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terça-feira, 30 de outubro de 2018

Kremlin de Gala, Circo, Taça e Fogaças


Vai de vento em popa a nossa campanha 2018/19 na Liga dos Campeões. Finalizada a primeira volta do grupo D, seguimos na frente com uns meritórios sete pontos e com o bando inteiro na mão para garantir o primeiro lugar no final desta fase.




Já lhes dei conta da falta de tempo e menor disposição para manter a regularidade da escrita nesta fase, pelo que não os vou maçar mais com isso. Avanço directo para o já longínquo jogo caseiro contra o Galatasaray, onde conseguimos talvez o resultado mais importante de todos rumo ao apuramento para os oitavos. Vitória tangencial mas a valer os mesmos três pontos de qualquer goleada. Jogo difícil contra uma equipa talvez menos equilibrada mas seguramente não inferior à nossa, o que ainda valoriza mais o feito. Não são nenhum papão, mas nós também não - nunca fomos e hoje ainda mais distantes de o ser.

Seguiu-se a barraca da temporada (até ver), na ida à Luz. De tão chateado com f que fiquei, não fui capaz de escrever sobre o assunto sem ensaiar um chorrilho de asneiras. Fiquei-me por um singelo tweet e hoje ainda não me apetece escrever muito mais: não jogámos nadinha, eles pouco mais e acabaram por ter a sorte que nós tivemos no jogo da época passada. 

Como quem não sabe perder também raramente sabe ganhar, os criminosos de Carnide que tomaram aquele clube de assalto passaram música de tourada no final do jogo, o que me deixou na dúvida: estariam simplesmente a celebrar à sua maneira ou confundiram com aquela musiquinha muito semelhante que normalmente toca nos circos, acompanhada de palminhas? Vou mais pela segunda, dado o contexto e a enormidade de palhaços que por ali tinham passado.

Saímos de lá vergados pela nossa incompetência e remetidos para um obscuro terceiro ou quarto lugar. Seguiu-se mais uma absurda pausa para Seleções e Taça (e já vem outra a caminho), onde cumprimos a obrigação de seguir em frente contra os briosos amadores do Vila Real. Destaque maior para o inédito poker do zombie Ádrian e side note para o regresso de Fabiano à titularidade.

O regresso à "alta competição" deu-se na monumental e acolhedora cidade de Moscovo, onde tive o prazer de estar a acompanhar ao vivo mais uma vitória na Champions, desta vez contra o Lokomotiv local. Vitória da melhor equipa num jogo onde quase tudo nos correu de feição (San Iker!) e contra um dos conjuntos mais fracos de que tenho memória de defrontar nesta competição. Bem sei que estavam sem vários dos habituais titulares, mas só me posso referir ao que vi neste jogo. Seja como for, cumprimos, vencendo. Ainda sem convencer.

E assim "chegámos a ontem" de volta a casa, ao nosso Dragão. Embalados com a surpreendente derrota dos sem-vergonha às mãos da ex-SAD do Belenenses (melhor definição que encontrei até que arranjem novo nome), arrancámos determinados em recuperar a liderança do campeonato. Do outro lado, o Feirense, uma equipa bem organizada e capaz de estender o jogo ao ponto de criar perigo junto da nossa baliza mais do que uma vez. 

Fomos suficientemente melhores para vencer, mas só perto do final pudemos descansar quanto à distribuição de pontos. Pelo meio, muitas peripécias arbitrais (quase todas em nosso benefício) e o regresso de Óliver às exibições de corpo inteiro, completas e de nível elevado. 

Tudo somado, cerca de um mês de futebol findo o qual mantemos intactas as aspirações em todas as competições e inclusive recuperamos a liderança do Campeonato após derrota na Luz. O nível de segurança que o jogo da equipa transmite é ainda baixo, mas fundamental mesmo é ir ganhando nos entretantos, enquanto se trabalha para melhorar. Convém é não deixar de o fazer (melhorar), porque um dia a "sorte" pode nos virar as costas.



Notas DPcA 

(por ordem cronológica)



Dia de jogo: 03/10/2018, 20h00, Estádio do Dragão, FC Porto - Galatasaray (1-0)




Nota (8): Iker

Nota (7): Militão, Danilo, Otávio (<80'), Marega, Brahimi 

Nota (6): Maxi, Telles, Herrera (<89'), Corona (<69'), Óliver (>69'), André Pereira (>80') 

Nota (5): Felipe

Nota (-): Oliveira (>89')

Sérgio Conceição (7): Vitória fundamental para relançar a nossa candidatura aos oitavos, conseguida muito à custa do coração, aquele que se agigante e nos enche de orgulho. Os turcos tiveram as suas oportunidades para sair do Dragão com pontos e não vejo como o treinador poderia ter feito mais ou melhor para o impedir. Correu-nos bem mas fizemos por isso. Sérgio Conceição já se pode apelidar de treinador com tarimba de Champions...


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Dia de jogo: 07/10/2018, 17h30, Estádio da Luz, SL Benfica - FC Porto (1-0)




Nota (7): Iker

Nota (6): Danilo, Otávio (<52'), Brahimi 

Nota (5): Maxi (<70'), Telles, Militão, Felipe, Corona (>70'), MaregaSoares (<76'), Oliveira (>52'), André Pereira (>76') 

Nota (4): Herrera

Sérgio Conceição (4): Equipa amorfa, sem ideias, irreconhecível do princípio ao fim. Muito diferente da do ano passado neste mesmo jogo? Nem tanto, simplesmente desta vez "caiu" para o outro lado. Esperava muito mais do campeão em título, numa altura em que os sem-vergonha vão sendo cada vez mais expostos pelo bando de criminosos que são. Nesse sentido, foi uma dupla derrota, muito difícil de "perdoar" pela falta de vontade demonstrada. Agora já passou, mas demorou. Que sirva de exemplo do que nunca mais se pode repetir.

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Dia de jogo: 19/10/2018, 20h15, C.D. Monte da Forca, SC Vila Real - FC Porto (0-6)




Nota (9): Ádrian (<73')

Nota (7): Óliver, Bazoer, Soares 

Nota (6): Fabiano, João Pedro, Jorge, Militão, Herrera (<63'), André Pereira (<63'), Corona (>63'), Marius (>63'), Oliveira (>73')

Nota (5): Felipe

Sérgio Conceição (6): Jogo encarado com total seriedade, resultado "normal" e oportunidade aos menos utilizados. Tudo bem feito.


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Dia de jogo: 24/10/2018, 20h00, Estádio Lokomotiv Mockba, FC Lokomotiv - FC Porto (1-3)




Nota (8): Iker 

Nota (7): Telles, Danilo, Óliver (<82'), Corona (<69'), Brahimi (<82') 

Nota (6): Maxi, Felipe, Herrera, André Pereira (>69'), Marega

Nota (5): Militão, Bazoer (>82'), Ádrian (>82')

Sérgio Conceição (6): Vitória fora na Champions é sempre de valorizar, mas houve tanto "acaso" a empurrar-nos para ela que me custaria dar ao treinador uma nota mais elevada. Houve San Iker, houve árbitro amigo, houve bolas de golo que não chegaram a entrar (também por mérito de quem defendia), tudo se conjugou a nosso favor. E ainda bem.


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Dia de jogo: 28/10/2018, 17h30, Estádio do Dragão, FC Porto - CD Feirense (2-0)




Nota (8): Óliver, Brahimi (<86')

Nota (7): Iker, Danilo, Corona (<64') 

Nota (6): Maxi, Telles, Militão, Felipe, Soares, Marega (<89'), Herrera (>64')

Nota (5): André Pereira (>82')

Nota (-): Ádrian (>86')

Sérgio Conceição (7): A equipa não falhou quando o rival se espalhou ao comprido e isso é sempre de louvar. Atitude certa desde o início, pese a dificuldade em chegar ao golo. Quando o conseguiu por vias travessas, a postura manteve-se (tal como a do adversário), o que adiou a decisão do jogo para perto do seu final. Boa leitura dos acontecimentos concretizada nas substituições, em particular a entrada de Herrera. Bem também no pós-jogo.


Outros Intervenientes:


Arbitragem difícil e cheia de erros de Rui Oliveira e do VAR Vasco Santos. Baseado em todas as imagens que vi, afirmo sem hesitar que me parece fora-de-jogo o lance do primeiro golo. É por centímetros, pode ter gerado dúvidas mas nunca certezas (critério único para justificar a intervenção do VAR neste tipo de lance/decisão). Admito também que possa ter sido penálti de Telles já perto do fim, mas não é evidente. Admito como boa a decisão de marcar falta a Marega, embora também não tenha ficado com certezas. Tudo somado, foi o Feirense quem saiu com mais razões de queixa, embora não me pareça que justifique de todo a derrota.


Segue-se o Varzim para a Taça da Liga (obrigatório vencer pelo máximo de golos possível) e depois três jogos complicados para o Campeonato [Marítimo (f), Braga (c), Boavista (f)] com a recepção a Lokomotiv e Belenenses (Taça) pelo meio. Seis jogos que ficariam lindamente pintados com seis vitórias. Vamos a isso?



Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco



P.S. - as minhas humildes desculpas pelo título à Markl




terça-feira, 18 de setembro de 2018

No Tempo dos Empatas


Schalke 04 e Chaves, dois jogos, dois empates. Mudou radicalmente o contexto, manteve-se a confrangedora incapacidade da equipa para jogar futebol (com o mínimo) de qualidade. Quo Vadis, Porto de Conceição?




Começo pelo fim. O campeão português estreou-se hoje na mais importante prova futebolística de clubes do planeta, a Champions League, com um empate fora, na inesquecível Arena Auf Schalke.

Quem não tenha visto o jogo, dirá com grande probabilidade que não é um mau resultado tendo a qualificação em vista. E não é. A não ser que o Schalke venha a perder os seus restantes dois jogos caseiros, é um desfecho que em nada compromete as nossas aspirações. Começamos portanto sem atrasar nem adiantar.

O problema, o grande problema, é que voltamos a não jogar um caracol. Vindos de um intragável empate com o Chaves no Dragão (que também não comprometeu em nada a nossa continuação na Taça da Liga), voltamos a demonstrar uma intranquilidade e um desnorte difíceis de entender. É normal o nervoso miudinho a cada estreia na prova milionária, mas isso é algo passageiro, que desaparece após uns minutos de jogo.

A inultrapassável dificuldade para construir jogo e ligar sectores a propósito é que já não se percebe. E ainda menos a intranquilidade em momentos de pouca pressão, como quando na circulação da bola pela defesa e meio-campo recuado. Ou as incontáveis atrapalhações de quase todos os jogadores, desde as precipitações de Iker ao chuto na atmosfera de Herrera, com dezenas de outros pequenos erros não forçados pelo meio que, todos somados, resultam numa fragilidade excessiva e difícil de entender.

Não vale ainda a pena recapitular a paupérrima pré-época no que toca ao reforço do plantel, mas é preciso recuar até aí para tentar deslindar o que se passa com o grupo e, em particular, com Sérgio Conceição. A expulsão no último jogo ao intervalo é apenas o culminar lógico da sua atitude no banco, também já com alguns salpicos nas conferências de imprensa. 

Aos meus olhos, Conceição é neste momento um treinador que se sente desconfortável no seu papel de treinador do Porto. Tendo ele o feitio emotivo que todos lhe reconhecem, não consegue (ou não quer) sequer disfarçar. O pior deste estado de coisas é que aparentemente lhe acaba por tolher o raciocínio e o leva a tomar decisões durante o jogo menos do que óptimas, para ser suave. E, provavelmente, passa para os jogadores - os seus jogadores, que justamente o reconhecem como o seu líder - esse seu desconforto e intranquilidade.




Sendo claro, esta equipa alemã foi hoje uma equipa pouco mais do que vulgar, que teria muitas dificuldades em manter-se na primeira liga alemã se entretanto não melhorar muito (e certamente o fará). Um Porto próximo do que foi o ano passado teria vencido este jogo com alguma facilidade. Começando pelo aproveitamento dos lances de bola parada, com destaque óbvio para a penalidade falhada por Telles. O Porto actual não mereceu mais e teve até alguma felicidade em apanhar um árbitro que não quis saber do ambiente caseiro para nada e marcou (bem) o que viu.

Se alguma melhoria se viu hoje, foi a capacidade de luta que individualmente já se viu em muitos jogadores, tanto nos lances corridos como de bola parada. Temo é que seja ainda apenas um boost decorrente de estar a jogar na Champions, mas pode ser que não. Já veremos no Bonfim como vai ser.

É difícil de entender os motivos que levam a que quase toda a equipa (titulares e quem entrou) se apresentem abaixo do seu normal (já nem sequer falo em boa forma). Um ou outro é o habitual em qualquer equipa; quase todos já dá que pensar.

Deixando Iker de fora disto (apesar das tais precipitações incompreensíveis), como se explica que Telles, Felipe, Sérgio Oliveira, Herrera, Aboubakar, Marega não tenham simultaneamente um rendimento aceitável? E mesmo os que estão um pouco melhor, como Maxi e Brahimi, também não estão propriamente ao seu nível. Porquê? Coincidência terrível? Hard to buy. Há qualquer coisa de significativa a passar-se no ou com o grupo. Tem de haver. 

O lance do golo sofrido é o exemplo perfeito daquilo que tento dizer. Sucessão de disparates, equívocos e hesitações difíceis de entender, desde a ridícula perda da bola na área contrária até que ela se deteve, descontraída e importunada, no fundo da nossa baliza. Dá a sensação que os jogadores ou não sabem bem o que fazer ou então o que lhes é pedido não se adequa ao que o jogo "pede"; algo que colide frontalmente com o que se passou na época passada.

Mais do que saber o que realmente se passa, quero é que tudo se resolva rapidamente e que o grupo reencontre o Norte. Já em Setúbal, de preferência. Porque no campeonato cada ponto perdido vai ser o cabo dos trabalhos para recuperar.



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Notas DPcA 

(por ordem cronológica)


Dia de jogo: 14/09/2018, 20h30, Estádio do Dragão, FC Porto - GD Chaves (1-1)



Nota (6): Vaná, João Pedro, Herrera, Diogo Leite, Danilo, Brahimi (>64'), Hernáni (>72') 

Nota (5): Telles, Maxi, Felipe, Otávio (<84'), Corona (<60'), Adrian

Nota (-): Aboubakar (>84')

Sérgio Conceição (5)

A "sorte" desta vez abandonou-o. Podemos acusar árbitro de erros grosseiros, adversário de anti-jogo e a Rússia de invadir a Crimeia e sendo tudo verdadeiro, nenhum dos factos justifica uma exibição tão frouxa e descaracterizada e a incapacidade para marcar mais golos a este pequenito Chaves. 

Certamente que fomos melhores, certamente que poderíamos ter vencido ainda assim. No entanto, o essencial é que a jogar ASSIM serão mais as vezes em que não ganharemos do que as que sim. A equipa está mal e não o consegue disfarçar. A rever com muita urgência.




Outros Intervenientes:


Fui dos que antecipou uma boa carreira para Daniel Ramos, mas neste momento devo reconhecer que talvez me tenha enganado com aquela época que fez no Marítimo. Compreendo que não poderia vir ao Dragão levar mais cinco, mas o que é demais, é moléstia. Demasiado pequenino para poder aspirar a vir a ser grande, digo eu.

Desconhecia até este jogo quem era Vítor Ferreira e sinceramente preferia continuar sem conhecer. Postura em campo que denuncia as evidentes insuficiências que o definem enquanto juiz. Demasiados erros com influência no resultado (para ambos os lados, diga-se, embora com mais razões de queixas para o Porto), incapacidade de liderar pelo exemplo, dificuldade gritante em ajuizar cada lance. Quem o trouxe até aqui e fez dele um árbitro de futebol profissional que se explique. Eu só quero que não se cruze connosco mais nenhuma vez.


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Dia de jogo: 18/09/2018, 20h00, Arena Auf Schalke, Schalke 04 - FC Porto (1-1)



Iker (6): Bem entre os postes, mas com erros na reposição da bola que não dá para entender. Ás vezes, fica difícil acreditar que acumula tanta experiência.

Maxi (6): Foi a todas, como sempre, mas por várias vezes se distraiu e chegou tarde à sua área de actuação defensiva. Talvez se tenha esquecido que já não tem as pernas que tinha aos vinte anos.

Alex Telles (5): Continua uma sombra do que é, com a agravante de ter desperdiçado um penálti por clara má marcação. Vouta prá nóis, tá?

Éder Militão (7): Estreia na Champions e quase parecia o mais experiente. Bem em quase todas as suas acções, só a menor (e compreensível) falta de entrosamento com Felipe deu alguma preocupação. Grande futuro pela frente.

Felipe (5): Esteve numa roda-viva, ou melhor, numa montanha russa de lances bem e mal decididos, alguns que quase mudavam o marcador (em ambas as balizas). Tem de esquecer a canarinha e voltar à sua realidade, até para que um dia possa lá voltar.

< 75' Danilo (7): Muito bom regresso à alta competição, já descontando a falta de forma devida à longa paragem. Não sei se foi o melhor em campo, mas foi claramente o melhor da equipa.

Herrera (5): Não tenho memória curta, começou muito bem a época (até foi o MeC contra o Moreirense). Mas neste jogo (e no anterior, em menor escala) voltou a ser Errera: trapalhão, despropositado e comprometedor. O que se seguirá?

Otávio (6): Teve a frieza para conseguir o empate na segunda grande penalidade, o que obviamente é de realçar sobretudo pelo antecedente. Mas se dependesse de mim, já não estaria em campo por essa altura. Se a primeira metade foi razoável, na segunda desapareceu até ser chamado a este lance. E depois até "regressou" ao jogo, mas só depois. Pouco.




< 82' Brahimi (6): Sempre muito cercado nos terrenos centrais que pisou durante a primeira hora, foi ainda assim tentando furar e ganhar terreno. Já mais descaído na lateral, conseguiu um pouco mais de espaço, insuficiente para brilhar como tanto deseja.

< 64' Aboubakar (5): Quase sempre desligado da equipa e longe da acção, não sei se por culpa própria, da equipa ou 50/50. Mas o certo é que quase não "produziu" jogo, limitando-se a fixar a atenção dos defesas contrários. Saiu bem pela exibição, mal pela ausência de banco à altura.

Marega (6): Um bocadinho melhor, mas sem ser ainda decisivo como foi. Corrijo, foi sobre ele a segunda penalidade, foi decisivo. Mas soube a pouco, foi mais burrice do defesa do que outra coisa. Pode e deve fazer bem mais, sobretudo se se julga mesmo merecedor de outros voos.

> 64'  Corona (5): Nada acrescentou ao que a equipa vinha fazendo, nem mesmo a largura que suponho o treinador lhe tenha "pedido".

> 75' Oliveira (6): Continuo sem ver essa subida de qualidade no jogo da equipa que supostamente provoca quando entra, mas deve ser por culpa de expectativas mal formadas.

> 90' Hernáni (-): Esteve em campo nos descontos, sem nada a relevar.

Sérgio Conceição (6)

Ouvi boa parte da sua conferência de imprensa enquanto escrevia esta crónica e fiquei com dúvidas se teríamos visto o mesmo jogo. Não me deveria surpreender, porque ao contrário do que aconteceu durante boa parte da época passada, este ano temos visto jogos muito diferentes em quase todos os jogos. Claro que sou eu quem não está a ver bem. Só falta que me prove que assim é (com urgência). A pontuação reflecte o resultado, positivo sem ser excelente, porque o jogo que nos trouxe a este resultado nunca teria nota tão alta. Tantos equívocos individuais até podem ser trágica coincidência, mas a incapacidade da equipa de esticar o jogo com critério e causar perigo já não. Tem mesmo A VER com o treinador.

Como sugestão de T.P.C. lanço desafio de analisar o que nos tem acontecido sempre que decidiu trocar um avançado por um ala ou médio, isto é, sem o substituir por outro avançado minimamente equiparado. A ver se ajuda para o futuro.




Outros Intervenientes:


Não tinha expectativas sobre este Schalke 04 que desconhecia, excepto o que a sua actual classificação na Bundesliga sugeria. No final, bateu certo: jogam realmente pouco. Tão pouco que nem deu para distinguir nenhum jogador (nem mesmo Embolo, jogador sobre o qual tenho boas sensações desde que o vi despontar na Suíça).

Muito boa arbitragem de Gil Manzano e seus pares pela capacidade de se alhear do ambiente pressionante dos da casa. Creio que decidiu quase sempre bem e adoptou um critério largo e uniforme.


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Vendo as coisas pelo lado positivo, está feita a estreia na Champions e continuamos com as mesmíssimas aspirações que se formaram após o sorteio. O resultado do outro jogo do grupo sugere que o Galatasaray será o outro candidato ao primeiro lugar e por acaso até é o próximo adversário que vamos defrontar, desta vez no Dragão. 

Antes disso, temos campeonato pela frente. Competição bem mais importante, digo eu. Há que preparar rápido e bem a estratégia para ir ao Sado buscar os essenciais três pontos. O resto... virá a seguir. Vamos lá.



Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco




quarta-feira, 7 de março de 2018

De Anfield com (Muito) Amor


"Quem?" terá sido a palavra que mais ecoou na cabeça de quem se deparou com o nosso line-up para o jogo de ontem contra o Liverpool FC, na sua mítica casa de Anfield Road, um dos palcos com mais estórias para contar à história no futebol mundial.




Este "quem" reflectia a incredulidade que resultava de encontrar "um tal" de Bruno Costa no nosso onze, a par de outros nomes como André André, Reyes e Waris e em oposição às ausências de Brahimi, Marcano e até (vá lá, eu confesso) de Herrera.

Eu, que sigo com pouca atenção a nossa formação, mal tinha ouvido falar no rapaz. Se Dalot e o cabaz completo de Diogos me soam razoavelmente familiares, Bruno Costa não. De todo. Estando já irremediavelmente a caminho do estádio, apoderou-se de mim uma sensação de incómodo profundo, resultante de antecipar ser forçado a assistir a um novo massacre.

Sim, meus caros, eu estive no Dragão na primeira mão. Mas estive também, ao vivo e a cores, noutras degolas de inocentes mais antigas em terras de Sua Majestade, como os 4-0 de Old Trafford e os 5-0 do Emirates (quando Wenger ainda fazia alguma coisa que se aproveitasse). Em ambos os filmes, um elemento comum: aquela irresistível tentação do treinador tuga de inventar, lançando às feras outros ilustres desconhecidos de ocasião: em Manchester, foi mesmo o homónimo Costa; em Londres, Nuno André Coelho... a trinco. Conclusão: fim da "carreira" de ambos, eles que foram os menos culpados de tudo o que se sucedeu.

E lá seguia eu, angustiado da Silva, rumo a Anfield. Bom, pelo menos, fico a conhecer o estádio - tentava eu enganar-me. De nada serviu, pois que quanto mais perto estava da clareira de watts que se destacava na noite já quase completa, mais sentia que a coisa ia correr mal. Entretanto, cheguei e deixei-me absorver pelos pedaços de história que se encontram um pouco por todo o estádio e o medo do massacre entrou em stand by. Por altura do também mítico hino dos Reds "You'll Never Walk Alone", deixei de me preocupar: o que tivesse de ser, seria.




Foi o melhor que fiz, como todos agora sabemos. O jogo foi quase sempre morno, calmo e temperado, como se de um treino amigável se tratasse. Culpa nossa, pois claro, que nos deixamos atropelar no primeiro jogo.

Não que faltassem as oportunidades de golo e correspondentes tentativas; na verdade, até as houve em quantidade razoável, em especial na segunda metade. Simplesmente, nem eles acreditavam que podiam ser eliminados, nem nós que o poderíamos fazer. Era uma questão de ir escoando o tempo, sem grandes riscos ou mazelas, e o que viesse a mais seria lucro.

Cheguei mesmo a acreditar que iríamos finalmente vencer em Inglaterra e - ó suprema ironia de Swift e Austen - com uma equipa onde apenas alinharam de início três titulares! Por comparação, note-se que o Liverpool fez alinhar no mínimo cinco (seis, se, tal como eu, considerarem Matip um dos dois melhores centrais do plantel dos vermelhos). 

No final, faltou o quase, como tantas vezes tem acontecido nesta geografia. Um quase que tanto poderia "dar" vitória como derrota, entenda-se. Iker Casillas, uma vez mais, evitou essa fatalidade e mostrou que ainda tem muito para dar a esta competição. Soube a pouco, no final, sobretudo porque o infernal ambiente de Anfield mal chegou a aquecer. 

Houve sim, muito Porto. Não dentro de canto, mas à volta dele. Não sou de me deixar deslumbrar por manifestações de claques - afinal, todos eles estão lá porque não há nenhum outro sítio onde preferissem estar, não é verdade? - mas ontem foi, de facto, digno de registo. Os "bifes" e a nossa imprensa saloia impressionaram-se muito com a grande demonstração de amor ao Clube e blá blá blá

É Amor, sim, mas brutalmente exponenciado pelo vislumbre já muito possível de nos encontrarmos todos juntos, em Maio nos Aliados, a festejar de novo o título de campeão nacional. É quase só nisso que já todos pensamos (disclaimer: eu "exijo" também o Jamor!) e a isso que nos dedicamos, mesmo que implique engolir em seco goleadas caseiras com uns tipos (que habitualmente jogam) de vermelho (mas, felizmente, não nesse dia).

Valeu pela ida a Anfield e pela saída airosa da competição, sem mais danos a registar após a hecatombe do Dragão. E por Bruno Costa, pois claro!






Notas DPcA 



Dia de jogo: 06/03/2018, 19h45, Anfield Road, Liverpool FC - FC Porto (0-0)


Iker (6): Exibição um nadinha irritante, com demasiados "erros não forçados" na reposição, com os pés, da bola em jogo, mas que imediatamente se diluiu quando, já nos minutos finais, evitou o golo da (muito provável) derrota. Ainda um senhor das balizas, mesmo se um senhor desconcentrado.

Maxi (7): Conseguiu quase sempre disfarçar a evidente falta de velocidade com toda a sua experiência. Muitos pormenores de velha raposa, importantes num jogo destas características.

Dalot (6): Entrou nervoso mas o jogo não lhe deu motivos para não se recompor. Fê-lo ainda "cedo" e acabou com uma exibição positiva e um par de pormenores. E, não esquecer, jogando no lado contrário ao seu "natural".

Melhor em Campo Felipe (8): O melhor jogo com a nossa camisola. Imperial, imbatível, impecável. Para ser perfeita, era "só" ter finalizado com sucesso aquele canto.

Reyes (6): Contrariando os meus receios, não comprometeu. Aproveitou bem a boleia de Felipe e arrancou uma exibição sólida.

< 62' André André (4): Só esteve 62 minutos a mais em campo. De resto, impecável...

Óliver (5): Jogo estranho do espanhol, com muitas pequenas decisões estapafúrdias, como aquelas tentativas de lob para a terra de ninguém e passes fáceis errados. Melhorou um pouco na última meia hora, mas não o suficiente para limpar a face.

< 68' Waris (6): Teve finalmente uma oportunidade "inteira", mas nem assim mostrou atributos que justifiquem a sua contratação. Não digo que não os tenha, eu é que ainda não os vi. Em todo o caso, não destoou.


Corona (6): Na ausência de Brahimi, teve de ser ele a agitar as águas. Tentou muitas vezes, conseguiu-o em poucas. Nunca seria fácil, mas tinha esperança que pudesse ser o jogo "dele". Exibição apenas positiva, assim sendo.

Bruno Costa (6): Andou a vaguear pelo campo durante a primeira parte, talvez por não conseguir ainda acreditar ser mesmo verdade estar ali. A meio da segunda soltou-se da tremedeira e mostrou um bocadinho do seu futebol, passando a ser um elemento de corpo inteiro. Não desmereceu a grande aposta.

< 80' Aboubakar (5): Regresso à titularidade quase forçada pelas ausências, demonstrando que ainda não está a 100%. Foi o lutador de sempre, mas raramente fez bem o que quer que fosse.

> 62' Sérgio Oliveira (5): Ontem tive a amarga resposta para a minha questão sobre o porquê de, com tanto futebol nos pés (e na cabeça) ainda não se ter afirmado aos 25 anos: entrou amorfo, quase displicente, como se o jogo não tivesse interesse para ele. Não pode ser, Sérgio, quem quer triunfar tem de estar sempre disponível para dar tudo.

> 68' Ricardo Pereira (6): Entrou bem e mostrou estar pronto para regressar à equipa já em Paços.

> 80' Gonçalo Paciência (5): Pouco tempo e ainda menos espaço para mostrar "grandes coisas". E pequenas também...

Sérgio Conceição (6): Deu-lhe a travadinha do (eu)génio tuga, tão típica das nossas idas a Inglaterra. Por uma vez, não correu mal, que é como quem diz, não fomos goleados e nem sequer perdemos. À posteriori, é fácil dizer que apostou bem e que lançou mais um jovem jogador e tudo o mais que se queira elogiar, MAS... eu acho que foi um perfeito disparate o excessivo nível de poupanças que promoveu, correndo um risco real de sofrer nova goleada e fazer uma eliminatória à Sporting. O jogo de Paços é mais importante do que este foi, mas não me pareceu assim tão imperioso fazer tanta mudança e poupança para ter sucesso no domingo. No final deu empate e, pela força da realidade, quem teve razão foi o treinador. Mas não gostei da decisão, nem um bocadinho aliás.



Outros Intervenientes:



Foi um Liverpool naturalmente poupadinho o que se apresentou em campo, ciente que apenas havia que deixar o relógio correr. Mesmo a meio-gás, destacaram-se Matip, Moreno e depois o inevitável Salah. Fico curioso para saber que adversário o sorteio lhes reservará para os quartos-de-final.

Creio que não se justifica falar da equipa de arbitragem liderada por Felix Zwayer, mesmo perante dois lances de possível penálti (um para cada lado). Fica então registado o nome do senhor, para memória futura. 




Arrumada a Champions, o foco no campeonato passa a ser total até meados de Abril. Isto significa que o nosso futuro continuará a fazer-se já no próximo domingo, em Paços de Ferreira, e com os melhores disponíveis a alinhar de início. Para vencer, obviamente, mas atenção: já perdemos pontos esta época em casa de equipas que lutam pela permanência. Exige-se aplicação total.



Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco