quarta-feira, 5 de abril de 2017

Fissuras na Muralha Vermelha


Ontem à noite foi para o ar mais uma imperdível edição do Universo Porto - da Bancada do Porto Canal, um programa de opinião Portista moderado por Tiago Girão e comentado por Francisco J. Marques, Bernardino Barros e José Cruz.



Ao longo de muitas semanas, o programa tem feito uma muito necessária marcação cerrada ao universo de comentadores, paineleiros, jornalistas e apaniguados do Benfica, procurando desmascarar com factos aquilo que é conhecido como o Polvo benfiquista, um imenso emaranhado de ligações promiscuas e ilegais, transversais a todos os quadrantes da sociedade portuguesa, que se unem em conluio para gerar favorecimentos e benefícios ilícitos ao seu SLB.

Devo dizer que nem sempre concordo com os temas escolhidos ou com a forma como são abordados, pelo esporádico exagero e tímido fanatismo com que uma pequena parte dos assuntos é tratada. Um pecadilho congénito a quem ama um qualquer clube de futebol, inócuo se devidamente "temperado" por um bom carácter.

No essencial, vejo-o como um programa feito por gente apaixonada mas séria, que pretende nada mais do que garantir que o Porto não é desfavorecido face aos demais concorrentes, com grande enfoque no campeão do #colinho.

Ontem, entre outras coisas, foi-nos dado a conhecer que afinal o maestro que afina a orquestra de paineleiros avençados mas sobretudo sectários e intelectualmente desonestos que polui e conspurca as televisões nacionais todas as semanas, mentindo e inventando factos sem qualquer pudor, com o único objectivo de empurrar o Benfica para o tretacampeonato.

Afinal, (já?) não é o aldrabão Hugo Gil quem lidera a música que nos querem dar toda a santa semana, mas sim o supostamente imparcial comentador Carlos Janela, ex-funcionário do Sporting e figura sombria que sucessivamente tem sido preterida em tudo o que se tem envolvido (vá-se lá saber porquê...).

Será de sua autoria a "cartilha" distribuída aos Guerras, Venturas e símios da Silva relativa a esta semana, detalhando como e em que termos os vários tópicos em agenda deveriam ser endereçados, desde o rescaldo do Clássico às diabruras de Bruno de Carvalho e seus pares. 




Para lá do valor intrínseco de tal revelação, para o desmascarar definitivo de que o Benfica de facto se serve de lacaios sem escrúpulos para perseguir a sua agenda, a mim ressalta o facto de perceber como é que tal "documento" acabou nas mãos de Francisco Marques.

Supostamente, apenas um restrito grupo de indefectíveis lampiões teria acesso ao documento.

Supostamente, jamais algum deles consideraria sequer por um segundo fazê-lo cair nas mãos do inimigo. É como imaginar que seria um nazi a ensinar os ingleses a decifrar a sua Enigma (kudos, prof. Turing). Impensável. Ou será que não?

Seguindo a analogia, ninguém duvidará que muitos alemães se tenham apercebido e oposto ao regime nazi ainda durante a sua vigência. Mesmo se em silêncio, dada a punição definitiva que pairava sobre as suas cabeças (e de todos os seus entes queridos).

Regressando aos dias de hoje, é para mim evidente que foi um benfiquista quem partilhou tal documento. Porque, mais do que ser de Benfica, será uma pessoa de bem, que não se revê (e provavelmente nem suporta) neste modus operandi actual do Vieirismo. Alguém que ama o seu clube e está farto de o ver caminhar pelos becos escuros da imoralidade e da ilegalidade. Alguém que considera o seu Benfica demasiado grande para se comportar desta forma. Estou consigo, caro alguém, trate-se de que clube se tratar: o seu, o meu ou outro qualquer.

Qual a relevância simbólica deste acto?

Imensa. 

E reveladora de pelo menos duas coisas:

1) Haverá sempre quem se preocupe em ser um cidadão honesto e honrado, capaz de olhar a sua descendência nos olhos sem vergonha dos seus actos, independentemente dos seus credos religiosos, clubísticos e políticos;

2) Fazia falta uma voz de Oposição, uma Resistência a todo este regime bafiento que recapturou o futebol, o desporto e a sociedade em geral, que desse a todos os do ponto 1) uma réstia de esperança para que se consiga evoluir para um patamar superior. Mesmo que isso implique recorrer ao "inimigo".

Isto representa uma responsabilidade adicional para o Universo Porto da Bancada e para Francisco Marques em particular. Ninguém espera que se desconcentrem de defender o Porto, mas é essencial que nunca o façam a qualquer preço, sob pena de se tornarem naquilo que tanto (e tão justamente) criticam. 

Até agora, salvo pequenos desvios, seguem no bom caminho. Que assim continuem. Estou convosco.



Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco



P.S. - não se esqueçam de concorrer aos dois bilhetes para o FC Porto - Lampiões do Restelo!




segunda-feira, 3 de abril de 2017

Agressões Aos Molhos, Punições Exemplares?


Nos últimos dias, sucederam-se múltiplas agressões no país do futebol, todas relevantes, todas a requerer uma actuação firme e decidida, mas nem todas a receber a mesma atenção mediática. Por que será?




Vamos enumerá-las por ordem cronológica.


Agressão nº 1


Agressor: Membro do Corpo de Intervenção da PSP

Agredido: Suposto adepto do Benfica

Local: Imediações do Estádio da Luz, antes do início do Clássico


As imagens difundidas quase até à exaustão chocaram qualquer pessoa de bem, pelo aparente uso desproporcionado de força por parte do agente.

Não sei o que fez o agredido, pelo que reforço o "aparente". Sei que após ser derrubado com um pontapé "técnico", o agredido se quedou imobilizado e deixou de oferecer resistência. Apesar disso, foi socado e pontapeado pelo agressor, o que põe em causa os seus direitos fundamentais, bem como a capacidade do agente para o ser. 

Segundo foi hoje divulgado, a PSP avançou de imediato para abertura de um inquérito, o que se saúda, mas é importante que as suas conclusões sejam tornadas públicas, bem como o enquadramento da situação. Não poderá subsistir a dúvida após essa divulgação. Se prevaricou, o agente deve ser punido de acordo com a legislação em vigor.




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Agressão nº2


Agressor: Jonas Gonçalves Oliveira 

Agredido: Nuno Espírito Santo

Local: Relvado do Estádio da Luz, durante o Clássico


Aquando de uma disputa de bola na proximidade do banco do Porto, o agressor aproveitou o movimento resultante para se deixar embalar, ao invés de tentar travá-lo, na direcção do agredido, provocando assim o choque sem nunca se tentar desviar.

É bem conhecida a total inabilidade de Nuno para lidar com perguntas que lhe são colocadas em cima do acontecimento, sem tempo prévio para ponderar sobre os factos e elaborar uma resposta adequada.

Ao invés de apontar de imediato o dedo ao jogador, quis "armar-se em macho latino" e brincar com a situação. Um erro colossal, mas que pode e deve ser corrigido pelo Clube, através dos seus departamentos jurídico e de comunicação. 

Jonas agrediu o nosso treinador. De nada importa se o magoou ou não, se foi no pé, na cara ou no tronco. Importa sim a intenção dolosa do agressor, comprovada pela simples análise do seu movimento.

É fundamental que o Porto faça deste caso um exemplo e exija junto das autoridades desportivas competentes a punição imediata de Jonas.


Que tipo de punição?



Ontem assisti incrédulo a comentadores, analistas e até ex-árbitros a defenderem que Jonas devia ter sido advertido. O quê??

(Para quem não saiba, ser advertido significa receber um cartão amarelo)

A Lei 12 das Leis de Jogo define claramente as situações em que o cartão amarelo deve ser mostrado.

"Um jogador deve ser advertido quando:
• retardar o recomeço do jogo;
• manifestar desacordo por palavras ou por atos;
• entrar ou reentrar ou deliberadamente deixar o terreno de jogo sem autorização
do árbitro;
• não respeitar a distância exigida quando o jogo recomeça com um pontapé de canto, um pontapé-livre ou um lançamento lateral;
• infringir com persistência as Leis do Jogo (não está definido o número a partir do qual se pode falar de “persistência”, nem um padrão de comportamento);
• se tornar culpado de comportamento antidesportivo."

Fica claro que não houve motivo para advertência a Jonas nesta situação (mas sim em muitas outras, ao longo do jogo).





E em que situações está prevista a expulsão?



"Um jogador, um suplente ou um jogador que tenha sido substituído deve ser expulso do terreno de jogo quando cometa uma das infrações seguintes:
• impedir a equipa adversária de marcar um golo, ou anular uma clara oportunidade de golo, tocando deliberadamente a bola com a mão (isto não se aplica ao guarda-redes na sua própria área de penálti);
• anular uma clara oportunidade de golo de um adversário que se dirija para a sua baliza, cometendo uma infração passível de um pontapé-livre ou de um pontapé de penálti (exceto da forma descrita abaixo);
• tornar-se culpado de uma falta grosseira;
• cuspir num adversário ou sobre qualquer outra pessoa;
tornar-se culpado de conduta violenta;
• usar linguagem ou gestos ofensivos, injuriosos e ou grosseiros;
• receber uma segunda advertência no decurso do mesmo jogo."


É transparente como a água da mais pura nascente. Jonas teve uma conduta violenta para com Nuno Espírito Santo. Não há sequer lugar a outra interpretação. Basta ver o seu movimento.

Portanto, deveria ter sido expulso ao minuto oito, com tudo o que a inferioridade numérica implicaria no desenrolar dos restantes oitenta e dois. É incrível como "ninguém" é capaz de dizer isto alto e em bom som.


Não tendo sido expulso, o que sobra de punição



Vejamos o que enuncia o Regulamento Disciplinar 2016/17 da Liga Portugal, na SUBSECÇÃO II - INFRAÇÕES DISCIPLINARES MUITO GRAVES, Artigo 145.º - Agressões, nº1. alínea b):

"São punidas nos termos das alíneas seguintes as agressões praticadas pelos jogadores contra os membros dos órgãos da estrutura desportiva, elementos da equipa de arbitragem, observadores, delegados da Liga, dirigentes ou delegados ao jogo de outros clubes, agentes de segurança pública, e treinadores:

a) no caso de agressão que determine lesão de especial gravidade, com a sanção de suspensão a fixar entre o mínimo de três meses e o máximo de três anos e, acessoriamente, com a sanção de multa de montante a fixar entre o mínimo de 50 UC e o máximo de 250 UC; 

b) noutros casos de agressão, com a sanção de suspensão a fixar entre o mínimo de dois meses e o máximo de dois anos e, acessoriamente, com a sanção de multa de montante a fixar entre o mínimo de 25 UC e o máximo de 125 UC."


É disto que se trata, uma suspensão entre dois meses e dois anos para Jonas! É por isto que o Porto tem que lutar, por que se trata da mais elementar justiça.


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Agressão nº 3


Agressor: Jogador do Canelas 2010 

Agredido: Árbitro do jogo 

Local: Campo do Rio Tinto, durante o jogo Rio Tinto - Canelas 2010


As imagens difundidas para lá da exaustão chocaram qualquer pessoa de bem, simplesmente animalesco, próprio de um marginal inadaptado para viver em sociedade.

Terá direito à sua defesa criminal, como qualquer outro cidadão, a quem caberá demonstrar que se tratou de um acto irreflectido e excepcional. A mim não, até porque não acredito na excepcionalidade do acto.




Mas há mais culpados, para lá do agressor.

Em primeiro lugar, os dirigentes do Canelas 2010. É quase anedótica a entrevista do canastrão presidente do clube à TSF, assumindo uma inadmissível postura de consternação e surpresa, como se tivesse aterrado hoje vindo do Marte, após vários anos de ausência.

Então o senhor não sabia já das agressões recorrentes que vários jogadores da sua equipa cometiam contra jogadores de outras equipas, ao ponto de ter havido um boicote aos jogos? Ou será que só agora é que considera grave, por o agredido ser um árbitro? Ridículo. Incrível também como a TSF se presta a ser veículo destas tristes figuras sem fazer o mínimo contraditório. 

Em segundo lugar, os próprios árbitros daquela divisão/categoria. Se é verdade que não expulsavam jogadores do Canelas por serem ameaçados e coagidos, porque não se recusaram a apitar os jogos do Canelas, assumindo uma posição de força com o apoio da APAF?

Por último, a Associação de Futebol do Porto e, por inerência, a FPF. Toda a gente viu os vídeos das agressões a jogadores de outras equipas, por que raio se acomodaram e se esconderam atrás dos "trâmites processuais"? São homens ou são ratos?

Vêm agora falar de repor a irradiação, pena que nunca deveria ter sido suprimida em primeiro lugar. Tudo bem, que o façam e já, mas este árbitro já não recupera o que perdeu neste incidente. E, por sorte, as consequências não serão ainda mais gravosas.

A irresistível colagem por parte dos mérdia ao Porto foi instantânea. Afinal, trata-se da equipa onde joga o Madureira e outros membros dos Super Dragões, incluindo o próprio agressor. Como é óbvio, não há qualquer responsabilidade directa do Clube no sucedido. Nada nem ninguém do Porto poderia impedir que a agressão se consumasse. Tudo o que se tentar dizer em contrário é absurdo e mal-intencionado. Normal, portanto.


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Mas o facto de o meliante ser um membro destacado dos Super Dragões não é - ou não deveria ser - irrelevante para o Clube, sobretudo se for mesmo verdade que se trata de um dos "tenentes" do líder da claque (que aliás, num primeiro momento, me pareceu também ir pedir "explicações" ao árbitro pela expulsão). Alguém que supostamente é bem conhecido do clube e com quem interage com (mais ou menos) frequência.

A claque é reconhecida e recebe vários apoios do clube. Há um funcionário do clube responsável pela ligação com os adeptos. Há um líder, mais famoso do que o tremoço, que tem de responder pela claque. O Porto tem que exigir uma conduta "mínima" aos membros da claque, em particular aos seus líderes, porque é sabido que serão sempre associados ao Clube em qualquer situação negativa. Saindo fora dessa conduta, deve haver implicações, desde suspensão temporária à expulsão da claque. Ou terminar todo e qualquer apoio por parte do Clube até que isso aconteça.

Nada disto existe, continua a vigorar a lei da selva, mas já vai sendo tempo de se pensar muito seriamente no assunto e passar da teoria à práctica.

Por último, que ninguém queira usar o argumento de que o agressor não estava naquele momento no papel de Super Dragão, porque isso não existe. Cada pessoa é um todo, soma das suas múltiplas facetas, não se pode desligar umas e ligar outras quando se trata de assumir responsabilidades. Para isso já basta os medíocres políticos que vamos tendo.


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E já agora, para quando a obrigatoriedade, em dias de jogo, da apresentação numa determinada esquadra, de indivíduos sinalizados como desordeiros ou problemáticos, sejam eles membros de claques ou paizinhos imbecis de jogadores das "escolinhas"?
 


Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco




Onde Está a Bola? #41


Com as grandes decisões do campeonato à porta, regressa o "Onde Está a Bola?" para oferecer mais dois bilhetes, agora para o jogo contra o CF Os Belenenses, a disputar no próximo sábado dia 8 de Abril pelas 18h15.

Como habitualmente, para se habilitar a ganhar basta que o estimado leitor descubra onde está escondida a bola original na imagem abaixo (ou se não está lá de todo). É fácil, barato e dá bilhetes!


Onde Está a Bola? #41


Respostas possíveis #41 (Belenenses):

A - Bola Azul e Branca
B - Bola Verde 
C - Bola Laranja
D - Bola Amarela
E - Não há nenhuma bola escondida 


Já descobriu? Então deixe o seu palpite na caixa de comentários, tendo em atenção as seguintes regras de participação:


1 - Escrever a resposta que considera acertada na caixa de comentários deste post, indicando igualmente um nome e um email válido para contacto em caso de vitória.

2 - Entre os que acertarem, será sorteado o vencedor através da app Lucky Raffle (iOS).

3 - Para ser elegível para receber os bilhetes, deverá fazer o obséquio de:

   a) Comprometer-se a enviar-me duas ou mais fotos da sua ida ao estádio (com pelo menos uma selfie) nas 48h seguintes ao jogo;

   b) Registar e confirmar o seu email (nas "Cartas de Amor", na lateral direita do blogue);

   c) Seguir o FB e o Twitter do DPcA (basta clicar nos links e "gostar" ou "seguir"). 
   Quem não tiver conta nesta(s) rede(s) não será excluído, mas... cuidado porque o Lápis vai investigar :-)

4 - Apenas será aceite uma participação (a primeira) por cada email válido.

5 - Cumpridos todos os critérios, o vencedor sorteado será contactado através de um email onde encontrará instruções sobre como e quando levantar os bilhetes.

6 - Se já tiver Dragon Seat ou outro tipo de acesso, poderá oferecê-los a um amigo ou familiar que não tenha a mesma sorte.

7 - A edição #41 deste passatempo termina às 23h00 de 6 de Abril e o vencedor (a quem será enviado um email logo após o sorteio) terá de reclamar o seu prémio até às 13h00 de dia 7.

8 - Se o vencedor não reclamar o prémio até à data e hora referidas no ponto anterior, será contactado o primeiro suplente. Se o primeiro suplente não reclamar o prémio até ao prazo limite indicado no email de contacto, será contacto o segundo suplente (e assim sucessivamente até que um sorteado reclame o prémio).

E é só! Concorra e divulgue, queremos o Dragão sempre cheio!


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Falta ainda dar conta do vencedor da edição anterior, a #40.


#40 - V. Setúbal

 

Resposta certa: B - Bola Verde

 

Vencedor: Paulo Antunes!



Primeiro, a comparação entre imagem original e modificada.




Depois, os candidatos ao sorteio e respectivo vencedor.




Por último, a compilação das fotos tiradas pelo Paulo, testemunho de uma fé inabalável que merecia melhor retribuição...




Agora toca a concorrer, porque todos os jogos até final são para vencer e a equipa precisa de todos. Vamos lá encher o estádio!



Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco




domingo, 2 de abril de 2017

Ambição de Perna Curta


Estão encerradas as contas do Clássico. Pontos repartidos, tudo na mesma na tabela, uma jornada a menos por disputar e o Porto a já não depender apenas de si para ser campeão. Satisfeito, Nuno?

Por tudo o que fez e disse, não tenho dúvidas de que Nuno saiu feliz do Estádio da Luz. Inacreditável.




Este jogo teria sido aceitável - recomendável, até - se tivéssemos ganho ao Setúbal, como era nossa obrigação. Aí sim, justificar-se-iam as cautelas, o "mais vale segurar um ponto do que tentar ganhar três e ficar sem nenhum". Nas circunstâncias em que entramos hoje em campo, soube claramente a pouco.

Ainda no túnel de acesso ao relvado era possível descortinar a enorme tensão que os nossos jogadores sentiam. Faltou trabalho psicológico. A confirmação chegou mal o apito inicial do habilidoso Xistra se fez ouvir. Jogadores rígidos, passes a saírem curtos, presos a um receio desnecessário mas que lhes tolhia a capacidade de desenvolver o seu futebol.

O lance do penalti assinalado pelo ardiloso Xistra ilustra perfeitamente esse ligeiro descontrolo. Felipe foi imprudente, entrou mal ao lance e Jonas só teve de fazer o que faz melhor e piscar o olho ao Carlos. A perder logo aos sete minutos, terá havido quem temesse o pior. Eu, por exemplo. Mas, racionalizando agora, talvez tenha sido bom ter sofrido golo logo a abrir. Porque deixou de haver dúvidas quanto à necessidade de jogar para marcar, para manter o campeonato em aberto. De ficar à espera que o céu pudesse ou não nos cair na cabeça.

Apesar disso, pouco fizemos até ao intervalo. Entramos verdadeiramente no jogo a partir do quarto de hora, tivemos algumas aproximações à área contrária, mas nenhuma verdadeiramente capaz de se finalizar em golo. O livre de Brahimi foi o que de mais parecido conseguimos. Quem também não fez muito mais foi o adversário, cujo maior mérito terá sido o de saber agarrar a vantagem que lhe caíra do céu aos xistralhões.

Na segunda parte, inverteram-se os papéis. Entrada mais forte do Porto e golo igualmente madrugador, fruto de muita persistência e basta qualidade de Brahimi, André André e Maxi. Sobravam então uns longuíssimos quarenta minutos para jogar. Tudo nivelado, tudo para conquistar.

Poucos minutos volvidos, antecipava-se um bis do que Soares tinha feito contra o Sporting. Por azar, era Nélson Semedo quem desta vez ia na perseguição, o que intimidou o avançado e o levou a optar pela revienga, que apesar de bem sucedida, deu margem de manobra a Éderson para sair em grande estilo e matar o lance. Foi quase o nosso canto do cisne.

Daí até final, o Benfica esteve sempre por cima e mais perto de marcar. Foi San Iker que mais uma vez nos manteve vivos. As substituições não trouxeram nada de positivo, bem pelo contrário, ainda que por motivos diferentes. Jota foi absorvido pelo cerco adversário e o seu momento de glória sonegado por um dos assistentes do manhoso Xistra. André Silva entrou tenso e desconcentrado, só diminui à nossa já de si parca capacidade de pressionar alto e construir ataques. Otávio entrou tarde de mais para poder ser relevante. Elemento comum a todas as substituições: nem um milímetro adicional de risco. Zero. Nada.

No final, dei-me por contente por não ter perdido. Mesmo se empurrado pelo viscoso Xistra, o Benfica foi, pela primeira vez em muitos anos, claramente superior. Foi preciso ir buscar NES para conseguir fazer deste conjunto banal de jogadores uma equipa melhor do que a nossa. É obra!

Pior do que a exibição, só mesmo ter de assistir a alguns tolinhos a festejar como se tivessem ganho.


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Notas DPcA 

Dia de jogo: 1/04/2017, 20h30, Estádio da Luz, SL Benfica - FC Porto (1-1)


Casillas (8): Uma vez mais providencial para garantir o empate. Jogador de jogos grandes = grande jogador. Uma vénia. E agradecido por os mandar baixar a bola.

Maxi (8): Queria muito elegê-lo como o homem do jogo, pelo golo e pela enorme e quase sobre humana bravura e resiliência com que defrontou a cavalaria encarnada, especialmente Rafa e Cervi. Vinha muito desgastado de dois jogos intensos pelo Uruguai, mas foi ao fundo da alma buscar as forças. Notável. Foi o melhor dos nossos e só não é o melhor em campo, porque esse vestia outra camisola.

Alex Telles (6): Sempre muito retraído (alô NES?), nunca foi a ajuda que Brahimi precisava para rebentar a defesa encarnada. Mas nem a defender esteve especialmente inspirado, tendo-lhe valido quase exclusivamente a raça com que se entregou ao jogo.

Marcano (7): Teve algumas desatenções complicadas, sobretudo em lances de bola parada, mas a exibição foi globalmente segura e bem positiva. Bem nas dobras e antecipações, nunca foi foco de destabilização, bem pelo contrário.

Felipe (5): Lance displicente, a não repetir (sobretudo porque não foi a primeira vez), que poderia ter deitado tudo a perder. Demorou um pouco a recompor-se e nunca foi verdadeiramente o melhor Felipe, traído amiúde por perigosos passes falhados e abordagens fora de tempo. Acontece. 

Danilo (5): Escolheu mal o momento da época para baixar (drasticamente) de rendimento. Começou com o Setúbal e deu seguimento hoje. Mordeu o isco de Jonas demasiadas vezes, saindo da posição e deixando uma clareira aberta para infiltrações inimigas. Foi ingénuo. Ou é ainda ingénuo, não sei. Mas custou-nos muitos calafrios. A atacar, tentou virar o jogo variadas vezes, mas sempre sem criar rupturas - a excepção foi o passe que isolou Soares.

Óliver (6): Teve dificuldade em conter o meio-campo adversário (culpas repartidas com NES) e nunca foi realmente importante a atacar. Jogo esforçado mas pouco relevante, sem nada que fique na retina.

André André (7): Foi o nosso melhor jogador no primeiro tempo, pena que quase mais ninguém estivesse disponível para emparelhar com ele. Bem a marcar e a pressionar, mas melhor ainda a forçar as saídas, com garra mas também com critério. Infelizmente quebrou por volta da hora de jogo e começou a desaparecer. E que tal treinar mais o cardio para fazer noventa minutos de grande nível?


 
< 87' Brahimi (7): O agitador de massas do costume, sempre à procura de porfiar por todo e qualquer buraquinho, foi o principal foco de preocupação dos adversários. Chega a "enjoar" só de o ver fazer tantas curvas e contra-curvas. Tem uma capacidade técnica de eleição e até rara, mas hoje, como em muitos outros jogos, faltou dar-lhe o melhor uso possível: um último passe de morte ou um remate vitorioso. Sem isso, sabe a algo inacabado. Ainda assim, um bom jogo.

< 67' Corona (6): A "surpresa" no onze, quis ser protagonista e também ele se permitiu dar asas à sua técnica, um pouco mais longitudinal do que a do argelino, mas igualmente sem um bom final para tanta habilidade. Foi sugerido que saiu por lesão (não consegui confirmar), mas a verdade é que estava já no seu pior momento da partida e era o candidato principal a ir tomar banho mais cedo.

< 72' Soares (5): Parece ter esgotado o fogo-de-artifício com que nos maravilhou a todos à sua chegada, agora é apenas um jogador normal, que acerta e falha como os demais. Naquele lance, ficou a sensação que poderia ter tentado ir a direito até ao fim... e que bonito seria, saber que ainda se mantinha num plano extraterrestre. No restante, teve dificuldade em segurar e combinar, não dando tempo aos companheiros para subir. Foi substituído pela miúfa de NES.

> 67' Diogo Jota (5): Não acrescentou muito ao pouco que Corona vinha fazendo antes da substituição, sendo obrigado a dar mais atenção ao plano defensivo, mesmo tratando-se de Eliseu o seu adversário directo... Uma única vez, arrancou isolado rumo à glória mas um erro arbitral interrompeu-lhe o lance.

> 72' André Silva (4): Está uma sombra do que é, sem confiança nem instinto de jogo. Está tudo na cabeça, pois claro. Insisto, precisa de ir ao psicólogo. E não adianta insistir antes de limpar a cabeça. Encravou. Foi claramente inferior a Soares, que também já não tinha sido grande coisa.

> 87' Otávio (-): Tempo insuficiente para se tornar relevante.

NES (4): Se o onze parecia acertado, a estratégia claramente não o era. Ou então o golo sofrido alterou tudo, mas não me parece. Quem pode ir jogar a casa do rival sem antever como razoavelmente provável sofrer um golo? Apesar dos discursos de ambição e nhanha, apenas transmitiu falta dela. Receio, cautelas, pequenez.

No jogo estratégico, foi claramente derrotado pelo treinador adversário. Nunca conseguiu perceber como estancar as investidas dos médios e alas pelo meio, porque não lhe ocorreu fixar Danilo à frente da defesa e repartir a vigilância a Jonas pelos outros médios. Ofensivamente, deixou a equipa partida, pela falta de "ambição" de Telles, sempre preso atrás. Apostou no transporte de bola de Óliver e André e no "Brahimi pega na bola e resolve" (sem apoio).

Um treinador confiante teria aproveitado o empate para tentar ganhar o jogo. Nuno apenas se esforçou por não o perder - e mesmo assim foi por pouco que o conseguiu. Terá assim tanta desconfiança das actuais capacidades dos seus jogadores?

Quer ser campeão à custa de terceiros. Espera poder chegar aos Aliados fruto do trabalho de estranhos ao Clube. Não entendo. Como não entendo a falta de uma crítica contundente no final à arbitragem tendenciosa, preferindo antes concordar com o penalti que nos foi marcado. Mas lá está, ele é "somos Porto". E eu sou do Porto. Um mundo de diferenças, um mundo de distância.





Outros Intervenientes:


Para variar, o Benfica conseguiu ser melhor do que nós. Uma raridade extraordinária. Para isso muito contribuiu a melhor leitura do jogo de Rui Vitória e principalmente as exibições de Nélson Semedo e Rafa, ambas muito bem conseguidas. No extremo oposto, Jonas, o palhaço de serviço, cabalmente aplaudido pelo astucioso Xistra e seus comparsas.


Chegámos então à nomeação do ano, Carlos Xistra. O tal que encomendou as faixas do #tricolinho. Começo já por dizer que aceito a marcação do penalti, mesmo achando que foi Jonas quem se atirou para cima de Felipe. Em velocidade real e sob pressão de todo aquele antro, compreende-se.

O que é incompreensível e inaceitável é a diferença de critérios aplicados a cada uma das equipas na marcação de faltas e advertências. Quem quiser rever o jogo (e for sério), que me tente explicar como é que só o Porto viu amarelos (cinco!). Como é que Pizzi, Sálvio, Jonas, Samaris e outros mais conseguiram chegar ao fim sem ver um cartãozinho que fosse. Nas faltas, as que não eram para amarelo, ainda houve maior dualidade. Incrível como não se marcavam infracções sucessivas sobre Brahimi, Corona, André André e Soares, ao passo que, no nosso meio campo, muito do que era papoila tombada era falta energicamente apitada. É assim que se encaminham jogos equilibrados. Uma vergonhosa arbitragem, mesmo se sem erros capitais.

Ah, mas esperem, houve um lance potencialmente capital mal avaliado: o offside mal assinalado a Jota quando se isolava para a baliza. Um lance onde havia boas probabilidades de acabar em golo.

E houve um efectivamente capital: o palhaço Jonas atingiu intencionalmente o treinador adversário, gesto que só pode ser considerado agressão, punível com expulsão no jogo e suspensão severa posterior. Tivesse sido com Luís Godinho e estava bem arranjado o palhaço. Ou seria Nuno o visado, por intencionalmente não se ter desviado do artista de circo?





Tudo somado, foi uma arbitragem à Benfica numa exibição à Porto dos da casa. O empate é mau para as nossas aspirações, mas nada compromete. Teremos que derrotar Belenenses, Braga e Feirense, para começar, para ver no que dará o derby quando formos a Chaves.

O que me custou mesmo foi a receita de falta de ambição da equipa, sem dúvida alguma cozinhada pelo chef Espírito Santo. Não esteve à altura dos nossos pergaminhos. O preço a pagar, só mais adiante saberemos. Entretanto, só nos resta amealhar todo e qualquer ponto em disputa. Todos juntos.



Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco



quinta-feira, 30 de março de 2017

Vamos Com Tudo!


Antes de começar a ler, deslize pela página e dê corda à banda sonora. Clic, já está.

Chegámos finalmente ao jogo do título. Em boas condições para os vencer, ao jogo e ao título. Não há como não aproveitar a oportunidade.


Bruno Sousa

Todos sabemos (nós e eles) que haverá ainda muito campeonato depois do Clássico. E que um empate manterá tudo em aberto até bem perto do final. E tudo o resto que se vai repetindo por estes dias, talvez com o intuito de desvalorizar a real importância deste jogo. True lies.

Eu não. Eu acredito piamente que quem vencer será campeão -  e que venceremos e seremos, enfim, campeões. 

Mas, se assim se passar, se ganharmos este jogo, aviso que cá estarei logo de seguida a dizer o contrário - que não, que nada está decidido, que temos ainda muitos jogos para ganhar. E até se o perdêssemos, coisa em que não acredito sequer por um segundo, diria que ainda nada estaria decidido. 

E sim, se desse empate, diria o mesmo. Só a convicção é que seria diferente em cada um dos cenários. 

É bom que treinadores e jogadores tomem consciência da importância fundamental deste jogo. E que, ao fazê-lo, cresçam à altura da sua responsabilidade e transformem eventuais receios numa convicção inabalável e numa determinação férrea.

Estamos num momento muito delicado da nossa história, onde se pode inverter ou consolidar uma inflexão no domínio do futebol nacional. Pouco importa como se chegou até aqui. Agora, apenas este jogo conta. 

Sabemos bem da cova profunda que nos vêm cavando há vários anos. Ela está pronta a receber-nos e os abutres já não deixam de circundar, ansiosos, as redondezas. As hienas arriscam mais uma dentada a cada distracção. O coveiro farfalhudo vai esfregando as mãos, antecipando a bonita cerimónia. Tudo conta e quase todos nos vão dando incessantes palmadinhas nas costas, a ver se finalmente nos deixamos cair até às profundezas do abismo.

Esquecem-se que a nossa indomável bandeira avançará sempre, azul, branca, imortal.

Mas isso não significa que não acabemos mesmo por cair na cova, e que por lá fiquemos demasiado tempo (um singelo segundo já o seria), antes de nos voltarmos a erguer, Kill Bill's way.

Normalmente calculista, desta vez digo sem hesitação que mais vale perder a tentar ganhar do que empatar conformado.

Nuno e rapazes, a bola está do vosso lado. Mostrem que estão à altura do nosso e do vosso destino. Desde 1893.




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Sobre a rábula dos bilhetes colocados à venda no Dragão, só tenho perguntas:

 - A que propósito estava o líder dos Superdragões a "coordenar" o processo junto às bilheteiras? Já é funcionário do clube e eu não me apercebi?

- Por que motivo o clube não disponibilizou ao seu universo de dezenas de milhares de sócios com lugar anual (e mínimo de 11 jogos assistidos!) mais do que "cerca de 300 bilhetes" dos 3.250 que recebeu?

- E como se justifica que quem saiu de lá com as mãos a abanar tenha sido abordado, logo à saída do recinto, para comprar os mágicos papéis já esgotados, desde que se dispusesse a pagar 5 ou 10 vezes mais?

Estamos na luta pela sobrevivência, mas nem assim os velhos vícios se desfazem. E mais não escrevo, porque não é o momento.


Pelo lado positivo, muito bem "sacados" os 1.700 bilhetes extra a casas do Benfica e patrocinadores, o que deverá significar um mínimo de 5.000 Portistas declarados na Luz. Obviamente bem o Clube a alertar para os riscos de segurança, "pedindo" a criação de um novo sector para acomodar estes Portistas imprevistos. Veremos como o clube visitado e as forças de segurança lidam com isto.

Como nota final, como é possível que supostos benfiquistas ferrenhos cedam bilhetes aos rivais? Maior do que o amor ao clube, só mesmo ao dinheiro?


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Carlos Xistra é o eleito para apitar o jogo. Sim, este Xistra, o "tricampeão". Só isto.

Reparem em como as coisas se fazem.

Uns dias antes de ser divulgada a surpreendente e até impensável nomeação, um "passarinho" sopra ao ouvido de um conhecido tele-comentador desportivo, que obviamente rejubila perante a oportunidade de fazer um brilharete e não hesita em lançar o nome para o pote dos potenciais candidatos.

E o que "dá" em troca ao passarinho? Uma limpeza de carácter do árbitro, dizendo e reforçando que "não está conotado nem com o Porto, nem com o Benfica". Simples. Mas falso.


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Vamos à Luz para ganhar. Vamos? Vamos! Vamos lá, c@r@lho!


Tripeiro eu sou
E tenho o meu Porto no meu coração
Serás sempre a minha paixão
(Eles dão) a vida para seres campeããããããooo!

A mim não me interessa onde vais jogar
Seja onde for, sabes que eu vou lá estar
Nem a morte nos vai separar
Até no céu por ti eu vou cantaaaaaaaaaaar!
 

Puuuuuuuooooooooooortooooooooo!




Do Porto com Amor,

Lápis Azul e Branco