso à opinião que tinha no início desta temporada sobre Sérgio Conceição (depois de ter deambulado por maior negatividade): é a pessoa em quem mais confio para manter esta direcção "na linha", mas sem deixar de lhe exigir que evolua o seu pensamento sobre o jogo e desenvolva uma proposta mais condizente com o estatuto de clube grande. Percebo bem a questão premente dos ovos e das omeletes, mas sinceramente creio que teve matéria-prima para fazer melhor a nível do futebol jogado.

No final, todos queremos é ganhar, mas importa-me quase tanto a viagem como chegar ao destino. Desejo, do fundo do coração, que Sérgio Conceição continue no Clube, tanto como que tenha a vontade de melhorar a sua proposta de jogo.



Uma nota final para me despedir de San Iker, agradecendo-lhe a forma como se deixou apaixonar pela minha cidade e pelo meu clube. E de todos os que possam sair neste defeso, já agora. Até já, até sempre.


Parabéns e obrigado, Campeões!


Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco




P.S. - o livro a que este texto rouba o título é "Obrigado pela Democracia, agora queremos Liberdade", da autoria de Miguel Ferreira da Silva, um dos fundadores (o mais importante, digo eu) da Iniciativa Liberal, que explica no livro o processos e contexto em que este movimento político se desenvolveu.

Antes que dêem asas ao sectarismo que vos caracteriza, por favor notem que é uma reflexão interessante para todos os que se interessam pelos caminhos que Portugal vai trilhando, independentemente das crenças políticas. Aliás, se calhar é até mais interessante para quem não se revê naquilo que a IL é e representa hoje. Excelente leitura de férias, trust me.



terça-feira, 26 de maio de 2020

Lápis a Presidente!


Curiosamente - ou nem tanto - um dos textos mais lidos de sempre deste blogue tem como título "Eleições no FC Porto". Corriam os idos de Março do ano da graça do Dragão de 2016, faltava cerca de um mês para o acto eleitoral no Clube, mais um vazio de interesse, inócuo, para cumprir estatutos.

Escrevi na altura "Ninguém (portista) quer o caos. Ninguém. Só um irresponsável poderia preferir um clube desgovernado ou ingovernável a uma má liderança. Mas entre as duas coisas há alternativas. Tem que haver.". Na altura não houve, desta vez há - candidatos pelo menos.




Nesse texto fiz um brevíssimo resumo do que havia sido o mandato que então findava, fraquíssimo até à data da escrita mas ainda com possibilidade de melhorar (a época desportiva ainda decorria). Foi a época de Peseiro, que todos bem sabemos como acabou - a zero, após o afundanço no campeonato e a tragicomédia do Jamor contra o Braga. A actualização foi feita em Maio do mesmo ano e desta forma, de onde destaco o seguinte (embora todo o texto mereça uma (re)leitura):

"Em suma, a época 2015/16 foi das piores de sempre de que tenho memória.

Além de não termos vencido nenhuma competição, falhámos o fundamental acesso directo à Champions e deixamos uma péssima imagem daquilo que somos, que sempre fomos e do que queremos continuar a ser, ao ponto de terminarmos ridicularizados por uma tragicomédia no anfiteatro do Jamor.

Somando esta às duas anteriores, é fácil concluir que este foi o pior mandato de Pinto da Costa como presidente do clube. Um desfecho perfeitamente previsível por altura das eleições de Abril. E nem assim houve quem avançasse na defesa do clube. Algo vai muito mal no reino do Dragão - e somos nós, os portistas, os únicos responsáveis por esta inércia.
"

Quatro anos volvidos, o que mudou? Para melhor, quase nada. A começar pelo palmarés do futebol profissional:

2016/17
Liga: 2º
Taça: 4ª eliminatória (Chaves)
Taça Liga: fase grupos (último lugar)
Liga Campeões: 8vos (Juventus)

2017/18
Liga: Campeão
Taça: Meia-final (Sporting)
Taça Liga: Meia-final (Sporting)
Liga Campeões: 8vos (Liverpool)

2018/2019
Supertaça: Vencedor (Aves)
Liga: 2º
Taça: Final (Sporting)
Taça Liga: Final (Sporting)
Liga Campeões: Quartos (Liverpool)

2019/2020
Liga: a decorrer (1º após 24 jornadas)
Taça: na final
Taça Liga: Final (Braga)
Liga Campeões: playoff (Krasnodar)
Liga Europa: 16vos (Leverkusen)

Resumindo, mais um mandato que desportivamente será, na melhor e mais desejada das hipóteses, razoável. Vencendo o campeonato e a taça, somaremos 2 Ligas, uma TP e uma Supertaça em quatro anos, o que é apenas razoável. Não vencendo a TP, sofrível. Não vencendo o campeonato, será sempre mau.

E o combate ao #polvo? Zero (vírgula um). A décima chama-se Francisco J. Marques, que fez tudo o que podia para dar à administração as ferramentas necessárias para que pusessem mãos-à-obra e iniciassem a reparação do futebol português. Ou que lutassem por isso, no mínimo. Não podem, não querem? Não sei ao certo, sei que nada fizeram que se veja e sinta na práctica.

No clientelismo e relações promiscuas, houve melhorias? No mínimo, parece haver mais recato, menos mal.

Já o distanciamento entre Clube e adeptos continuou a aumentar, mesmo considerando as boas iniciativas comerciais e de marketing que foram lançadas, porque do lado de cá se sente cada vez mais que, tirando o momento da renovação dos lugares anuais, os únicos adeptos que contam para a administração da SAD são as claques e os FSEs que esta(s) lhe(s) presta(m). Quem quer ir ver o Porto fora mas não se quer sujeitar ao enjaulamento das claques, mais vale é ficar em casa.

Somando a tudo isto a falência económico-financeira em que o Clube se encontra, conclui-se sem dificuldade que tirando termos conseguido evitar o pe(n)ta dos sem-vergonha, somamos mais quatro épocas a cantarolar alegremente rumo ao abismo.

Só isto, mesmo ignorando o descalabro do mandato anterior, deveria ser motivo suficiente para haver concorrência nestas eleições. Desta vez sim, houve quem corajosamente se dispusesse a ver a sua vida devassada e avançasse com candidaturas, mais concretamente duas à Presidência e uma terceira apenas ao Conselho Superior. Mas concorrência efectiva? Está por demonstrar.

Li o manifesto e ouvi a conversa de José Fernando Rio (lista C) com os Cavanis e reforcei as ideias que já vinha formando: que é uma candidatura útil ao Clube e merece o respeito de todo o universo Portista, não apenas pela coragem de ser a primeiro em décadas, mas também por conseguir articular um conjunto de ideias e princípios que considero coerentes, positivos e necessários, muitos dos quais elenquei já há quatro anos. Falta saber como e com quem as pretende concretizar, é certo, mas no mínimo fomentou a discussão sobre os temas.

Também li o que encontrei e ouvi Nuno Lobo (lista B) no mesmo registo e o que de mais positivo posso dizer é que é alguém genuinamente apaixonado pelo Clube, farto de sofrer com o declínio e a inoperância confrangedora dos incumbentes, um Portista de corpo e alma. E por aí me fico.

Não sendo concorrência, há uma outra lista (D) que se candidata apenas ao Conselho Superior, um órgão "faculto-consultivo" que poderia ser uma oportunidade soberana de reunir e discutir com os vários stakeholders do Clube, mas que na prática tem sido apenas um órgão de fachada e de premiação dos homens do presidente. Só pelo facto de esta lista não pertencer ao status quo já seria interessante, mas mais se torna quando se lê aquilo a que se propõe - mesmo sabendo que nada "podem" (porque nada mandam), poderão pelo menos questionar e dar conta das respostas ou do silêncio que vier de volta.

Quanto ao passeio pelo parque de Pinto da Costa (lista A), destaco o facto de existir um site de candidatura, cuja composição é 95% Passado e 5% variados: a já antes prometida Academia, agora em esteróides, e mais umas coisas que não passam de aborrecidas palavras de circunstância como melhorar, lutar e outras para rimar. NADA de novo, obviamente.

Minto, há Vítor Baía. Um dos mais acarinhados ídolos Portistas, que havia sido chutado para a sarjeta quando se atreveu a sair do guião de figurante que lhe tinha sido atribuído. Voltou agora porquê e para fazer o quê? Entendo obviamente o seu lado e a autenticidade da alegria em voltar a casa, mas tenho muita dificuldade em entender os motivos de Pinto da Costa. Não acredito que lhe passe pela cabeça ter a reeleição em risco, pelo que... porquê, agora, Baía?

Não falta quem adivinhe uma sucessão, quiçá ainda durante o próximo mandato (se se vier a concretizar), ao que eu respondo com um estrondoso e trocista AHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAH. Não que Baía não possa aspirar legitimamente a sê-lo, mas que Pinto da Costa o queira endossar por ver nele um digno sucessor. E porque não?

Primeiro, porque acho que já passaram demasiados anos para que o presidente ainda consiga ver alguém como sendo digno de o suceder; segundo, porque apesar da sua popularidade, Baía está numa posição de fragilidade (pelo sucedido e pelos caminhos que tomou a seguir) e PdC sabe-o bem; terceiro, porque aposto que o presidente teria outra(s) preferência(s) muito mais... umbilical.

Por aqui talvez se possa perceber alguma coisa. Talvez, mais do que querer que Baía o suceda, quer "alinhavar" uma lista vencedora, encabeçada por alguém popular, capaz de duas coisas: 1) incluir nessa lista quem (PdC) bem entender (negociado de antemão) e 2) impedir ou diminuir consideravelmente a probabilidade de sucesso de "outras" candidaturas. Isto tudo à la longue, obviamente, porque no continuar é que está o ganho.

Aguardo curioso por saber que papel terá Baía na "nova" estrutura (se eleita) e quem mais o acompanhará, bem como quem serão as "notáveis" ausências (Fernando Gomes não conta, obviamente). Se Baía ficar fora da SAD, será mais um gnomo azul para enfeitar o Dragão; se entrar como administrador, há mesmo mouro na costa (salvo seja).


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AGORA A SÉRIO

Retiradas estas questões menores do caminho, é tempo do que interessa verdadeiramente. Após muito zunzum e rumores, confirmo, para vossa imensa alegria, que mais uma vez volto a não ser candidato e - mantendo a coerência - com o mesmíssimo programa eleitoral.

Programa Eleitoral Do Porto com Amor


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É clicar e ler, boa gente, clicar e ler.


Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco (a presidente!)