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quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Dicionário Político Português Contemporâneo


Ainda antes da prometida abordagem ao actual panorama político nacional, nada como um dicionário técnico para clarificar conceitos.


Edições DPcA - LAeB
 

Dicionário Político Português Contemporâneo (D.P.P.C)


- A -

A-ní-bal
a) Há o dos elefantes, mas não releva para o caso.
b) O mesmo que (o.m.q.) "Cavaco".

As-sis, Francisco
a) o.m.q. "ainda não é desta".
b) o.m.q. "Rei dos Leitões".


- B - 

Blo-co
a) Se for de Esquerda, é o habitat natural das esganiçadas.
b) Malta que fuma coisas porreiras e gosta de partir a Louçã toda.
c) Conjunto organizado de foliões carnavalescos que desfilam pelas ruas cantando e dançando [Brasil].
d) No voleibol, manobra de defesa junto à rede, com os braços levantados, para impedir que a bola a transponha.


- C - 

Ca-va-co
a) Membro fundador da ala radical "BPN" do PPD-PSD.
b) Ser vagal, incapaz de tomar decisões.
c) Que não é imparcial.
d) Grande apreciador de bolo-rei e de bananas grandes da Madeira.
e) Macho da cavaca.

Co-e-lho, P.P (lê-se Coêlho, segundo o próprio)
a) Mamífero lagomorfo da família dos leporídeos, muito prolífero, de cauda curta, orelhas e patas longas, cuja raça política se desenvolve nas entranhas da Jotócracia.
b) Que ou quem tem ares e aparência de ingénuo. = FINÓRIO, MANHOSO, VELHACO.
c) Incapacidade de pronunciar correctamente a letra "R" no início das palavras e o duplo r ("rr") a meio delas.
d) Cada um dos dois pedaços compridos de carne que se tiram dos lados do lombo do porco [Regionalismo].

Co-mu-nis-ta, Partido
a) Uma das mais notáveis e duradouras campanhas de marketing desenvolvida pelos fabricantes de cassetes (K-7s).
b) Pelos direitos do proletariado e contra o grande capital burguês.
b) Pelos direitos do proletariado e contra o grande capital burguês.
b) Pelos direitos do proletariado e contra o grande capital burguês.

Cos-ta, António
a) Espécie de molusco gastrópode univalve.
b) Apegado, afeiçoado, aferrado.
c) Demolidor de muros e vedações.
d) Grande apreciador de pastel frito de massa folhada, de forma triangular, geralmente com recheio de carne picada e muito condimentado.


- D -

De-pu-ta-do
a) Que ou quem come ou vive à custa de outro ou de outros.
b) Autómato ou boneco que se faz mover por meio de cordéis ou com a mão; títere.
c) Aquele que é comissionado para curar de negócios de outrem.

Di-as, J. A.
a) o.m.q. "ai ela falou?".
b) Alguém que agiu demasiado tarde e se despiu demasiado cedo.
c) fem. sing. de bom como uma das plantas poáceas que gera espigas e grãos.

Di-rei-ta
a) Conjunto dos partidos, agentes políticos e população que partilha doutrinas, ideologias, orientações ou princípios considerados mais conservadores.
b) Partidos políticos que quando no poder governam em função dos seus interesses (nacionais e internacionais) e assumem-no [Portugal].
c) Malta das tias, da missa ao domingo, dos pobrezinhos (quantos mais, melhor) e do "eu é que sou o dono da bola, eu é que brinco".


- E - 

Es-ga-ni-ça-da
a) Que tem voz muito aguda ou estridente.
b) Uma das meninas do Bloco.
c) Sonho reprimido do fascista típico.
d) Eufemismo de "Heloísa Apolónia".

Es-quer-da
a) Conjunto dos grupos e partidos que professam opiniões progressistas, por oposição à direita, conservadora.
b) Partidos políticos que quando no poder governam em função dos seus interesses (sobretudo nacionais) mas não o assumem [Portugal].
b) Malta do charro e do caviar, das cassetes e do "não és nada, agora é a minha vez de brincar".


- F -

Fas-cis-ta
a) Pessoa partidária do fascismo (tendência para o excesso de autoritarismo ou para o controlo ditatorial).
b) Apelido carinhoso dado pelos radicais de esquerda aos radicais de direita.
c) Todos os que ganham mais dinheiro do que eu.


- G -

Go-ver-no
a) Poder ou colectividade que dirige um Estado.
b) Grupo de pessoas com interesses comuns. = MALTA, PESSOAL.
c) Grupo de pessoas sem interesse no bem comum.


- J -

Jo-tó-cra-ci-a
a) Mais ou menos isto


- M -

M.A.C.
a) Sub-produto da Jotócracia
b) Agregador de vontades, contador de espingardas, traficante de influências e distribuidor interno de benesses (júnior)
c) Adepto incondicional do "Vale-Tudo"
d) Aspirante a Relvas

Mar-tins, Catarina
a) sinónimo da expressão popular "com esta é que eu não contava..."
b) Líder actual das esganiçadas e dos tarolos
c) Fruto da liderança bicéfala [botânica]


- N -

No-guei-ra, Mário
a)  o.m.q. "deputado".
b) O que promove rebeliões ou tumultos.
c) Oposto de "trabalhador".
d) o.m.q. "Ana Avoila"


- P -

PAN
a) o dono da flauta
b) pan-pan-pan, pan-pan-panda, é uma nova forma de se dançar
c) o.m.q. suruba (pessoas, animais e natureza, tudo ao barulho) [Brasil]

Por-tas, Catherine
a) o.m.q. vice (≠ irrevogável).
b) Pessoa que é viciada em feiras.
c) Herói da B.D. que se dedica a proteger as pensões dos velhinhos e os pobrezinhos em geral dos seus compinchas de partido.
d) Apreciador de delícias do mar, especialmente as enlatadas em submarinos alemães.


- R -

Rel-vas, Miguel
a) Um dos pais fundadores da Jotócracia.
b) Agregador de vontades, contador de espingardas, traficante de influências e distribuidor interno de benesses.
c) O mais elevado grau académico a que se pode aspirar.
d) Sósia mais conhecido de Joker do universo Batman.


- S -

Se-gu-ro, Tó Zé
a) Que ou quem demonstra falta de habilidade, inteligência ou desembaraço (ex.: ela é tão Tó Zé que nem percebeu o que aconteceu; cambada de Tó Zés!). = ATADO, NABO, PALERMA, PARVO.
b) Último secretário-geral do PS a vencer umas eleições.
c) Nada apreciador de pastel frito de massa folhada, de forma triangular, geralmente com recheio de carne picada e muito condimentado.

Só-cra-tes, José
a) Pá (≠ picareta).
b) Homem parisiense que é amigo dos seus amigos.
c) Número natural depois do 43 e antes do 45.
d) Especialista em Inglês técnico.
e) Animal político cujas notícias da sua morte foram claramente exageradas.

Sou-sa, Jerónimo de
a) Apertado entre talas.
b) Diz-se de quem usa roupa vários números acima do seu tamanho.
c) Director delegado da TDK/Verbatim em Portugal.
d) o.m.q. Forrest Gump.


- V -

Ver-des, Os
a) Os que são de uma cor produzida pela combinação do amarelo com o azul, muito espalhada no reino vegetal.
b) Os que ainda tem seiva e ainda não estão secos.
c) Os que não tem experiência.
d) Os que respeitam o meio ambiente ou princípios ambientais excepto no que concerne à poluição sonora.
e) Lar da esganiçada primordial.



Trata-se apenas da primeira versão, quase em jeito de rascunho, susceptível de ser alargada e/ou revista sempre que justificável. Contribuições dos estimados leitores são obviamente bem vindas. 


Do Porto com Amor



quarta-feira, 14 de outubro de 2015

"A vontade do Povo"


No seguimento da minha declaração de intenções pré-eleitoral, o indispensável olhar sobre a actual situação política pós-eleitoral por que muitos já suspiravam.



Pois continuem a suspirar, ouvi dizer que faz bem às varizes.

Quanto à política nacional, é um pagode. Como se já não bastasse a mediocridade e consequente falta de opções credíveis no leque de escolhas disponíveis no boletim de voto, eis que tudo o que se tem seguido às eleições vem hiperbolizar esse sentimento. Com os cumprimentos de S. Exa., o vagal Presidente da República.


Começando pelo princípio, qual foi o resultado eleitoral?

Site Legislativas 2015


Mesmo considerando que ainda estão 4 mandatos por atribuir (votos dos círculos externos), os resultados não deixam dúvidas a ninguém. Quem venceu as eleições foi a coligação PaF (ai!), constituída pelos dois partidos que formaram o anterior (actual...) governo.


Avancemos então para o ponto seguinte. O que diz a Lei sobre a formação do Governo? Igualmente simples, ainda que muito menos clara quanto à sua aplicação.


Site do Tribunal Constitucional


Como em muitos outros aspectos, este artigo da CRP é demasiado vago e até omisso quanto ao procedimento a adoptar pelo PR, mencionando apenas "tendo em conta os resultados eleitorais". Esta opção - nada inocente mas muito idiota - do legislador transfere para o PR a decisão final quanto à escolha da força(s) política(s) para formar governo mas não lhe dá nenhum critério preciso e objectivo para o fazer. 

Nem sequer adianta seguir o caminho da análise semântica e linguística da expressão, não só porque é suposto o espírito da lei ter um papel decisivo na sua interpretação, como na práctica cada constitucionalista interpreta à sua maneira, não havendo consenso excepto de que cabe ao PR decidir o que fazer.

Se num cenário de maioria de deputados na AR a questão é simples de resolver (pela praxis e pelo bom senso, não pelo texto constitucional), num caso como o actual de maioria relativa (menos de "metade+1") as coisas complicam-se.


O que deve então o PR fazer?

Em primeiro lugar, ressuscitar e se possível, regurgitar todo aquele bolo-rei não digerido.

Atingido o primeiro objectivo com sucesso, deve obviamente analisar o contexto actual e o historial de decisões (a tal praxis) que o precederam - não por serem vinculativas, mas porque a jurisprudência é sempre um caminho prudente e avisado em situações de indefinição.

A segunda parte não vou aprofundar, porque apesar de relevante, para mim é secundária e está bem documentada para quem tiver interesse.

Concentremo-nos então no contexto.

O bom do Costa passou a campanha eleitoral a distanciar-se dos partidos à sua esquerda, lançando-lhes muitas vezes críticas mais ferozes do que à própria coligação. Adicionalmente, repetiu até à exaustão que se candidatava para "acabar com as políticas" da coligação. Ainda que não tenha conseguido ser claro quanto ao que pretendia fazer, foi totalmente cristalino em relação ao que não queria para Portugal: não queria nem PSD, nem CDS e muito menos PCP ou BE. E por fim, "exigiu" aos eleitores uma maioria absoluta para poder implementar o seu plano de governação sem interferências.

A coligação, por seu turno, procurou dizer o menos possível. E bem, analisando do seu ponto de vista. Tudo o que pudessem dizer esbarraria sempre naquilo que fizeram e não fizeram durante a sua governação, com uma opção ideológica tão bem demarcada que não deixaria dúvidas a "ninguém" (ah ah, piada do dia). Assim sendo, concentraram-se em desviar-se das balas que lhes eram dirigidas e fazer poucas ondas, aproveitando ainda para assistir de cadeirinha à auto-flagelação da chamada esquerda.

Quanto a PCP e BE não sei muito bem o que disseram, mas tenho uns LPs meio-riscados em casa que prometo ouvir assim que possível. Em todo o caso, sei que não querem estar no Euro (não, não é o 2016), nem na NATO. E que nacionalizar é que era bom. E que "burguesia", "proletariado", "grandes fortunas", "capital" e o Marx mais velho. Nada em comum nem com uns nem com outros, portanto.

Resumindo, houve 4 caminhos diferentes propostos por 4 forças políticas (uma delas em coligação). Não houve e não há agora os de direita e os de esquerda. É absurdo e ridículo sugeri-lo, por muito que doa ao big looser Costa e seus esfomeados muchachos. Se tivesse um pingo de amor-próprio e honestidade intelectual, tinha aceitado a derrota com dignidade na noite das eleições e apresentado a sua demissão na hora. Como é apenas e só mais um político profissional, decidiu apostar tudo nesta mão (all-in), abdicando de um menos provável, mais tortuoso mas digno regresso num futuro mais ou menos próximo.

Mas quem lhe possibilitou este caminho foi o estimado Cavaco The Walking Dead Silva, com a sua postura esfíngica e as suas vagais declarações pré-eleitorais. Esta personagem é aliás tão caricatural que eu nem me atrevo a tentar melhorar o original. Todo ele é um freak show que de positivo só tem o facto de terminar dentro de poucos meses. Adiante.

Perdido no seu labirinto, Aníbal tarda em tomar uma decisão. A única decisão que pode tomar: a de convidar a coligação PaF a formar governo e indigitar PPC como primeiro-ministro. Porque das 4 forças (mais relevantes, entenda-se) que concorreram a eleições, foi a que teve mais votos. Apenas se PPC recusar o convite, deve o PR passar para outra solução. Ponto final.

Nada interessa que venha a ser (com enorme probabilidade) um governo sem capacidade de governar. É a vida. Assim que possível, teremos novas eleições. E quem sabe outras a seguir. E outras. Até que os senhores deputados (ai como eu gostaria que fossem deportados) sejam forçados a reconhecer que é necessário alterar a Constituição e em particular, o sistema de governo.

E que por favor não se continue a falar e a usar como argumento "a vontade do povo". Ouvir tantas e tão esclarecidas figuras falar na "vontade do povo" aumenta exponencialmente a minha preocupação com o futuro da nação. O "povo" não tem vontade nenhuma! O "povo" nem sequer existe em termos eleitorais. Cada cidadão votou na opção que quis. Ponto. O somatório dessas opções individuais determinou o resultado final das eleições. Mas é apenas um somatório! De muitas vontades individuais! Não há uma vontade do povo, mas sim milhões de vontades concentradas sobretudo em 4 opções - essas sim, representativas de uma vontade! O somatório final é apenas isso, um somatório, sem interpretação política possível, nem para um lado, nem para o outro. Ponto final.


Estou cansado.


Do Porto com Amor (mas sem paciência)