sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Sociedade Anónima Desgovernada


A prudência recomendava que se evitasse tirar conclusões a partir do comunicado feito ao mercado com um suposto resumo das contas da FC Porto SAD em 2017/18. É normal que os gestores procurem salientar o que lhes parece ter corrido bem (ou menos mal) e deixem o que não é bonito de se mostrar para a auto-recriação de quem tiver a paciência de ler o RCC (relatório & contas consolidado).




Assim fiz. Esperei que o documento ficasse disponível na íntegra e fiz uma primeira e rápida leitura ao documento, com a qual tirei as seguintes notas:


1. Resultados Operacionais excluindo transacções com passes de jogadores

Agravamento do resultado negativo em mais de 20%, atingindo agora os M€27, justificado com a aposta (ganha) na recuperação do título nacional e "compensado" pelas transacções com passes de jogadores. 

Não faz sentido que, de forma recorrente, a conquista de títulos implique o agravamento das contas, embora no caso concreto se "aceite" pela imperiosidade dessa conquista (face ao descalabro desportivo dos quatro anos anteriores). Ou seja, mau mas se fosse apenas "one-time shot", aceitaria. Sabemos que não é, mas também temos a solene promessa da administração de seguir por um caminho de redução drástica dos custos salariais, pelo que só esperando para ver. 

Certo, certo, é que não temos receitas recorrentes para cobrir este tipo de massa salarial. Nem outros tipos de custo, como veremos já a seguir.

1.1. Proveitos Operacionais s/ passes

O crescimento dos proveitos é sempre de saudar, embora globalmente seja modesto porque as rubricas de maior crescimento são também as de menor peso relativo no total. Em todo o caso, no sentido certo. Bom trabalho aqui, em particular da Porto Comercial.


1.2. Custos Operacionais s/ passes

Na rubrica mais importante - Custos com Pessoal - está reflectido o tal agravamento de campeão, sobre o qual já me pronunciei acima. 

Aqui, vou voltar a insistir na segunda mais importante, os FSEs (Fornecimentos e Serviços Externos), que basicamente inclui todo tipo de custo operacional que não seja salários e encargos associados, CMV (custo das mercadorias vendidas), amortizações ou provisões. Ou seja, onde há mais liberdade para se perder o fio à meada dos gastos... Se no exercício anterior se estancou a "desgraça" de 15/16 em FSE's, este ano retomou-se o caminho do despesismo desregrado. Ou assim parece, face ao agravamento de 12% desta rubrica para quase M€44. 

No documento, a parca explicação refere as benfeitorias do estádio e as viagens de pré-época como justificação. E já está, como se não tivesse importância - afinal, FSEs só representam 33% do custo operacional, nada de relevante... 

Globalmente, o agravamento destes custos quase atinge os 10%. Insustentável e com muito por explicar.





2. Resultados com transacções de passes

Tradicionalmente a "salvadora da pátria" neste arriscado modelo de gestão, esta rubrica volta a cumprir as expectativas mas - também de novo - não o suficiente para se conseguir um saldo positivo nos Resultados Operacionais. 

Os "resultados com passes" atingiram os M€14,5, já subtraídas as respectivas amortizações e perdas por imparidades com passes. No relatório, o destaque vai antes para a diferença "simples" entre proveitos e custos com passes, que ascende aos M€50.


3. Resultado Operacional


Com isto se chegou a um Resultado Operacional (passes incluídos) negativo de M€13,35 - ainda negativo e portanto mau para o futuro da sociedade, mas que representa significativa melhoria face ao exercício anterior. Aparentemente no bom caminho, falta aumentar o ritmo a que é percorrido.


4. Situação Patrimonial


De forma simplista, o Capital Próprio (CP) é a diferença entre os activos e os passivos de uma sociedade, pelo que se o CP é negativo significa que o passivo (responsabilidades da empresa) excede o activo (recursos da empresa). 

A FC Porto SAD sofreu um agravamento muito importante neste exercício ao ver o seu CP negativo "aumentar" para M€38 em função da incorporação do resultado negativo do exercício - isto sem incluir a EuroAntas, que por ser detida em menos de 50% pela SAD (não por acaso), não "releva" para a situação patrimonial desta última. Caso assim não fosse, estaríamos a falar de um CP negativo superior a M€90. Um artifício após um outro, que foi o da "compra" de 47% da EuroAntas pela SAD.

Curioso é registar as atenuantes que constam no RCC: a subvalorização contabilística do plantel e o direito de utilização da marca FCP. Se quanto à marca até se aceita com bastante goodwill (e só é pena que "a valorização deste ativo ao valor de mercado é considerada não elegível, para efeitos contabilísticos, à luz das normas internacionais de contabilidade"), a questão do plantel é muito mais delicada.


Valorização do Plantel

Quão irónico, tragicómico até, que no RCC se possa ler que, segundo a KPMG, "(...) os 6 jogadores mais valiosos do FC Porto (Brahimi, Alex Telles, Marega, Danilo, Aboubakar e Herrera), que integram o top 10 dos jogadores com maior valor de mercado a atuar na Liga Portuguesa, valiam, em 1 de setembro de 2018, 128M€." quando em simultâneo o Presidente destrói as ilusiones de muitos Portistas quanto ao amor ao clube do ainda capitão Herrera e quando se sabe que Brahimi provavelmente seguirá o mesmo caminho, o da saída a custo zero. É, lá se vai grande parte do argumento, não é Senhor Doutor Administrador "Financeiro" ? 

E já agora, para não me alongar mais sobre este lamentável assunto, aqui ficam as declarações do mesmo Presidente em Novembro de 2016: "Ofereceram-nos 30 milhões pelo Herrera no último dia do mercado". 

O que aconteceu nestes dois anos? Herrera desvalorizou ou, pelo contrário, fez a melhor temporada da carreira? Já não haverá quem ofereça pelo menos os mesmos 30 milhões? Não justifica o esforço de pagar o tal suposto prémio de assinatura de 6 milhões em vez de o expor publicamente? Ainda que a SAD só recebesse 80% de M€30, parece-me que ganharia mais do que zero. Mas devo estar a pensar mal. Ninguém quer o Pretty Héctor para nada. 

As explicações de Fernanfo Fomes, transcritas hoje n'O Jogo, podem servir para enganar fanáticos e distraídos mas pouco mais. Chavões como "os jogadores já estão amortizados" ou "para renovar, teríamos de aumentar muito os vencimentos e dar prémios de assinatura" são para embalar meninos. Se de facto fosse essa a estratégia, a da redução drástica do nível de custos, já os deveriam ter vendido há muito e não andariam a estourar dinheiro em jogadores que nem chegam a calçar nos treinos. É o que dá navegar à vista e andar ao sabor dos ventos do fair-play financeiro.




4.1. Activo

Nada de muito relevante a não ser o aumento de Cliente a curto prazo, o que será positivo assumindo que não haverá falhas nos pagamentos acordados. Nota para a diminuição do valor contabilizado do plantel, apesar do que se segue já aqui abaixo.


4.2. Passivo 

Um crescimento muito preocupante do Passivo pelo aumento substancial do endividamento não-corrente, essencialmente com empréstimos bancários (factoring) e o adiamento de compromissos obrigacionistas. Afirma-se que é uma vantagem (face ao aumento do passivo corrente), o que é verdade, mas tal não invalida que seja negativo na mesma: em vez de péssimo, é só muito mau. É a velha táctica de ir empurrando com a barriga, com o peso dos encargos sempre a crescer. Por esta boca pode mesmo morrer o peixe.

Detalhando, "em 30 de junho de 2018, o valor nominal em dívida destes empréstimos, registado no passivo não corrente, é reembolsável como segue:

2019/2020 - 61.554.211
2020/2021 - 64.127.069
2021/2022 - 31.218.264
2022/2023  -27.713.450
"

Dois ricos anos pela frente.


Nota final: EBITDA

De forma simples, o EBITDA dá uma ideia dos recursos libertados (gerados) pela actividade operacional da empresa, sendo muitas vezes uma "medida" utilizada para o cálculo do valor da empresa. Acontece que aqui estamos a falar de um relatório consolidado, o que significa que várias empresas distintas se agregam e apresentam um resultado final conjunto.



Como fica fácil de ver pela imagem acima, o que "engorda" este indicador são as contribuições das outras sociedades, porque tratando-se apenas da SAD (Segm.A) o resultado seria apenas de M€16.

Há, seguramente, outros pontos dignos de destaque neste RCC, mas o tempo e a sanidade não me permitem mais. Sugiro aos interessados nestas coisas "menores" que leiam o RCC e salientem outros temas pertinentes para análise e discussão.



Conclusão

Há um caminho de inversão do modelo de gestão que parece estar a ser trilhado e que se observa a vários níveis neste RCC, mas cujo impacto acaba por se perder ou diluir em função dos erros acumulados no passado e de algumas opções muito duvidosas do presente (to say the least), que comprometem esse esforço de recuperação da sustentabilidade económica e financeira da sociedade.

A gestão dos activos - leia-se plantel - denuncia aquilo que aparenta ser uma catadupa de erros e/ou más decisões, seja pela quantidade de jogadores importantes que entram no último ano de contrato sem renovação assinada ou pelo menos bem encaminhada, seja pela incapacidade de contratar valores jovens mas seguros (futebolisticamente falando), optando antes pelo velho entreposto de jogadores que já se sabe à partida que não vão jogar (seja pela falta de valor, seja por não se adequar ao que o treinador pretende). 

Como Portista e até que me sejam facultadas explicações cabais, tenho vergonha do que se passou com Waris, Janko e Ewerthon (mesmo se por "empréstimo-relâmpago") e provavelmente mais alguns (a comprovar no futuro). É inadmissível que se contratem jogadores que não têm qualquer hipótese de jogar, hoje ou no futuro, independentemente do custo que lhes esteja associado e muito menos contrariando o homem escolhido para liderar a equipa de futebol. É simplesmente inconcebível e só pode obedecer a outros critérios que não o da boa gestão.

Por outro lado, a gestão financeira parece ser a de empurrar os problemas com a barriga na esperança de que as coisas melhorem entretanto. O endividamento continua a ser muito preocupante, mesmo que no imediato possa parecer menos grave do que realmente é, e a falta de soluções para o endereçar mais preocupante ainda. 

Não há milagres, todos sabemos que se há uma dívida para pagar, é preciso conseguir rendimentos para tal. E se os rendimentos não vão aumentar na necessária proporção, então a única solução é reduzir (drasticamente) os custos. 

Sucessivos empréstimos (a diversos tipos de credores) para ir pagando empréstimos anteriores pode até ser uma boa decisão de gestão de curto prazo, mas implica que se vislumbre uma solução definitiva mais adiante. Não o fazendo, é apenas empurrar com a barriga e ver o custo com a dívida aumentar sem fim à vista.

É que essa redução drástica de custos seria sempre vista como perda de competitividade desportiva e isso a Administração não quer nem pode arriscar, porque é a sua continuação que ficaria em xeque. Continuaremos a viver assim, a gastar mais do que temos, na expectativa de ir ganhando campeonatos e estar todos os anos na Champions. 

Um dia isto acaba, provavelmente mal, mas talvez nesse dia já sejam outros a ter de lidar com o problema. Entretanto, o que a malta quer mesmo é ir aos Aliados com mais regularidade, não é assim?



Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco



terça-feira, 2 de outubro de 2018

125 Azul


Tivesse escrito este texto nas primeiras horas após o encontro com o CD Tondela e quase todo ele seria sobre Sérgio Conceição, porque ou estou a ler mal a situação ou a sua teimosia está a empurrá-lo para um caminho demasiado perigoso e possivelmente sem retorno. Mais precisamente, para um caminho com pseudo-retorno.




A falta de tempo assegurou-se que não o faria até hoje. E ainda bem.

A esta distância, já me consigo focar no essencial: no centésimo vigésimo quinto aniversário do Clube e no jogo que a equipa do Porto fez dentro de campo. Ao intervalo, comentei que tinha assistido aos melhores 45 minutos da época e prontamente fui questionado pelo jogo contra o Chaves e a goleada. Sim, não fomos eficazes nestes 45 minutos, mas pelo menos jogamos futebol com nexo e alguma qualidade. Arrisco mesmo dizer que mais do que contra o Chaves. 

Frente ao Tondela, equipa bem orientada, fomos uma equipa que quis impor a sua superioridade teórica na relva, pressionando alto e bem e fechando espaços a cada portador da bola adversário, conseguindo assim recuperá-la depressa. Com bola, mesmo mantendo as habituais dificuldades de penetração, soubemos "rodá-la" com a paciência suficiente para encontrar uma brecha na muralha e depois explorá-la.

Chegamos ao intervalo sem golos mas com boas oportunidades para os ter conseguido. E, contra o que vem sendo norma, algumas não entraram por mero acaso - azar para os mais crentes - e não por "falta de jeito". Estava, portanto, confiante que a vitória acabaria por aparecer.

A segunda parte foi menos exuberante no futebol jogado mas nem por isso menos intensa na emoção. O justíssimo golo só chegou já perto do final, com a ajuda do melhor adversário, mas chegou. E pelos pés do regressado Tiquinho, que se refez antes do esperado mas não a tempo de estar inscrito na Champions. Uma lástima, sabendo-se agora o que aconteceu a Aboubakar - aquele abraço mon ami. Conforme o treinador explicou, foi a opção que considerou mais acertada com os dados de que dispunha no momento de decidir. Há que aceitar.

No dia em que comemorava(mos) 125 anos (não me cansem com as datas de fundação, get over it!), o Futebol Clube do Porto venceu. Dizem que desde 1893 que o andámos a fazer... não será exactamente assim, mas pelo menos nos últimos 40 anos tem sido um fartote. Que assim se mantenha nos próximos 125... ou 40, vá. Parabéns meu Clube!





Notas DPcA 


Dia de jogo: 28/09/2018, 20h30, Estádio do Dragão, FC Porto - CD Tondela (1-0)



Iker (6): Espectador atento e motivador de ocasião. Numa palavra, líder.

< 80' Maxi (6): Menos intenso e "expressivo" do que é seu hábito, mas cumpriu.

Alex Telles (6): Ainda sem recuperar a sua chama ofensiva, esteve melhor no plano defensivo.

Éder Militão (7): Líder... da defesa. Mesmo sendo mais novo da quadra. É aproveitar enquanto cá dura...

Felipe (6): Começou bem, marcando cerrado, mas deixou-se envolver nas provocações dos adversários (aquele 15 merecia mesmo que lhe partissem os dentes, eu sei) e por pouco não ficou fora da Luz. Tem de se controlar mais e melhor.

< 59' Sérgio Oliveira (6): Foi a "surpresa" no onze, substituindo Danilo que nem convocado foi. Regressou "benzinho" e teve de lidar com um certo mexicano desastrado, tendo mesmo oportunidade de marcar. Está mais perto do nível exigido para continuar na equipa.

Herrera (5): Ai, ai, tanta coisa mal feita, Héctor Lindo... está mesmo a precisar de ir à Luz para atinar...

Otávio (6): Andou muito tempo pela irrelevância, quebrada a espaços com uma e outra arrancada com bola. Quando a "coisa" apertou e a equipa sofreu alterações, apareceu e ajudou mais no esforço de guerra.

Brahimi (6): Desta vez, além de tentar criar e atrair adversários, conseguiu mesmo ser decisivo, porque foi dele o remate que Tiquinho recargou para golo. Espera-se melhor a qualquer momento...

< 64' Aboubakar (6): Primeira parte bem envolvido com os companheiros, tendo até a mais flagrante oportunidade, à qual chegou... torto. Na segunda foi desaparecendo até que o azar terrível lhe bateu à porta. Volta depressa.




Marega (5): Está mais perto do "cepo" que foi dispensado do que do craque que desbravou o caminho para o título 17/18. Se sonha com voos mais altos, vai ter mesmo de fazer reset naquele cabecinha e reencontrar a mesma motivação que o trouxe até aqui. Caso contrário, cepo continuará.

> 59' Corona (5): Entrou apagado e parecia apenas mais uma substituição falhada quando, de repente, "acordou para o jogo" e ainda fez uns últimos 15 minutos positivos de envolvimento ofensivo.

> 64' Melhor em Campo Soares (7): Marcou o golo da vitória quando o cronómetro já fazia as malas e sorria de malvadez. Enough for me.

> 80' Hernáni (6): É o jogador fetiche do mister - uma espécie de antítese de Óliver - e como tal continua a ter todas as hipóteses do mundo, até a lateral. Sim, eu sei que alternativas escasseiam no plano ofensivo, mas desta vez até as tinha no banco. Seja como for, entrou para o último assalto e foi já no seu consulado que a equipa marcou. Coincidência? Temo bem que sim.

Sérgio Conceição (5): A nota ao treinador constrói-se, em grande medida, pelas suas opções e pelo impacto que elas têm no que a equipa faz dentro de campo. Nesse capítulo, o mister esteve mais feliz neste jogo do que em quase todos os anteriores. A opção de deixar Danilo de fora correu bem, a equipa mostrou o melhor futebol da temporada na primeira parte e as substituições correram bem no sentido em que ganhou o jogo já com as três feitas e foi mesmo a segunda quem desferiu o golpe decisivo. E realço também a boa decisão de trocar o defesa Maxi pelo extremo Hernáni.
No entanto, a nota do treinador também reflecte - em menor medida - o que diz antes e depois do jogo. E aí, voltou a estar horrivelmente mal, insistindo na ridícula demanda dos "pseudo". Seria bom que se lembrasse de quem o meteu nesta alhada e que mantivesse as armas a ele(s) apontadas. Ou, melhor ainda, deixasse de ser menino amuado e soubesse conviver com as contrariedades, venham elas de onde vierem. 

Ninguém quer criar problemas onde não existem, mas só um tem a obrigação de os evitar. Get a grip Sérgio. E parabéns a nós e a quem teve a ideia de ir buscar os miúdos para os cantar junto aos ídolos.




Outros Intervenientes:



Soube a pouco a nível ofensivo este Tondela de Pepa, mas parece-me que a culpa foi muito do Porto, que obrigou a que se concentrassem quase em exclusivo na defesa da sua baliza - por convicção e por falta de possibilidade de fazer mais que isso. Cláudio Ramos ficou negativamente ligado à derrota da sua equipa por ter falhado no lance do golo, mas... por quantos mais teria o Tondela perdido não fosse pelas suas defesas? 

E o "15", aquele imbecil do 15 de que nem quero escrever o nome, era mesmo quem lhe enfiasse uma murraça no nariz, provocador de m. Até parecia que alguém lhe tinha oferecido uma mala para arrancar algumas expulsões.

Quanto a Luís "continuas a correr de costas... porque gostas" Godinho, nada de muito relevante, embora os anti-corpos recíprocos tendam a exacerbar qualquer pequena insignificância. Segundo o tribunal d'O Jogo, parece ter ficado um segundo amarelo por mostrar a um tondelense já perto do final, mas confesso que não tenho memória do lance.




E assim nos colocámos como queríamos antes de visita à Luz: à frente deles. Que esta "conquista" sirva apenas para nos motivar a dar tudo para sair de lá com 4 pontos de avanço e NUNCA para nos fazer adormecer à sombra do "empate basta". Não só porque é estúpido em si mesmo, mas também porque tende a induzir o pior resultado de todos.

Nota final para o Braga, que venceu categoricamente no Jamor (para variar) e subiu ao primeiro lugar isolado com todo o mérito. Não sou fã do trolha nem do "livro foleiro de auto-ajuda", mas reconheço o bom trabalho que têm feito e a oportunidade histórica de lutarem pelo título.

Isto para nos relembrar que lampiões há em todo o lado, com nomes e cheiros diferentes, mas sempre lampiões. E que teremos, uma vez mais, de os derrotar a todos para voltar a festejar nos Aliados em Maio de 2019. Vamos a isso?



Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco




quarta-feira, 26 de setembro de 2018

Do Bonfim aos Aliados: Navegação à Vista


Navegar à vista vem dos tempos idos dos Descobrimentos em que os valentes marinheiros lusos se faziam rumo ao Sul desconhecido, procurando manter visível a bombordo a costa africana por forma a minimizar os riscos associados a cada uma dessas epopeias. Era, portanto, uma navegação passo-a-passo, improvisada em função de cada novo desafio e sem grande ciência por detrás. "Vamos indo e vamos vendo", pensariam eles.



Tendo estado no Bonfim a assistir a mais um jogo deste Porto 18/19, creio que já vi o suficiente para constatar uma espécie de padrão de rendimento da equipa, bem como as principais falhas e insuficiências do jogo colectivo, pelo que me proponho projectar o que pode vir a ser esta temporada a nível do campeonato (aquilo que verdadeiramente nos interessa ganhar), não só mas também por comparação do que se tem visto dos outros três candidatos.

Sobre o jogo propriamente dito, não me vou alongar. Foi mais um, idêntico ao que têm sido quase todos: pouco futebol, poucas ideias positivas sobre como chegar com sucesso à baliza adversária, nenhuma capacidade de gerir o jogo, muitas falhas individuais e algumas colectivas e a felicidade de marcar nos momentos certos e de não sofrer nos errados. Pouco, muito pouco para quem pretende renovar o título.

O que mudou da época passada para esta, de forma assim tão radical, que justifique este "comportamento" da equipa aparentemente tão inferior ao que conseguiu fazer em 17/18?


E será que os resultados comprovam essa ideia de inferioridade de rendimento face a igual período da época passada? 

Comecemos por aí, pela comparação de resultados.


(clicar para ampliar)


 - Na época passada contávamos com um registo imaculado no campeonato nas primeiras sete jornadas; este ano, o mais próximo que poderemos chegar é às seis vitórias em sete jogos - o que a acontecer, implicará ter vencido Tondela e na Luz.

- Na Champions melhoramos substancialmente, passando de uma derrota caseira a um empate fora; Se vencermos em casa contra o Galatasaray melhoraremos a nossa prestação, qualquer resultado em Moscovo;

- Este ano já temos um troféu conquistado e um empate na Taça da Liga, ao passo que em 17/18 já tínhamos ultrapassado a primeira entrada na Taça de Portugal;


Resumindo, mesmo levando em conta a derrota inesperada com o Guimarães, em termos de resultados não estamos assim tão distantes do conseguido em 17/18: 5 vitórias, 2 empates e uma derrota versus 7 vitórias e 1 derrota. Pior, mas não muito.

Se conseguirmos vencer os três próximos jogos, ficaremos até em melhor situação do que no ano transacto. Se, se, se. Três grandes "ses" que se levantam não pela valia dos adversários, mas pela evidente fraca produção ao nível futebolístico.

A questão é (por enquanto) apenas essa: a qualidade do futebol produzido pela equipa. Temos conseguido vencer quase sempre apesar dela, o problema é que a jogar "assim" temos grandes probabilidades de voltar a falhar, uma e outra vez. De onde vem isto?

- Defeso demasiado atribulado. Pedem ao treinador para elaborar um plano para a época seguinte, destacando necessidades de reforços e colmatação de saídas (previstas e imprevistas). O treinador elabora e entrega esse plano à administração. E o que é que esta faz com ele? Decoração de gabinete ou algo pior. Só assim se entende as sucessivas fugas de jogadores pretendidos, por oposição à chegada de jogadores sem o aval do treinador. Um grande menosprezo pelo que Sérgio Conceição conseguiu dar ao Clube na época passada, digo eu. Consequência: um treinador instável, ofendido e com vontade de "partir tudo" e com isso menos focado no essencial.

- Balneário. Marega foi provavelmente a ponta visível e mediática do iceberg, porque parece terem desaparecido aquela alegria e bem-estar colectivo que transparecia ainda há poucos meses. Saíram alguns jogadores relevantes para o jogo e para o balneário (Ricardo e , por exemplo), chegaram outros que ainda precisam de completar a integração no grupo. Tudo normal a este nível. Mas será só isto? Não parece. Quem souber o quê e porquê, que trate de resolver o problema.




- Má forma. Assusta ver este Telles em campo por comparação ao portento das épocas anteriores. Lento, maus tempos de entrada, má leitura de jogo, má execução técnica, incapacidade de fazer a diferença nas bolas paradas. Se fosse só ele, ainda a coisa ia (embora coxa). Mas e então Herrera, Felipe, Oliveira, Aboubakar, Brahimi e Marega? A mesma coisa, sombras do que já provaram serem capazes! Como se explica um fenómeno desta dimensão? A questão pode também ser de ordem física, mas garantidamente não será só e provavelmente nem a mais importante.

- Estratégia. Pegando no que se descreve acima, seria plausível de concluir que com jogadores em má forma nenhuma estratégia é boa, o que seria parcialmente verdade. O problema é que também é suposto que as estratégias potenciem e promovam a "forma" dos jogadores, que se adaptem ao que de melhor cada um dos jogadores pode dar à equipa. E isso eu não tenho visto. Constato antes a recorrência de um modelo quase único e que nem com as variantes que contém, consegue promover um exercício colectivo de futebol de qualidade na maior parte do tempo. Na esmagadora maioria do tempo, diga-se.

Naturalmente que todos os adversários nacionais já se adaptaram a esta forma de jogar, ainda que por vezes recorrendo a estratégias sujas, que em nada valorizam o desporto. Mas isso é lana-caprina porque sempre assim foi e é ao Porto (ao seu treinador e jogadores) que cabe a missão de vencer apesar disso. E sendo justo, mesmo perante adversários que pretendem jogar "algum" futebol, o nosso futebol pouco melhora.

Acresce que os pilares fundamentais em que assentava este "modelo" de Conceição estão de momento severamente "danificados": Marega primeiro e depois Telles, Ricardo e o meio-campo. Todos uma lástima. Tudo somado, temos o que temos.

E os outros candidatos?


Benfica, Braga e Sporting, pela ordem de "ameaça" que pressinto neste momento.

Os sem-vergonha, mesmo atolados no lamaçal que eles próprios criaram, seguem neste momento na frente da Liga e têm a oportunidade de ampliar a liderança ao receber o Porto em sua casa. Não por estarem a apresentar um futebol de grande qualidade - algo que aliás já não fazem há mais de cinco anos - mas porque têm conseguido vencer os seus joguitos, um a um. E já empataram com o Sporting, relembre-se. Pela plantel razoável que têm e pelo polvo que ainda mexe e muito, são o mais sério candidato a destronar o campeão, se este não fizer pela vida.

O Braga, treinado por um ser que me provoca desde arrepios até vómitos sempre que o ouço "discursar", tem o plantel mais forte da Liga em termos de profundidade. Pode não ter craques do nível dos melhores dos 3 grandes, mas têm bons jogadores para todas as posições e quase sempre a duplicar. E pese a alergia que tenho a Abel, não deixo de reconhecer que já pôs a equipa a jogar muito bom futebol (ano passado) e que neste parece estar mais apostado em garantir resultados do que na qualidade do jogo. Chama-se crescer, suponho. Fora das provas europeias, vão sem dúvida tentar manter-se colados ao líder e aproveitar um eventual descalabro simultâneo dos outros três.

Sendo (cada vez mais) certo que já mereciam ter sido campeões com Domingos Paciência ao leme, talvez tenham nesta época a sua melhor oportunidade de sempre para lá chegar.

O Sporting recuperou bem face à brutal queda no abismo que sofreu. Não perdeu os principais jogadores, livrou-se de uma lesma ou outra e tem finalmente nova liderança. O maior problema estará mesmo no treinador. Nunca gostei do treinador Peseiro e mais escaldado fiquei com a sua passagem pelo Porto. É mesmo um perdedor nato (sorry mister, mas é o que eu penso) e com esta derrota em Braga, não sei bem como as coisas se desenvolverão. Em todo o caso, enquanto se mantiverem próximos da frente, serão sempre um possível vencedor final. O último em que apostaria dinheiro.

E então nós, meu Porto?


Pois é, "nós" é que não sei.

Neste momento, acho que tanto podemos "re-engatar" e recuperar a dinâmica da temporada passada, como "engasgar" e atravessar uma época frustrante ao melhor estilo de NEStums, Lorpas & Associados. E não consigo dizer qual dos cenários é mais provável.

Pressinto, pelo que observo dentro e fora de campo, que muita coisa não está bem na equipa (no Clube já há muito tempo e não seria um título a mudar a situação). Quem tem a missão de reverter a situação é o líder, o treinador, Sérgio "Campeão" Conceição.

Mas primeiro terá de fazer as pazes com quem tiver de as fazer e consigo mesmo. Aceitar a situação actual e fazer dela o melhor possível. Ter a coragem e a humildade para rever as suas convicções e processos, identificar o que tem de ser mudado e seguir por esse caminho. Balanços e ajustes de contas têm mesmo de ficar para o próximo defeso.

Agora é hora de tocar a rebate, voltar a reunir e a motivar as tropas e partir para cada batalha como um só. Foi assim que, contra tudo, todos e todas as expectativas, fizemos das fraquezas forças e nos tornámos Campeões de Portugal. E só assim voltaremos a sê-lo.



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Notas DPcA 



Dia de jogo: 22/09/2018, 21h00, Estádio do Bonfim, Vitória FC - FC Porto (0-2)



Melhor em Campo Iker (7): Muito bem nas vezes que foi chamado a intervir, mantendo intactas as nossas aspirações em momentos decisivos.

Maxi (6): Sempre melhor no auxílio ao ataque do que a proteger a sua baliza, onde se acentua a preocupante tendência de ser batido pelas costas nas bolas aéreas. De resto, incansável.

Alex Telles (5): "Assusta ver este Telles em campo por comparação ao portento das épocas anteriores. Lento, maus tempos de entrada, má leitura de jogo, má execução técnica, incapacidade de fazer a diferença nas bolas paradas"

Éder Militão (7): Outro jogo de bom nível, incluindo um corte providencial e limpo a evitar uma situação de golo eminente. Vai durar pouco por cá...

Felipe (5): O lance em que quase foi expulso exemplifica bem a sua má leitura de jogo, ao deixar-se arrastar por um adversário e abrindo assim uma avenida que o avançado vitoriano aproveitou. Está em claro abaixamento de forma.

Danilo (6): Liderou o meio-campo, até por ausência dos demais companheiros de sector e genericamente esteve bem. Mais um passo rumo à sua recuperação completa-

Herrera (5): Outra vez Errera, embora um nível acima do que fez na Alemanha. Num meio-campo tão "curto", a sua ausência do jogo faz-se sentir de forma desproporcional. Com renovação ou não, tem é de voltar a jogar. Ou voltar para o banco.

< 60' Otávio (5): Muito desastrado a nível técnico, falhando várias recepções de bola e alguns passes fáceis. Teve também o seu lado positivo, ajudando em alguns momentos a equipa a chegar com relativo perigo à baliza contrária - algo que, devo reconhecer, só me apercebi ao rever o jogo na televisão. 

 < 79' Brahimi (6): Luta, corre, tenta mas não consegue fazer a diferença. E assim acaba por passar por banal, algo que não é nem nunca será.

< 74' Aboubakar (6): Melhorou também face a Gelsenkirschen e até fez o primeiro da noite, aproveitando bem a bola solta dentro da área. Procurou mais e melhor e quase conseguiu. Se fizer um golo por jogo, já não é mau de todo.

Marega (6): Ao contrário de Abou, não evoluiu face ao último jogo. Esteve no mesmo registo, um par de tentativas mas de pouco sucesso. Em todo o caso, a sua presença desgasta e ocupa o pensamento de vários adversários em simultâneo, libertando espaço noutros sítios do campo. E foi nele que começou a desenhar-se o primeiro golo.

> 60' Oliveira (6): Marcou o golo da tranquilidade (relativa) e só isso fez dele aposta ganha. Mas fez mais, fazendo-se notar clara melhoria ao que vinha sendo feito antes da sua entrada.

> 74' André Pereira (6): Regresso positivo após lesão a indiciar que terá mais oportunidades.

> 79' Corona (5): Nada acrescentou ao jogo, além de falhar um golo fácil.

Sérgio Conceição (6): Vitória importante como são todas, mas conseguida sem nenhum brilho e com dúvidas quanto ao desfecho quase até final. O Vitória marcou um golo que foi anulado e teve ainda outras duas grandes oportunidades (uma delas em offside), pelo que a clean sheet acaba por ser muito lisonjeira para a prestação da equipa. Tal como a diferença de dois golos, acrescento. Dá a sensação que está a insistir em ver as horas num relógio avariado e que se agarra às duas vezes por dia em que está certo para concluir que tudo está bem. Passe o exagero, porque obviamente tem melhor noção do que qualquer outro de que as coisas não estão a sair bem, parece não estar a encontrar a solução para reparar o relógio. Algo a rever com muita urgência, companheiro Conceição.



Outros Intervenientes:


Equipa bem arrumada e com um par de bons executantes lá na frente - Hildeberto e Valdu - o Vitória deu muito boa réplica e quase acabava a sorrir, mesmo com meia equipa amarrada atrás por Vidigalito. Porque das insuficiências do adversário não tem culpa nenhuma.

Jogo com casos complicados para Manuel Oliveira, que no essencial parece ter decidido bem em quase todos eles. Acharia o penálti sobre Marega forçado, tal como exagerado o vermelho a Felipe (ficou a faltar o amarelo). O golo do Vitória foi bem invalidade pelo VAR. Apesar da dificuldade, trabalho positivo. 


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Seguem-se dois jogos no Dragão e a ida à Luz. Três vitórias que nos elevariam para outro patamar. Menos do que isso... não sei. Vamos lá ao estádio e sempre a apoiar enquanto a bola rolar. E a Sérgio o que é de Sérgio. 



Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco




terça-feira, 18 de setembro de 2018

No Tempo dos Empatas


Schalke 04 e Chaves, dois jogos, dois empates. Mudou radicalmente o contexto, manteve-se a confrangedora incapacidade da equipa para jogar futebol (com o mínimo) de qualidade. Quo Vadis, Porto de Conceição?




Começo pelo fim. O campeão português estreou-se hoje na mais importante prova futebolística de clubes do planeta, a Champions League, com um empate fora, na inesquecível Arena Auf Schalke.

Quem não tenha visto o jogo, dirá com grande probabilidade que não é um mau resultado tendo a qualificação em vista. E não é. A não ser que o Schalke venha a perder os seus restantes dois jogos caseiros, é um desfecho que em nada compromete as nossas aspirações. Começamos portanto sem atrasar nem adiantar.

O problema, o grande problema, é que voltamos a não jogar um caracol. Vindos de um intragável empate com o Chaves no Dragão (que também não comprometeu em nada a nossa continuação na Taça da Liga), voltamos a demonstrar uma intranquilidade e um desnorte difíceis de entender. É normal o nervoso miudinho a cada estreia na prova milionária, mas isso é algo passageiro, que desaparece após uns minutos de jogo.

A inultrapassável dificuldade para construir jogo e ligar sectores a propósito é que já não se percebe. E ainda menos a intranquilidade em momentos de pouca pressão, como quando na circulação da bola pela defesa e meio-campo recuado. Ou as incontáveis atrapalhações de quase todos os jogadores, desde as precipitações de Iker ao chuto na atmosfera de Herrera, com dezenas de outros pequenos erros não forçados pelo meio que, todos somados, resultam numa fragilidade excessiva e difícil de entender.

Não vale ainda a pena recapitular a paupérrima pré-época no que toca ao reforço do plantel, mas é preciso recuar até aí para tentar deslindar o que se passa com o grupo e, em particular, com Sérgio Conceição. A expulsão no último jogo ao intervalo é apenas o culminar lógico da sua atitude no banco, também já com alguns salpicos nas conferências de imprensa. 

Aos meus olhos, Conceição é neste momento um treinador que se sente desconfortável no seu papel de treinador do Porto. Tendo ele o feitio emotivo que todos lhe reconhecem, não consegue (ou não quer) sequer disfarçar. O pior deste estado de coisas é que aparentemente lhe acaba por tolher o raciocínio e o leva a tomar decisões durante o jogo menos do que óptimas, para ser suave. E, provavelmente, passa para os jogadores - os seus jogadores, que justamente o reconhecem como o seu líder - esse seu desconforto e intranquilidade.




Sendo claro, esta equipa alemã foi hoje uma equipa pouco mais do que vulgar, que teria muitas dificuldades em manter-se na primeira liga alemã se entretanto não melhorar muito (e certamente o fará). Um Porto próximo do que foi o ano passado teria vencido este jogo com alguma facilidade. Começando pelo aproveitamento dos lances de bola parada, com destaque óbvio para a penalidade falhada por Telles. O Porto actual não mereceu mais e teve até alguma felicidade em apanhar um árbitro que não quis saber do ambiente caseiro para nada e marcou (bem) o que viu.

Se alguma melhoria se viu hoje, foi a capacidade de luta que individualmente já se viu em muitos jogadores, tanto nos lances corridos como de bola parada. Temo é que seja ainda apenas um boost decorrente de estar a jogar na Champions, mas pode ser que não. Já veremos no Bonfim como vai ser.

É difícil de entender os motivos que levam a que quase toda a equipa (titulares e quem entrou) se apresentem abaixo do seu normal (já nem sequer falo em boa forma). Um ou outro é o habitual em qualquer equipa; quase todos já dá que pensar.

Deixando Iker de fora disto (apesar das tais precipitações incompreensíveis), como se explica que Telles, Felipe, Sérgio Oliveira, Herrera, Aboubakar, Marega não tenham simultaneamente um rendimento aceitável? E mesmo os que estão um pouco melhor, como Maxi e Brahimi, também não estão propriamente ao seu nível. Porquê? Coincidência terrível? Hard to buy. Há qualquer coisa de significativa a passar-se no ou com o grupo. Tem de haver. 

O lance do golo sofrido é o exemplo perfeito daquilo que tento dizer. Sucessão de disparates, equívocos e hesitações difíceis de entender, desde a ridícula perda da bola na área contrária até que ela se deteve, descontraída e importunada, no fundo da nossa baliza. Dá a sensação que os jogadores ou não sabem bem o que fazer ou então o que lhes é pedido não se adequa ao que o jogo "pede"; algo que colide frontalmente com o que se passou na época passada.

Mais do que saber o que realmente se passa, quero é que tudo se resolva rapidamente e que o grupo reencontre o Norte. Já em Setúbal, de preferência. Porque no campeonato cada ponto perdido vai ser o cabo dos trabalhos para recuperar.



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Notas DPcA 

(por ordem cronológica)


Dia de jogo: 14/09/2018, 20h30, Estádio do Dragão, FC Porto - GD Chaves (1-1)



Nota (6): Vaná, João Pedro, Herrera, Diogo Leite, Danilo, Brahimi (>64'), Hernáni (>72') 

Nota (5): Telles, Maxi, Felipe, Otávio (<84'), Corona (<60'), Adrian

Nota (-): Aboubakar (>84')

Sérgio Conceição (5)

A "sorte" desta vez abandonou-o. Podemos acusar árbitro de erros grosseiros, adversário de anti-jogo e a Rússia de invadir a Crimeia e sendo tudo verdadeiro, nenhum dos factos justifica uma exibição tão frouxa e descaracterizada e a incapacidade para marcar mais golos a este pequenito Chaves. 

Certamente que fomos melhores, certamente que poderíamos ter vencido ainda assim. No entanto, o essencial é que a jogar ASSIM serão mais as vezes em que não ganharemos do que as que sim. A equipa está mal e não o consegue disfarçar. A rever com muita urgência.




Outros Intervenientes:


Fui dos que antecipou uma boa carreira para Daniel Ramos, mas neste momento devo reconhecer que talvez me tenha enganado com aquela época que fez no Marítimo. Compreendo que não poderia vir ao Dragão levar mais cinco, mas o que é demais, é moléstia. Demasiado pequenino para poder aspirar a vir a ser grande, digo eu.

Desconhecia até este jogo quem era Vítor Ferreira e sinceramente preferia continuar sem conhecer. Postura em campo que denuncia as evidentes insuficiências que o definem enquanto juiz. Demasiados erros com influência no resultado (para ambos os lados, diga-se, embora com mais razões de queixas para o Porto), incapacidade de liderar pelo exemplo, dificuldade gritante em ajuizar cada lance. Quem o trouxe até aqui e fez dele um árbitro de futebol profissional que se explique. Eu só quero que não se cruze connosco mais nenhuma vez.


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Dia de jogo: 18/09/2018, 20h00, Arena Auf Schalke, Schalke 04 - FC Porto (1-1)



Iker (6): Bem entre os postes, mas com erros na reposição da bola que não dá para entender. Ás vezes, fica difícil acreditar que acumula tanta experiência.

Maxi (6): Foi a todas, como sempre, mas por várias vezes se distraiu e chegou tarde à sua área de actuação defensiva. Talvez se tenha esquecido que já não tem as pernas que tinha aos vinte anos.

Alex Telles (5): Continua uma sombra do que é, com a agravante de ter desperdiçado um penálti por clara má marcação. Vouta prá nóis, tá?

Éder Militão (7): Estreia na Champions e quase parecia o mais experiente. Bem em quase todas as suas acções, só a menor (e compreensível) falta de entrosamento com Felipe deu alguma preocupação. Grande futuro pela frente.

Felipe (5): Esteve numa roda-viva, ou melhor, numa montanha russa de lances bem e mal decididos, alguns que quase mudavam o marcador (em ambas as balizas). Tem de esquecer a canarinha e voltar à sua realidade, até para que um dia possa lá voltar.

< 75' Danilo (7): Muito bom regresso à alta competição, já descontando a falta de forma devida à longa paragem. Não sei se foi o melhor em campo, mas foi claramente o melhor da equipa.

Herrera (5): Não tenho memória curta, começou muito bem a época (até foi o MeC contra o Moreirense). Mas neste jogo (e no anterior, em menor escala) voltou a ser Errera: trapalhão, despropositado e comprometedor. O que se seguirá?

Otávio (6): Teve a frieza para conseguir o empate na segunda grande penalidade, o que obviamente é de realçar sobretudo pelo antecedente. Mas se dependesse de mim, já não estaria em campo por essa altura. Se a primeira metade foi razoável, na segunda desapareceu até ser chamado a este lance. E depois até "regressou" ao jogo, mas só depois. Pouco.




< 82' Brahimi (6): Sempre muito cercado nos terrenos centrais que pisou durante a primeira hora, foi ainda assim tentando furar e ganhar terreno. Já mais descaído na lateral, conseguiu um pouco mais de espaço, insuficiente para brilhar como tanto deseja.

< 64' Aboubakar (5): Quase sempre desligado da equipa e longe da acção, não sei se por culpa própria, da equipa ou 50/50. Mas o certo é que quase não "produziu" jogo, limitando-se a fixar a atenção dos defesas contrários. Saiu bem pela exibição, mal pela ausência de banco à altura.

Marega (6): Um bocadinho melhor, mas sem ser ainda decisivo como foi. Corrijo, foi sobre ele a segunda penalidade, foi decisivo. Mas soube a pouco, foi mais burrice do defesa do que outra coisa. Pode e deve fazer bem mais, sobretudo se se julga mesmo merecedor de outros voos.

> 64'  Corona (5): Nada acrescentou ao que a equipa vinha fazendo, nem mesmo a largura que suponho o treinador lhe tenha "pedido".

> 75' Oliveira (6): Continuo sem ver essa subida de qualidade no jogo da equipa que supostamente provoca quando entra, mas deve ser por culpa de expectativas mal formadas.

> 90' Hernáni (-): Esteve em campo nos descontos, sem nada a relevar.

Sérgio Conceição (6)

Ouvi boa parte da sua conferência de imprensa enquanto escrevia esta crónica e fiquei com dúvidas se teríamos visto o mesmo jogo. Não me deveria surpreender, porque ao contrário do que aconteceu durante boa parte da época passada, este ano temos visto jogos muito diferentes em quase todos os jogos. Claro que sou eu quem não está a ver bem. Só falta que me prove que assim é (com urgência). A pontuação reflecte o resultado, positivo sem ser excelente, porque o jogo que nos trouxe a este resultado nunca teria nota tão alta. Tantos equívocos individuais até podem ser trágica coincidência, mas a incapacidade da equipa de esticar o jogo com critério e causar perigo já não. Tem mesmo A VER com o treinador.

Como sugestão de T.P.C. lanço desafio de analisar o que nos tem acontecido sempre que decidiu trocar um avançado por um ala ou médio, isto é, sem o substituir por outro avançado minimamente equiparado. A ver se ajuda para o futuro.




Outros Intervenientes:


Não tinha expectativas sobre este Schalke 04 que desconhecia, excepto o que a sua actual classificação na Bundesliga sugeria. No final, bateu certo: jogam realmente pouco. Tão pouco que nem deu para distinguir nenhum jogador (nem mesmo Embolo, jogador sobre o qual tenho boas sensações desde que o vi despontar na Suíça).

Muito boa arbitragem de Gil Manzano e seus pares pela capacidade de se alhear do ambiente pressionante dos da casa. Creio que decidiu quase sempre bem e adoptou um critério largo e uniforme.


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Vendo as coisas pelo lado positivo, está feita a estreia na Champions e continuamos com as mesmíssimas aspirações que se formaram após o sorteio. O resultado do outro jogo do grupo sugere que o Galatasaray será o outro candidato ao primeiro lugar e por acaso até é o próximo adversário que vamos defrontar, desta vez no Dragão. 

Antes disso, temos campeonato pela frente. Competição bem mais importante, digo eu. Há que preparar rápido e bem a estratégia para ir ao Sado buscar os essenciais três pontos. O resto... virá a seguir. Vamos lá.



Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco