Nos últimos dias, sucederam-se múltiplas agressões no país do futebol, todas relevantes, todas a requerer uma actuação firme e decidida, mas nem todas a receber a mesma atenção mediática. Por que será?
Vamos enumerá-las por ordem cronológica.
Vamos enumerá-las por ordem cronológica.
Agressão nº 1
Agressor: Membro do Corpo de Intervenção da PSP
Agredido: Suposto adepto do Benfica
Local: Imediações do Estádio da Luz, antes do início do Clássico
As imagens difundidas quase até à exaustão chocaram qualquer pessoa de bem, pelo aparente uso desproporcionado de força por parte do agente.
Não sei o que fez o agredido, pelo que reforço o "aparente". Sei que após ser derrubado com um pontapé "técnico", o agredido se quedou imobilizado e deixou de oferecer resistência. Apesar disso, foi socado e pontapeado pelo agressor, o que põe em causa os seus direitos fundamentais, bem como a capacidade do agente para o ser.
Segundo foi hoje divulgado, a PSP avançou de imediato para abertura de um inquérito, o que se saúda, mas é importante que as suas conclusões sejam tornadas públicas, bem como o enquadramento da situação. Não poderá subsistir a dúvida após essa divulgação. Se prevaricou, o agente deve ser punido de acordo com a legislação em vigor.
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Agressão nº2
Agressor: Jonas Gonçalves Oliveira
Agredido: Nuno Espírito Santo
Aquando de uma disputa de bola na proximidade do banco do Porto, o agressor aproveitou o movimento resultante para se deixar embalar, ao invés de tentar travá-lo, na direcção do agredido, provocando assim o choque sem nunca se tentar desviar.
É bem conhecida a total inabilidade de Nuno para lidar com perguntas que lhe são colocadas em cima do acontecimento, sem tempo prévio para ponderar sobre os factos e elaborar uma resposta adequada.
Ao invés de apontar de imediato o dedo ao jogador, quis "armar-se em macho latino" e brincar com a situação. Um erro colossal, mas que pode e deve ser corrigido pelo Clube, através dos seus departamentos jurídico e de comunicação.
Jonas agrediu o nosso treinador. De nada importa se o magoou ou não, se foi no pé, na cara ou no tronco. Importa sim a intenção dolosa do agressor, comprovada pela simples análise do seu movimento.
É fundamental que o Porto faça deste caso um exemplo e exija junto das autoridades desportivas competentes a punição imediata de Jonas.
Que tipo de punição?
Ontem assisti incrédulo a comentadores, analistas e até ex-árbitros a defenderem que Jonas devia ter sido advertido. O quê??
(Para quem não saiba, ser advertido significa receber um cartão amarelo)
A Lei 12 das Leis de Jogo define claramente as situações em que o cartão amarelo deve ser mostrado.
"Um jogador deve ser advertido quando:
• retardar o recomeço do jogo;
• manifestar desacordo por palavras ou por atos;
• entrar ou reentrar ou deliberadamente deixar o terreno de jogo sem autorização
do árbitro;
• não respeitar a distância exigida quando o jogo recomeça com um pontapé de canto, um pontapé-livre ou um lançamento lateral;
• infringir com persistência as Leis do Jogo (não está definido o número a partir do qual se pode falar de “persistência”, nem um padrão de comportamento);
• se tornar culpado de comportamento antidesportivo."
• retardar o recomeço do jogo;
• manifestar desacordo por palavras ou por atos;
• entrar ou reentrar ou deliberadamente deixar o terreno de jogo sem autorização
do árbitro;
• não respeitar a distância exigida quando o jogo recomeça com um pontapé de canto, um pontapé-livre ou um lançamento lateral;
• infringir com persistência as Leis do Jogo (não está definido o número a partir do qual se pode falar de “persistência”, nem um padrão de comportamento);
• se tornar culpado de comportamento antidesportivo."
Fica claro que não houve motivo para advertência a Jonas nesta situação (mas sim em muitas outras, ao longo do jogo).
E em que situações está prevista a expulsão?
"Um jogador, um suplente ou um jogador que tenha sido substituído deve ser expulso do terreno de jogo quando cometa uma das infrações seguintes:
• impedir a equipa adversária de marcar um golo, ou anular uma clara oportunidade de golo, tocando deliberadamente a bola com a mão (isto não se aplica ao guarda-redes na sua própria área de penálti);
• anular uma clara oportunidade de golo de um adversário que se dirija para a sua baliza, cometendo uma infração passível de um pontapé-livre ou de um pontapé de penálti (exceto da forma descrita abaixo);
• tornar-se culpado de uma falta grosseira;
• cuspir num adversário ou sobre qualquer outra pessoa;
• tornar-se culpado de conduta violenta;
• usar linguagem ou gestos ofensivos, injuriosos e ou grosseiros;
• receber uma segunda advertência no decurso do mesmo jogo."
É transparente como a água da mais pura nascente. Jonas teve uma conduta violenta para com Nuno Espírito Santo. Não há sequer lugar a outra interpretação. Basta ver o seu movimento.
Portanto, deveria ter sido expulso ao minuto oito, com tudo o que a inferioridade numérica implicaria no desenrolar dos restantes oitenta e dois. É incrível como "ninguém" é capaz de dizer isto alto e em bom som.
Não tendo sido expulso, o que sobra de punição?
Vejamos o que enuncia o Regulamento Disciplinar 2016/17 da Liga Portugal, na SUBSECÇÃO II - INFRAÇÕES DISCIPLINARES MUITO GRAVES, Artigo 145.º - Agressões, nº1. alínea b):
"São punidas nos termos das alíneas seguintes as agressões praticadas pelos jogadores contra os membros dos órgãos da estrutura desportiva, elementos da equipa de arbitragem, observadores, delegados da Liga, dirigentes ou delegados ao jogo de outros clubes, agentes de segurança pública, e treinadores:
a) no caso de agressão que determine lesão de especial gravidade, com a sanção de suspensão a fixar entre o mínimo de três meses e o máximo de três anos e, acessoriamente, com a sanção de multa de montante a fixar entre o mínimo de 50 UC e o máximo de 250 UC;
a) no caso de agressão que determine lesão de especial gravidade, com a sanção de suspensão a fixar entre o mínimo de três meses e o máximo de três anos e, acessoriamente, com a sanção de multa de montante a fixar entre o mínimo de 50 UC e o máximo de 250 UC;
b) noutros casos de agressão, com a sanção de suspensão a fixar entre o mínimo de dois meses e o máximo de dois anos e, acessoriamente, com a sanção de multa de montante a fixar entre o mínimo de 25 UC e o máximo de 125 UC."
É disto que se trata, uma suspensão entre dois meses e dois anos para Jonas! É por isto que o Porto tem que lutar, por que se trata da mais elementar justiça.
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Agressão nº 3
Agressor: Jogador do Canelas 2010
Agredido: Árbitro do jogo
Local: Campo do Rio Tinto, durante o jogo Rio Tinto - Canelas 2010
As imagens difundidas para lá da exaustão chocaram qualquer pessoa de bem, simplesmente animalesco, próprio de um marginal inadaptado para viver em sociedade.
Terá direito à sua defesa criminal, como qualquer outro cidadão, a quem caberá demonstrar que se tratou de um acto irreflectido e excepcional. A mim não, até porque não acredito na excepcionalidade do acto.
Mas há mais culpados, para lá do agressor.
Em primeiro lugar, os dirigentes do Canelas 2010. É quase anedótica a entrevista do canastrão presidente do clube à TSF, assumindo uma inadmissível postura de consternação e surpresa, como se tivesse aterrado hoje vindo do Marte, após vários anos de ausência.
Então o senhor não sabia já das agressões recorrentes que vários jogadores da sua equipa cometiam contra jogadores de outras equipas, ao ponto de ter havido um boicote aos jogos? Ou será que só agora é que considera grave, por o agredido ser um árbitro? Ridículo. Incrível também como a TSF se presta a ser veículo destas tristes figuras sem fazer o mínimo contraditório.
Local: Campo do Rio Tinto, durante o jogo Rio Tinto - Canelas 2010
As imagens difundidas para lá da exaustão chocaram qualquer pessoa de bem, simplesmente animalesco, próprio de um marginal inadaptado para viver em sociedade.
Terá direito à sua defesa criminal, como qualquer outro cidadão, a quem caberá demonstrar que se tratou de um acto irreflectido e excepcional. A mim não, até porque não acredito na excepcionalidade do acto.
Mas há mais culpados, para lá do agressor.
Em primeiro lugar, os dirigentes do Canelas 2010. É quase anedótica a entrevista do canastrão presidente do clube à TSF, assumindo uma inadmissível postura de consternação e surpresa, como se tivesse aterrado hoje vindo do Marte, após vários anos de ausência.
Então o senhor não sabia já das agressões recorrentes que vários jogadores da sua equipa cometiam contra jogadores de outras equipas, ao ponto de ter havido um boicote aos jogos? Ou será que só agora é que considera grave, por o agredido ser um árbitro? Ridículo. Incrível também como a TSF se presta a ser veículo destas tristes figuras sem fazer o mínimo contraditório.
Em segundo lugar, os próprios árbitros daquela divisão/categoria. Se é verdade que não expulsavam jogadores do Canelas por serem ameaçados e coagidos, porque não se recusaram a apitar os jogos do Canelas, assumindo uma posição de força com o apoio da APAF?
Por último, a Associação de Futebol do Porto e, por inerência, a FPF. Toda a gente viu os vídeos das agressões a jogadores de outras equipas, por que raio se acomodaram e se esconderam atrás dos "trâmites processuais"? São homens ou são ratos?
Vêm agora falar de repor a irradiação, pena que nunca deveria ter sido suprimida em primeiro lugar. Tudo bem, que o façam e já, mas este árbitro já não recupera o que perdeu neste incidente. E, por sorte, as consequências não serão ainda mais gravosas.
A irresistível colagem por parte dos mérdia ao Porto foi instantânea. Afinal, trata-se da equipa onde joga o Madureira e outros membros dos Super Dragões, incluindo o próprio agressor. Como é óbvio, não há qualquer responsabilidade directa do Clube no sucedido. Nada nem ninguém do Porto poderia impedir que a agressão se consumasse. Tudo o que se tentar dizer em contrário é absurdo e mal-intencionado. Normal, portanto.
Mas o facto de o meliante ser um membro destacado dos Super Dragões não é - ou não deveria ser - irrelevante para o Clube, sobretudo se for mesmo verdade que se trata de um dos "tenentes" do líder da claque (que aliás, num primeiro momento, me pareceu também ir pedir "explicações" ao árbitro pela expulsão). Alguém que supostamente é bem conhecido do clube e com quem interage com (mais ou menos) frequência.
A claque é reconhecida e recebe vários apoios do clube. Há um funcionário do clube responsável pela ligação com os adeptos. Há um líder, mais famoso do que o tremoço, que tem de responder pela claque. O Porto tem que exigir uma conduta "mínima" aos membros da claque, em particular aos seus líderes, porque é sabido que serão sempre associados ao Clube em qualquer situação negativa. Saindo fora dessa conduta, deve haver implicações, desde suspensão temporária à expulsão da claque. Ou terminar todo e qualquer apoio por parte do Clube até que isso aconteça.
Vêm agora falar de repor a irradiação, pena que nunca deveria ter sido suprimida em primeiro lugar. Tudo bem, que o façam e já, mas este árbitro já não recupera o que perdeu neste incidente. E, por sorte, as consequências não serão ainda mais gravosas.
A irresistível colagem por parte dos mérdia ao Porto foi instantânea. Afinal, trata-se da equipa onde joga o Madureira e outros membros dos Super Dragões, incluindo o próprio agressor. Como é óbvio, não há qualquer responsabilidade directa do Clube no sucedido. Nada nem ninguém do Porto poderia impedir que a agressão se consumasse. Tudo o que se tentar dizer em contrário é absurdo e mal-intencionado. Normal, portanto.
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Mas o facto de o meliante ser um membro destacado dos Super Dragões não é - ou não deveria ser - irrelevante para o Clube, sobretudo se for mesmo verdade que se trata de um dos "tenentes" do líder da claque (que aliás, num primeiro momento, me pareceu também ir pedir "explicações" ao árbitro pela expulsão). Alguém que supostamente é bem conhecido do clube e com quem interage com (mais ou menos) frequência.
A claque é reconhecida e recebe vários apoios do clube. Há um funcionário do clube responsável pela ligação com os adeptos. Há um líder, mais famoso do que o tremoço, que tem de responder pela claque. O Porto tem que exigir uma conduta "mínima" aos membros da claque, em particular aos seus líderes, porque é sabido que serão sempre associados ao Clube em qualquer situação negativa. Saindo fora dessa conduta, deve haver implicações, desde suspensão temporária à expulsão da claque. Ou terminar todo e qualquer apoio por parte do Clube até que isso aconteça.
Nada disto existe, continua a vigorar a lei da selva, mas já vai sendo tempo de se pensar muito seriamente no assunto e passar da teoria à práctica.
Por último, que ninguém queira usar o argumento de que o agressor não estava naquele momento no papel de Super Dragão, porque isso não existe. Cada pessoa é um todo, soma das suas múltiplas facetas, não se pode desligar umas e ligar outras quando se trata de assumir responsabilidades. Para isso já basta os medíocres políticos que vamos tendo.
E já agora, para quando a obrigatoriedade, em dias de jogo, da apresentação numa determinada esquadra, de indivíduos sinalizados como desordeiros ou problemáticos, sejam eles membros de claques ou paizinhos imbecis de jogadores das "escolinhas"?
Por último, que ninguém queira usar o argumento de que o agressor não estava naquele momento no papel de Super Dragão, porque isso não existe. Cada pessoa é um todo, soma das suas múltiplas facetas, não se pode desligar umas e ligar outras quando se trata de assumir responsabilidades. Para isso já basta os medíocres políticos que vamos tendo.
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E já agora, para quando a obrigatoriedade, em dias de jogo, da apresentação numa determinada esquadra, de indivíduos sinalizados como desordeiros ou problemáticos, sejam eles membros de claques ou paizinhos imbecis de jogadores das "escolinhas"?
Do Porto com Amor,
Lápis Azul e Branco


