Está feito, missão cumprida! Estamos de volta ao nosso habitat natural. Pela 21ª vez.
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| Assim se constrói um grupo |
Hoje seria muito mais interessante para mim falar apenas do enorme feito conseguido na città eterna e da extrema importância que assume para o nosso futuro próximo. Já o tinha dito, com todas as letras: este era o jogo mais importante da temporada. Além do que faria transportar para o jogo do próximo domingo (como metáfora de todas as competições internas), era o equilíbrio financeiro que estava em causa - ou, para ser mais preciso, a sobrevivência financeira num ambiente de elevada alavancagem como é a nossa.
Conseguimos eliminar o pior (leia-se "melhor, mais forte") adversário de entre os possíveis. Calhou-nos a AS Roma no azareio, o que desde logo nos transformou nos cães de baixo (sim, é piada, intencional, obrigado e voltem sempre). Após uma primeira mão, que terminou com um resultado complicado (ver deliciosa imagem abaixo), ainda mais distante ficou o hino da Champions.
Felizmente, hoje (ontem) voltámos a ter a estrelinha dos champions. Por completo, diga-se. Aliás, não me lembro de termos tido tanta felicidade junta numa eliminatória europeia. Felizmente não a desperdiçamos (apesar das tentativas...).
E agora o jogo.
Primeira parte aceitável, apesar do desnorte que se seguiu à primeira expulsão. Começamos a pressionar bem à frente, o que durante 20 minutos confundiu e atrapalhou o adversário. Depois, já em vantagem no marcador, aceitámos a superioridade do adversário e procurámos surpreendê-los em contras rápidos e nas bolas paradas. Correu bem, marcámos cedo e ficámos "como queríamos" no jogo. Bem estudada a lição para o onze contra onze.
Não contavam era ter que jogar contra nove. Evidentemente que é um grande bónus, mas quanta gente não se perde após ganhar o Euromilhões por não saber lidar com tanta sorte junta? Nós não "nos perdemos", mas quase sofríamos a humilhação de ver a bola no fundo da nossa baliza quando o adversário só contava com nove jogadores. Cheguei a ter vontade de desligar a televisão, tamanha que foi a irritação que me provocaram naquela fase. Foi preciso Layún fazer o segundo para todos acalmarem e assumirem de vez que estava tudo (apenas) nas nossas mãos. Os de Roma já tinham cortado as suas.
A partir daí, geriu-se bem o que faltava do jogo, com um grande golo pelo meio e mais umas quantas oportunidades. Chegou, mais do que chegou, ainda que fruto de erros alheios. Mas saber aproveitá-los é uma grande virtude.
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| A eliminatória virada ao contrário |
Notas DPcA:
Dia de jogo: 23/Ago/2016, 19h45, Estádio Olímpico de Roma. AS Roma - FC Porto (0-3).
Casillas (6): Três ou quatro defesas de champions, dignas de um jogador com o seu currículo, em profundo contraste com os infantis disparates que foram algumas reposições de bola e passes à queima para companheiros. Não o admito de um jogador tão experiente e reforço o meu voto para que José Sá seja levado a sério como candidato à titularidade.
< 47' Maxi (6): Esteve bem (concentrado e empenhado) até ser ceifado por De Rossi. Ressentiu-se logo a seguir e saiu de maca. Recupera depressa Maximiliano.
< 47' Maxi (6): Esteve bem (concentrado e empenhado) até ser ceifado por De Rossi. Ressentiu-se logo a seguir e saiu de maca. Recupera depressa Maximiliano.
Telles (7): Exibição muito consistente durante toda a partida, sempre mais focado em fechar o flanco mas sem com isso deixar de fazer investidas na frente de ataque. Tem sido sempre a melhorar e ainda bem.
Marcano (7): Tal como Felipe, sentiu naturais dificuldades frente à categoria dos avançados romanos, mas não se atemorizou e principalmente não meteu água. Bom jogo...
Felipe (8):
Ainda outra exibição com oscilações, mas desta vez com os pontos positivos a superarem largamente os negativos. Pelo golo fundamental, pois claro, mas também pelo acerto defensivo que revelou mais adiante (depois das tais oscilações). Está a melhorar, aos poucos, e vai dar bom central. Podem confiar.
Danilo (7): Voltou o meu Godzuki, impositivo e dominador do seu espaço. Também enfrentou dificuldades várias, a principal das quais um jovem belga com um talento excepcional. Mas, conseguiu sair ileso e isso só tem que ser valorizado (em milhões de euros).
Herrera (7): Avanço já para a boa assistência para o golo que matou a eliminatória (o segundo), momento mais alto da sua exibição. Antes e depois, lutou muito, acertou menos, mas globalmente bem.
André André (7): Outra boa exibição, como já não fazia (durante tantos minutos) há muitos meses. É bom tê-lo de volta a este patamar, para que possa retomar onde parou e continuar a crescer como jogador.
Melhor em Campo Corona (8): Continua em grande o Tecatito e de novo provou que foi um erro ter prescindido dele no onze inicial na primeira mão. Exibição muito completa, que ganhou fulgor quando aumentou o espaço nas costas da defesa da Roma e que teve como corolário um belíssimo golo. Continua rapaz, já em Alvalade de preferência.
< 57' Otávio (7): Voltou à faixa esquerda e com isso voltou a desequilibrar. Foi dele o passe para o golo de Felipe, mas fez muito mais, em especial na primeira parte, em quem manteve a defesa romana sempre em sentido. Saiu cedo mas percebe-se porquê. Contribui bem para o desfecho final.
< 66' André Silva (7): Não marcou mas fez um bom jogo, desgastando ao máximo a defesa contrária e procurando dar tempo e espaço para os companheiros se adiantarem no terreno. No lado menos positivo, registo o ter voltado a agarrar-se em demasia à bola em vários momentos. É de ser tenro, certamente.
> 47' Layún (8): Entrou mais cedo do que estaria à espera, mas em boa hora o fez. Encaixou-se bem e apesar de a sua entrada quase ter coincidido com o pior momento da equipa, foi ele a pôr-lhe um ponto final com um belo golo de difícil execução. Hoje não assistiu (shame on you)... marcou!
> 57' Sérgio Oliveira (5): Os primeiros momentos em jogo marcaram tudo o resto. Más opções, cartão amarelo e um suspiro. Aos poucos foi melhorando, preferindo a discrição ao "exibicionismo" como forma de se resguardar. Tem que entrar mais concentrado, para não perder o comboio...
Nuno Espírito Santo (8): Garantiu a passagem à fase de grupos, é isto que realmente conta e que marcará a sua carreira no clube. Mas como a análise se restringe apenas aos 90 minutos de Roma, há que acrescentar algo mais. Fez alinhar de início o que para mim era o melhor onze possível e (coincidência ou não) a resposta inicial foi boa. Tivemos a sorte e o engenho de marcar cedo (e primeiro), o que nos deixou a respirar muito melhor. Depois veio a primeira expulsão e um desnorte difícil de entender até ao intervalo. Mas pior, muito pior, foi a autêntica desgraça de exibição a que se assistiu entre a segunda expulsão romana e o nosso segundo golo. Quase 25 minutos de puro horror, tal a impotência da equipa para controlar um adversário tão inferiorizado e para matar o jogo de vez. Total incapacidade para tirar partido da dupla superioridade numérica e risco eminente de sofrer golo em vários lances. Muito difícil de compreender, mesmo descontando a normal ansiedade que o jogo transportava para os jogadores. As mudanças não convenceram, mas acabaram por dar os frutos desejados. Portanto, esqueçamos esse período horribilis do jogo e foquemo-nos no essencial: parabéns Nuno pelo apuramento.
Outros intervenientes:
Não há equipa ou treinador que resista a erros individuais desta magnitude. Depois de Vermaelen do Dragão, agora foram De Rossi e Emerson a enterrar os romanos para as profundezas da Liga Europa. Continuo a não ter dúvidas de que têm melhor plantel e uma equipa muito mais trabalhada. E um grande, grande craque: Nainggolan. Que enorme jogador, merecia mesmo jogar de azul e branco...
Hoje abro uma justíssima excepção e incluo o árbitro na análise qualitativa junto com os jogadores. Este senhor Szymon Marciniak merece ser destacado como co-Melhor em Campo, tal a qualidade extrema da sua exibição arbitral. No meu conceito do que deve ser o futebol, esteve simplesmente perfeito. Corajoso, imparcial e a não marcar as faltinhas que tanto prejudicam o futebol (com o português à cabeça). Muitíssimo boa prestação, merece ser seguido com atenção e ter mais oportunidades ao mais alto nível.
Muito bom estarmos de novo na Champions. Amanhã reabrir-se-ão por certo as (até agora) perras torneiras que matam a sede aos ávidos vendedores e empresários (e...) de craques. Espero que com melhor critério do que nos últimos anos. Apenas bons jogadores e que nos façam falta. Óliver, central, avançado. Tudo o mais, antes de isto assegurado, será sempre supérfluo.
Nota final para o símio Rui Gomes da Silva: agradecido pela motivação extra, estou certo que foi importante para o resultado final.
Do Porto com Amore










