sexta-feira, 12 de maio de 2017

Recompensa: Um Milhão de Euros


AVISO: o espaço de antena que se segue é da exclusiva responsabilidade dos intervenientes.




Jovem, se és: 

a) Árbitro e foste aliciado/coagido/sondado para favorecer o Benfica e/ou prejudicar o Porto ou tens conhecimento de uma situação semelhante, isto é para ti;

b) Observador e/ou delegado da LPFP ou agente de outra modalidade e foste aliciado/coagido/sondado para adulterar os relatórios de modo a favorecer o Benfica e/ou prejudicar o Porto ou tens conhecimento de uma situação semelhante, isto é para ti;

c) Dirigente ou funcionário de um dos órgãos jurisdicionais do futebol ou de outra modalidade e foste aliciado/coagido/sondado para subverter a aplicação dos regulamentos de modo a favorecer o Benfica e/ou prejudicar o Porto ou tens conhecimento de uma situação semelhante, isto é para ti;

d) Jornalista, jornaleiro, painelista ou paineleiro e recebes mais do que a cartilha da praxe por parte do Benfica, com o intuito de mentires ao teu público em seu benefício e/ou prejuízo do Porto, isto pode ser para ti;

e) Cameraman, realizador de televisão, editor de vídeo, etc. e no âmbito do teu trabalho te aliciaram/coagiram/sondaram para adulterar a realidade ou assumir comportamentos eticamente reprováveis que visem favorecer o Benfica e/ou prejudicar o Porto, isto é para ti!

f) Qualquer coisa na vida, desde que conhecedor de factos que indiciem o favorecimento ilícito do Benfica e/ou o prejuízo do Porto, isto também é para ti!


Porque, jovem, se tiveres a coragem de dar o teu testemunho ou de apresentar provas daquilo que sabes, poderás ser recompensado com até


€ 1.000.000


Sim, jovem, um milhão de euros. 

E não, jovem, apesar do tom galhofeiro, isto não é uma brincadeira.


O que deves então fazer, jovem, para te candidatares a ganhar Um Milhão de Euros?

1 - Enviar um email para gargantafunda1904gmail.com a descrever, detalhadamente, aquilo que sabes ou julgas saber;

2 - Aguardar pela resposta. Se for positiva, vou-te pedir provas concretas e irrefutáveis do que dizes;

3 - Se a equipa de advogados encarregue do assunto concluir que são sólidas e podem levar à condenação dos suspeitos, estarás já a um pequeno passo de receber a tua recompensa;

4 - No momento em que as entidades judiciais abrirem uma investigação formal e forem constituídos arguidos os cabecilhas, mormente o presidente do Benfica, estarás então qualificado para receber a recompensa, que será tanto maior quanto a importância dos arguidos.


E outra coisa, jovem, o teu anonimato será sempre garantido até que se conclua que as provas apresentadas têm "pernas para andar". Se tiverem, serás consultado sobre a revelação ou não da tua identidade, que poderá até nem ser obrigatória se não fores parte envolvida na marosca.

Repito, isto não é uma brincadeira. É uma oferta séria de quem pretende ver reposta a seriedade no desporto português.



Deep Throat & Amigos da Justiça




quinta-feira, 11 de maio de 2017

Onde Está a Bola? #43 - Edição Especial


Mantendo a tradição, o "Onde Está a Bola?" encerra esta época com uma edição especial que visa premiar a fidelidade e persistência dos concorrentes mais assíduos da temporada.


Onde esta(va) a bola? - Edição Vintage 2004

Em 2015/16, foi a Catarina Machado quem somou mais participações sem nunca ter ganho. E este ano, quem será o feliz contemplado?

Antes de fazer o anúncio, quero esclarecer que estas edições especiais não serão forçosamente iguais de ano para ano, podendo os critérios para encontrar o vencedor variar e sem aviso prévio. Aliás, nem sequer é garantido que exista sempre uma edição especial - mas, a existir, o propósito será sempre o de reconhecer e premiar a assiduidade dos participantes.

Feito o esclarecimento, vamos ao que interessa.




Conforme se pode ver pelo quadro acima, quem somou mais participações foi a mesmíssima Catarina Machado, que concorreu a todas as edições de 2016/17!

No entanto, como a Catarina já ganhou uma vez nesta temporada, os dois bilhetes serão atribuídos ao segundo classificado, o António Teixeira, que somou 20 participações (menos uma do que a totalista) mas nunca teve a felicidade de ser o escolhido pela dona sorte.

Assim sendo:

#43 - Paços de Ferreira

 

Resposta certa: *Edição Especial*

 

Vencedor: António Teixeira!



Por esta altura do post, já muitos estarão a vociferar "injustiça!", por ter sido a Catarina quem mais participações somou e não ter ganho nada. Errado!

A Catarina não vai ganhar os bilhetes para este jogo, isso é certo, mas talvez se anime sabendo que vai receber...

Uma camisola oficial 2016/17!



Sendo este mais um ano do nosso descontentamento e por isso ainda mais complicado de suportar, não poderia ser o DPcA a somar às desgraças! Acrescento pois este grande bónus ao prémio habitual.

Parabéns António e Catarina, vejam as vossas caixas de email com a maior brevidade!


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Falta ainda dar conta do vencedor da edição anterior, a #42, relativa ao jogo contra o Feirense. E o vencedor foi...


#42 - Feirense

 

Resposta certa: A - Bola Azul

 

Vencedor: João Sousa!



Primeiro, a comparação entre imagem original e modificada.



A seguir, os candidatos ao sorteio e respectivo vencedor.



E por fim, a simpática selfie enviada pela beneficiária dos bilhetes que o João ganhou. Relembro que o mínimo de fotos a enviar são duas (sendo uma selfie), mas sempre é melhor uma do que nada.





Despeço-me com o Hall of Fame completo da temporada:



Parabéns a todos os vencedores e... para o ano haverá mais!



Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco




segunda-feira, 8 de maio de 2017

Recital em Duas Notas


É fácil de resumir esta época da divisão superior do futebol nacional. Repugnante, mas fácil.

Sem complicar, explica-se rapidinho: em 2016/17, a tribo do futebol luso foi brindada com um Recital em Duas Notas tocado a quatro mãos (de corpos distintos). 




A nota , que em rigor não foi tocada por nenhuma mão mas antes por tentáculos, muitos e sucessivos, que assim Fabricaram um campeão Falso como Judas. Dos mais de trinta anos que levo a ver futebol com muita atenção, não me lembro de alguma vez ter assistida a tamanho despudor e falta de vergonha na cara como agora vejo no benfica de Vieira e toda a sua corte rastejante de sabujos e invertebrados. 

Nem eu, que afirmo sem hesitar que o Benfica não ganha um campeonato por mérito próprio desde 1994, havia alguma vez imaginado que a vigarice desavergonhada assumisse tamanhas proporções. Ao contrário de outros títulos comprados, onde os benefícios do andor se destacaram sobre tudo o resto, nesta época acumularam ainda mais vergonhosa conspiração de prejuízos ao Porto - algo impensável nos anos em que tínhamos um presidente que presidia com todo o seu ser - que a não terem existido, já nos teria permitido ter festejado o título há algumas semanas atrás.

Pois que festejem até lhes saltarem os olhos das órbitas, porque este rótulo de sem-vergonhas nunca mais ninguém lhes tira. É uma tatuagem de infâmia que lhes manchará as almas para todo o sempre. Cada um deles que se desenrasque a viver com isso. Sabendo eu que a boçal imensa maioria nem articula mais do que meia-dúzia de palavras com sentido e portanto nem sente o toque, sei igualmente que há muitos benfiquistas que são tão bons ou tão maus quanto eu - e é a esses que me dirijo agora. Saibam que sempre que vos encarar, a todos e a cada um, verei a etiqueta da desonestidade estampada na vossa testa.

A nota (que mete) ficou a cargo do sofrível Nuno Espírito Santo. Um "treinador" (desculpem, mas não encontro justificação para remover as aspas) sem eira nem beira, fraco de convicções e ainda menos de capacidades, a que se junta um discurso melado que dá ideia de ser dito por alguém que acabou de ler (apenas uma vez) um livro foleiro de auto-ajuda, daqueles de quem acha que é a bater punho que se chega a algum lado.

Uma época inteira sem que alguém (ele incluído, suspeito) consiga perceber o que pretendia para a equipa. Equívocos, enganos e desenganos, avanços e recuos e uma recta final inaceitável, uma sequência de exibições tão medíocres quanto o treinador, que se traduziram em cinco empates. E o pior de tudo, é ter aquela sensação que com nenhum deles aprendeu coisíssima nenhuma, que voltando atrás, faria exactamente as mesmas cagadas. 

Caísse o Carmo e a Trindade e o Porto fosse ainda campeão, que não mudaria sequer uma vírgula. Mais um tremendo erro de casting por parte de Pinto da Costa. Sugerir sequer que pode continuar nem chega a ser insultuoso, é motivo para por em causa a sanidade mental do presidente e seus pares.

Sem coincidência, as duas notas juntas dão FaDo. Mesmo ao jeito do revivalismo saudosista que esta liga salazarenta ressuscitou. 


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O jogo de sábado no Funchal foi semelhante a todos os outros recentes que também acabaram mal. Uma equipa mentalmente destruída, sem confiança, com medo de tudo e de todos - apesar de bem tentar fazer peito e disfarçar.




A primeira parte até foi boa, com a equipa a começar a jogar desde o primeiro apito, com boa pressão e a colocar bastantes unidades em zona de finalização, o que me surpreendeu de tal maneira que ao intervalo me interrogava se já não teríamos "gasto" os 45 minutos da praxe. Não foi bem assim, mas quase. Regressámos do balneário com o tal peito feito, a ver se convencíamos o Marítimo da nossa invulnerabilidade de papel. Por volta da hora de jogo, a máscara começou a cair com demasiada rapidez para o nosso próprio bem, o adversário não teve receio algum de ir à procura do empate, mesmo sabendo que poderia sofrer o segundo. 

Mais do que coragem, acredito que fosse uma convicção de que iríamos ceder sob pressão, a exemplo de vários outros jogos. E cedemos, claro. Não conseguimos fazer o segundo em condições favoráveis, oferecemos um canto que nem nos amadores e, com alguma falta de sorte à mistura, sofremos o empate sem que houvesse uma qualquer oportunidade anterior. Convicção de uns, medo de outros. E quem vive no terror de que tudo lhe corra mal, muitas vezes acaba mesmo por lhe correr. 

Com o empate, o meu lado racional logo concluiu que estava feito, na melhor das hipóteses não perderíamos. Claro que o emocional continuou a acreditar cegamente até ao penúltimo minuto dos descontos, mas no fundo, no fundo, até ele sabia que não marcaríamos outro golo. O desacerto e a falta de convicção com que tentamos fazê-lo chegaram a ser deprimentes. 

São os jogadores que não têm qualidade? Certamente que não, a grande maioria definitivamente que não. O problema está no sótão e nas minhocas que lá habitam. 

Uma psicose resultante de um massacre de uma época inteira a sentir a completa animosidade das arbitragens, de saber que nenhum pequeno deslize deixaria de receber um enorme e desproporcionado castigo, ao passo que a nosso favor apenas casos de morgue ou, vá lá, de internamento nas urgências, mereceriam alguma deferência por parte dos "senhores" do apito. Um amarelito, se tivéssemos em dia de sorte. Se fosse fora da área adversária, obviamente. 

Quando a este status quo se junta um treinador que não consegue transmitir segurança nem confiança aos jogadores no seu plano de jogo (admitindo que existe algum) e, por inevitável consequência, nas suas próprias capacidades que, por definição, não chegam para resolver um jogo que é colectivo, chegámos a onde estamos hoje. No final de mais uma época e sem nenhuma conquista. E uma próxima sem estar sequer na Supertaça. Miserável.




Notas DPcA 

Dia de jogo: 06/05/2017, 20h30, Estádio dos Barreiros, CS Marítimo - FC Porto (1-1)


Casillas (6): Um quase-espectador que nada podia ter feito no golo sofrido. Ingrato.

< 85' Fernando Fonseca (6): Chamado de surpresa pela ainda maior surpresa que foi a ausência de Layún da convocatória (quem souber, que explique), mostrou-se solto e desinibido, com bons pormenores e atrevimento que quase lhe valeram uma estreia de sonho coroada com um golo. Teve algumas falhas menores que passariam sem remoque mas infelizmente fazia parte do trio que assistiu em primeira fila ao movimento de Djousse que só acabou no fundo da nossa baliza. Em todo o caso, uma boa estreia a pedir nova oportunidade.

Alex Telles (5): Já não é o primeiro nem o segundo jogo em que denota uma falta de concentração pouco compatível com um profissional com o estatuto e a capacidade técnica que possui. Este acabou mesmo por nos sair caríssimo, porque o canto absurdo que cedeu resultou no empate que nos tramou.

Marcano (6): Não esteve tranquilo na primeira metade, mas também não cometeu nenhum deslize "cabeludo" nesse período. Recompôs-se e fez um resto de jogo de qualidade aceitável, mesmo se incapaz de ajudar no ataque.

Felipe (5): Também pouco seguro na fase inicial, mas também se reergueu e recuperou a sua normalidade. Mas na fase final, perdeu por completo o controlo emocional, "aliviando" para a bancada bolas sucessivas quando seria fundamental tentar mantê-las em jogo para iniciar novo ataque. É a cabeça, estúpido.

< 76' Rúben Neves (6): Jogo bem menos conseguido do que em Chaves, talvez pela maior agressividade destes adversários na disputa da bola, pelo chão e sobretudo pelo ar. Foi demasiado macio para aquilo que a equipa precisava, mais concretamente no segundo tempo, mas o saldo consegue ainda ser positivo (barely).

André André (5): Depois de ter sido o melhor em Chaves, foi dos piores na Madeira. Fraco nas disputas de bola, foi ainda pior na construção, revelando-se muitas vezes incapaz de fazer um passe de desmarcação e até de "assistência", mesmo quando as condições eram favoráveis. Foi um mau André na ilha, aquele que dá razão aos que dizem que não tem estofo para ser titular do Porto. Eu acho que tem, mas neste jogo não o demonstrou. E era (também) neste jogo que precisávamos que o demonstrasse.

Herrera (6): A verdadeira surpresa no onze enquanto médio, já que muitos até lhe adivinhavam presença como defesa direito. Teve um ou dois pares de passes "à ele mesmo", mas nem isso o afastou de uma exibição globalmente positiva, pelas recuperações e acelerações ofensivas, onde esteve particularmente activo. Já vi Herreras piores, bem piores..

< 71' Otávio (7): Menos exuberante e eficaz do que no jogo anterior, mas ainda assim o único capaz de ver as desmarcações dos companheiros e conseguir pôr-lhes a bola redondinha. Tem essas características (únicas no plantel ?) de que jamais NES poderia ter prescindido durante tanto tempo. Mas, para não destoar, tirou-o do jogo assim que o empate chegou. Brilhante. Afinal, já tinha marcado um golo e quem sabe se faria outro.

Brahimi (6): De regresso à equipa após uma injustiça de dois jogos, não foi capaz de pôr o seu jogo ao serviço da equipa. Sempre muito centrado em si mesmo, raras foram as vezes em que "meteu" o último passe em boas condições, acabando o jogo a desesperar com ele próprio. Já éramos dois, Yacine.

Soares (5): Não conseguiu marcar, apesar das oportunidades flagrantes de que dispôs. E isso tem sempre de marcar negativamente a exibição do suposto goleador da equipa, em especial quando o resultado final é um empate. Só luta não chega. Mesmo.

> 71' Corona (5): Não foi capaz de acrescentar nada à equipa, seguindo o modelo Brahimi de auto-atrapalhação com a bola. Já bastava um, digo eu.

> 76' André Silva (5): Entrou a frio, dispôs de uma oportunidade de cabeça mas não acertou na baliza. Melhores treinadores virão, André - aqui ou noutro lado melhor.

> 85' Rui Pedro (5): Nada a relevar, apesar das tentativas.

NES (1): Chega. Fim. Rua.





Outros Intervenientes:


Sou apreciador deste trabalho de Daniel Ramos no Marítimo, infelizmente desta vez tocou-nos levar com ele. Não que a sua equipa tivesse feito um grande jogo, aliás confesso que esperava mais, mas claramente foi suficiente para nos empatar, mesmo se com alguma sorte à mistura. Daquela que dá trabalho, já se sabe. Também já se sabe que não fica na Madeira na próxima época, pelo que possivelmente seguirá carreira noutro campeonato. Vou continuar a segui-lo. Da sua equipa, devo destacar as boas presenças em campo de Charles (boa surpresa), Raúl Silva (de quem nem sou grande fã), Fransérgio (porquito mas bom jogador) e claro, o imprestável Luís Martins, que se lesionou ainda antes de nos poder brindar com um dos seus famosos auto-golos. Que azar o nosso...

Tirando aquele autoritarismo inclinado que apareceu na fase final (pós-empate), típico de Jorge Sousa quando apita o Porto onde supostamente foi superdragão (permissão para rir à gargalhada), nada de relevante a apontar. Definitivamente, não foi por ele que não ganhámos. 



Não foi intencional, mas acabo por escrever este texto já depois do Rio Ave - benfica. Até parecia mal que não ganhassem um jogo decisivo graças à (não-)intervenção divina da arbitragem, onde mais um penálti escandaloso e uma expulsão ficaram por marcar em desfavor dos candeeiros. Apenas e só mais um episódio dos #sem-vergonha no país do faz-de-conta, nada mais.

Vou continuar a ver os jogos até final, nem saberia fazer diferente, mas a partir de agora já com o olhar centrado na avaliação do que foi a época, nas conclusões que se devem tirar e nas consequências para o que se segue.



Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco




sexta-feira, 5 de maio de 2017

República Popular do Portugalistão - Parte II


Acordei com os primeiros raios de sol que invadiam o remanso do meu quarto de hotel. Senti-me como novo após uma longa e revigorante noite de sono.

O primeiro dia em Portugalistão havia sido desconcertante, mas nada que me fizesse desanimar. Até porque tinha os meus próprios planos para lidar com a situação, de modo a conseguir entender a realidade por detrás da máscara do regime.




Saltei da cama para o duche gelado, vesti-me rapidamente e desci para o pequeno-almoço. Quando me preparava para entrar no salão onde estava a ser servido, fui abordado pela maître d'hôtel que, com a maior desfaçatez do mundo, me fez de imediato relembrar onde realmente estava:

- Bom dia, senhor! Poderá, por gentileza, informar-me do número da sua habitação?
- Bom dia, é o 1905.
- Só um momento, por favor... não tenho indicação de que alguém esteja presentemente hospedado nesse quarto, tem a certeza?
- Absoluta, minha senhora; mas sempre lhe digo que inicialmente me estava atribuído o 1893 - mudei para este devido a uma avaria no ar condicionado.
- 1893? Senhor B. Gode?...
- Exactamente.
- Ah, muito bem, alguém se esqueceu de actualizar a informação.
- Óptimo. Agora que está esclarecido, posso ir tomar o meu pequeno-almoço?
- Claro que sim, senhor... mas está ciente de que não está incluído no preço do quarto, correcto?
- Como?? Claro que está, paguei antecipadamente!!
- Não está não, senhor. Terá de esclarecer com a sua agência, mas entretanto, se quiser tomar o pequeno-almoço continental, ser-lhe-ão cobrados €50.
- Cinquenta Euros por um pequeno-almoço que ainda por cima já paguei??
- Está tabelado, senhor. Claro que poderíamos fazer um acordo, dava-me €25 e eu...
- Esqueça! - interrompi-a já irado. E saí porta fora, rumo ao primeiro café que encontrasse.

Por uns momentos, caminhei freneticamente enquanto falava sozinho, indignado com o nível de extorsão que reinava neste país. Se com um simples turista era assim, como seria nas mais altas esferas da sociedade?

Não terá demorado mais de um minuto até encontrar o primeiro café, a Pastelaria Calabote. Sem saber bem o que esperar, entrei. A medo, dirigi-me ao balcão e expliquei pretender tomar o pequeno-almoço. O empregado olhou-me com ar desconcertado, como se o pedido lhe soasse estranho:

- Deseja pequeno-almoço? Pois claro, é o que mais fazemos aqui a esta hora... sente-se numa mesa à sua escolha e faça o pedido...
- Não me vão cobrar mais por estar sentado? 
- ...?
- Está bem, vou-me sentar.

Fiz o pedido, prontamente servido, e devorei-o em quase nada. Só então me lembrei que tinha saltado o jantar. E pedi mais um reforço, perante o sorriso trocista da empregada. Enquanto esperava pela segunda ronda, peguei no bloco de notas e comecei a rever o plano para o dia.

Antes de viajar, tinha assegurado um encontro com alguém que supostamente me conseguiria pôr em contacto com a tal Resistência nortenha, uma denominação excessiva porque jamais utilizada pela propaganda oficial. Aliás, a ideia mais insistentemente passada era a de um unanimismo e felicidade absolutos. 

Nunca se ouvia falar em contestação, dissidência, muito menos em resistência. Pelo menos fazendo fé nos media da capital Carnidul, todos eles obviamente controlados pelo regime do General Ventoinhas. A única mensagem veiculada a toda a hora era a de uma cidade gloriosa, habitada por cidadãos felizes e trabalhadores, sempre em prol da grande referência do regime: o NeNfica. Do resto do país, quase não se ouvia falar, excepto para reforçar a noção do apoio universal ao clube e ao regime.

Durante muitos anos apenas uma colectividade desportiva, o NeNfica foi o ponto de partida para a ascensão do general até ao poder absoluto. Enquanto mero presidente do clube, apercebeu-se da imensa força que o Benfica representava na sociedade da capital, ao ponto de muitos dos mais altos dirigentes das várias instituições políticas, económicas e judiciárias estarem sempre dispostos a dobrar as leis em favor do seu NeNfica. 

Sobretudo naquele período em que ainda ressacavam do imenso sofrimento que o seu grande rival - do Norte, pois claro - lhes havia infligido durante mais de três décadas de domínio absoluto do desporto nacional, consubstanciadas nos inúmeros títulos nacionais e internacionais conquistados nas várias modalidades, com destaque óbvio para o rei-futebol.

O hábil Ventoinhas, já muito experimentado de outras aventuras anteriores à margem da legalidade, foi paulatinamente forçando a saída dos que se lhe opunham, fosse num ministério, num tribunal ou nas forças de segurança, substituindo-os por acólitos da sua inteira confiança, replicando o mesmíssimo modelo que havia implementado com tanto sucesso nas instituições do futebol. Daí até controlar todo o aparelho do estado portugalistês foi um pequeno passo. É este o cenário actual no Portugalistão, um "paraíso" de felicidade vermelha, sem oposição nem descontentamento. Oficialmente, pelo menos.

Era meu objectivo ir ao fundo da questão e perceber até que ponto este estado de graça era real. Para isso, tinha de começar pelo tal contacto. Como se de um romance de espionagem se tratasse, tinha instruções bem específicas a cumprir para chegar à fala com a dita personagem. Ele fizera questão de que assim fosse, "para sua segurança e da sua família". O ponto de partida para a grande aventura era às nove da manhã em ponto. Já faltava pouco, apressei-me a deglutir o que ainda sobrava, enquanto sentia um arrepio de emoção a subir pela espinha.

Às oito e cinquenta e oito estava já no primeiro sítio combinado. Um telefone público, pois claro, numa rua secundária da cidade onde o sol quase não tinha permissão para entrar. Às nove em ponto, ele tocou. Atendi:

- Bom dia, sou o Johnny... - do outro lado, alguém disparou de imediato:
- Quem é que é nosso amigo?
- O Celta de Vigo - respondi, conforme combinado.
- Daqui a um minuto, vai parar um Peugeot verde exactamente onde está agora, com as duas janelas do seu lado totalmente abertas. Entre para o banco da frente e não faça perguntas. Será trazido até mim.
- Como é que eu sei que... - a chamada tinha sido terminada.

Um exacto minuto depois, a minha boleia chegou. Entrei, fechei a porta e nem tentei falar. Aliás, apenas por uma vez olhei de soslaio o condutor. E chegou-me. Mantive-me em alerta total, a tentar disfarçar os nervos. Onde me iria levar? O que me iriam fazer?

Apercebi-me de que estávamos a sair da cidade enquanto o Peugeot verde atravessava a Ponte Cosme Lampião. O trânsito ficou mais fluido e eu comecei a descontrair. Porque se haveriam de dar a todo este trabalho se não acreditassem em mim? 

De repente, uma avalanche de pensamentos contrários assoberbou-me. E se achassem que era um espião do regime? Iriam torturar-me, com certeza. Quem sabe se "apagar-me" e atirar o meu corpo já sem vida para o fundo do rio, onde jamais seria descoberto. Ou pior, oferecer-me vivo como petisco aos seus crocodilos de estimação (sim, crocodilos, nunca viram Live and Let Die ou Miami Vice?). O suor escorria-me agora, indisfarçável, fontes abaixo.

- Está tudo bem consigo? Está pálido, parece que vai desmaiar.
O sobressalto da inesperada interpelação quase me matou de susto, mas logo me senti um pouco mais reconfortado pelo tom da voz.
- Sim, sim, dormi um pouco mal, só isso.
- Então descanse e recomponha-se, já não falta muito.

Algum tempo depois, não sei bem quanto porque havia perdido a noção do tempo, desviamos da estrada nacional para um caminho de terra que atravessava um bosque, logo após termos entrado numa localidade chamada Alcochete. 

Uns quantos minutos e solavancos pela densa vegetação até chegar a uma clareira, ao fundo da qual se podia avistar um conjunto de instalações que, à medida que me fui aproximando, me deu a sensação de estarem abandonadas. Não havendo nada mais nas proximidades, certamente seria esse o destino. 

- Chegamos. Saia, contorne o edifício principal pela sua esquerda e entre na primeira porta que vir aberta. Não fale até que falem consigo.

Olhei o condutor nos olhos pela primeira vez, já não me parecia tão assustador, mas nem por isso me senti confiante. Com um gesto facial insistiu para que fizesse o que me ordenava. Não me atrevi a questionar. 

Ao dirigir-me para o tal edifício, vislumbrei o que parecia ter sido um campo desportivo e uma estátua parcialmente destruída e já semi-coberta pela vegetação. Sugeria ser uma espécie de felino, mas não era perceptível qual. Talvez um tigre, talvez um gato.

Entrei na primeira porta, estava encostada e assim a deixei. Lá dentro estava escuro, demasiado para conseguir caminhar sem ser às apalpadelas e com os braços esticados como um figurante de TWD. Antes que pudesse esbarrar em alguma coisa, a luz acendeu-se.

- Seja bem-vindo, Johnny. Sente-se. - disse uma voz pigarreada que parecia ser a mesma do telefone.
- Obrigado... com quem estou a falar?
- Comigo. Mas a pergunta importante é com quem é que eu estou a falar. Quem é você, Johnny? O que o motivou a deixar o conforto do seu belo país para se vir pôr em perigo, no meio de uma alhada de um país periférico?
- Em perigo? Mas...
- Acha que isto é uma brincadeira?
- Não, de maneira nenhuma. Estou aqui porque sou jornalista de investigação e quero saber o que se passa ao certo em Portugalistão.
- Como sei que posso confiar em si?
- Não sabe... mas eu estar aqui, longe do "meu conforto", deve querer significar alguma coisa.
- Está bem, digamos que acredito em si. O que pretende de mim?
- Quero que me ponha em contacto com a Resistência do Norte. E que me ajude a entender o que se passa aqui neste país.
- Resistência? Nunca ouvi falar.

Não ia ser fácil ganhar a confiança deste estranho estranho. Tinha de ser audaz ou arriscava-me a ser mandado embora de mãos a abanar.

- Ouça, desde que sou jornalista que sempre me bati pela liberdade e pela justiça, não importa onde nem para quem. Pode comprová-lo pelo meu trajecto profissional. Vim até aqui porque quero dar a conhecer ao mundo o que se passa no seu país, mas só o poderei fazer se falar com as pessoas certas, que me mostrem o que se esconde debaixo da propaganda do regime. Vai ajudar-me ou não? - Esforcei-me para não engolir em seco e assim denunciar o meu bluff.

O homem por detrás da voz revelou-se finalmente, saindo da penumbra. Tinha um ar um pouco tresloucado e peles descaídas, como se tivesse emagrecido substancialmente.
- O discurso é bonito e fluente, falta saber se está disposto a arriscar o seu pescoço para saber a verdade. Está?
- Se não estivesse, não estava aqui. 
- Ó Geada, vem cá
Entra uma figura sinistra e senta-se à minha frente. 
- Este é o meu homem de confiança, dedicado à anti-propaganda ventoinhista. Geada, conta-lhe o filme todo.

As horas seguintes foram passadas a ouvir os muitos relatos, alguns ilustrados com imagens e documentos, dos incontáveis atropelos do regime aos direitos e liberdades fundamentais consagrados na Constituição, outrora lei fundamental da nação, hoje nada mais do que uma memória algo apagada. A cada pergunta minha, desfiavam-se mais cinco, seis, dez situações semelhantes que demonstravam bem a enormidade dos tentáculos do aparelho liderado pelo General Ventoinhas - que, a propósito, nem sequer cabo-raso era: tinha-se apropriado da patente, como aliás de tudo o resto.

O ponto alto deste encontro chegou mesmo no final:
- Johnny, vou confiar em si. Prepare-se para ir até ao Porto amanhã, lá encontrará quem tanto deseja conhecer.
- A sério? Excelente! Como farei para?...
- Tudo a seu tempo. Agora tem de regressar a Carnidul, escreva qualquer coisa sobre a nossa bela capital (entregou-me um guia da cidade), para ter que mostrar se for interpelado pela P.I.R.O.C.A. E vá jantar, homem, não fique no quarto como ontem. Comporte-se como um turista!

Fixei-o por um momento. Como sabia que tinha ficado no quarto? Mas claro, num estado policial, quem quer ser oposição tem de se comportar pela mesma bitola. Obviamente não arriscariam encontrar-se comigo sem vigiar todos os meus passos. E se eles o faziam, será que o regime também não estava de olho em mim? Apaguei de imediato esse pensamento e despedi-me, com uma última pergunta:

- Posso ao menos saber o seu nome?
- Bardamerda para quem apoia o regime!
Saí de lá já o dia começara a escurecer, outra vez esfomeado (parecia sina), mas preenchido pelo sentimento de que poderia mesmo conseguir chegar a algum lado com esta reportagem, quem sabe até ganhar mais um prémio internacional, se recolhesse evidências que expusessem, sem margem para dúvidas, a perversidade deste regime. 
 
Fui conduzido até uma entrada da cidade, onde me indicaram alguns restaurantes para saciar a minha fome e me explicaram como fazer para regressar de forma insuspeita ao hotel. Optei logo pela sugestão que ficava mais próxima de onde me tinham deixado, apenas a uns quarteirões de distância. Mesmo sendo ainda cedo, entrei confiante no restaurante.

- Boa noite, venho para jantar. Que  especialidade tem hoje para me oferecer?
- Boa noite, cavalheiro, seja bem-vindo ao Manjar do Mantorras. Tem algum voucher?
- Ah... não... sou turista.
- Ah, compreendo. Nesse caso, ainda é um pouco cedo para jantar, normalmente só abrimos às vinte horas... mas se me der um pequeno incentivo, talvez eu consiga demover o Chef Melão Calado a preparar-lhe de imediato um manjar dos deuses...

Estava tão esfomeado que cedi sem contestar. Vinte euros de gorjeta adiantada e lá consegui, finalmente, ter uma refeição digna do nome. E que bem se come (e bebe) neste país!

Regressei ao hotel satisfeito, enfartado até, pois não sabia quando chegaria a próxima. Adormeci entusiasmado com o que teria pela frente na manhã seguinte.


(fim da segunda parte)



Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco



Continua em: Parte III




terça-feira, 2 de maio de 2017

Resgatadas as Chaves da Vitória


Vitória tranquila na mansidão do Tâmega, em profundo contraste com a visita anterior. Foi tudo assim tão diferente? Nem por sombras, a grande diferença resume-se sobretudo a isto: conseguimos vencer apesar dos erros arbitrais.



Desta vez segui o jogo pela televisão, o que me deixa sempre a sensação de não ter a melhor visão sobre os acontecimentos - sim, mesmo quando não é a Sem-VergonhaTV a fazer a transmissão. Ainda por cima, só o vi depois de já se ter consumado, com conhecimento do resultado e dos lances polémicos. 

Em todo o caso, o que vi foi uma equipa forçosamente diferente na sua constituição inicial, mas muito semelhante em termos de estratégia e postura. Outra primeira parte pouco explorada, mesmo se um pouquinho melhor do que os mais recentes empates, com o Porto a deixar tudo por fazer para a última metade. Vá lá, que o fez. E bem, para variar.

De positivo, destaco desde logo o regresso de Rúben à equipa. É para mim difícil compreender o porquê do seu afastamento, mas reconheço que, não assistindo aos treinos, não posso julgar. Posso sim, avaliar quando vejo as exibições nos jogos. A de Rúben foi muito positiva, o que reforça a minha dificuldade de compreensão da sua ausência. Mas adiante.

Primeira parte com alguns lances interessantes, uma ou outra meia-oportunidade, mas insuficiente para a fundamental vitória que se exigia. O primeiro registo de perigo aconteceu já depois da meia-hora com um remate de fora da área de Soares... Depois disso, os livres de Rúben e um par de remates para fora.

No recomeço, sentiu-se nos jogadores o sentido de urgência em chegar ao golo. Que, felizmente, chegou rápido. Talvez por saber já o resultado, a descontracção permitiu-me apreciar 45 minutos interessantes, com alguma fluidez e intensidade - caramba, até gostei!

O segundo golo decidiu a contenda, porque quebrou o ímpeto flaviense (não chegaram a Chaves as malas?). Não que tenham desistido de tentar, mas senti que as pernas tentavam o que a cabeça já não cria. Ainda mais porque do nosso lado não houve qualquer facilitismo. Bons 45 minutos, repito. 

Viva a descontracção de quem já sabe que ganhou... ah... esperem, será que é assim que os 6 milhões veem sempre os seus jogos? Será que é por isso que chegam ao final de exibições medíocres e sofridas e atrevem-se a elogiar a sua "superioridade incontestável"? Deve ser. Ou isso, ou jogaram à bola quando eram novos.



Notas DPcA 

Dia de jogo: 29/04/2017, 20h30, Estádio Municipal de Chaves, GD Chaves - FC Porto (0-2)


Casillas (6): Bem no essencial, que foi quase nada.

Maxi (5): Jogo de "azar", porque foi o escolhido para o sacrifício. E até por isso, poderia ter causado danos maiores, num lance normal na grande área, mas que facilmente poderia ter sido apitado como penalti contra nós, se alguns dos apitadores tivesse visto o agarrão. Mas, com toda a experiência que tem, não só pela idade mas por ter estado nos dois lados da barricada, deveria saber que não se pode expor desta maneira.

Alex Telles (6): Muito envolvido na construção pelo seu flanco, faltou-lhe mais assertividade no último passe. Mas o esforço é inegável e tem o seu valor.

Marcano (6): Uma época quase perfeita e ui... quase saía uma Marcanada... mas enfim, em nome dessa época quase perfeita e ignorando as anteriores, vou admitir que foi um lapso, daqueles a que todos estão sujeitos. Até porque fora isto, esteve tranquilo.

Felipe (6): Jogo relativamente tranquilo e sempre controlado.

Rúben Neves (7): Bom regresso à equipa e à titularidade, quase não se notando a natural falta de ritmo fruto dessa prolongada ausência. Defensivamente, cumpriu bem, sendo até mais posicional do que Danilo tem sido. Mas não se limitou a destruir, procurou ser o primeiro a iniciar o ataque e chegou várias vezes perto da área flaviense. E bateu razoavelmente bem dois livres.

< 81' Melhor em Campo André André (8): "Resolveu" renascer neste finalzinho de época e ainda bem, só tenho pena que não tenha sido um pouco mais cedo. Claramente o melhor na primeira parte, apenas com Jota como "parceiro", foi ainda mais importante e decisivo na segunda, ao fazer o remate que Soares recarregou para o primeiro golo e a fazer ele próprio o segundo após boa desmarcação diagonal a que Otávio deu o melhor seguimento. Mas fez bem mais, porque foi sempre o dínamo que mais empurrou a equipa para a ofensiva, sem nunca se alhear das suas responsabilidades de marcação e recuperação da bola. Muito bem.




< 76' Otávio (7): Se tenho dificuldade em entender o afastamento de Rúben, o que dizer do de Otávio. É que no primeiro caso há um substituto com ganhos (sim, porque quando o próprio diz que é trinco, quem sou eu para dizer que não...), o "indiscutível" Danilo, mas quem dê o que Otávio dá à equipa não vejo ninguém, estando Óliver arredado para outras funções. Não há quem tenha a mesma qualidade a ler o jogo e a distribuir de acordo, não há quem se aperceba melhor da "envolvência" a cada momento e identifique com mais precisão as lacunas adversárias. Com o bónus de também ir para cima do adversário no um-para-um sem receio e com elevada taxa de sucesso. Em resumo, não vejo neste plantel quem possa fazer jogar a equipa melhor do que ele. Mas o treinador discorda, obviamente. Enfim.

< 66' Corona (5): Regresso fraquinho após a inesperada lesão que o afastou do jogo anterior (e onde tanta falta fez). Desinspirado e visivelmente frustrado com isso, talvez se tenha apressado o seu regresso... 

Diogo Jota (6): Jogo interessante, mesmo se com intermitências, chegando a ser um dos mais inconformados no período morto que foi a primeira parte. Na segunda não se destacou tanto, sobretudo porque os companheiros subiram de produção, mas continuou a ajudar o "esforço de guerra" com talento e entrega. Falta-lhe ainda o click para passar de actor secundário a principal, transformando remates para a atmosfera em bolas ao ângulo...

Soares (7): Fez o seu golinho numa altura crucial, revelando de novo o seu faro apurado ao adivinhar o ressalto. No restante, fui o lutador do costume, sempre focado em ganhar todo e qualquer despique com os adversários.

> 66' Óliver (5): Entrou a tempo de colaborar no segundo golo, pelo melhor aproveitamento dos espaços que permitiu à equipa. Cumpriu sem se destacar.

> 76' J.C. Teixeira (5): Tem talento, tem. Saberá alguém (o próprio incluído) como aproveitá-lo?

> 81' Herrera (5): Nada a relevar.


NES (6): Outra primeira parte para o galheiro, já são demasiadas e sem justificação plausível. Mas regressou finalmente às vitórias, com uma exibição boazinha pela segunda parte, o que deve obviamente ser reconhecido e valorizado. 



Outros Intervenientes:


Reconheço que esperava um pouco mais do Chaves, pela reconhecida qualidade do seu jogo e pelos incentivos que - imagino - não devem ter sido tímidos. Não que o jogo tenha sido fácil para o Porto, bem pelo contrário, mas tinha a expectativa (talvez excessiva) que fossem obstáculo maior. Ou então que fizessem antijogo, como os anteriores adversários. Em todo o caso, têm um lote de jogadores muito interessantes e que permitem fazer esta bela equipa, pelo que destacar apenas um seria injusto. Fico-me pelo reconhecimento do trabalho de Ricardo Soares, o líder do grupo.


Quanto a Carlos Xistra & pandilha, nem me apetece qualificar. Vou aproveitar que ganhámos para deixar assim, limitando-me a registar os erros mais relevantes e as intoleráveis diferenças de critério quando se apita o Porto e os sem-vergonha.

Penalti evidente sobre Otávio por assinalar, mais um para a contabilidade. Que desta vez não fez falta porque conseguimos marcar outros dois golos. Mas só por isso. Miserável.

Poderia também ter marcado penalti pelo agarrão de Maxi a Ponck, embora eu preferisse que nestes lances não se marcasse nunca (e a ninguém), conforme tenho dito ao longo do tempo.

Em sentido oposto, cartão vermelho bem mostrado a Maxi, MAS... que raio de critério é este que só se aplica quando são jogadores do Porto, tal como FJM bem demonstrou mal o jogo acabou? Mais uma dose de Polvo à Sem-Vergonha.





Tudo na mesma, portanto. O Estoril bem que tentou, mostrou até capacidade, mas o bom do Hugo Miguel não lhes deu hipóteses. Mais do mesmo.

Só um milagre poderia fazer cair este andor bafiento, pelo que somente exijo que vençamos os nossos jogos, sem mais expectativas irrealistas. Preferia uma posição de força, mas ficou já claro que não a vamos ter. Enfim, mais do mesmo.

O jogo no Funchal será ideal para demonstrar que merecemos mesmo e deveríamos ser campeões, provavelmente até já nesta jornada, se as arbitragens fossem isentas. Como não são, resta-nos dar uma prova de vida convincente. Até lá.



Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco