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segunda-feira, 3 de abril de 2017

Agressões Aos Molhos, Punições Exemplares?


Nos últimos dias, sucederam-se múltiplas agressões no país do futebol, todas relevantes, todas a requerer uma actuação firme e decidida, mas nem todas a receber a mesma atenção mediática. Por que será?




Vamos enumerá-las por ordem cronológica.


Agressão nº 1


Agressor: Membro do Corpo de Intervenção da PSP

Agredido: Suposto adepto do Benfica

Local: Imediações do Estádio da Luz, antes do início do Clássico


As imagens difundidas quase até à exaustão chocaram qualquer pessoa de bem, pelo aparente uso desproporcionado de força por parte do agente.

Não sei o que fez o agredido, pelo que reforço o "aparente". Sei que após ser derrubado com um pontapé "técnico", o agredido se quedou imobilizado e deixou de oferecer resistência. Apesar disso, foi socado e pontapeado pelo agressor, o que põe em causa os seus direitos fundamentais, bem como a capacidade do agente para o ser. 

Segundo foi hoje divulgado, a PSP avançou de imediato para abertura de um inquérito, o que se saúda, mas é importante que as suas conclusões sejam tornadas públicas, bem como o enquadramento da situação. Não poderá subsistir a dúvida após essa divulgação. Se prevaricou, o agente deve ser punido de acordo com a legislação em vigor.




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Agressão nº2


Agressor: Jonas Gonçalves Oliveira 

Agredido: Nuno Espírito Santo

Local: Relvado do Estádio da Luz, durante o Clássico


Aquando de uma disputa de bola na proximidade do banco do Porto, o agressor aproveitou o movimento resultante para se deixar embalar, ao invés de tentar travá-lo, na direcção do agredido, provocando assim o choque sem nunca se tentar desviar.

É bem conhecida a total inabilidade de Nuno para lidar com perguntas que lhe são colocadas em cima do acontecimento, sem tempo prévio para ponderar sobre os factos e elaborar uma resposta adequada.

Ao invés de apontar de imediato o dedo ao jogador, quis "armar-se em macho latino" e brincar com a situação. Um erro colossal, mas que pode e deve ser corrigido pelo Clube, através dos seus departamentos jurídico e de comunicação. 

Jonas agrediu o nosso treinador. De nada importa se o magoou ou não, se foi no pé, na cara ou no tronco. Importa sim a intenção dolosa do agressor, comprovada pela simples análise do seu movimento.

É fundamental que o Porto faça deste caso um exemplo e exija junto das autoridades desportivas competentes a punição imediata de Jonas.


Que tipo de punição?



Ontem assisti incrédulo a comentadores, analistas e até ex-árbitros a defenderem que Jonas devia ter sido advertido. O quê??

(Para quem não saiba, ser advertido significa receber um cartão amarelo)

A Lei 12 das Leis de Jogo define claramente as situações em que o cartão amarelo deve ser mostrado.

"Um jogador deve ser advertido quando:
• retardar o recomeço do jogo;
• manifestar desacordo por palavras ou por atos;
• entrar ou reentrar ou deliberadamente deixar o terreno de jogo sem autorização
do árbitro;
• não respeitar a distância exigida quando o jogo recomeça com um pontapé de canto, um pontapé-livre ou um lançamento lateral;
• infringir com persistência as Leis do Jogo (não está definido o número a partir do qual se pode falar de “persistência”, nem um padrão de comportamento);
• se tornar culpado de comportamento antidesportivo."

Fica claro que não houve motivo para advertência a Jonas nesta situação (mas sim em muitas outras, ao longo do jogo).





E em que situações está prevista a expulsão?



"Um jogador, um suplente ou um jogador que tenha sido substituído deve ser expulso do terreno de jogo quando cometa uma das infrações seguintes:
• impedir a equipa adversária de marcar um golo, ou anular uma clara oportunidade de golo, tocando deliberadamente a bola com a mão (isto não se aplica ao guarda-redes na sua própria área de penálti);
• anular uma clara oportunidade de golo de um adversário que se dirija para a sua baliza, cometendo uma infração passível de um pontapé-livre ou de um pontapé de penálti (exceto da forma descrita abaixo);
• tornar-se culpado de uma falta grosseira;
• cuspir num adversário ou sobre qualquer outra pessoa;
tornar-se culpado de conduta violenta;
• usar linguagem ou gestos ofensivos, injuriosos e ou grosseiros;
• receber uma segunda advertência no decurso do mesmo jogo."


É transparente como a água da mais pura nascente. Jonas teve uma conduta violenta para com Nuno Espírito Santo. Não há sequer lugar a outra interpretação. Basta ver o seu movimento.

Portanto, deveria ter sido expulso ao minuto oito, com tudo o que a inferioridade numérica implicaria no desenrolar dos restantes oitenta e dois. É incrível como "ninguém" é capaz de dizer isto alto e em bom som.


Não tendo sido expulso, o que sobra de punição



Vejamos o que enuncia o Regulamento Disciplinar 2016/17 da Liga Portugal, na SUBSECÇÃO II - INFRAÇÕES DISCIPLINARES MUITO GRAVES, Artigo 145.º - Agressões, nº1. alínea b):

"São punidas nos termos das alíneas seguintes as agressões praticadas pelos jogadores contra os membros dos órgãos da estrutura desportiva, elementos da equipa de arbitragem, observadores, delegados da Liga, dirigentes ou delegados ao jogo de outros clubes, agentes de segurança pública, e treinadores:

a) no caso de agressão que determine lesão de especial gravidade, com a sanção de suspensão a fixar entre o mínimo de três meses e o máximo de três anos e, acessoriamente, com a sanção de multa de montante a fixar entre o mínimo de 50 UC e o máximo de 250 UC; 

b) noutros casos de agressão, com a sanção de suspensão a fixar entre o mínimo de dois meses e o máximo de dois anos e, acessoriamente, com a sanção de multa de montante a fixar entre o mínimo de 25 UC e o máximo de 125 UC."


É disto que se trata, uma suspensão entre dois meses e dois anos para Jonas! É por isto que o Porto tem que lutar, por que se trata da mais elementar justiça.


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Agressão nº 3


Agressor: Jogador do Canelas 2010 

Agredido: Árbitro do jogo 

Local: Campo do Rio Tinto, durante o jogo Rio Tinto - Canelas 2010


As imagens difundidas para lá da exaustão chocaram qualquer pessoa de bem, simplesmente animalesco, próprio de um marginal inadaptado para viver em sociedade.

Terá direito à sua defesa criminal, como qualquer outro cidadão, a quem caberá demonstrar que se tratou de um acto irreflectido e excepcional. A mim não, até porque não acredito na excepcionalidade do acto.




Mas há mais culpados, para lá do agressor.

Em primeiro lugar, os dirigentes do Canelas 2010. É quase anedótica a entrevista do canastrão presidente do clube à TSF, assumindo uma inadmissível postura de consternação e surpresa, como se tivesse aterrado hoje vindo do Marte, após vários anos de ausência.

Então o senhor não sabia já das agressões recorrentes que vários jogadores da sua equipa cometiam contra jogadores de outras equipas, ao ponto de ter havido um boicote aos jogos? Ou será que só agora é que considera grave, por o agredido ser um árbitro? Ridículo. Incrível também como a TSF se presta a ser veículo destas tristes figuras sem fazer o mínimo contraditório. 

Em segundo lugar, os próprios árbitros daquela divisão/categoria. Se é verdade que não expulsavam jogadores do Canelas por serem ameaçados e coagidos, porque não se recusaram a apitar os jogos do Canelas, assumindo uma posição de força com o apoio da APAF?

Por último, a Associação de Futebol do Porto e, por inerência, a FPF. Toda a gente viu os vídeos das agressões a jogadores de outras equipas, por que raio se acomodaram e se esconderam atrás dos "trâmites processuais"? São homens ou são ratos?

Vêm agora falar de repor a irradiação, pena que nunca deveria ter sido suprimida em primeiro lugar. Tudo bem, que o façam e já, mas este árbitro já não recupera o que perdeu neste incidente. E, por sorte, as consequências não serão ainda mais gravosas.

A irresistível colagem por parte dos mérdia ao Porto foi instantânea. Afinal, trata-se da equipa onde joga o Madureira e outros membros dos Super Dragões, incluindo o próprio agressor. Como é óbvio, não há qualquer responsabilidade directa do Clube no sucedido. Nada nem ninguém do Porto poderia impedir que a agressão se consumasse. Tudo o que se tentar dizer em contrário é absurdo e mal-intencionado. Normal, portanto.


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Mas o facto de o meliante ser um membro destacado dos Super Dragões não é - ou não deveria ser - irrelevante para o Clube, sobretudo se for mesmo verdade que se trata de um dos "tenentes" do líder da claque (que aliás, num primeiro momento, me pareceu também ir pedir "explicações" ao árbitro pela expulsão). Alguém que supostamente é bem conhecido do clube e com quem interage com (mais ou menos) frequência.

A claque é reconhecida e recebe vários apoios do clube. Há um funcionário do clube responsável pela ligação com os adeptos. Há um líder, mais famoso do que o tremoço, que tem de responder pela claque. O Porto tem que exigir uma conduta "mínima" aos membros da claque, em particular aos seus líderes, porque é sabido que serão sempre associados ao Clube em qualquer situação negativa. Saindo fora dessa conduta, deve haver implicações, desde suspensão temporária à expulsão da claque. Ou terminar todo e qualquer apoio por parte do Clube até que isso aconteça.

Nada disto existe, continua a vigorar a lei da selva, mas já vai sendo tempo de se pensar muito seriamente no assunto e passar da teoria à práctica.

Por último, que ninguém queira usar o argumento de que o agressor não estava naquele momento no papel de Super Dragão, porque isso não existe. Cada pessoa é um todo, soma das suas múltiplas facetas, não se pode desligar umas e ligar outras quando se trata de assumir responsabilidades. Para isso já basta os medíocres políticos que vamos tendo.


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E já agora, para quando a obrigatoriedade, em dias de jogo, da apresentação numa determinada esquadra, de indivíduos sinalizados como desordeiros ou problemáticos, sejam eles membros de claques ou paizinhos imbecis de jogadores das "escolinhas"?
 


Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco




terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Toque a reunir


Aproveitando este curto espaço entre jogos, aqui fica uma igualmente curta reflexão sobre o estado da nação portista e dos seus "queridos inimigos".


O Porto somos todos nós! - Bruno Sousa


Começo já pelo final, o comunicado dos Super Dragões. Gostei de ler e concordo com a substância do que é dito. No fundo, é mais ou menos aquilo que tenho defendido - manter Lopetegui até final da época e não assobiar durante os jogos - ainda que com muito mais palavras a adornar. Dou obviamente de barato os exageros e incongruências que contém pelo meio e prefiro focar-me numa das frases, para mim lapidar (salvo seja):

"O Futebol Clube do Porto tem que ser maior que tudo isso, tem que ser superior a todo o resto."

Pois tem. É isso mesmo. Mas maior do que todos, mesmo todos, super dragões e dirigentes incluídos. É bom que nunca se esqueçam disso, se ou quando tiverem por obrigação confrontar quem escolhe mal os treinadores ou contrata jogadores sem nexo, mesmo que isso lhes custe abdicar das mordomias de que hoje beneficiam.


Nota: o debate sobre a relação clube/claques terá que ficar para outra altura, mas aproveito para levantar a ponta do véu sobre o meu pensamento. Não tenho nada contra o facto de que os ultras beneficiem de condições especiais, diferentes dos sócios ordinários, pelo apoio único que dão às diversas equipas das diferentes modalidades. Aliás, sou até favorável porque me parece da mais elementar justiça. No entanto, traço uma linha limite bem vincada: a relação entre os membros da claque e os dirigentes deve mover-se exclusivamente com o objectivo de maximizar o apoio ao clube. Qualquer tipo de benefício pessoal (para qualquer uma das partes), que em nada beneficie o clube, é totalmente inaceitável. Quem apoia o clube, deve fazê-lo incondicionalmente e sem esperar receber nada em troca que não seja festejar nos Aliados. Mais do que isso, já não é apoiar, é aproveitar-se de um clube que não é (apenas) seu, mas de todos os sócios. 


Regressando ao tema principal, acrescento que para mim esta é uma jogada bem concertada entre SD e direção, mas de onde só sai realmente bem a claque. O silêncio ensurdecedor de Pinto da Costa - que mal chegou à liderança se desdobrou em entrevistas - e/ou de qualquer outro membro da administração faz-se ouvir bem mais alto do que os Super a gritar slbbbbbbbbb... 

Fico contente que tenham sabido sensibilizar o núcleo duro da claque, recuperando-os para o lado bom da Força, mas só isso não chega. Quero ouvir o presidente a reconhecer que nem tudo está a correr conforme planeado, mas que mantém total confiança no treinador para liderar a equipa rumo à conquista do campeonato. E que o plantel tem espaço para ser melhorado neste mercado de inverno. É por demais evidente a falta de um central de categoria indiscutível e de um avançado, para colmatar a saída de Osvaldo. Já nem insisto num Óliver, porque não será fácil encontrar um e tenho visto muito talento a despontar na equipa B.

Janeiro vai ser absolutamente decisivo para nos mantermos firmemente na corrida ao título. Nunca o vamos ganhar neste mês, mas facilmente podemos perdê-lo. E temos a Taça em jogo também. Por isto, fico genuinamente satisfeito com esta atitude reconciliadora dos SD. Da minha parte, continuarei como sempre a apoiar nos jogos e a analisar sem mordaças aqui no blogue. Assobiar nem sei. EU ACREDITO. 

Mas se continuar a haver quem não acredite e se pretenda exprimir assobiando ou exibindo lenços brancos, que NINGUÉM ouse tentar silenciá-los. É um direito que lhes assiste. Tal como de serem criticados por isso, mas nunca impedidos de o fazer.


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Quem também parece acreditar muito na incompetência de Lopetegui é a trupe de Bruno de Carvalho, que nos últimos dias se têm desdobrado em cândidas afirmações de apoio e reconhecimento de enormes capacidades ao nosso treinador, todos sincronizados como macaquinhos amestrados ao som do realejo. Nem sei se hei-de rir ou chorar. Será mesmo possível que esta cambada de perdedores profissionais (no que ao futebol diz respeito, obviamente) acredite que nos pode influenciar a manter Lopetegui se não for esse o "nosso" desejo? Que de alguma forma conseguem condicionar qualquer decisão de Pinto da Costa?

- Respeitável público, mininos e mininas, eis o momento por que todos esperavam. O vosso forte aplauso para os PALHAÇOS!

Já não bastava o enchido regional Pedro Guerra? Ridículo.


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E lá segue o SLB, discreto e aflito, devidamente amparado pelos mesmos do costume. Estamos atentos. Pelo menos o Sporting está. Mesmo tendo ganho àquele que teoricamente será o seu maior rival na luta pelo título, não perdeu tempo a disparar para a outra banda da segunda circular. Muito justamente, diga-se. E da nossa parte, haverá quem se digne a dizer alguma coisa?



Do Porto com Amor